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Papéis Avulsos de Zoologia

Print version ISSN 0031-1049On-line version ISSN 1807-0205

Pap. Avulsos Zool. (São Paulo) vol.49 no.4 São Paulo  2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0031-10492009000400001 

Novos táxons em Heteropsini (Coleoptera, Cerambycidae)1

 

New taxa of Heteropsini (Coleoptera, Cerambycidae)

 

 

Dilma Solange NappI, III; Ubirajara R. MartinsII, III

IDepartamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná. Caixa Postal 19.020, 81531-980, Curitiba, PR, Brasil. E-mail: napp@ufpr.br
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42.494, 04218-970, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: urmsouza@usp.br
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

Potisangaba gen. nov., espécie-tipo P. panama sp. nov., são descritos do Panamá (Colon) e três novas espécies são descritas em Chrysoprasis: C. principalis sp. nov. de Trinidad y Tobago (Trinidad), C. grupiara sp. nov. do Brasil (Rondônia) e C. morana sp. nov. da Bolívia (Santa Cruz).

Palavras-chave: Cerambycidae; Novos táxons; Região Neotropical; Taxonomia.


ABSTRACT

Potisangaba gen. nov., type species, P. panama sp. nov., are described from Panama (Colon) and three new species are described in Chrysoprasis: C. principalis sp. nov. from Trinidad y Tobago (Trinidad), C. grupiara from Brazil (Rondônia) and C. morana sp. nov. from Bolivia (Santa Cruz).

Keywords: Cerambycinae; Neotropical; New taxa; Taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

Heteropsini Blanchard, 1845 é predominantemente neotropical com 25 gêneros distribuídos nas Américas do Sul e Central, incluindo as Antilhas. Desse total, 17 foram descritos para a América do Sul (Monné, 2005; Monné & Hovore, 2006).

Chrysoprasis Audinet-Serville, 1834 é o maior gênero de Heteropsini com 66 espécies distribuídas do México ao Uruguai (Monné & Hovore, 2006). O gênero foi revisado por Napp & Martins (1995, 1996, 1997, 1998, 1999) que dividiram as espécies em grupos de acordo com os padrões de coloração. Após essa revisão, Galileo & Martins (2003) descreveram C. pilosa da Colômbia (Huila) e Napp & Martins (2006), C. rubricollis do Panamá (Panamá).

Ora, são acrescidos à tribo um novo gênero e espécie da América Central e três espécies ao gênero Chrysoprasis: uma no " grupo chalybea" e duas no " grupo hypocrita" .

Siglas das instituições correspondem a: ACMS, American Coleoptera Museum, San Antonio; MNKM, Museo de Historia Natural Noel Kempff Mercado, Santa Cruz; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

 

RESULTADOS

Potisangaba gen. nov.

Etimologia: Tupi, potiâ = peito; çangaba = marca. Alusivo às áreas de pontuação sexual do pronoto.

Espécie-tipo: Potisangaba panama sp. nov.

Fronte transversa, declive. Clípeo mais elevado que a fronte na base; sutura frontoclipeal indistinta. Tubérculos anteníferos um pouco elevados, arredondados no topo. Olhos desenvolvidos; lobos oculares inferiores bem proeminentes, ocupam toda a região lateral da cabeça e alcançam a face ventral da cabeça; faixa de ligação entre os lobos tão larga quanto um lobo superior; distância entre os lobos superiores pouco maior que o dobro da largura de um lobo. Genas, no maior comprimento, mais curtas que metade da largura do lobo ocular inferior. Face ventral da cabeça densamente pontuado-rugosa em toda a superfície. Mandíbulas um pouco robustas, triangulares, subangulosas no terço apical. Artículo apical dos palpos maxilares tronco-cônico, paralelo nos lados e truncado no ápice.

Antenas com onze artículos, mais longas que o corpo no macho. Escapo cilíndrico, sem depressão ou sulco na base. Antenômero III cilíndrico, os seguintes um pouco deprimidos e um pouco expandidos no ápice externo; III-V(VI) com espinhos curtos no ápice interno; III bicarenado e ligeiramente sulcado entre as carenas; IV-VII com única carena e sem sulco. Antenômero IV com metade do comprimento do III, tão longo quanto o escapo e distintamente mais curto que o V; XI com comprimento subigual ao do III.

