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Revista Brasileira de Anestesiologia

Print version ISSN 0034-7094

Rev. Bras. Anestesiol. vol.62 no.3 Campinas May/June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942012000300017 

ARTIGO ESPECIAL

 

Uso do óxido nitroso em pediatria

 

 

Leonardo Teixeira Domingues DuarteI; Gastão Fernandes Duval NetoI; Florentino Fernandes MendesIII

IMestre, Ciências da Reabilitação; Anestesiologista, Hospital SARAH
IIDoutor, Cirurgia Cardiovascular, Universidade Federal de São Paulo; Professor Titular, Anestesiologia, Departamento de Cirurgia Geral Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
IIIDoutor, Cirurgia, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Especialização em Tratamento da Dor, Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Professor Adjunto, Anestesiologia, Departamento de Clínica Cirúrgica, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre; Responsável pelo Centro de Ensino e Treinamento (CET), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Correspondência para

 

 

DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA

Foram realizadas buscas em múltiplas bases de dados (Medline 1965 a 2009; Cochrane Library; LILACS) e referências cruzadas com o material levantado para identificação de artigos com melhor desenho metodológico, seguidas de avaliação crítica de seu conteúdo e classificação de acordo com a força da evidência.

As buscas foram realizadas entre dezembro de 2007 e abril de 2008. Para as buscas no PubMed, foram utilizadas as seguintes estratégias de pesquisa:

1. Nitrous Oxide [MeSH] AND Pharmacology [MeSH] AND Toxicology [MeSH]

2. Nitrous Oxide [MeSH] ANDToxicology [MeSH]

3. Nitrous Oxide [MeSH] AND toxicity [subheading]

4. Nitrous Oxide [MeSH] ANDAcute Toxicity Tests [MeSH] OR Toxicity Tests [MeSH]

5. Nitrous Oxide [MeSH] AND Drug Toxicity [MeSH] OR Toxic Actions [MeSH]

6. Nitrous Oxide [MeSH] AND Drug Interactions [MeSH]

7. Nitrous Oxide [MeSH] AND Food-Drug Interactions [MeSH]

8. Nitrous Oxide [MeSH] AND Herb-Drug Interactions [MeSH]

9. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Postoperative Complications [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

10. Nitrous Oxide [MeSH] AND Child [MeSH]

11. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Child [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

11. Pediatrics [MeSH] OR Neonatology [MeSH] AND Nitrous Oxide [MeSH]

13. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Pediatrics [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

14. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Neonatology [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

15. Cerebral Palsy [MeSH] AND Child [MeSH] AND Nitrous Oxide [MeSH]

Foram selecionados os estudos que compararam diferentes classes de drogas anestésicas ou técnicas de sedação em crianças submetidas a procedimentos ou exames diagnósticos com uso de sedação ou anestesia. Também foram selecionados estudos que avaliassem os efeitos farmacológicos do óxido nitroso, a sua interação com outros anestésicos e seus efeitos tóxicos em crianças.

 

GRAUS DE RECOMENDAÇÃO E FORÇA DE EVIDÊNCIA

A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência;

B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência;

C: Relatos ou séries de casos (estudos não controlados);

D: Opinião desprovida de avaliação crítica, com base em consensos, opiniões de especialistas, estudos fisiológicos ou modelos animais.

 

OBJETIVO

Avaliar as vantagens e desvantagens da administração do óxido nitroso em diferentes procedimentos que demandam sedação e analgesia, bem como sua segurança em crianças.

 

INTRODUÇÃO

O anestésico inalatório óxido nitroso é um composto inorgânico, inodoro, de estrutura simples e linear, que, em temperatura e pressão ambiente, se apresenta na fase gasosa e é quimicamente estável. O mecanismo de ação do óxido nitroso ainda é pouco conhecido, mas certamente envolve vários tipos de receptores entre os quais os dopaminérgicos, α2 adrenérgicos, benzodiazepínicos e N-metil D-aspartato (NMDA).

O óxido nitroso possui baixa potência anestésica. Precisa ser inalado a uma pressão próxima de 0,7 Atm (530 mm Hg) para resultar em inconsciência em 50% dos pacientes, e acima de 1 Atm para prevenir movimentos musculares durante estímulo nociceptivo de incisão da pele. Devido a essa característica farmacodinâmica, o óxido nitroso é geralmente utilizado em associação com anestésicos venosos ou inalatórios.

Apesar das críticas e alertas expressos na literatura sobre a segurança da sua utilização clínica, o uso do óxido nitroso em anestesia continua frequente em todo o mundo. Os principais fatores que justificam essa situação são as suas indicações bem definidas para uso clínico1(D). Além disso, o óxido nitroso é um anestésico muito bem aceito por pacientes pediátricos, tornando possível a indução suave da anestesia sob máscara. O início rápido de ação e breve resolução do efeito, além da ausência de nefrotoxicidade ou hepatotoxicidade e de contraindicação de uso em pacientes com susceptibilidade à hipertermia maligna, são outras características que tornam o óxido nitroso opção atraente em anestesia pediátrica1(D).

 

INTERAÇÃO COM OUTROS ANESTÉSICOS

Anestésicos Inalatórios

Quais são os efeitos da combinação de anestésicos voláteis e Óxido Nitroso?

