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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.52 no.4 Campinas July/Aug. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942002000400011 

ARTIGO DIVERSO

 

O sistema respiratório e o idoso: implicações anestésicas 

 

The respiratory system and the elderly: anesthetic implications

 

El sistema respiratorio y el anciano: implicaciones anestésicas

 

 

Cláudia Regina Fernandes, TSAI; Pedro Poso Ruiz Neto, TSAII

ICo-responsável pelo CET/SBA do HUWC, Universidade Federal do Ceará; Doutoranda da Disciplina de Anestesiologia da FM, USP
IILivre-Docente da Disciplina de Anestesiologia da FM, USP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: As complicações respiratórias são responsáveis por grande parte dos óbitos após procedimentos cirúrgicos que ocorrem na população geriátrica. O envelhecimento causa importante diminuição da reserva funcional do sistema respiratório, e um número crescente de pacientes idosos está sendo submetido a procedimentos cada vez mais complexos. O objetivo deste trabalho é revisar o sistema respiratório durante o processo de envelhecimento, as alterações causadas pela anestesia no idoso, enfatizando a avaliação pré-operatória da função respiratória, complicações pulmonares pós-operatórias e detalhes do manuseio anestésico.
CONTEÚDO: São apresentadas as alterações respiratórias fisiológicas do envelhecimento. São enfatizadas as alterações de volume e capacidades pulmonares, da mecânica respiratória e de trocas gasosas proporcionadas pela anestesia. São abordados aspectos relativos à morbimortalidade pulmonar pós-operatória em geriatria, destacando-se a importância da adequada avaliação pré-operatória, considerando-se desde testes de esforço até testes específicos que quantificam a reserva funcional pulmonar. São discutidas técnicas anestésicas apropriadas em idosos.
CONCLUSÕES: O envelhecimento é acompanhado de alterações no sistema respiratório. Evidências demonstram que mesmo na ausência de pneumopatia, a idade avançada constitui fator de risco para complicações pulmonares no pós-operatório. Deve haver preocupação com adequada avaliação pré-operatória da função respiratória, apropriado manuseio anestésico e cuidados pós-operatórios específicos.

Unitermos: COMPLICAÇÕES: ventilatória; CIRURGIA, Idoso


SUMMARY

BACKGROUND AND OBJECTIVES: Respiratory complications are responsible for a major number of elderly deaths after surgical procedures. Aging entails an important decrease in respiratory system functional reserves, while an increasing number of elderly people are being submitted to increasingly complex procedures. This study is a review of the respiratory system during aging and of anesthesia-induced changes in the elderly, emphasizing preoperative evaluation of respiratory function, postoperative pulmonary complications and details of anesthetic management.
CONTENTS: Physiologic respiratory changes due to aging are presented, with emphasis in pulmonary volume and capacity abnormalities, respiratory mechanics and gas exchange provided by anesthesia. Perioperative pulmonary mortality and morbidity in elderly patients are addressed, emphasizing the importance of appropriate preoperative evaluation, from stress tests to specific tests, to quantify pulmonary functional reserves. Appropriate anesthetic techniques for the elderly are discussed.
CONCLUSIONS: Aging brings about several respiratory system changes. Evidences have shown that, even in the absence of pulmonary disease, advanced age is a risk factor for postoperative pulmonary complications. It is necessary a thorough evaluation of preoperative respiratory function, adequate anesthetic management and specific postoperative care.

Key Words: COMPLICATIONS: ventilation; SURGERY, Elderly


RESUMEN

JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: Las complicaciones respiratorias son responsables por grande parte de los óbitos después de procedimientos quirúrgicos que ocurren en la población geriátrica. El envejecimiento causa importante diminución de la reserva funcional del sistema respiratorio, y un número creciente de pacientes ancianos están siendo sometidos a procedimientos cada vez más complejos. El objetivo de este trabajo es revisar el sistema respiratorio durante el proceso de envejecimiento, las alteraciones causadas pela anestesia en el anciano, enfatizando la evaluación pré-operatoria de la función respiratoria, complicaciones pulmonares pós-operatorias y detalles del manoseo anestésico.
CONTENIDO: Son presentadas las alteraciones respiratorias fisiológicas del envejecimiento. Son enfatizadas las alteraciones de volumen y capacidades pulmonares, de la mecánica respiratoria y de cambios gaseosos proporcionados por la anestesia. Son abordados aspectos relativos a la morbimortalidad pulmonar pós-operatoria en geriatría, destacándose la importancia de la adecuada evaluación pré-operatoria, considerándose desde testes de esfuerzo hasta testes específicos que cuantifican la reserva funcional pulmonar. Son discutidas técnicas anestésicas apropiadas en ancianos.
CONCLUSIONES: El envejecimiento es acompañado de alteraciones en el sistema respiratorio. Evidencias demuestran que mismo en la ausencia de pneumopatia, la edad avanzada constituye factor de risco para complicaciones pulmonares en el pós-operatorio. Debe haber preocupación con adecuada evaluación pré-operatoria de la función respiratoria, apropiado manoseo anestésico y cuidados pós-operatorios específicos.


