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Papéis Avulsos de Zoologia (São Paulo)

Print version ISSN 0031-1049

Pap. Avulsos Zool. (São Paulo) vol.48 no.7 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0031-10492008000700001 

Novos Cerambycinae (Cerambycidae) da Região Neotropical

 

 

Maria Helena M. GalileoI,III; Ubirajara R. MartinsII,III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: galileo@fzb.rs.gov.br
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42.494, 04218-970, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: urmsouza@usp.br
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

Descrevem-se e ilustram-se espécies novas da Bolívia (Santa Cruz), em Ectenessini, Ectenessa zamalloae sp. nov. e Bomarion amborense sp. nov.; em Eburiini, Beraba pallida sp. nov.; em Piezocerini, Gorybia quadrispinosa sp. nov. e em Tillomorphini, Epropetes bolivianus sp. nov.; da Costa Rica (Guanacaste), Xalitla lezamai sp. nov.

Palavras-chave: Ectenessini; Ibidionini; Neotropical; Piezocerini; Tillomorphini.


ABSTRACT

New species described and illustrated from Bolivia (Santa Cruz), in Ectenessini: Ectenessa zamalloae sp. nov. and Bomarion amborense sp. nov.; in Eburiini: Beraba pallida sp. nov.; in Piezocerini: Gorybia quadrispinosa sp. nov. and in Tillomorphini: Epropetes bolivianus sp. nov.; from Costa Rica (Guanacaste): Xalitla lezamai sp. nov.

Keywords: Ectenessini; Ibidionini; Neotropical; Piezocerini; Tillomorphini.


 

 

INTRODUÇÃO

Na presente contribuição, descrevemos seis novas espécies de Cerambycidae (Cerambycinae) principalmente de Santa Cruz, Bolívia. Alguns gêneros tratados aqui foram abordados na obra " Cerambycidae sul-americanos (Coleoptera)" : Ectenessini (Martins, 1998), Ebriini (Martins, 1999) e Piezocerini (Martins, 2003).

O gênero Xalitla Lane, 1959, revisto por Martins (1970), estava composto por três espécies mexicanas. Ora incluímos uma espécie que assinala o gênero para a América Central.

O gênero Epropetes foi estudado por Martins (1975) e por Martins & Napp (1984) e envolvia então nove espécies. Foram acrescentadas mais três espécies por Galileo & Martins (2000) e Martins & Galileo (2005).

Siglas das instituições usadas neste artigo correspondem a MNKM, Museo de História Natural Noel Kempff Mercado, Santa Cruz; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ectenessini

Ectenessa zamalloaesp. nov.

(Fig. 1)

 


 

Etimologia: O nome específico é uma homenagem à Sonia Zamalloa, que nos acolheu, com inúmeras atenções, durante nossa visita à Bolívia.

Cabeça, protórax, antenas, fêmures (menos a base), tíbias, tarsos e face ventral do corpo, avermelhados. Élitros amarelados; cada um com três faixas pretas: uma estreita, sobre o friso sutural; uma dorsal estreita do quinto basal até o sexto apical; e uma sobre o friso marginal da base até próximo ao ápice.

Cabeça com pontuação moderadamente esparsa. Lobos oculares superiores com quatro fileiras de omatídios. Antenas atingem o ápice do élitro na ponta do antenômero VI. Escapo com pontos ásperos. Antenômero III sem carena.

Protórax abaulado nos lados. Pronoto pontuado com um tubérculo discreto a cada lado do terço anterior. Partes laterais do protórax com pontuação sexual. Escutelo densamente pubescente de branco. Processo prosternal muito estreito entre as procoxas. Processo mesosternal entalhado no ápice, tão largo quanto metade da largura da mesocoxa.

Meio de cada élitro com três fileiras longitudinais de pêlos eretos. Extremidades elitrais cortadas em curva e projetadas nos ângulos sutural e externo.

Profêmures sem quilha no dorso. Metatíbias carenadas.

Dimensões mm, holótipo macho: Comprimento total, 10,3; comprimento do protórax, 2,3; maior largura do protórax, 1,9; comprimento do élitro, 7,3; largura umeral, 2,3.

Material-tipo: Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Flora & Fauna, 5 km SSE, 17°29’96" S, 63°39’13" W, 440 m), 19.10.2006, R. Clarke & S. Zamalloa col., luz branca (MNKM).

