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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.55 no.4 Campinas July/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942005000400005 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Avaliação do atendimento anestésico da criança e do adolescente em um hospital universitário*

 

Evaluación del servicio anestésico del niño y del adolescente en un hospital universitario

 

 

Andressa Simões AguiarI; Norma Sueli Pinheiro Módolo, TSAII; Yara Marcondes Machado Castiglia, TSAIII; Bruno Augusto Moura BruschiIV

IGraduanda da FMB - UNESP Bolsista da FAPESP
IIProfessora Adjunta da UNESP - Universidade Estadual Paulista - CET/SBA do Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Botucatu
IIIProfessora Titular, CET/SBA da FMB - UNESP
IVME3 do CET/SBA do Departamento de Anestesiologia da FMB - UNESP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Qualidade em anestesia e na satisfação dos pacientes têm tido acentuado destaque. O objetivo foi avaliar o atendimento anestésico de crianças e adolescentes, entrevistando seus responsáveis.
MÉTODO: Foram entrevistados 230 responsáveis por crianças e adolescentes submetidos à anestesia no período compreendido entre abril e dezembro de 2003. Realizou-se entrevista na visita pós-operatória através de questionário com quatro itens: identificação das crianças e de adolescentes e seus responsáveis (item 1); esclarecimentos na visita pré-anestésica (item 2), quanto à anestesia (item 3) e à recuperação pós-anestésica (SRPA) (item 4), determinando-se quem dera as informações aos entrevistados e se houvera complicação no pós-anestésico. O responsável atribuiu nota de 0 a 10 ao Serviço de Anestesiologia.
RESULTADOS: A pesquisa foi respondida pela mãe em 189 (82,2%) casos. A maioria dos entrevistados, 114 (75,6%), tinha entre 20 e 39 anos, era casada (148 a 64,3%) e 140 (60,9%) não tinham ocupação. Para 89%, o anestesiologista se identificou; para 37% e 77,4%, esclareceu sobre importância e tempo do jejum; 82%, sobre anemia; 90%, alergia; 46,8%, importância da SRPA; 42,2%, tempo de permanência; 72,9%, estado de saúde de sua criança. Não houve apreensões para 49%, 58% e 58%, respectivamente, no pré, intra e pós-anestésico. Gostariam de ter estado com sua criança/adolescente na chegada à SRPA 78,9%. Foram relacionadas preocupações no período pré, intra e pós-anestésico com o sexo e a idade do paciente - não ter tido nenhuma preocupação - maioria dos entrevistados - e com a escolaridade do entrevistado - quanto mais completa, menor foi o número e a variedade das preocupações relatadas. As notas atribuídas ao Serviço de Anestesiologia tiveram maior freqüência entre 7 e 10 (97,4%).
CONCLUSÕES: Considera-se que o Serviço de Anestesiologia desenvolve bom trabalho, apesar de falhas na comunicação, que são de solução simples e dependem mais da vontade do serviço que de seu conhecimento científico.

Unitermos: ANESTESIA, Pediátrica


RESUMEN

JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: Calidad en anestesia y satisfacción de los pacientes han tenido acentuado destaque. Nuestro objetivo fue evaluar el servicio anestésico de niños y adolescentes de nuestro Hospital, entrevistando sus responsables.
MÉTODO: Fueron entrevistados 230 responsables de niños y adolescentes sometidos a la anestesia en el período comprendido entre abril y diciembre de 2003. Se realizó entrevista en la visita pos-operatoria a través de un cuestionario con cuatro partes: identificación de los niños y adolescentes y sus responsables (parte 1); aclaraciones en la visita pre-anestésica (parte 2), referente a la anestesia (parte 3) y a la recuperación pos-anestésica (SRPA) (parte 4), determinándose quien daría las informaciones a los entrevistados y se hubiese complicación en el pos-anestésico. El responsable atribuyó nota de 0 a 10 al Servicio de Anestesiología.
RESULTADOS: La pesquisa fue respondida por la madre en 189 (82,2%) casos. La mayoría de los entrevistados, 114 (75,6%), tenía entre 20 y 39 años, era casada (148 a 64,3%) y 140 (60,9%) no tenían ocupación. Para 89%, anestesiologista se identificó; para 37% y 77,4%, aclaró sobre la importancia y tiempo del ayuno; 82%, sobre anemia; 90%, alergia; 46,8%, importancia de la SRPA; 42,2%, tiempo de permanencia; 72,9%, estado de salud de su niño. No hubo aprehensiones para 49%, 58% y 58%, respectivamente, en el pre, intra y pos-anestésico. Les gustaría haber estado con su niño/adolescente en la llegada a la SRPA, 78,9%. Fueron relacionadas preocupaciones en el período pre, intra y pos-anestésico con el sexo y la edad del paciente - no haber tenido ninguna preocupación - mayoría de los entrevistados - y con la escolaridad del entrevistado - cuanto más completa, menor fue el número y la variedad de las preocupaciones relatadas. Las anotaciones atribuidas al Servicio de Anestesiología tuvieron mayor frecuencia entre 7 y 10 (97,4%).
CONCLUSIONES: Se considera que el Servicio de Anestesiología desarrolla un buen trabajo, a pesar de fallos en la comunicación, que son de fácil solución y dependen más de la voluntad del Servicio que de su conocimiento científico.