 

 

INTRODUÇÃO

As complicações respiratórias são responsáveis por aproximadamente 40% dos óbitos que ocorrem em pacientes com idade superior a 65 anos, após procedimento cirúrgico 1. Embora a disfunção pulmonar após anestesia e cirurgia seja mais freqüente em idosos, a idade avançada isoladamente não é considerada fator de risco maior para disfunção pulmonar per-operatória 2. No entanto, com o avançar da idade ocorre significante diminuição da reserva funcional do sistema respiratório. As funções respiratórias tornam-se particularmente insuficientes na posição supina durante a anestesia e no período pós-operatório. Fatores coexistentes, prevalentes em pacientes idosos cirúrgicos, predispõem a complicações pulmonares pós-operatórias. Estes fatores incluem: tabagismo, obesidade e doenças pulmonares pré-existentes. Cirurgias com duração maior que 6 horas, incisões torácicas e de abdômen superior aumentam significativamente o risco para complicações respiratórias no período perioperatório. Um número cada vez maior de pacientes idosos com doença pulmonar está se submetendo a procedimentos cirúrgicos complexos e de alto risco; portanto, o melhor entendimento das alterações fisiológicas que acontecem no sistema respiratório do idoso pode ajudar a obter melhores resultados 3.

O objetivo desta revisão é ressaltar aspectos relativos ao sistema respiratório e ao envelhecimento, eventuais alterações proporcionadas pela anestesia, enfocando a avaliação pré-operatória da função respiratória, complicações pulmonares pós-operatórias e detalhes do apropriado manuseio anestésico em idosos.

 

PERDA DO VOLUME PULMONAR E PREJUÍZO NAS TROCAS GASOSAS

Durante a anestesia ocorre diminuição da capacidade residual funcional (CRF). A explicação primária para este fato é a redução no tônus do diafragma 4 que acarreta deslocamento cefálico deste músculo em decorrência do peso das vísceras abdominais, precipitando perda de volume pulmonar. O deslocamento cefálico do diafragma ocorre com ou sem paralisia muscular, com o uso de ventilação controlada mecânica ou respiração espontânea 5. A redução da CRF, que acontece após indução anestésica, propicia diminuição da complacência pulmonar e aumento da resistência vascular pulmonar 6. Os pulmões, o diafragma e a parede torácica funcionam como uma unidade integrada. Alterações nas características físicas regionais destas estruturas são largamente responsáveis pelo prejuízo na relação ventilação: perfusão (V/Q) e pelo decréscimo na eficiência das trocas gasosas, resultando num gradiente alvéolo-arterial de oxigênio P(A-a)O2 aumentado 7.

Volume de fechamento (VF) é o volume que permanece nos pulmões quando acontece o fechamento da pequena via aérea durante a expiração, este volume está acima do volume residual (VR). O VF é um importante fator que contribui para ineficiência nas trocas gasosas em pacientes idosos durante a anestesia 8. Normalmente o fechamento da pequena via aérea acontece ao final de uma expiração forçada. Em idosos, esse fenômeno pode ocorrer em respirações com volumes correntes normais. A capacidade de fechamento (CF) é a soma do volume residual e volume de fechamento. Durante a anestesia, a CF passa a fazer parte da Capacidade Vital (CV). Em indivíduos com idade superior a 60 anos a CF pode igualar-se a CRF 9. Assim, acredita-se que o fechamento da pequena via aérea contribui de maneira importante para o aumento do P(A-a)O2 observado durante a anestesia.

