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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.56 no.2 Campinas Mar/Apr. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942006000200005 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Prevalência de sinais/sintomas sugestivos de sensibilização ao látex em profissionais de saúde*

 

Prevalencia de señales/síntomas sugestivos de sensibilidad al l átex en profesionales de la salud

 

 

Lígia Andrade da Silva Telles Mathias, TSAI; Marcos P F BotelhoII; Laudinely M de OliveiraIII; Silvio J B YamamuraIII; Renato L G BonfáIV; Solange MarsuraV

IDiretora do Serviço e Disciplina de Anestesiologia, ISCMSP e Faculdade de Ciências Médicas da ISCMSP de São Paulo; Responsável pelo CET/SBA da ISCMSP
IIMédico Residente de Radiologia da ISCMSP
IIIME do CET/SBA da ISCMSP
IVMédico Residente de Cirurgia da ISCMSP
VEnfermeira Gestora do Centro Cirúrgico da ISCMSP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: As referências na literatura sobre reações aos derivados do látex têm aumentado significativamente nos últimos anos. Faltam, entretanto, dados do nosso país relativos à prevalência de sensibilização ao látex nos profissionais da área da saúde. O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de sinais/sintomas sugestivos de sensibilização ao látex em profissionais da área da saúde.
MÉTODO: Após aprovação pelo Comitê de Ética foram selecionados indivíduos pertencentes ao quadro da instituição: funcionários do Setor de Limpeza, Contabilidade e Divisão de Enfermagem do Centro Cirúrgico; Médicos da Cirurgia, Ginecologia, Obstetrícia, Anestesiologia, Unidade de Terapia Intensiva e Clínica Médica. Após consentimento informado, os indivíduos foram submetidos a um questionário sobre: idade, sexo, categoria profissional; tipo e tempo de contato profissional com derivados do látex; tipo de luva; sinais/sintomas sugestivos de sensibilização ao látex dentro e fora do ambiente hospitalar; sinais/sintomas sugestivos de atopia e de alergia a alimentos.
RESULTADOS: Foram avaliados 326 questionários (193 mulheres e 133 homens, com idade entre 30 e 73 anos). Setenta e cinco por cento dos entrevistados apresentaram até 10 anos de tempo na profissão. A prevalência dos sinais/sintomas sugestivos de sensibilização ao látex dentro do ambiente hospitalar em relação aos grupos compostos pelos funcionários do Setor de Contabilidade (não expostos a derivados do látex no ambiente de trabalho) e o restante dos indivíduos (expostos a derivados do látex no ambiente de trabalho) mostrou diferença significativa (p < 0,001). A porcentagem de sinais/sintomas sugestivos de sensibilização ao látex no ambiente hospitalar foi maior nos indivíduos com maior tempo médio de uso de luvas por dia.
CONCLUSÕES: Este estudo mostrou maior prevalência de sinais/sintomas sugestivos de sensibilização ao látex entre os profissionais expostos aos derivados do látex em ambiente hospitalar e com maior tempo de contato com luvas de qualquer tipo. Assim, torna-se clara a necessidade de se prosseguir esta pesquisa, para confirmação laboratorial da sensibilização ao látex, assim como propor à Instituição a adoção de medidas de prevenção da sensibilização ao látex. Deve haver conscientização de que profissionais da área da saúde constituem uma população de risco para alergia aos derivados do látex.

Unitermos: ALERGIA: látex; DOENÇAS: ocupacional; HIPER-SENSIBILIDADE: látex.