 

 

INTRODUÇÃO

As publicações sobre qualidade em anestesia e satisfação do paciente têm aumentado muito nas últimas décadas. Alguns autores encontraram maior satisfação nos pacientes que puderam expressar as suas preocupações durante o atendimento e também quando o médico informou mais sobre os procedimentos a serem realizados. O contato mais esclarecedor com o anestesiologista é fator importante na determinação do grau de satisfação do paciente 1-3.

No que diz respeito à anestesia pediátrica e do adolescente, os pais ou responsáveis desses pacientes são uma parte do "público alvo a ser atingido". Existem trabalhos demonstrando que a preparação pré-operatória com a participação dos pais diminui a ansiedade dos filhos 4-8. A transmissão da ansiedade à criança e ao adolescente leva a implicações negativas durante um longo período, provocando distúrbio do sono, do apetite, etc 7.

Além da melhor informação, alguns autores relatam que a maior parte dos pais ou responsáveis gostaria de participar de algumas decisões a respeito da anestesia de suas crianças 9. Seria importante, então, saber a opinião desses pais ou responsáveis sobre como têm sido realizadas as visitas pré e pós-anestésicas para que, a partir desta avaliação, possam ser propostas alterações que otimizem o atendimento desses pacientes.

Portanto, este trabalho teve por objetivo avaliar o atendimento anestésico dos pacientes pediátricos e dos adolescentes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, por meio de entrevista dos pais ou responsáveis.

 

MÉTODO

Esta pesquisa foi realizada após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP, e após o consentimento por escrito dos pais ou responsáveis.

Foram realizadas 230 entrevistas com pais ou responsáveis pelas crianças e adolescentes submetidos a anestesias no Centro Cirúrgico do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP, no período compreendido entre abril e dezembro de 2003.

A entrevista foi realizada em visita pós-anestésica. As visitas pré e pós-anestésicas são atividades que fazem parte do atendimento de rotina do Serviço de Anestesiologia do HC.

O método proposto constou de um questionário composto de quatro itens:

1. Identificação das crianças e adolescentes, com data de atendimento, idade, sexo, raça e tipo de cirurgia. Identificação dos responsáveis com idade, sexo, raça, estado civil, procedência, ocupação e escolaridade.

2. Questões relativas à visita pré-anestésica (VPA), se houve esclarecimento quanto a quem realizou a VPA (médico anestesiologista, se não se identificou ou se não havia lembrança sobre este quesito), ao jejum pré-operatório, à medicação pré-anestésica, às doenças concomitantes, aos medicamentos utilizados e às anestesias prévias. Questionou-se também sobre as preocupações pré-anestésicas dos pais ou responsáveis, que foram enumeradas em ordem decrescente de importância.

3. Questões relativas ao período anestésico - se tinha havido informação sobre o tipo de anestesia que seria administrado, quais tinham sido as preocupações durante a anestesia, e que deveriam ser enumeradas em ordem decrescente de importância.

