SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.56 issue1Intuitive knowledge in nursing care author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.56 no.1 Brasília Jan./Feb. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672003000100001 

EDITORIAL

 

80 anos de existência na enfermagem brasileira escola de enfermagem Anna Nery

 

 

Maria Antonieta Rubio TyrrellI; Ieda de Alencar BarreiraII

IDoutora Professora Titular do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil - DEMI e Diretora da /EEAN, Membro do NUPESM/EEAN/UFRJ
IIDoutora Professora Titular do Departamento de Enfermagem Fundamental e membro do NUPHEBRAS/ DEF/ EEAN/UF, E-mail: iedabarreira@openlink.com.br

 

 

Os 80 anos de existência da EEAN nos propõe uma reflexão sobre a tradição de comemorarmos o aniversário de uma instituição, em intervalos regulares de tempo. Por um lado, ao celebrarmos aquele evento inaugural, fazemos lembrar, a nós mesmos e aos outros, a vitória de uma permanência na sociedade. Por outro lado, ao retirarmos os tempos de seu contexto social e, pela repetição, transformar tais comemorações em rituais, podemos fazer esquecer o sentido histórico que lhes é inerente.

Essas comemorações, que procuram dar uma certa visibilidade à nossa Escola, buscam, também, a construção de uma memória coletiva institucionalizada e ainda uma consagração identitária. Mas não aquela das origens, nem a expressão de uma nostalgia pelo passado, nem a glorificação do presente, mas, sim, a busca dos nexos identitários entre passado, presente e futuro.

Se temos orgulho de nossas origens, indissociáveis da reforma Carlos Chagas, da Missão Parsons, da criação da Associação Brasileira de Enfermagem e da Revista Brasileira de Enfermagem, nosso reconhecimento e nossas homenagens se dirigem também para todos os que, com maior ou menor empenho ou visibilidade contribuíram ou vêm contribuindo para que a EEAN possa cumprir seu papel histórico e sua função social. E isto porque a EEAN se constitui numa realidade humana, que abrange as relações das pessoas que integram seu corpo social e que lhe dão vida.

Desde 1923 e durante catorze gestões administrativas, a EEAN vem atuando no campo da educação e da saúde, desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Até o final de 2003, a EEAN terá graduado quase 5.000 profissionais, 500 mestres e 150 doutores; contribuído para a construção do conhecimento de enfermagem, através de seus oito núcleos de pesquisa; colaborado diretamente com outras instituições no esforço pela melhoria da qualidade de vida das comunidades brasileiras; e participado, junto às entidades de classe e instituições científicas, no desenvolvimento da enfermagem. É, portanto, uma escola que procura situar-se na vanguarda de seu tempo, de modo a melhor cumprir seu compromisso social.

 

 

A problematização da temporalidade do presente exige a ligação do passado ao presente, por meio de um distanciamento e de uma reflexão sobre seus limites e sua finitude, bem como a construção de uma visão de tempo que não seja apenas a de uma confirmação do tempo presente ou a negação do passado no presente.

No entanto, para que possa haver projeto, é necessária uma cuidadosa consideração da história e da memória, que leva à compreensão do sentido próprio de herança. E é nesse sentido que se vem trabalhando a EEAN. O Centro de Documentação, ao desenvolver atividades que visam à preservação e a acessibilidade dos documentos aos pesquisadores, procura remover obstáculos à reconstrução de uma memória fragmentada.

E o núcleo de pesquisa de história da enfermagem brasileira, diante de uma historicidade que se pretende contínua e homogênea, busca fazer aparecer as descontinuidades e as diferenças; trabalhar contra o silêncio e o esquecimento; problematizar e interpretar os acontecimentos como expressões de uma relação de forças. A percepção da coexistência de temporalidades diversas favorece uma compreensão possível do tempo histórico presente e nos faz possível conviver com o diferente, no exercício da autonomia e da liberdade.

 

 

*** Fotografia reproduzida a partir de Annaes de Enfermagem, Rio de Janeiro 1934;4(4):16.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License