RESUMEN

JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: Las referencias en la literatura sobre reacciones a los derivados del látex han aumentado significativamente en los últimos años. Sin embargo faltan datos de nuestro país relativos a la prevalencia de sensibilidad al látex en los profesionales del área de la salud. El objetivo de este estudio fue el de evaluar la prevalencia de señales/síntomas sugestivos de sensibilidad al látex en profesionales del área de la salud.
MÉTODO: Después de aprobado por el Comité de Ética, se seleccionaron individuos pertenecientes a la plantilla de la institución: funcionarios del Sector de Limpieza, Contabilidad y División de Enfermería del Centro Quirúrgico; Médicos de Cirugía, Ginecología, Obstetricia, Anestesiología, Unidad de Terapia Intensiva y Clínica Médica. Después de recibir la información y consentir con la pesquisa, los individuos fueron sometidos a un cuestionario sobre: edad, sexo, categoría profesional; tipo y tiempo de contacto profesional con los derivados del látex; tipo de guante utilizado; señales/síntomas sugestivos de sensibilidad al látex dentro y fuera del ambiente hospitalario; señales/síntomas sugestivos de atopia y de alergia a alimentos.
RESULTADOS: Fueron evaluados 326 cuestionarios (193 mujeres y 133 hombres, con edad entre 30 y 73 años). Un 75% de los encuestados tenían 10 años de profesión. La prevalencia de los señales/síntomas sugestivos de sensibilidad al látex dentro del ambiente hospitalario con relación a los grupos compuestos por los funcionarios del Sector de Contabilidad (no expuestos a derivados del látex en el ambiente de trabajo), y el resto de los individuos (expuestos a derivados del látex en el ambiente de trabajo), evidenció una diferencia significativa (p < 0,001). El porcentaje de señales/síntomas sugestivos de sensibilidad al látex en el ambiente hospitalario fue más alto en los individuos con mayor tiempo promedio de uso de guantes por día.
CONCLUSIONES: Ese estudio mostró una mayor prevalencia de señales/síntomas sugestivos de sensibilidad al látex entre los profesionales expuestos a los derivados del látex en ambiente hospitalario y con un mayor tiempo de contacto con guantes de cualquier tipo. De esa forma, queda muy clara la necesidad de proseguir con esa investigación para la confirmación en laboratorio de la sensibilidad al látex, como también proponer a la Institución la adopción de medidas de prevención para la sensibilidad al látex. Debe haber una concientización de que profesionales del área de la salud constituyen una población de riesgo para alergia a los derivados del látex.


 

 

INTRODUÇÃO

O látex é uma seiva extraída principalmente da Hevea brasiliensis, árvore originária da Amazônia e é constituído por poliisopreno, lípides, fosfolípides e proteínas 1.

A primeira referência de reação do tipo alérgico aos derivados do látex (RL) data de 1933 2, e descrevia reação cutânea localizada. Somente na década de 1980 surgiram os primeiros relatos de urticária generalizada, asma e anafilaxia 3,4. Desde então, essas ocorrências têm sido cada vez mais relatadas em todo o mundo, mostrando incidência variável de reações aos derivados do látex de 2,9% a 73%, dependendo da população estudada 5,6.

As proteínas do látex natural e processado constituem os alérgenos causadores da maioria das reações aos derivados do látex 7,8. As luvas de látex são consideradas o principal derivado do látex (DL) determinante do aumento da sensibilização (SL), não havendo padrão da sua constituição química. As luvas de látex com talco contêm, geralmente, quantidade maior de proteína e níveis alergênicos maiores 7.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento das RL são a atopia 4,7,9, a alergia a determinados alimentos 6,10,11 e a história de múltiplas exposições aos DL 2,5,12-14.

Exposições múltiplas aos DL são comumente encontradas em trabalhadores que as utilizam no exercício da profissão (cabeleireiras, profissionais da indústria de alimentos) ou que manipulam o látex e seus derivados 2; crianças com malformação do tubo neural, em especial meningomielocele 5,13,14; pacientes submetidos a múltiplas intervenções cirúrgicas, com sondagens vesicais de repetição 2 e profissionais ou funcionáriosda área da saúde 12,15-18.

Muitos produtos hospitalares e alguns especificamente utilizados durante anestesia e cirurgia são derivados do látex e, com isso, aumentam as possibilidades de sensibilização ao látex entre os profissionais da área da saúde 12. Estão incluídos nesse grupo os médicos, os dentistas, os profissionais da enfermagem, da nutrição e da limpeza. Várias pesquisas, procurando verificar a prevalência de alergia ao látex nos profissionais da saúde, utilizaram questionários sobre sinais e sintomas sugestivos de RL ou SL dentro e fora do ambiente de trabalho e reações alérgicas a alimentos 16-20. Na maioria dessas pesquisas, após análise dos questionários, os casos suspeitos de SL foram encaminhados para testes laboratoriais, para confirmação diagnóstica. Os resultados mostraram prevalência de SL variável, de 0,5% a 24% 16-20. Entre os anestesiologistas, a incidência de sensibilização variou de 12,5% a 15,8%, sendo que 10,1% eram assintomáticos e 24% apresentavam dermatite de contato ou irritativa aos DL 2,15.

