Services on Demand
Article
Indicators
Related links
Bookmark
Revista Brasileira de Anestesiologia
Print version ISSN 0034-7094
Rev. Bras. Anestesiol. vol.60 no.1 Campinas Jan./Feb. 2010
http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942010000100005
ARTIGO CIENTÍFICO
Avaliação da qualidade de vida dos anestesiologistas da cidade do Recife*
Evaluación de la calidad de vida de los anestesiólogos de la ciudad de Recife
Roberto Alves CalumbiI; Jane Auxiliadora Amorim, TSAII; Carmem Maria Caricio Maciel, TSAIII; Otávio Damázio Filho, TSAIV; Aldemir José Ferreira TelesV
IME3 do CET/SBA HR-HGV
IIMestra em Neurociências pela UFPE; Corresponsável pelo CET/SBA HR-HGV
IIICorresponsável pelo CET/SBA HR-HGV
IVResponsável pelo CET/SBA HR-HGV
VMestre em Neurociências pela UFPE; Professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade de Pernambuco
RESUMO
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A prática médica em Anestesiologia é atividade desgastante e estressante. Neste estudo, foi avaliada a qualidade de vida dos anestesiologistas que trabalham na cidade do Recife e relacionado o perfil de qualidade de vida com o grau de satisfação com a saúde, número de dias e turnos semanais trabalhados, gênero e faixa etária.
MÉTODO: Utilizou-se o questionário WHOQOL-BREF. Foram aplicados a correlação de Sperman e os testes t de Student, Anova e de variância pelo teste de Scheffé, adotando-se os valores de p < 0,05 como significativos.
RESULTADOS: A análise subjetiva mostrou que 44,6% dos anestesiologistas têm percepção negativa ou indefinida sobre sua qualidade de vida. Apresentaram influência significativa nesse resultado, o grau de satisfação com a saúde (r = 0,525; p = 0,01) e o excesso de turnos semanais trabalhados (p = 0,03). As mulheres apresentaram escores significativamente inferiores ao dos homens, na avaliação subjetiva geral de qualidade de vida e nos domínios psicológico e relações sociais. Não foi encontrada diferença significativa nas diferentes faixas etárias. O domínio meio ambiente apresentou escores inferiores ao dos demais em todas as variáveis analisadas.
CONCLUSÕES: O excesso de trabalho foi fator negativo na qualidade de vida dos anestesiologistas da cidade do Recife e as mulheres apresentaram qualidade de vida significativamente inferior aos homens. Esses resultados apontam para a necessidade de reflexão e de atitudes que possam influenciar positivamente na saúde e na qualidade de vida desses profissionais. Adicionalmente às atitudes individuais, é de fundamental importância o apoio institucional na prática anestésica e, para mudanças positivas, as decisões devem basear-se em evidências científicas.
Unitermos: ANESTESIOLOGIA, Recursos Humanos: Qualidade de Vida, síndrome de Burnout.
RESUMEN
JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS:La práctica médica en Anestesiología es una actividad que desgasta y estresa. En este estudio, se evaluó la calidad de vida de los anestesiólogos que trabajan en la ciudad de Recife y se relacionó el perfil de calidad de vida, con el grado de satisfacción con relación a la salud, al número de días y a los turnos semanales trabajados, el sexo y la franja etaria.
MÉTODO: Se utilizó el cuestionario WHOQOL-BREF. Se aplicaron la correlación de Sperman y los tests t de Student, Anova y de variancia por el test de Scheffé, adoptándose los valores de p < 0,05 como significativos.
RESULTADOS: El análisis subjetivo arrojó que un 44,6% de los anestesiólogos tienen una percepción negativa o indefinida sobre su calidad de vida. Presentaron una influencia significativa en ese resultado, el grado de satisfacción con la salud (r = 0,525; p = 0,01) y el exceso de turnos semanales trabajados (p = 0,03). Las mujeres presentaron puntuaciones significativamente inferiores a la de los hombres en la evaluación subjetiva general de calidad de vida y en las áreas psicológica y de las relaciones sociales. No se encontró diferencia significativa en las diferentes franjas etarias. El área promedio ambiente presentó puntuaciones inferiores a la de los demás en todas las variables analizadas.
