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Papéis Avulsos de Zoologia

Print version ISSN 0031-1049

Pap. Avulsos Zool. (São Paulo) vol.53 no.29 São Paulo  2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0031-10492013002900001 

Contribuição para o estudo dos Rhinotragini (Coleoptera, Cerambycidae). VIII. Transferências e nova espécie em Clepitoides

 

 

Antonio Santos-SilvaI,2; Robin O.S. ClarkeII; Ubirajara R. MartinsI,1

IMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Caixa Postal 42.494, 04218-970, São Paulo, SP, Brasil
IIHotel Flora & Fauna, Casilla 2097, Santa Cruz de la Sierra, Bolivia. E-mail: hotelfandf@hotmail.com

 

 


RESUMO

Quatro espécies são transferidas para Clepitoides Clarke, 2009: Odontocera crocata Bates, 1873; O. virgata Gounelle, 1911; Eclipta picturata (Gounelle, 1911); E. pallidicornis (Zajciw, 1966). As fêmeas de O. crocata e O. pallidicornis são redescritas e uma nova espécie é descrita do Brasil e da Argentina. As cinco espécies são figuradas. Adicionalmente é fornecida nova chave para as espécies de Clepitoides.

Palavras-chave: Cerambycinae; Nova combinação; Nova espécie; Redescrição; Taxonomia.


ABSTRACT

Four species are transferred to Clepitoides Clarke, 2009: Odontocera crocata Bates, 1873; O. virgata Gounelle, 1911; Eclipta picturata (Gounelle, 1911); and E. pallidicornis (Zajciw, 1966). The females of O. crocata and O. pallidicornis are redescribed. A new species is described from Brazil and Argentina. The five species are figured and a key to the species of Clepitoides is provided.

Key-words: Cerambycinae; New combination; New species; Redescription; Taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

Clarke (2009) descreveu Clepitoides para alocar três espécies novas provenientes da Bolívia: C. anae, C. gerardi e C. neei. Cleptoides foi definido: "Generally more translucent than semi-opaque. Antennomeres (6)7-10 lobate at one side of apex (subserrate), with VII-XI forming loose club. Prothorax more elongate ( ca. 1.5 times longer than wide), pronotum with alveolate punctures; sides almost glabrous, orange-yellow with candelabrum at midline. Mesosternal declivity inclined. Elytra markedly dehiscent; without short, semi-recumbent pubescence; with humero-apical costa from middle to apex (best seen with the light coming from the side). Metasternum uniformly hirsute with sparse, shorter hairs. Urosternite V of males characteristic (viewed laterally): sides foliate (expanded dorsally and ventrally, and slightly prolonged into "wings"), these demarcating a deep, horseshoe-shaped depression occupying most of ventral surface. Outer apex of protibiae usually slightly excised, not expanded laterally or toothed. Colour dimorphism almost absent; both sexes with dusky fascia between superior lobes; prothorax orange-yellow, pronotum with blackish candelabrum". Dentre esses caracteres apenas um deles não se enquadra em uma das espécies presentemente transferidas para o gênero: pronoto lateralmente amarelo-alaranjado e com faixa longitudinal preta no meio do disco. Esse caráter não está presente em Clepitoides crocata (Bates, 1873), que tem o pronoto inteiramente preto nos dois sexos.

Clepitoides difere consideravelmente da espécie-tipo de Eclipta Bates, 1873, entre outros caracteres, pela escultura do pronoto não completamente confluente, pelo último urosternito dos machos com distintas abas laterais e pelos lobos-laterais (parâmeros) proporcionalmente muito menores e sem pelos notavelmente longos. Baseado nesses caracteres diferenciais e concordância com aqueles de Clepitoides, são transferidas duas espécies de Eclipta e duas de Odontocera Audinet-Serville, 1833 para Clepitoides e descrita uma nova espécie.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os acrônimos utilizados no texto correspondem às seguintes instituições: ACMT, American Coleoptera Museum, San Antonio; DZUP, Coleção Entomológica Padre Jesus Santiago Moure, Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba; FSCA, Florida State Collection of Arthropods, Gainesville; INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus; ISNB, Institut Royal des Sciences Naturelles de Belgique, Bruxelas; LGBC, Larry G. Bezark Collection, Sacramento; MCNZ, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; MNRJ, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; MZUSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo; MNHN, Muséum national d'Histoire naturelle, Paris; UNESP, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Campus Ilha Solteira.