O óxido nitroso pode acelerar o tempo de indução da anestesia inalatória. A adição de altas concentrações de óxido nitroso a uma mistura de gases acelera a elevação da pressão parcial do anestésico volátil no final da expiração, bem como da sua pressão parcial arterial2(B). A presença de altas concentrações de óxido nitroso exerce efeitos de concentração e de segundo gás, facilitando a indução inalatória pura sob máscara, principalmente em anestesia pediátrica. O efeito de segundo gás será tão mais importante com o óxido nitroso quanto menor for a solubilidade do anestésico volátil associado. O óxido nitroso aumenta a captação alveolar do segundo gás na indução da anestesia ou quando do aumento da sua fração inspirada durante o procedimento3(B).

A adição de concentrações elevadas de óxido nitroso ao sevoflurano durante a indução da anestesia em crianças promove aceleração do equilíbrio entre as concentrações alveolar e inspirada do anestésico volátil4(D). A adição do óxido nitroso a elevadas concentrações de sevoflurano resulta em perda mais rápida da consciência5(B). A combinação de óxido nitroso 70% ao enflurano determina diminuição dos tempos de indução e de despertar da anestesia, além de menor ocorrência de problemas nas vias aéreas na intubação e de depressão respiratória (PetCO2 e apneia)6(B). Por outro lado, a adição de óxido nitroso 50% na indução da anestesia com sevoflurano se associa à maior ocorrência de fenômenos excitatórios7(B).

A indução da anestesia com sevoflurano 8% promove condições anestésicas e ocorrência de eventos adversos semelhantes, independentemente da combinação ou não de óxido nitroso 60%8(B). Não há diferença nos níveis de pressão arterial, frequência cardíaca e oximetria de pulso, bem como na ocorrência de movimento do membro durante a venopunção e de eventos adversos. Igualmente, o tempo de indução, a posição das cordas vocais no momento da intubação traqueal e as condições de intubação, assim como o tempo para despertar, são semelhantes independentemente da combinação do óxido nitroso9(A). Também não há diferença na manutenção da anestesia com sevoflurano quando o óxido nitroso foi omitido da técnica anestésica10(A). Não há diferença no consumo de opioides, no tempo para extubação e reorientação, na qualidade do despertar e da analgesia pós-operatória e na ocorrência de náuseas e vômitos pós-operatórios se o óxido nitroso for combinado ao sevoflurano10(A). O tempo e as condições para intubação traqueal foram semelhantes, a despeito da combinação do óxido nitroso que também não se associou à maior ocorrência de complicações respiratórias, mesmo em crianças com vias aéreas obstrutivas submetidas a amigdalectomias5(B).

A maioria dos dados na literatura aponta para interação aditiva entre o óxido nitroso e os anestésicos voláteis de forma a diminuir a CAM destes anestésicos em adultos e em crianças. O óxido nitroso exerce contribuição aditiva ao halotano, à medida que concentrações crescentes de óxido nitroso são combinadas, reduzindo sua CAM de modo linear11(B). O óxido nitroso também reduz a CAM do sevoflurano para inserção da máscara laríngea em crianças de forma linear e aditiva12(A), promovendo esse efeito a fim de prevenir o movimento durante a laringoscopia e intubação traqueal13(A). A administração de óxido nitroso 33% e 66% diminui linearmente a CAM do sevoflurano em 18% e 40%, respectivamente, na laringoscopia e intubação. A partir de tal efeito poupador do sevoflurano, juntamente com o conhecimento de que a administração de elevadas concentrações de sevoflurano podem determinar efeito epileptogênico, sugere-se que a combinação do óxido nitroso pode reduzir o risco da ocorrência de traçados epileptiformes no eletroencefalograma de crianças durante a administração de sevoflurano14(D).

A CAM do desflurano é reduzida em 25% com a administração concomitante de óxido nitroso15(B) e a CAM do isoflurano também diminui linearmente em crianças com a administração de concentrações crescentes de óxido nitroso16(B).

Recomendações: Apesar da potência anestésica baixa, quando associado a outros anestésicos inalatórios e em concentração inspirada de 60% a 70% em oxigênio, o óxido nitroso acelera o tempo de indução da anestesia (especialmente com agentes voláteis pouco solúveis)5,6(B), reduz de maneira significativa as necessidades dos mesmos12(A)11,15,16(B) e permite redução da exposição de pacientes e profissionais da área da saúde aos gases e vapores anestésicos potencialmente tóxicos. Por outro lado, não parece alterar as condições anestésicas produzidas por agentes voláteis9,10(A) e o tempo de despertar, quando combinado a agente pouco solúvel, como o sevoflurano10(A). Além disso, pode favorecer a ocorrência de fenômenos excitatórios associados ao sevoflurano7(B).

 

ANESTÉSICOS VENOSOS

Quais são os tipos de interação que podem ocorrer entre Óxido Nitroso e anestésicos venosos?