CONCLUSIONES: El exceso de trabajo fue un factor negativo en la calidad de vida de los anestesiólogos de la ciudad de Recife, y las mujeres presentaron una calidad de vida significativamente inferior a la de los hombres. Frente a esos resultados, entendimos que había una necesidad de reflexionar y de tomar actitudes que puedan influir positivamente en la salud y en la calidad de vida de esos profesionales. Para mejorar las actitudes individuales, es de fundamental importancia tener un apoyo institucional en la práctica anestésica y para los cambios positivos, las decisiones deben estar basadas en evidencias científicas.
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, tem sido grande a preocupação acerca da qualidade de vida do ser humano visando o bem-estar de maneira integral.1 O termo qualidade de vida está presente em muitos estudos, com abordagens relacionadas com trabalho, saúde e visão holística da vida humana, com conceitos específicos em cada área. É definida pelo grupo de qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde como "a percepção do indivíduo da sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores nos quais ele vive e com relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações"2. Esse constructo engloba, de maneira ampla, saúde física, estado psicológico, nível de independência, relações sociais, crenças pessoais e a relação com as características de destaque do meio ambiente de uma pessoa. Nesta definição, é ressaltada a natureza subjetiva da avaliação, com dimensões tanto positivas, como negativas, estando arraigada nos contextos cultural, social e ambiental, ressaltando a percepção do respondente sobre sua qualidade de vida.3 Anestesiologia é considerada especialidade que promove elevados níveis de estresse, fato que pode resultar em consequências negativas em quem a pratica.4-8
Apesar da importância do assunto, a literatura é escassa em estudos avaliando a qualidade de vida desses profissionais. Nesse estudo, foi avaliada a qualidade de vida dos anestesiologistas que trabalham na cidade do Recife e na Região Metropolitana, relacionando o perfil de qualidade de vida encontrado com o grau de satisfação com saúde, número de dias e turnos semanais trabalhados, gênero e faixa etária.
MÉTODO
A população desse estudo descritivo, exploratório e com caráter transversal foi composta de anestesiologistas associados à Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Pernambuco (COOPANEST-PE), que exercem suas atividades profissionais na cidade do Recife e na Região Metropolitana. A divulgação da pesquisa ocorreu em jornada científica local, promovida pela Sociedade de Anestesiologia do Estado de Pernambuco (SAEPE) e, posteriormente, na sede da COOPANEST-PE. Os dados foram coletados no período de três meses. Os 351 anestesiologistas associados no momento da pesquisa foram convidados a participar da pesquisa. Foi aplicado questionário para coleta de dados pessoais (idade, gênero, estado civil, formação profissional, número de dias e turnos de trabalho semanal), não sendo obrigatória a identificação nominal. Para avaliação da qualidade de vida, foi utilizado questionário desenvolvido pelo Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde, o World Health Organization Quality of Life (WHOQOL),2 na sua versão abreviada - O WHOQOLBREF - que é composto de 26 questões. São duas perguntas gerais sobre a qualidade de vida e o grau de satisfação com a saúde e as outras 24 correspondentes a perguntas básicas envolvendo os domínios físico e psicológico, a relação social e o meio ambiente, que permitem avaliação subjetiva do grau de satisfação do pesquisado com sua vida, capacidade de trabalho, aparência física, acesso a informações, lazer, sono, situação financeira, moradia, vida sexual, condições de trabalho e serviços de saúde, relações sociais em geral, segurança no trabalho e moradia, entre outros itens. As respostas são formadas por cinco itens opcionais, em escalas que variam de um a cinco pontos
Para a análise dos dados utilizou-se o programa estatístico SPSS 11.0 (Statistical Package for the Social Science). Os dados descritivos foram expressos em valores percentuais, média e desvio-padrão. As transformações das variáveis e os cálculos estatísticos foram realizados segundo as orientações estabelecidas pelo Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde 3. Foram utilizados a correlação de Sperman e os testes t de Student, Anova e de variância pelo teste de Scheffé, adotando-se os valores de p < 0,05 como significativos.