A vasoconstrição pulmonar hipóxica (VPH) determina o ajuste local na resistência vascular pulmonar necessário para manter o equilíbrio na relação ventilação-perfusão. Durante a anestesia este equilíbrio pode ser rompido ou pelo menos prejudicado por agentes inalatórios em concentrações acima de 1 CAM, sendo os idosos mais susceptíveis 10. Um efeito similar pode ser observado em resposta a altas concentrações inspiradas de oxigênio, comumente usadas na indução e no per-operatório 11. O comprometimento da eficiência nas trocas gasosas no período per-operatório aumenta o P(A-a)O2 e esta diferença alvéolo-arterial é proporcional ao aumento da idade.

Em adultos jovens, a relação entre o espaço morto e volume corrente (Vd/Vt) é aproximadamente 25%. Em idosos não fumantes na oitava década de vida, esta relação pode ser tão grande quanto 40%, e talvez ainda maior em tabagistas 12. O aumento da ventilação do espaço morto durante a anestesia, embora tenha relação com a diminuição da CRF, não é devido simplesmente a microatelectasias generalizadas do parênquima pulmonar 8. Associados a este fato estão todas as alterações da mecânica pulmonar regional e as modificações na unidade pulmão/tórax/abdômen. Portanto, o aumento na relação Vd/Vt não é reversível com a aplicação de pressão positiva no final da expiração (PEEP), hiperventilação, uso de grandes volumes correntes ou suspiros intermitentes 5, podendo até agravar as alterações de Vd/Vt. Há um pequeno porém significante aumento no componente de shunt verdadeiro em pacientes idosos cirúrgicos. Sob estas condições, a administração de altas concentrações de oxigênio produz pequena, porém progressiva melhora na PaO2 durante o ato operatório.

 

MORTALIDADE E MORBIDADE PULMONAR PÓS-OPERATÓRIA

Considerando as complicações pulmonares em pacientes idosos no período pós-operatório, alguns autores 13 sugerem que o local da cirurgia, doenças pulmonares pré-existentes e a idade são os principais determinantes de morbimortalidade pós-operatória. Entretanto, outro estudo sugere que estas afirmações podem ser simplistas e sem grande utilidade preditiva 14.

Uma explicação para a diminuição da PaO2 e redução do volume corrente observados no pós-operatório de cirurgia realizada próximo ao diafragma ou parede torácica, é a diminuição da excursão respiratória devido à dor ou a curativo compressivo. Entretanto, atualmente está bem estabelecido que o aumento da P(A-a)O2 persiste por vários dias após o procedimento cirúrgico e que não é revertido mesmo com a abolição da dor através do uso de opióide por via subaracnóidea 15. Por outro lado, o uso concomitante de narcótico sistêmico e opióide subaracnóideo eventualmente determina apreciável concentração sistêmica, acarretando depressão respiratória, pois a diminuição da resposta do sistema nervoso central à elevação do dióxido de carbono é mais pronunciada em idosos do que em adultos jovens 16.

Complicações pulmonares são as principais causas de morbimortalidade pós-operatória na população geriátrica 17. Nos tabagistas, a árvore respiratória se apresenta hiperreativa podendo precipitar broncoespasmo, acúmulo de secreções e atelectasia regional 18. Esta população apresenta redução importante dos reflexos laríngeos de proteção, aumentando o risco para aspiração traqueobrônquica de conteúdo gástrico ou secreções nasofaríngeas 19. A predisposição para infecção respiratória está aumentada, pois a capacidade imunológica e a atividade mucociliar apresentam-se reduzida. Essa redução pode intensificar-se com o uso de anestésicos inalatórios 20. O diagnóstico de infecção respiratória pós-operatória pode ser difícil, já que os sinais e sintomas clássicos de pneumonia podem ser mínimos ou estar ausentes e um estado de confusão mental pode ser a única alteração clínica evidente. Em idosos, a pneumonia estreptocócica é particularmente comum. Uma vez instalada, com freqüência progride rapidamente para septicemia, sendo que esta complicação apresenta taxa de mortalidade ao redor de 30% 21.

A toracotomia minimamente invasiva não modifica o prognóstico pós-operatório da população geriátrica, que apresenta taxa de mortalidade atribuída ao sistema respiratório ao redor de 5 a 15%, mais de duas vezes quando comparada a adultos jovens 22.

