SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.47 issue9 author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Papéis Avulsos de Zoologia

Print version ISSN 0031-1049On-line version ISSN 1807-0205

Pap. Avulsos Zool. (São Paulo) vol.47 no.9 São Paulo  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0031-10492007000900001 

Notas e novas espécies de Onciderini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae)

 

 

Ubirajara R. MartinsI,III; Maria Helena M. GalileoII,III

IMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42.494, 04218-970, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: urmsouza@usp.br
IIMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1.188, 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: galileo@fzb.rs.gov.br
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

Novas espécies descritas do Brasil: Hypsioma carioca sp. nov. (Rio de Janeiro) e Hesychotypa maraba sp. nov. (Pará); do Equador: Sternycha ecuatoriana sp. nov. (Pichincha); da Bolívia (Santa Cruz): Hesychotypa magnifica sp. nov., Tibiosioma maculosa sp. nov. e Alexera secunda sp. nov. Transfere-se Hesycha strandi (Breuning, 1943) para o gênero Cacostola Fairmaire & Germain, 1859. Hesychotypa archippa Dillon & Dillon, 1946 é considerada sinônima de H. miniata Thomson, 1868. Novo registro (Trinidad) e figura são dados para Trachysomus surdus.

Palavras-chave: Cerambycidae, Lamiinae, Neotropical, Onciderini, Taxonomia.


ABSTRACT

Notes and new species of Onciderini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae). New species described from Brazil: Hypsioma carioca sp. nov. (Rio de Janeiro) and Hesychotypa maraba sp. nov. (Pará); from Ecuador: Sternycha ecuatoriana sp. nov. (Pichincha); from Bolivia (Santa Cruz): Hesychotypa magnifica sp. nov., Tibiosioma maculosa sp. nov. and Alexera secunda sp. nov. Hesycha strandi (Breuning, 1943) is transferred to the genus Cacostola Fairmaire & Germain, 1859. Hesychotypa archippa Dillon & Dillon, 1946 is considered a synonym of H. miniata Thomson, 1868. New record (Trinidad) and figure for Trachysomus surdus Dillon & Dillon, 1946 are given.

Keywords: Cerambycidae, Lamiinae, Neotropical, Onciderini, Taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

A tribo Onciderini foi motivo de minuciosa revisão por Dillon & Dillon (1945, 1946). Posteriormente, vários autores publicaram descrições isoladas sobre o grupo, por exemplo, Gilmour (1950), Franz (1954), Breuning (1961), Fragoso (1970), Marinoni & Martins (1982), Giesbert (1984), Martins & Galileo (1990, 1998), Noguera (1993), Giorgi (2001), Galileo & Martins (2003).

A postura dos adultos é bem distinta e existem dois padrões conforme os gêneros. Espécies de Hypsioma Audinet-Serville, 1834, e gêneros afins, põem seus ovos em madeira em decomposição conforme constatamos em material na coleção do MZSP. Enquanto que as de Oncideres Lepeletier & Audinet-Serville, 1830 e gêneros relacionados, fazem posturas em madeira recém-abatida; as fêmeas previamente roletam os ramos, com as mandíbulas, antes de efetuar as posturas, no galho já derrubado. Se tal comportamento for realizado em árvores utilizadas para exploração econômica, frutífera ou ornamental esses insetos assumem grande importância econômica.

Amante et al. (1976), por exemplo, discutiram os danos de O. impluviata (Germar, 1824) na cultura da acácia-negra no Rio Grande do Sul.

Atualmente, Onciderini conta com 80 gêneros e cerca de 420 espécies (Monné, 2005) com distribuição predominante na América do Sul com poucas penetrações na América do Norte, principalmente do gênero Oncideres.

As siglas utilizadas no texto correspondem a: ACMS, American Coleoptera Museum, San Antonio (Coleção J. Wappes); MCNZ, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; MCZC, Museum of Comparative Zoology, Cambridge; MNHN, Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris; MNKM, Museo de Historia Natural Noel Kempff Mercado, Santa Cruz; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo; USNM, National Museum of Natural History, Washington.