4. Questões sobre a recuperação pós-anestésica (RPA), se o pai ou responsável havia sido esclarecido quanto à importância e dos objetivos da RPA e se havia sido informado sobre a chegada da criança/adolescente à SRPA e o tempo aproximado que ali permaneceria. Se havia recebido informações sobre a saúde do seu filho quando estava na SRPA e explicações sobre a necessidade de manutenção do acesso venoso quando da alta para a enfermaria e se gostaria de ter estado presente quando a criança chegou à SRPA. Argüía-se, ainda, sobre quem era a pessoa que havia dado estas informações (anestesiologista, cirurgião, funcionários da SRPA, enfermeiro) e se haviam ocorrido complicações no pós-anestésico (náusea, vômitos, dor, sonolência prolongada, dor de garganta, outras).

No final do questionário, o pai ou responsável atribuiu nota de 0 a 10 para o Serviço de Anestesiologia.

Os dados obtidos foram avaliados de maneira descritiva e comparativa. Foram cruzados alguns dados para que se observassem suas relações. Desta forma, as preocupações no período pré, intra e pós-anestésico foram relacionadas com o sexo e a idade da criança e com a escolaridade do entrevistado.

 

RESULTADOS

Foi realizada entrevista com os responsáveis por 230 crianças e adolescentes entre um mês e 17 anos,  que responderam às questões dos itens de 1 a 3. Sobre as do item 4, apenas 218 responsáveis deram suas respostas, uma vez que 12 pacientes foram encaminhados diretamente para unidade de terapia intensiva (UTI). Os pacientes foram divididos em 5 grupos de acordo com a faixa etária (Tabela I).

Com relação ao sexo, 74 (32,2%) eram do sexo feminino e 156 (67,8%), do sexo masculino. Quanto à raça dos pacientes, 181 (78,7%) eram brancos, 11 (4,8%) eram negros e 38 eram mestiços (16,5%).

Os pacientes submetidos a cirurgias de rotina totalizaram 214 (93%) e de emergência, 16 (7%).

O grau de parentesco dos indivíduos entrevistados mostrou que eram pais, mães, tios, avós, irmãos e primos. A pesquisa foi respondida pela mãe em 189 (82,2%) casos, pelo pai em 15 (6,5%) e por outro responsável em 26 (10,9%). Quanto ao sexo, 215 (93,5%) eram mulheres e 15 (6,5%), homens. A idade dos entrevistados variou entre 13 e 66 anos, sendo que a maioria se encontrava na faixa etária entre 20 e 39 anos, que totalizou 114 entrevistados (75,6%).

Com relação à raça dos entrevistados, 168 (73,1%) eram brancos, 45 (19,5%) eram mestiços e 17 (7,4%) eram negros.

Quanto ao estado civil, 148 (64,3%) eram casados, 38 (16,5%), "amigados", 26 (11,3%), solteiros, 11 (4,8%), separados e 7 (3%), divorciados.

A pesquisa revelou que 100% dos responsáveis pelos pacientes eram do estado de São Paulo, sendo que a maioria era de Botucatu e cidades próximas. Quanto à ocupação, 140 (60,9%) relataram não ter uma ocupação. Dentre estes, incluíram-se os desempregados, donas de casa e aposentados. Com relação à escolaridade, foram divididos, para análise, em sete grupos, sendo eles: escolaridade 1 = primeiro grau incompleto, 127 (55,2%); escolaridade 2 = primeiro grau completo, 37 (16,1%); escolaridade 3 = segundo grau incompleto, 14 (6,1%); escolaridade 4 = segundo grau completo, 27 (11,7%); escolaridade 5 = terceiro grau incompleto, 3 (1,3%); escolaridade 6 = terceiro grau completo, 14 (6,9%); escolaridade 7 = analfabetos, 8 (3,5%).

O anestesiologista identificou-se em 89% das entrevistas e não se identificou em 9%. Dois por cento dos entrevistados não se recordavam do fato.

Quanto aos tópicos que haviam sido ou não esclarecidos durante a VPA, a importância do jejum pré-operatório foi esclarecida para 85 (37%) dos entrevistados e o tempo em que o paciente deveria permanecer em jejum foi explicado para 178 (77,4%). O objetivo da medicação pré-anestésica foi relatado para 82 (35,7%). Foram dirimidas dúvidas que envolviam doenças concomitante para 190 (82,6%) entrevistados, sobre infecções das vias aéreas superiores; para 189 (82,2%), sobre anemia; para 209 (90,9%), sobre alergia e para 205 (89,1%), sobre outras doenças (cardíacas, asma, diabetes). O uso rotineiro de medicamentos foi investigado, segundo 196 (85,2%) entrevistados e as anestesias prévias, segundo 182 (79,1%) (Tabela II).

