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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.31 no.2 Brasília  1978

http://dx.doi.org/10.1590/0034-716719780002000005 

Artigos

COMISSÃO DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR

Lidvina Horr* 

Inez Maria Oro* 

Alacoque Lorenzini* 

Lorena Machado e Silva* 

*Mestrandas da Universidade Federal de Santa Catarina.

I - INTRODUÇÃO

Historicamente, o controle das infecções bacterianas sistêmicas teve início em 1935, com o emprego da sulfanilamida e a seguir, com a descoberta da penicilina por Fleming.

Novas investigações levaram a aumentar de muito a eficácia da quimioterapia bacteriana. Porém, um grande número de microrganismos adquiriu resistência a muitos agentes antimicrobianos, por um ou mais dos seguintes mecanismos: mutação, transdução, transformação e, conjugação.

Este problema de resistência bacteriana aos antibióticos é um dos mais importantes e que mais preocupa aos pesquisadores, bem como aos profissionais da área de saúde. As soluções para o mesmo, apóiam-se geralmente, sobre o desenvolvimento de novos e mais eficazes agentes antimicrobianos.

"As infecções hospitalares, segundo estimativas consideradas otimistas, matam mais de 50 mil pessoas por ano no Brasil". (O jornal "O Estado de São Paulo").

Segundo ZANON e colaboradores, "são conhecidas até a presente data, taxas de infecção hospitalar de apenas 4 hospitais brasileiros, que se situam entre 4,1 a 13,2%, e nos Estados Unidos variam entre 3 a 15%.

"Pela gravidade do problema é necessário instituir-se, no" Hospital, medidas de controle e tratamento da infecção hsopitalar, com a finalidade primordial de zelar pelo bem-estar do paciente, conseguindo a diminuição da permanência do mesmo no hospital, e conseqüentemente a diminuição do custo/paciente"

Para tais medidas visamos neste trabalho:

  • - promover a conscientização de pessoas, em nível de decisão, para a importância da constituição de comissões de controle de infecção hospitalar, órgão normativo, que centraliza o problema permitindo o pronto reconhecimento dos surtos nas diversas áreas do hospital, bem como, determinação das medidas de prevenção e controle;

  • - conscientizar os administradores sobre a importância de existir uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (C.C.I.H.), considerando os graves riscos de morbidade e mortalidade, bem como o custo do tratamento e média de permanência dos pacientes nas Instituições de Saúde;

  • - oferecer subsídios para a implantação de comissões de controle de infecções nas Instituições de Saúde.

II - DESENVOLVIMENTO

1. Fontes e causas de infecção hospitalar

A interação entre os agentes mórbidos com o meio ambiente e o homem pode determinar uma infecção a partir do memento em que diminuem as defesas naturais do organismo em relação ao agente agressor.

A infecção hospitalar, segundo a maioria dos autores, inclui os processos infecciosos adquiridos no hospital e os não identificados na admissão do paciente por dificuldade diagnostica ou prolongado período de incubação, e que se manifestem durante a sua permanência e até mesmo depois de sua alta.

No hospital, as principais fontes de infecção decorrem de causas ligadas ao ambiente, pessoal, equipamento, material, veículos, desempenho deficiente das técnicas de trabalho e uso indiscriminado de antibióticos.

2. Constituição de uma C.C.I.H.

Paralelamente aos avanços tecnológicos na área da Saúde aumenta o problema das infecções nos ambientes hospitalares, particularmente das infecções cruzadas, agravado pelas novas amostras de bactérias resistentes aos antibióticos.

Medidas efetivas devem ser adotadas visando a redução e eliminação das infecções, proporcionando maior segurança aos pacientes, visitantes e servidores do hospital, destacando-se como medida prioritária a criação de uma C.C.I.H.

2.1. Estrutura fisica

A área física destinada para o funcionamento de uma C.C.I.H. dependerá do tamanho e condições de cada hospital, bem como do número e gravidade da ocorrência de infecções. Acredita-se que a C.C.I.H. deva dispor no minimo de uma sala para chefia e reuniões, secretaria e arquivo, laboratório para bacteriologia epidemiológica.