A combinação do óxido nitroso à infusão alvo-controlada de propofol permite reduzir em cerca de 25% a concentração plasmática média de propofol necessária para prevenir resposta à incisão cirúrgica17(B). Igualmente, a inalação de óxido nitroso 66% antes da indução da anestesia com propofol permite reduzir em 44% a dose necessária do hipnótico para a perda da resposta ao comando verbal e o tempo de indução da anestesia18(A).

A administração de óxido nitroso a crianças sedadas com doses moderadas de hidrato de cloral e hidroxizina, quando comparada à administração de oxigênio, resulta em menos choro e comportamento mais tranquilo, sem potencialização dos efeitos farmacológicos sobre parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial, saturação periférica de oxigênio e CO2 expirado19(B). A adição de óxido nitroso 30% ou 50% em crianças sedadas com hidrato de cloral e submetidas a procedimentos dentários deprime a ventilação e resulta frequentemente em sedação profunda20(B).

Ocorre superposição dos efeitos de opioides e óxido nitroso, de forma que o último reduz o efeito poupador dos opioides sobre a CAM dos anestésicos voláteis em ratos21,22(D). Quando há administração de dose suficiente de fentanil, a adição subsequente de óxido nitroso ao anestésico volátil não causa redução adicional na CAM23(B). Por outro lado, resultados aparentemente discrepantes surgem quando o opioide administrado é o remifentanil. A redução da CAM do sevoflurano promovida com a administração de óxido nitroso 60% durante infusão alvo-controlada de remifentanil 1 ng.mL-1 ocorre também quando a sua infusão é aumentada até 3 ng.mL-124(A). É possível que a diferença nos resultados se deva aos diferentes mecanismos de ação do fentanil e do remifentanil sobre o receptor NMDA. Enquanto o remifentanil ativa o receptor NMDA, o óxido nitroso, como antagonista NMDA, pode bloquear o efeito ativador do opioide e manter o efeito poupador sobre a CAM.

Recomendações: A combinação do óxido nitroso produz comumente interação aditiva com o propofol para o tempo de indução da anestesia18(A) e sedativos19(B). Por outro lado, não parece haver interação aditiva com opioides23(B), exceto se o remifentanil é o agente utilizado24(A).

Efeitos hemodinâmicos

Quais são os efeitos hemodinâmicos secundários à adição de Óxido Nitroso?

Em adultos, a combinação do óxido nitroso 65% com o isoflurano ou com o sevoflurano causa menos hipotensão que a administração isolada dos mesmos anestésicos voláteis em concentrações proporcionalmente equivalentes25(B). Devido aos efeitos depressores dos anestésicos voláteis, o efeito poupador determinado pela combinação do óxido nitroso pode proporcionar menor depressão cardiovascular e respiratória, e menor interação com outras drogas25(B). Igualmente, a adição de óxido nitroso 70% a concentrações plasmáticas crescentes de propofol não altera a pressão arterial até a concentração alvo de propofol exceder 5 µg.mL-126(B).

Ao contrário do que ocorre em adultos, a adição de óxido nitroso à anestesia com 1 CAM de halotano ou isoflurano em crianças, não promove sinais cardiovasculares secundários a estimulação simpática27(B). Na verdade, a adição do óxido nitroso causa redução da frequência cardíaca, pressão arterial média e consequente redução do débito cardíaco. Volume sistólico e fração de ejeção não sofrem alterações com a adição do óxido nitroso.

Recomendações: A combinação do óxido nitroso a anestésicos voláteis reduz a ocorrência de hipotensão quando comparada à administração isolada destes agentes em dose equipotente25(B). Por outro lado, a combinação de óxido nitroso ao halotano e isoflurano na dose de 1 CAM em crianças causa redução do débito cardíaco27(B).

Efeitos respiratórios

Quais são os efeitos respiratórios do uso do Óxido Nitroso em crianças?

Os efeitos respiratórios produzidos pelo óxido nitroso em crianças diferem de acordo com o anestésico volátil associado. Enquanto o efeito depressor com o halotano é semelhante quando combinado ao óxido nitroso 50% ou ao oxigênio puro, durante anestesia com enflurano, a combinação do óxido nitroso determina efeito depressor menor28(B).

O estado da oxigenação antes da intubação traqueal em crianças é determinante para o intervalo de tempo até o surgimento de dessaturação arterial. Dessa forma, a menor fração inspirada de oxigênio associada à inclusão do óxido nitroso na mistura de gases inalados determinará queda mais rápida da saturação de oxigênio na hemoglobina29(B). Por outro lado, o uso intraoperatório de óxido nitroso 66% não influencia a ocorrência de episódios de dessaturação durante o despertar da anestesia em crianças30(A). O uso de ar, no lugar do óxido nitroso, com o objetivo de reduzir a formação de atelectasias não encontra respaldo na literatura.

Recomendações: A intensidade do efeito depressor do óxido nitroso sobre a ventilação, quando combinado a anestésicos voláteis, difere na dependência do agente halogenado28(B). A associação do óxido nitroso determina dessaturação arterial mais rápida durante a intubação traqueal29(B), mas não altera a sua ocorrência no despertar da anestesia30(A).

 

EFEITOS CEREBRAIS

Que efeitos o Óxido Nitroso produz sobre o cérebro da criança?