Com relação às preocupações pré-anestésicas enumeradas pelos pais ou responsáveis, foram citadas 243, no total, em 26 tipos de respostas diferentes (Tabela III).

Com relação às informações sobre o tipo de anestesia que a criança iria receber, 121 (52,6%) dos entrevistados não receberam, enquanto que 109 (47,4%) afirmaram ter recebido explicações sobre o tipo de anestesia envolvida (Tabela IV).

As preocupações que os responsáveis declararam ter por ocasião da VPA envolveram os anseios intra e os pós-anestésicos. Foram enumeradas 23 preocupações diferentes, dentre as 241 respostas (Tabela V).

Do total de entrevistados, 45 (20,6%) não procuraram informações sobre a criança - se já estava na SRPA - uma vez que alguns funcionários espontaneamente as forneceram. Grande parte dos entrevistados (148 = 67,9%) referiu que procurou essas informações, mas 25 (11,5%) deles afirmaram não ter recebido nem procurado qualquer tipo de informação, sabendo da situação da criança apenas quando esta chegou ao seu quarto na enfermaria (Tabela VI).

Com relação à identificação do indivíduo responsável pelas informações quando a criança já estava na SRPA, 142 (65,1%) dos entrevistados responderam que houve identificação e 76 (34,9%) responderam que o indivíduo não se identificou (Tabela VII).

Considerando-se o total de 218 entrevistados, 49 foram recepcionados com as informações da SRPA pelo anestesiologista. O cirurgião foi identificado como o único responsável pela informação ou como um dos responsáveis por 39 entrevistados. A maior parte dos entrevistados (86) referiu ter sido recepcionada por "funcionários da SRPA". O enfermeiro esteve presente como o único responsável ou como um dos responsáveis pelas informações segundo 25 entrevistas (Tabela VIII).

Quando inquirido sobre se foi esclarecido por esses profissionais quanto à importância e ao objetivo da RPA, apenas 102 (46,8%) responderam que sim. Com relação a terem sido avisados de que a criança permaneceria algum tempo na SRPA, 135 (61,9%) responderam que sim. Com relação a esta permanência na SRPA, apenas 92 (42,2%) dos entrevistados foram contatados e esclarecidos. Quanto ao estado de saúde do paciente quando já estava na SRPA, 159 (72,9%) foram informados. Necessidade da permanência do acesso venoso foi o item menos esclarecido, apenas 48 (22%) receberam informações.

Ao questionar o entrevistado sobre se gostaria de ter estado presente quando da chegada da criança/adolescente à SRPA, se possível, 172 (78,9%) afirmaram que sim.

Sinais e sintomas que ocorreram no período pós-anestésico foram náusea, em 14 (6,1%) casos; vômitos, em 23 (10%); dor, em 61 (26,5%); sonolência prolongada, em 100 (43,5%) e dor de garganta, em 10 (4,3%) (Tabela IX).

Em outra questão solicitava-se que o entrevistado atribuísse nota de 0 a 10 para o Serviço de Anestesiologia. As maiores freqüências estiveram entre as notas 7 e 10 (221 = 97,4%) (Figura 1).

Preocupações sobre o pré, intra e pós-anestésico relacionadas ao sexo e à idade do paciente e à escolaridade do entrevistado estão apresentadas na tabela X.

Os familiares que responderam ao questionário enumeraram 77 preocupações relacionadas a 74 crianças do sexo feminino e 166 a 156 crianças do sexo masculino. Observa-se que algumas pessoas relataram mais de uma preocupação.

Para ambos os sexos, a maioria dos entrevistados referiu não ter nenhuma preocupação. Em ordem decrescente, as outras três preocupações mais citadas para as crianças do sexo feminino foram a de não acordar após a anestesia, medo da anestesia geral e de passar mal. Para o sexo masculino, a segunda apreensão mais citada foi relacionada ao estado de saúde anterior da criança.