Protórax apenas mais largo que longo, gradualmente alargado da margem anterior até o terço posterior; maior largura no nível do terço posterior; lados do protórax sem tubérculos. Pronoto (Fig. 5) convexo, sem gibosidades, opaco, praticamente impontuado e glabro; com duas áreas arredondadas dorso-basais de pontuação sexual formada por pontos grossos e muito irregulares, a superfície microesculturada. Prosterno subopaco, quase indistintamente alveolado-pontuado, sem áreas de pontuação sexual. Processo prosternal afilado entre as procoxas e expandido no ápice. Cavidades procoxais fechadas e arredondadas nos lados e muito estreitamente abertas atrás. Processo mesosternal aplanado, quase tão largo quanto a mesocoxa; lados um pouco sinuosos e ápice entalhado para encaixe da projeção anterior do metasterno que é quase tão larga quanto o processo mesosternal. Cavidades mesocoxais fechadas nos lados.Sulco mediano do metasterno profundo, alcança o quinto anterior.

 


 

 


 

Escutelo pequeno e triangular. Élitros alongados e estreitos, sem costas, subparalelos nos lados e truncado no ápice. Fortemente opacos, subglabros; no dorso com pequenos grânulos brilhantes e muito esparsos; margem externa com pontos evidentemente ásperos com cerdas curtas e rijas. Úmeros projetados, envolvem os lados da base do protórax.

Pernas longas e delgadas. Fêmures ligeiramente clavados, as abas apicais dentiformes; com pontos grossos, profundos, subcontíguos e um pouco ásperos exceto na base onde são menores e mais esparsos; com cerdas curtas, suberetas e esparsas.

Metafêmures ultrapassam o ápice elitral. Metatíbias bem delgadas, cilíndrico-deprimidas, sinuosas, bicarenadas e sulcadas. Esporões tibiais moderadamente alongados, o interno bem mais longo que o externo. Metatarsos muito alongados, tão longos quanto as metatíbias; metatarsômero I com metade do comprimento da metatíbia e mais longo que os II-V somados; I e II com faixa glabra central.

Discussão: Potisangaba gen. nov. pela forma esbelta do corpo e apêndices, padrão de colorido, tegumento em geral opaco e fêmures com pontos grossos e subcontíguos, assemelha-se a um grupo de pequenos gêneros sul-americanos: Allodemus Zajciw, 1962, Erythropterus Melzer, 1934, Eriphosoma Melzer, 1922 e Purpuricenopsis Zajciw, 1968.

É particularmente semelhante a Erythropterus pelo protórax alargado para trás, antenas carenadas, fórmula antenal e fêmures subclavados e distingue-se por: presença de áreas de pontuação sexual dorso-basais no pronoto (Fig. 5); pronoto e lados do protórax praticamente impontuados; antenômeros III-V(VI) com espinhos apicais internos; élitros com pequenos grânulos no dorso e metatarsos tão longos quanto as metatíbias. Em Eythropterus, os machos não têm áreas de pontuação sexual, o pronoto e lados do protórax são alveolados, as antenas são inermes, os élitros são destituídos de grânulos e os metatarsos são, no mínimo, um terço mais curtos que as metatíbias.

Dos demais gêneros, Potisangaba separa-se pelo protórax alargado para trás, pela presença de áreas de pontuação sexual látero-basais no pronoto e pelos metatarsos tão longos quanto as metatíbias.

De Eriphosoma distingue-se ainda, pelo antenômero IV tão longo quanto o escapo e distintamente mais curto que o III e o V, fêmures subclavados e artículo apical dos palpos tronco-cônico não expandido para o ápice. Em Eriphosoma, o antenômero IV é evidentemente mais longo que o escapo e pouco mais curto que o III e o V, os fêmures são lineares e o artículo apical dos palpos é securiforme. Além disso, as áreas de pontuação sexual, quando presentes, situam-se no terço anterior dos lados do protórax e do pronoto.

