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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.52 no.3 Campinas May/June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942002000300001 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Ação do óxido nitroso no sistema nervoso central. Estudo eletrofisiológico como agente único e como agente coadjuvante *

 

Acción del óxido nitroso en el sistema nervioso central. Estudio eletrofisiológico como agente único y como agente coadyuvante

 

 

Verônica Vieira da CostaI; Renato Ângelo Saraiva, TSAII

IAnestesiologista do Hospital Sarah Brasília
IICoordenador de Anestesiologia da Rede Sarah de Hospitais do Aparelho Locomotor

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O óxido nitroso é o agente anestésico inalatório mais utilizado em todo o mundo. Seu mecanismo de ação é bastante discutido, com base em resultados experimentais e em evidências clínicas. O objetivo deste estudo é avaliar a ação eletrofisiológica deste fármaco no Sistema Nervoso Central através de monitorização específica.
MÉTODO: Foram estudados vinte e cinco pacientes de ambos os sexos, com idades entre 6 e 25 anos, submetidos à cirurgia ortopédica ou plástica reparadora, os quais foram monitorizados com índice bispectral do eletroencefalograma (BIS) e potencial evocado somatossensitivo (PESS) durante a anestesia. Foram realizados registros basais do BIS e do PESS, bem como após o uso do óxido nitroso em fracionais alveolares (FA) de 30%, 50% e 66%. Em seguida o óxido nitroso era descontinuado e administrado aleatoriamente isoflurano ou desflurano em 0,5 CAM e 1 CAM. Mantinha-se 1 CAM do determinado agente e o óxido nitroso era novamente administrado nas mesmas concentrações anteriores.
RESULTADOS: O óxido nitroso quando utilizado como agente único, produz uma redução no BIS que, embora seja estatisticamente significante, não expressa um estado de hipnose. Esta redução também ocorre quando utilizado como agente coadjuvante mas sem importância clínica. Como agente único, o óxido nitroso deprimiu significantemente a amplitude das ondas cerebrais, sem promover aumento na latência. O isoflurano e desflurano reduziram a amplitude e aumentaram a latência das ondas cerebrais. A associação do óxido nitroso a estes agentes, intensificou ainda mais estes efeitos nas ondas corticais. Não houve alteração significativa das ondas periférica e medular do PESS.
CONCLUSÕES: O óxido nitroso tem uma pequena ação hipnótica, que não é captada completamente pelo BIS. Tem ação acentuada nas estruturas corticais, tanto como agente único como associado ao isoflurano e desflurano, o que pode explicar o seu bom efeito analgésico.

Unitermos: ANESTÉSICOS, Gasoso: óxido nitroso, Volátil: desflurano, isoflurano; MONITORIZAÇÃO: índice bispectral, potencial evocado somatossensitivo


RESUMEN

JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: El óxido nitroso es el agente anestésico inhalatorio más utilizado en todo el mundo. Su mecanismo de acción es bastante discutido, con base en resultados experimentales y en evidencias clínicas. El objetivo de este estudio es evaluar la acción eletrofisiológica de este fármaco en el Sistema Nervioso Central a través de monitorización específica.
MÉTODO: Fueron estudiados veinticinco pacientes de ambos sexos, con edades entre 6 y 25 años, sometidos a cirugía ortopédica o plástica reparadora, los cuales fueron monitorizados con índice bispectral del eletroencefalograma (BIS) y potencial evocado somatosensitivo (PESS) durante la anestesia. Fueron realizados registros basales del BIS y PESS, bien como después del uso del óxido nitroso en fraccionales alveolares (FA) de 30%, 50% y 66%. En seguida el óxido nitroso era descontinuado y administrado aleatoriamente isoflurano o desflurano en 0,5 CAM y 1 CAM. Se mantenía 1 CAM del determinado agente y el óxido nitroso era nuevamente administrado en las mismas concentraciones anteriores.
RESULTADOS: El óxido nitroso cuando utilizado como agente único, produce una reducción en el BIS que, aunque sea estadísticamente significante, no expresa un estado de hipnosis. Esta reducción también ocurre cuando utilizado como agente coadyuvante más sin importancia clínica. Como agente único, el óxido nitroso deprimió significantemente la amplitud de las ondas cerebrales, sin promover aumento en la latencia. El isoflurano y desflurano redujeron la amplitud y aumentaron la latencia de las ondas cerebrales. La asociación del óxido nitroso a estos agentes, intensificó aun más estos efectos en las ondas corticales. No hubo alteración significativa de las ondas periférica y medular del PESS.
CONCLUSIONES: El óxido nitroso tiene una pequeña acción hipnótica, que no es captada completamente por el BIS. Tiene acción acentuada en las estructuras corticales, tanto como agente único como asociado al isoflurano y desflurano, lo que puede explicar su buen efecto analgésico.