Quando se correlacionou a preocupação com a idade da criança, observou-se que a grande maioria dos entrevistados relatou não ter nenhuma preocupação seguindo-se a de ter medo de a criança não acordar após a anestesia, isto tendo acontecido em qualquer faixa etária considerada (Tabela XI).

Quando as preocupações enumeradas foram correlacionadas com a escolaridade do indivíduo entrevistado, observou-se que, independentemente do grau de instrução, a maioria referiu não ter tido nenhuma preocupação. Não acordar após a anestesia foi a segunda mais citada em toda a faixa de escolaridade considerada.

Além disso, observou-se que os indivíduos de menor escolaridade apresentaram preocupações em maior número e variedade. Conforme aumenta o grau de escolaridade do indivíduo, esta variedade diminui.

Observa-se que as preocupações mais citadas pelos pais ou responsáveis, tanto para a criança do sexo masculino, quanto do feminino, foram semelhantes. A maioria não tinha tido preocupação, seguindo-se as de não acordar após a anestesia e de a cirurgia não correr bem.

Quanto à faixa etária da criança, em todas as consideradas neste estudo, a resposta predominante obtida dos entrevistados foi nenhuma preocupação, seguida por não acordar da anestesia e cirurgia não correr bem.

Considerando-se a escolaridade do responsável, a resposta de maior incidência também foi o relato de não ter tido nenhuma preocupação. Na seqüência, foram observadas preocupações como cirurgia não correr bem e não acordar após anestesia.

 

DISCUSSÃO

O objetivo desta pesquisa foi verificar a visão do responsável sobre o atendimento dispensado a ele e a sua criança ou adolescente pelo Serviço de Anestesiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP.

Por se tratar de um Hospital Universitário que deve ser palco de ensino, tanto para alunos de graduação quanto para médicos em especialização, a preocupação com esta visão é de que ela pudesse servir de instrumento para se avaliar o ensino ministrado neste Serviço.

Muitas vezes, os profissionais médicos preocupam-se com o ensino técnico-científico, deixando de dar a devida ênfase a aspectos humanísticos do relacionamento médico-paciente, os quais contribuiriam para que o paciente e seu responsável ficassem satisfeitos com o atendimento.

Autores como Kopp e col. 10 salientaram que existe ampla evidência da importância da comunicação na prática anestésica. Os anestesiologistas participam de atividades que envolvem transações sociais complexas de aspecto médico-legal, ético e pessoal. Eles recebem e concedem informações que afetam a sua participação em ações de outros profissionais médicos. A Sociedade Americana de Anestesiologistas incumbiu um Comitê de atuar na melhoria da educação pública e dos relatos da Anestesiologia, reconhecendo a importância da comunicação, que promove a integridade profissional, assim como a segurança do paciente e sua satisfação. Assim, a atenção na estrutura e função da comunicação profissional é tão importante quanto aprender a farmacocinética e a farmacodinâmica dos anestésicos. Estas preocupações decorrem do fato de que o campo de ação da Anestesiologia tem-se ampliado muito.

Hepner e col. 11 reforçaram este aspecto, enumerando o que faz parte da atuação do anestesiologista - a produção da inconsciência, o cuidado com a homeostase e o controle da dor no pré, intra e pós-operatório. Também, o conhecimento de fisiologia, de farmacologia e de anatomia facilita a realização de bloqueios do neuro-eixo e periféricos, com novas esferas de atuação. Ainda, a avaliação pré-operatória para o planejamento anestésico, os ajustes nas medicações, as respostas às dúvidas e aos anseios dos pacientes, a expansão da área de tratamento da dor e dos cuidados peri-operatórios proporcionaram oportunidade de prolongar o contato com o paciente acordado. Portanto, nunca foi tão importante comunicar-se com habilidade. Estes mesmos autores ainda lembram que há preocupação em ensinar técnica e ciência, mas, quando o enfoque são os cuidados gerais com os pacientes, encontra-se escassa literatura direcionada à área médica. Questionam, até, que se deveria responder se a nova geração de anestesiologistas está sendo treinada para que sejam bons médicos no peri-operatório e profissionais com boa habilidade de comunicação.