De Purpuricenopsis, o novo gênero separa-se, além da conformação do protórax e das áreas de pontuação sexual no pronoto, por: antenas do macho pouco mais longas que o corpo, o antenômero XI subigual ao III em comprimento; lobos oculares inferiores muito desenvolvidos e proeminentes; genas mais curtas que metade da largura do lobo ocular inferior; processo prosternal afilado entre as procoxas; fêmures subclavados e metatarsos muito alongados. Em Purpuricenopsis, o protórax é arredondado nos lados; os machos não têm áreas de pontuação sexual; as antenas do macho ultrapassam o ápice elitral em 4,0-5,0 artículos, com antenômeros longos e cilíndricos, o XI mais longo que o III; os lobos oculares inferiores são pouco desenvolvidos e restritos aos lados da cabeça; as genas são tão longas quanto a largura do lobo ocular inferior; o processo prosternal tem cerca de um terço da largura da procoxa; os fêmures são lineares e os metatarsos são distintamente mais curtos que as metatíbias.

Allodemus também apresenta protórax arredondado nos lados e os machos não apresentam áreas de pontuação sexual. Além disso, o processo mesosternal é mais estreito que a mesocoxa e os artículos apicais dos palpos maxilares e labiais são dilatados para o ápice.

Estes gêneros podem ser diferenciados pelos caracteres da chave abaixo:

1.

Protórax gradualmente alargado para trás, a maior largura no nível do terço posterior......2

 

Protórax regularmente arredondado nos lados, a maior largura no meio.............................3

2(1).

Antenômeros III-V(VI) com espinhos apicais internos. Pronoto e lados do protórax impontuados. Dorso dos élitros com grânulos brilhantes e esparsos. Macho: pronoto com duas áreas arredondadas de pontuação sexual dorso-basais; metatarsos tão longos quanto as metatíbias (Panamá)......Potisangaba gen. nov.

 

Antenômeros desarmados. Pronoto e lados do protórax alveolados. Élitros sem grânulos. Machos: sem pontuação sexual; metatarsos, no mínimo, um quarto mais curtos que as metatíbias (Venezuela, Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina)...............Erythropterus Melzer, 1934

3(1).

Lobos oculares inferiores pouco desenvolvidos e restritos aos lados da cabeça. Genas tão longas quanto a largura do lobo ocular inferior. Artículos apicais dos palpos maxilares e labiais cilíndricos. Processo prosternal, na menor largura, com um terço da largura de uma procoxa. Macho: antenas ultrapassam o ápice elitral em quase cinco artículos; antenômeros cilíndrico-alongados, não expandidos no ápice, o XI mais longo que o III (Brasil)..............................................................Purpuricenopsis Zajciw, 1968

 

Lobos oculares inferiores bem desenvolvidos, ocupam toda a região lateral da cabeça e avançam um pouco sobre a face ventral. Genas com cerca de um terço da largura do lobo ocular inferior. Artículos apicais dos palpos maxilares e labiais dilatados para os ápices. Processo prosternal afilado entre as procoxas. Macho: antenas ultrapassam o ápice elitral, no máximo, em três artículos; antenômeros pouco alongados e expandidos no ápice externo, o XI cerca de um terço mais curto que o III.........4

4(3).

Ápices elitrais entalhados no lado externo, dentiformes ou com pequeno espinho no ângulo externo. Processo mesosternal tão largo quanto uma mesocoxa. Fêmures lineares (Brasil, Paraguai, Argentina)............................................................................................Eriphosoma Melzer, 1922

 

Ápices elitrais arredondado-truncados. Processo mesosternal cerca de um terço mais estreito que uma mesocoxa. Fêmures médios clavados, os posteriores subclavados (Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai)..Allodemus Zajciw, 1962

Potisangaba panama sp. nov.

(Figs. 1, 5)

Etimologia: Epíteto refere-se à localidade-tipo.

Macho: Tegumento preto, protórax alaranjado.

Cabeça fortemente opaca, densamente alveolada, exceto nas genas com pontos menores e esparsos; pilosidade inaparente. Submento com pilosidade esbranquiçada, um pouco alongada e moderadamente densa. Clípeo grossa e densamente pontuado; no limite com a fronte, área irregularmente transversa, microesculturada e impontuada. Face ventral da cabeça densamente pontuado-rugosa; os pontos com microescultura, subcontíguos a coalescentes, formam estrias irregulares e lisas.

