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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.58 no.1 Campinas Jan./Feb. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942008000100007 

INFORMAÇÃO CLÍNICA

 

Bloqueio dos nervos ilioinguinal e iliohipogástrico guiado por ultra-sonografia associado à anestesia geral. Relato de caso*

 

Bloqueo de los nervios íleoinguinal e íleohipogástrico guiado por ultrasonografía asociado a anestesia general. Relato de caso

 

 

Diogo Brüggemann da Conceição; Pablo Escovedo Helayel, TSA

Anestesiologista do CET Integrado de Anestesiologia da SES-SC; Membro do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Anestesia Regional do HGCR

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Procedimentos cirúrgicos realizados em regime ambulatorial estão se tornando mais freqüentes. O bloqueio dos nervos ilioinguinal e iliohipogástrico tem sido usado para analgesia pós-operatória de pacientes submetidos à herniorrafia inguinal em regime ambulatorial. A ultra-sonografia auxilia as técnicas de anestesia regional possibilitando mais precisão no depósito do anestésico local ao redor dos nervos. O objetivo deste relato foi apresentar um caso de bloqueio dos nervos ilioinguinal e iliohipogástrico guiado por ultra-sonografia em paciente agendado para herniorrafia inguinal em regime ambulatorial.
RELATO DO CASO: Paciente do sexo masculino, 36 anos, 74 kg, estado físico ASA I, agendado para realização de herniorrafia inguinal. Foi realizado o bloqueio dos nervos ilioipogástrico e ilioinguinal guiado por ultra-sonografia com ropivacaína a 0,5% e, em seguida, realizada anestesia venosa total. O paciente recebeu alta hospitalar quatro horas após o procedimento com escore de dor avaliado pela Escala Analógica Verbal de 3.
CONCLUSÕES: O bloqueio dos nervos iliohipogástrico e ilioinguinal guiado por ultra-sonografia em pacientes submetidos à herniorrafia inguinal em regime ambulatorial pode ser utilizado no auxílio do controle da dor pós-operatória.

Unitermos: CIRURGIA, Geral: herniorrafia inguinal; TÉCNICAS ANESTÉSICAS, Regional: bloqueio ilioinguinal, bloqueio iliohipogástrico.


RESUMEN

JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: Procedimientos quirúrgicos realizados en régimen ambulatorial se están convirtiendo cada vez más frecuentes. El bloqueo de los nervios íleoinguinal e íleohipogástrico ha sido usado para la analgesia postoperatoria de pacientes sometidos a la herniorrafia inguinal en régimen ambulatorial. La ultrasonografía auxilia las técnicas de anestesia regional posibilitando una mayor precisión en el depósito del anestésico local el rededor de los nervios. El objetivo de este relato fue presentar un caso de bloqueo de los nervios íleoinguinal e íleohipogástrico guiado por ultrasonografía en paciente a realizar herniorrafia inguinal en régimen ambulatorial.
RELATO DEL CASO: Paciente del sexo masculino, 36 años, 74 kg, estado físico ASA I, listo para la realización de herniorrafia inguinal. Fue realizado el bloqueo de los nervios íleohipogástrico e íleoinguinal guiado por ultrasonografía con ropivacaína a 0,5% y enseguida fue realizada anestesia venosa total. El paciente tuvo alta 4 horas después del procedimiento con puntuación de dolor evaluado por la Escala Analógica Verbal de 3.
CONCLUSIONES: El bloqueo de los nervios íleohipogástrico e íleoinguinal guiados por ultrasonografía en pacientes sometidos a herniorrafia inguinal en régimen ambulatorial, puede ser utilizado en el auxilio del control del dolor postoperatorio.


 

 

INTRODUÇÃO

Os procedimentos cirúrgicos realizados em regime ambulatorial estão se tornando mais freqüentes em virtude do desenvolvimento de técnicas cirúrgicas menos invasivas, da melhora no controle da dor pós-operatória e da necessidade de diminuição de custos 1.

O bloqueio dos nervos ilioinguinal (II) e iliohipogástrico (IH) tem sido usado para auxiliar a analgesia pós-operatória e a alta precoce do paciente submetido à herniorrafia inguinal em regime ambulatorial.

A maioria das técnicas descritas para o bloqueio desses nervos é realizada com base em referências anatômicas através de cliques fasciais com falhas superiores a 20% na população pediátrica 2. O desenvolvimento de transdutores para ultra-sonografia de alta freqüência tornou possível a visualização de nervos superficiais 3. Recentemente, foi descrita técnica para bloqueio seletivo dos nervos II e IH guiado por ultra-sonografia 4.

O objetivo deste trabalho foi relatar bloqueio dos nervos ilioinguinal e iliohipogástrico guiado por ultra-sonografia em um paciente agendado para herniorrafia inguinal em regime ambulatorial.

 

RELATO DO CASO

Paciente do sexo masculino, 36 anos, 74 kg, 1,75 m, estado físico ASA I, agendado para herniorrafia inguinal direita.

Após a instalação de monitoração (cardioscópio, pressão arterial não-invasiva e oxímetro de pulso) e sedação com midazolam (0,05 mg.kg-1) foi realizado bloqueio dos nervos II e IH guiado por ultra-sonografia, como descrito por Eichenberger e col. 4.

Para a sua realização foi utilizado um aparelho de ultra-sonografia convencional (Sonoace 8000 SE – Medsom) com um transdutor linear de 4 cm banda larga (7-12 MHz).

Com o paciente em decúbito dorsal, o transdutor foi posicionado cerca de 5 cm acima da espinha ilíaca ântero-superior direita em leve rotação de um plano transversal para oblíquo (Figura 1), de modo que ficasse perpendicular ao trajeto anatômico dos nervos. A parte lateral do transdutor ficou sobre a crista ilíaca. Após a localização de ambos os nervos entre os músculos oblíquo interno e transverso do abdome (Figura 2), foi inserida agulha não-cortante de 5 cm (Plexufix – B-Braun) transversalmente ao transdutor e injetados 10 mL de ropivacaína a 0,5% em cada nervo. Após 15 minutos avaliou-se a sensibilidade cutânea na região da incisão pelo teste com ponta de agulha 27G, no qual o paciente referiu parestesia.

 

 

 

 

A anestesia cirúrgica foi realizada com infusão-alvo controlada de propofol (Diprifusor – Astra Zeneca) e alfentanil 20 µg.kg-1. Para a manutenção da via aérea foi utilizada máscara laríngea número 4 e ventilação controlada ciclada a pressão. Foram administrados 40 mg de tenoxicam por via venosa 20 minutos antes do término do procedimento.

A analgesia foi avaliada a cada 30 minutos pela Escala Analógica Verbal. O paciente recebeu alta hospitalar quatro horas após o término do procedimento com VAS de 3. Nenhum outro analgésico foi administrado.

 

DISCUSSÃO

Um dos critérios de alta para pacientes em regime ambulatorial é o controle adequado da dor pós-operatória. O uso da anestesia regional é uma das formas empregadas para esse fim. O bloqueio dos nervos II e IH é muito utilizado para analgesia pós-operatória em pacientes pediátricos com bons resultados 2. Seu uso em pacientes adultos vem crescendo em decorrência do aumento de herniorrafia inguinal realizada em regime ambulatorial 5.

As técnicas habitualmente utilizadas para esses bloqueios são realizadas com base em referências anatômicas, por meio de cliques fasciais, utilizando grandes volumes de anestésico local e são relativamente não-seletivas 5, tendo como conseqüência falhas superiores a 20% em pacientes pediátricos 2.

O uso da ultra-sonografia no auxílio aos bloqueios periféricos vem aumentando 3. Ela permite a visualização direta de nervos, a detecção de variações anatômicas e evita lesões a estruturas adjacentes ao nervo 3.

A técnica utilizada para o bloqueio dos nervos II e IH 4 permite o bloqueio seletivo de cada um dos nervos. O local de injeção, cerca de 5 cm acima da espinha ilíaca ântero-superior, permite uma fácil orientação ultra-sonográfica, pois nesse ponto todas as três camadas musculares da parede abdominal estão presentes 6 e podem ser visualizadas. Os nervos II e IH em 95% dos casos, nesse ponto, se encontram entre os músculos oblíquo interno e transverso do abdome 4.

Concluindo, o bloqueio seletivo dos nervos ilioinguinal e iliohipogástrico possibilitou, nesse caso, boa qualidade de analgesia e a alta precoce do paciente. O uso da ultra-sonografia no auxílio de técnicas para anestesia regional promove mais precisão na deposição do anestésico local, levando a maior segurança para o paciente e para o anestesiologista.

 

REFERÊNCIAS

01. Cangiani LM – Anestesia Ambulatorial: Conceito e Aspectos Gerais, em: Cangiani LM – Anestesia Ambulatorial. São Paulo, Atheneu, 2001;3-26.        [ Links ]

02. Lim SL, Ng Sb A, Tan GM – Ilioinguinal and iliohypogastric nerve block revisited: single shot versus double shot technique for hernia repair in children. Paediatr Anaesth, 2002;12:255-260.        [ Links ]

03. Marhofer P, Greher M, Kapral S – Ultrasound guidance in regional anesthesia. Br J Anaesth, 2005;94:7-17.        [ Links ]

04. Eichenberger U, Greher M, Kirchmair L et al. – Ultrasound-guided blocks of the ilioinguinal and iliohypogastric nerve: accuracy of a selective new technique confirmed by anatomical dissection. Br J Anaesth, 2006;97:238-243.        [ Links ]

05. Toivonen J, Permi J, Rosenberg PH – Effect of preincisional ilioinguinal and iliohypogastric nerve block on postoperative analgesic requirement in day-surgery patients undergoing herniorrhaphy under spinal anaesthesia. Acta Anaesthesiol Scand, 2001;45:603-607.        [ Links ]

06. Gardner E – Nervos do Abdome, em: Gardner E, Gray DJ, O'Rahilly – Anatomia: Estudo Regional do Corpo Humano. 2ª Ed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1967;487-493.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Dr. Diogo Brüggemann da Conceição
Rua Bocaiúva, 1.659/1.103
88015-530 Florianópolis, SC
E-mail: diconceicao@hotmail.com

Apresentado em 9 de novembro de 2006
Aceito para publicação em 24 de setembro de 2007

 

 

* Recebido do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Anestesia Regional do Hospital Governador Celso Ramos (HGCR), CET Integrado de Anestesiologia da SES-SC, Florianópolis, SC