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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.62 no.1 Campinas Jan./Feb. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942012000100007 

ARTIGO CIENTÍFICO

 

Percepção da qualidade de vida entre médicos anestesiologistas e não anestesiologistas

 

 

Helena Maria Arenson-Pandikow, TSAI; Leandro Turra OlivieraII; Carmen Regina BortolozzoIII; Simone PetryIV; Thiago Fonseca SchuchIV

IPhD, Universidade de Londres Inglaterra; Corresponsável CET/SBA Serviço de Anestesia e Medicina Perioperatória (SAMPE) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Professora Associada de Anestesiologia, Departamento de Cirurgia, Faculdade de Medicina (FAMED), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
IIIntensivista Pediátrico Anestesiologista; SAMPE do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
IIIAnestesiologista Especialista em Dor e Medicina Paliativa; SAMPE do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
IVAnestesiologista; Contratado do SAMPE do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Correspondência para

 

 


RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A literatura aponta fatores da rotina com impacto negativo sobre a qualidade de vida dos anestesiologistas. Este trabalho se propõe a comparar a percepção da qualidade de vida de anestesiologistas e médicos não anestesiologistas.
MÉTODO: Estudo transversal procedente de três questionários específicos (epidemiológico, WHOQOL-BREF e SF-12®) aplicados em anestesiologistas (Grupo A) e não anestesiologistas (Grupo NA), de um hospital universitário e em um terceiro grupo de anestesiologistas do interior do estado (Grupo I). As análises das variáveis epidemiológicas e as relacionadas aos domínios de qualidade de vida do WHOQOL foram interpretadas pelo emprego de análise multivariada (programa SPSS).
RESULTADOS: O número de respondentes do WHOQOL-BREF no Grupo A = 67; Grupo NA = 69; Grupo I = 53. O grupo de anestesiologistas do interior (Grupo I) foi excluído do estudo por falta de amostra adequada para as análises estatísticas. No seguimento, o total de respondentes para aferir o escore SF-12® foi de 61 no Grupo A e 68 no NA. Para a ferramenta WHOQOL-BREF, os escores do domínio físico foram 72,97 ± 11,78 para A e 77,17 ± 10,85 para NA (p < 0,05), no psicológico 66,44 ± 13,66 para A e 71,79 ± 11,48 para NA (p < 0,05), no domínio de relacionamento social 64,67 ± 19,08 para A e 73,36 ± 15,37 para NA (p < 0,01) e no domínio meio ambiente 68,14 ± 11,56 para A e 72,37 ± 10,07 para NA (p < 0,05). No SF-12® os componentes físico e mental não mostraram diferenças estatísticas.
CONCLUSÕES: A percepção da qualidade de vida dos anestesiologistas foi consistentemente inferior a dos médicos em geral, para a amostra estudada.

Unitermos: ANESTESIA, Especialidade; ANESTESIOLOGISTA, Qualidade de Vida.


 

 

INTRODUÇÃO

O médico passa praticamente todo o seu tempo em vigília no exercício da profissão. No atendimento aos pacientes, em reuniões, em trabalhos inesperados e na necessidade de atualização/educação continuada, ocorre uma sobrecarga gradual e crescente. Resta uma sufocante sensação de que, na verdade, ele se resignou a conviver com menos do que o mínimo e criou um abismo crescente entre as preocupações mais prementes no espectro da vida cotidiana e familiar e no anseio sobre o futuro 1. Nesse panorama ocorre prejuízo no sono, alteração da psicoestrutura, da autoestima e do desempenho profissional, sobrando sentimentos contraditórios. De um lado, o prazer de exercer a profissão de escolha. No outro, vê-se dentro do sistema de saúde que virou uma engrenagem para viabilizar atendimentos em massa, sentindo-se descartável; uma mera peça de reposição. A tão prezada autonomia tornou-se encapsulada. O médico perdeu sua liberdade. Neste contexto, o anestesiologista, por peculiaridade própria da especialidade, convive com situações adicionais de estresse decorrentes da privação de sono por chamados noturnos, ambiente de trabalho altamente mutante que incorpora poluição sonora (equipamentos cirúrgicos e de aspiração, eletrocautérios, monitores e alarmes, ventiladores entre outros), exposição a radiação, calor ou frio excessivo, cadeiras desconfortáveis e salas cirúrgicas mal projetadas 2,3. Outros fatores relevantes recaem na falta de controle sobre a carga de trabalho e a dificuldade de comunicação com a equipe, sem mencionar a subordinação permanente à agenda dos cirurgiões 4.

Na literatura, consideráveis contribuições dão respaldo à prevalência de alterações psicofisiológicas que estão ligadas ao desempenho profissional 5-8. Tais evidências exigem reflexão e requerem mudanças estruturais no ambiente anestésico. A começar pela identificação de fatores intangíveis, prejudiciais à qualidade de vida no trabalho, os quais, por não serem reconhecidos, não são devidamente solucionados.