A adição de óxido nitroso não afeta a reatividade da vasculatura cerebral ao CO2, durante anestesia com propofol em crianças31(B). Quando é necessária preservação da reatividade vascular cerebral, a combinação de propofol e óxido nitroso é uma alternativa adequada31(B). O óxido nitroso a 65% promove aumento de cerca de 12% da velocidade de fluxo sanguíneo cerebral durante anestesia alvo-controlada com propofol 3 µg.mL-1 em crianças. O efeito do óxido nitroso sobre a velocidade de fluxo sanguíneo cerebral é preservado durante a infusão de propofol, enquanto a sua substituição por ar implica em redução de cerca de 14% na velocidade de fluxo sanguíneo cerebral32(B).

Na anestesia com sevoflurano a 1,5 CAM, a adição de óxido nitroso causa diminuição na reatividade cerebrovascular ao CO2 durante a hipocapnia (fração expirada de CO2 entre 25 e 35 mmHg)33(B). Esse efeito será importante quando a hiperventilação for contemplada para reduzir o volume cerebral em crianças com hipertensão intracraniana33(B). A adição de óxido nitroso à anestesia com sevoflurano a 1 CAM promove aumento da velocidade de fluxo sanguíneo cerebral, que retorna aos valores basais quando da remoção do óxido nitroso34(B). Ao contrário, na anestesia com 1 CAM de desflurano, a adição de óxido nitroso não altera a velocidade de fluxo sanguíneo cerebral35(B).

Recomendação: Os efeitos do óxido nitroso sobre a hemodinâmica cerebral de crianças diferem de acordo com o anestésico combinado. Quando combinado ao propofol, há pequena alteração da reatividade cerebral31(B), enquanto a combinação com agentes voláteis determina maior alteração com menor reatividade cerebrovascular durante a hipocapnia31(B).

Papel do óxido nitroso como técnica de sedação e analgesia

O uso do Óxido Nitroso é uma técnica segura de sedação e analgesia em crianças?

Poucos são os dados existentes na literatura com relação à segurança do uso do óxido nitroso como técnica de sedação e analgesia em crianças. Com relação à profundidade da sedação e incidência de efeitos adversos associados à inalação de óxido nitroso em crianças36(B), sabe-se que concentrações elevadas do gás (70%) promovem sedação de leve a moderada, com baixa ocorrência de efeitos adversos, e se mostram seguras para a sedação e analgesia, mesmo em crianças abaixo de 3 anos de idade36(B). A ocorrência de efeitos adversos - a maioria vômitos - não difere entre a administração de óxido nitroso a 50% ou a 70%.

Recomendação: A sedação de crianças promovida pelo óxido nitroso é de profundidade leve e com baixa frequência de efeitos adversos, a maioria vômitos36(B).

O uso do Óxido Nitroso é uma técnica eficaz de sedação e analgesia em crianças?

O óxido nitroso pode ser usado como método de sedação e analgesia em diferentes situações da prática clínica em crianças, isoladamente ou em combinação a outra técnica de analgesia como fármacos analgésicos, mistura eutética de anestésicos locais (EMLA) e infiltração de lidocaína37(B).

Crianças podem apresentar dor e ansiedade consideráveis quando submetidas e procedimentos cirúrgicos ou diagnósticos dolorosos. Pequenos procedimentos cirúrgicos em crianças (punção lombar, aspiração medula óssea, suturas, punções venosas, correção de fraturas, tratamento dentário e procedimentos endoscópicos) requerem controle efetivo da dor, da ansiedade e dos movimentos. A administração de óxido nitroso em concentrações abaixo de 50% é alternativa eficaz à sedação consciente e anestesia geral em pequenos procedimentos cirúrgicos pediátricos. A técnica promove grande alívio da dor e ansiedade, satisfação dos pais, pacientes e equipe assistente, mantém os reflexos protetores e não requer monitorização pós-procedimento38(D).

Procedimentos dentários

Mais de 90% das crianças submetidas a extrações dentárias concluem o tratamento com sucesso sob sedação com óxido nitroso a 30% 39(B) e a sedação inalatória com esse mesmo gás é efetiva em crianças de diferentes faixas etárias, especialmente em crianças mais velhas que requerem tratamento ortodôntico ou até quatro extrações dentárias40(D). Por outro lado, quando comparada à anestesia geral, a sedação inalatória demanda mais tempo por caso e maior número de sessões de tratamento por paciente.

A inalação de óxido nitroso a 50% por crianças saudáveis é referida como experiência agradável, mas que determina efeitos significativos sobre a capacidade psicomotora 41(C). A sedação com óxido nitroso a 30% mostra-se superior à administração de midazolam pelas vias venosa (dose máxima de 5 mg)42(B) ou transmucosa43(B) em crianças entre 10 e 16 anos de idade submetidas a extrações dentárias. Enquanto as técnicas são equivalentes quanto à eficácia e segurança, o óxido nitroso se associa, porém, a tempos menores para atingir o nível máximo de sedação e para sua recuperação42,43(B). Além disso, a aceitação da técnica inalatória é maior que a transmucosa devido ao gosto desagradável da solução de midazolam43(B).

