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Papéis Avulsos de Zoologia

Print version ISSN 0031-1049On-line version ISSN 1807-0205

Pap. Avulsos Zool. (São Paulo) vol.49 no.26 São Paulo  2009

https://doi.org/10.1590/S0031-10492009002600001 

Aleiphaquilon Martins (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae, Neocorini): novas ocorrências, nova espécie e chave

 

 

Maria Helena M. GalileoI,III; Ubirajara R. MartinsII,III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: galileo@fzb.rs.gov.br
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Caixa Postal 42494, 04218-970, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: urmsouza@usp.br
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

São apresentados novos registros para Aleiphaquilon plumanni e A. castaneum. Aleiphaquilon tasyba sp. nov. é descrita da Bolívia (Santa Cruz). Acrescenta-se chave para espécies com faixa clara, coplanar com o restante da superfície elitral.

Palavras-chave: Aleiphaquilon; Registros novos; Espécie nova; Neotropical; Taxonomia.


ABSTRACT

Aleiphaquilon Martins (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae, Neocorini): new records, new species and key. New records are given for A. plaumanni Martins, 1975 and A. castaneum Gounelle, 1911. Aleiphaquilon tasyba sp. nov. is described from Bolivia (Santa Cruz). A key to the species with a clear and not elevated fascia on elytra is added.

Keywords: Aleiphaquilon; New records; New species; Neotropical; Taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

O gênero Aleiphaquilon foi estabelecido por Martins (1970: 47) para A. unicolor que foi colocada na sinonímia de Tillomorpha castanea Gounelle, 1911 por Martins & Moure (1973: 80).

Martins (1975) acrescentou ao gênero duas espécies: A. plaumanni e A. tricolor, além de chave para distingui-las. Em 1984, Napp & Martins acrescentaram A. myrmex e em 1994, Martins & Galileo incorporaram A. rugosum com nova chave para espécies. Mermudes & Monné (1999) adicionaram ao gênero mais três espécies: A. eburneum, A. una e A. taeniatum e incluíram chave para distinguir as então oito espécies.

Martins (2005) estabeleceu a tribo Neocorini onde inseriu Aleiphaquilon, apresentou revisão do gênero e chave onde as espécies foram reunidas em dois grupos: (1) élitros com tegumento unicolor (A. plaumanni, A. rugosum e A. castaneum) e (2) élitros com faixa transversal branca ou amarelada. Este grupo divide-se: (2.1) faixa clara dos élitros esbranquiçada e saliente (A. myrmex, A. eburneum) e (2.2) faixa clara dos élitros coplanar com o restante da superfície elitral.

Estas espécies são reconhecidas pela chave a seguir à qual foi acrescentada A. plaumanni, para exemplares com faixa amarelada e coplanar com o restante da superfície elitral.

Neste artigo apresentamos novas ocorrências para A. castaneum e A. plaumanni, chave para as espécies com faixa elitral amarelada e coplanar com o restante da superfície e descrevemos A. tasyba sp. nov.

O material examinado pertence às instituições: American Coleoptera Museum, San Antonio (ACMS); Florida State Collection of Artropods, Gainsville (FSCA); Museu de História Natural Noel Kempff Mercado, Santa Cruz (MNKM); Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (MCNZ); Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo (MZUSP).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Aleiphaquilon plaumanni Martins, 1975

Aleiphaquilon plaumanni Martins, 1975: 17, fig. 6; Monné, 2005: 46 (cat.).

Um dos exemplares examinados e procedente do Uruguai (MCNZ) tem cabeça, antenas, tórax e região basal dos élitros avermelhadas. O colorido dos élitros também varia e pode apresentar-se inteiramente castanho-escuro ou com faixa transversal amarelada, plana ou deprimida.Tal variabilidade determina que a chave para espécies apresentada por Martins (2005) seja modificada no item 6 (veja adiante).

Material-examinado: BOLÍVIA, Santa Cruz: Amboró (Rodovia acima de Achira Campo, 5-5800 pés), 1 exemplar, 9-11.X.2004, Wappes & Morris col. (ACMS). BRASIL, Santa Catarina: Seara (Nova Teutônia, 27º11'S, 52º23'W), 1 exemplar, X.1974, F. Plaumann col. (MZUSP). Rio Grande do Sul: Capão do Leão, 1 exemplar, 24.X.1995, E.J. e Silva col. (MCNZ). URUGUAI, Maldonado: Sierra de Animas, 1 exemplar, 20.XI.1970, F.E.S.A. col. (MZUSP). Colônia: Pedra de los Índios, 1 exemplar, 4.XII.1973, Z. Assandri & G. Wibmer col. (MZUSP). Artigas: Artigas, 1 exemplar, 13-14.X.1995, L. Moura col. (MCNZ).