O presente estudo propõe a avaliação da qualidade de vida de anestesiologistas e de um grupo-controle de médicos não anestesiologistas representativos da população médica do Rio Grande do Sul, para verificação comparativa da real situação do anestesiologista no nosso meio.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Desenho do estudo

Transversal, analisando os dados coletados de três formulários específicos que foram aplicados de forma anônima aos participantes do projeto entre o período de agosto de 2007 e março de 2008. O primeiro questionário: epidemiológico relacionado à rotina de trabalho; o segundo: World Health Organization Quality of Life Group (WHOQOL-BREF); e o terceiro: SF-36® (Medical Outcomes Study 36 – Item Short-Form Health Survey) na sua versão simplificada; SF-12®.

Definição dos grupos e tamanho da amostra

Grupo A, composto por médicos anestesiologistas que trabalham no Serviço de Anestesia e Medicina Perioperatória (SAMPE) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). O Grupo NA incorporou médicos de diversas especialidades, não anestesiologistas, que também trabalham no HCPA. Esta amostra foi selecionada proporcionalmente às especialidades registradas no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul. O Grupo I consistiu em anestesiologistas oriundos de três cidades do interior do estado do Rio Grande do Sul. Foram excluídos os médicos que se negaram a participar do projeto ou que não assinaram o termo de consentimento, aqueles com preenchimento incompleto dos formulários e os médicos que exerciam sua atividade profissional tanto na capital quanto no interior do estado. Considerando o limite do número de médicos contratados do SAMPE (70 contratados), para se obter α = 0,05 e β = 80% foi necessário um tamanho amostral de 64 indivíduos em cada grupo.

Análise estatística

Os dados obtidos foram armazenados em banco específico, utilizando a planilha de dados Excel Microsoft® e analisados no programa SPSS (Statistical Package for Social Sciences) para o estudo das variáveis epidemiológicas. Os escores de qualidade de vida foram processados pelos modelos específicos de cada ferramenta utilizada e as correlações com as variáveis epidemiológicas foram obtidas por análise multivariada. Em todas as análises foram considerados dois desvios padrões, menores que 0,05, como significantemente estatísticos.

 

RESULTADOS

Os resultados do questionário epidemiológico aplicado nos três grupos estão descritos na Tabela I.

Os Grupos A e I não diferiram estatisticamente em relação ao Grupo NA quanto a idade, noites de sobreaviso e/ou plantão durante a semana ou finais de semana e prática de atividade física ou de lazer.

O número total de participantes em cada grupo para o escore WHOQOL-BREF foi de 67 anestesiologistas da capital (A), 69 médicos não anestesiologistas (NA) e 51 anestesiologistas do interior (I) e para o escore SF-12 foi de 61 (A), 68 (NA) e 52 (I). Como o grupo do interior não atingiu o n necessário para a aplicação dos escores de qualidade de vida, este não pode ser incluído no seguimento da análise do trabalho.

O grupo de anestesiologistas da capital apresentou escores significativamente inferiores aos do grupo de médicos não anestesiologistas na ferramenta WHOQOL-BREF (Tabela II) nos domínios: físico, psicológicos, relação social, meio ambiente e qualidade de vida geral. Já os escores da ferramenta SF-12® (Tabela III) não diferiram significativamente entre os grupos.

 

 

 

 

Quando realizada a regressão multivariada (Tabela IV), para correlacionar as variáveis epidemiológicas com os escores alterados dos anestesiologistas da capital, a menor participação em eventos científicos foi preditor de escores mais baixos no domínio meio ambiente, o pior relacionamento com a equipe de trabalho foi preditor de escores mais baixos nos domínios: psicológico, relações sociais e qualidade geral e o menor tempo de formado foi preditor de menores escores no domínio meio ambiente.

 

 

DISCUSSÃO

A literatura está repleta de trabalhos que relatam diferentes tipos de estresse a que estão submetidos os anestesiologistas 2-8, mas não há estudo específico que balize a sua percepção da qualidade de vida quando comparada com a dos médicos no geral. Em contrapartida, o nível de satisfação do anestesiologista com a profissão é elevado 4,9, fato que poderia amenizar variáveis conjunturais duras e contribuir para melhor percepção de sua qualidade de vida. Todavia, nossos dados não apóiam essa suposição. Ao comparar os anestesiologistas da capital com médicos em geral, ficou evidente que a "qualidade de vida" deles foi inferior em diversos aspectos da análise. Quando a mesma comparação foi pretendida com "anestesiologistas do interior", o tamanho da amostra do grupo não foi suficiente.

Os fatores que podem interferir no nível da qualidade de vida dos anestesiologistas já foram bem lançados em publicações 2-8. Recentemente Mansour 10, ao comparar um grupo de anestesiologistas com pacientes diabéticos e demais funcionários de um mesmo hospital, demonstrou escores gerais de fadiga significantemente maiores em anestesiologistas. Chia 11 apontou para a relação inversa entre exaustão emocional e satisfação profissional ao analisar dados dos residentes em anestesia. Nyssen e col. 4 documentaram que, apesar dos níveis médios de estresse mensurados de anestesiologistas não terem sido superiores aos dos trabalhadores em geral, 40% destes apresentavam sofrimento emocional (burnout syndrome), com taxas mais elevadas entre residentes jovens. Nos programas americanos de residência em anestesia, foi detectado, após três anos da implantação de limites para horas de plantão, melhora no bem-estar dos residentes 12. Outros dados reforçam a tendência crescente entre anestesiologistas americanos e australianos em reduzir a carga semanal de trabalho diretamente relacionada com anestesia 13.