As referências bibliográficas sob cada táxon correspondem à descrição original, citação dos catálogos de Monné (2005, 2006), sinonímias, omissões e acréscimos posteriores a esses catálogos.

No item "Distribuição geográfica" das espécies, a obra indicada após o país/estado, refere-se à primeira citação.

Chave para as espécies de Clepitoides

[Dilemas 6 e 7 adaptados da chave em Clarke (2009)]

1. Pronoto inteiramente preto (Fig. 1). Brasil (Minas Gerais, Rio de Janeiro) .............. .................................................................................C. crocata (Bates, 1873)

Pronoto lateralmente claro .............................................................................2

2(1). Inicio da área clara do meio dos élitros distante da margem anterior (início aproximadamente no extremo do quarto basal) (Fig. 2). Brasil (Goiás, Espírito Santo, Rio Grande do Sul) .................................................C. picturata (Gounelle, 1911)

Área clara do meio dos élitros inicia-se na margem anterior ou muito próximo dela ...... .................................................................................................................3

3(2). Antenômero III escuro apenas no extremo distal; mesotíbias inteiramente claras (Fig. 3). Brasil (Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro) .................................. ...........................................................................C. pallidicornis (Zajciw, 1966)
Antenômero III escuro, no mínimo, no terço apical; mesotíbias parcialmente escuras .. .................................................................................................................4
4(3).Clava dos metafêmures enegrecida ou acastanhada, no mínimo, na metade apical .................................................................................................................5
Clava dos metafêmures enegrecida ou acastanhada apenas no quarto apical ............ .................................................................................................................6
5(4). Área escura lateral dos élitros atinge o úmero (Fig. 4). Brasil [Goiás, Espírito Santo (?), Paraná (?), Santa Catarina (?)] e Argentina (Misiones) (?) ...................... ..............................................................................C. virgata (Gounelle, 1911)
Área escura lateral dos élitros não atinge o úmero (Fig. 5). Brasil (Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina), Argentina (Misiones) ......C. thomasi sp. nov.
6(4). Comprimento mínimo igual a 8,3 mm; pronoto com faixa centro-basal preta estreita e bem definida. Bolívia ..............................................C. neei Clarke, 2009

Comprimento máximo igual a 7,1 mm; pronoto com faixa centro-basal preta larga e menos definida.....7 7(6). Metasterno com a base preta; antena dos machos apenas ultrapassa o ápice elitral. Bolívia ...........................................C. anae Clarke, 2009

Metasterno inteiramente claro; antena dos machos não atinge o ápice elitral. Bolívia . ....................................................................................C. gerardi Clarke, 2009

Clepitoides crocata (Bates, 1873), comb. nov.

(Fig. 1)

Odontocera crocata Bates, 1873:39; Monné, 1993:32 (cat.); Monné & Giesbert, 1994:93 (checklist); Monné, 2005:472 (cat.); Monné & Hovore, 2005:119 (checklist); 2006:118 (checklist); Monné et al., 2009:242 (distr.).

Diagnose: Difere das demais espécies do gênero pelo pronoto inteiramente preto.