Hypsioma carioca sp. nov.
(Fig. 1)

 


 

Tegumento castanho-escuro. Cabeça com pubescência uniforme, amarelo-acastanhada. Lobos oculares inferiores mais curtos que as genas. Antenômeros III-VII revestidos por pubescência castanha com as bases cobertas por pubescência branca; (antenômeros VIII-XI faltam).

Protórax revestido por pubescência uniforme, castanho-amarelada. Pronoto com cinco tubérculos rombos, os mais laterais apenas projetados.

Élitros com pubescência castanho-amarelada, indistintamente mais clara em algumas áreas irregulares; crista centro-basal com apenas três ou quatro grânulos; região entre as cristas centro-basais com apenas alguns grânulos pequenos e esparsos (32 x); úmeros muito projetados e arredondados.

Pernas e face ventral revestidas por pubescência castanho-amarelada. Centro dos urosternitos glabro e brilhante.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 17,9; comprimento do protórax, 2,8; maior largura do protórax (base), 4,8; comprimento do élitro, 13,6; largura umeral, 8,4.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BRASIL, Rio de Janeiro: Rio de Janeiro (Floresta da Tijuca), 25.II.1986, M. Hrabosvsky col. (MZSP).

Discussão. Segundo Tavakilian (comunicação pessoal), o holótipo de Hypsioma dejeanii Thomson, 1868, depositado no MNHN (Coleção Thomson) está sem a cabeça e o protórax. O Pe. J.S. Moure fotografou o holótipo em 1969 quando estava perfeitamente conservado. Essa fotografia foi examinada para estabelecer-se comparações com H. carioca sp. nov.

Hypsioma carioca sp. nov. (Fig. 1) distingue-se de H. dejeanii (Fig. 2) pela pubescência da cabeça, escapo e pronoto, branca e entremeada por numerosas manchas pequenas de pubescência acastanhada. Além disso, a crista centro-basal dos élitros é mais curta em H. carioca e com menos grânulos do que em H. dejeanii.

Hesychotypa magnifica sp. nov.
(Fig. 7)

 

 

 

 

Etimologia. Latim, magnificus = magnífico; devido ao esplendor do seu habitus.

Cabeça com tegumento castanho-escuro revestido por pubescência amarelada; duas manchas pequenas, glabras, entre os tubérculos anteníferos e duas manchas de pubescência preta no vértice; lado externo dos tubérculos anteníferos com pubescência preta. Pubescência amarelada reveste: escapo, pedicelo, dois terços basais do antenômero III, protórax, escutelo e profêmures. Lobos oculares inferiores tão longos quanto as genas. Tubérculos anteníferos (fêmea) muito projetados. Antenas apenas ultrapassam os ápices dos élitros. Escapo com dois anéis estreitos de pubescência castanha: um no meio e outro anteapical. Antenômero III com terço apical com pubescência acastanhada intercalada por máculas de pubescência branca. Antenômeros IV e seguintes com pubescência acastanhada entremeada por manchas pequenas de pubescência branca; bases com anel branco.

Protórax mais largo na base do que anteriormente com pequeno tubérculo lateral; tegumento castanho-escuro. Partes laterais do protórax com faixa de pubescência branca nos três quartos posteriores. Pronoto com cinco tubérculos: quatro látero-anteriores (os dois mais externos, situados um pouco atrás dos centro-laterais) e um, discreto, centro-basal; de cada lado, faixa estreita de pubescência castanho-escura que vai do friso basal até pouco adiante do meio; alguns pontos contrastantes esparsos entre as faixas.

