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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.55 no.5 Brasília Sept./Oct. 2002

http://dx.doi.org/10.5935/0034-7167.20020079 

DOCUMENTÁRIO

 

Os cursos de enfermagem da cruz vermelha brasileira e o início da enfermagem profissional no Brasil1

 

The brazillan reo cross trainning schools for nurses ano the origins of professional nursing ln Brazil

 

Los cursos de enfermería de la cruz roja brasilena y el inicio de la enfermería profesional en Brasil

 

 

Maria Lúcia MottI; Maria Alice TsunechiroII

IHistoriadora. Doutora em História pela Universidade de São Paulo, Docente de História da Enfermagem na Faculdade Adventista de Enfermagem, São Paulo. Desenvolveu o projeto de Pós-Doutorado sobre os cursos para formação de parteiras e enfermeiras em São Paulo (1880-1971), no Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (1999-2000), com financiamento da FAPESP, tendo como supervisora a Profa. Dra. Maria Alice Tsunechiro
IIEnfermeira. Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo. Professor Doutor do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo

 

 


RESUMO

O artigo discute as origens da enfermagem profissional no Brasil e o papel das escolas de enfermagem da Cruz Vermelha Brasileira, criadas no Rio de Janeiro, no período da década de 1910. A pesquisa baseia-se na análise de diferentes tipos de documentos como artigos, manuais de enfermagem, estatutos, relatórios, entre outros. Aponta para a necessidade de se repensar afirmações cristalizadas na bibliografia da História da Enfermagem Brasileira, com relação à vinculação entre a chegada ao Brasil das enfermeiras da Missão Rockefeller e a profissionalização da enfermagem no país e o papel de precursora na formação de enfermeiras atribuído à Escola de Enfermeiras Dona Anna Nery, fundada no Rio de Janeiro, em 1923.

Palavras-chave: história da enfermagem, escolas de enfermagem, profissão de enfermagem, Cruz Vermelha Brasileira


ABSTRACT

This article discusses the generation of professional nursing in Brazil and the role of Brazilian Red Cross Training School for Nurses, founded in Rio de Janeiro, in 1910. The analysis is based on different sorts of documents such as articles published in medical journals and advertisements published in daily newspapers, nursing manuais, statutes, minutes of meetings. It discusses recurrent crystallized statements presented in the History of Brazilian Nursing, such as the relation between the profissionalization of nursing in Brazil to the arrival of the Rockefeller Mission, and the importance attributed to Dona Anna Nery School of Nursing, founded in 1923 in Rio de Janeiro, as the precursor of nursing education in this country.

Keywords: nursing history, schools of nursing, nursing profession, Brazilian Red Cross


RESUMEN

El artículo discute los orígenes de la enfermería profesional en Brasil y el papel de las escuelas de enfermería de la Cruz Roja Brasilena, creadas en Rio de Janeiro, en la década de 1910. La investigación se basa en el análisis de diferentes tipos de documentación, como artículos, manuales de enfermería, estatutos y relatorios. Apunta la necesidad de repensar afirmaciones cristalizadas en la bibliografía de la Historia de la Enfermería Brasilena, respecto a la vinculación entre la lIegada ai Brasil de las enfermeras de la Misión Rockfeller y la profesionalización de la enfermería en el país y el papel de precursora en la formación de las enfermeras atribuido a la Escuela de Enfermeras Dona Anna Nery, fundada en Rio, en 1923.

Palabras clave: historia de la enfermería, escuelas de enfermería, profesión de enfermería, Cruz Roja Brasilena


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

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Recebido em 12/06/2002
Aprovado em 22/10/2002

 

 