2.2. Estrutura funcional

2.2.1. Posição da C.C.I.H. no organograma

A C.C.I.H. deve estar diretamente subordinada a Administração superior, o que favorecerá a comunicação e resolução imediata dos problemas referentes às infecções.

2.2.2. Número e qualificação do pessoal

A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (C.C.I.H.) é atualmente uma necessidade sentida em muitos hospitais e recomendada desde há muito pela Associação Americana de Hospitais, através de seu Conselho especialmente formado para estudar as infecções e seu controle.

Conscientizados da problemática da infecção hospitalar, suas repercussões negativas e graves conseqüências, tais como aumento da taxa de mortalidade, morbidade, taxa elevada de ocupação, média de permanência, é que hospitais de pequeno, médio e grande porte criaram sua C.C.I.H. O número de componentes de uma Comissão depende de uma série de fatores, tais como: tipo de hospital, número de leitos, taxta de ocupação e taxa de infecção. Assim, em hospitais pequenos, a responsabilidade poderá ser confiada apenas a um profissional, que reúna conhecimentos de bacteriologia, epidemiologia e de enfermagem.

Em hospitais de médio e grande porte, fazem parte da comissão, vários profissionais da área da saúde a saber:

  • - Administrador do hospital

  • - Enfermeiro

  • - Médico clínico e/ou cirurgião

  • - Becteriologista

  • - Sanitarista ou Epidemiologista

  • - Secretária.

A primeira vista pode parecer onerosa a existência de uma C.C.I.H. Atualmenmente, as poucas comissões já em funcionamento e a vasta bibliografia a respeito, provam ser um investimento para o hospital.

Não é necessário lembrar que os membros da Comissão devem ter horas disponíveis para estas atividades por se tratar de um trabalho difícil que requer muito tempo, eficiência e vigilância permanente para que possa atingir seus objetivos.

Como o Serviço de Enfermagem representa mais de 50% do pessoal hospitalar, é aconselhável que tenha um representante Enfermeiro, em tempo integral, para atuar como um dos membros executivos e fiscalizadores da Cimissão.

2.2.3. Setores e competência da C.C.IH.

Para maior dinamismo e eficácia dos trabalhos, a Comissão pode ser estruturada em vários setores com atribuições definidas, a saber:

  • - Setor normativo: ao qual compete estudar e aprovar os recursos usados ou a serem usados para o controle e profilaxia de infecções.

  • - Setor informativo e de estatistica: compete notificar todos os casos de infecção ou sugestivos a infecção e as transgressões das normas e rotinas da C.C.I.H., ao setor executivo e fiscalizador.

  • - Setor executivo e fiscalizador: ao qual compete executar, fazer executar e fiscalizar as normas estabelecidas e aprovadas pelo setor normativo.

  • - Setor laboratorial: ao qual compete executar testes laboratoriais, quer esclarecedores de diagnóstico ou de controle geral.

A introdução destes setores na estrutura da C.C.I.H. não significa maior número de participantes na Comissão, mas uma maior organização e divisão de responsabilidade. Os membros constituintes poderão fazer parte d,e vários setores.

3. Funções da C.C.I.H.

As funções da C.C.I.H., estão diretamente ligadas às fontes e causas da infecção.

Ao se organizar uma Comissão, esta deve evidentemente montar o seu programa, partindo de um minucioso diagnóstico situacional de seu hospital, dando prioridade às áreas chamadas críticas.

É sumamente importante a conscientização geral de todos os servidores do hospital através da Educação e Orientação nas práticas de técnicas assépticas, atingindo desde o servente de limpeza até a Administração Geral. O bom êxito na profilaxia e controle das infecções, depende do esforço permanente e sistematizado de todo pessoal hospitalar e não apenas da C.C.I.H., isoladamente, pois trata-se de um trabalho difícil que exige a colaboração contínua e eficiente de todos.

