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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.56 no.6 Brasília Nov./Dec. 2003

https://doi.org/10.1590/S0034-71672003000600007 

Inserção dos egressos do curso de graduação em enfermagem de uma universidade particular do Grande ABC no mercado de trabalho1

 

Insertion of graduate nursing professionals from a public university in a metropolitan, industrial area of the state of São Paulo (grande ABC) in the labor market

 

Inserción en el mercado de trabajo de los egresados del curso en enfermería de una universidad particular de la región ABC en São Paulo

 

 

Carlos Eduardo dos SantosI; Maria Cristina SannaII

IEnfermeiro, Mestre em Enfermagem, Professor Adjunto da UniABC
IIEnfermeira, Mestre e Doutora em Enfermagem, Professora Titular da UNISA. E-mail do autor:srada@uol.com.br

 

 


RESUMO

Para investigar, junto aos graduados em Enfermagem de uma universidade particular do grande ABC, como se dava sua inserção no mercado de trabalho, realizou-se um estudo exploratório descritivo retrospectivo. As respostas de 80 ex-alunos indicaram serem adultos jovens, do sexo feminino, solteiro, sem filhos e trabalhadores prévios na área de saúde. Muitos possuíam o título de especialista em Enfermagem e participavam de cursos de aperfeiçoamento. A inserção no mercado de trabalho se deu rapidamente e a maioria prestou concurso público com bom resultado. Possuem um ou dois empregos, em postos de trabalho públicos, na cidade-sede da universidade. Desempenham a função assistencial e percebem entre um e meio e três salários profissionais. A maioria não é filiada a entidades de classe.

Descritores: mercado de trabalho; ensino de enfermagem; egressos


ABSTRACT

To investigate with Nursing graduates from UniABC the way in which they entered the labor market a descriptive, retrospective, exploratory study was performed. Answers from 80 former students indicated that they are young adults, female, single, with no children, having previously worked in the health area. Many of them held a diploma of Nursing Specialist and were participating in continuous education courses. Their insertion in the labor market was fast and most of them had took part in public job constests and succeeded. They have about one or two jobs in the public sector, in the city where the main university campus is located. They carry out health care functions and their pay is one and a half to three times a salary perceived by a professional in their area. Most of them is not affiliated to their section entities.

Descriptors: labor market; nursing teaching; graduates.


RESUMEN

Se realiza un estudio exploratorio descriptivo retrospectivo con los alumnos del curso de Enfermería de una universidad particular para saber como ocurre la inserción de esos profesionales en el mercado de trabajo. Las respuestas de 80 ex-alumnos muestran que son adultos jóvenes, del sexo femenino, solteras, sin hijos y que ya habían trabajado antes en el campo de la salud. Muchas ya tenían el título de especialistas en Enfermería y participaban de cursos de perfeccionamiento. La inserción en el mercado de trabajo ocurrió rápidamente y la mayoría había hecho oposiciones con resultados favorables. Tienen uno o dos empleos, en el sector público, que están localizados en la misma ciudad-sede de la universidad. Desempeñan la función asistencial y reciben de uno y medio a tres sueldos. La mayoria no está afiliada a entidades de clase.

Descriptores: mercado de trabajo;enseñanza de enfermería; egresados


 

 

1 Introdução

A Graduação em Enfermagem é uma das modalidades de cursos e programas que se enquadram no que está definido no artigo 44 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(1) No. 9394/96. Após a promulgação da referida lei, houve grande aumento no número desses cursos, o que provocou alterações no mercado de trabalho do enfermeiro. Não se pode dizer que o mercado se ampliou por causa do aumento do número de cursos, mas a manutenção do elevado número de vagas nos cursos, por relativo espaço de tempo, é indicativa da possibilidade de absorção desses profissionais. Ou seja, ainda que pareça inadequado afirmar que a lei maior de ensino estimulou a abertura de novos cursos e vagas, é fato inegável que provocou aumento no número de universidades e centros universitários, que têm autonomia para implementar esta prática. Esta condição pode ter agilizado a tomada de decisão dessas instituições para a abertura de novos cursos e ampliação de vagas na graduação em Enfermagem, ao considerar como se apresenta o mercado de trabalho e nele provocando reflexos.