Guinard e col. afirmaram que o uso da analgesia peridural é de fundamental importância em pacientes idosos, pois o retorno à função pulmonar normal faz-se mais precoce quando comparado à analgesia com opióide sistêmico isolado 23. Já Fratacci e col. relataram que a disfunção diafragmática e a insuficiência ventilatória pós-operatória associada a procedimento cirúrgico torácico são significativas, e não são modificadas quando realizada adequada analgesia pós-operatória 24. Uma forma similar de disfunção diafragmática e incoordenação ventilatória, provavelmente devido à espasticidade do diafragma em conseqüência à manipulação cirúrgica e ao resfriamento pela exposição, ocorrendo após cirurgia de abdômen superior 25. Auler Jr e col. observaram aumento na elastância do sistema respiratório após cirurgia cardíaca 26. Caso as complicações respiratórias necessitem de ventilação mecânica por mais de 10 dias, a taxa de mortalidade pode exceder a 50%, elevando-se com o aumento da idade 27. Mesmo aqueles que conseguem retornar prontamente à ventilação espontânea após cirurgia torácica com esternotomia mediana, apresentam redução da CRF e CV durante dias a semanas, podendo demorar até 3 meses para retornar aos valores pré-operatórios 28. A diminuição do volume pulmonar e a redução do fluxo aéreo em repouso predispõem à atelectasia, pobre eliminação de secreções, deterioração da mecânica pulmonar, aumento do trabalho respiratório e pneumonia 29. A hipoxemia arterial aguda é o reflexo do conjunto de fatores que culmina no desequilíbrio entre a ventilação e a perfusão, e mesmo na ausência de doença pulmonar, a oxigenação arterial após agressão cirúrgica declina progressivamente com a idade.

 

AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA DA FUNÇÃO PULMONAR

Com o objetivo de identificar fatores de risco para complicações pulmonares no pós-operatório, têm se usado com freqüência testes de laboratório para quantificar a reserva funcional pulmonar. No entanto, testes simples e informais como a avaliação da capacidade para subir vários degraus de escada podem ser tão valiosos quanto as provas espirométricas, excluindo aqueles casos que apresentam fatores limitantes, tais como claudicação 30. A possibilidade de realizar exercícios de esforço serve para predizer quais pacientes terão alto risco para complicações pulmonares 31. Assim, a incapacidade para alcançar e sustentar um alto consumo de oxigênio está associada a elevado risco de complicações pulmonares pós-operatórias, confirmando a fundamental interdependência entre a função cardíaca e pulmonar para a recuperação de cirurgia de grande porte 14. Em pacientes geriátricos, o baixo peso corpóreo e a perda de massa muscular no período pós-operatório têm prognóstico negativo para o desmame da ventilação mecânica 32. A incapacidade para exercitar-se numa bicicleta ergométrica aumenta em cinco e sete vezes, respectivamente, as taxas de morbidade e mortalidade de idosos submetidos a procedimentos cirúrgicos eletivos do tipo abdominal ou torácico não cardíaco. Testes aeróbicos de estresse, como subir escadas, podem ser mais efetivos para estratificação do risco do que a abordagem de cada órgão específico, pois traduzem a reserva do sistema cardiopulmonar 33. Existe forte correlação entre pneumopatia e complicação pulmonar pós-operatória quando a doença pulmonar é avançada e está associada a VEF1.0 menor que 35% da prevista 34, a idade do paciente é superior a 75 anos 35, ou o local do procedimento cirúrgico é o tórax 36. O sexo masculino também está incluído como fator de risco. Forrest e col. relataram que na ausência de doença, a idade pode não ser fundamentalmente preditiva de complicação pulmonar pós-operatória 37.

Nos protocolos de avaliação pré-operatória, comumente realizam-se gasometria arterial e radiografia de tórax. Estes exames não têm valor específico para identificar idosos que apresentam risco aumentado para complicações pulmonares pós-operatórias 38. Alterações nos resultados de gasometria arterial somente surgirão quando houver importante disfunção pulmonar, em que sinais e sintomas de pneumopatia já estarão evidentes. Assim, em pacientes sintomáticos, os testes de função pulmonar são importantes para quantificar a extensão da doença 39 e a diminuição da resposta a broncodilatadores ou outras formas de terapia usada em conjunto com o processo diagnóstico sendo um guia para o manuseio per e pós-operatório. Quase metade de todos os pacientes idosos admitidos para cirurgia apresentam alguma anormalidade nos exames de radiografia de tórax, raramente alterando o manuseio perioperatório. A história clínica, o diagnóstico e o tipo de cirurgia são mais importantes para identificar pacientes de risco 40.