No Brasil, até 1996, existiam poucos relatos de reação ao látex 21,22. Desde então este número vem aumentando progressivamente. À semelhança do que aconteceu em outros países, o Brasil parece estar, no momento, na fase inicial de aumento do número de casos de SL 7,23-35.

Entretanto, os dados epidemiológicos brasileiros relativos à prevalência de SL em profissionais da saúde ainda são escassos. Por essa razão, realizou-se esta pesquisa, cujo objetivo foi avaliar a prevalência de história sugestiva de SL em profissionais da área da saúde.

 

MÉTODO

Após aprovação pelo Comitê de Ética Médica e Pesquisa do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi iniciada a pesquisa que constou inicialmente da escolha dos profissionais da saúde das diversas áreas da Instituição: funcionários dos setores de contabilidade, de limpeza, da divisão de enfermagem do centro cirúrgico, médicos dos departamentos de clínica médica, cirurgia, ginecologia e obstetrícia, do serviço de Anestesiologia e da unidade de terapia intensiva (UTI).

Após contato com as chefias de cada uma das áreas envolvidas, os pesquisadores foram às reuniõesdos diferentes grupos, onde foi explicada a pesquisa a todos profissionais que foram então convidados a participar, num universo de aproximadamente 500 indivíduos.

Após explicação detalhada do estudo e consentimento em participar, os indivíduos foram submetidos a um questionário padronizado do qual constaram perguntas dirigidas a:

1. Idade, sexo, categoria profissional;

2. Tipo e tempo de contato profissional com DL;

3. Luva utilizada: de limpeza, de procedimento (não estéril), cirúrgica; com ou sem talco;

4. Sinais ou sintomas sugestivos de SL dentro do ambiente hospitalar (quadro clínico, freqüência, tempo de início);

5. Sinais ou sintomas sugestivos de atopia, de alergia a alimentos e de alergia a DL de uso extra-hospitalar (quadro clínico e freqüência);

6. Sinais ou sintomas de alergia quando em uso de medicação; empregos anteriores;

7. Número de cirurgias anteriores; intercorrências durante o ato anestésico-cirúrgico anterior.

Foram excluídos os profissionais que faziam uso de medicamentos anti-histamínicos e/ou corticosteróides cronicamente e aqueles que por motivos diversos não exerciam suas funções habituais nos locais de trabalho.

Os profissionais foram separados em dois grupos:

Grupo composto pelos funcionários da contabilidade, não exposto a DL dentro do ambiente hospitalar, considerado grupo controle - GC;

O restante dos indivíduos considerado expostos aos DL no ambiente hospitalar - GE.

Foram utilizados os testes Exatode Fisher (sexo, sinais/sintomas sugestivos de SL fora do hospital, de atopia, de alergia a alimentos e uso de luvas de limpeza), Qui-quadrado (uso de luvas cirúrgicas e de procedimento) e Kruskal-Wallis (idade, tempo de profissão e tempo de uso de luvas), e na análise descritiva, mediana, uma vez que as variáveis não apresentavam distribuição normal.

Na análise dos resultados, em relação a precedentes sugestivos de atopia, possibilidade de sensibilização aos DL dentro do ambiente de trabalho, de alergia a alimentos e a DL de uso extra-hospitalar, considerou-se:

Resposta negativa: ausência de qualquer sinal/sintoma ou presença de apenas um sinal/sintoma, cuja freqüência relatada foi de algumas vezes 36.

Resposta positiva: presença de dois ou mais sinais / sintomas 36.

Foi considerada diferença estatística significativa quando p < 0,05.

 

RESULTADOS

Foram avaliados 326 questionários, respondidos por 193 mulheres e 133 homens.