Redescrição: Fêmea (Fig. 1): Tegumento castanho-escuro; cabeça e mandíbulas pretas; antenômeros castanho-amarelados, com o ápice do III-V e metade apical do VI-XI suavemente acastanhados; protórax preto, com áreas castanho-avermelhadas no prosterno (borda anterior e junto das cavidades coxais) e processo prosternal; pernas castanho-amareladas, exceto o tarsômero V que é acastanhado; élitros pretos com o terço distal castanho-escuro e área subtranslúcida, castanho-avermelhada, que inicia na base, envolve o úmero aproxima-se do escutelo (sem atingi-lo) e termina pouco depois do meio (parte interna paralela a sutura e parte externa obliqua); urosternitos castanhos, com algumas áreas irregulares e pretas. Pilosidade geral amarelada e pubescência branco-acinzentada; antenômeros e parte das tíbias com cerdas castanhas. Área entre os olhos com pelos curtos e esparsos; fronte glabra; área entre os lobos oculares superiores e o protórax com pelos esparsos e mais longos do que entre os lobos oculares interiores; laterais da face ventral da cabeça com pelos longos e esparsos. Pronoto com pelos longos e esparsos. Região central do prosterno pubescente e com pelos moderadamente longos aos lados dessa área. Processo prosternal com pilosidade moderadamente longa e abundante. Metasterno com pubescência nas laterais e região anterior, entremeada por pelos longos e esparsos. Urosternitos com pelos moderadamente longos e esparsos nas laterais e curtos e muito dispersos na região central.

Região entre os lobos oculares inferiores com pontos bem marcados e grossos, ausentes na faixa central; fronte com grande área lisa; região entre a margem inferior dos lobos oculares inferiores e o clípeo com pontos grossos, abundantes e confluentes. Pronoto com pontos grossos e bem marcados. Pontuação elitral grossa e abundante, principalmente nas laterais e terço apical. Urosternitos com pontos grossos e pouco profundos nas laterais.

Comprimento da área entre a base dos lobos oculares inferiores e o ápice do labro igual a 0,8 vezes o comprimento do lobo ocular inferior. Distância entre os lobos oculares inferiores igual a 0,7 vezes a largura de um lobo. Antenas não atingem o ápice elitral (ápice do antenômero XI atinge o quinto apical); clava antenal mais distinta a partir do antenômero IX, não notavelmente alargada.

Élitros ultrapassam um pouco o ápice do urosternito II, deiscentes no quarto apical; ápice truncado, com os ângulos externo e sutural salientes. Metafêmures atingem o terço distal do urosternito IV. Metatarsômero I tão longo quanto os metatarsômeros II-V reunidos.

Variação: Tegumento preto; ápice dos antenômeros III-V e metade apical do VI-XI nitidamente castanhos; parte central do metasterno castanho-avermelhada; pernas suavemente acastanhadas; terço distal dos élitros castanho; área subtranslúcida dos élitros afastada do escutelo e quase indistinta desde pouco antes do meio; urosternitos castanho-escuros e lateralmente enegrecidos.

Dimensões em mm (♀): Comprimento total, 7,3-7,8; comprimento do protórax, 1,3-1,4; largura anterior do protórax, 0,8-0,9; largura posterior do protórax, 0,8-1,0; largura umeral, 1,0-1,2; comprimento elitral, 3,4-4,1. Dimensões na descrição original (♂): "Long. 3 ¾ lin.".

Tipo, localidade-tipo: Holótipo macho, procedente do Brasil (Nova Friburgo, Rio de Janeiro), depositado no MNHN.

Distribuição geográfica: Clepitoides crocata ocorre no Brasil [Minas Gerais (Zikán & Zikán, 1944); Rio de Janeiro (Bates, 1873)].

Material examinado: BRASIL, Minas Gerais: Passa Quatro, fêmea, X.1916, Jaeger col. (MZUSP); fêmea, XI.1916, Jaeger col. (MZUSP).

Discussão: O exame de fotografia do holótipo macho indica que os antenômeros não são anelados, como ocorre nas duas fêmeas examinadas. No entanto, o anelamento pode estar presente e não ser distinguível na fotografia, principalmente porque em uma das fêmeas estudadas, essa área é sutilmente escurecida.

Clepitoides picturata (Gounelle, 1911), comb. nov.

(Fig. 2)

Ommata (Eclipta) picturata Gounelle, 1911:24; Monné, 1993:25 (cat.); Monné & Giesbert, 1994:96 (checklist); Monné, 2005:490 (cat.); Monné & Hovore, 2005:122 (checklist); 2006:121 (checklist).

