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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.61 no.3 Campinas May/June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942011000300008 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Influência de variáveis laborais na qualidade de vida dos anestesiologistas da cidade de João Pessoa

 

 

Maria de Fátima Oliveira dos SantosI; Harison José de OliveiraII

IDoutoranda em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Portugal, Médica Anestesiologista e Professora da Faculdade de Medicina Nova Esperança FAMENE-PB
IIMédico Anestesiologista do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena e Hospital da Unimed João Pessoa, PB

Correspondência para

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O anestesiologista trabalha sob grande pressão, por lidar com doença, dor, sofrimento e morte. A exposição desse profissional aos efeitos de fadiga, fatores físicos, químicos e biológicos pode causar transtornos físicos e psicológicos. Este estudo objetivou conhecer as influências das variáveis laborais na qualidade de vida (QV) dos anestesiologistas da cidade de João Pessoa.
MÉTODO: Estudo descritivo, de corte transversal e com abordagem quantitativa, composto por 83 médicos que responderam ao instrumento genérico para avaliar a QV, proposto pela Organização Mundial da Saúde. Os dados foram analisados por estatísticas descritivas e testes de comparação de média. O nível de significância adotado para as análises foi de 5%.
RESULTADOS: As análises demonstraram que as variáveis laborais relacionadas ao total de horas de plantões semanais, às horas trabalhadas, ao hábito de dormir no pós-plantão e nos intervalos dos plantões e à prática de atividade física pelo profissional se correlacionaram com a QV. Verificou-se também que há diferença estatisticamente significativa entre os domínios da escala de QV e o número de horas de trabalho dos participantes. Por outro lado, a renda mensal exerce influência sobre a QV (p < 0,05) apenas no domínio meio ambiente.
CONCLUSÕES: Observou-se que as variáveis laborais correlacionam-se significativamente com a QV. Além de haver diferença estatística expressiva entre os domínios da escala de QV e o número de horas de trabalho dos participantes, verificou-se que há também essa mesma divergência quanto ao domínio meio ambiente e à renda mensal.

Unitermos: ANESTESIOLOGIA: Qualidade; TÉCNICAS DE MEDIÇÃO: Questionários.


 

 

INTRODUÇÃO

Um dos grandes problemas da modernidade é conciliar o trabalho com a qualidade de vida (QV). A temática em torno dos elevados níveis de estresse causados pela vida contemporânea é consenso entre todos os que trabalham com dupla jornada e estão sempre sob pressão, ou ainda, aqueles que atuam com riscos iminentes, como é o caso de algumas especialidades médicas, entre elas a anestesiologia, cujo profissional está sujeito a uma série de fatores capazes de alterar seu estado sociopsicofisiológico, uma vez que seu ambiente de trabalho pode proporcionar estresse e agravos psíquicos 1,2.

Estudos apontam que os médicos brasileiros demonstram indícios de sensação de fadiga e ideação suicida, com taxas mais elevadas do que as correspondentes à população em geral 3,4. Entre esses fatores, destacam-se as excessivas jornadas de trabalho, acrescidas do estresse pela instabilidade do emprego, salários insatisfatórios e a confrontação rotineira com morte, dor e sofrimento 3.

Há ainda outros elementos degradantes, como por exemplo, privação de sono que é necessário para a manutenção da saúde física, mental e psicológica. Experimentos realizados sobre a privação de sono demonstraram que há uma progressiva deterioração mental, psicológica e física, que inclui mudanças de humor, diminuição da coordenação motora e da capacidade de raciocínio, problemas de memória e fala, alucinações, paranoia e danos físicos, como alterações de batimentos cardíacos e temperatura corporal 5.

O prejuízo cognitivo causa esgotamento físico e mental e pode deixar os anestesiologistas mais vulneráveis, o que propicia a suscetibilidade ao uso/abuso de drogas anestésicas devido ao conhecimento farmacológico de seu manuseio e ao fácil acesso às drogas 6. Com as constantes pressões de um mercado de trabalho cada vez mais exigente, o profissional de saúde se vê diante de vários desafios, como a busca pela excelência e pelo aprofundado conhecimento, mas o comportamento reativo tem suas consequências, porquanto interfere em seu equilíbrio e na QV. O aumento da competitividade, da ânsia pelo saber mais e por ter mais recursos gera um exército de ocupados, sobrecarregados e pressionados, que se esquecem dos valores básicos e das regras de bemviver e conviver 7.