As atividades de relevância da C.C.I.H. podem ser agrupadas em:

  • 3.1. Controle do ambiente

  • 3.2. Controle do pessoal

  • 3.3. Controle de produtos químicos

  • 3.4. Elaboração de normas e rotinas

  • 3.5. Investigação epidemiológica

  • 3.6. Reuniões periódicas.

Estas desdobram-se em várias outras, das quais apresentaremos alguns aspectos sob forma de sugestão:

3.1. Controle do ambiente

As ações da C.C.I.H. devem estar planejadas para manter o controle das infecções em todas as áreas do ambiente hospitalar, dando, porém, prioridade às áreas críticas. Assim os esforços da Comissão estarão voltados para:

  • - Elaboração, controle e atualização de normas e rotinas referentes à limpeza e desinfecção dos ambientes, estabelecendo a freqüência, tipo de desinfetante, dando ênfase especial às áreas críticas: centros cirúrgico, obstétrico, berçário, sala de recuperação pós anestésica, unidade de terapia intensiva, pediatria, isolamento, serviço de Nutrição e Dietética.

  • - Programas de treinamento e atualização sobre limpeza e desinfecção de ambiente.

  • - Controle das desinfecções concorrentes.

  • - Controle das desinfecções terminais.

3.2. Controle de pessoal

A maioria dos autores consideram o elemento humano, servidores do hospital, visitantes e em particular o paciente, como sendo a maior fonte de infecção hospitalar. É também sabido, no que se refere aos servidores, que, independente da escala hierárquica, aqueles que estão em contato direto com o paciente são fontes de infecção hospitalar.

A atenção da C.C.I.H. deve estar voltada para os três aspectos de pessoal e programar suas ações no sentido de proteger esta mesma população, bem como prevenir e comb ter os agentes infecciosos.

Cada hospital através de sua C.C.I.H. deve estabelecer as prioridades e a freqüência dos exames que julgar necessários ao controle sanitário de seu pessoal, levando em consideração as fontes de infecção e tipos de agentes identificados e as possibilidades de recursos materiais e humanos do Serviço de Análises Clínicas.

Entre outras atividades no controle de pessoal a Comissão deverá executar:

Em relação ao paciente:

  • - Controle permanente de qualquer caso suspeito ou confirmado através da investigação epidemiológica.

  • - Educação para a Saúde dos pacientes internados e de ambulatório; supervisão e controle do comportamento esperado.

  • - Isolamento de todos os pacientes com suspeita ou infecção instalada.

  • - Supervisão e controle da realização dos exames indicados na admissão estabelecidos pela Comissão: cultura de secreção de rino e orofaringe, de lesões cutâneas, e exame de fazes.

  • - Supervisão do preparo do campo operatório em pacientes cirúrgicos.

Em relação aos visitantes:

  • - Programas de Educação para a Saúde.

  • - Controle dos horários e número de visitas por paciente.

  • - Limitação de idade para visitantes.

  • - Orientação sobre a transmissão de infecções e infecção cruzada.

Em relação aos servidores:

  • - Programas permanentes de profilaxia, controle de infecções hospitalares.

  • - Programas de Educação para a Saúde.

  • - Treinamento de todos os servidores na prática de técnicas assépticas desde o Servente de limpeza até o Administrador no sentido de proteger, prevenir e controlar as infecções.

  • - Controle dos exames periódicos estabelecidos pela comissão no ato da admissão dos servidores.

  • - Controle periódico da saúde dos servidores e pesquisa bacteriológica de material de naso-faringe, pele, fezes, mãos, de acordo com a necessidade sentida.

  • - Elaboração, supervisão e atualização de rotinas referentes às técnicas de assepsia: degermação, desinfecção, sanificação, desinfestação, higiene, limpeza, esterilização, escovação das mãos, uso de aventais. máscaras, pró-pés, manipulação de medicamentos, eliminação do material de curativos, de dejetos, de secreções do paciente e do lixo em geral.