Discussão: Pelo padrão de colorido dos élitros com faixas pretas longitudinais, Ectenessa zamalloae sp. nov. assemelha-se a E. melanicornis Napp & Martins, 1982. Difere pelo pedicelo, flagelômeros, tíbias e tarsos, avermelhados, pela faixa sutural dos élitros estreita e não iniciada junto ao escutelo e pelo antenômero III sem carena. Em E. melanicornis as antenas e as pernas são pretas, a faixa sutural dos élitros (Martins, 1998:134, fig. 140) é larga e gradualmente estreita para trás e o antenômero III tem carena.

Bomarion amborensesp. nov.

(Fig. 2)

Etimologia: O epíteto refere-se à localidade-tipo, Amboró.

Cabeça e esternos torácicos avermelhados. Antenas e pernas amareladas. Élitros amarelados; no meio, com faixa castanho-avermelhada, transversal, de bordas sinuosas que emite, em direção ao ápice, um prolongamento losangular, próximo da sutura.

Cabeça, protórax e escapo densamente pontuados. Último artículo dos palpos maxilares bem expandido. Lobos oculares superiores com três fileiras de omatídios. Antenas atingem o ápice dos élitros aproximadamente no meio do antenômero VII. Antenômero III sem carenas.

Protórax com os lados subparalelos até o adelgaçamento basal que é bem manifesto. Mesosterno intumescido adiante do processo mesosternal. Mesepisterno finamente pontuado. Metasterno com pontos grandes na base e nos lados.

No meio de cada élitro, duas fileiras longitudinais de pêlos. Extremidades elitrais obliquamente truncadas e projetadas no ângulo externo. Profêmures com quilha no dorso.

Dimensões mm, holótipo fêmea: Comprimento total, 7,3; comprimento do protórax, 1,9; maior largura do protórax, 1,1; comprimento do élitro, 5,4; largura umeral, 1,6.

Material-tipo: Holótipo fêmea, BOLÍVIA, Santa Cruz: " road to Amboro above Achira" (17°7,43’S, 63°47,98’W, 1940 m), 14-15.10.2006, Wappes, Nearns & Eya col. " cut/burn area" (MNKM).

Discussão: O padrão de colorido dos élitros é único e característico em Bomarion amborense sp. nov. Além disso, os profêmures têm quilha na face dorsal como em B. heteroclitum (Thomson, 1867), da Mata Atlântica, que tem o padrão de colorido diverso (Martins, 1998:173, fig. 202) e élitros expandidos lateralmente atrás do meio.

Eburiini

Beraba pallida sp. nov.

(Fig. 3)

Cabeça, protórax e face inferior do corpo, avermelhados. Vértice pontuado entre os lobos oculares. Lobos oculares superiores com cinco fileiras de omatídios. Antenas atingem o ápice dos élitros a partir da extremidade do antenômero IX. Escapo subcilíndrico.

Protórax com espinho lateral bem desenvolvido; partes laterais pontuadas, pontos mais concentrados sob o espinho, mais esparsos no limite com o prosterno. Pronoto finamente rugoso centro-longitudinalmente, com tubérculo concolor a cada lado e um pouco adiante do meio. Mesosterno sem tubérculo

Cada élitro com quatro manchas ebúrneas alongadas: duas na base, a externa mais curta; duas no meio, a externa ultrapassa a interna anterior e posteriormente. Regiões anterior e posterior das manchas ebúrneas centrais escurecidas. Para trás das manchas ebúrneas, costas evidentes. Pontuação elitral concentrada na metade anterior. Élitros alaranjados. Extremidades concolores com dois espinhos, concolores: o externo mais longo e o sutural, diminuto.

Face ventral com pubescência esparsa. Fêmures alaranjados. Espinhos apicais dos meso- e metafêmures avermelhados.

Dimensões mm, holótipo fêmea: Comprimento total, 18,8; comprimento do protórax, 3,5; maior largura do protórax, 3,6; comprimento do élitro, 13,7; largura umeral, 3,8.

Material-tipo: Holótipo fêmea, BOLÍVIA, Santa Cruz: Rio Seco (ao norte de Cabezas, 500 m), 9.XII.1995, D. Brzoska col. (MNKM).