Élitros, da base ao meio, com área triangular de pubescência laranja-acastanhada, delimitada posteriormente por faixa estreita, oblíqua, de pubescência castanho-escura. Lado de cada élitro com grande mancha de pubescência branca que se estende do úmero até próximo da sutura, bordeja a faixa castanho-escura e segue obliquamente para o lado da margem até o quarto apical. O lado externo dessa faixa, coberto por pubescência amarelada. Terço apical com pubescência amarelada entremeada por faixas estreitas, longitudinais, de pubescência branca. Pontuação elitral densa no triângulo basal laranja-acastanhado.

Protíbias com a metade basal amarelada e um anel acastanhado no quarto basal; a metade apical castanho-amarelada. Mesofêmures amarelados com anel central acastanhado. Metafêmures amarelados com largo anel de pubescência castanha entremeada por pequenos tufos de pubescência branca.

Face ventral com pubescência amarelo-alaranjada; centro do metasterno com pubescência amarelada. Centro dos urosternitos I-IV, castanho-escuro, entremeado por pubescência amarelo-alaranjada.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 17,2; comprimento do protórax, 3,2; maior largura do protórax, 4,8; comprimento do élitro, 12,9; largura umeral, 7,6.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BOLÍVIA, Santa Cruz: Potrerillos del Guenda (40 km NW de Santa Cruz, 17°40,3’S, 63°27,4’W), 22.XI-12.XII.2005, B.K. Dozier col. (MNKM).

Discussão. Hesychotypa magnifica sp. nov. caracteriza-se pelas duas faixas longitudinais, estreitas no pronoto; pelos tubérculos no pronoto bem projetados e pelo padrão de colorido dos élitros.

Hesychotypa maraba sp. nov.
(Fig. 3)

Etimologia. Marabá = nome de uma tribo de guerreiros, mará-aba = homens de guerra (Tibiriçá, 1997).

Tegumento da cabeça castanho, revestido por pubescência predominante amarelada. Fronte tão larga quanto longa. Escapo revestido por pubescência amarelada. Flagelômeros sem anel basal; com pubescência acastanhada e, no antenômero III, pequenas manchas indistintas de pubescência amarelada.

Protórax revestido por pubescência amarelo-alaranjada, mais esbranquiçada em algumas áreas, sem faixas longitudinais escuras. Tubérculos do pronoto muito discretos. Tubérculo lateral do protórax bem pronunciado. Mesepisterno, metepisternos e metepimeros com pubescência amarelada. Mesosterno com pubescência mais esbranquiçada. Urosternitos com pubescência esbranquiçada.

Élitros com tegumento castanho-avermelhado coberto por pubescência laranja-amarelada de aspecto grumoso; intercalando os grumos, pubescência esbranquiçada mais esparsa; o meio dos élitros com uma faixa estreita, bissinuosa e irregular, de pubescência esbranquiçada.

Fêmures com duas manchas dorsais de pubescência avermelhada. Lado externo da metade apical das tíbias com pubescência avermelhada.

Dimensões em mm, holótipo fêmea. Comprimento total, 18,8; comprimento do protórax, 3,2; maior largura do protórax, 5,4; comprimento do élitro, 14,0; largura umeral, 5,8.

Material-tipo. Holótipo fêmea, BRASIL, Pará: Marabá, X.1974, J.F. Reinert col. (MZSP).

Discussão. Hesychotypa maraba sp. nov. apresenta padrão de colorido elitral representado por uma faixa de pubescência branca, estreita e bissinuosa que também ocorre em H. liturata (Bates, 1865), H. aeropa Dillon & Dillon, 1945, H. subfasciata Dillon & Dillon, 1945 e H. fernandezi Martins & Galileo, 1999. Hesychotypa maraba sp. nov. distingue-se de todas pela ausência de faixas escuras no pronoto e pela pubescência laranja-amarelada organizada em grumos nos élitros.

Hesychotypa miniata Thomson, 1868

Hesychotypa miniata Thomson, 1868: 54; Monné, 2005: 554 (cat.).

Hesychotypa archippa Dillon & Dillon, 1945: 165 syn. nov.