No presente estudo, que aplicou a ferramenta WHOQOL BREF devidamente validada 14,15, inclusive para grupos em ambiente laboral 16, o Grupo A, de anestesiologistas da capital, apresentou escores significativamente inferiores de qualidade de vida na totalidade dos domínios analisados (psicológico, relacionamento social, meio ambiente e físico). Contudo, na aplicação da ferramenta SF-12® não houve detecção de diferenças entre os grupos. Isso poderia ser atribuído ao instrumento, mais indicado para aferir desfechos clínicos e diferenciar estados de saúde quando comparado ao WHOQOL-BREF 17. Com efeito, a presente abordagem não tratou de populações com comorbidades específicas e tampouco grupos com alguma espécie de doença limitante. Mais, com respeito à escolha da versão simplificada da ferramenta (12 questões), que abreviaria tempo no preenchimento de três questionários, o tamanho da amostra no HCPA ficou reduzida para a obtenção apropriada de resultados.

Quanto ao grupo de anestesiologistas do interior, cuja avaliação ficou inviabilizada por não apresentar um n estatisticamente suficiente, buscaremos ampliar esta enquete para outras localidades do estado.

Com base no perfil de trabalho da Tabela I, a análise multivariada acusa uma relação positiva entre os escores inferiores dos anestesiologistas da capital e a pior relação destes com a equipe de trabalho. Este achado vem fortalecer as colocações de Jenkins e col. 9 sobre o impacto significativo da postura do cirurgião frente ao anestesiologista, e sua satisfação como profissional. A real importância deste componente tornou-se ainda mais evidente quando demonstramos no nosso estudo esta relação em mais de um domínio (psicológico e relações sociais) e no overall. Outros escores inferiores relacionados ao fator menor tempo dedicado a atualização, no domínio relações sociais, dão indício da importância de viagens para congressos, frequência aos seminários fora do ambiente de trabalho e discussões de artigos, entre outros, indispensáveis para a renovação/ aquisição de habilidades cognitiva, afetiva e social. O grupo de Kinz e col. 18 pautou bem a relevância das relações sociais e pessoais (maior tempo de leitura, cultivo de amizade, relações familiares) ao mostrar a maior confiança do anestesiologista nas suas habilidades pessoais e intelectuais para lidar com as demandas diárias, superando até mesmo o suporte de colegas ou superiores. Na presente análise, o menor tempo de profissão mostrou correlação com escores inferiores no domínio meio ambiente, onde são avaliadas situações como segurança, qualidade do ambiente de trabalho e mobilidade. O estudo de Morais e col. 19 favorece esses achados ao constatarem elevados níveis de estresse entre anestesiologistas, sendo que o maior tempo de experiência profissional se correlacionou a índices menores de fadiga emocional. A troca mais frequente de local de trabalho causaria menos estresse, privilégio comumente adquirido só após o passar dos anos.

Na nossa busca por elementos ligados à qualidade de vida no trabalho dos anestesiologistas quando comparados aos médicos em geral, além das limitações atribuídas ao tamanho da amostra, caberia referir uma característica peculiar no que refere profissionais vinculados a um hospital escola e, portanto, recebendo maior cobrança em termos acadêmicos. Essa condição, igualmente válida para o grupo-controle, pode não representar adequadamente médicos atuantes em instituições que não são de ensino. Ficou claro, contudo, que no caso específico de anestesiologistas, sua percepção de qualidade de vida é bem inferior a dos demais médicos.

 

CONCLUSÕES

A percepção da qualidade de vida dos anestesiologistas foi consistentemente inferior a dos médicos em geral para a amostra específica. O resultado deste estudo contribui com informações de significado para nortear ações saneadoras, sejam essas de caráter individual, em equipes ou de órgãos representativos da classe, sobre a conjuntura organizacional, ambiental e de logísticas de trabalho, possivelmente comprometedoras do bem-estar ocupacional da classe. Mais pesquisa torna-se necessária para verificar quais são as possíveis diferenças na QV dos anestesiologistas atuantes em regiões fora da capital.

 

REFERÊNCIAS

1. Editorial da Revista do CREMERS nº43, junho de 2007.         [ Links ]

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Correspondência para:
Dra. Helena Maria Arenson-Pandikow
Rua André Puente, 185 Ap. 701
Bairro Independência
90035150 – Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: hpandikow@hcpa.ufrgs.br

Submetido em 3 de maio de 2011.
Aprovado para publicação em 3 de agosto de 2011.

 

 

Recebido do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Brasil.