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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.59 no.4 Campinas July/Aug. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942009000400011 

INFORMAÇÃO CLÍNICA

 

Raquianestesia contínua em paciente submetido à gastrectomia parcial. Relato de caso*

 

Raquianestesia continua en paciente sometido a la gastrectomía parcial: relato de caso

 

 

Patrícia Falcão PitomboI; Robson MouraII; Ricardo MirandaIII

IAnestesiologista do Hospital Santa Izabel; Mestranda Anestesiologia UNESP/Botucatu
IIProfessor de Cirurgia da Escola Baiana de Medicina; Especialista em Cirurgia Oncológica
IIICirurgião Geral; Especialista em Cirurgia Geral

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Devido à alta incidência de complicações técnicas e neurológicas, a raquianestesia contínua foi abandonada por muitos anos. Com o surgimento dos cateteres intermediários, a técnica vem ressurgindo e ganhando simpatia no arsenal anestesiológico. O objetivo deste relato foi resgatar a utilidade da técnica como alternativa viável para procedimento de médio a grande porte.
RELATO DO CASO: Paciente feminina, 58 anos, 62 kg, estado físico ASA I, com relato de enxaqueca, lombalgia e procedimentos cirúrgicos prévios sob raquianestesia sem intercorrências. Candidata à laparotomia exploradora por provável tumor pélvico. Após venóclise com cateter 18G, monitorização com cardioscópio, pressão arterial-não invasiva e oximetria de pulso, foi sedada com midazolam 2 mg e fentanil 100
μg e colocada em decúbito lateral esquerdo. Foi submetida à raquianestesia contínua por via mediana em L3-L4. Foram injetados 9 mg de bupivacaína hiperbárica a 0,5% e 120 μg de sulfato de morfina. Após inspeção da cavidade, verificou-se que o tumor era proveniente do estroma gástrico, sendo necessária ampliação da incisão e realização de gastrectomia parcial. Todo o procedimento foi realizado com pequena dose de solução hiperbárica e completa estabilidade hemodinâmica. Não houve necessidade de UTI no pós-operatório e a paciente evoluiu sem queixas e com alto grau de satisfação. Recebeu alta hospitalar após 72 horas sem nenhuma intercorrência.
CONCLUSÕES: Os cateteres intermediários utilizados em raquianestesia contínua mostram-se promissores em tornar a técnica bastante atraente e de grande utilidade em operações de médio a grande porte, podendo inclusive ser alternativa eficaz no manuseio de pacientes em estado crítico, em que grandes repercussões hemodinâmicas podem ser deletérias.

Unitermos: CIRURGIA, Abdominal: gastrectomia; TÉCNICAS ANESTÉSICAS, Regional: subaracnoidea.


RESUMEN

JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: A causa de la elevada incidencia de las complicaciones técnicas y neurológicas, la raquianestesia continua fue abandonada durante muchos años. Con el surgimiento de los catéteres intermediarios, la técnica ha venido evolucionando nuevamente y obteniendo la simpatía en el arsenal anestesiológico. El objetivo de este relato, fue rescatar la utilidad de la técnica como una alternativa viable para el procedimiento de medio y gran porte.
RELATO DEL CASO: Paciente femenina, 58 años, 62 kg, estado físico ASA I, con relato de jaqueca, lumbago y procedimientos quirúrgicos previos, bajo raquianestesia sin intercurrencias. Candidata a laparotomía exploradora por un probable tumor pélvico. Después de efectuada la venoclisis con catéter 18G, monitorización con cardioscopio, presión arterial no invasiva, y la oximetría de pulso, se le sedó con midazolam 2 mg y fentanil 100
μg y se le puso en decúbito lateral izquierdo. Se le sometió a la raquianestesia continua por vía mediana en L3-L4. Se le inyectaron 9 mg bupivacaína hiperbárica a 0,5% y 120 μg de sulfato de morfina. Después de la inspección de la cavidad, se verificó que el tumor era proveniente del estroma gástrico, siendo necesaria la ampliación de la incisión y la realización de gastrectomía parcial. Todo el procedimiento fue realizado con una pequeña dosis de solución hiperbárica y una completa estabilidad hemodinámica. No hubo necesidad de UCI en el postoperatorio y la paciente evolucionó sin quejarse y con un alto grado de satisfacción. Recibió el alta después de 72 horas sin ningún problema.
CONCLUSIONES: Los catéteres intermediarios utilizados en la raquianestesia continua parecen ser promisorios en hacer con que la técnica sea bastante atractiva y de gran utilidad en operaciones de medio y gran porte, y puede incluso ser una alternativa eficaz en el manejo de pacientes en estado crítico, donde las grandes repercusiones hemodinámicas pueden ser perjudiciales.


