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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.57 no.3 Campinas May/June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942007000300012 

CARTA AO EDITOR

 

Densidade relativa de uma solução. Desmistificando conceitos

 

 

Prezada Editora,

Os anestesiologistas controlam o nível da analgesia espinal com ajuda da densidade relativa, pelo fato do anestésico local ser mais ou menos denso comparado com o líquido cefalorraquidiano (LCR).

Diversos termos (massa específica ou densidade absoluta, peso específico, densidade relativa) são freqüentemente usados e inter-relacionados para descrever as características das soluções dos anestésicos utilizados para raqui-anestesia. Portanto, é importante definirmos o que são: densidade absoluta, peso específico e densidade relativa. Densidade absoluta (r) de uma substância é o quociente da massa (m) de uma porção de substância pelo volume (V) que ela ocupa. Peso específico (d) de uma substância é a razão do peso (P) de uma porção dessa substância pelo volume (V) que ela ocupa. Densidade relativa é a razão da massa específica (densidade absoluta) de uma substância pela massa específica de outra substância tomada como referência. Dessa forma, a densidade relativa é um número puro (grandeza adimensional). Ao se afirmar que o mercúrio é mais pesado (mais denso) que a água, isso quer dizer que um certo volume de mercúrio é mais pesado que um igual volume de água e, assim, podemos referir que a densidade relativa é o número de vezes que uma substância é mais pesada que igual volume de água, considerando-se a mesma aceleração da gravidade (a densidade relativa também pode ser escrita como: d = P/Po — quando os corpos têm volumes iguais, sendo Po o peso da substância referência).

A densidade absoluta tem por unidade, no Sistema Internacional de Unidades (SI), o kilograma por metro cúbico (kg/m³). São usadas também outras unidades, como o grama por centímetro cúbico (g/cm³) e o kilograma por litro (kg/L). Essas unidades são assim padronizadas, pois trabalhamos com matérias em diferentes estados físicos: sólido, líquido e gasoso.

Geralmente, a densidade relativa dos sólidos e líquidos é definida em relação à água a 4°C (densidade absoluta da água a 4°C = 1 g/cm³ = 1 kg/L = 10³ kg/m³). Logicamente, é possível tomar outros padrões de referência que não a água. A densidade relativa dos gases é, comumente, referida em relação ao oxigênio.

Acreditamos que para entender as dispersões das diversas soluções dos anestésicos locais, o correto seria compararmos as duas densidades relativas (anestésico e LCR). Para isso, as empresas deveriam dizer as densidades relativas dos anestésicos (comparativamente à água a 4°C), logicamente tomando o LCR como a 37°C. Assim, podemos observar os seus valores e afirmarmos que uma delas apresenta ou não uma densidade relativa maior que a outra. O termo baricidade não é muito adequado, já que o mesmo dá idéia de pressão (observe que a massa específica de um gás varia consideravelmente com a pressão, mas não a massa específica de um líquido, ou seja, gases são facilmente compressíveis, mas líquidos não. Assim, o termo seria mais bem aplicado ao estudo dos gases).

Para que pudéssemos entender definitivamente a dispersão das diferentes soluções dos anestésicos locais, seria importante que a indústria disponibilizasse a densidade relativa do agente anestésico em relação à água a 4°C ou em relação ao líquor e em qual temperatura.

 

Atenciosamente,
Luiz Eduardo Imbelloni, TSA
Marildo A. Gouveia, TSA
Rogean Rodrigues Nunes, TSA — graduando em Engenharia Eletrônica

 

REFERÊNCIAS

01. Halliday D, Resnick R, Walker R — Fundamentos de Física, 6ª Ed, Rio de Janeiro, LTC, 2002;v.2;48-49.

02. Calçada CS, Sampaio JL — Física Clássica: Termologia, Fluidomecânica e Análise Dimensional, 2ª Ed, São Paulo, Editora Atual, 1998;1-2.

03. Serway RA — Física para Cientistas e Engenheiros, 3ª Ed, Rio de Janeiro, LTC, 1996;332-333.