Em seu labor, o anestesiologista vive em pleno estado de prontidão e vigilância, e isso lhe permite agir rapidamente em situações críticas, pois o cotidiano laboral ao qual estão expostos é demasiadamente árduo 5, com diversos estímulos estressantes 7.

As novas configurações provenientes do âmbito da saúde e a forma como afetam a QV dos profissionais têm sido temas de debates, simpósios, estudos e discussões 3,8. As pesquisas sobre a QV dos médicos têm-se realizado principalmente com os cirurgiões 09-11. Contudo, poucos estudos foram encontrados sobre a QV dos médicos anestesistas 7.

A QV não pode ser apreendida apenas por uma modalidade de pesquisa ou um olhar estanque, pois desse modo não é possível perceber a realidade tal qual se apresenta, o que exige um olhar diferenciado, algumas vezes mais alto e em outras um olhar de imersão 12,13. Em geral, os autores referem que é necessário levar em conta várias dimensões da QV. Alguns identificam aspectos físicos, emocionais e sociais desse constructo. Outros citam o estado físico, o funcional, o psicológico e o bem-estar, as interações sociais e os fatores econômicos. Outros ainda enfocam os aspectos espirituais 14-16.

Há, no entanto, consenso entre a maioria dos autores de que se devem usar os fatores envolvidos na QV tomando-se por base o conceito de saúde ditado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1948 17: "Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social". Desse modo, a percepção do indivíduo é a forma como ele se vê, pois isso é o que caracteriza o aspecto subjetivo da QV 16.

O grupo de pesquisadores da OMS (WHO) desenvolveu dois instrumentos para medir a QV: o WHOQOL-100 e o WHOQOL-Bref. O primeiro é composto por 100 questões que avaliam seis domínios. Já o segundo corresponde a uma versão abreviada, com 26 questões, retiradas do anterior, e cobre quatro domínios: a) físico, b) psicológico, c) relações sociais e d) meio ambiente 17-19.

Estudar a QV dos anestesiologistas é, portanto, importante no contexto das propostas de aperfeiçoamento. Por esse motivo, o objetivo deste estudo foi avaliar de que forma as variáveis laborais influenciam a QV desses médicos, na cidade de João Pessoa-PB, a partir dos indicadores objetivos (biodemográficos) e subjetivos (WHOQOl-Bref). Examinou-se também a influência das variáveis: gênero, escala de plantões diurnos ou noturnos e renda mensal.

 

MÉTODO

Após ter sido aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal da Paraíba (CCS/UFPB), e os participantes terem assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foram avaliados 83 médicos anestesiologistas associados à Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da cidade de João Pessoa-PB (COOPANEST-PB).

Para caracterizar a amostra, elaborou-se um questionário biodemográfico com itens sobre gênero, idade e questões que permitissem avaliar informações relacionadas aos profissionais anestesiologistas, a saber: jornada de trabalho, escala de plantão, renda mensal, entre outros. O instrumento autoaplicável foi entregue aos participantes em seus locais de trabalho. Dirigia-se ao médico, a fim de esclarecer o objetivo da pesquisa, e solicitava-se sua colaboração, enfatizando a importância e a sinceridade nas respostas. Explicou-se, em detalhes, como o participante poderia responder às questões, colocando-se à sua disposição para eventuais esclarecimentos sobre o instrumento, respeitando e obedecendo aos princípios éticos, em relação ao que preconiza a Resolução 196/96 20 sobre a pesquisa realizada com seres humanos.

Desenvolveram-se análises estatísticas descritivas (média, desvio-padrão, frequência e porcentagem) para fornecer informações acerca da amostra. Em seguida, realizaram-se testes t de Student para amostras independentes, a fim de comparar os dados dos homens e das mulheres, adotando o critério de p < 0,05, a fim que a diferença fosse considerada significativa. Esses cálculos foram realizados através do software SPSS (Statistical Package of Social Sciences for Windows), na versão 15.0.