 

 

INTRODUÇÃO

O óxido nitroso é um agente anestésico gasoso pouco potente. Sua concentração alveolar mínima (CAM) é 104% (± 10) de atmosfera que corresponde à pressão parcial de 805 mmHg (nível do mar), só sendo obtida experimentalmente com câmara hiperbárica 1, ou por estimativa de cálculo. É sempre usado em concentrações permissíveis (não hipóxicas), nunca acima de 70%. Tem propriedade analgésica moderada, ação amnésica pouco pronunciada, pequeno poder imobilizante e efeito hipnótico muito leve 2-4. Deste modo, compreende-se que suas indicações como agente anestésico único sejam muitíssimo limitadas, sendo mais utilizado como coadjuvante de anestésicos inalatórios mais potentes para reduzir as suas doses, e consequentemente seus efeitos colaterais.

Sua baixa solubilidade no sangue e nos tecidos orgânicos (coeficiente sangue/gás 0,47 e cérebro/sangue 1,1) 5 confere-lhe propriedades farmacocinéticas muito especiais e desejáveis a um agente inalatório, especialmente como coadjuvante, considerando que sua captação e distribuição são muito rápidas assim como sua eliminação. Seu perfil farmacodinâmico aponta ações colaterais pouquíssimo pronunciadas, merecendo destaque as mínimas repercussões cardiovasculares e respiratórias. Além disso, é um gás pouco solúvel e com mínima metabolização. Sendo muito bem tolerado pelo organismo, é usado com grande freqüência 6,7.

Tendo uma CAM muito próxima de 100%, teoricamente, quando usado como coadjuvante reduziria a CAM do agente principal no valor da concentração que está sendo administrado. Por exemplo, tendo o halotano a CAM de 0,76%, a adição de óxido nitroso à mistura inalatória na concentração de 50% reduziria esta CAM a 0,38%.

De acordo com os relatos da literatura, esta relação se verifica quando associado a alguns agentes, não sendo no entanto uniforme para todos 8. Além disto, alguns estudos eletroneurofisiológicos mostram a existência de relação linear deste efeito aditivo sobre determinado órgão do sistema nervoso central (SNC) 9, não se observando, no entanto, em todos os órgãos do SNC 10.

As características farmacológicas do óxido nitroso são muito discutidas. Não é considerado um anestésico completo, embora seja analgésico e amnésico. Não é hipnótico e pode ter ação hilariante. Pode produzir excitação atuando como depressor em áreas do SNC que têm função inibidora, liberando outras áreas que têm ação estimuladora, desencadeando uma reação tipicamente extrapiramidal. Seu mecanismo de ação sobre as estruturas do SNC não é totalmente conhecido. No entanto, muito já se sabe através de evidências encontradas em estudos experimentais e ensaios clínicos 11,12.

O óxido nitroso desenvolve estados clínicos bem característicos, diferentes dos demais anestésicos inalatórios. Provavelmente a avaliação eletrofisiológica poderá revelar resultados que mostram como é diferente a sua ação nas várias estruturas do SNC. O desafio de observar as alterações neurológicas funcionais durante a administração do óxido nitroso é uma motivação muito interessante. Assim sendo, este ensaio clínico foi desenvolvido para verificar de forma objetiva, através de monitorização específica, a ação deste fármaco sobre as estruturas do SNC, seja como agente único ou agente coadjuvante, correlacionando as variações encontradas com os seus efeitos farmacológicos.

 

MÉTODO

Após aprovação do Comitê de Ética do Hospital, foram estudados 25 pacientes com idade entre 6 e 25 anos, de ambos os sexos, classificados como estado físico ASA I e II, submetidos a cirurgias ortopédicas ou plásticas reparadoras de membros inferiores. Os pacientes receberam midazolam como medicação pré-anestésica na dose de 0,8 mg.kg-1 via oral, 30 minutos antes da cirurgia, não ultrapassando a dose total de 15 mg. Na sala de indução anestésica foi iniciada a monitorização dos parâmetros fisiológicos habituais, bem como a monitorização eletroneurofisiológica.