RESULTADOS
Responderam ao questionário 110 anestesiologistas (31,3%). Foi encontrado predomínio de profissionais do gênero feminino (69%), casados (62%), na faixa etária de 43,2 ± 11,1 anos, com Título de Especialista em Anestesiologia (71%) (Tabela I). Quanto ao número de dias trabalhados, constatou-se que 58% trabalham seis a sete dias por semana. A média semanal de turnos trabalhados foi 15,5 ± 4,1, sendo que 12 (18%) trabalharam até 10 turnos, 72 (67%) de 11 a 18 turnos e 18 (15%) de 19 a 21 turnos (Tabela III). Dezesseis anestesiologistas trabalharam 21 turnos por semana, ou seja, manhã, tarde e noite em todos os dias da semana.



Na autoavaliação da percepção subjetiva dos anestesiologistas sobre sua qualidade de vida, 55,5% avaliaram como boa ou muito boa; 28,2% nem boa, nem ruim; e 16,4% ruim ou muito ruim. Na percepção do grau de satisfação com a saúde, 61% estavam satisfeitos ou muito satisfeitos; 16,4% nem satisfeitos nem insatisfeitos e 22,7% insatisfeitos ou muito insatisfeitos (Tabela II). Na análise do coeficiente de correlação entre a autoavaliação da qualidade de vida e o grau de satisfação com a saúde, foi encontrada relação significativa entre essas variáveis (r = 0,525; p = 0,01). A média dos escores relativos à percepção da qualidade de vida foi significativamente maior entre os anestesiologistas que trabalharam menor número de turnos por semana (p = 0,03; Tabela III).
As mulheres apresentaram escores significativamente inferiores aos dos homens, na avaliação subjetiva geral de qualidade de vida e nos domínios psicológico e relações sociais (Tabela IV). Quanto à idade, a faixa etária com 60 anos ou mais apresentou os melhores escores em todos os domínios, porém sem diferença estatística significativa (Tabela V). Os anestesiologistas que trabalharam de três a cinco dias por semana apresentaram os melhores escores em todos os domínios, quando comparados aos que trabalham seis a sete dias, sem, no entanto, diferença estatística significativa (Tabela VI). Entre os domínios avaliados, o meio ambiente apresentou os escores mais baixos de todas as variáveis analisadas.


DISCUSSÃO
Nesse estudo, foi obtida adesão de 31,3% dos anestesiologistas, percentual que pode ser considerado bastante satisfatório para estudos dessa natureza.9 Adesão semelhante (39,24%) foi obtida em pesquisa que avaliou a prática anestésica de 739 anestesiologistas, associados à Sociedade de Anestesiologia do Rio Grande do Sul.10 Metanálise que avaliou a prevalência de síndrome de Burnout, em profissionais dedicados ao atendimento de pacientes oncológicos, teve adesão de, aproximadamente, 20% nos estudos publicados em línguas inglesa, espanhola e portuguesa.11
A análise subjetiva da qualidade de vida revelou percentual elevado de anestesiologistas (44,6%) com percepção negativa ou indefinida sobre sua qualidade de vida. Apresentaram influência significativa nesse resultado o grau de satisfação com a saúde (r = 0,525; p = 0,01) e o excesso de trabalho (Tabela III), visto que 67% dos anestesiologistas trabalharam entre 11 e 18 turnos e 15% até 21 turnos por semana, dispensando pouco ou nenhum horário para o descanso, diversão e lazer. Também entre os médicos uruguaios, pesquisa que utilizou o WHOQOL-BREF, foram encontrados baixos escores de qualidade de vida e, entre os fatores contribuintes, foi considerada a longa e excessiva jornada de trabalho.12 A influência da saúde na qualidade de vida era um resultado esperado e anteriormente observado em outros estudos.12,13