Ao examinarmos a figura do holótipo (Tavakilian) de H. miniata constatamos sua sinonímia com H. archippa, também examinada pela fotografia do holótipo (site do Museum of Comparative Zoology, 2005).

Material examinado do MZSP. BRASIL, Minas Gerais: Passa Quatro (Fazenda dos Campos), fêmea, I.1918, J.F. Zikán col. Rio de Janeiro: Itatiaia, 2 fêmeas, XI.1962, Dirings; (700 m), fêmea, I.1915, J.F. Zikán col.; macho, fêmea, I.1915, J.F. Zikán col.; (Estação Biológica), fêmea, X.1932, W. Zikán col.; fêmea, XI.1932, W. Zikán col.; São Paulo, fêmea, J.C. Dixon col. Santa Catarina: Anita Garibaldi, fêmea, I.1935, Dirings; Corupá, fêmea, XI.1933, A. Maller col.; Rio Vermelho, fêmea, I.1961, Dirings; fêmea, I.1958, Dirings; Timbó, 2 fêmeas, III.1957, Dirings; macho, 2 fêmeas, III.1962, Dirings; fêmea, II.1963, Dirings.

Sternycha ecuatoriana sp. nov.
(Fig. 5)

Tegumento acastanhado revestido, em todo corpo, por pubescência castanho-clara, esparsamente entremeada por pubescência branca. Lobos oculares inferiores mais longos do que as genas. Antenas do macho atingem o ápice dos élitros na ponta do antenômero IX. Antenas acastanhadas com metade basal dos antenômeros IV, VI, VIII, X e XI amarelada; anel basal estreito, esbranquiçado, nos antenômeros V, VII e IX.

Pronoto com área centro-longitudinal levemente deprimida. Lados do protórax com sulco oblíquo. Processo prosternal sem carena transversal. Processo mesosternal com tubérculo um pouco projetado anteriormente.

Élitros cobertos por pubescência acastanhada e, no quarto apical, com grande mancha de pubescência mais amarelada, pouco contrastante e de contorno irregular. Pernas e face ventral com pubescência predominantemente acastanhada.

Dimensões em mm, holótipo macho. Comprimento total, 10,8; comprimento do protórax, 2,0; maior largura do protórax, 3,1; comprimento do élitro, 8,1; largura umeral, 4,4.

Material-tipo. Holótipo macho, EQUADOR, Pichincha: Tinalândia (E Alluriquin, 700 m), 4-8.V.1976, T.E. Rogers col. (ACMS).

Discussão. Em Sternycha ecuatoriana sp. nov. o processo prosternal não possui carena transversal e os lobos oculares inferiores são mais longos que as genas. Pela chave para as espécies sul-americanas de Sternycha (Martins & Galileo, 1990), S. ecuatoriana assemelha-se mais a S. diasi Martins & Galileo, 1990. Separa-se pela ausência de mancha branca no dorso dos élitros, pelo antenômero IV bicolor e pela presença de mancha amarelada apical e indistinta, nos élitros.

Tibiosioma maculosa sp. nov.
(Fig. 6)

Etimologia. Latim, maculosa = com manchas; alusivo ao padrão de colorido dos élitros.

Tegumento preto a castanho-avermelhado. Fronte mais longa do que larga (comprimento em mm, 2,5; largura, 2,0). Lobos oculares inferiores tão longos quanto as genas. Metade basal do escapo com rugas no lado externo. Antenômero III inteiramente recoberto por pubescência acastanhada; antenômeros IV, VI e VIII com pubescência branca no lado dorsal da metade basal e inteiramente brancos na face ventral.

Protórax com lados quase perfeitamente paralelos, apenas levemente abaulados no meio; revestimento de pubescência amarelada mais adensada em algumas regiões onde forma redomoinhos; presença de pontos contrastantes esparsos. Escutelo revestido por pubescência amarelada com uma linha longitudinal, central, glabra.