Para monitorizar a ação sobre o córtex cerebral foi utilizado o eletroencefalograma com índice bispectral (BIS), sendo colocados os eletrodos tipo Zipprep (Aspect Medical System) na região frontal, com um eletrodo de cada lado e o terceiro de referência, situado entre eles. Foram portanto montados dois canais (Fp1e Fp2) mais um referencial (Fpz), de acordo com o Sistema Internacional 10-20 da Sociedade Internacional de Neurofisiologia Clínica (Figura 1), sendo analisados Fp1-Fpz no canal 1, Fp2-Fpz no canal 2, com o “terra” na região pré-auricular. O índice bispectral (BIS) e as ondas dos dois canais de BIS foram registrados a partir de “épocas” sucessivas de 2 segundos de duração 13 e atualizadas a cada cinco segundos, pelo monitor A 1000 (Aspects Medical Systems, Natick, MA). A banda de freqüência selecionada estava entre 0,5 e 30 Hertz (Hz). A impedância foi verificada antes de cada aferição e manteve-se sempre inferior a 800 ohms (W). Foi utilizado sistema automático de detecção e rejeição de artefatos disponível no próprio monitor. O valor basal do BIS foi obtido antes da indução anestésica.

A anestesia foi induzida com propofol (3 mg.kg-1) e vecurônio (0,1 mg.kg-1), sendo em seguida realizada a intubação orotraqueal e iniciada a ventilação pulmonar mecânica. Todos os pacientes receberam anestesia peridural, no espaço entre a terceira e quarta vértebra lombar, com bupivacaína em concentração e volume que variaram com o peso do paciente, não ultrapassando a dose de 3 mg.kg-1, com o objetivo de evitar a interferência de outros estímulos nos monitores utilizados. Trinta minutos após a administração do propofol foi realizado o registro do potencial evocado somatossensitivo (PESS), sendo este primeiro registro considerado valor basal, evitando-se assim artefatos gerados por tremores musculares, devido à baixa temperatura do centro cirúrgico. O monitor utilizado para realização do PESS foi o Aparelho Dantek - Keypoint versão 3.04, Denmark, a partir da estimulação do nervo mediano direito com eletrodo tipo barra, com distância catodo-anodo de 3,5 cm. Os registros foram obtidos através de eletrodos de superfície nos seguintes locais: ponto de Erb, localizado na fossa supraclavicular direita (onda N9); sobre o processo espinhoso da segunda vértebra cervical (N13); no couro cabeludo, próximo ao córtex sensorial no lobo parietal, contralateral ao membro estimulado (ondas N19 e P22), de acordo com o Sistema Internacional 10-20. O eletrodo usado como referência (Fz) foi colocado no centro da região frontal, próximo ao couro cabeludo, e o eletrodo “terra” foi fixado no ombro direito. A impedância foi mantida sempre inferior a 5 kohm (W). A intensidade do estímulo foi ajustada até se atingir o limiar de resposta motora, caracterizado pelo movimento do polegar (Thumb Twith). Para cada PESS, 20 impulsos de corrente constante foram repetidos com duração de 0,2 milissegundos (ms) e freqüência de descarga 5,1 Hz. A banda de filtragem foi ajustada entre 20 Hz (baixa) e 3000 Hz (alta). As promediações (traçados) foram realizadas em duplicata, sendo comparadas as duas séries de registros para verificar sua reprodutibilidade.

Foram avaliadas simultaneamente as ondas N9 (plexo braquial), N13 (medula espinhal cervical), N19 (tálamo-cortical) e P22 (cortical). A latência era registrada em milissegundos (ms) e a amplitude em microvolts (µv).

Os pacientes tiveram monitorização habitual das variáveis fisiológicas cardiorrespiratórias: eletrocardiograma (ECG), pressão arterial não invasiva (PA), saturação periférica de oxigênio da hemoglobina (SpO2), pressão parcial de dióxido de carbono expirado final (PETCO2), temperatura nasofaríngea, e concentração inspirada e expirada final (alveolar) dos agentes inalatórios utilizados, através do monitor de gases anestésicos. Após o registro basal do PESS, foi introduzido o óxido nitroso até se atingir uma concentração (fracional) alveolar (FA) de 30%. Ao completar 5 minutos, era registrado novo PESS. Enquanto ocorriam as promediações do PESS, os valores do BIS que apareciam na tela do monitor eram anotados e depois calculada a média dos valores obtidos. Ao mesmo tempo eram anotados os valores das demais variáveis fisiológicas que estavam sendo avaliadas. A seguir, a concentração de óxido nitroso foi aumentada para 50 e 66%, realizando-se o mesmo procedimento em relação aos registros das variáveis estudadas. Em seguida o óxido nitroso foi descontinuado e introduzido aleatoriamente isoflurano ou desflurano até ser atingida a FA de 0,5 CAM. Ao completar 10 minutos, novamente os registros de BIS, PESS e demais variáveis eram anotados. Ao aumentar a concentração alveolar para 1 CAM, novos registros e anotações eram feitos. Mantendo os pacientes com 1 CAM dos respectivos agentes, era reintroduzido o óxido nitroso nas mesmas concentrações anteriormente utilizadas (30, 50 e 66%) e os mesmos procedimentos eram realizadas nos intervalos de tempo previstos e na mesma seqüência.

