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Papéis Avulsos de Zoologia

Print version ISSN 0031-1049

Pap. Avulsos Zool. (São Paulo) vol.50 no.38 São Paulo  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0031-10492010003800001 

Notas e descrições em Hesperophanini, Eburiini, Piezocerini e Trachyderini (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae) do Brasil e da Bolívia

 

 

Ubirajara R. MartinsI,III; Maria Helena M. GalileoII,III

IMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42.494, 04218-970, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: urmsouza@usp.br
IIMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1.188, 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: galileo@fzb.rs.gov.br
IIIPesquisador do CNPq

 

 


RESUMO

Novos táxons descritos – Hesperophanini: Paraliostola nigramacula sp. nov., do Brasil (Rondônia); Eburiini: Simplexeburia gen. nov., e sua espécie-tipo, S. divisa sp. nov. do Brasil (Amazonas); Piezocerini: Gorybia amazonensis sp. nov. and G. sulcata sp. nov., ambas do Brasil (Amazonas); Trachyderini: Galissus rubiventris sp. nov., da Bolívia (Santa Cruz). Notas e novos registros são apresentados para Liostola nitida Zajciw, 1962 e Ochrus chapadense Napp & Martins, 1982 (Hesperophanini); Uncieburia rogersi (Bates, 1870) e Quiacaua taguaiba Martins, 1970 (Eburiini).

Palavras-chave: América do Sul; Novas espécies; Novos registros; Taxonomia.


ABSTRACT

Notes and descriptions on Hesperophanini, Eburiini, Piezocerini and Trachyderini (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae) from Brazil and Bolivia. New taxa described – Hesperophanini: Paraliostola nigramacula sp. nov. from Brazil (Rondônia); Eburiini: Simplexeburia gen. nov., and its type species, S. divisa sp. nov. from Brazil (Amazonas); Piezocerini: Gorybia amazonensis sp. nov. and G. sulcata sp. nov. both from Brazil (Amazonas); Trachyderini: Galissus rubiventris sp. nov. from Bolivia (Santa Cruz de la Sierra). Notes and records are presented for Liostola nitida Zajciw, 1962 and Ochrus chapadense Napp & Martins, 1982 (Hesperophanini); Uncieburia rogersi (Bates, 1870) and Quiacaua taguaiba Martins, 1997 (Eburiini).

Keywords: New records; New taxa; South America; Taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

Nesta contribuição descrevemos novos táxons, apresentamos notas e registramos novas ocorrências nas tribos Hesperophanini, Eburiini, Piezocerini e Trachyderini.

Em Hesperophanini cuidamos do gênero Paraliostola Tavakilian & Monné, 1991, monotípico, com ocorrências na Floresta Amazônica; descrevemos, de Rondônia, a segunda espécie do gênero. Também tratamos de Liostola nitida Zajciw, 1962, com registros para a Floresta Amazônica, mas ainda não assinalada para o estado do Amazonas. O gênero Ochrus Lacordaire, 1869, conta com cinco espécies ocorrentes nas Américas Central e Sul (Antilhas, Suriname, Guiana Francesa e Brasil); ampliamos a distribuição de O. chapadense Napp & Martins, 1982 para o Maranhão.

Além de notas e novos registros para Uncieburia rogersi (Bates, 1870) e Quiacaua taguaiba Martins, 1997, descrevemos, em Eburiini, novo gênero e nova espécie do Amazonas.

A tribo Piezocerini foi revista por Martins (2003) quando o gênero Gorybia Pascoe, 1866 continha 38 espécies. Acréscimos ao gênero foram feitos por Martins & Galileo (2007) quando descreveram G. montana da Guiana Francesa; Galileo & Martins (2008) descreveram G. quadrispinosa da Bolívia (Santa Cruz); Martins et al. (2009) publicaram G. bispinosa do Brasil (Maranhão) e Galileo & Martins (2010) publicaram mais duas espécies procedentes do Brasil: G. rondonia (Rondônia) e G. bahiensis (Bahia). Acrescentamos duas novas espécies ao gênero.