Élitros cobertos por pubescência castanha, entremeada em toda a superfície (principalmente na metade posterior) por manchas pequenas e irregulares de pubescência branca. Úmeros projetados e arredondados.

Face ventral com pubescência esbranquiçada no centro e amarelo-alaranjada nos lados. Procoxas do macho com processo espiniforme, variável de acordo com o tamanho do indivíduo.

Dimensões em mm, macho/fêmea respectivamente. Comprimento total, 13,2-15,2/11,3-15,6; comprimento do protórax, 2,2-2,8/2,3-2,5; maior largura do protórax, 3,2-4,1/4,0-4,1; comprimento do élitro, 9,6-10,7/11,8-12,3; largura umeral, 5,5-6,7/6,8-6,9.

Material-tipo. Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Potrerillos del Guendá (40 km NW de Santa Cruz, 17°40,3’S, 63°27,4"W), 22.XI-12.XII.2005, B.K. Dozier col. (MNKM). Parátipos: BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista: ("vicinity" Hotel Flora & Fauna), macho e fêmea, 17-20.X.2000, R. Morris col. (MZSP, ACMS); ditto (Hotel Flora & Fauna, 3,7 km SSE, 430 m), fêmea, 14-19.X.2000, M.C. Thomas col. "tropical transition forest" (ACMS).

Discussão. Tibiosioma maculosa sp. nov. difere de T. flavolineata Giorgi, 2001 pela fronte sensivelmente mais longa do que larga; pelo antenômero III reto e com pubescência acastanhada unicolor; pelos élitros com pubescência castanha entremeada por pequenas manchas de pubescência branca; pela pubescência amarelada do protórax disposta em redomoinhos. Em T. flavolineata, segundo a descrição, a fronte é subquadrangular; o antenômero III é levemente curvado e a metade basal é coberta por pubescência branca; o corpo é completamente revestido por pubescência predominantemente castanho-escura; a pubescência do pronoto é uniforme, menos a faixa longitudinal de pubescência amarelada no centro (de acordo com a figura de Giorgi, 2001).

Alexera secunda sp. nov.
(Fig. 4)

Etimologia. Latim, secunda = segunda, por constituir-se na segunda espécie do gênero.

Tegumento, em geral, castanho-escuro. Fronte longitudinal com pubescência amarelada entremeada por pequenas máculas glabras. Lobos oculares inferiores com mais do que o dobro do comprimento das genas. Vértice e lados da cabeça com pubescência amarelada. Antenas do macho atingem o ápice dos élitros na ponta do antenômero IX. Escapo clavado com sulcos transversais no lado inferior da base; revestido por pubescência amarelada e pontos contrastantes. Antenômero III ligeiramente bissinuoso; antenômeros IV-XI com a base esbranquiçada.

Protórax tão largo anteriormente quanto na base com os lados ligeiramente abaulados no centro. Partes laterais do protórax com faixa longitudinal de pilosidade mais clara. Pronoto coberto por pubescência amarelada e com alguns pontos contrastantes, esparsos.

Élitros com pubescência amarelada quase uniforme. Carena umeral aproxima-se do meio dos élitros.

Profêmures com rugosidades no lado dorsal até quase o meio; pubescência amarelada com alguns pontos contrastantes. Meso-, metafêmures e tíbias com pubescência amarelada entremeada por alguns pontos contrastantes; meso- e metafêmures pedunculados e clavados. Face ventral com pubescência amarelada.

Dimensões em mm, macho. Comprimento total, 11,4-12,1; comprimento do protórax, 2,2-2,4; maior largura do protórax, 3,0-3,1; comprimento do élitro, 8,2-8,8; largura umeral, 4,0-4,5.

Material-tipo. Holótipo macho BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (3,6 km SSE, Hotel Flora & Fauna, 430 m), 15-22.XI.2001, B.K. Dozier col., "blacklight trap, transition forest" (MNKM). Parátipo macho, ditto, M.C. Thomas & B.K. Dozier col., "blacklight trap, tropical transition forest" (ACMS).