Antenas ultrapassam o ápice elitral em cerca de dois artículos. Escapo grossa e densamente alveolado, subglabro e subopaco. Antenômeros III-IV subopacos, com pontos ásperos e cerdas amareladas curtas e esparsas, sem pubescência; V-XI com pubescência amarelo-esbranquiçada progressivamente adensada para os antenômeros distais, mais evidentemente a partir do VII. Antenômero III com o dobro do comprimento do IV e cerca de um quarto mais longo que os V-VII; VIII-X subiguais e decrescentes; XI ligeiramente apendiculado e afilado no ápice.

Protórax, na maior largura, subigual à largura umeral. Pronoto e lados do protórax opacos, glabros e impontuados. Prosterno com alvéolos muito rasos, pouco aparentes e pubescência esbranquiçada curta e esparsa. Mesosterno, metasterno e urosternitos revestidos por pubescência esbranquiçada, particularmente densa no processo mesosternal e no disco do metasterno nos lados do sulco longitudinal. Metasterno com pontos grossos, profundos e densos em toda a superfície.

Escutelo opaco, glabro e sem pontos. Élitros fortemente opacos e subglabros; corrugados, mais evidentemente nos lados e na região apical. Margem externa, especialmente na metade distal, com pontos biselados com cerdas curtas e rijas, aspecto serrilhado. Região apical da sutura elevada, um pouco brilhante e com pontos ásperos e cerdas rijas como na margem externa. Ápices transversalmente truncados, inermes na sutura e ligeiramente espiniformes no lado externo.

Fêmures com pontos grossos, profundos, subcontíguos e um pouco ásperos, exceto na base com pontos menores e mais esparsos; cerdas curtas, suberetas e rijas; metafêmures ultrapassam o ápice elitral em um sexto de seu comprimento. Tíbias brilhantes com pontuação e cerdas esparsas. Escovas dos tarsômeros formadas por pêlos curtos e brancos.

Dimensões, em mm, macho: Comprimento total 9,5; comprimento do protórax, 2,1; largura do protórax no terço posterior 2,2; comprimento do élitro 6,7; largura umeral 2,3.

Material-tipo: Holótipo macho do Panamá, Colon: Fort Sherman (9°17' N, 79°59' W), 16.V.2001, Odegaard leg. (" On Cupania scrobiculata; in flowers" ) (ACMS).

Chrysoprasis grupiara sp. nov.

(Figs. 2, 6)

Etimologia: Tupi, grupiara = garimpeiro.

Macho: Tegumento verde-metálico-vivo; cabeça, pronoto e prosterno cúpreos. Escapo preto com evidente brilho metálico. Fêmures verde-metálicos. Urosternitos vermelhos.

Cabeça glabra. Fronte com pontos moderadamente grossos, irregularmente densos. Vértice rugoso-pontuado. Genas tão longas quanto a largura do lobo ocular inferior, com pontos muito finos e esparsos.

Antenas ultrapassam o ápice elitral em cinco artículos. Escapo cilíndrico com pontos grossos, densos e cerdas esparsas. Antenômeros III-V carenados, III-IV sulcados, com espinhos apicais internos bem desenvolvidos nos III-IV, o do V mais curto; pontuação e pilosidade esparsas; VI-XI finamente pubescentes. Antenômero III com comprimento subigual ao dobro do escapo e tão longo quanto os V-VII; VIII-X apenas mais curtos e subiguais; XI cerca de um quinto mais longo que o III.

Protórax pouco mais largo que longo e pouco arredondado nos lados; ligeiramente alargado da margem anterior até pouco além do meio onde se situa a maior largura. Pronoto e lados do protórax alveolados, brilhantes, com cerdas curtas, eretas e pouco conspícuas; alvéolos do disco do pronoto com aspecto transverso, os dos lados do protórax mais rasos. Prosterno opaco, com pontuação sexual formada por pontos finos, profundos e regularmente distribuídos em toda a superfície; pubescência esbranquiçada aparente. Meso- e metasterno (Fig. 6) microcorrugados e revestidos por pubescência esbranquiçada; metasterno com alguns pontos setígeros finos e cerdas muito esparsas. Urosternitos brilhantes, com pilosidade esbranquiçada e pêlos longos no disco.