Na tribo Trachyderini, descrevemos nova espécie no gênero Galissus Dupont, 1840, estabelecido para G. cyanopterus Dupont, 1840. Monné & Martins (1981) publicaram a segunda espécie do gênero, G. azureus e, até o presente trabalho, Galissus continha essas duas espécies distribuídas na Hiléia.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O material citado no texto pertence às seguintes instituições: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus (INPA); Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (MNRJ); Museo Noel Kempff Mercado, Santa Cruz de la Sierra (MNKM); Universidade Federal do Amazonas, Manaus (UFAM).

 

RESULTADOS

Hesperophanini

Liostola nitida Zajciw, 1962

Liostola nitida Zajciw, 1962:242, fig. 1; Monné, 2005:357 (cat.).

O gênero Liostola Zajciw, 1962, foi descrito em Hesperophanini e transferido para Ibidionini por Martins (1999). Martins & Galileo (2007) transferiram-no para sua posição original em Hesperophanini onde hoje se encontra. Liostola nitida foi descrita do Amapá (Brasil) e registrada para o Equador, Guiana Francesa e Brasil (Rondônia e Mato Grosso) (Monné & Bezark, 2009). Registra-se agora para o Estado do Amazonas.

Material examinado: BRASIL, Amazonas: Barcelos (Foz do Rio Demeni), fêmea, VIII.2008, A. Filho & R. Machado col., na luz no barco em movimento(INPA); Manicoré (Cachoeira, 05º28'44"S, 60º49'21"W, floresta úmida), fêmea, IX.2004, Silva & Pena col., luz mista + BLB (INPA); Novo Aripuanã (05º15'53"S, 60º07'08"W, floresta úmida), 2 machos, 2 fêmeas, IX.2004, Henriques, Silva & Pena col. (INPA).

Paraliostola nigramacula sp. nov.
(Fig. 1)

 


 

Etimologia: Do latim, nigra = preto; macula = mancha; alusivo às pequenas manchas pretas do pronoto e dos élitros.

Colorido geral vermelho-alaranjado; élitros mais claros, amarelados. Sutura clípeo-frontal bem aprofundada. Clípeo e fronte pontuados. Sutura frontal prolongada até entre os lobos oculares superiores. Vértice finamente pontuado. Lobos oculares superiores com quatro fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto o quíntuplo da largura de um lobo. Antenas atingem o ápice dos élitros no terço apical do antenômero VII. Antenômero III não carenado nem sulcado.

Protórax mais longo que largo com tubérculo lateral arredondado no topo; constrição basal mais acentuada que a apical. Lados do protórax com mancha preta no meio. Pronoto com três manchas, pequenas, pretas: uma central pouco à frente do meio, subtriangular e uma a cada lado, próximas da gibosidade central nos lados do protórax. Prosterno liso com tubérculo muito evidente à frente do processo prosternal.

Cada élitro com três manchas subarredondadas, pretas: uma dorsal atrás do úmero; uma no meio e a terceira no lado externo e posterior da mancha central. Pontuação elitral gradualmente mais fina para o ápice.

Fêmures fusiformes. Metatíbias não carenadas. Face ventral com pubescência esbranquiçada, esparsa, nos esternos torácicos e menos evidente nos urosternitos.

Dimensões em mm: Comprimento total, 11,9; comprimento do protórax, 4,1; maior largura do protórax, 2,6; comprimento do élitro, 8,6; largura umeral, 3,1.

Material-tipo: Holótipo macho, BRASIL, Rondônia: Vilhena, X.1990, O. Roppa & J. Becker col. (MNRJ).

Discussão: Paraliostola nigramacula sp. nov. separa-se de P. durantoni Tavakilian & Monné, 1991 pela presença das manchas pretas no protórax, pela mancha central preta de cada élitro, subarredondada e pelo colorido geral mais avermelhado. P. durantoni não tem manchas pretas no protórax, a mancha do centro dos élitros é oblíqua e o colorido geral é mais alaranjado.

Ochrus chapadense Napp & Martins, 1982

Ochrus chapadense Napp & Martins, 1982:367, fig. 162; Monné, 2005:273 (cat.).