Discussão. Alexera secunda sp. nov. é a segunda espécie do gênero e apresenta alguns caracteres que diferem daqueles do gênero Alexera Dillon & Dillon, 1945: antenas apenas mais longas que o corpo; protórax tão largo anteriormente quanto na base; profêmures com rugosidades na face dorsal. Em Alexera barii (Jekel, 1861), espécie-tipo, as antenas dos machos têm vez e meia o comprimento do corpo; o protórax é levemente tronco-cônico e os profêmures não têm grânulos. Concorda com A. barii pelos lobos oculares inferiores com mais do dobro do comprimento da gena; pela carena umeral longa, quase atinge o meio e pelas procoxas com projeção tuberculiforme.

O padrão de colorido distingue A. secunda sp. nov. de A. barii.

Cacostola strandi (Breuning, 1943) comb. nov.

Estolosybra strandi Breuning, 1943: 41.

Falsestola strandi; Breuning, 1971: 252.

Hesycha strandi; Martins & Galileo, 2001; Monné, 2005: 552 (cat).

Transferimos esta espécie para o gênero Hesycha (Martins & Galileo, 2001) por julgá-la congenérica com Hesycha inermicollis (Breuning, 1940). Examinamos a fotografia do holótipo depositado no USNM procedente da Venezuela. Sua colocação em Cacastola Fairmaire & Germain,1859 parece-nos a mais correta.

Trachysomus surdus Dillon & Dillon, 1946
(Fig. 8)

Trachysomus surdus Dillon & Dillon, 1946: 242; Monné, 2005: 596 (cat.).

Trachysomus surdus foi descrita com base num macho do Panamá e T. mexicanus Dillon & Dillon, 1946 descrita também de um macho do México, Colima. As duas espécies têm em comum uma faixa amarelada no centro do pronoto e diferem, segundo Dillon & Dillon (1946: 242) em T. surdus: pela presença de duas máculas de pilosidade preta no vértice; pelas gibosidades da base dos élitros apenas mais proeminentes com grânulos mais aguçados; pelas projeções anteapicais dos élitros largamente circundadas por pêlos brancos e pelos urosternitos I-III ocráceos e os IV-V castanho-escuros. Em T. mexicanus, segundo os mesmos autores, o vértice tem três maculas de pubescência preta, uma de cada lado e uma no meio, mais à frente, entre os tubérculos anteníferos; gibosidades basais "large, well-elevated, granulate, extreme base with two robust teeth" e as protuberâncias anteapicais estreitamente circundadas por pêlos brancos.

Examinamos as fotografias dos holótipos, ambos depositados no USNM e as diferenças entre ambos concordam com os comentários de Dillon & Dillon, mas nos parecem, que podem ser caracteres sujeitos a variações. Além disso, examinamos exemplares da Colômbia (Magdalena) e agora um exemplar de Trinidad y Tobago (Fig. 8, ACMS). Esses exemplares mostram uma variação no tufo anteapical com menos ou mais branco. Talvez o exame de material mais abundante conduza T. surdus à sinonímia de T. mexicanus.

 

AGRADECIMENTOS

A James Wappes (ACMS) pelo envio do material para estudo; a Eleandro Moysés (MCNZ) pela execução das fotografias e a Rejane Rosa (MCNZ) pela confecção das ilustrações.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMANTE, E.; BERLATO, M.A.; GESSINGER, G.I.; DIDONÉ, I.A. & RODRIGUES, I.C. 1976. Bioecologia do "serrador" da Acácia-negra Oncideres inpluviata (Germar, 1824) (Coleoptera, Cerambycidae) no Rio Grande do Sul. I. Etologia. Agronomia sulriograndense, 12(1):1-56.        [ Links ]

BREUNING, S. 1943. Novae species Cerambycidarum. XII. Folia Zoologica et Hydrobiologica, 12:12-66.        [ Links ]