Discussão: Beraba pallida sp. nov., assim como B. longicollis (Bates, 1870) e B. piriana Martins, 1997, tem duas faixas ebúrneas na base de cada élitro. Difere de B. longicollis pelos lobos oculares superiores com cinco fileiras de omatídios, pelo escapo subcilíndrico, pelos tubérculos do pronoto concolores e pelas manchas ebúrneas centrais onde a externa ultrapassa a interna anterior e posteriormente. Em B. longicollis (Martins, 1999:183, fig. 113) os lobos oculares superiores tem 6-7 fileiras de omatídios, o escapo é subclavado, os tubérculos pronotais são pretos e as manchas ebúrneas centrais iniciam no mesmo nível.

Distingue-se de B. piriana, conhecida da Colômbia, pelas manchas ebúrneas da base dos élitros onde a externa é mais curta que a interna; pelos lobos oculares superiores com cinco fileiras de omatídios, pelo pronoto das fêmeas com rugas e pontos, pelos tubérculos pronotais concolores. Em B. piriana (Martins, 1999:182, fig. 112), as manchas ebúrneas na base dos élitros têm o mesmo comprimento, os lobos oculares superiores têm seis fileiras de omatídios, o pronoto das fêmeas não apresenta pontos nem rugas e os tubérculos pronotais são pretos.

Piezocerini

Gorybia quadrispinosa sp. nov.

(Fig. 4)

Etimologia: Latim, quadri = quatro; spinus = espinhoso; alusivo às extremidades elitrais.

Colorido geral castanho-escuro. Vértice densamente pontuado, os pontos microesculturados. Lobos oculares superiores com três fileiras de omatídios. Antenas atingem o ápice dos élitros no meio do antenômero XI. Escapo densamente pontuado. Antenômero III levemente expandido para o lado externo. Flagelômeros IV a X subserrados.

Pronoto densamente alveolado, os alvéolos internamente microesculturados; adiante do adelgaçamento basal, pequena área centro-longitudinal, brilhante.

Élitros sem microescultura, brilhantes, densamente pontuados nos dois terços anteriores, com pêlos castanhos, eretos. Extremidades cortadas em curva, com dois espinhos de comprimento subiguais.

Esternos mesotorácicos pontuados e microesculturados. Metasterno brilhante no meio e com microescultura nas regiões látero-anteriores. Urosternitos brilhantes. Meso- e metatíbias com ápice projetado.

Dimensões mm, holótipo macho. Comprimento total, 9,5; comprimento do protórax, 2,2; maior largura do protórax, 2,1; comprimento do élitro, 6,5; largura umeral, 2,5.

Material-tipo: Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Flora & Fauna), 9-19.X.2004, J. Eger col. (MNKM).

Discussão: Gorybia quadrispinosa sp. nov. pelo aspecto geral e pelo ápice dos élitros quadriespinhoso assemelha-se a G. armata Martins, 1976. Difere pelo protórax mais abaulado nos lados com a constrição basal bem acentuada, pela área lisa do pronoto reduzida e pelos espinhos nos ápices dos élitros mais curtos. Em G. armata o protórax é mais alongado e tem lados subparalelos, o pronoto é deprimido no centro da base e tem a área lisa mais extensa e os espinhos apicais dos élitros são bem alongados.

Ibidionini

Xalitla lezamai sp. nov.

(Fig. 5)

O nome específico é um preito de amizade a Humberto Lezama, nosso cicerone em San José, Costa Rica.

Colorido geral vermelho-acastanhado. Fronte densamente rugoso-pontuada. Vértice alveolado com pontos mais concentrados anteriormente do que no occipício. Tubérculos anteníferos acuminados, próximos nas bases. Antenas (macho) atingem os ápices dos élitros na extremidade do antenômero VIII. Escapo densamente pontuado. Antenômero III engrossado, com carena nos dois terços basais. Antenômeros IV-VI ligeiramente engrossados e carenados dorsalmente. Antenômero VII finamente carenado. Franja de pêlos longos no lado interno dos antenômero III-VI.

Protórax cilíndrico, levemente abaulado nos lados. Partes laterais do protórax com dois pontos setígeros salientes (25x). Pronoto fina e densamente pontuado. Pubescência serícea concentrada no adelgaçamento basal e no sulco centro-basal.

Élitros com uma fileira de pontos ásperos a cada lado da sutura; pontuação mais profunda na metade basal. Extremidades elitrais arredondadas.

Esternos mesotorácicos pontuados. Lados do metasterno pontuados anteriormente e pubescentes látero-posteriormente. Fêmures pubescentes.