 

 

INTRODUÇÃO

A raquianestesia contínua é uma técnica promissora, tendo a grande vantagem de manter ótimas condições cirúrgicas e total estabilidade cardiorrespiratória com pequenas doses de anestésicos locais. Apesar de ser técnica antiga, a utilização de material inadequado, as complicações técnicas de inserção e manuseio e a alta incidência de complicações neurológicas levaram ao seu abandono 1. Recentemente, com o advento dos cateteres intermediários (cateter por fora da agulha) e sua baixa incidência de cefaleia e sintomas neurológicos 2, a técnica vem ganhando credibilidade.

O objetivo deste relato de caso foi demonstrar sua possível efetividade e segurança, tornando-a alternativa viável na condução dos mais diversos procedimentos cirúrgicos, inclusive nos de abdômen superior.

 

RELATO DO CASO

Paciente do sexo feminino, 58 anos, 62 kg, estado físico ASA I, com história de enxaqueca e lombalgia, submetida anteriormente à laqueadura e histerectomia sob raquianestesia sem intercorrências. Escalada para submeter-se à laparotomia exploradora por tumor pélvico. Após venóclise com cateter 18 G, monitorização com cardioscópio, pressão arterial não invasiva (PANI) e oxímetro de pulso, a paciente foi colocada em decúbito lateral esquerdo para a realização da raquianestesia contínua. Sedada com 2 mg de midazolam e 100 μg de fentanil. Punção no interespaço L3-L4 com conjunto agulha Quincke 27G e cateter 22G (Spinocath® B. Braun Melsungen AG) de acordo com técnica anteriormente descrita 3. Após instalação do cateter, a paciente foi colocada em decúbito dorsal, sendo administrados 9 mg de bupivacaína hiperbárica a 0,5%, 120 μg de sulfato de morfina e realizado cefalodeclive de 45º. Aos 20 minutos, o nível sensitivo atingido era T3 e o bloqueio motor dos membros inferiores era grau 2 da escala de Bromage 4. Foi realizada cateterização vesical. Após abertura mediana e infraumbilical com excelente relaxamento e analgesia, foi realizada inspeção da cavidade pélvica e observada presença de grande tumoração que, melhor inspecionada, concluiu-se tratar de tumor proveniente do estroma gástrico (GIST - Gastric Intestinal Stromal Tumor). A incisão cirúrgica foi ampliada até o apêndice xifoide e a paciente continuava lúcida e sem queixa de desconforto. Durante a retirada do tumor, a paciente apresentou náusea seguida de vômito em pequena quantidade, tendo sido administrados 8 mg de ondansetrona e solicitado ao cirurgião pequena pausa na manipulação. Realizou-se passagem de sonda nasogástrica número 18 com total colaboração da paciente. No início do fechamento dos planos anatômicos, a paciente referiu dor leve, sendo administrados mais 5 mg de bupivacaína hiperbárica 0,5% pelo cateter, com alívio imediato. O procedimento cirúrgico durou uma hora e 35 minutos. No final da operação foram administrados 2 g de dipirona por via venosa. Ao final do procedimento, o nível sensitivo era T11 e o bloqueio motor 2 na escala de Bromage, sendo retirado o cateter subaracnoideo. A analgesia pós-operatória consistiu em dipirona 1 g por via venosa a cada seis horas, cetoprofeno 100 mg por via venosa a cada oito horas e sulfato de morfina 3 mg por via venosa a cada quatro horas. Na sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), após 40 minutos a paciente mantinha-se sem dor, sem nenhum grau de bloqueio motor e com total estabilidade cardiorrespiratória.

A paciente evoluiu sem queixas no pós-operatório e com alto grau de satisfação, recebendo alta hospitalar após 72 horas da operação.