Ochrus chapadense foi descrita do Mato Grosso: Chapada dos Guimarães. No holótipo, as faixas pretas do meio dos élitros são oblíquas e não atingem a margem. Nas duas fêmeas examinadas do Maranhão, são transversais e mais arredondas.

Material examinado: BRASIL, Maranhão: São Pedro da Água Branca (Fazenda Esplanada, 04º59'05"S, 48º08'03"W), 2 fêmeas, 07.XII.2001, J.A. Rafael; F.L. Oliveira & J. Vidal col., Malaise (INPA).

Eburiini

Uncieburia rogersi (Bates, 1870)

Eburia rogersi Bates, 1870:266.

Uncieburia rogersi; Martins, 1997:73; Monné, 2005:177 (cat.).

Eburia subcornuta Fuchs, 1955:47.

Esta espécie está assinalada para a Mata Atlântica, de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Também foi registrada para o Paraguai (Martins, 1999) e para Bolívia (Wappes et al., 2006). O material ora examinado, de Roraima, amplia consideravelmente a distribuição no Brasil. O espécime examinado é muito pequeno (9,2 mm de comprimento), enquanto que os exemplares conhecidos possuem comprimento entre 11,4 e 28,9 mm.

Material examinado: BRASIL, Roraima: Ilha de Maracá (Rio Uraricoera), fêmea, 19-20.III.1998, C.R. Motta; R.A. Ferreira; R.L.M. Faustino & S. Franco da Silva col., armadilha luminosa (INPA).

Quiacaua taguaiba Martins, 1997

Quiacaua taguaiba Martins, 1997:71, fig. 10; Monné, 2005:170.

Esta espécie foi descrita com base num casal procedente do Pará (Brasil). Ampliamos a distribuição no Brasil para o Amazonas.

Material examinado: BRASIL, Amazonas: Santa Isabel (Rio Negro, Maturacá), macho, 11-13.X.1990, J.A. Rafael col., armadilha Malaise (INPA).

Simplexeburia gen. nov.

Etimologia: Latim, simplex = simples; Eburia, gênero-tipo da tribo. Gênero feminino.

Espécie-tipo: Simplexeburia divisa sp. nov.

Sutura clipeal profunda. Olhos grosseiramente granulados. Lobos oculares superiores com cinco fileiras de omatídios, tão afastados entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Lobos oculares inferiores atingem o lado ventral da cabeça. Tubérculos anteníferos projetados, mas não agudos. Antenas com onze artículos. Nos machos, tão longas quanto uma vez e meia o comprimento do corpo. Antenômero III sulcado e bicarenado. Gula sem sulcos.

Protórax apenas mais largo que longo. Lados do protórax com espinho agudo e situado para trás do meio; sem tubérculo anterior. Pronoto com tubérculo pequeno, arredondado no topo, de cada lado à frente do meio; três quartos basais com rugas finas, transversais. Processo prosternal com ápice truncado. Processo mesosternal sem tubérculo.

Élitros sem manchas ebúrneas. Base do friso epipleural com dentículo.

Fêmures lineares; extremidades dos meso- e metafêmures com longo espinho externo; ápice dos metafêmures ultrapassa ponta dos élitros. Metatíbias carenadas e sulcadas. Metatarsômero I igual a II + III.

Discussão: A inexistência de manchas ebúrneas nos élitros é caráter pouco habitual nos Eburiini. A inclusão de Simplexeburia gen. nov. em Eburiini está embasada no aspecto do pronoto com dois tubérculos ântero-dorsais, espículo na base do friso epipleural e meso- e metafêmures com espinho apical longo, no lado interno.

Dois gêneros de Eburiini não têm manchas ebúrneas nos élitros: Styliceps Lacordaire, 1869 e Opades Lacordaire, 1869. Simplexeburia separa-se de Styliceps pela ausência de tubérculo no vértice e de sulcos na gula; distingue-se de Opades pela presença de espinhos no ápice dos meso- e metafêmures; pela ausência de tubérculos látero-anteriores no protórax e pelo ápice dos metafêmures que ultrapassam a ponta dos élitros.