O perfil predominante do sujeito desta pesquisa foi o da mãe, com idade entre 20 e 39 anos, dona de casa, branca, casada, morando atualmente em Botucatu ou na região ao redor e com 1º grau incompleto. A grande maioria dos entrevistados afirmou que a pessoa que realizou a visita pré-operatória identificou-se como o médico anestesiologista. Em 11% dos casos não ocorreu esta identificação. Deve ser observado que este tópico é extremamente importante.

Lopes e col. 12, em pesquisa sobre o conhecimento do paciente quanto a quem vai anestesiá-lo, constataram que pouco acima da metade dos pacientes entrevistados sabia que o anestesiologista é médico com especialização e cerca de 20% não sabiam sequer responder à pergunta "quem é o anestesiologista?". Quanto à percepção do papel do anestesiologista, metade dos pacientes o relacionou com a abolição da dor e a perda da consciência; a administração de medicamentos ou monitorização dos sinais vitais foram as respostas de uma minoria e 20% dos entrevistados não sabiam qual era o papel do anestesiologista.

O conforto físico, as informações adequadas, o envolvimento do profissional, o suporte emocional e o respeito são fatores valorizados pelos pacientes, interferindo com seu entendimento a respeito do procedimento anestésico 13.

Uma análise da qualidade da anestesia, sob a ótica do paciente, também enfatiza que a atenção dada aos anseios, expectativas e aspectos psicológicos dos pacientes no período pré-operatório deve ser a mesma, ou maior, que aquela que se dedica à escolha dos fármacos, às alterações dos monitores ou dos exames laboratoriais no peri-operatório 3. Em sua pesquisa, a atenção dada aos aspectos interpessoais do procedimento anestésico-cirúrgico proporcionou maior grau de satisfação com o Serviço de Anestesiologia.

Portanto, é muito importante que o anestesiologista se identifique e que dedique tempo para explicar o que pode e deve fazer pelos pacientes. Klock e col. 14 são enfáticos quando afirmaram que aquilo que o anestesiologista faz na visita pré-operatória é o mais importante.

Jeske e col. 15 demonstraram que se o anestesiologista oferecer para o paciente um cartão de identificação, aumentará a probabilidade de o paciente lembrar o seu nome, mas não a sua satisfação com a anestesia. Entretanto, este ato poderá reafirmar o seu papel como médico do peri-operatório e permitir que os pacientes e outros médicos saibam que ele é realmente sincero e está envolvido com a ampliação de seu papel. Se ele, verdadeiramente, estiver confiando em uma boa comunicação, o paciente se sentirá confortável quando precisar usar a informação contida no cartão e entrar em contato com ele para que responda a suas possíveis questões 11.

Desta forma, a distribuição para os familiares de folheto explicativo que contivesse informação a respeito da anestesia, da SRPA ou do controle da dor pós-operatória 7, ou ainda, a criação de programa educacional para preparar os pais para a indução da anestesia ou para a visita à SRPA 16 foram eficazes para a diminuição da ansiedade e, ao mesmo tempo, para o aumento da satisfação dos pais com os cuidados anestésicos.

As outras perguntas formuladas no questionário são muito importantes para a realização da anestesia pediátrica e de adolescentes. São tópicos que precisam ser esclarecidos, pois, normalmente, quando isto não é feito, ocorrem situações de conflitos ou aumento da morbimortalidade nesta faixa etária. Dentre essas questões, situa-se a determinação do tempo e da importância do jejum pré-operatório, que é sempre fator de estresse, tanto para os pais quanto para as crianças.

Nesta pesquisa, observou-se que somente para 85 (37%) dos entrevistados houve esclarecimento da importância da manutenção do jejum pré-operatório e do tempo de jejum. Existe muita desinformação ou falsa informação relativa a este tópico. Não é raro que se depare com crianças com o tempo de jejum extremamente prolongado ou curto, com adiamento de cirurgia quando os familiares não conseguem definir qual alimento a criança pode ingerir e em qual intervalo de tempo. O esclarecimento deve começar com a explicação, de forma compreensível, sobre o aumento da morbidade se ocorrer pneumonia aspirativa e de que tempo de jejum relaciona idade da criança e tipo de alimento 17.