Escutelo liso, glabro. Élitros opacos com pontuação fina e áspera uniformemente distribuída em toda a superfície, com cerdas castanhas e semi-eretas. Ápices transversalmente truncados com espinho curto no ângulo externo e inermes na sutura.

Fêmures brilhantes, com pontos muito grossos, profundos e contíguos e cerdas castanhas, eretas. Metafêmures ultrapassam o ápice elitral em cerca de um quinto de seu comprimento.

Dimensões, mm, macho. Comprimento total, 10,5; comprimento do protórax, 2,2; maior largura do protórax, 2,5; comprimento do élitro, 7,2; largura umeral, 3,0.

Material-tipo: Holótipo macho do BRASIL: Rondônia, Ariquemes (62 km SE), 13-25.IV.1992, W.J. Hansen col. (MZSP, doação da Utah State University).

Discussão: Pelos urosternitos vermelhos a nova espécie enquadra-se no " grupo hypocrita" (Napp & Martins, 1998) e por apresentar os antenômeros III-V com espinhos desenvolvidos, metasterno com pontos grossos, antenas mais longas que o corpo e colorido verde-metálico, situa-se junto a C. nymphula Bates, 1870 na chave apresentada por aqueles autores. C. grupiara sp. nov. diferencia-se de C. nymphula: pelo pronoto com alvéolos maiores e com aspecto transverso; lados do protórax com alvéolos rasos; pronoto e lados do protórax sem pontuação sexual; prosterno não corrugado, com pontos profundos e uniformemente distribuídos; metasterno microcorrugado, sem pontos grossos; fronte brilhante com pontos irregulares, pouco profundos e irregularmente densos e antenômeros III-V com carenas bem aparentes. Em C. nymphula, o pronoto e os lados do protórax são fina e densamente alveolados, com áreas de pontos maiores e profundos no terço anterior; o prosterno é rugoso com pontos grossos e irregulares; o metasterno tem pontos grossos em toda a superfície; a fronte é opaca com pontuação densa, profunda e uniforme e as carenas dos antenômeros III-V são pouco conspícuas. Além disso, C. nymphula tem ampla distribuição no leste do Brasil (Bahia ao Rio Grande do Sul), relacionada à Mata Atlântica e ocorre também no Uruguai e na Argentina; a nova espécie, descrita de Rondônia, aparentemente está relacionada à Floresta Amazônica.

Chrysoprasis principalis sp. nov.

(Figs. 4, 7)

Etimologia: Latim, principalis = primeira, relativo ao primeiro registro de Chrysoprasis para Trinidad y Tobago.

Fêmea: Colorido geral verde-metálico; fronte, pronoto, lados do protórax, metasterno e episternos cúpreos. Antenas e pernas pretas, o escapo e os fêmures com brilho verde-metálico. Urosternitos verde-metálicos.

Cabeça glabra. Fronte e clípeo brilhantes, densamente pontuados, os pontos da fronte maiores e mais profundos. Vértice opaco, rugoso-alveolado. Genas tão longas quanto a largura do lobo ocular inferior, brilhantes, com pontos finos e esparsos.

Antenas alcançam o terço apical dos élitros. Escapo cilíndrico, um pouco anguloso no ápice; subglabro, com pontos moderadamente finos, pouco profundos e pouco densos. Antenômeros III-VI com carenas pouco aparentes e espinhos apicais internos desenvolvidos, o VII com espinho pouco aparente. Antenômero III cilíndrico, os demais gradualmente mais deprimidos e expandidos no ápice externo. Antenômeros III-V com pontos finos, densos e um pouco ásperos, com cerdas suberetas mais densas na face inferior e sem pubescência; VI-XI fina e densamente pubescentes. Antenômero III pouco mais curto que o dobro do comprimento do escapo e dos antenômeros V-VII; os demais pouco mais curtos, mais evidentemente os IX-XI; XI com metade do comprimento do III.

