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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.59 no.2 Campinas Mar./Apr. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942009000200014 

CARTAS AO EDITOR

 

Estudo comparativo da eficácia analgésica pós-operatória de 20 mL de ropivacaína a 0,5, 0,75 ou 1% no bloqueio de plexo braquial pela via posterior
(Rev Bras Anestesiol, 2008;58:431-439)

 

 

Prezada Editora,

Foi com grande interesse que lemos o artigo 1 publicado na Revista Brasileira de Anestesiologia com vistas à pesquisa de eficácia em anestesia. Gostaríamos de parabenizar os autores pelo excelente trabalho. Preocupado em esclarecer alguns aspectos metodológicos nos ocorreu fazer alguns comentários:

a) Em relação ao objetivo: no resumo, os autores relataram que o objetivo seria determinar "qual a concentração" de anestésico local no bloqueio de plexo braquial que propiciaria analgesia mais prolongada; já na introdução consta que o desejo dos autores era avaliar "se o bloqueio de plexo braquial" pela via posterior usando-se "altas concentrações" de anestésico local promoveria analgesia prolongada. Seria bom especificar qual o real objetivo deste trabalho, pois pareceu-me, após a leitura do artigo, que o último objetivo é mais adequado a esse tipo de pesquisa, uma vez que há um desejo explícito por parte dos autores de se saber qual das três concentrações teria ação mais duradoura.

b) Os autores não expressaram os parâmetros utilizados para a realização do cálculo do tamanho da amostra assim como expressaram um valor de p não significativo. É bom lembrar que o tamanho da amostra tem relação inversamente proporcional ao valor final de p, por isso, quanto menor o tamanho da amostra, maior será o valor de p. A ausência de diferença entre os grupos analisados apontado pelos autores pode ser resultado de uma real inexistência de diferença entre os grupos ou pode ser reflexo deste pequeno número de pacientes comprometendo o poder estatístico dessa pesquisa. Além disso, pareceu-nos que os pacientes de todos os grupos receberam AINE e dipirona, que poderiam também ter contribuído com ação analgésica complementar para todos os grupos de pacientes analisados e isso pode ser considerado um viés de confundimento.

c) O termo eficácia foi utilizado em quase todo o corpo do texto, porém na conclusão relatada na seção Discussão também foi usado o termo eficiência. Em epidemiologia 2 considera-se que a eficiência tenha correlação com custos e esse aspecto não foi abordado na pesquisa. Talvez fosse necessário que os autores relatassem em sua discussão em que aspecto foi considerada a análise da eficiência.

O nosso objetivo não foi fazer críticas desconexas, mas contribuir com os autores para a melhor compreensão dos seus resultados. Aproveito a oportunidade para parabenizar os autores 1 em virtude da real necessidade que existe na prática de se utilizar o que é mais "efetivo" em prol dos pacientes submetidos à anestesia.

 

Fabiano Timbó Barbosa, TSA
André Luiz Leme Teixeira Pinto, TSA
Rafael Martins da Cunha

 

REFERÊNCIAS

01. Cruvinel MGC, Castro CHV, Silva YP et al. - Estudo comparativo da eficácia analgésica pós-operatória de 20 mL de ropivacaína a 0,5, 0,75 ou 1% no bloqueio de plexo braquial pela via posterior. Rev Bras Anestesiol, 2008;58:431-439.         [ Links ]

02. Fletcher RH, Fletcher SW - Epidemiologia Clínica Elementos Essenciais, 5ª ed, São Paulo, Artmed, 2006; 168-169.        [ Links ]