A inalação de óxido nitroso é técnica alternativa para controle da dor e ansiedade em procedimentos dentários e se mostrou segura em relação à anestesia geral. De fato, a administração isolada de óxido nitroso, ou combinada ao sevoflurano em baixa concentração (0,1% a 0,3%), não determina complicações e permite que crianças permaneçam conscientes e responsivas ao comando verbal durante o tratamento dentário e na sala de recuperação44(A).

A combinação da sedação com óxido nitroso a técnicas comportamentais e de distração (por exemplo, videogame) auxiliam no manejo da ansiedade em crianças submetidas a tratamento dentário. A combinação de métodos farmacológicos e não farmacológicos de sedação promove sedação adequada e aumenta a aceitação da criança, ao reduzir a excitação e o medo45(C).

Recomendações: A sedação inalatória com óxido nitroso está bem indicada nos tratamentos dentários de crianças mais velhas e quando menos de quatro extrações dentárias são necessárias40(D). Quando administrado por profissionais qualificados através de equipamento adequado, é considerada uma técnica com alta taxa de sucesso39(B) e baixa ocorrência de efeitos adversos e complicações, de forma que pode ser alternativa efetiva e segura à anestesia geral44(A). Todavia, na maioria dos casos, a analgesia promovida pelo óxido nitroso não é suficiente para garantir um tratamento dentário indolor e a suplementação com anestesia local é necessária40(D).

Redução de Fraturas Ósseas

A taxa de sucesso e a intensidade da dor são semelhantes em crianças que necessitam de manipulação incruenta de fraturas do antebraço, quando as técnicas para a analgesia são a inalação de óxido nitroso ou a anestesia regional intravenosa. Analgesia com óxido nitroso permite que o procedimento seja completado mais rapidamente46(B), apesar de não se poder concluir acerca da eficácia do óxido nitroso como técnica de sedação e analgesia em crianças submetidas à redução de fraturas47(A).

Recomendações: Não há dados suficientes para indicar ou contraindicar o uso do óxido nitroso em crianças submetidas a reduções de fraturas.

Procedimentos otorrinolaringológicos

O exame e outros procedimentos otoscópicos são desconfortáveis e, como consequência da dor e da ansiedade, crianças podem não colaborar com o examinador. A inalação ambulatorial de óxido nitroso para sedação e analgesia do exame e pequenos procedimentos cirúrgicos otológicos em crianças não cooperativas são métodos úteis e eficazes no alívio da dor48(C).

Recomendação: A inalação de óxido nitroso é um método eficaz no alívio do desconforto de procedimentos otológicos em crianças48(C).

Procedimentos urológicos

A sedação com óxido nitroso é efetiva em reduzir a ansiedade e dor durante o cateterismo para uretrocistografia, em crianças e adolescentes entre 4 e 18 anos de idade49(B). A administração de óxido nitroso não causa eventos adversos graves (apneia e dessaturação arterial abaixo de 92%), e a incidência de eventos adversos leves (diaforese, náusea, vômito) é baixa, ocorrendo em 4% dos pacientes50(B).

Quando comparado ao midazolam oral, a inalação de óxido nitroso a 50% é igualmente efetiva e segura no alívio da dor e ansiedade associadas à uretrocistografia, em crianças acima de 3 anos de idade51(A). Todavia, o óxido nitroso permite início mais rápido da sedação e recuperação mais curta.

Recomendação: A sedação com óxido nitroso permite reduzir a ansiedade relacionada ao cateterismo para uretrocistografia49,50(B) e sua eficácia é semelhante à sedação oral com midazolam51(A).

Suturas da pele

A administração de óxido nitroso a 50% em crianças submetidas a reparos de lacerações da pele permite a redução dos escores de dor e de ansiedade52(B). O uso do óxido nitroso também é superior ao midazolam oral em suturas de lacerações da face, ao promover escores menores de dor durante a limpeza da ferida e injeção do anestésico local, além de promover recuperação mais rápida e menos efeitos adversos em crianças entre 2 e 6 anos de idade53(A).

Recomendação: A administração de óxido nitroso é eficaz e superior à sedação oral com midazolam para realização de suturas da pele de crianças53(A).

Venopunção

A administração de óxido nitroso a 50% ou 70% é efetiva para a diminuição da dor e ansiedade associadas à venopunção em crianças. O uso da concentração mais elevada, entretanto, se associa a maior frequência de eventos adversos54(B). A combinação da inalação de óxido nitroso a 50% e mistura eutética de anestésicos locais (lidocaína e prilocaína) é efetiva para a inserção de cateter venoso central em crianças e apresenta efeitos adversos limitados (euforia 14%, sedação profunda 4%, náuseas e vômitos 2% e alucinações 2%)55(B).

A terapia conjunta com óxido nitroso a 50% e EMLA é superior aos dois tratamentos isolados para a canulação venosa, e está associada a escores menores de dor em crianças com idade entre 8 e 15 anos. Por outro lado, não há diferença quando as duas técnicas são aplicadas isoladamente56(A). O alívio da dor produzido pela inalação de óxido nitroso a 70% em crianças entre 6 e 11 anos de idade, a facilidade técnica e a eficácia são semelhantes àqueles produzidos pela aplicação de EMLA57(B). Por outro lado, há também evidências de que a inalação de óxido nitroso a 70% é superior à aplicação de EMLA, promovendo escores menores de dor durante a canulação venosa58(A).