Pesquisadores(2) estudando os postos de trabalho indicados nas pesquisas sobre Assistência Médico Sanitária do IBGE de 1978, 1980, 1986, 1992 e 2000 apontaram um crescimento de 435,5% nas oportunidades de trabalho para enfermeiros nas três últimas décadas do século XX. As autoras atribuem esse crescimento, principalmente, ao aumento de oferta de empregos públicos para a categoria, como conseqüência da municipalização dos serviços de saúde. Constataram ainda que, apesar da reorientação para as atividades de saúde pública, 68,8% dos postos de trabalho para enfermeiros em 1999 estava concentrada nas instituições de saúde que possuíam internação.

De fato, Sanna(3) comparou o crescimento no número absoluto de enfermeiros nos últimos anos com a projeção de necessidades para atendimento dos leitos hospitalares e do Programa de Saúde da Família, evidenciando o crescimento de oportunidades de trabalho para este profissional no nosso país.

O aumento no número de cursos de Graduação em Enfermagem de 1978 até 2000 foi da ordem de 462%, num total de 157 cursos em atividade. O salto observado em 22 anos é indicativo do aumento da procura por esses cursos e sua proporção é quase idêntica à do aumento dos postos de trabalho.

A contemplação desses dois fenômenos - aumento na procura e no número de vagas e cursos, enseja uma análise mais detalhada do tema pelos agentes formadores. Porque a qualidade do profissional formado e as condições de absorção deste pelo mercado de trabalho são aspectos importantes para a definição e implementação do projeto pedagógico dos cursos de graduação em Enfermagem.

É preciso lembrar que há mecanismos legais de avaliação das instituições de ensino, como o Exame Nacional de Cursos. Para a Enfermagem, este avaliaria principalmente as condições de oferta de cursos de graduação(4). Sua repetida aplicação poderá resultar em eventuais restrições à expansão do número dos cursos. Ainda que isto ocorra, a relação entre as oportunidades de trabalho e ingresso e titulação no curso superior continuarão a influenciar a manutenção do quadro atual.

Porém, não basta cotejar as dimensões oferta e procura de profissionais e considerar a situação equacionada. Há que se importar com as formas e condições de inserção dos egressos das instituições formadoras no mercado de trabalho.

O mercado de trabalho requer atualmente profissionais preparados, não só para fazer frente aos aspectos técnicos como para o exercício da dimensão sócio-política do papel de enfermeiro. O alcance deste objetivo não é atribuição tão somente das entidades formadoras. Ele deve ser perseguido ao longo de toda a trajetória profissional contando-se, para isso, com o indispensável envolvimento do indivíduo nesse projeto, para o qual se torna imperativa sua participação nas entidades de classe.

Embora não caiba apenas à formação acadêmica a responsabilidade de preparar o enfermeiro para o desempenho de todos estes papéis, ao formador compete o dever de providenciar para que minimamente se ofereça aos graduandos os conhecimentos, habilidades e atitudes básicos para o enfrentamento da situação profissional. Para fazê-lo a instituição formadora necessita conhecer como o seu produto está sendo recebido no mercado de trabalho, que demandas lhe estão sendo apresentadas no momento desta inserção e quais as respostas que está sendo capaz de dar a esta situação. Assim, investigar junto ao egresso como se dá a sua inserção no mercado de trabalho revela-se extremamente oportuno.