Diagnose: assemelha-se a C. virgata (Gounelle, 1911), da qual difere pela área preta dos élitros que envolve largamente o escutelo, mas não atinge os úmeros. Em C. virgata (Fig. 4) a área preta dos élitros não envolve completamente o escutelo e atinge os úmeros.

Exemplares-tipo e localidade-tipo: Três síntipos fêmeas provenientes do Brasil (Jataí, Goiás), depositados no MNHN.

Distribuição geográfica: Clepitoides picturata é conhecida do Brasil [Goiás (Gounelle, 1911); Espírito Santo (Zajciw, 1974); Rio Grande do Sul (Witeck-Neto & Link, 1977)].

Discussão: A espécie foi examinada apenas pela fotografia de um dos síntipos. Somente o exame dos espécimes mencionados por Zajciw (1974) e Witeck-Neto & Link (1977) poderá ou não confirmar a identificação como C. picturata. É possível que esses espécimes correspondam a C. virgata.

Clepitoides pallidicornis (Zajciw, 1966), comb. nov.

(Fig. 3)

Ommata (Eclipta) pallidicornis Zajciw, 1966:346; Monné, 1993:25 (cat.); Monné & Giesbert, 1994:96 (checklist); Monné, 2005:490 (cat.); Monné & Hovore, 2005:122 (checklist); 2006:121 (checklist); Monné et al., 2009:243 (distr.).

Diagnose: Clepitoides pallidicornis assemelha-se a C. virgata, da qual difere, principalmente, pelo antenômero III e metatíbias claros na maior parte. Em C. virgata o antenômero III é total ou quase totalmente preto e as metatíbias são pretas nos 2/3 apicais.

Redescrição: Fêmea (Fig. 3): Tegumento castanho-avermelhado; áreas pretas: região dorsal da cabeça, entre a base dos tubérculos anteníferos e o protórax; faixa longitudinal larga no disco pronotal; dois terços apicais da clava metafemoral; quarto distal das metatíbias. Os élitros também pretos, exceto: área longitudinal castanho-avermelhada, larga na base e gradualmente estreitada para o ápice, que inicia próximo do úmero, sem atingi-lo, e termina no terço apical; pequena área castanho-avermelhada na região lateral do úmero. Extremo distal do antenômero III, terço apical dos antenômeros IV-VIII, metade distal do IX, e toda a superfície do X e XI castanho-escuros.

Pilosidade geral amarelada e pubescência branco-acinzentada; antenômeros e parte das tíbias com cerdas castanhas. Área entre os olhos com pelos curtos e esparsos; rostro glabro na área central entre os lobos oculares inferiores e o clípeo; área mais próxima do labro com pelos curtos entremeados por alguns pelos longos e outros muito longos; área entre os lobos oculares superiores e o protórax com pelos esparsos e moderadamente curtos; laterais da face ventral da cabeça com pelos longos e esparsos. Pronoto com pelos longos e esparsos e pubescentes na base. Região central do prosterno pubescente e com pelos moderadamente longos aos lados dessa área. Metasterno com pelos longos e esparsos. Urosternitos com pelos moderadamente longos e esparsos (mais curtos na região central).

Região entre os lobos oculares inferiores com pontos moderadamente finos, ausentes na faixa central; fronte com grande área lisa; região entre a margem inferior dos lobos oculares inferiores e o clípeo com pontos grossos, abundantes e confluentes. Pronoto com pontos grossos e bem marcados. Pontuação elitral grossa e abundante, principalmente nas laterais e terço apical. Laterais do metasterno com pontos grossos e esparsos. Urosternitos com pontos grossos e bem marcados, principalmente nas laterais.

Comprimento da área entre a base dos lobos oculares inferiores e o ápice do labro igual a 0,9 vezes o comprimento do lobo ocular inferior. Distância entre os lobos oculares inferiores igual a 0,5 vezes a largura de um lobo. Antenas atingem o ápice elitral; clava antenal mais distinta a partir do antenômero IX, não notavelmente alargada.