Recomendações: A inalação de óxido nitroso mostrou-se eficaz no alívio da dor associada à venopunção em crianças54(B). Porém, os resultados são superiores quando combinado à aplicação EMLA (lidocaína e prilocaína)56(A).

Injeções

A administração de óxido nitroso a 50%, combinada à aplicação local de EMLA, está associada a escores menores de dor durante e logo após injeção intramuscular em crianças, e é superior à administração isolada de cada estratégia59(A). Além disso, a inalação de óxido nitroso a 50%, previamente à administração venosa de propofol, reduz a dor associada à injeção em crianças, quando comparado à inalação de oxigênio 100%60(A). Em crianças com paralisia cerebral submetidas à injeção de toxina botulínica A, a sedação promovida pela inalação de óxido nitroso é mais eficaz que o midazolam administrado pela via enteral61(A).

Recomendação: A administração de óxido nitroso, isolado ou em combinação com EMLA, se associa a sedação eficaz e alívio da dor em crianças submetidas a injeções59-61(A).

Outros

A administração de mistura de óxido nitroso a 50% e oxigênio, combinada a anestesia local tópica, é segura e eficaz na sedação e alívio da dor e ansiedade em crianças submetidas à broncoscopia por fibra óptica62(A).

A administração de óxido nitroso promove analgesia rápida e eficaz, sem sedação profunda e com efeitos adversos mínimos, em crianças submetidas à endoscopia digestiva alta63(B). Permite cooperação, realização rápida e adequada do exame.

Não há benefícios com o uso de morfina venosa ou óxido nitroso em crianças submetidas à retirada de dreno torácico. Não há diferença na eficácia analgésica das duas técnicas, que também não são efetivas no alívio da dor quando utilizadas como técnica única64(A).

 

EFEITOS ADVERSOS

Náuseas e Vômitos Pós-peratórios

As náuseas e vômitos pós-operatórios estão entre os eventos adversos mais comumente relacionados à anestesia e cirurgia. Sua incidência, entretanto, varia na dependência do perfil de risco do paciente e da cirurgia, além das medidas profiláticas utilizadas65(D).

A probabilidade da ocorrência de náuseas e vômitos na sala de recuperação pós-anestésica é 2,24 vezes maior quando o óxido nitroso é usado em adultos66(B). De forma semelhante, são identificados fatores de risco independentes para náuseas e vômitos pós-operatórios, entre os quais está a administração de óxido nitroso67(D) que também é fator preditor da ocorrência de náuseas e vômitos em pacientes com mais de 18 anos de idade submetidos a cirurgias com duração superior a 2 horas68(A). A omissão do óxido nitroso pode diminuir a incidência da sintomatologia em quase 30%, enquanto o impacto da estratégia esteja ligado a pacientes com alto risco para a ocorrência de náuseas e vômitos pós-operatórios.

Por outro lado, a adição de óxido nitroso a 70% ao sevoflurano69(A) ou ao halotano70(A) não está associada à frequência maior de náuseas e vômitos pós-operatórios em crianças. De forma semelhante, a incidência e gravidade de vômitos em crianças não diferem entre pacientes tratados com óxido nitroso a 70% e aqueles que não receberam o anestésico71(A). Ao contrário, quando combinado ao propofol, o óxido nitroso está associado ao aumento da ocorrência de vômitos pós-operatórios72(A).

Recomendações: O óxido nitroso não parece aumentar a ocorrência de náuseas e vômitos pós-operatórios em crianças quando associado a anestésicos voláteis69,70(A). Por outro lado, o conhecido efeito protetor do propofol contra náuseas e vômitos pode ser perdido ao ser associado ao óxido nitroso72(A).

 

EFEITOS TÓXICOS

Toxicologia

Há cerca de 50 anos existem evidências clínicas dos efeitos toxicológicos do óxido nitroso com potenciais alterações na saúde de pacientes expostos, bem como na saúde ocupacional de profissionais da área da saúde expostos a inalação crônica (ambiental) desse anestésico73(D).

A anestesia com óxido nitroso em ratos inibiu rapidamente a atividade da metionina sintetase74(D) e a sua exposição por 2 horas se associou à redução de 50% na atividade da metionina sintetase75(D). A exposição ao óxido nitroso a 50% diminuiu a atividade da enzima após 30 minutos, sendo indetectável após 6 horas. Também em ratos, a administração a 50%, por uma hora, reduziu a atividade da enzima a 11% e 18% nos fígados materno e fetal, respectivamente76(D). A extrapolação desses achados para o gênero humano deve ser cuidadosa, pois os ratos mostraram-se mais sensíveis à ação inibitória do óxido nitroso do que o homem77(C). Comumente, a atividade enzimática é recuperada 2 a 4 dias após a exposição ao óxido nitroso74(D).