Na análise estatística para os dados demográficos, foram utilizados os testes t de Student e o Qui-quadrado. Para comparação dos valores das variáveis cardiovasculares, respiratórias e temperatura entre as diversas concentrações de óxido nitroso e outros agentes, foi utilizado o método de Bonferroni. Para verificar a significância das alterações das variáveis neurofisiológicas, foi realizada inicialmente análise exploratória de dados (cálculo de média e desvio padrão) e posteriormente utilizado método de medidas repetidas (teste de Fisher modificado), considerando estatisticamente significante o valor de p < 0,05.

 

RESULTADOS

Foram estudados 25 pacientes, que receberam inicialmente óxido nitroso, como agente único, sendo a seguir suspensa temporariamente a administração, quando 13 receberam isoflurano e 12 receberam desflurano, usando-se a seqüência descrita no método. Não houve diferença com relação ao sexo, idade, estado físico e peso entre o grupo de pacientes que recebeu óxido nitroso mais isoflurano e o grupo de pacientes que recebeu óxido nitroso e desflurano (Tabela I).

Durante a administração de óxido nitroso nas várias concentrações, não houve alterações significativas nas variáveis fisiológicas estudadas. Quando foram introduzidos isoflurano e desflurano a estabilidade foi mantida, havendo no entanto, leve tendência a redução dos valores destas variáveis, mas sem significância estatística nem importância clínica. Os valores médios da PETCO2 tiveram variação entre 39 e 33 mmHg, atingindo valores mais baixos nos pacientes que receberam isoflurano mas também sem significância estatística. Não houve alteração significativa da temperatura (Tabela II e Tabela III).

Monitorização da Ação do Óxido Nitroso, Isoflurano e Desflurano sobre o Córtex Cerebral pelo EEG-BIS

O valor do BIS diminuiu em 23,8% quando o óxido nitroso foi utilizado como agente único na concentração de 30%, mostrando significância estatística (p < 0,001). À medida que a concentração aumentou para 50 e 66% houve apenas uma tendência muito discreta de aumento no valor do BIS, podendo-se admitir que manteve-se estável (Figura 2). Após 3 minutos da descontinuação do óxido nitroso, com sua FA próxima de zero, foi introduzido o isoflurano a 0,5 CAM, havendo queda de 42,6% do BIS em relação ao valor basal, estatisticamente significante (p < 0,001). Aumentando-se a concentração para 1 CAM, a redução aumentou para 66,17% do valor basal (p < 0,001).

Com o desflurano houve uma diminuição de 46,9% em relação ao valor basal com 0,5 CAM (p < 0,001) e 67,93% quando a concentração aumentou para 1 CAM (p < 0,001).

Permanecendo a concentração de isoflurano em 1 CAM, e com a reintrodução do óxido nitroso em concentrações crescentes (30%, 50% e 66%), houve pequena redução dos valores do BIS de 3,26%, 5,59% e 10,96% respectivamente. Com a adição de óxido nitroso a 1 CAM de desflurano, houve diminuição de 9,95%, 16,67% e 24,73%, com 30, 50 e 66% de óxido nitroso respectivamente. A diminuição no valor do BIS foi maior naqueles pacientes nos quais o óxido nitroso foi associado ao desflurano em comparação àqueles em que o óxido nitroso foi associado ao isoflurano. A diminuição verificada no valor do BIS quando o isoflurano e desflurano foram utilizados sem adição de óxido nitroso foi súbita, mostrando uma curva quadrática (Figura 3). Quando o óxido nitroso foi associado a estes agentes mais potentes, a diminuição no valor no BIS foi mais suave, com tendência à estabilização a partir da concentração de 50%.

Monitorização sobre a Ação do Óxido Nitroso, Isoflurano e Desflurano sobre Nervo Periférico, Medula Espinhal e Cérebro através da Evocação do Estímulo Nervoso Periférico - PESS

Ação sobre a estrutura nervosa periférica (plexo braquial), onda N9 do PESS:

O óxido nitroso como agente único não alterou a amplitude e a latência nas fracionais alveolares (FA) de 30, 50 e 66%.

O isoflurano e o desflurano também não alteraram a amplitude e a latência quando administrados em FA de 0,5 e 1 CAM.

A associação do óxido nitroso em FA de 30, 50 e 66% ao isoflurano e desflurano em FA de 1 CAM, também não alterou a amplitude e a latência da onda N9.