Aleiphaquilon castaneum (Gounelle, 1911)

Tillomorpha castanea Gounelle, 1911: 190.

Aleiphaquilon castaneum; Martins&Moure,1973: 80; Monné, 2005: 45 (cat.).

Aleiphaquilon unicolor Martins, 1970: 48; Martins & Moure, 1973: 80 (sin.).

A pontuação dos élitros é variável e na metade apical pode apresentar-se mais próxima ou mais afastada. A. castaneum registrada para o Brasil (Goiás, Minas Gerais e São Paulo) e a Argentina (Formosa) ora arrola-se para a Bolívia e o Paraguai

Material-examinado: BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (El Cairo, 5 km W de Buena Vista), 7-9.X.2004, 1 exemplar, J.E. Wappes col. (ACMS); (Hotel Flora & Fauna, 3,7 km SSE, 17º29,949'S, 63º33,152'W); 1 exemplar, 14-19.X.2000, M.C. Thomas col. "tropical transition forest" (FSCA); 3 exemplares, 17-19. X.2000, Wappes & Morris col. (ACMS, 1 exemplar MCNZ); 1 exemplar, 23-26.X.2000, Wappes & Morris col. (ACMS); 2 exemplares, 23-26.X.2000, M.C. Thomas col., "tropical transition forest" (FSCA); 4 exemplares, 5-15.XI.2001, M.C. Thomas & B.K. Dozier col., "tropical transition forest" (FSCA); 1 exemplar, 22-31.X.2002, Wappes & Morris col. (ACMS); 2 exemplares, 3-8.X.2004, Wappes & Morris col. (ACMS retidos para o MCNZ). Província Florida (3 km E Achira, 1300 m), 2 exemplares, 1.XI.1999, Potter & Stange col. "tropical transition forest" (ACMS). PARAGUAI, Central: Asunción (Cerro Lambaré), 1 exemplar, 9.X.1989, sem nome do coletor (MCNZ).

Aleiphaquilon tasyba sp. nov. (Figs. 1, 3)

Etimologia: Tupi, tasyba = formiga; alusivo ao aspecto geral.

Cabeça avermelhada. Fronte com superfície irregular nas regiões látero-superiores e mais lisa no centro. Olhos sensivelmente mais longos que as genas. Escapo atinge o quarto anterior do pronoto; microesculturado (50x) inferiormente na base. Pêlo apical do antenômero III aproximadamente tão longo quanto o artículo.

Tórax avermelhado. Pronoto (40x) microesculturado menos na constrição basal que é lisa. Escutelo alaranjado.

Terço basal dos élitros avermelhado seguido por faixa preta lateral que não atinge a sutura; no nível do terço anterior faixa amarelada não saliente que alcança a sutura; restante da superfície elitral preta. Pontuação esparsa nos dois terços anteriores dos élitros e pouco evidente no terço apical.

Esternos torácicos e urosternito I avermelhados. Urosternitos II-V pretos. Profêmures avermelhados; meso- e metafêmures preto-avermelhados. Tíbias pretas.

Dimensões, mm, holótipo macho: Comprimento total, 4,2; comprimento do protórax, 1,2; maior largura do protórax, 0,8; comprimento do élitro, 2,6; largura umeral, 1,1.

Material-tipo: Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Buena Vista (Hotel Flora & Fauna), 7-10. X.2004, Morris & Wappes col. (MNKM).

Discussão: O colorido de Aleiphaquilon tasyba sp. nov. é semelhante ao de A. tricolor Martins, 1975, embora os meso-e metafêmures sejam preto-avermelhados. Difere especialmente por apresentar os olhos muito maiores em relação ao comprimento das genas (fig. 1), os pêlos apicais do antenômero III apenas mais longos que o comprimento do artículo, o urosternito I avermelhado e os urosternitos II-V pretos. Em A. tricolor os olhos são nitidamente mais curtos que as genas (fig. 2), os pêlos apicais do antenômero III têm o dobro do comprimento do artículo, os meso- e metafêmures são avermelhados e os urosternitos são inteiramente preto-avermelhados.