A inibição da atividade da enzima metionina sintetase pelo óxido nitroso ocorre por meio da oxidação do íon cobalto (Co+) de sua coenzima - a cobalamina (vitamina B12)74(D). Com o cátion cobalto oxidado, a vitamina B12 é impedida de agir como coenzima da metionina sintetase. Além da vitamina B12, a metionina sintetase também requer 5-metiltetra-hidrofolato como coenzima, e com participação crucial na biossíntese das pirimidinas e purinas e no metabolismo das serinas e glicinas, que doam grupos metil para a cobalamina, formando metilcobalamina, doadora final dos grupos metil na conversão da homocisteína em metionina.

As consequências clínicas reais de tais atividades biológicas e farmacológicas, entretanto, ainda não estão totalmente entendidas, mas sugere-se que as possíveis alterações secundárias a sua administração podem se expressar como efeitos deletérios imunológicos, hematológicos, neurológicos, miocárdicos, infecciosos e reprodutivos, entre outros. A utilização do óxido nitroso, de maneira prolongada ou repetida, pode resultar em anemia megaloblástica e/ou degeneração subaguda da medula espinhal1(D).

Recomendações: Dada a importância da metionina sintetase para o funcionamento celular, pela sua contribuição para a geração de grupamentos metil para a síntese do DNA, RNA, mielina, catecolaminas, entre outros, a interferência imposta pelo óxido nitroso sobre o metabolismo da vitamina B12 e folato demanda cuidado no caso de pacientes pediátricos com reconhecida deficiência de vitamina B12 (genética ou ambiental) ou relato de deficiência dessa vitamina1(D). Tais pacientes devem ser reconhecidos, a fim de se determinar a necessidade de monitorização das referidas alterações metabólicas no período perioperatório.

Neurodegeneração

Enquanto antagonista dos receptores NMDA, o óxido nitroso pode promover ações tanto neuroprotetoras (contra alterações neurodegenerativas causadas por agonistas NMDA) quanto neurotóxicas, a depender das circunstâncias78(D). Outro mecanismo aventado para a neurotoxicidade desencadeada pelo óxido nitroso é a interferência sobre os mecanismos de liberação de dopamina79(D). Enquanto esses achados suscitam preocupação com a administração do óxido nitroso em combinação a outros antagonistas NMDA, o risco de neurotoxicidade deve diminuir quando da sua administração combinada a outros anestésicos gerais que exercem efeitos GABAérgicos e minimizam a possível neurotoxicidade do óxido nitroso78(D).

Evidências em estudos animais demonstraram que o óxido nitroso pode ser deletério ao cérebro durante o desenvolvimento da criança, podendo ser um risco potencial a alguns pacientes prematuros e recém-nascidos80(D). Estudos sugerem que o óxido nitroso apresenta efeitos neurotóxicos em cérebros imaturos de ratos através de mecanismo que envolve a indução de apoptose, seja independentemente, seja em combinação e potencializando a ação dos anestésicos halogenados80(D). Apesar da exposição ao óxido nitroso em concentrações até 75% não ter induzido degeneração apoptótica em cérebros de ratos neonatos, o óxido nitroso exacerbou a lesão causada pelo isoflurano80(D). A combinação do óxido nitroso ao midazolam e isoflurano, administrada por 6 horas a ratos jovens, causou extensa neurodegeneração apoptótica, além de disfunções de memória e aprendizado81(D). Todavia, nesse e em outros estudos, a administração isolada do óxido nitroso não causou aumento da apoptose. Além disso, os resultados do estudo podem representar, quando aplicado a humanos, exposição prolongada, como em sedação na unidade de terapia intensiva, bem maior que aquela durante o procedimento cirúrgico.

Recomendações: Apesar de estudos sugerirem que o óxido nitroso apresenta efeitos neurotóxicos em cérebros imaturos, a evidência atual de lesão é insuficiente para contraindicar seu uso pediátrico. Não há evidências na atualidade de que seu uso afete negativamente o desenvolvimento neurológico de crianças80,81(D).

Complicações hematológicas e neurológicas

Pacientes com deficiência de vitamina B12 (secundária a ressecção do íleo terminal, anemia perniciosa ou restrição alimentar - vegetarianos e restrição de proteínas) estão sob maior risco de desenvolverem complicações secundárias aos efeitos metabólicos do óxido nitroso. Relatos de casos ilustram que esses pacientes, ou mesmo recém-nascidos de mães com tais problemas, podem apresentar complicações hematológicas e neurológicas após exposição ao óxido nitroso82(D)83,84(C).

Pacientes com deficiência de vitamina B12 desenvolveram diferentes manifestações neurológicas e hematológicas, após exposição intraoperatória ao óxido nitroso82(D)83,84(C). Assim, diferentes autores levantam suspeita sobre a administração do óxido nitroso a crianças, dada a grande prevalência de defeitos metabólicos e deficiências vitamínicas nessa população de pacientes.

A inibição da atividade da enzima metionina sintetase pode causar anemia megaloblástica85(D). Pacientes com deficiência de cobalamina ou de folato estariam sob risco especialmente mais elevado. Curtos períodos de inalação de óxido nitroso (2 a 6 horas) podem resultar em alterações megaloblásticas na medula óssea de pacientes com saúde gravemente comprometida, por disfunção na síntese de metionina e DNA86(C). Após 24 horas de exposição aparecem neutrófilos hiperpigmentados, alterações megaloblásticas e insuficiência aguda da atividade da medula óssea.