As manifestações clínicas do excesso de trabalho são inúmeras, como: cansaço; perda de energia; distúrbios do sono e humor; redução da capacidade de trabalho, aprendizagem, raciocínio e memória; dificuldade nas relações interpessoais entre outras.8 Pesquisa com médicos-residentes em Anestesiologia mostrou que a jornada de plantão de 24 ou 30 horas diminui a latência do sono para valores menores que cinco minutos, tempo considerado patológico, refletindo fadiga e necessidade de descanso após longa jornada de trabalho.14 A privação do sono altera, de maneira marcante, a atividade clínica do médico. Erros cometidos pelos anestesiologistas podem ter consequências catastróficas, se não corrigidos a tempo. Fatores humanos como privação de sono, fadiga e estresse, não somente podem aumentar o potencial de erro humano, mas também impedir a recuperação efetiva do profissional.15
A prática médica em Anestesiologia é atividade desgastante e estressante. As características mais marcantes da vida do anestesiologista são a vigilância e o estado de constante alerta que lhe permitem reagir imediatamente em situações críticas. As demandas cognitivas do atendimento ao paciente durante o ato anestésico-cirúrgico exigem rápido acesso e avaliação de informações e desenvolvimento e implementação de medidas para manter o paciente em condições clínicas adequadas. Envolve o convívio diário com o sofrimento alheio, exige constante atualização e habilidades manuais, permanente cobrança de responsabilidades e bom relacionamento com a clientela e com a equipe multiprofissional. Em muitas situações, o estresse, associado ao excesso de trabalho, gera insatisfação, que afeta, diretamente, a qualidade de vida e a saúde do anestesiologista, como observado nesse estudo.
Recente pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina mostrou que 44% dos médicos brasileiros sofrem de depressão ou ansiedade e 57% apresentam sinais de estafa e desânimo com a profissão. Além disso, um em cada cinco sofre de doenças cardiovasculares e 21,8% apresentam algum distúrbio no trato digestório. Quando comparados com gestores, os médicos têm níveis mais elevados de hormônios de estresse; e quando comparados com dentistas e profissionais de direito, apresentam maior incidência de infarto do miocárdio e morrem mais precocemente.16 Estudo que analisou os traços de personalidade e atitude de 231 anestesiologistas concluiu que, geralmente, são pessoas de postura reservada, inteligentes, objetivas, sérias, conscientes, autoconfiantes e tensas, quando comparadas a médicos de outras especialidades.8 Pesquisa que avaliou os níveis de pressão arterial durante o ato anestésico mostrou elevação significativa dos níveis tensionais.17
Prolongadas e excessivas jornadas de trabalho podem levar ao estágio de exaustão, denominado síndrome de Burnout, que se caracteriza por: exaustão emocional, despersonalização e comprometimento da realização pessoal.18 Na dimensão exaustão emocional, o indivíduo sente-se esgotado e com sensação de que não será possível recuperar a própria energia. Com isso, torna-se irritado, amargo, pouco generoso e pessimista, além de se sentir menos capacitado. Já na despersonalização, há distanciamento emocional e indiferença diante do sofrimento alheio, o que, no caso de médicos, faz com que o paciente seja tratado como objeto. Enquanto na dimensão do comprometimento da realização pessoal, o indivíduo sente-se impotente, frustrado, infeliz e com baixa autoestima. Em revisão de literatura,4-7 a prevalência de sintomas da síndrome de Burnout, em anestesiologistas, mostrou as seguintes variações percentuais: 17,0% a 40,4% de exaustão emocional; 10,0% a 31,7% de despersonalização; e 12,3% a 41,4% de comprometimento da realização pessoal. A permanência desses sintomas poderá acarretar problemas dramáticos como dependência química e atitudes suicidas, muito prevalentes na especialidade.19,20