  • • transporte, separação e lavagem da roupa, cobertores e colchões, sujos e/ou contaminados;

  • • objetos utilizados nos cuidados higiênicos dos pacientes;

  • • limpeza e desinfecção de pratos, copos e talheres, de uso comum dos pacientes;

  • • limpeza, desinfecção e esterilização de todo o equipamento e material hospitalar, como por exemplo: máscaras, nebulizadores, cânulas de traqueotomia, bolsas de água quente e gelo, aspiradores, frascos de drenagem, respiradores artificiais, seringas, agulhas, material cirúrgico, aparelhos de anestesia, catéteres e sondas;

  • • empacotamento de material e instrumental a ser esterilizado;

  • • controle periódico do funcionamento dos aparelhos de esterilização e câmaras frigorificas;

  • • lavagem e preparo de alimentos crus, frutas e demais gêneros alimenticios;

  • • destino das sobras de alimentos.

3.3. Controle dos produtos químicos

ZANON e colaboradores afirmam que "na maioria dos hospitais brasileiros, desinfetantes e antissépticos são escolhidos em função do preço, de avaliações bacteriológicas inadequadas como exposição de placas de meio de cultura ou de preferências individuais subjetivas, pois as empresas não declaram a composição quantitativa de seus produtos".

Embora se saiba que as soluções desinfetantes e antissépticas podem sofrer contaminação, acarretando infecções graves e, até mesmo fatais, e/ou ainda apresentarem-se com atividade antimicrobiana não satisfatória ou mesmo nula, não é dada a devida atenção a esse problema.

Cabe, portanto, à C.C.I.H.:

  • - a Seleção dos produtos químicos - germicidas, desinfetantes, antissépticos, agentes de limpeza;

  • - o controle da sua aquisição e emprego;

  • - o teste bacteriológico periódico;

  • - a elaboração de normas e rotinas quanto ao uso dos mesmos.

3.4 Elaboração de Normas e rotinas

- Normas:

As normas estabelecem em princípios científicos e de autoridade o que e como deve ser feita em determinada situação.

Vários aspectos importantes devem ser considerados, como:

  • - Normas da organização da C.C.I.H.

  • - Normas referentes ao Pessoal.

  • - Normas referentes ao orçamento.

  • - Normas referentes ao relacionamento interno e externo de comissão.

  • - Normas técnicas relacionadas às características e classificação das infecções.

ZANON e colaboradores em trabalho elaborado para o I Encontro Nacional de Diretores dos Hospitais Próprios do INPS e IPASE, apresentam em apêndice um resumo de normas técnicas aprovadas pelo CDC - Center for Disease Control, do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, consagradas e aceitas internacionalmente. (Anexo)

- Rotinas:

As rotinas consistem na descrição sistematizada dos passos a serem dados para a execução das ações componentes de uma atividade. São o produto do estudo e vivência adquiridas nas rotinas diárias, no trabalho de planejamento, na orientação e no treinamento do pessoal.

A C.C.I.H. é responsável pela elaboração de rotinas administrativas, relacionadas ao material, equipamento, produtos químicos e procedimentos.

3.5. Investigação epidemiológica

A vigilância epidemiológica possibilita a tomada de decisões corretas em tempo oportuno.

A C.C.I.H. atuará através de:

  • - levantamento e análise de um conjunto de indicadores:

  • • taxa de incidência e de prevalência de infecções hospitalares;

  • • taxa de infecção em cirurgias não contaminadas;

  • • taxa de infecção em cirurgias potencialmente contaminadas;

  • • taxa de letalidade por infecções hospitalares;

  • • taxa de infecção por microrganismo específico;

  • • coeficientes de sensibilidade aos antimicrobianos;

  • • indice de consumo de antimicrobianos;

  • - notificação compulsória pelos médicos, dos casos de infecção mediante preenchimento de Ficha de Notificação de Infecções, constante de todos os prontuários;

  • - identificação, pelos enfermeiros, dos prontuários de pacientes em uso de aritimicrobianos, com ou sem infecção;

  • - encaminhamento, após alta, dos prontuários dos pacientes (íom infecção, à C.C.I.H. para estiicio;

  • - pesquisas periódicas de prevalencia de infecção;

  • - levantamentos bacteriológicos da freqüência e dos coeficientes de sensibilidade de microrganismos isolados em pacientes, visitantes e funcionários;

  • - levantamento e controle do consumo de antimicrobianos.