A taxa de mortalidade per-operatória após pneumectomia em idosos é alta, e mesmo obtendo precisa avaliação pré-operatória do VEF1.0 e VEF1.0/CV, não é possível identificar aquele paciente que apresenta risco elevado 41. Pacientes portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica grave, com VEF1.0 abaixo de 2 litros, geralmente estão associados a alto risco de complicações pulmonares pós-operatória. Na avaliação pré-operatória, os testes de função respiratória podem ser essenciais para indicar a ressecção pulmonar, pois um VEF1.0 do pulmão remanescente menor que 40% do previsto sugere alto e inaceitável risco 42. Entretanto, para procedimentos torácicos, a idade isoladamente não é considerada contra-indicação, especialmente para ressecções pulmonares ou esofágicas do tipo curativas 43,44.

 

MANUSEIO ANESTÉSICO

A otimização pré-operatória da função respiratória é de fundamental importância. O abandono do uso do cigarro está associado à diminuição do risco de complicações per-operatórias. A avaliação pré-operatória da função respiratória deve ser minuciosa, incluindo história clínica, exame físico com ausculta de ambos os pulmões e exame cuidadoso da boca e via aérea (região cervical, mobilidade da mandíbula e dentição). Existe correlação entre boa preservação dentária e função respiratória adequada em idosos 45. Esforços devem ser feitos para tratar ou compensar doença pulmonar aguda ou crônica no período pré-operatório. A avaliação da capacidade de exercício em bicicleta ergométrica tem importância clínica na estratificação do risco pré-operatório para complicações pulmonares ou cardíacas, no pós-operatório de procedimentos eletivos não cardíacos ou abdominais em pacientes idosos 17. Embora muitos estudos não mostrem benefícios adicionais em realizar radiografias de tórax para triagem pré-operatória, a realização deste exame pode ser útil em pacientes com suspeita de doença cardíaca ou pulmonar 46. Rigorosa avaliação pré-operatória incluindo testes de ventilação/perfusão não são necessários para pacientes submetidos à cirurgia pulmonar. O VEF1.0 pós-operatório deve exceder 800 ml (> 40%) do previsto. Quando a função cognitiva está comprometida, a realização de medida de impedância respiratória é mais útil do que a espirometria para abordagem da função pulmonar em pacientes idosos 47. Disfunção respiratória pós-operatória está tipicamente presente durante 2 a 3 dias após cirurgia em pacientes que apresentam doença pulmonar restritiva com CRF e CV reduzidas.

A técnica anestésica parece ter pequena implicação com relação ao risco de mortalidade e morbidade pulmonar pós-operatória, independente do tipo de cirurgia 48. A capacidade que os anestésicos inalatórios potentes têm de alterar o tônus broncomotor 49 ou, em altas concentrações inspiradas, de evitar broncoconstrição aguda reflexa, pode diminuir a hiperreatividade da via aérea. Entretanto, estes benefícios podem ser superados por algumas propriedades adversas destes agentes, dentre elas a supressão da vasoconstrição pulmonar hipóxica e da broncoconstrição hipocápnica 50, além da depressão da resposta imunológica pulmonar, função já comprometida em idosos 51. Taeger e col. relataram que uma alta percentagem de fentanil e alfentanil é seqüestrada no pulmão após administração venosa, sugerindo que o sítio de ligação pode estar localizado no surfactante alveolar 52. Por outro lado, a ação dos opióides na musculatura lisa causa broncoconstrição 53. Ruiz Neto e col. estudando pacientes sem doença pulmonar não observaram diferença entre o fentanil e o alfentanil com relação aos efeitos nas propriedades mecânicas do sistema respiratório e sugerem que os opióides provavelmente possam causar alterações na mecânica respiratória de pacientes com pneumopatia 54. A abordagem cirúrgica minimamente invasiva, associada à técnica anestésica regional combinada, podem apresentar vantagem, particularmente para pacientes com doença pulmonar obstrutiva 55.

Recentemente, tem sido relatado que o uso de b-bloqueador no período perioperatório apresenta diminuição significativa da morbidade e mortalidade em pacientes idosos de alto risco, portadores de cardiopatia, submetidos à cirurgia não cardíaca 56. O uso desta medicação tem sido bem tolerado mesmo em pacientes com leve DPOC.