BREUNING, S. 1961. Nouvelles formes de Lamiaires (Treiziéme partie). Bulletin de l’ Institut de Sciences Naturelles, 37(20):1-44.        [ Links ]

BREUNING, S. 1971. Revision des espèces américaines de la tribue des Apomecynini Lac. (Coleóptera, Cerambycidae). Entomologische Abhandlungen Staatliches Museum für Tierkunde, 37(3):209-335.        [ Links ]

DILLON, L.S. & DILLON, E.S. 1945. The tribe Onciderini. Part I. Scientific Publications of the Reading Public Museum, 5:1-186.        [ Links ]

DILLON. L.S. & DILLON, E.S. 1946. The tribe Onciderini. Part II. Scientific Publications of the Reading Public Museum, 6:189-413.        [ Links ]

FRAGOSO, S.A. 1970. Novas espécies do gênero Oncideres Serville, 1835. Atas da Sociedade de Biologia, 14(3 4):79-83.        [ Links ]

FRANZ, E. 1954. Cerambycidae aus El Salvador. Senckenbergiana, 34(4 6):213-229.        [ Links ]

GALILEO, M.H.M. & MARTINS, U.R. 2003. Cerambycidae da Colômbia. V. Lamiinae com unhas tarsais divergentes. Iheringia, Série Zoologia, 93(2):167-176.        [ Links ]

GIESBERT, E.F. 1984. The genus Ischiocentra in Central America. Wasmann Journal of Biology, 42(1 2):78-83.        [ Links ]

GILMOUR, E.F. 1950. New Onciderini. Revista de Entomologia, 21(3):537-544.        [ Links ]

GIORGI, J.A. 2001. Espécie nova de Tibiosioma Martins & Galileo, 1990 (Onciderini). Boletim do Museu Nacional, Zoologia, 445:1-3.        [ Links ]

MARINONI, R.C. & MARTINS, U.R. 1982. Notas e descrições em Cacostola Fairm. & Germ., 1859 (Onciderini). Revista Brasileira de Entomologia, 26(3-4):247-251.        [ Links ]

MARTINS, U.R. & GALILEO, M.H.M. 1990. Onciderini: sinonímias, novos táxons, chaves e notas. Papéis Avulsos de Zoologia, 37(4):53-95.        [ Links ]

MARTINS, U.R. & GALILEO, M.H.M. 1998. Novas sinonímias e novos táxons em Cerambycidae neotropicais. Revista Brasileira de Zoologia, 15(1):47-58.        [ Links ]

MARTINS, U.R. & GALILEO, M.H.M. 2001. Descrições, transferências e notas em Apomecynini (Lamiinae). Revista Brasileira Zoologia, 18(4):1227-1235.        [ Links ]

MONNÉ, M.A. 2005. Catalogue of the Cerambycidae (Coleoptera) of the Neotropical Rergion. Part II. Subfamily Lamiinae. Zootaxa, 1023:1-759.        [ Links ]

MUSEU OF COMPARATIVE ZOOLOGY. 2005. MCZ Type Database. Available at: <http://mcz-28168.oeb.harvard.edu/mcztypedb.htm> Access date: 01.Jan.2007.        [ Links ]

NOGUERA, F.A. 1993. Revisión taxonómica del genero Oncideres Serville en Mexico. Folia Entomologica Mexicana, 88:9-60.        [ Links ]

TAVAKILIAN, G.L. Cerambycidae. Available at: <www.orleans.ird.fr/titan> Access date: 01.Jan.2007.        [ Links ]

THOMSON, J. 1868. Révision du groupe des oncidérites. Physis Recueil d’ Histoire Naturelle, 2(5):41-92.        [ Links ]

TIBIRIÇÁ, L.C. 1997. Dicionário de topônimos brasileiros de origem tupi. Traço, São Paulo,197p.        [ Links ]

 

 

Recebido em: 08.12.2006
Aceito em: 19.04.2007
Impresso em: 06.09.2007

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License