Simplexeburia divisa sp. nov.
(Fig. 2)

Etimologia: Latim, divisio = divisão; substantivo alusivo à coloração dos élitros.

Cabeça, antenas, protórax, pernas e urosternitos II a V, pretos. Élitros com dois terços anteriores amarelados e terço apical preto. Mesosterno, mesepisternos, metepimeros, metepisternos, metasterno e primeiro urosternito, avermelhados.

Cabeça com tegumento brilhante. Vértice com pontuação densa. Escapo brilhante com alguns pelos eretos, esbranquiçados. Franja de pelos no lado interno do antenômero III mais longa que a largura do artículo.

Pronoto e élitros com superfície opaca. Pontuação elitral evidente na metade anterior. Extremidades elitrais transversalmente truncadas com espinho externo.

Dimensões em mm: Comprimento total, 11,0; comprimento do protórax, 2,5; maior largura do protórax, 2,6; comprimento do élitro, 6,5; largura umeral, 2,8.

Material-tipo: Holótipo macho, BRASIL, Amazonas: Coari (Duto Urucu/Porto Terminal, 04º50'16"S, 65º20'36"W), 12-21.VI.1996, B.P.J. Bührnheim, N.O. Aguiar, A.M.R. Arruda & T.L. Gualberto col., armadilha Pensylvania, luz negra BLB (UFAM).

Piezocerini

Gorybia amazonensis sp. nov.
(Fig. 3)

Etimologia: Epíteto é alusivo ao Estado brasileiro da localidade-tipo.

Colorido geral vermelho-alaranjado. Cabeça opaca, fortemente microesculturada. Fronte com alvéolos grandes e anastomosados. Lobos oculares superiores com três fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto aproximadamente o sexto da largura de um lobo. Escapo subcilíndrico com a superfície acentuadamente irregular e sem pontos. Antenas ultrapassam um pouco o ápice dos élitros. Antenômero III nodoso no ápice.

Protórax arredondado nos lados. Pronoto sem alvéolos no meio, sem sulco longitudinal e com superfície fortemente microesculturada.

Élitros brilhantes, pontuados no terço basal e lisos no terço apical. Pelos elitrais acastanhados. Extremidades elitrais transversalmente truncadas com espinho externo.

Mesosterno microesculturado. Lados do metasterno com pontos grandes e rasos (30x, cabeça do inseto voltada para a fonte luminosa). Metatíbias não projetadas no ângulo apical externo.

Dimensões em mm: Comprimento total, 9,7; comprimento do protórax, 2,1; maior largura do protórax, 1,8; comprimento do élitro, 7,0; largura umeral, 2,4.

Material-tipo: Holótipo fêmea, BRASIL, Amazonas: Manaus (60 km N, Fazenda Esteio, ZF-3, km 23), 19.IX.1984, B.C. Klein col., armadilha de Malaise (INPA).

Discussão: Gorybia amazonensis pela chave publicada por Martins (2003) é discriminada com G. procera Martins, 1976, no item 30, por não apresentar pontuação na metade apical dos élitros. G. amazonensis distingue-se de G. procera: pelo protórax arredondado nos lados; pelo pronoto sem alvéolos e sem área centro-longitudinal lisa; pela ausência de tubérculo no centro do processo prosternal. Em G. procera o protórax é subcilíndrico e constrito na base; o pronoto é provido de alvéolos grandes e rasos com área central lisa e o processo prosternal tem pequeno tubérculo no centro.

Pela ausência de alvéolos no meio do pronoto, Gorybia amazonensis também pode ser comparada com G. invicta Martins, 1976, descrita do Espírito Santo, cujo pronoto possui uma área deprimida a cada lado. Em G. amazonensis o pronoto é regularmente convexo.

Gorybia sulcata sp. nov.
(Fig. 4)

Etimologia: Latim, sulcatus = sulcado, adjetivo alusivo ao sulco pronotal.

Colorido geral vermelho-acastanhado. Fronte e vértice com alvéolos rasos e isolados. Lobos oculares superiores com três fileiras de omatídios. Escapo microesculturado com alvéolos profundos. Antenômero III não projetado no lado externo.