Os valores relativos à idade, tempo na profissão, tempo de uso de luvas/dia e número de intervenções cirúrgicas foram analisados como mediana, porque não apresentaram distribuição normal (Tabela I).

 

 

Em relação à variável tempo na profissão, houve um intervalo muito grande de tempo entre valor mínimo e máximo, mas a maior parte dos entrevistados (75%) apresentou entre zero e 10 anos de tempo na profissão.

As variáveis empregos anteriores, sinais/sintomas de alergia quando em uso de medicação e intercorrências durante ato anestésico-cirúrgico anterior foram desconsideradas na análise dos resultados, por não terem sido respondidas pela maioria dos entrevistados de todos os setores e categorias profissionais (> 95%).

A distribuição dos entrevistados em relação à categoria profissional e respectiva porcentagem em relação ao total encontra-se na tabela II.

 

 

A prevalência dos sinais/sintomas sugestivos de SL dentro do ambiente hospitalar foi analisada comparativamente entre o grupo controle (GC) e o restante dos indivíduos considerado expostos aos DL (GE) (Tabela III). Houvediferença entre os grupos (p < 0,001), com maior número de indivíduos com sinais/sintomas sugestivos de SL dentro do ambiente hospitalar no grupo GE.

 

 

Na tabela IV pode-se observar a prevalência de indivíduos com e sem sinais/sintomas sugestivos de SL dentro do ambiente hospitalar em relação às diversas variáveis estudadas e o valor de p das análises estatísticas respectivas. Todos os entrevistados que referiram uso de luvas de procedimento e cirúrgicas, utilizaram luvas com talco.

 

 

A figura1 apresenta a porcentagem de indivíduos com sinais/sintomas sugestivos de SL no ambiente hospitalar de acordo com a categoria profissional.

 

 

Na análise da porcentagem de sinais/sintomas sugestivos de SL no ambiente hospitalar e o tempo de uso de luvas por dia (h), em relação à categoria profissional, (Figura 2), verificou-se que os grupos com maior porcentagem de sinais/sintomas sugestivos de SL, foram aqueles com maior tempo médio de uso de luvas.

 

 

DISCUSSÃO

Vários estudos estimam os custos da alergia ao látex como doença ocupacional, envolvendo tanto os profissionais da saúde, que ficam impedidos de exercerem suas funções, como as instituições 2,12,19,36,37. Os custos abrangem investigação laboratorial, substituição do tipo de luva (com talco para sem talco ou para outro material que não DL), troca de equipamentos, instalação de filtros especiais de ar condicionado, transferência de local de trabalho dos funcionários sensibilizados e todos os transtornos que advêm disso.

No Brasil pouco tem sido divulgado em relação ao assunto. Namaioria dos estudos não se considera a alergia ao látex como doença ocupacional,mas há relatos de casos ou estudos de pacientes com reação anafilática ao látex 21-35.

Existem duas causas de reações ao látex, alérgicas ou imunológicas (reações de hipersensibilidade tipos I e IV) e não alérgicas (irritativas). A reação de hipersensibilidade tipo I é devida à sensibilização às proteínas do látex, com quadro clínico variado, desde edema localizado até choque anafilático e óbito 1,12. Na reação do tipo IV, ocorre dermatite de contato. Inicialmente aparecem lesões eritemato-papular-vesiculosas, seguidas de descamação da epiderme e liquenificação, podendo haver piora do quadro cutâneo. Em indivíduos atópicos, provocam reações localizadas ou anafiláticas. As dermatites de contato podem ser devidas ao látex, aos irritantes primários utilizados na manufatura dos derivados do látex, ou ao talco existente nas luvas 1,12. Na reação ao látex não-imunológica, o quadro clínico é cutâneo, sendo determinado pelo contato contínuo e prolongado com DL. Suspenso o contato, a sintomatologia desaparece, podendo voltar caso ocorra nova exposição 1,12.

É importante salientar que, mesmo nos casos de reações tipo IV e irritativa, quando o quadro cutâneo se agrava, pode ocorrer solução de continuidade da pele, pelas lesões agudas ou crônicas da dermatite, com maior possibilidade de sensibilização às proteínas do látex e posterior reação tipo I.