Técnicas de bloqueios neuroaxiais devem sempre ser consideradas em pacientes geriátricos, pois oferece adequada analgesia pós-operatória com mínima sedação 57, embora opióides subaracnóideos possam produzir depressão respiratória nestes pacientes 58. A anestesia subaracnóidea ou peridural contribui para redução da incidência de complicações tromboembólicas em idosos, especialmente após procedimentos ortopédicos ou vasculares de membros inferiores 59. Entretanto, não há evidência consistente ou quantificável de que a anestesia regional apresente benefícios per ou pós-operatórios quando comparado à anestesia geral no que diz respeito a troca gasosa, volume pulmonar, mecânica respiratória ou eficiência da função diafragmática 60.

Ventilação espontânea é mantida durante anestesia regional acompanhada de sedação ou medicação pré-anestésica. Hipoxemia e hipercapnia podem ocorrer tanto no per como no pós-operatório 61. A administração de oxigênio suplementar através de cateter nasal melhora significativamente a oxigenação arterial e tecidual em indivíduos idosos durante a anestesia regional. Há relatos 62 de que podem apresentar hipoxemia pós-operatória por hipoventilação em decorrência de hiperventilação passiva controlada durante a anestesia geral. A suplementação de oxigênio deve ser de uso obrigatório no período perioperatório para pacientes idosos, mesmo durante procedimentos diagnósticos que necessitam apenas sedação superficial 63. Apesar da administração de oxigênio, talvez a metade de todos os pacientes admitidos em unidades de recuperação pós-anestésica tenha diminuição na saturação de oxigênio através da oximetria, em valores de 90% ou mais. A diminuição na concentração arterial de oxigênio pode acontecer particularmente entre o segundo e o quinto dia pós-operatório 64, pois neste período a suplementação de oxigênio geralmente é descontinuada, sendo porém necessária ainda a administração de opióides para controlar a dor 65. O uso de analgesia controlada pelo paciente tanto venosa quanto peridural atua de maneira mais consistente, reduz a sonolência, pois diminui a sobredose, porém pode produzir depressão respiratória em idosos mais frágeis 66.

A grande maioria dos estudos menciona que idosos têm alto risco para desenvolver hipoxemia no período pós-operatório. Cuidados respiratórios após cirurgias devem sempre incluir: fisioterapia respiratória, mobilização precoce e o uso liberal da posição sentada, medidas que melhoram, de maneira significativa, a mecânica respiratória e a oxigenação. Lembrar sempre da possibilidade de ocorrência, no pós-operatório, de infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, tromboembolismo pulmonar e pneumonia.

 

CONCLUSÕES

A anestesia e determinadas cirurgias predispõem a alterações na mecânica respiratória, volumes pulmonares e trocas gasosas, que são mais intensas com o avançar da idade. Estas alterações podem persistir no pós-operatório resultando em hipoxemia.

O envelhecimento favorece uma série de manifestações no sistema respiratório, tais como: reatividade da árvore traqueobrônquica, redução dos reflexos de proteção de vias aéreas, redução da eficiência do sistema imunológico com maior predisposição à infecção pulmonar.

A analgesia peridural favorece o precoce retorno da função respiratória; entretanto, em procedimentos torácicos extensos, a disfunção respiratória pode ser importante, persistente e não modificada por adequada analgesia peridural pós-operatória.

A avaliação pré-operatória da função respiratória é importante para estratificação do risco para complicações pulmonares e melhora da função respiratória.

No pré-operatório, esforços devem ser feitos para compensar e otimizar a função respiratória. A escolha da técnica anestésica deve ser adequada para não alterar o prognóstico pós-operatório relacionado ao sistema respiratório. A técnica anestésica regional combinada com adequada analgesia peridural apresenta vantagens, principalmente para pacientes pneumopatas. A suplementação de oxigênio até o pós-operatório tardio é muito importante, além do uso liberal da posição sentada e de fisioterapia respiratória.

Baseado nas evidências descritas nesta revisão pode-se afirmar que o envelhecimento é fator de risco para complicações pulmonares, mesmo na ausência de pneumopatias. Assim, o aparelho respiratório do idoso exige criteriosa atenção, desde o preparo pré-operatório até o pós-operatório tardio com o objetivo de diminuir a morbimortalidade associada a este sistema.

 

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Endereço para correspondência
Dra. Cláudia Regina Fernandes
Av. Bezerra de Menezes, 2690/431, Alagadiço
60325-002 Fortaleza, CE
E-mail: fortefernandes@uol.com.br

Apresentado (Submitted) em 21 de setembro de 2001
Aceito (Accepted) para publicação em 04 de janeiro de 2002
Recebido da (Received from) Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE