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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094On-line version ISSN 1806-907X

Rev. Bras. Anestesiol. vol.58 no.5 Campinas Sept./Oct. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942008000500014 

CARTAS AO EDITOR

 

Estudo comparativo entre bupivacaína racêmica (S50-r50) a 0,125% e bupivacaína em excesso enantiomérico de 50% (S75-R25) a 0,125% e 0,25% em anestesia peridural para analgesia de parto

 

 

A soberania da Clínica: um dado de realidade

Senhora Editora,

O estudo conduzido por Duarte e col. 1 veio referendar o embasamento teórico pelo qual o composto bupivacaína em excesso enantiomérico ou mistura enantiomérica da bupivacaína foi concebido.

Quando criamos essa mistura, direcionamos a fase pré-clínica para investigar se o manuseio dos isômeros seria factível quanto à capacidade de bloquear o nervo. Para tanto, o nervo ciático de rato foi utilizado. Confirmada a atividade anestésica local, a "certidão de nascimento" da bupivacaína em excesso enantiomérico ou mistura enantiomérica da bupivacaína apareceu no Regional Anesthesia and Pain Medicine, em 1999 2 e foi "apadrinhada" pelo trabalho de Trachez e col. no Acta Anaesthesiologica Scandinavica, em 2005 3. Ambos os estudos básicos foram realizados com a mistura na concentração de 0,5%, a qual foi capaz de bloquear fibras motoras e induzir analgesia. Restava ainda demonstrar se haveria minimização da cardiotoxicidade, pois teoricamente o isômero direito seria o responsável pela maior afinidade para os canais de sódio, sobretudo das células cardíacas e, por isso, reduzido, proporcionalmente, com relação ao antípoda, o isômero canhoto. E Trachez e nós encontramos redução da toxicidade desse composto em preparações diferentes no rato sob variáveis hemodinâmicas e eletrofisiológicas 3,4.

Em virtude da grande aceitação desse novo anestésico local na clínica e sendo a clínica soberana, os ensaios em pacientes humanos vieram suprir a pesquisa básica bastante escassa nesse particular.

O estudo de Duarte e col. 1 utilizando concentrações menores do agente confirmou a atividade anestésica local e particularmente a estereosseletividade dos isômeros da bupivacaína. É um trabalho original, pois concentrações a 0,125% e 0,25% não tinham sido ainda utilizadas. Nessas diluições, o composto mostrou resultados teoricamente esperados, o que assegura confiabilidade na utilização desse novo anestésico local na analgesia de parto.

A redução em 75% do isômero direito, que particulariza esse composto, é um dado de realidade, pois houve redução na intensidade do bloqueio motor, de tal ordem a não ocasionar aumento na incidência de partos instrumentais e sequer prejuízo na deambulação das pacientes em trabalho de parto.

Tendo em mente a soberania da Clínica, congratulo-me com os Autores pela complementação dada aos estudos básicos preliminares. Esses estudos tiveram como premissa a inferência de que a bupivacaína em excesso enantiomérico ou mistura enantiomérica da bupivacaína seria tão eficaz quanto a bupivacaína racêmica, todavia, sem a cardiotoxicidade correspondente 5.

Aproveitando a citação ao trabalho de Nakamura e col. 6, cujos resultados mostram bloqueio motor mais intenso com a levobupivacaína (composto homoquiral) com relação à bupivacaína racêmica (o que é teoricamente um contra-senso), sugiro aos Autores que seja acrescentado à pesquisa um grupo a mais, com o agente homoquiral. Mesmo que a levobupivacaína não esteja disponível no Brasil comercialmente, esse confronto poderia confirmar ou infirmar tais resultados. Assim, essa investigação, tão bem conduzida por Duarte e col. 1, daria uma expressiva contribuição ao fenômeno Estereoisomeria "e seus mistérios..."

Dra. Maria P. B. Simonetti
Professora Doutora do ICB-USP
Aposentada
simonet@usp.br

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