Na cidade do Recife, a maioria dos anestesiologistas é mulher que apresenta escores significativamente inferiores ao dos homens na avaliação geral de qualidade de vida e nos domínios psicológico e nas relações sociais (Tabela IV). Esses resultados estão relacionados, além dos fatores citados anteriormente, com o acúmulo de tarefas da mulher atual, uma vez que estes domínios avaliam questões relacionadas com sentimentos negativos, autoestima, imagem corporal e aparência, espiritualidade, relações pessoais, vida social e atividade sexual. Resultado semelhante foi encontrado em estudo que averiguou o estresse ocupacional e a qualidade de vida de Magistrados da Justiça do Trabalho. A qualidade de vida das mulheres foi inferior à dos homens, com maior comprometimento nas áreas social, afetiva, profissional e da saúde. Os fatores de estresse mais frequentes foram sobrecarga de trabalho e interferência com a vida familiar.21 Estudo que comparou a prevalência de síndrome de Burnout em professores encontrou maior prevalência nas mulheres (84,1% versus 77,2% nos homens). Esses autores também encontraram influência negativa de fatores psicológicos e sociais no gênero feminino.22 Nesse contexto, é importante que mulheres reflitam sobre sua posição na vida com relação a seus objetivos, expectativas, valores, padrões e preo cupações e desenvolvam medidas que possam minimizar a sobrecarga de trabalho e o estresse do dia a dia. Não foi encontrada diferença significativa quando se relacionou qualidade de vida e faixa etária (Tabela V). Quanto à especialização, o elevado percentual de especialistas está relacionado com o fato de existir na cidade do Recife três Centros de Ensino e Treinamento credenciados pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia.
Dentre os quatro domínios avaliados, os piores escores foram registrados no do meio ambiente. O anestesiologista, como parte integrante da equipe cirúrgica responsável pelas salas de operação e recuperação, enfrenta riscos relacionados com seu exercício profissional que são devidos a fatores exógenos e endógenos. Dentre os exógenos, com influência negativa na saúde, encontram-se a contaminação ambiental causada por inalação de agentes anestésicos e desinfetantes usados no centro cirúrgico, a exposição às radiações e a contaminação por agentes infecciosos. Os fatores endógenos são representados por estímulos psicossociais e os do tipo emocional, como os que se desenvolvem a partir das situações de estresse e angústia, que, geralmente, são o denominador comum do ambiente hospitalar, dado o estado de gravidade dos pacientes que atende.8 Além disso, com relação às questões relacionadas com segurança e moradia, os elevados índices de violência e criminalidade registrados na cidade do Recife irão, provavelmente, influenciar, também, esse resultado.
Algumas das recomendações sugeridas pela Sociedade Americana de Anestesiologistas para a Saúde do Trabalho das Equipes Cirúrgicas23 são consideradas maneiras saudáveis de lidar e, talvez, possam amenizar o elevado nível de estresse diário do anestesiologista, como:
1. Desenvolver senso de autovalorização separado do fato de ser médico para que o tempo de lazer seja tão recompensador quanto o trabalho.- Permanecer saudável por meio de exercícios e boa nutrição.
- Aprender novas habilidades ou desenvolver interesse intelectual além da Medicina.
- Dedicar tempo para atividades culturais (concertos, cinema, museus).
- Fazer amizades com pessoas não envolvidas com a Medicina.
- Associar-se a clubes.
- Fazer algo criativo: pode ser relaxante e dar voz a sentimentos que precisam de expressão.2. Desenvolvimento espiritual, pensar um pouco sobre o objetivo da nossa vida neste mundo.
3. Buscar o apoio de outros amigos, pessoas importantes, mentores e outros modelos e terapeutas.
4. Por outro lado, se houver muita demanda sobre seu tempo, passe algumas horas sozinho.
5. Aprenda a expressar seus sentimentos, mantenha um diário ou consulte um terapeuta.
- Não aceite abuso que você não merece; você precisa se respeitar e se aceitar.