Ação sobre a estrutura da medula espinhal, onda N13 do PESS:

Também não houve alterações significativas na amplitude e latência com o uso de óxido nitroso em FA de 30, 50 e 66%, e de isoflurano ou desflurano a 0,5 e 1 CAM.

Ação sobre a estrutura tálamo-cerebral, onda N19:

O óxido nitroso reduziu sua amplitude em 10,76% com FA 30% em relação ao valor basal. Com FA 50% reduziu em 29,57% e com FA 66% reduziu 28,09% (p < 0,001). Não houve alteração na latência com as concentrações utilizadas (Figura 4 e Figura 5).

O isoflurano promoveu redução na amplitude em 18,93% a 0,5 CAM (p = 0,303) e 16,18%% a 1 CAM (p = 0,42) em relação ao valor basal. A latência aumentou 3,72% com 0,5 CAM e 11,84% com 1 CAM. Estas alterações, no entanto, não tiveram significância estatística.

O desflurano reduziu a amplitude em 19,21% a 0,5 CAM (p = 0,37) e 20% a 1 CAM (p = 0,42) em relação ao valor basal. A latência aumentou 5,90% a 0,5 CAM e 14,60% a 1 CAM em relação ao valor basal. Estas alterações também não tiveram significância estatística.

A associação de isoflurano a 1 CAM e óxido nitroso com FA de 30, 50 e 66% reduziu ainda mais a amplitude, sendo esta redução, em valores percentuais, de 29,92% (p = 0,137), 37,64% (p = 0,067) e 58,20% (p = 0,014) respectivamente. O aumento da latência não foi intensificado.

A associação de desflurano a 1 CAM e óxido nitroso com FA de 30, 50 e 66% reduziu ainda mais a amplitude, sendo esta redução de 48,72% (p = 0,005), 51,36% (p = 0,024) e 60,50% (p = 0,010) respectivamente. O aumento da latência foi intensificado quando o óxido nitroso foi associado com FA 66% (20,13% de aumento), sem no entanto apresentar significância estatística (p = 0,24).

Ação sobre a estrutura cerebral, onda P22:

O óxido nitroso reduziu sua amplitude em 35,54% com FA 30%, 38,52% em FA 50% e 46,48% com FA 66% em relação ao valor basal (p < 0,001). Não houve alteração na latência com as concentrações utilizadas (Figura 6).

O isoflurano a 0,5 CAM reduziu a amplitude em 18,81% em relação ao valor basal e quando foi administrado em FA de 1 CAM reduziu a amplitude em 58,59%, sendo estas alterações estatisticamente significantes (p = 0,017 e p = 0,014 respectivamente). Também aumentou a latência em 4,78% com a FA de 0,5 CAM e em 14,14% com FA de 1 CAM em relação ao valor basal. O aumento da latência não foi estatisticamente significativo.

O desflurano reduziu a amplitude em 34,13%% a 0,5 CAM e em 67,69%% a 1 CAM em relação ao valor basal, apresentando siginificância estatística quando foi administrado com FA de 1 CAM (p = 0,001). Ao mesmo tempo aumentou a latência em 7,48% e 15,99% com a FA de 0,5 CAM e 1 CAM respectivamente, em relação ao valor basal, sem haver significância estatística.

A associação de isoflurano a 1 CAM e óxido nitroso a FA 30%, 50% e 66% reduziu ainda mais a amplitude em 7,16% (p = 0,15), 54,58% (p < 0,06) e 41,80% (p < 0,001), respectivamente, sendo estas reduções estatisticamente significantes na concentração alveolar de 66%. O aumento na latência foi intensificado com FA de 30, 50 e 66% em 20,47% (p = 0,043), 22,05% (p = 0,013) e 27,24% (p = 0,066) respectivamente (Figura 7 e Figura 8).

A associação de desflurano a 1 CAM e óxido nitroso com FA 30%, 50% e 66% reduziu a amplitude em 27,23% (p = 0,03), 65,65% (0,05) e 67,71% (p = 0,04) respectivamente. O aumento da latência foi intensificado em 23,91% (p = 0,005), 27,25% (p = 0,007) e 31,33% (p < 0,009) nas FA de 30, 50 e 66% respectivamente (Figura 9 e Figura 10).

 

DISCUSSÃO

Os resultados encontrados nas variáveis fisiológicas estudadas estão de acordo com achados de outros autores, evidenciando a preservação estável das funções cardiorrespiratórias quando o óxido nitroso foi utilizado como agente único ou associado a outros agentes em concentrações alveolares que foram de 30, 50 e 66%. Nas citadas concentrações, o óxido nitroso não desenvolve ação nas estruturas nervosas que possam inibir ou liberar determinados neurotransmissores autonômicos capazes de promover alterações cardiovasculares e tampouco inibir o automatismo respiratório causando hipoventilação alveolar 12,14,15.