Observou-se, neste trabalho, que a explicação do tempo necessário para o jejum pré-operatório foi dada em 77,4% dos casos e que em apenas 37% explicou-se a importância desta medida.

Já perguntas relacionadas a doenças concomitantes foram esclarecidas de forma mais satisfatória, em torno de mais de 80% dos casos. Talvez seja porque se tenha preocupação muito maior com doenças, que são fatos mais objetivos, e menos preocupação, por exemplo, se o tempo de jejum prolongado fará a criança chorar e ficar mais ansiosa.

Quando se analisa o período anestésico, constata-se que em 52,6% dos casos os familiares não foram informados a respeito da anestesia a que a criança seria submetida. Apesar da necessidade de prática do consentimento por escrito, que não é rotineira no Brasil, ainda comprova-se que não se tem o hábito de informar sobre os riscos e alternativas das técnicas anestésicas e perguntar a preferência dos familiares e/ou do paciente.

Tem sido muito discutido o consentimento por escrito após informação, que oferece a oportunidade de as pessoas terem conhecimento, dentro do seu grau de entendimento, dos procedimentos que serão realizados. Isto parece aumentar a satisfação delas com relação ao serviço prestado pelo médico.

A distribuição de folhetos explicativos a respeito do processo anestésico a que a criança será submetida associada à informação verbal poderá facilitar a obtenção do consentimento por escrito após informação e contribuir para a satisfação dos pais 8.

Stiles e col. 18 já haviam observado maior satisfação do paciente se ele pudesse expressar mais os seus anseios durante a entrevista para o histórico médico e se o médico fosse mais informativo sobre os procedimentos a serem realizados.

Outros autores demonstraram que os pais gostariam de ter participação mais ativa nas decisões que envolvem a anestesia de seus filhos e que quando isto acontece, eles se sentem muito mais satisfeitos com os cuidados anestésicos dispensados 9.

A satisfação do paciente pode refletir muitas facetas do seu atendimento como compaixão, atendimento eficiente de suas necessidades, sua participação nas decisões no que diz respeito à sua pessoa e adequadas informações e comunicação. A satisfação do paciente, que deve ser encarado como um cliente, tem sido pretendida como o ponto final do atendimento e indicador de qualidade dos cuidados anestésicos 19.

É muito importante que haja comunicação de forma adequada com os responsáveis pela criança. E se a criança tiver capacidade de entendimento, ela deverá participar da explicação. Coté 17 exemplifica muito bem esta questão. Ele conta que começa a conversa com a criança, identificando-se, explicando quem é o anestesiologista, o que é a anestesia, que tipo de sono ela terá durante a cirurgia e que, ao final, ela vai acordar e retornar para os seus pais. Relata ainda que as crianças têm as mesmas ansiedades que os adultos e que muitas vezes não conseguem se expressar. Ao receber explicações de como será a anestesia, ela saberá que não sentirá nada, não se recordará de nada e que acordará ao término da cirurgia. Estas atitudes têm a finalidade de diminuir a ansiedade dos pais e das crianças.

Vários estudos demonstram que mais de 60% das crianças que vão para cirurgia podem apresentar algum comportamento negativo até duas semanas após 20-22, como enurese, dificuldades na alimentação, apatia e distúrbios do sono. Além disso, a ansiedade pré-operatória ativa a resposta ao estresse, liberando cortisol sérico, adrenalina e interferindo com a atividade da cell killer 22-23. Há evidências de comunicação bidirecional entre o sistema neuroendócrino e o sistema imune, aumentando a susceptibilidade a infecções e doenças neoplásicas 24.

Quando questionados sobre as preocupações sentidas nos períodos pré, intra e pós-anestésicos, a maior parte dos entrevistados respondeu que não tinha tido nenhuma preocupação, seguindo-se o medo de a criança não acordar após a cirurgia. No pré-operatório, outra preocupação relativamente citada foi o medo da anestesia geral e no peri-operatório, medo de que a cirurgia não corresse bem.

Quando se cruzaram estes dados com o sexo da criança, idade e escolaridade dos pais, observou-se que em relação ao sexo as preocupações mais citadas foram as mesmas e que não ter tido nenhuma preocupação foi a de maior incidência.