Protórax com lados arredondados e constrição basal acentuada, mais estreita que constrição anterior. Pronoto alveolado, exceto junto às margens e num sulco centro-longitudinal, largo e profundo, que vai da metade basal até a constrição anterior. Partes laterais do protórax com alvéolos. Mesosterno alveolado e microesculturado. Lados do metasterno lisos.

Élitros brilhantes com pontos mais densos no terço basal e gradualmente mais afastados para os ápices; cada um com cinco fileiras de pelos; extremidades com espículo no ângulo sutural e espinho externo.

Metatíbias sem projeção externa no ápice. Urosternitos com pontuação muito fina e esparsa.

Dimensões mm: Comprimento total, 7,6; comprimento do protórax, 1,9; maior largura do protórax, 1,4; comprimento do élitro, 5,3; largura umeral, 1,7.

Material-tipo: Holótipo fêmea, BRASIL, Amazonas: Manaus (Reserva Ducke), 31.IX.1986, L. Ulysses col. (INPA).

Discussão: Gorybia sulcata sp. nov. caracteriza-se pelo sulco longitudinal no centro do pronoto. Sulco pronotal também se encontra em G. orygma Martins, 1976, ocorrente no Amapá. Gorybia sulcata difere de G. orygma pela ausência de faixa acastanhada, pouco contrastante, no dorso dos élitros e pelas metatíbias sem projeção externa no ápice. O holótipo está sem o pedicelo e antenômeros III-XI da antena direita e VI-XI da antena esquerda (V quebrado).

Trachyderini

Galissus rubiventris sp. nov.
(Fig. 5)

Etimologia: Latim, ruber = vermelho; ventris = ventre; adjetivo alusivo a face ventral vermelha.

Macho: Cabeça preta, brilhante. Clípeo com pequeno tubérculo próximo ao meio da fronte. Genas esparsamente pontuadas. Área do vértice entre os tubérculos anteníferos, lisa. Antenas pretas. Escapo pouco e gradualmente engrossado para o ápice; pontuação moderada, evidente. Antenômero III sem carena.

Protórax vermelho. Dois terços anteriores do pronoto com mancha arredondada, preta. Superfície do pronoto com pontos pequenos e esparsos. Prosterno com áreas triangulares, laterais, de pontuação sexual. Processo prosternal truncado. Processo mesosternal com tubérculo desenvolvido. Escutelo longo, em triângulo isósceles.

Élitros azuis metálicos com pontuação fina e esparsa. Extremidades elitrais obliquamente truncadas. Pelos pretos, curtos e densos, principalmente nas extremidades elitrais e nas epipleuras.

Pernas pretas. Face ventral do corpo vermelha.

Dimensões em mm: Comprimento total, 19,8; comprimento do protórax, 4,2; maior largura do protórax, 5,4; comprimento do élitro, 13,8; largura umeral, 6,4.

Material-tipo: Holótipo macho, BOLÍVIA, Santa Cruz: Potrerillos del Guendá (17º40,26'S, 63º27,44'W), 09-28.XI.2006, P.K. Dozier & J. Romero col. (MNKM).

Discussão: Galissus rubiventris sp. nov. distingue-se de G. azureus Monné & Martins, 1981 e de G. cyanopterus Dupont, 1840 pelo protórax vermelho com mancha preta no pronoto. Nessas duas espécies, o pronoto é inteiramente preto.

 

AGRADECIMENTOS

A Augusto L. Henriques (INPA), James Wappes (ACMB), Miguel A. Monné (MNRJ) e Nair O. Aguiar (UFAM) pelo empréstimo de material para estudo; a Eleandro Moysés, bolsista IC/CNPq/FZB (Museu de Ciências Naturais, Porto Alegre) pelas fotografias e tratamento digital. Ao CNPq e FAPEAM pelo auxílio financeiro ao Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) projeto "Amazonas: diversidade de insetos ao longo de suas fronteiras (Processo 1437/207)" coordenado por José Albertino Rafael (INPA).

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 27.07.2010
Aceito em: 13.10.2010
Impresso em: 10.12.2010

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