As pequenas alterações encontradas no valor do BIS com a utilização de óxido nitroso indicam que este tem uma ação hipnótica muito leve.

Neste estudo o BIS tinha o valor basal (média) de 97,12 e foi reduzido para 74,00 quando o óxido nitroso foi administrado a 30%. Este valor foi praticamente mantido (76,64 e 77,64) quando foi administrado 50 e 66% de óxido nitroso respectivamente.

Há relato na literatura de que valores do BIS entre 60 e 80 foram associados com aumento da probabilidade de consciência 16. Portanto, apesar de ter havido uma diminuição, os valores atingidos em todas as concentrações estudadas não indicam um pleno estado de hipnose. A diminuição que ocorreu no início, com a FA de óxido nitroso a 30%, poderia estar relacionada a um efeito residual do propofol venoso utilizado na indução anestésica. No entanto, a redução do valor do BIS após uma dose em bolus de propofol é bem maior, indicando hipnose plena, e demora apenas 8 minutos para que o valor volte a se elevar para mais de 60, e logo a seguir haver o retorno da consciência 17. Neste estudo, após o início do efeito do propofol, havia um intervalo de 30 minutos durante o qual nenhum anestésico era utilizado. O valor do BIS não retornava para o valor basal, mas chegava aproximadamente a 80. Este valor está obviamente mais próximo do estado de alerta do que do estado de hipnose. Estudos mostram que pacientes que receberam apenas óxido nitroso a 10, 20, 30, 40 e 50% não apresentaram nenhuma mudança no valor do BIS 18. Um outro estudo mostrou que, mesmo com óxido nitroso a 70%, também não houve nenhuma mudança significativa no BIS que viesse a caracterizar hipnose 19.

O isoflurano e o desflurano reduzem o valor do BIS e esta redução é dose-dependente. Este resultado mostra que estes agentes têm ação hipnótica bem pronunciada, diferente do óxido nitroso. Estes mesmos resultados, com drogas como propofol, midazolam e isoflurano, já foram demonstrados por outro autor 20. Há descrição de aumento no valor do BIS com uso de concentração elevada de isoflurano 21 . Neste estudo não foi encontrado aumento do valor do BIS quando a concentração do isoflurano foi aumentada, como relatado por aquele autor, embora não tenha sido ultrapassado a dose de 1 CAM. Talvez esta concentração limitada justifique a diferença de resultados. Com relação ao desflurano, não há estudos na literatura em concentrações semelhantes às utilizadas neste trabalho.

A associação do óxido nitroso ao isoflurano e desflurano a 1 CAM promoveu uma pequena diminuição do BIS, não ultrapassando 10%, em relação ao valor obtido com os agentes administrados isoladamente. A diminuição foi um pouco maior nos pacientes que receberam desflurano. Estes resultados concordam com um estudo anterior no qual o autor não encontrou nenhuma diferença entre o valor do BIS quando o óxido nitroso foi utilizado como agente único (70%) ou associado ao isoflurano, apesar de ter ocorrido perda da consciência 19. Outro autor revelou que a administração de 50% de óxido nitroso como agente único produz pouca sedação e nenhuma mudança no BIS. No entanto, foi observado que havia ativação de certas áreas no EEG não captadas pelo BIS, indicando que o óxido nitroso tem efeitos excitatórios e inibitórios no SNC 18.

Há relatos de trabalhos mostrando ações diferentes do óxido nitroso sobre o SNC, diferindo inclusive dos resultados encontrados neste estudo. É descrito que o óxido nitroso antagoniza os efeitos depressivos do isoflurano no EEG 9,22. Existe relato de que o valor do BIS foi mais alto quando o isoflurano foi usado em associação com óxido nitroso do que como agente único 23. Outro estudo mostrou que a adição de óxido nitroso ao propofol aumentou o BIS que estava reduzido, ainda que os pacientes não tenham respondido ao comando verbal 24, certamente devido ao estado de amnésia. Na verdade, os estudos do efeito do óxido nitroso sobre o BIS são conflitantes, refletindo possivelmente uma inadequação do algorritmo usado no cálculo do BIS proveniente do EEG. Estes achados questionam a eficiência do BIS como monitor da profundidade anestésica em pacientes recebendo óxido nitroso como agente único ou associado a outro agente anestésico.