Este conjunto de ações de investigagação epidemiológica dá à C.C.I.H. maior possibilidade de controle das infecções, e conseqüentemente de eliminar as causas.

3.6. Reuniões periódicas

Periodicamente a C.C.I.H. deve reunir-se para analisar e avaliar programas, número, natureza e quantidade de infecções e programar novas ações. Para que os objetivos da C.C.I.H., sejam atingidos, é imprescindível a participação nestas reuniões de representantes médicos, enfermeiros, chefes de serviço, principalamente quando novas medidas deverão ser implantadas.

4. Areas críticas do hospital

A C.C.I.H. deve preocupar-se com todas as áreas, considerando o Hospital com uma unidade. Algumas áreas, porém, pela finalidade a que se destinam, merecem atenção especial, tais como:

  • - bercário;

  • - centro cirúrgico;

  • - centro obstétrico;

  • - centro de recuperação pós-anestésica;

  • - unidade de terapia intensiva;

  • - centro de material e esterilização;

  • - pediatria;

  • - isolamento;

  • - serviço de nutrição e dietética;

  • - lavanderia.

5. O Administrador na C.C.I.H.

O Administrador do hospital, responsável pela segurança dos pacientes conscientizado da gravidade do problema da infecção hospitalar, deve, não somente incentivar a criação da C.C.I.H., como também, tomar parte da mesma.

Entre as suas atividades como membro da comissão, destacam-se:

  • - manter um serviço de vigilância sanitária para o pessoal;

  • - oferecer condições para identificação dos agentes etiológicos pelos Serviços de Análises Clínicas;

  • - estimular os serviços médicos, de enfermagem, Nutrição e Dietética, Lavanderia, Limpeza e Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento a tomarem parte na elaboração de normas e rotinas referentes à prevenção e controle das infecções;

  • - estabelecer critérios exigentes para a indicação dos responsáveis pelos Serviços de Limpeza e Lavanderia, para através da qualificação destes, reduzir a freqüência das infecções:

  • - permitir a compra de antissépticos e desinfectantes que atendam os critérios estabelecidos pela Comissão;

  • - tomar compulsória, a notificação das infecções à C.C.I.H. pelos profissionais da equipe de saúde;

  • - dar condições materiais e humanas para que a comissão possa desenvolver seus trabalhos;

  • - assessorar nas construções e reformas do Hospital para facilitar a implantação das medidas de redução de infecções.

6. A chefia de Enfermagem na C.C.I.H.

A Enfermagem representa papel importante no controle de infecções porque mantém maior contato com os pacientes. Assim, a Enfermagem através de sua chefia, poderá prestar valiosa colaboração à C.C.I.H. assumindo responsabilidades como as que seguem:

  • - cooperação consciente na elaboração das normas, rotinas e técnicas adotadas pela Comissão;

  • - orientação e supervisão do pessoal na execução das normas e rotinas elaboradas pela comissão;

  • - eleboração das normas e rotinas referentes às técnicas de Enfermagem;

  • - realização de trabalhos de investigação para certificar-se da observância das normas e rotinas;

  • - programação e realização de cursos de atualização no que concerne à prevenção e a controle de infecções;

  • - assessoria nas construções e reformas do Hospital para possibilitar a implantação das medidas de prevenção e controle das infecções;

  • - ampliação dos conhecimentos sobre antissépticos e desinfetantes;

  • - conscientização dos pacientes, visitantes e servidores sobre os perigos das infecções hospitalares e a importância de sua participação na prevenção das mesmas.