Nota: Foi examinado um exemplar procedente do Brasil, Rondônia: Ariquemes (62 km SW, Fazenda Rancho Grande), 6.X.1993, C.W. & L.B. O'Brien col., luz de lâmpada de mercúrio e ultra-violeta (ACMS) que estruturalmente é igual ao holótipo. Difere por apresentar élitros inteiramente alaranjados, com faixa amarelada que não atinge a sutura (Fig. 4) e vestígios de faixas pretas adiante e atrás da faixa clara. Pode tratar-se apenas de exemplar com tegumento parcialmente esclerotinizado, que não teve o colorido dos élitros impregnados no tegumento

Chave para as espécies de Aleiphaquilon com faixa esbranquiçada plana (modificada de Martins, 2005)
 
6(4).Tegumento dos élitros unicolor, castanhoescuro a preto, menos a faixa clara dos élitros ........................................................................................ 7
 Tegumento dos élitros avermelhado até a faixa clara transversal e castanho-escuro ou preto da faixa ao ápice ......................................................... 8
7(6).Constrição basal do pronoto com pubescência densa, acinzentada; flagelômeros alaranjados com extremidade escurecida; faixa esbranquiçada estreita no terço basal dos élitros. Brasil (Rio de Janeiro) ............................................................ A. una Mermudes & Monné, 1999
 Constrição basal do pronoto sem pubescência; antenas pretas; faixa elitral deprimida com colorido variável, do amarelado ao castanhoamarelado; (região atrás da faixa amarelada densamente pontuada e microesculturada). Bolívia, Brasil (Paraná ao Rio Grande do Sul), Uruguai ....... A. plaumanni Martins, 1975
8(6).Olhos pequenos (Fig. 2) com menos da metade do comprimento da gena. Brasil (Rio de Janeiro) .................................................. A. tricolor Martins, 1975
 Olhos grandes (Fig. 1) com o dobro do comprimento da gena ..................... 9
9(8).Fêmures castanho-escuros; élitros pontuados na metade apical. Brasil (Bahia) .................................................... A. taeniatum Mermudes & Monné, 1999
 Fêmures alaranjados ou profêmures avermelhados e meso- e metafêmures castanho-escuros; metade apical dos élitros com pontos muito esparsos; (élitros com o terço anterior avermelhado e dois terços apicais pretos; faixa transversal amarelada situada no terço anterior; urosternitos II-V pretos). Fig. 3. Bolívia ................................................................... A. tasyba sp. nov.

 

AGRADECIMENTOS

A Michael C. Thomas (FSCA) e James E. Wappes (ACMS) pelo envio de material para estudo; a Eleandro Moysés (MCNZ) pela execução das fotografias e montagem das estampas.

 

REFERÊNCIAS

Gounelle, E. 1911. Liste des cérambycides de la région de Jatahy, Etat de Goyaz, Brésil. Annales de la Société Entomologique de France, 80:1-150.         [ Links ]

Martins, U.R. 1970. Notas sobre Cerambycinae III. Papéis Avulsos de Zoologia, 23(4):45-48.         [ Links ]

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Martins, U.R. 2005. Cerambycidae Sul-Americanos. Subfamília Cerambycinae: Cerambycini, subtribo Sphallotrichina, subtrib. nov., Callidiopini, Graciliini, Neocorini, trib. nov. Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 5, 284 p.         [ Links ]

Martins, U.R. & Galileo, M.H.M. 1994. Descrições de novas espécies, chaves para identificação e notas sobre os gêneros Sphagoeme Aurivillius, Aleiphaquilon Martins e Gigantotrichoderes Tippmann. Revista Brasileira de Zoologia, 11(4):683-690.         [ Links ]

Martins, U.R. & Moure, J.S. 1973. Notas sobre Cerambycidae VII. Revista Brasileira de Entomologia, 17(12):77-84.         [ Links ]

Mermudes, J.R.M. & Monné, M.A. 1999. Aleiphaquilon (Callidiopini): descrições e chave para identificação. Iheringia, Série Zoologia, 87:81-86.         [ Links ]

Monné, M.A. 2005. Catalogue of the Cerambycidae (Coleóptera) of the Neotropical Region. Part II. Subfamily Cerambycinae. Zootaxa, 946:1-765.         [ Links ]

Napp, D.S. & Martins, U.R. 1984. Notas e descrições em Callidiopini. Revista Brasileira de Entomologia, 28(1):51-58.         [ Links ]

 

 

Recebido em: 22.08.2008
Aceito em: 08.07.2009
Impresso em: 30.09.2009

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