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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.59 no.1 Campinas Jan./Feb. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942009000100004 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Comparação da FiO2 fornecida por sete modelos de sistema balão-máscara auto-inflável*

 

Comparación de la FiO2 suministrada por siete modelos de sistema balón-máscara autoinflable

 

 

Armando Carlos Franco de GodoyI; Ronan José VieiraII

IProfessor Fisioterapeuta das Enfermarias de Emergência Clínica e Cirurgia do Trauma do HC/UNICAMP
IIMédico Professor Doutor Coordenador da Enfermaria de Emergência Clínica do HC/UNICAMP; Coordenador da Disciplina de Emergência Clínica do Departamento de Ciências Médicas da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Devido ao fato dos reanimadores com sistema balão-máscara auto-infláveis fabricados e/ou comercializados no Brasil serem amplamente disponíveis e utilizados em serviços de saúde extra e intra-hospitalares, este estudo teve o objetivo de determinar as frações de O2 ofertadas por sete reanimadores recebendo diferentes fluxo de O2.
MÉTODO: Sete reanimadores com sistema balão-máscara auto-infláveis foram testados na Unidade Respiratória do HC/UNICAMP. Um fluxômetro de O2 de parede foi conectado ao reanimador que recebia fluxo de O2 de 1, 5, 10 e 15 L.min-1, sendo estes conectados a um pulmão-teste. Os reanimadores que têm a capacidade de se conectar um reservatório de O2 foram testados com e sem esse acessório. Foram efetuadas 20 medidas consecutivas e determinada a média.
RESULTADOS: Apenas um reanimador apresentou oferta de fração de O2 pouco abaixo do limite mínimo preconizado (0,80), quando utilizado com o reservatório de O2. Sem esse dispositivo acoplado todos os reanimadores atingiram o limite mínimo de fração de O2 preconizada (0,40). Os reanimadores que não apresentam a possibilidade de acoplar o reservatório de O2 apresentaram maior oferta de O2 em relação aos outros reanimadores.
CONCLUSÕES: Todos os reanimadores que possuem a opção de acoplagem do reservatório de O2 forneceram maior concentração de O2 com esse acessório. Os reanimadores que não têm possibilidade de acoplar o reservatório de O2 apresentaram maior oferta de O2 em relação aos outros que podem ser acoplados ao reservatório quando usados sem esse acessório.

Unitermos: EQUIPAMENTOS: Ventilador.


RESUMEN

JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: Debido al hecho de que los reanimadores con sistema balón -máscara autoinflables fabricados y/o comercializados en Brasil están ampliamente al alcance y que son utilizados en servicios de salud extra e intrahospitalarios, este estudio tuvo el objetivo de determinar las fracciones de O2 ofertadas por siete reanimadores recibiendo diferentes flujos de O2.
MÉTODO: Siete reanimadores con sistema balón-máscara autoinflables fueron probados en la Unidad Respiratoria del HC/UNICAMP. Un fluxómetro de O2 de pared fue conectado al reanimador que recibía flujo de O2 de 1, 5, 10 y 15 L.min-1, siendo que ellos se conectaron a un pulmón test. Los reanimadores que poseen la capacidad de conectarse a un reservorio de O2 se probaron con y sin ese accesorio. Se efectuaron 20 medidas consecutivas y se determinó el promedio.
RESULTADOS: Apenas un reanimador presentó oferta de fracción de O2 poco por debajo del límite mínimo preconizado (0,80), cuando se usó con el reservorio de O2. Sin ese dispositivo acoplado, todos los reanimadores alcanzaron el límite mínimo de fracción de O2 preconizada (0,40). Los reanimadores que no presentaron la posibilidad de acoplar el reservorio de O2 presentaron una mayor oferta de O2 con relación a los otros reanimadores.
CONCLUSIONES: Todos los reanimadores que poseen la opción de acoplamiento del reservorio de O2, suministraron una mayor concentración de O2 con ese accesorio. Los reanimadores que no tienen la posibilidad de acoplar el reservorio de O2 presentaron una mayor oferta de O2 con relación a los otros que sí pueden ser acoplados al reservorio cuando se usan sin ese accesorio.