O óxido nitroso não promoveu ação inibitória sobre as estruturas nervosas periféricas, como o plexo braquial, e tampouco sobre a medula espinhal nas concentrações em que foi utilizado. É possível que exista alguma ação nestas estruturas, especialmente a medula, e que devido à pequena magnitude, não tenha sido captada pelas ondas N9 e N13 do PESS. Deve ser considerado que a concentração mais elevada utilizada correspondia a aproximadamente 0,6 CAM deste agente. Geralmente as concentrações que promovem inibição, mesmo leve, sobre a medula espinhal com outros agentes, são geralmente múltiplos da CAM (1,3 a 1,5 CAM).

O isoflurano e o desflurano também não alteraram os potenciais periféricos e medular. A ação destes agentes na condução do estímulo através dos nervos periféricos e na medula parece ser muito pequena, não sendo suficiente para alterar os potenciais gerados no plexo braquial e ao nível de C2.

Estes achados são semelhantes aos de outro estudo em que o autor não encontrou alterações dos potenciais subcorticais promovidos pelo óxido nitroso 9. Em outro estudo, também sobre a ação do óxido nitroso no PESS, o autor descreveu alteração não significativa na amplitude da onda N13 com óxido nitroso como agente único e também associado ao isoflurano. No entanto, este mesmo autor concorda que a anestesia tem um efeito mínimo nos componentes cervical (N13) e do plexo braquial (N9), e que os resultados por ele encontrados discordam dos descritos em observações anteriores 25. É postulado que as respostas mediadas nas ondas N9 e N13 são mais dependentes da condução axonal do que da transmissão sináptica, sendo desta forma estes potenciais menos influenciados pela anestesia geral 26.

O óxido nitroso tem ação inibitória sobre estímulos ascendentes direcionados ao cérebro. Esta inibição pode ser observada logo na entrada dos estímulos na estrutura cerebral, evocados na onda N19, e também depois no córtex pela inibição da onda P22. Houve redução significativa na amplitude destas ondas.

A onda N19 não apresentou alterações de latência. A redução na amplitude ocorreu em todas as concentrações estudadas, sendo máxima quando a FA de óxido nitroso era de 50%. Na onda P22 também não houve alteração na latência e a amplitude reduziu 38,52% com o óxido nitroso administrado a 50%. Sendo elevada a 66%, a redução na amplitude passou a ser de 46,48%, havendo um declínio de apenas 12,95% sobre o valor anterior (FA 50). É importante ressaltar que a redução na amplitude não foi acentuada com o aumento da FA de 50 para 66% na onda N19. É descrito por outros autores a redução da amplitude promovida pelo óxido nitroso, sem promover alteração na latência das ondas corticais 10,25,27. No entanto, nenhum destes estudos mostrou reduções percentuais da amplitude muito próximas na onda N19 em concentrações diferentes, como foi encontrado no presente estudo com FA de óxido nitroso a 50 e 66%, e também valores de amplitude bem próximos nas mesmas concentrações na onda P22. Provavelmente isto não foi demonstrado em outros estudos porque o método não favoreceu os resultados, ou seja, o autor estudou apenas uma concentração, ou então estudou a FA de 50% como concentração máxima de óxido nitroso.

Há relato na literatura de que a ação depressora do óxido nitroso na amplitude das ondas corticais, avaliada pelo PESS, é mais pronunciada do que a do isoflurano 9,25. No presente estudo a redução na amplitude da onda cortical P22 foi maior com o óxido nitroso na FA de 30, 50 e 66% de N2O do que com 0,5 CAM de isoflurano. Na onda N19, a depressão causada pela FA de 50 e 66% foi maior do que a encontrada com 0,5 e 1 CAM de isoflurano. Isto sugere que o óxido nitroso, em doses equipotentes da CAM, tem efeito depressor no córtex primário maior do que o isoflurano. Isto pode refletir o bom efeito analgésico e amnésico do óxido nitroso, em contraste ao seu fraco efeito hipnótico. A estimulação da produção de opióides endógenos a nível subcortical e o efeito depressor direto na área cortical foram propostos como mecanismos responsáveis pelo seu efeito analgésico 28. Com relação ao desflurano, pode-se observar que a redução na amplitude das ondas cerebrais que promove com 0,5 CAM é menor do que a promovida pelo óxido nitroso na FA de 50 e 66%. Não foi encontrado nenhum estudo na literatura que comparasse a ação do óxido nitroso ao desflurano, mas pelos resultados encontrados no presente estudo, em doses equipotentes da CAM, a ação depressora do óxido nitroso no córtex é maior do que 0,5 CAM de desflurano. Tal fato também ressalta os mecanismos responsáveis pelo bom efeito analgésico e amnésico desse agente.