Protórax pouco mais largo que longo e pouco arredondado nos lados, a maior largura logo após o meio. Pronoto convexo, opaco, densamente alveolado com cerdas muito curtas, quase inaparentes e alguns pêlos esbranquiçados muito longos nos lados. Lados do protórax brilhantes, glabros, com alvéolos muito rasos e irregulares. Prosterno subopaco, pontuado-rugoso com pubescência branca e esparsa. Mesosterno opaco, com pontos grossos, rasos e densos; mesepisterno com pontos grossos e irregulares. Metasterno (Fig. 7) subopaco com pontos muito grossos, profundos e densos em toda a superfície; cerdas esbranquiçadas esparsas; metepisternos microcorrugados revestidos por pubescência esbranquiçada e com alguns pontos maiores entremeados. Urosternitos brilhantes, com pontos finos, rasos e muito esparsos; pilosidade esbranquiçada longa e esparsa. Pigídio totalmente exposto.

Escutelo glabro, impontuado. Élitros opacos com pontos setígeros finos uniformemente distribuídos em toda a superfície e cerdas castanhas suberetas bem aparentes. Extremidades obliquamente truncadas e inermes.

Fêmures brilhantes, com pontos muito grossos, profundos e contíguos, exceto na base com pontos bem menores e esparsos. Metafêmures ultrapassam o ápice elitral pela ponta dos fêmures. Metatíbias um pouco sinuosas.

Dimensões, mm, fêmea: Comprimento total, 9,2; comprimento do protórax, 2,0; largura do protórax, 2,2; comprimento do élitro 6,5; largura umeral, 2,8.

Material-tipo: Holótipo fêmea de Trinidad y Tobago, Trinidad: Talparo, 6-22.VII.1988, H.L. Dozier col. (ACMS).

Discussão: Pelos urosternitos com colorido metálico a nova espécie pertence ao " grupo chalybea" (Napp & Martins, 1997). Na chave apresentada por esses autores, situa-se próxima a C. guerrerensis Bates, 1892 e C. aeneiventris Bates, 1870, no item 14, por apresentar urosternitos com colorido metálico, antenômeros III-V com espinhos apicais internos desenvolvidos, flagelômeros e metatíbias cilíndricas, metasterno com pontos grossos e colorido verde-metálico.

Chrysoprasis principalis sp. nov. separa-se de C. guerrerensis pelo protórax pouco arredondado nos lados, evidentemente mais estreito que a largura umeral, élitros mais longos que o triplo do comprimento do protórax e urosternitos brilhantes com pontuação fina, rasa e pilosidade esparsas. Em C. guerrerensis (Napp & Martins, 1997: 29, 31, Fig. 7), o protórax é bem arredondado nos lados, quase tão largo quanto a largura umeral, os élitros são proporcionalmente curtos, cerca de 2,5 vezes o comprimento do protórax e os urosternitos têm pontuação semelhante à do metasterno só que mais esparsa. C. guerrerensis está registrada apenas para o México (Monné & Hovore, 2006).

De C. aeneiventris, a nova espécie distingue-se pelo protórax pouco arredondado nos lados; pelo pronoto opaco com alvéolos grandes, rasos e uniformes; pelos lados do protórax com alvéolos muito rasos, quase inaparentes; pelo escapo cilíndrico, um pouco anguloso e projetado no ápice externo, pouco mais curto que o antenômero III, com pontuação e pilosidade esparsas; pelos antenômeros IX-XI distintamente mais curtos que os precedentes; pela pontuação dos élitros mais fina, esparsa e uniforme; pelo metasterno opaco com pontos muito grossos, profundos e uniformes; pelo mesosterno com pontos grossos e pelos urosternitos com pontos finos, rasos e pilosidade esparsos. Em C. aeneiventris, o protórax é bem arredondado nos lados; o pronoto é brilhante com alvéolos pequenos, muito densos e mais profundos e os lados do protórax são alveolados como o pronoto; o escapo é engrossado, mais curto que metade do comprimento do III, não projetado no ápice externo, com pontuação e pilosidade densas; os antenômeros IX-XI têm comprimento subigual ao dos precedentes; a pontuação dos élitros é mais densa e áspera, com aspecto corrugado; o metasterno é brilhante com pontos menores, mais densos e com pilosidade abundante e o mesosterno e urosternitos são microcorrugados com densa pilosidade esbranquiçada. C. aeneiventris tem ampla distribuição no Brasil e ocorre também na Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai enquanto C. principalis sp. nov. é a primeira espécie de Chrysoprasis descrita de Trinidad y Tobago.

Chrysoprasis morana sp. nov.