Quando as preocupações citadas relativas aos períodos pré, intra e pós-operatórios foram correlacionadas com as idades das crianças, observou-se que existia um número maior relacionado às crianças com idade acima de um ano.

Existem na literatura médica relatos de maior incidência de complicações em crianças na faixa etária de menos de um ano, principalmente devido à imaturidade dos seus sistemas.25 Entretanto, tal fato não é do conhecimento dos pais. O que eles observam e provavelmente aumenta a sua ansiedade e preocupação é o fato de a criança chorar e ficar ansiosa no momento da separação. As crianças até seis meses de idade podem ser separadas gentilmente dos pais ou familiares. Após 7-8 meses e também na idade pré-escolar, esta separação acontece de forma mais traumática 21-26.

Ao se observar a correlação das preocupações com a escolaridade, em todos os períodos estudados constatou-se que os responsáveis de menor escolaridade apresentaram preocupações mais variadas o que, por sua vez, diminuiu com o aumento do grau de instrução. Pode-se supor que o grupo de maior escolaridade, justamente por ser mais instruído, apresenta preocupações mais concretas e maior confiança no profissional que irá atender a sua criança.

Com relação aos resultados sobre a avaliação do atendimento na SRPA, constatou-se que a maioria dos entrevistados não recebeu informação sobre sua importância e necessidade do tempo de permanência da criança nela. Entretanto, 70% dos entrevistados foram avisados que a criança já estava na SRPA e qual era seu estado de saúde.

O anestesiologista se identificou como responsável pelas informações fornecidas durante a permanência na SRPA, em muito poucos casos (22%). Outro dado que chamou a atenção, foi o de que em 67,9% dos casos, o entrevistado teve que ir procurar informação sobre a sua criança. Se existe a necessidade de uma boa comunicação no pré-operatório, é extremamente importante que ela continue no pós-operatório.

Sikich e col. 27 realizaram trabalho com os pais a respeito da expectativa e preferências na recuperação anestésica da criança. De modo interessante, observaram que eles não se sentiram confortáveis quando a criança teve tempo de recuperação muito curto, pois o ambiente hospitalar lhes dava mais conforto.

O período pós-operatório é fonte de estresse para os pais, principalmente no que diz respeito ao que a criança pode comer ou beber e em qual momento 28, embora grande maioria esteja preocupada com dor ou com náusea e vômitos. Estes pontos deverão ser esclarecidos e, se a cirurgia for ambulatorial, quando a criança for para casa, os pais deverão ter acesso a telefone de contato para notificação de eventuais complicações.

Foi atribuída nota 10 ao Serviço de Anestesiologia por 68,6% dos entrevistados. Apesar de terem faltado explicações importantes para os responsáveis pela criança, tanto as relativas ao período pré, quanto ao intra e pós-operatório, a avaliação foi satisfatória. A grande maioria dos entrevistados atribuiu nota acima de 7 (97,4%). Provavelmente, no momento das respostas ao questionário, que acontecia no pós-operatório, as angústias já tivessem diminuído.

 

CONCLUSÃO

Pode-se considerar que apesar da boa avaliação do Serviço de Anestesiologia pelos pais e responsáveis pelas crianças e adolescentes atendidos no HC da Faculdade de Medicina de Botucatu, foram detectadas falhas na comunicação entre os responsáveis pelas avaliações pré-anestésicas e os responsáveis pelas crianças e adolescentes atendidos. Os problemas levantados são de solução simples e dependem muito mais da vontade do Serviço do que de seu conhecimento científico. Não incluem custo adicional, aparelhos de monitorização complexos, mas, simplesmente, maior envolvimento com o familiar e sua criança.

Além disso, devem-se transmitir essas informações para o graduando e o médico em especialização e vivenciá-las, pois pelo exemplo é que acontece o aprendizado.

 

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Endereço para correspondência
Dra. Norma Sueli Pinheiro Módolo
Depto de Anestesiologia da FMB UNESP
Distrito de Rubião Junior, s/nº
18618-970 Botucatu, SP
E-mail: nmodolo@fmb.unesp.br

Apresentado em 06 de outubro de 2004
Aceito para publicação em 17 de março de 2005

 

 

* Recebido do CET/SBA da UNESP - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) - SP