 

RESULTADOS

Os resultados obtidos com o estudo foram expressos por frequências e percentuais ou por médias e desvios-padrão (DP), ilustrados por gráficos e tabelas. Em todos os instrumentos de avaliação aplicados, os escores foram transformados para a escala percentual de 0% a 100%. Os escores aqui apresentados são mais satisfatórios quanto mais próximos estiverem de 100.

As idades variaram de 27 a 68 anos (46,0 ± 10,41) (média ± DP). Trata-se de uma amostra de conveniência (não probabilística) da qual participaram voluntários, cuja maioria é do sexo masculino (64%) e casada (81%), trabalhadores em plantões de 24 a 36 horas (29%), não fumantes (97,5%) e com renda entre 21 e 30 salários mínimos (36%).

Cerca de 26% dos participantes da pesquisa exerce atividades paralelas, que vão de atividades clínicas ou em consultórios a atuação como empresários e professores. Em relação aos plantões, 28,9% dos participantes trabalham de 24 a 36 horas semanais, 26,5%, de 40 a 60 horas, 25,3%, acima de 60 horas semanais, e 4,8% não trabalham em plantões. Quase 56% dos entrevistados atuam em plantões diurnos e noturnos, e apenas 8,8% trabalham em plantões somente noturnos e 35,5%, diurnos.

Quando indagados sobre as horas semanais trabalhadas fora dos plantões, 28% dos anestesiologistas responderam que trabalham de 12 a 18 horas, outros 28%, de 24 a 36 horas, e 23% trabalham de 40 a 60 horas. Considerando o total de horas trabalhadas em plantões e fora deles, semanalmente, 59% dos participantes trabalham mais de 60 horas semanais.

Entre os participantes plantonistas, 35% declararam que dormem no repouso médico, 18,7% responderam que não dormem e 46,2% afirmaram que, às vezes, dormem durante o repouso. Quando indagados se conseguem dormir no pósplantão, 36,2% responderam positivamente, 13,8% disseram que não dormem e 50% afirmaram que isso ocorre eventualmente. Em relação às horas de sono diárias, quase 63% responderam dormir entre seis e oito horas, 34,1%, menos de seis horas, e apenas 3,7% mais de oito horas.

A prática de atividades físicas também foi tema de nosso estudo. Cerca de 18% dos entrevistados afirmaram nunca se exercitar, 51,3%, vez ou outra, e 30,8% declararam sempre praticar atividades físicas. A atividade mais citada foi caminhada ou corrida (58,5% dos praticantes), seguida de academia (aeróbica ou musculação) com 17%, e tênis com 7,5% dos praticantes. Declararam-se não fumantes 97,5% dos médicos que participaram do estudo. Como forma de medir a QV subjetiva, utilizou-se a versão em português do instrumento abreviado da Organização Mundial de Saúde, o "WHOQOL-bref", adaptado para o contexto brasileiro por Fleck 17. A escala tem 26 questões, respondidas através de uma escala tipo Likert de cinco pontos, sendo dois itens de avaliação da QV geral e os demais distribuídos em quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente 19.

De modo geral, os índices de QV dos médicos, tanto os gerais quanto os domínios, apresentaram-se no terceiro quartil da curva. A QV geral obteve média igual a 59,38, com desvio-padrão de 15,17 e 50% dos escores dos participantes abaixo de 62,50 (mediana) e 50% acima desse valor, sendo o mesmo a moda desse índice. Como apresentado na Tabela II, no domínio físico a média foi igual a 67,44 ± 13,88, no psicológico, 65,79 ± 13,33, no domínio das relações sociais, de 63,55 ± 13,92, e no domínio meio ambiente, média igual a 62,51 ± 11,31.

 

 

 

 

Por meio do teste t de Student, foram comparados os índices médios da QV geral e seus domínios em função do sexo dos participantes. Verificou-se que os profissionais do sexo masculino apresentaram índices maiores que os do sexo feminino tanto da QV geral quanto de seus domínios, exceto no domínio social, conforme mostra a Tabela III.