- Entenda que não vai conseguir agradar todos.
- Aprenda a pedir o que precisa.6. Mantenha-se flexível e aberto para mudanças e novas experiências.
7. Mantenha o senso de humor.
- Não leve as coisas a sério demais.
- Admita que amanhã será um novo dia e que a vida continua.
- O riso pode ter algum efeito saudável que ainda não foi determinado.8. A felicidade vem do equilíbrio entre trabalho, diversão e descanso; lembre-se que você merece ser feliz.
- O sentimento de controle sobre a própria vida pode ser importante para a felicidade.9. Aproveite o tempo em que não está trabalhando.
10. Desenvolva atitude positiva.
- Os otimistas (definidos como aqueles que distorcem a realidade para criar a ilusão de que podem conseguir resultados positivos) têm mais felicidade e saúde.11. Admita ser passível de cometer erros.
12. Aprenda a dizer não; não faça coisas demais ao mesmo tempo.
13. Desenvolva melhores aptidões interpessoais.
- Aprenda a lidar eficientemente com conflitos.
- Trate os outros com respeito.
- Lide com a ira.
- Aprenda a resolver problemas e não procurar culpados.
- Mantenha a perspectiva.
- Ouça.
- Não desista.
- Use o bom humor.
- Concentre-se no problema que se apresenta, evite críticas pessoais.
- Evite um comportamento passivo-agressivo.
- Seja honesto.
- Não guarde rancor.
- Tente solucionar os problemas.
Concluindo, nesse estudo, o excesso de trabalho foi fator negativo na qualidade de vida dos anestesiologistas da cidade do Recife; e as mulheres apresentaram qualidade de vida significativamente inferior à dos homens. Esses resultados apontam para necessidade de reflexão e de atitudes que possam influenciar positivamente na saúde e na qualidade de vida desses profissionais. Adicionalmente às atitudes individuais, é de fundamental importância o apoio institucional na prática anestésica e, para mudanças positivas, as decisões devem basear-se em evidências científicas.
AGRADECIMENTOS
Nossos agradecimentos às diretorias da Cooperativa e da Sociedade de Anestesiologia do Estado de Pernambuco (Biênio 2005-2006), pelo apoio na divulgação e coleta dos dados.
REFERÊNCIAS
1. Santos N. Antropotecnologia: a ergonomia dos sistemas de produção. Curitiba: Gênesis, 1997. [ Links ]
2. Fleck MPA, Louzada S, Xavier M et al. Aplicação da versão em português do instrumento abreviado de avaliação da qualidade de vida WHOQOL-bref. Rev Saúde Pública 2000;34:178-183. [ Links ]
3. Fleck MPA, Chachamoviche E, Trentini CM. Projeto WHOQOL-OLD: método e resultados de grupos focais no Brasil. Rev Saúde Pública 2003;37:793-799. [ Links ]
4. Fernandez Torres B, Roldan Pérez LM, Guerra Vélez A et al. Prevalencia del síndrome de Burnout en los anestesiólogos del Hospital Universitario Virgen Macarena de Sevilla. Rev Esp Anestesiol Reanim 2006;53:359-362. [ Links ]
5. Palmer-Morales LY, Gómez-Vera A, Cabrera-Pivaral C et al. Prevalencia del síndrome de agotamiento profesional en médicos anestesiólogos de la ciudad de Mexicali. Gac Med Mex 2005;141:181-183. [ Links ]
6. Nyssen AS, Hansez I, Baele P et al. Occupational stress and burnout in anaesthesia. Br J Anaesth 2003;90:333-337. [ Links ]
7. Kluger MT, Townend K, Laidlaw T. Job satisfaction, stress and burnout in Australian specialist anaesthetists. Anaesthesia 2003;58:339-345. [ Links ]