Em pacientes com deficiência latente de vitamina B12, mieloneuropatias, parestesias espásticas, insuficiências funiculares mieloides agudas e manifestações psiquiátricas podem ser vistas após exposição ao óxido nitroso87(C). Enquanto a ocorrência de lesão neurológica é improvável quando da exposição de curta duração ao óxido nitroso (como em um único procedimento cirúrgico), a redução da atividade da metionina sintetase após repetidas exposições causou mielinopatia com degeneração medular em humanos87(C) e em animais88(D). Lesão neurológica também foi descrita após anestesia com óxido nitroso em paciente com deficiência de cobalamina89(C) ou de folato90(A).

O desfecho fatal foi descrito em criança de 3 meses de idade, com diagnóstico de homocistinúria tipo III (defeito da enzima 5, 10-metilenotetra-hidrofolato redutase), exposta ao óxido nitroso por duas ocasiões em período de 4 dias89(C). Assumiu-se que a combinação do defeito genético com a inibição da enzima metionina sintetase - induzida pelo óxido nitroso - foi fatal89(C). Outros polimorfismos da enzima 5, 10-metilenotetra-hidrofolato redutase são ainda mais comuns. A literatura apresenta também relato de mielopatia e anemia macrocítica responsiva ao folato e à vitamina B12 após duas exposições ao óxido nitroso em intervalo de 10 dias91(C). Avaliação subsequente demonstrou níveis elevados de homocisteína, níveis baixos de vitamina B12 e mutação do gene da enzima metilenotetra-hidrofolato redutase91(C).

Recomendações: Os efeitos do óxido nitroso sobre as vias dependentes de vitamina B12 em pacientes com deficiência da enzima metionina sintetase não são conhecidos, mas parece razoável evitar seu uso em crianças com deficiência da enzima, assim como em outros defeitos do metabolismo da vitamina B12 83,84,86,87,89(C)90(A).

 

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Correspondência para:
Sociedade Brasileira de Anestesiologia
Rua Professor Alfredo Gomes, 36 Botafogo
22251080 - Rio de Janeiro, RJ, Brasil
E-mail: rba@sba.com.br

 

 

Recebido da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, Brasil.

 

 

DESCRIPCIÓN DEL MÉTODO DE RECOLECCIÓN DE EVIDENCIA

Fueron realizadas búsquedas en múltiples bases de datos (Medline desde 1965 a 2009; Cochrane Library; LILACS) y referencias cruzadas con el material investigado para la identificación de los artículos con el mejor esquema metodológico, seguidas de una evaluación crítica de su contenido y clasificación de acuerdo con la fuerza de la evidencia.

Las búsquedas fueron realizadas entre diciembre de 2007 y abril de 2008. Para las búsquedas en el PubMed, fueron utilizadas las siguientes estrategias de investigación:

1. Nitrous Oxide [MeSH] AND Pharmacology [MeSH] AND Toxicology [MeSH]

2. Nitrous Oxide [MeSH] ANDToxicology [MeSH]

3. Nitrous Oxide [MeSH] AND toxicity [subheading]

4. Nitrous Oxide [MeSH] ANDAcute Toxicity Tests [MeSH] OR Toxicity Tests [MeSH]

5. Nitrous Oxide [MeSH] AND Drug Toxicity [MeSH] OR Toxic Actions [MeSH]

6. Nitrous Oxide [MeSH] AND Drug Interactions [MeSH]

7. Nitrous Oxide [MeSH] AND Food-Drug Interactions [MeSH]

8. Nitrous Oxide [MeSH] AND Herb-Drug Interactions [MeSH]

9. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Postoperative Complications [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

10. Nitrous Oxide [MeSH] AND Child [MeSH]

11. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Child [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

12. Pediatrics [MeSH] OR Neonatology [MeSH] AND Nitrous Oxide [MeSH]

13. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Pediatrics [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

14. Nitrous Oxide [MeSH] AND Anesthesia, General [MeSH] AND Neonatology [MeSH] AND Randomized Controlled Trial[ptyp]

15. Cerebral Palsy [MeSH] AND Child [MeSH] AND Nitrous Oxide [MeSH]

Se seleccionaron los estudios que compararon diferentes clases de fármacos anestésicos, o las técnicas de sedación en niños sometidos a procedimientos o exámenes diagnósticos con el uso de sedación o anestesia. También fueron seleccionados estudios que evaluasen los efectos farmacológicos del óxido nitroso, su interacción con los otros anestésicos y sus efectos tóxicos en niños.

 

GRADOS DE RECOMENDACIÓN Y FUERZA DE EVIDENCIA

A: Estudios experimentales u observacionales de mejor consistencia;

B: Estudios experimentales u observacionales de menor consistencia;

C: Relatos o series de casos (estudios no controlados);

D: Opinión que no tiene una evaluación crítica, con base en los consensos, opiniones de expertos, estudios fisiológicos o modelos animales.

 

OBJETIVO

Evaluar las ventajas y desventajas de la administración del óxido nitroso en diferentes procedimientos que exigen una sedación y una analgesia, como también su seguridad en los niños.