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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.52 no.3 Brasília July/Sept. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71671999000300015 

ARTIGOS

 

O significado da educação sexual na relação pais/adolescentes1

 

The importance of sexual education in parents/adolescents relationship

 

El significado de la educación sexual en la relación padres/adolescentes

 

 

Maria Cristina Pinto de Jesus

Enfermeira, Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Básica da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora; com Certificado de Qualificação em Educação Sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana - SBRASH

 

 


RESUMO

Trata-se de um estudo fundamentado na Sociologia Fenomenológica de Alfred Schütz, o qual teve como propósito compreender o típico da ação de pais e adolescentes frente à educação para a vida sexual. Os depoimentos obtidos por meio de entrevista fenomenológica permitiram a compreensão dos tipos vividos "pais que educam adolescentes para a vida sexual" e "adolescente que é educado para a vida sexual". A análise comparativa entre esses dois tipos constituídos possibilitou identificar a necessidade de implementação do diálogo sobre a vida sexual na relação pais/adolescentes, com vistas a iniciação sexual segura e feliz. A teoria compreensiva da ação social de Schütz foi apresentada, nesse estudo, como uma estratégia de educação em saúde, ao considerarmos, como aponta esse autor, a necessidade de se buscar junto à pessoa seus motivos existenciais, que levam a um comportamento social frente às questões sexuais.

Palavras chave: educação sexual, educação em saúde, Enfermagem, Fenomenologia


ABSTRACT

This study had as reference the phenomenological sociology of Alfred Schütz. This author had as purpose understanding parents and adolescents' behavior towards sexual education. The phenomenological interview, used to gather data from parents and youngsters, allowed the understanding of the types: "parents who educate adolescents for sexual life" and "adolescents who are educated for sexual life". The comparative analyses of these two types showed the need of implementing a dialog about sexual life among parents and teenagers enabling the youngsters to have a satifying and safe sexual initiation. The comprehensive social action theory by Schütz was presented, in this study as an educational health strategy According to the author, there is a need of considering the person's inner existential preoccupations in order to understand his/her social behavior towards sexual matters.

Keywords: sexual education, health education, nursing, phenomenology


RESUMEN

Se trata de un estudio fundamentado en la Sociología Fenomenológica de Alfred Schütz, el cual tuve como intento comprender lo típico de las actitudes de padres y adolescentes frente a la educación para la vida sexual. Las declaraciones obtenidas por medio de la entrevista fenomenológica permitieron comprender los tipos vividos "padres que educan adolescentes para la vida sexual" y "adolescente que es educado para la vida sexual". El análisis comparativo entre esos dos tipos constituidos posibilitó identificar la necesidad de implementación de un diálogo sobre la vida sexual en la relación padres/adolescentes, con vistas a la iniciación sexual segura y feliz. La teoría comprensiva de la acción social de Schütz fue presentada en este estudio, como una estrategia de educación en salud, al considerarse, como apunta ese autor, la necesidad de que se busque en la propia persona sus motivos existenciales, que la llevarán a un tipo de comportamiento social frente a las cuestiones sexuales.

Palavras clave: educación sexual, educación en salud, enfermería, fenomenología.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

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1 Texto baseado na tese de doutorado da autora: A educação sexual na vida cotidiana de pais e adolescentes.
2 Educação sexual como "processo de socialização em que as pessoas transmitem a cultura sexual às novas gerações com o objetivo de integrá-las ao contexto cultural de seu grupo...[levando-as] à mudança, segundo seus próprios modos de pensar, sentir e agir" (Cavalcanti, R. da C. Revista Brasileira de Sexualidade Humana, p.168).
3 No meio pedagógico, a orientação sexual é considerada um processo educativo em que os conhecimentos e experiências sobre as questões sexuais são transmitidos às pessoas de modo intencional e formal. Se contínua e duradoura, a orientação sexual poderá constituir-se parte da educação sexual. Independente do termo usado, educação sexual ou orientação sexual, a ação poderá ser a mesma, caso a postura do educador e seus objetivos sejam os mesmos, ou seja, se a pessoa for vista como sujeito, livre para pensar, sentir e agir frente aos novos conhecimentos, durante as ações educativas. Optei por adotar o termo educação sexual neste trabalho.
4 Em Schütz, quando falamos de vivência intersubjetiva, estamos nos referindo ao aspecto comum da vivência, que permite caracterizar um fenômeno, e não como intenção individual.
5 Para Schütz, o mundo da vida é a esfera do dia-a-dia, mundo das minhas relações com os outros; onde as pessoas vivem, agem, atribuem valores e dirigem seus interesses para os outros que compartilham esse mundo.
6 Creusa Capalbo, filósofa brasileira, com profundos conhecimentos da obra de SCHÜTZ, denomina o "tipo pessoal ideal" de "tipo vivido", termo que passo a adotar na presente pesquisa.
7 Em Schütz, o mundo do senso comum é o mundo intersubjetivo; esfera comum da vida que é campo da ação humana.

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