A associação do óxido nitroso ao isoflurano e desflurano produziu alterações importantes, sobretudo na amplitude das ondas N19 e P22, com pequenas alterações na latência desta última. Estes resultados estão de acordo com os de outros autores mostrando que a adição de 60% de óxido nitroso causa redução significativa na amplitude das ondas corticais 28-31. Nesse estudo a adição de óxido nitroso ao isoflurano reduziu ainda mais a amplitude das ondas cerebrais. Na onda N19 as reduções foram mais acentuadas à medida que maiores FA de óxido nitroso foram administradas. Na onda P22 a redução máxima foi na FA de 50%. Haveria então uma concentração limite a partir da qual o aumento da FA de óxido nitroso não acentuaria a redução da amplitude promovida por 1 CAM de isoflurano nesta onda? Com o desflurano, as ondas N19 e P22 apresentaram maior declínio no intervalo entre o valor basal e aquele com FA de óxido nitroso a 50%. A partir desta FA, o declínio passa a ser insignificante (Figura 9 e Figura 10). O aumento da FA não resulta em depressão proporcional das ondas cerebrais, o que provavelmente pode ser atribuída à existência de “efeito teto”. Certamente outros estudos necessitam ser desenvolvidos neste sentido.

Neste estudo foi encontrado aumento maior na latência da onda P22 quando o óxido nitroso foi associado a 1 CAM de isoflurano e de desflurano. Já foi descrito que o óxido nitroso em FA de 60% associado a 0,6 CAM de isoflurano produz um leve aumento adicional na latência da onda N19, além daquele produzido apenas por 0,6 CAM de isoflurano. O autor encontrou aumento de apenas 1 milissegundo na latência, que não foi clinicamente importante 25. A latência é raramente usada como critério de alteração durante monitorização per-operatória por causa da sua baixa sensibilidade 32. No entanto, verificamos neste estudo que a latência da onda P22 aumentou ainda mais com a “adição” de óxido nitroso em todas as concentrações estudadas. Estes achados concordam com estudo anterior no qual os autores descreveram aumento ainda maior na latência das ondas corticais, promovido pela “adição” de óxido nitroso (FA de 60%), ao sevoflurano 33.

Há relatos na literatura de alterações no PESS promovidas por variações de PETCO2 34, hipotermia 35, hipertermia 36, e estímulo cirúrgico 27. Neste estudo, os pacientes estavam sob anestesia peridural, não tendo havido variações importantes de PETCO2 e de temperatura. Portanto, todas as alterações encontradas no BIS e PESS podem ser atribuídas em especial ao óxido nitroso, assim como em determinado momento ao isoflurano e ao desflurano.

Ao mesmo tempo em que o óxido nitroso promove redução definida na amplitude dos potenciais corticais, ele altera pouco o BIS, podendo até eventualmente promover elevação em seu valor. Provavelmente em seu mecanismo de ação exista um aumento da inibição córtico-talâmica e diminuição da excitação 37. No entanto, já foi relatada uma ativação promovida pelo óxido nitroso em certas áreas do córtex cerebral captadas pelo EEG 38, que pode ser atribuída a um efeito estimulante direto no córtex cerebral gerando surtos espontâneos, ao mesmo tempo em que há redução na transmissão de informações sensoriais para o córtex cerebral pelo bloqueio do núcleo talâmico. Isto resulta na redução da amplitude das ondas cerebrais. Também tem sido observado que a ativação dos centros reticulares cerebrais promovida pelo óxido nitroso pode ser responsável pela ativação de áreas cerebrais captadas pelo EEG 39.

Em conclusão, foi demonstrado que o óxido nitroso altera pouco a recepção de estímulos espontâneos que chegam ao córtex cerebral e são captados pelo eletroencefalograma. Altera levemente os potenciais medulares e periféricos quando utilizado como agente único e associado ao isoflurano e desflurano. Reduz significantemente a amplitude dos potenciais corticais como agente único e associado ao isoflurano e desflurano, o que reflete o seu forte efeito analgésico e seu fraco efeito hipnótico.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à equipe de neurofisiologia clínica: os médicos Alexandre Cardoso Almeida e Maria Dorvalina Silva e os técnicos Josias Francisco de Macedo, Joselda Mara Viera Lobo, Raimunda Nonata Melo Rosendo e Renata Rodrigues dos Santos do Hospital Sarah-Brasília e em especial ao estatístico Marcio Correa de Mello, pelo apoio à realização deste estudo.

 

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Endereço para correspondência
Dra. Verônica Vieira da Costa
Coordenação da Anestesiologia
SMHS Quadra 501 Conjunto A
70335-901 Brasília, DF
E-mail: veve@bsb.sarah.br

Apresentado em 15 de agosto de 2001
Aceito para publicação em 08 de novembro de 2001

 

 

* Recebido do Hospital Sarah Brasília, DF