 

 

INTRODUÇÃO

Os reanimadores com sistema balão-máscara auto-infláveis (SBMAI) são aparelhos utilizados com a finalidade de ventilar pacientes com necessidade de suporte ventilatório em situações tais como transporte extra e intra-hospitalar e reanimação cardiopulmonar 1. Os SBMAI podem ser divididos em duas partes: unidade compressível e conector ao paciente e em alguns modelos existe a opção de ser acoplar um reservatório de O2 (Figura 1). A unidade compressível é a parte a ser comprimida pelo operador com a finalidade de proporcionar volume de ar para o paciente e em sua porção posterior pode-se encontrar o encaixe para o reservatório de O2 e a entrada do fluxo de O2. O conector ao paciente é o local onde se acopla a máscara de reanimação ou cânula traqueal.

 

 

Vários estudos têm demonstrado que pode existir diferentes desempenhos da fração ofertada de O2 (FiO2) em diferentes modelos de SBMAI 1-3, pois esta pode ser influenciada pelo formato e tipo do material da unidade compressível 4, valor do volume corrente ofertado pelo SBMAI 3, utilização ou não do reservatório de O2 1 e fluxo de O2 ofertado à unidade compressível 2, 5, entre outros.

Esta pesquisa teve como objetivo determinar as FiO2 ofertadas por sete diferentes marcas de SBMAI produzidos ou comercializados no Brasil quando estes recebiam fluxo de O2 de 1, 5, 10 e 15 L.min-1, manipulados com duas mãos em freqüência de 12 incursões por minuto, com e sem reservatório de O2 acoplado.

 

MÉTODO

A coleta de dados foi realizada no Serviço de Unidade Respiratória do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas — Unicamp — no período de janeiro a março de 2007.

Os materiais utilizados na pesquisa foram: um pulmão-teste da marca Vent Aid TTL-49504 Michigan Instruments, um medidor de fração de O2 marca Newport Medical Instruments OM-100, um fluxômetro de O2 de parede da marca BD, um fluxômetro da marca Oxigel 953 e um tubo T com válvula direcional marca Bird. Os sete SBMAI utilizados podem ser divididos em duas formas, com possibilidade de se acoplar o reservatório de O2: Oxigel® modelo B, CE Reanimadores®, Protec® vinil, Missouri® e sem possibilidades de acoplar o reservatório de O2: Oxigel® modelo A, Axmed® e Narcosul®.

Para a realização do teste de FiO2 (Figura 2), o fluxômetro de O2 de parede foi acoplado a outro fluxômetro que, por sua, vez foi acoplado à entrada de O2 do SBMAI. O conector ao paciente do SBMAI foi acoplado ao medidor de fração de O2 e este ao tubo T com válvula direcional com saída para o ambiente e um tubo T foi ligado ao pulmão-teste.

 

 

O pulmão-teste foi ventilado pelo SBMAI com uma e duas mãos em 12 incursões por minuto recebendo fluxos de 1, 5, 10 e 15 L.min-1 de O2. Os SBMAI que permitiam o acoplamento do reservatório de O2 foram testados com e sem esse dispositivo. Após dois minutos de ventilação em cada fluxo de O2 leu-se a FiO2 ofertada pelos SBMAI no medidor de fração de O2 acoplado ao sistema. Durante a pesquisa o pulmão-teste foi mantido em resistência de 20 cmH2O.L-1.s-1 e complacência de 0,05 L.cmH2O-1, os SBMAI foram manipulados pela mesma pessoa e os fluxos de O2 ofertados aos RAMI foram aferidos e controlados pelos aparelhos integrantes do teste.

Foram anotadas 20 medidas consecutivas das FiO2 para cada fluxo de O2 ofertado, em cada marca de SBMAI, e o pesquisador que anotou os dados não conhecia o objetivo e o procedimento metodológico da pesquisa. A análise estatística foi realizada utilizando média e desvio-padrão pelo programa BioEstat 3.0 for Windows.

 

RESULTADOS

A figura 3 mostra as FiO2 ofertadas pelas sete diferentes marcas de SBMAI produzidos ou comercializados no Brasil, quando estes receberam fluxo de O2 de 1, 5, 10 e 15 L.min-1, foram manipulados com duas mãos em freqüência de 12 incursões por minuto, com e sem reservatório de O2 acoplado.