Élitros quase atingem o ápice do urosternito II, deiscentes no quarto apical; ápice truncado, com os ângulos externo e sutural salientes. Metafêmures atingem o terço distal do urosternito IV. Metatarsômero I apenas mais curto (0,9 vezes) do que os metatarsômeros II-V reunidos.

Variação: Área escura dos antenômeros castanha; região escura dos élitros mais acastanhada no terço apical; área clara dos élitros atinge e envolve o úmero e fundida com a mancha da região umeral; comprimento da área entre a base dos lobos oculares inferiores e o ápice do labro de 0,8 até 0,9 vezes o comprimento do lobo ocular inferior.

Dimensões em mm (♀): Comprimento total, 6,8-7,0; comprimento do protórax, 1,3-1,4; largura anterior do protórax, 0,7; largura posterior do protórax, 0,7-0,8; largura umeral, 1,0-1,1; comprimento elitral, 2,8-3,0. Dimensões na descrição original: "Comprimento do corpo 5-7 mm".

Exemplar-tipo e localidade-tipo: Holótipo fêmea, procedente do Brasil (Corcovado, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro), depositado no MNRJ. Conforme visto acima, Zajciw (1966) indicou duas medidas de comprimento, o que sugeriria que ele havia examinado, no mínimo, duas fêmeas. No entanto, mencionou apenas os dados de um espécime, especificando que ele é o holótipo.

Distribuição geográfica: Clepitoides pallidicornis era conhecida do Brasil (Rio de Janeiro). Aumentamos a distribuição geográfica para os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Material examinado: BRASIL, Minas Gerais: Passa Quatro, fêmea, XI.1915, Jaeger col. (MZUSP). Espírito Santo: Santa Teresa, fêmea, 22.X.1966, C. & T. Elias col. (MZUSP). Rio de Janeiro: Rio de Janeiro (Corcovado), holótipo fêmea, 01.X.1952, D. Zajciw col. (MNRJ).

Clepitoides virgata (Gounelle, 1911), comb. nov.

(Fig. 4)

Odontocera virgata Gounelle, 1911:39; Monné, 1993:39 (cat.); Monné & Giesbert, 1994:94 (checklist); Monné, 2005:479 (cat.); Monné & Hovore, 2005:120 (checklist); 2006:119 (checklist).

Diagnose: vide em Clepitoides picturata.

Exemplar-tipo e localidade-tipo: Holótipo fêmea coletado no Brasil (Jataí, Goiás), depositado no MNHN.

Distribuição geográfica: Clepitoides virgata ocorre no Brasil [Goiás (Gounelle, 1911); Espírito Santo (Zajciw, 1967) (?); Paraná (Zajciw, 1967) (?); Santa Catarina (Zajciw, 1967)] (?) e Argentina [Misiones (Zajciw, 1967) (?)]. É muito provável que as citações de Zajciw (1967) para os estados do Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Argentina (Misiones), não correspondam a C. virgata, e sim, a C. thomasi sp. nov. Um dos parátipos de C. thomasi, também foi coletado na Argentina (Misiones), pelo mesmo coletor mencionado por Zajciw (1967). Além disso, o parátipo de C. thomasi sp. nov., procedente do Espírito Santo, foi identificado como C. virgata por Zajciw em 1960 (dados da etiqueta do espécime).

Discussão: A espécie foi examinada apenas pela fotografia do holótipo. Gounelle (1911), já havia indicado o que se poderia compreender como dúvida na alocação genérica: "Les bandes jaunes cunéiformes qui ornent les élytres sont assez brillantes, peu ponctuées, mais n'ont pas tout à fait l'aspect vitreux que présentent d'ordinaire ces bandes chez les Odontocera ... O. virgata rappelle un peu par sa livrée O. molorchoides White, mais présente surtout une ressemblance singulière avec Ommata picturata décrit plus haut; on pourrait à première vue confondre ces deux espèces si la dernière n'avait pas les bandes jaunes des élytres assez densément ponctuées et mates, caractère qui l'exclut du genre Odontocera tel que Bates l'a défini en dernier lieu". Bates (1873) ao tratar de Ommata White, 1855, registrou: "The genus comprehends a series of species which for the most part are once distinguishable by their facies from Odontocera; and in cases of doubt I have treated the opaque and punctured elytra as a differential character". O conceito de élitros vítreos, característico de Odontocera, é bastante questionável em Bates (1873) e acarretou a inclusão de muitas espécies que diferem notavelmente da espécie-tipo desse gênero, entre as quais, O. virgata.