 

 

No entanto, as diferenças encontradas não são estatisticamente significativas (p > 0,05), ou seja, apesar de os homens terem obtido índices maiores que as mulheres, a diferença entre ambos não foi suficiente para que se considere estatisticamente válida.

Com a finalidade de verificar a influência da jornada de trabalho na QV dos anestesistas, foram comparados os índices dos 34 participantes que trabalham menos de 60 horas com os 49 que trabalham mais de 60 horas semanais. Os resultados mostraram que os índices de QV geral não apresentaram variância significativa entre ambos os grupos, como também os domínios físico, psicológico e social, como indica a Tabela IV.

 

 

Apenas o domínio meio ambiente apresentou diferença estatisticamente válida, apontando para o fato de que os anestesistas que trabalham menos (66,88 ± 12,33) apresentam, nesse domínio, índices significativamente (p < 0,005) superiores aos que trabalham mais (59,47 ± 9,55).

Verificou-se ainda a influência do turno do plantão na QV dos anestesiologistas. Através do teste t de Student, comparamos os índices de QV dos profissionais cujos horários de plantão são, predominantemente, diurnos ou noturnos com aqueles que trabalham em plantões diurnos e noturnos.

Como mostra a Tabela V, o turno do plantão em que trabalham os anestesistas não influencia significativamente seus índices de QV, visto que não houve variação estatisticamente válida entre as médias de QV e seus domínios entre os grupos estudados.

 

 

Para verificar se a renda mensal dos participantes influencia na QV e em seus componentes, compararam-se os índices dos respondentes cuja renda mensal é de até 20 salários mínimos (Grupo 1), dos que possuem renda de 21 a 30 salários mínimos (Grupo 2) e dos que contam com uma renda acima de 31 salários mínimos (Grupo 3). Essas análises foram realizadas com o teste estatístico ANOVA, conforme se mostra na Tabela VI.

 

 

Salientou-se que a renda mensal não exerce influência significativa sobre a QV geral, nem sobre os domínios físico, psicológico e social. Contudo, verificou-se diferença (p < 0,05) no domínio meio ambiente, o Grupo 2 (65,46 ± 9,34) obteve índices maiores que o grupo 3 (64,40 ± 11,10), cujos índices foram superiores ao Grupo 1 (57,87 ± 12,51). Para verificar se essa diferença persiste em todos os níveis dessa variável, realizou-se uma comparação múltipla através do Scheffe. Por meio dessa análise, percebeu-se que a diferença significativa apresenta-se apenas quando comparados os participantes que se enquadram no Grupo 2 com os do Grupo 1, ou seja, apenas os anestesistas que declararam renda entre 21 e 30 salários mínimos apresentaram índices médios, no domínio meio ambiente, estatisticamente maiores do que aqueles que declararam renda menor que 20 salários mínimos.

 

DISCUSSÃO

As variáveis do trabalho, como carga exaustiva de plantões, ambiente insalubre e perda da autonomia profissional, têm levado os profissionais da área de saúde a apresentarem prejuízos físicos e mentais, problemas e disfunções psicofisiológicas, o que pode prejudicar sua dinâmica laboral 4,21 e sua QV. Por essa razão, objetivou-se neste estudo avaliar de que forma as atividades laborais influenciam a QV dos médicos anestesiologistas na cidade de João Pessoa (PB). Apesar de algumas limitações inerentes à pesquisa, em especial no que concerne à amostra, que, além de ser de conveniência (não probabilística), não é representativa da população em estudo, o que não invalida a pesquisa, acreditou-se que a meta aqui proposta foi alcançada.

Os resultados levam à conclusão de que a QV correlacionou-se negativamente com o total de horas de plantões semanais e de horas trabalhadas, o que indica que, quanto mais horas de trabalho, menor a QV dos profissionais de saúde 3. Além disso, observou-se que, quanto menos os profissionais conseguem dormir no pós-plantão ou no intervalo do plantão, menor é a QV, um indicativo de que o estresse laboral e o cansaço físico e mental são obstáculos do sono. A variável "prática de atividade física" correlacionou-se positivamente com a QV, o que revela que, quanto mais o profissional dedica parte de seu tempo à prática de exercícios, melhores são os índices de QV.