1 Uma primeira versão deste trabalho foi apresentada em 2000, no Primeiro Colóquio Latino-Americano de História da Enfermagem, na Escola de Enfermagem Anna Nery, com o título "História da Enfermagem: novas fontes, novas perspectivas".
2 Enfermagem moderna, profissional, nightingaliana e anglo-americana são termos, freqüentemente, usados como sinônimos nos textos escritos por autores brasileiros.
3 Exceção seja feita aos trabalhos de CARVALHO, 1968, p.151-156, TELLES, 1963, p.153-159, MOREIRA, 1990, MOTT, 1999.
4 As pesquisadoras não tiveram acesso aos arquivos da Cruz Vermelha de São Paulo e do Rio de Janeiro. A documentação para este artigo foi pesquisada na Biblioteca Nacional, no Arquivo e Biblioteca da Escola Anna Nery, no Rio de Janeiro; nas Bibliotecas da Escola de Enfermagem, da Faculdade de Medicina, da Faculdade de Saúde Pública e da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Arquivo do Estado, no Arquivo do Jornal «O Estado de São Paulo», na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo; e via internet, no arquivo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, em Genebra/Suíça. Aproveitamos para agradecer ao Comitê Internacional pela documentação que nos foi enviada pelo correio.
5 Outro manual foi publicado quatro anos mais tarde, para os alunos da Escola Profissional de Enfermeiras e Enfermeiros do Hospício Nacional dos Alienados: POSSOLO (1920). O livro também teve boa repercussão, sendo reeditado cinco vezes: 1920, 1930, 1936, 1939, 1942. Adolpho Posso lo possuia formação médica e militar, foi chefe do serviço de Cirurgia do Ambulatório Rivadavia Corrêa, livre-docente de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeíro, capitão médico do Regimento Policial do Estado do Río (1892-1893), cirurgião efetivo da Associação dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro (1903-1910), cirurgião e diretor da Colônia e Cirurgião de Vargem Alegre. Participou dos estudos e construção do primeiro automóvel ambulância do Rio de Janeiro. Segundo ele mesmo afirma, seu interesse pela formação de enfermeiras datava de muitos anos, desde 1905, tendo até mesmo feito uma conferência sobre o tema na Associação da Escola de Comércio do Rio de Janeiro.
6 A entídade foi fundada em 1863, em Genebra, na Suíça, a partir do empenho de Henri Dunant, que participou da batalha de Solferino na Itália, com o objetivo de providenciar socorro não partidário para feridos de guerra. Posteriormente, o programa de atividades ampliou-se, incluindo a ajuda a vítímas de desastres e calamidades públicas (1907) e prisioneiros de guerra (1929).
7 Uma questão que merece ser investigada é se a exclusão ou pouca importância dada à Escola da Cruz Vermelha, pelas enfermeiras norte-americanas da Missão Parsons, não estaria relacionada, em parte, ao fato da direção estar na mão de médicos.
8 Ele também se interessou pela política, tendo se candidatado, algumas vezes, inclusive para presidência do Estado (NECROLOGIA, 1929, p.22-3).
9 Na bibliografia, verifica-se que o livro tinha o titulo de Lições do Curso Prático de Enfermeiras Voluntárias (SANTOS, 1916, p.407).
10 perfil das enfermeiras tradicionais, conforme apresentado pelo Getúlio dos Santos deve ser repensado. Nas últimas duas décadas, "os tempos negros da enfermagem" e "Sarah Gamp" vêm merecendo uma revisão na bibliografia internacional. Veja-se, por exemplo, o trabalho de Dingwall, Rafferty e Webster (1991).
11 Programa do Curso de Enfermeiras Profissionais: 1º ano, 1ª cadeira -Anatomia, Fisiologia; Higiene, 2ª cadeira -Assistência aos enfermos de Clínica Médica; 2º ano, 3ª cadeira - Assistência aos enfermos na Clínica Cirúrgica, 4ª cadeira -Assistência às mulheres gràvidas e aos recém-nascidos, 5ª cadeira -Administração hospitalar e economia doméstica (CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, 1918, p.9).
12 Comparando-se o programa da Escola e o índice do livro pode ser verificado que, embora Getúlio dos Santos reconheça a importância da Economia Doméstica na formação de enfermeira, esta recebeu pouca atenção em seu livro. Talvez pelo fato da cadeira não dizer respeito aos médicos, mas às atribuições domésticas femininas, da alçada das mulheres, tanto assim que era ministrada na Escola, por uma professora.
13 Esta afirmação baseia-se nas referências bibliográficas utilizadas por Getúlio dos Santos, bem como na análise dos manuais feita por Knibilier em 1984, Colliêre em 1989 e Soares em 1997.
14 Esta medalha foi atribuída pela primeira vez em 1912 pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (DOLAN et al., 1983, p.185). Sobre a premiação de Idália Araújo Porto Alegre, ver: A MEDALHA FLORENCE NIGHTINGALE, 1927, p. 86-7; Correspondência entre A. Ferreira do Amaral da Cruz Vermelha Brasileira e Gustave Ador, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Genebra, datadas de 9 de março de 1927 e 24 de agosto de 1927 (Arquivo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Genebra). Vale destacar que mais uma aluna, Irene de Miranda Cotegipe Milanez, recebeu a Medalha Florence Nighthingale (TELLES, 1963, 157).
15 "A Sociedade da Cruz Vermelha procurará obter a confirmação do governo a confirmação oficial sobre os diplomas expedidos pela Escola" (LIBERO, 1918, p.94-101); Sobre a uniformização de ensino das Escolas da cv. ver: SANTOS, 1926.
16 Pelas informações do trabalho de TELLES, 1963, p.153-9, verifica-se que os arquivos da entidade, no Rio de Janeíro, continham informações preciosas sobre suas escolas.

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