Clepitoides thomasi sp. nov.

(Fig. 5)

Etimologia: Dedicamos a espécie a Michael C. Thomas (FSCA), pelo empréstimo de material para estudo.

Diagnose: Clepitoides thomasi (Fig. 5) assemelha-se a C. gerardi, mas difere: élitros com faixa escura ao longo de toda a sutura; clava dos metafêmures escura na metade apical. Em C. gerardi não há faixa escura ao longo da sutura elitral e a clava dos metafêmures é escura apenas no terço distal. Difere de C. annae e C. neei pelo corpo mais longo. Distingue-se de C. virgata, principalmente, pelo corpo mais alongado e pela área lateral escura dos élitros que não atinge o úmero (desconsiderando-se a área acastanhada que aparece em um dos espécimes). Em C. virgata (Fig. 4) o corpo é menos alongado e a faixa lateral escura dos élitros nitidamente atinge o úmero.

Macho (Fig. 5): Tegumento castanho-avermelhado; base do pedúnculo dos fêmures amarelados; são pretos: vértice, laterais do clípeo, mandíbulas, faixa longitudinal no pronoto, faixa lateral dos élitros que inicia no quarto basal, atinge o ápice (no quarto apical, mais castanho-escura) e sobe pela sutura envolvendo o escutelo; são castanho-escuros: pedicelo, antenômero III, metade apical dos antenômeros IV, V e XI, terço apical dos antenômeros VI-X, quarto basal dos metepisternos, laterais da metade apical da clava dos metafêmures (exceto o extremo distal que é castanho-avermelhado), metatarsos, metatíbias (exceto no quinto basal que é castanho-avermelhado); são castanhos: faces dorsal e ventral da metade apical da clava dos metafêmures (exceto o extremo distal que é castanho-avermelhado), pro- e mesotíbias, pro- e mesotarsos, urosternitos III-V.

Pilosidade geral amarelada e pubescência branco-amarelada; antenômeros e pernas médias e posteriores com cerdas castanho-escuras ou acastanhadas. Fronte e área entre os lobos oculares inferiores com pelos muito curtos e moderadamente esparsos, exceto na área central da fronte que é glabra; área dorsal da cabeça entre os olhos e o protórax com pelos longos e moderadamente esparsos. Pronoto com pelos longos e esparsos e pubescentes na região próxima da margem anterior. Laterais do protórax com pelos curtos e esparsos. Prosterno pubescente e com pelos longos e esparsos na metade mais próxima das procoxas, glabro na metade mais próxima da cabeça. Élitros com pelos longos e eretos na metade basal (principalmente no terço anterior), gradualmente mais curtos em direção ao ápice.

Vértice da cabeça com pontuação densa e confluente. Pontuação do pronoto grossa (em parte confluente). Pontuação elitral grossa, rasa e esparsa no terço em torno do escutelo, mais densa e profunda nas demais regiões, principalmente nas laterais e terço apical. Urosternitos sem pontos grossos e profundos, com pelos moderadamente curtos e esparsos.

Comprimento da área entre a base dos lobos oculares inferiores e o ápice do labro igual a 0,6 vezes o comprimento do lobo ocular inferior. Lobos oculares inferiores contíguos. Antenas atingem aproximadamente o quinto apical dos élitros; clava antenal um pouco mais distinta a partir do antenômero VIII; todos os antenômeros distintamente mais longos do que largos.

Élitros ultrapassam um pouco o ápice do urosternito II, deiscentes no terço distal; ápice obliquamente truncado. Metafêmures atingem o meio do urosternito IV. Metatarsômero I quase tão longo quanto II-V reunidos.