Neste estudo, embora não tenham sido realizados testes laboratoriais para confirmação da SL, os resultados mostraram maior prevalência de sinais/sintomas sugestivos de SL nos profissionais com maior exposição aos DL no ambiente hospitalar (p < 0,001). Esses resultados são similares aos da literatura internacional e sugerem que possa estar ocorrendo SL na população estudada, de modo dependente do grau de exposição aos DL, principalmente luvas 15,17,36,38,39.

O uso de luvas de procedimento, cirúrgica ou de limpeza esteve sempre relacionado à maior prevalência de profissionais com sinais/sintomas sugestivos de SL nesta pesquisa (p < 0,001). Em relação ao uso de luvas com talco e sem talco, todos os profissionais médicos e da enfermagem utilizaram luvas com talco, o que invalidou a comparação realizada em vários estudos que verificaram que as luvas com talco levam à maior SL 2,8,40-41. No entanto, este fato (100% uso de luvas com talco) denota que a população avaliada nesta pesquisa é de maior risco de SL.

Além disso, o grupo com maior prevalência de sinais/sintomas sugestivos de SL no ambiente hospitalar também apresentou diferença em relação a sinais/sintomas sugestivos de alergia a alimentos (p < 0,001), o que é referido por diferentes autores, como sensibilização cruzada látex-alimentos 6,7,10,11,42.

A relação entre o grupo de profissionais da saúde com possível SL e presença de sinais/sintomas sugestivos de atopia, mostrou diferença significativa, concordando com a literatura que cita a atopia como fator de risco de SL 4,7,17.

No Brasil foram empregadas luvas reutilizáveis até a década passada, enquanto nos EUA e países europeus utilizam luvas descartáveis há muito mais tempo. É descrito que na luva reutilizada, pelo próprio processo de limpeza e esterilização sucessivas, ocorre perda progressiva das proteínas antigênicas 2. Assim, neste estudo em que a população foi constituída por adultos, é plausível não ter sido evidenciada relação número de intervenções cirúrgicas anteriores e sinais/sintomas sugestivos de SL, uma vez que muitas ou pelo menos algumas delas podem ter ocorrido na época em que as luvas eram reutilizadas com menor SL. Esse resultado difere dos encontrados por autores que estudaram SL em crianças, principalmente aquelas com malformações do tubo neural e concluíram ser o número de intervenções cirúrgicas anteriores fator de risco importante de SL, ressaltandonessas pesquisas que as luvas utilizadas eram descartáveis 5,13,14.

O grupo de profissionais da saúde com possível SL apresentou maior prevalência de sinais/sintomas sugestivos de SL em ambiente extra-hospitalar (p < 0,001), o que reforça a idéia que esses profissionais devem ser alertados e encaminhados a um especialista.

Os resultados encontrados demonstraram a necessidade de prosseguimento da pesquisa, com testes laboratoriais paraconfirmação diagnóstica de sensibilização ao látex 9,43,44.

Este estudo não teve o objetivo de verificar a prevalência de profissionais da saúde com SL, porque emnossa Instituição, como na maioria dos hospitais brasileiros, ainda não estavam disponíveis testes cutâneos e de radioimunoensaio para látex. No entanto, apesar da limitação, avaliando a prevalência de sinais/sintomas sugestivos de sensibilização, em vez da sensibilização propriamente dita, os resultados servem como um alerta para um problema pouco valorizado no Brasil. A implementação de medidas de prevenção da sensibilização ao látex e divulgação da alergia ao látex como doença ocupacional, à semelhança de outros países, deve ser estimulada 19,40-42,45.

 

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Endereço para correspondência
Dra. Lígia Andrade da Silva Telles Mathias
Alameda Campinas, 139/41
01404-000 São Paulo, SP
E-mail: rtimao@uol.com.br

Apresentado em 10 de junho de 2005
Aceito para publicação em 09 de Janeiro de 2006

 

 

* Recebido do CET/SBA, Serviço de Anestesiologia da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP), São Paulo, SP.