III - CONCLUSÕES

Acreditamos que:

  • - o problema das infecções hospitalares se reveste, na nossa realidade, de uma importância transcendental;

  • - as Instituições de Saúde, desde que adequadamente concientizadas, usufruirão de vantagens sócio-econômicas e políticas na implantação de uma C.C.I.H.;

  • - a existência de uma C.C.I.H. proporciona a elevação da qualidade da assistência aos pacientes nos níveis de promoção, proteção, recuperação e reabilitação);

  • - economicamente, a existência de uma C.C.LH. elevará a produtividade em função da diminuição da média de permanência e da maior rotatividade e ocupação dos leitos;

  • - independente do número de leitos e de profissionais lotados em cada Instituição de Saúde, é viável a implantação e funcionamento de uma C.C.LH., desde que sejam feitas adaptações de acordo com a realidade;

  • - as condições para o ensino, na área da saúde serão diretamente proporcionais ao nível de atuação da C.C.LH.

IV - RECOMENDAÇÕES

1. Considerando as vantagens que oferece a redução das infecções hospitalares, entre outras diminuição do risco de mortalidade e morbidade, do custo do tratamento e da média de permanência dos pacientes o que resulta na maior rotatividade dos leitos, recomenda-se:

1.1. Aos órgãos deliberativos das Instituições de Saúde que:

  • - Criem Comissões de Controle de Infecção Hospitalar, a curto e médio prazo levando em consideração os problemas específicos de infecção de cada Unidade Hospitalar;

  • - Promovam cursos para Administradores, sobre infecção hospitalar, conscientizando-os do problema;

  • - Forneçam os subsídios necessários a manutenção do funcionamento das C.C.I.H. em nível adequado.

1.2. Aos administradores dos Hospitais que:

  • - mantenham-se atualizados sobre o problema das infecções hospitalares ;

  • - participem das C.C.LH. dos seus hospitais;

  • - apoiem e estimulem os membros da comissão;

  • - liberem elementos participantes da Comissão, para suas atividades, de acordo com o volume de seus trabalhos;

  • - Providenciem recursos materiais e financeiros para garantir o funcionamento da Comissão;

  • - colaborem na educação e orientação formal e informal, permanente e obrigatória, de todos os servidores do hospital através de programas de atualização e/ou de treinamento.

2. Considerando a importância da existência de normas e rotinas que determinem a atuação do pessoal de Enfermagem na execução de procedimentos técnicos; a necessidade da orientação e supervisão na execução das mesmas, recomenda-se:

Aos chefes de Serviços de Enfermagem que:

  • - tomem parte ativa na Comissão designando um enfermeiro em horário integral;

  • - colaborem na elaboração de normas e rotinas especificas de Enfermagem;

  • - supervisionem e orientem a execução fiel das mesmas;

  • - Colaborem na atualização e treinamento do pessoal de Enfermagem.

3. Considerando que os servidores da Instituição de Saúde constituem a massa crítica diretamente responsável pela execução de atividades visando diminuir os riscos de infecção hospitalar, recomenda-se:

A todos os servidores do Hospital que:

  • - mantenham-se atualizados sobre o problema das infecções hospitalares;

  • - participem dos cursos de atualização e/ou treinamento oferecidos;

  • - cumpram rigorosamente as normas estabelecidas pela comissão;

  • - sigam rigorosamente as rotinas estabelecidas pela comissão.

4. Considerando que as Instituições de saúde se caracterizam como "campo" de elevada importância na formação de futuros profissionais da área da saúde e que a presença de acadêmicos deverá contribuir para manutenção no controle das infecções hospitalares recomenda-se:

As Instituições de Ensino que:

  • - instruam seus professores e alunos acerca das normas e rotinas estabelecidas pela comissão;

  • - providenciem para que as mesmas sejam rigorosamente cumpridas pelos corpo docente e discente.

HORR, L. e Colaboradores - Comissão de controle de infecção hospitalar. Rev. Bras. Enf.; DF, 31 : 182-192, 1978.

CRITÉRIOS PARA IDENTIICAÇAO DE INFECÇÕES HOSPITALARES

I - INFECÇÃO NAO INSTITUCIONAL, não hospitalar ou comunitária, define-se como a Infecção constatada no ato da admissão do paciente, desde que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital.