 

DISCUSSÃO

A raquianestesia contínua é uma técnica na qual o anestésico local pode ser administrado contínua (bombas de infusão) ou intermitentemente dentro do espaço subaracnoideo através de um cateter. Foi descrita pela primeira vez em 1907, por um cirurgião britânico que preconizava a punção do espaço subaracnoideo e manutenção da agulha in situ para facilitar a reinjeção do anestésico local. Esse método foi abandonado devido à alta incidência de traumas neurais e quebra da agulha no local da punção. Em 1944, Touhy defendeu a utilização de cateter ureteral de borracha número 4,introduzido no espaço subaracnoideo através agulha 15 G. Em 1950, Dripps, após grande estudo comparativo, detectou alta incidência de falhas, traumas locais, problemas técnicos, cefaleia, sequelas neurológicas e quebra de cateter. Esse estudo foi responsável pelo abandono da técnica em todo o mundo. Novos estudos se seguiram e recentemente os cateteres intermediários (cateter por fora da agulha) surgiram como a grande promessa em resolver os principais problemas apresentados pelos macro e microcateteres. Sua grande vantagem é que, como é montado por fora da agulha, o orifício na dura-máter é completamente obliterado pelo cateter, o que evita a perda liquórica e má distribuição anestésica 5.

O caso apresentado revelou-se uma boa indicação para a técnica, pois além de atenuar a resposta endócrino-metabólica ao trauma, reduzir o trabalho cardíaco, diminuir a incidência de trombose venosa profunda e complicações pulmonares, possibilitou o bloqueio preferencial das raízes posteriores (sensitivas) já que a administração do anestésico em baixa dose foi feita após o posicionamento da paciente em decúbito dorsal. A posição de cefalodeclive em 45° foi adotada com o intuito de atingir nível sensitivo em T4 (inervação peritoneal), o que foi perfeitamente conseguido com a solução empregada (hiperbárica), já que sua movimentação no líquor cefalorraquidiano se dá em função do posicionamento intraoperatório nos primeiros vinte minutos após a realização do bloqueio. Gessel e col. em estudo comparativo concluíram que, em pacientes jovens, a administração de solução isobárica necessita de grandes doses para atingir nível adequado (o nível sensitivo máximo alcançado foi T11, simpático T9), com moderado decréscimo da pressão arterial média e índice de falha grande. Salientaram também que, em posição supina horizontal, o ponto mais alto da coluna espinal é L3 e, a partir daí, o espaço subaracnoideo torna-se inclinado para baixo e em direção cefálica, ficando fácil entender a pobre dispersão cranial com soluções hipobáricas (o nível sensitivo máximo alcançado foi L1, simpático T11). Já a solução hiperbárica nessa mesma posição causa maior dispersão cefálica e nível sensorial mais adequado (o nível sensitivo e simpático máximo alcançado foi T4), porém com maior alteração hemodinâmica devendo, portanto, ser feita em dose titulada 6. Por tratar-se de bloqueio extenso e no andar superior do abdômen, a raquianestesia contínua com essa solução mostrou-se a mais indicada.

Além disso, sabe-se que mesmo as raízes dorsais (sensitivas) sendo maiores (o que, teoricamente, dificultaria a penetração do anestésico) que as ventrais (motoras), elas são separáveis em feixes. Esse detalhe acaba criando uma superfície mais ampla de penetração do anestésico nas fibras sensitivas que nas fibras motoras, o que explica a relativa facilidade do bloqueio sensitivo em relação ao motor 7.

A raquianestesia alta pode ter implicações negativas do ponto de vista hemodinâmico. O bloqueio simpático extenso pode levar à redução na frequência cardíaca, na pré-carga (débito cardíaco), pressão diastólica final do átrio direito e pós-carga (RVPT). No entanto, a própria redução na RVPT acaba por atenuar a diminuição do débito cardíaco, evitando maior desequilíbrio entre a pré e pós-carga e esclarecendo os casos de raquianestesia alta com pequena diminuição do débito cardíaco, apesar da redução do retorno venoso. Dessa forma, pode-se observar uma relação imprecisa entre hipotensão arterial e extensão do bloqueio simpático 5.