Fêmea: Difere do macho, principalmente: distância entre os lobos oculares inferiores igual a 0,7 vezes o comprimento de um lobo (em vista frontal); antenas aproximadamente tão longa quanto nos machos.

Variabilidade: Machos - laterais do clípeo acastanhadas ou da cor do tegumento; mandíbulas pretas apenas no terço distal; pedicelo e terço basal do antenômero III castanho-avermelhados; antenômero XI totalmente escuro; faixa escura dos élitros que sobe ao longo da sutura, prolongada até o úmero; faixa lateral escura dos élitros interligada com a área umeral por faixa acastanhada; metepisternos sem áreas escuras; metade distal da clava dos metafêmures completamente castanho-escura (exceto no extremo distal); pro- e mesotarsômeros castanho-avermelhados com algumas áreas um pouco mais escuras; metatarsos castanhos; todos os urosternitos castanhos; lobos oculares inferiores subcontíguos. Fêmeas - com as mesmas variações de colorido encontradas nos machos.

Dimensões em mm (♂ / ♀): Comprimento total (incluindo as mandíbulas), 8,5-9,9/8,6-9,2; comprimento do protórax, 1,4-1,5/1,5-1,6; largura anterior do protórax, 0,9-1,0/0,9-1,1; largura posterior do protórax, 0,9-1,0/0,9-1,1; largura umeral, 1,2-1,3/1,2-1,4; comprimento elitral, 3,8-4,5/3,6-4,4. As maiores dimensões dos machos correspondem ao holótipo.

Material-tipo: Holótipo macho, proveniente do BRASIL, Santa Catarina: Seara (Nova Teutônia), XII.1935, B. Pohl col. (MZUSP). Parátipos - BRA-SIL, Mato Grosso do Sul: Selviria, fêmea, 30.V.2007, F.S. Guimarães col. (UNESP). Espírito Santo: Barra do São Francisco (Córrego Itá), macho, XI.1956, W. Zikán col. (MZUSP). Paraná: Rondon (24º38'S, 54º07'E, 500 m), fêmea, F. Plaumann col. (MZUSP). Santa Catarina: Seara (Nova Teutônia), macho, [sem data de coleta], Dirings (MZUSP). ARGENTINA, Misiones: Estación Experimental Loreto, fêmea, [sem data de coleta], A.A. Ogloblin col. (MZUSP).

 

AGRADECIMENTOS

A James Wappes (ACMT), Michael C. Thomas (FSCA), Dilma Solange Napp (DZUP), Maria Helena M. Galileo (MCNZ), Larry G. Bezark (LGBC), Alain Drumont (ISNB), Michael C. Thomas (FSCA), Augusto Henriques e José Albertino Rafael (INPA) e Miguel A. Monné (MNRJ) pelo empréstimo de material para estudo.

 

REFERÊNCIAS

Bates, H.W. 1873. V. Notes on the Longicorn Coleoptera of Tropical America. The Annals and Magazine of Natural History, Ser. 4,11:21-45.         [ Links ]

Clarke, R.O.S. 2009. Bolivian Rhinotragini I: New species of Ecliptoides Tavakilian & Penaherrera-Leiva, 2005 new status, and Clepitoides new genus (Coleoptera, Cerambycidae). Papéis Avulsos de Zoologia, 49(43):563-576.         [ Links ]

Gounelle, E. 1911. Liste des cérambycides de la région de Jatahy, Etat de Goyaz, Brésil. Annales de la Société Entomologique de France, 80:1-150.         [ Links ]

Monné, M.A. 1993. Catalogue of the Cerambycidae (Coleoptera) of the western hemisphere. Part VII. Subfamily Cerambycinae: Tribes Nathriini, Molorchini, Psebiini, Stenopterini, Necydalopsini, Rhinotragini, Eroschemini. São Paulo, Sociedade Brasileira de Entomologia. v. 8, 81 p.         [ Links ]

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Aceito em: 11/09/2013
Impresso em: 30/09/2013

 

 

1 Pesquisador do CNPq. E-mail: urmsouza@usp.br
2 E-mail: toncriss@uol.com.br

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