(Figs. 3, 8)

Etimologia: Tupi, morana = fingir, fazer-se de. Alusivo à semelhança com Chrysoprasis linearis.

Macho: Colorido geral verde-metálico; escapo e fêmures com colorido verde-metálico; abdômen vermelho; antenas (exceto escapo), tíbias e tarsos pretos. Cabeça fina e densamente pontuada. Antenas atingem a extremidade dos élitros na base do antenômero VIII. Escapo com pontuação grossa e adensada. Antenômero III desarmado e sem carenas. Protórax tão a apenas mais longo que largo, pouco arredondado nos lados. Pronoto brilhante, densamente alveolado. Lados do protórax opacos e rugoso-pontuados, com pontos grossos mais evidentes na metade anterior. Prosterno irregularmente rugoso-pontuado com pontuação sexual formada por pontos grossos, irregulares e esparsos; pilosidade pouco aparente. Metepisternos fina e densamente pontuados. Lados do metasterno (Fig. 8) com pontos grandes e rasos. Fêmures grosseiramente pontuados, brilhantes; abas apicais aguçadas; metafêmures ultrapassam o ápice elitral em um terço de seu comprimento. Urosternitos com pontuação e pilosidade esparsas.

Fêmea: Antenas ultrapassam o ápice elitral em dois artículos. Lados do protórax densa e regularmente pontuados. Prosterno com pontuação mais fina.

Dimensões, mm, macho/fêmea respectivamente: Comprimento total, 7,3-7,7/8,2; comprimento do protórax 1,7; maior largura do protórax 1,7-1,9/1,9; comprimento do élitro 4,9-5,2/5,6; largura umeral, 2,0-2,1/2,2.

Material-tipo: Holótipo macho da Bolívia, Santa Cruz: Potrerillos de Guendá (40 km NW de Santa Cruz, 17°40,3' S, 63°27,4' W), 22.XI-12.XII.2005, B.K. Dozier col. (MNKM). Parátipos macho e fêmea com os mesmos dados do holótipo, exceto 9-28.XI.2006, B.K. Dozier & F. & J. Romero col. (MZSP, ACMS).

Discussão: Pelos urosternitos vermelhos C. morana sp. nov. pertence ao " grupo hypocrita" (Napp & Martins, 1998) e assemelha-se a C. linearis Bates, 1870. Difere pelos élitros relativamente mais curtos (proporção comprimento do élitro pela largura umeral = 2,45 a 2,47) e pela pontuação grossa dos lados do metasterno (Fig. 8). Em C. linearis, os élitros são proporcionalmente mais longos (comprimento do élitro pela largura umeral = 2,53 a 2,68) e os lados do metasterno têm pontuação fina e densa (Napp & Martins, 1998: 496, fig. 32).

 

AGRADECIMENTOS

A James Wappes pelo empréstimo de material para estudo da sua coleção e do MNKM; a Larry Bezark e à Utah State University pela remessa de material e pela doação do holótipo de Chrysoprasis grupiara ao MZSP; a Albino M. Sakakibara (Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná) pela execução das fotografias.

 

REFERÊNCIAS

GALILEO, M.H.M. & MARTINS, U.R. 2003. Cerambycidae (Coleoptera) da Colômbia. III. Cerambycinae com olhos finamente granulados. Iheringia, Série Zoologia, 93(1):31-36.         [ Links ]

MONNÉ, M.A. & HOVORE, F.T. 2006. Checklist of the Cerambycidae, or longhorned wood-boring beetles, of the Western Hemisphere. BioQuip Publications, Rancho Dominguez, 393 p.         [ Links ]

MONNÉ, M.A. 2005. Catalogue of the Cerambycidae (Coleoptera) of the Neotropical Region. Part I. Subfamily Cerambycinae. Zootaxa, 946:1-765.         [ Links ]

NAPP, D.S. & MARTINS, U.R. 1995. Revisão do gênero Chrysoprasis A.-Serville, 1834 (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae, Heteropsini). I. Grupo basalis. Revista Brasileira de Entomologia, 39(4):901-910.         [ Links ]

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Recebido em: 25.06.2008
Aceito em: 19.11.2008
Impresso em: 31.03.2009

 

 

1 Contribuição nº 1.780 do Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná.

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