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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.56 no.2 Campinas Mar/Apr. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942006000200013 

CARTAS AO EDITOR

 

Estudo radiológico da dispersão de diferentes volumes de anestésico local no bloqueio de plexo braquial pela via posterior

 

 

Sra. Editora,

Agradeço a oportunidade de acrescentar alguns comentários ao trabalho de Cruvinel e col.1. Acidentes anatômicos de percurso podem interferir na distribuição da solução anestésica durante o bloqueio plexular braquial por qualquer abordagem. A anestesia paravertebral não é recente. Em 1912, Max Kappis, cirurgião alemão, entusiasmado pelo feito de seu colega Läwen de ter realizado uma nefrectomia sob bloqueio anestésico paravertebral, expandiu a técnica com novocaína, 5 mL em cada abordagem ao processo transverso vertebral, para cirurgias do membro superior e região cervical (paravertebral cervical), toracotomias e cirurgias de mama (paravertebral torácica), laparotomias associadas ao bloqueio direto do gânglio celíaco e herniorrafias inguinais (paravertebral abdominal) 2. Quase 80 anos depois, os italianos Pippa e col. 3 re-introduziram a prática do bloqueio paravertebral cervical de Kappis ao arsenal da anestesia regional sobre o plexo braquial. Na realidade, a denominação mais apropriada deveria ser bloqueio braquial interescalênico por via posterior 4. Não apenas a técnica de administração como também variados volumes anestésicos têm apresentado diversos resultados. Isto pode ser depreendido do trabalho de Cruvinel e col. 1 em que administrando por cateter um volume de 10 mL de anestésico e contraste (Figura 5), este último mimetizou uma distribuição plexular mais abrangente do que com um volume de 30 mL (Figura 2) por injeção única, provando que a injeção via cateter proporciona uma dispersão de melhor qualidade com menor volume. Já com volumes únicos variando entre 20 mL e 40 mL, a diferença de dispersão apresentou variações mínimas. Outro dado importante deste tipo de bloqueio é a inconstância de atingir o nervo ulnar [(C7),C8,T1]. Aliás, este fato é apanágio especialmente das abordagens supra-claviculares por qualquer via onde o contribuinte T1 não é eficazmente anestesiado, respectivamente em 40% 1 e 32% 5 dos casos.

Atenciosamente,
Karl Otto Geier

 


 

Réplica

 

 

Prezada editora, agradecemos o interesse demonstrado pelo Dr. Geier pelo nosso trabalho. Acreditamos que as contribuições por ele realizadas são extremamente relevantes. Também nos parece mais correta a denominação de bloqueio do plexo braquial interescalênico via posterior, embora denominações como bloqueio do plexo braquial por via posterior ou bloqueio paravertebral cervical também estejam corretas. A observação do Dr. Geier a cerca da dispersão do anestésico local é correta para os casos citados. Se há repetição sistemática desse padrão, nós não podemos afirmar baseado no trabalho realizado. A confirmação dessa assertiva deverá ser objeto de estudos subseqüentes.

Atenciosamente,

Marcos Guilherme Cunha Cruvinel, TSA
Carlos Henrique Viana de Castro, TSA
Yerkes P. Silva
Flávio Lago
Flávio França

 

REFERÊNCIAS

01. Cruvinel MGC, Castro CHV, Silva YP et al – Estudo radiológico da dispersão de diferentes volumes de anestésico local no bloqueio de plexo branquial pela via posterior. Rev Bras Anestesiol, 2005;55:508-516.

02. Kappis M – Ueber leitungsanästhesie an bauch, brust, arm und hals durch injektion aus foramen intervertebrale. Muenchener Medizinische Wochenschrift 1912;15:794-796.

03. Pippa P, Cominelli E, Marinelli C et al – Brachial plexus block using the posterior approach. Eur J Anaesthesiol, 1990;7:411-420

04. Dagli G, Guzeldemir ME, Acar HV – The effects and side effects of interscalene brachial plexus block by posterior approach. Reg Anesth Pain Med, 1998;23:87-91.

05. Sandefo I, Iohom G, Elstraete AV et al - Clinical efficacy of the brachial plexus block via the posterior approach. Reg Anesth Pain Med, 2005;30:238-242.