Dimensões mm, holótipo macho: Comprimento total, 7,9; comprimento do protórax, 2,1; maior largura do protórax, 1,3; comprimento do élitro, 4,8; largura umeral, 1,5.

Material-tipo: Holótipo macho, COSTA RICA, Guanacaste: " La Pacifica" (near Canas), 20-21.V.1935, F.T. Hovore col. (MZSP, doação de F.T. Hovore).

Discussão: Xalitla lezamai sp. nov. assemelha-se a X. genuina Martins, 1970 pelo padrão de colorido e pontuação do tegumento. Difere pelo antenômero III carenado na base e pelos élitros com fileira de pontos ásperos ao lado da sutura. Em X. genuina as antenas dos machos não tem carena no antenômero III e os élitros não tem pontos ásperos junto da sutura.

Tillomorphini

Epropetes bolivianus sp. nov.

(Fig. 6)

Cabeça e protórax com tegumento preto. Antenas castanho-avermelhadas. Fêmures acastanhados com as bases e ápices amareladas. Tíbias e tarsos acastanhados. Coxas e mesosterno, avermelhados.

Cabeça com pontuação densa no vértice e na fronte. Escapo com alguns pontos rasos e microesculturados. Flagelômeros basais com pêlos esparsos e muito longos no lado interno.

Pronoto com rugas longitudinais em toda a superfície menos no adelgaçamento basal. Prosterno com faixa transversal de pêlos esbranquiçados.

Élitros pretos; no terço anterior, faixa transversal de tegumento amarelado, distante da sutura; no meio dos élitros, posterior a essa faixa, outra faixa preta aveludada, larga e transversal. À frente da faixa amarelada, com pêlos de organização transversal, isto é, os ápices dirigidos da sutura para a margem. Extremidades dos élitros arredondadas.

Fêmures pedunculados e fortemente clavados.

Dimensões mm, holótipo macho: Comprimento total, 7,5; comprimento do protórax, 2,5; maior largura do protórax, 1,6; largura do adelgaçamento basal do protórax, 0,9; comprimento do élitro, 4,0; largura umeral, 1,8.

Material-tipo: Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: " road to Amboro above Achira" (18°07,43’S, 63°47,98’W, 1940 m), 10-11.10.2006, Wappes, Nearns & Eya col., " cut/burn area" (MNKM).

Discussão: Epropetes bolivianus sp. nov. assemelha-se a E. howdenarum Galileo & Martins, 2000. Separa-se pela faixa aveludada dos élitros transversal à sutura; élitros sem faixa clara atrás da faixa aveludada e pelo conjunto de pêlos adiante da faixa amarelada organizados transversalmente. Em E. howdenarum a faixa aveludada dos élitros é transversal à sutura, existe uma faixa clara atrás da faixa aveludada e não há pêlos diferenciados adiante da faixa amarelada.

 

AGRADECIMENTOS

A Frank T. Hovore, in memorian, pela doação de material ao Museu de Zoologia; a James Wappes, do American Coleoptera Museum, San Antonio e a Robin Clarke, do Hotel Flora & Fauna, Buena Vista, pela remessa de material para estudo. A Eleandro Moysés, pela execução e tratamento digital das fotografias.

 

REFERÊNCIAS

GALILEO, M.H.M. & MARTINS, U.R. 2000. Novos táxons e nova combinação em Cerambycinae (Coleoptera) sul-americanos. Papéis Avulsos de Zoologia, 41(10):155-172.        [ Links ]

MARTINS, U.R. 1970. Monografia da tribo Ibidionini (Coleoptera, Cerambycinae). Parte IV. Arquivos de Zoologia, 16(4):879-1149.        [ Links ]

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MARTINS, U.R & GALILEO, M.H.M. 2005. Novos táxons e notas sobre Cerambycinae (Coleoptera, Cerambycidae) da Região Neotropical. Revista Brasileira de Zoologia, 22(3):764-770.        [ Links ]

MARTINS, U.R. & NAPP, D.S. 1984. Epropetes Bates, 1870 (Coleoptera, Cerambycidae): descrições, notas e chave para espécies. Revista Brasileira de Entomologia, 28(4):431-439.        [ Links ]

 

 

Recebido em: 26.11.2007
Aceito em: 23.01.2008
Impresso em: 24.03.2008