8. Duval Neto GF. Stress e fadiga na segurança do ato anestésico: impacto no desempenho profissional. In: Cavalcanti IL, Cantinho FAF, Assad A. Medicina perioperatória. Rio de Janeiro: SAERJ 2006;965-971. [ Links ]
9. Thomas JR, Nelson JK. Métodos de pesquisa em educação física. Porto Alegre: Artmed, 2003. [ Links ]
10. Pilau MM, Bagatini A, Bondan LG et al. O anestesiologista no Rio Grande do Sul. Rev Bras Anestesiol 2000;50:309-316. [ Links ]
11. Trufelli DC, Bensi CG, Garcia JB et al. Burnout in cancer professionals: a systematic review and meta-analysis. Eur J Cancer Care 2008;17:524-531. [ Links ]
12. Schwartzmann L. La calidad de vida de los medicos: estudio de una muestra de medicos del Uruguay. Vertex 2007;18:103-110. [ Links ]
13. Mingote Adan JC, Moreno Jimenez B, Galvez Herrer M. Desgaste profesional y salud de los profesionales medicos: revision y propuestas de prevencion. Med Clin (Barc) 2004;123:265-270. [ Links ]
14. Mathias LAST, Coelho CMF, Vilela EP et al. O plantão noturno em anestesia reduz a latência ao sono. Rev Bras Anestesiol 2004; 54:694-699. [ Links ]
15. Weinger MB, Englund CE. Ergonomic and human factors affecting anesthetic vigilance and monitoring performance in the operating room environment. Anesthesiology 1990;73:995-1021. [ Links ]
16. Barbosa GA. A Saúde dos médicos no Brasil. Brasília, Conselho Federal de Medicina, 2007;220. [ Links ]
17. Aragão PW, Prazeres JO, Aragão VMF et al. Pressão arterial do anestesiologista durante o ato anestésico-cirúrgico no período matutino. Rev Bras Anestesiol 2002;52:591-600. [ Links ]
18. Alkema K. Linton JM. Davies R. A study of the relationship between self-care, compassion satisfaction, compassion fatigue, and burnout among hospice professionals. J Soc Work End Life Palliat Care 2008;4:101-119. [ Links ]
19. Duval Neto GF. Dependência química e os anestesiologistas. In: Cavalcanti IL, Cantinho FAF, Assad A. Medicina perioperatória. Rio de Janeiro: SAERJ, 2006;981-989. [ Links ]
20. Beaujouan L, Czernichow S, Pourriat JL et al. Prevalence et facteurs de risque de l'addiction aux substances psychoactives en milieu anesthesique: resultats de l'enquete nationale. Ann Fr Anesth Reanim 2005;24:471-479. [ Links ]
21. Lipp MEN, Tanganelli MS. Stress e qualidade de vida em magistrados da Justiça do Trabalho: diferenças entre homens e mulheres. Psicol Reflex Crit 2002;15:537-548. [ Links ]
22. Aldrete Rodríguez MG, Preciado Serrano ML, Franco Chávez SA et al. Factores psicosociales laborales y síndrome de burnout, dife rencias entre hombres y mujeres docentes de secundaria, zona metropolitana de Guadalajara, México. Cienc Trab 2008;30:138-142. [ Links ]
23. Berry AJ, Arnold WP, Harter RL et al. Dependência química entre anestesiologistas. Tradução e publicação oficial da Comissão de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2006. [ Links ]
Endereço para correspondência:
Dra. Jane A. Amorim
Rua Conselheiro Nabuco, 151/1.302 Casa Amarela
52.070-010 Recife, PE
E-mail: janemarcos22@superig.com.br
Apresentado em 24 de março de 2008
Aceito para publicação em 5 de outubro de 2009
* Recebido do Centro de Ensino e Treinamento/SBA em Anestesiologia dos Hospitais da Restauração e Getúlio Vargas (HR-HGV), Recife, PE.










text in English
Curriculum ScienTI