II - INFECÇÃO INSTITUCIONAL, hospitalar ou nosocominal, define-se como. qualquer infecção que não tenha sido diagnosticada no ato da admissão do paciente e que tenha se manifestado durante a internação ou mesmo depois da alta quando puder ser correlacionada com a hospitalização.

III - CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DA INFECÇÃO INSTITUCIONAL

1. Normas gerais

  • 1.1. Quando, depois de internado com infecção comunitária, o paciente apresentar sinais e sintomas clínicos de uma infecção em local diferente, ainda quando se tratar do mesmo germe, o, caso deverá. ser classificado como infecção hospitalar.

  • 1.2. Quando, no mesmo local da infecção diagnosticada no ingresso do paciente no hospital, for isolado um geme diferente, o caso deverá ser considerado como infecção hospitalar.

2. Infecção urinária

  • 2.1. Assintomática: confirma-se o diagnóstico com a presença de 100.00 micro-organismos por mililitro de urina, recente, na ausência de qualquer sintoma clinico. Caso o paciente tenha tido admitido com bacteriúria e a cultura posterior revelar a existência de um micro-organismo diferente em número significativo, será considerada infecção urinária institucional.

  • 2.2. Sintomática: confirma-se quando forem registrados pelo menos um dos seguintes elementos: a) 10.00 germes por mililitro de urina recente; b) presença de germes em esfregaço. de urina. recente não centrifugada corada pelo Gram; c) pruria, revelando número superior a 10 piócitos por campo.

3. Infecções respiratória

  • 3.1. Do trato respiratório superior: manifestações clínicas do nariz, garganta ou ouvido, boladas ou combinadas.

  • 3.2. Do. trato respiratório inferior: sinais é, sintomas clínicos, como tosse, dor pleural, febre e outras secreções, são consideradas suficientes para o diagnóstico, mesmo na ausência de exames radiológicos ou cultura, de escarro. A existência de escarro purulento, com ou sem Isolamento de micro-organismo patogênico com exame radiológico compatível, configura caso de infecção institucional.

4. Gastroenterites institucionais: nos casos em que o período de incubação for conhecido (salmonelose, por exemplo) somente serão considerados casos de infecção institucional aqueles em que o tempo de internação for superior ao tempo de incubação da doença.

5. Infecções cutâneas institucionais

  • 5.1. Infecções em queimados: o simples isolamento de micro-organismos patogênicos é insuficiente para o diagnóstico, tornando-se Indispensável a existência de secreção purulenta na lesão bem como sinais de bacteriemla, para caracterizar a infecção.

  • 5 .2. Infecções cirúrgicas: qualquer ferida cirúrgica que drene material purulento, com ou sem cultura positiva, deve ser considerada como uma infecção institucional, independente de cogitação quanto à origem dos micro-organismos, se endógenos ou exógenos.

  • 5.3. Outras infecções cutâneas: dermatites, úlceras de decúbito, quando desenvolvidas depois da admissão do paciente, serão classificadas como infecções institucionais. Em pacientes admitidos com infecções cutâneas ou subcutâneas, o isolamento de um micro-organismo diferente deverá constituir elemento para classificar o caso como infecção institucional.

6. Outras infecções hospitalares

  • 6.1. Bacteriemias: ocorrendo depois da admissão do paciente, documentadas com cultura, devem ser classificadas como infecção hospitalar.

  • 6.2. Infecções por cateter intravenoso ou agulha: drenagem purulenta depois de manipulação e emprego de cateter intravenoso ou punção, deve ser considerada infecção hospitalar, mesmo na ausência de cultura positiva.

  • 6.3. Endometrites: ocorrendo durante a internação, devem ser consideradas institucionais, caracterizando-se por supuração cervical acompanhada de cultura positiva de germe patogênico ou de manifestação sistêmica de infecção.

  • 6.4. Infecções intra-abdominais: apendicites, colecistites e diverti-ticulites não devem ser consideradas infecções institucionais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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