 

DISCUSSÃO

O Guidelines of the European Resuscitation Council 2000 on Advanced Adult Life Support, 2000 6 e o Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care, 2000 7 enfatizam que é essencial administrar oxigênio na maior concentração possível durante as manobras de reanimação cardíaca e ressaltam que grandes concentrações de oxigênio somente são tóxicas quando administradas por longo período. Alguns autores consideram que a variável mais importante a ser levada em conta no desempenho do SBMAI é a FiO2 que ele pode ofertar ao paciente 2,8.

Como na maioria das vezes os pacientes internados que necessitam do uso do SBMAI já estão sob tratamento com oxigênio, o ideal seria que o reanimador ofertasse FiO2 a mais próxima possível de 1,0 2,9.

A ISO, 1997 10, e ASTM, 1999 11, preconizam que o SBMAI deve ofertar no mínimo uma FiO2 de 0,40 sem o reservatório de O2 acoplado e de 0,80 quando se utiliza esse acessório e recebem, no máximo, fluxo de 15 L.min-1 de O2 2,8.

Ao contrário de outros autores que estipularam um volume corrente fixo de 600 mL 12-15, não foi estipulado volume corrente fixo, pois na prática não há como mantê-lo fixo devido ao fato do seu valor depender do tamanho e da força de apreensão das mãos do operador, presença ou não de válvulas que limitam pressão no conector ao paciente e do tipo de material, design e tamanho da unidade compressível 2,5,16. Assim, nessa pesquisa cada aparelho ofertou livremente o volume corrente que seu design permitia.

Na pesquisa adaptou-se ao sistema do teste um tubo T com válvula direcional (Figura 2: 5, 6) com a finalidade de eliminar o ar ejetado do pulmão-teste para o ambiente, não permitindo o possível retorno do O2 para o interior da unidade compressível, caso o SBMAI apresentasse falha de vedação na válvula do paciente. A ocorrência dessa falha de vedação poderia acarretar falso aumento da FiO2 ofertada pelo SBMAI. Apesar de parecer pertinente a função desse mecanismo de vazão do ar ejetado, não se encontrou na literatura trabalhos que utilizaram esse artifício. Diversos autores utilizaram um orifício localizado entre o SBMAI e o pulmão-teste 2,12-15. Assim, quando a unidade compressível era comprimida, concomitantemente esse furo era tapado com o dedo do pesquisador e quando a unidade compressível do SBMAI era descomprimida esse furo era destapado.

Durante a realização do teste de FiO2 a frequência respiratória foi mantida em 12 incursões por minuto com uma ou duas mãos, por ser este o modo mais empregado com mais frequência durante as ventilações com SBMAI 17.

A FiO2 ofertada pelos SBMAI foi influenciada pelo fluxo de O2 e a direção deste à unidade compressível, além da utilização ou não do reservatório de O2.

Todos os SBMAI têm a opção de acoplagem do reservatório de O2, Oxigel® modelo B, Missouri®, CE Reanimadores® e Protec® vinil forneceram maior FiO2 quando esse acessório estava conectado a unidade compressível, e o CE Reanimadores® ofertou FiO2 um pouco abaixo do limite mínimo de 0,80 preconizado pela ISO, 1997 10, e ASTM, 1999 11, isto é, 0,75 (0,6).

Todos os SBMAI que possuem acoplagem para o reservatório de O2, quando testados sem esse acessório, atingiram FiO2 de 0,40 ou mais, quando recebiam fluxo de O2 a partir de 10 L.min-1. Quando não se utilizou o reservatório de O2 as FiO2 ofertadas pelos SBMAI foram menores, pois o oxigênio ofertado ao reanimador é dissipado no ar ambiente próximo à unidade compressível (Figura 1), sendo parcialmente aspirado pelo reanimador. Os reanimadores que não têm a possibilidade de acoplar o reservatório de O2 possuem maior oferta de O2 em relação aos outros reanimadores em todos os fluxos de O2.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Dr. Armando Carlos Franco de Godoy
Rua Hercules Florence, 100/23
13020-170 Campinas, SP
E-mail: armandogodoy@ig.com.br

Apresentado em 18 de setembro de 2007
Aceito para publicação em 21 de outubro de 2008

 

 

* Recebido da Enfermaria de Emergência Clínica e Cirurgia do Trauma do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC/UNICAMP), SP