Em relação à pontuação total de QV e aos fatores físico, psicológico, social e meio ambiente, não houve diferença estatisticamente significativa entre homens e mulheres. Existe também uma diferença estatisticamente significativa entre a variável "horas de trabalho" e o fator geral de QV, assim como ocorre com os domínios dessa, o que aponta que, quanto maior for a carga horária do profissional, mais ele se sente prejudicado, tanto de forma geral quanto nos âmbitos físico, social, psicológico e ambiental. Assim, a percepção que o indivíduo tem de si e de sua posição na vida (contexto, cultura, sistema de valores, expectativas, objetivos e preocupações) 13,18 encontra-se prejudicada. Então, aqueles que têm carga horária maior dispõem de menos tempo para descansar, desfrutar do lazer e conviver com a família e os amigos 28.

Em relação à influência da renda mensal, observou-se que apenas o fator meio ambiente apresentou uma diferença estatisticamente significativa. Neste, o Grupo 2 (21 a 30 salários mínimos) apresentou índices maiores que os do Grupo 1 (até 20 salários mínimos) e do Grupo 3 (acima de 31 salários mínimos). Possivelmente, apesar de o Grupo 3 ter uma renda maior, que possibilitaria recorrer com mais frequência a alguns aspectos da variável meio ambiente, como condições de lazer, segurança e saúde, não há tempo suficiente para a realização dessas atividades.

O estudo pode evidenciar que há necessidade de se realizarem pesquisas adicionais para somar informações a respeito da temática aqui trabalhada. A QV dos anestesiologistas consiste em um sistema complexo e de difícil mensuração, por envolver a relação de fatores internos e externos ao indivíduo, como, por exemplo, a subjetividade e o contexto sociocultural. Há necessidade de se realizarem mais investigações, visando aprofundar os fatores influenciadores da QV dos anestesiologistas, com o objetivo de nortear algumas mudanças. Sugerimos futuras análises de aspectos que envolvam a saúde de profissionais, tais como: Escala de Afetos Positivos e Negativos 22, Escala de Vitalidade Subjetiva 23, Questionário de Saúde Geral (QSG-12) 24, Escala de Avaliação da Fadiga 25, Inventário de Burnout de Maslach 26 e Escala de Satisfação com a Vida 27 .

 

CONCLUSÃO

Os dados coletados e analisados levam à reflexão de que as variáveis laborais estão correlacionadas significativamente com a QV, uma vez que, além de haver uma diferença estatística expressiva entre os domínios da escala de QV e o número de horas de trabalho dos participantes, verifica-se essa mesma divergência quanto aos domínios meio ambiente e renda mensal. A falta de atividades de lazer e momentos com a família, aliada às muitas horas de trabalho, podem desencadear problemas físicos e psicológicos, prejudicando, o desempenho destes profissionais da saúde, o que nos leva a crer na necessidade de uma mudança de postura e consciência quanto aos prejuízos das práticas excessivas de atividades laborais.

Entendeu-se ainda que os pesquisadores devem dar maior atenção aos diferentes modos de entender a QV, em especial valorizando métodos de pesquisa e avaliação interdisciplinar.

 

AGRADECIMENTOS

Nossos agradecimentos aos anestesiologistas da Coopanest PB e da Sociedade Paraibana de Anestesiologia da Cidade de João Pessoa.

 

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Correspondência para:
Dra. Maria de Fátima Oliveira dos Santos
Av. Umbuzeiro 881 Aptº 501 Manaíra
58038182 - João Pessoa, PB, Brasil
E-mail: fatimadeosantos@hotmail.com

Submetido em 14 de agosto de 2010.
Aprovado para publicação em 7 de dezembro de 2010.

 

 

Recebido da Faculdade de Medicina Nova Esperança (FAMENE), João Pessoa, PB, Brasil.