Critchley e col. 8 identificaram três fatores de previsão de hipotensão arterial em bloqueios subaracnoideos: a) idade igual ou superior a 45 anos; b) sexo feminino; c) e nível de bloqueio sensitivo acima de T7. Quanto à idade, diversos fatores fazem com que o idoso apresente maior propensão à hipotensão arterial, como a diminuição da água corporal e a menor adaptação do sistema cardiovascular às alterações de postura e volume. Em outro estudo 9 em pacientes femininas também foi observada probabilidade 8,81 vezes maior de desenvolver hipotensão arterial que em pacientes masculinos. O bloqueio sensitivo acima de T7 mostrou probabilidade 13 vezes maior de ocorrência de hipotensão arterial, o que torna a extensão do bloqueio simpático o fator mais fortemente associado com as alterações cardiovasculares da técnica subaracnoidea. Todos esses fatos contribuem para tornar a raquianestesia contínua superior à técnica de raquianestesia em dose única, ao bloqueio combinado raquiperidural (BCRP) ou peridural contínua onde as doses necessárias são maiores, o bloqueio motor é completo e os efeitos cardiocirculatórios mais evidentes.

Imbelloni e Beato 10 mostraram que o nível de analgesia com a técnica subaracnoidea contínua, comparada à subaracnoidea simples ou ao BCRP, assumiu caráter dissociativo, ficando dois segmentos abaixo da raquianestesia em dose única e quatro segmentos abaixo do bloqueio raquiperidural, corroborando a maior estabilidade da raquianestesia contínua. Além disso, a mortalidade também foi reduzida à metade quando comparada à raquianestesia simples ou BCRP 10.

No caso apresentado, não se observaram bradicardia, hipotensão arterial ou necessidade de reposição volêmica agressiva, já que a baixa dose de anestésico, sua diluição liquórica e bloqueio preferencial das fibras sensitivas corroboraram a manutenção da estabilidade cardiocirculatória. A reposição volêmica limitou-se às perdas insensíveis e sangramento intraoperatório. Observou-se, no entanto, curva descendente relativamente rápida do bloqueio sensitivo, que pode ter sido influenciada pela baixa dose de anestésico aliada ao nível baixo de punção. O grau de relaxamento cirúrgico foi de excelente qualidade (avaliado clinicamente pelo cirurgião e pela contração das alças intestinais), o que facilitou sobremaneira o trabalho cirúrgico, evitou a anestesia geral, reduziu os custos hospitalares, diminuiu o tempo de recuperação e proporcionou alta hospitalar mais precoce. Em contrapartida, o episódio de náusea seguido de vômito pode ser justificado tanto pela própria manipulação do tumor como pelo fato de durante o bloqueio subaracnoideo o trato gastrintestinal encontrar-se sob influência parassimpática (devido à emergência alta do nervo vago no tronco encefálico), com aumento da incidência de náuseas e vômitos em 20%. O retardo no esvaziamento gástrico provocado pelo uso do opioide (morfina) também pode ter contribuído para tal fato 5.

A relevância do presente trabalho foi demonstrar técnica pouco descrita e que enriquece a literatura nacional. No que diz respeito a operações do abdômen superior, a raquianestesia tem sido alternativa habitualmente pouco utilizada. Nas condições descritas, a técnica mostrou-se plausível e satisfatória em operação de médio a grande porte, com excelente estabilidade cardiocirculatória e poucos efeitos adversos, sendo necessários, no entanto, novos estudos e um maior número de casos para comprovação de sua eficácia.

 

REFERÊNCIAS

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03. Imbelloni LE, Gouveia MA - Avaliação de um novo cateter para a raquianestesia contínua. Rev Bras Anestesiol, 1999;49:315-319.         [ Links ]

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05. Imbelloni LE, Gouveia MA - Raquianestesia Contínua, em: Imbelloni LE - Tratado de Anestesia Raquidiana. Curitiba, Medidática Informática, 2001;139-147        [ Links ]

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09. Tarkkila PJ, Kaukinen S - Complications during spinal anesthesia: a prospective study. Reg Anesth 1991;16:101-106.         [ Links ]

10. Imbelloni LE, Beato L - Comparação entre raquianestesia, bloqueio combinado raqui-peridural e raquianestesia contínua para cirurgias de quadril em pacientes idosos. Estudo retrospectivo. Rev Bras Anestesiol 2002;52:316-325        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Dra. Patrícia Falcão Pitombo
Praça Cons. Almeida Couto, 500 Nazaré
40050-410 Salvador, BA
E-mail: dra.patyfalcao@yahoo.com.br

Apresentado em 30 de dezembro de 2008
Aceito para publicação em 08 de abril de 2009

 

 

* Recebido da Hospital Santa Izabel da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, Salvador, BA