Poucos estudos sobre egressos de cursos de enfermagem foram encontrados na base de dados LILACS em junho de 2002, a partir das palavras-chave - ensino, egressos e enfermagem. Dos quatro estudos que enfocaram a inserção do recém graduado no mercado de trabalho, um deles(5) acompanhou a trajetória dos formados em uma única escola por vinte anos, outro(6) avaliou o egresso sob a ótica de suas chefias imediatas, um terceiro(7) usou os indicadores de qualidade do Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras - PAIUB. O último(8) indagou diretamente os graduados sobre a preparação para o ingresso no mercado de trabalho e sua satisfação com a profissão.

A apreciação das pesquisas supracitadas ensejou a reflexão sobre a oportunidade e a conveniência de conhecer a realidade do curso de graduação em enfermagem de uma universidade particular do Grande ABC, que oferece esta formação desde a metade dos anos noventa. Atualmente, o ingresso ocorre duas vezes por ano, com 100 alunos por turma O currículo tem duração de quatro anos, com carga horária em torno de 4400 horas, e é composto de atividades teóricas, teórico-práticas e práticas que são realizadas em várias instituições de saúde, públicas e privadas, situadas na mesma região geográfica da sede do curso. Adota o regime de contratação de professores como horistas, possui laboratórios e biblioteca próprios.

A inexistência de informações sobre a inserção dos egressos no mercado de trabalho levou à proposição do presente estudo, com o qual se espera contribuir, não só para o aprofundamento do conhecimento dessa questão como para o aperfeiçoamento do ensino ministrado.

Assim, os objetivos deste estudo são: Caracterizar os egressos de um curso de graduação em enfermagem quanto a dados demográficos e escolaridade complementar; Analisar as condições de inserção desses egressos do curso no mercado de trabalho; e Verificar se os enfermeiros graduados por esse curso são filiados a entidades de classe.

 

2 Metodologia

Trata-se de um estudo exploratório descritivo retrospectivo, tendo como objeto a inserção, no mercado de trabalho, dos graduados nessa universidade no período de 1997 a 2001. Cuja população do estudo é constituída dos egressos das oito turmas formadas pela universidade no período de 1997 a 2001, num total 439 sujeitos.

Os dados foram colhidos por meio da aplicação de um questionário enviado à residência dos egressos, acompanhado de envelope resposta selado para devolução, bem como de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A devolução do questionário preenchido acompanhado do termo assinado implicava no aceite do ex-aluno em participar do estudo, observando-se, dessa maneira, o que prevêem as normas para realização de pesquisas com seres humanos.

O instrumento constava de perguntas fechadas e foi testado previamente com população similar à população alvo. Os dois documentos, assim como o projeto de pesquisa, foram submetidos à análise e manifestação de Comissão de Ética em Pesquisa.

O período de aplicação foi de quatro meses a contar da data da postagem, findo o qual foi feito contato telefônico com os que deixaram de remeter suas respostas e com os destinatários das correspondências que retornaram ao remetente, enviando-se novamente os instrumentos de coleta. Dois meses após esse procedimento foi encerrada a coleta de dados, obtendo-se 80 respostas, correspondendo a 18,22% do total enviado.

Para a análise do material coletado foi construído um banco de dados numa planilha Excel, posteriormente submetido à aferição de freqüência simples e relativa, para isso empregando-se recursos eletrônicos.

 

3 Resultados

Os ex-alunos que enviaram os questionários de volta aos pesquisadores, responderam a quase todas as perguntas, havendo um percentual maior de ausência de respostas quando se indagou sobre remuneração. As respostas foram categorizadas nos termos definidos nos objetivos propostos para o presente trabalho, como será apresentado a seguir.

3.1 Dados demográficos

A maior parte dos ex-alunos era do sexo feminino (82,5%), tinha entre 25 e 35 anos (43,75%), era solteiro (53.75%) e sem filhos (58,75%). Os dados informam que parece ter havido um decréscimo na idade de inserção no curso de graduação em enfermagem a partir da primeira turma de 2000.

A presença significativa de adultos mais velhos, mesmo nas turmas mais recentemente tituladas é um indicativo de que uma boa parte dos egressos já era trabalhador antes de cursar a faculdade ou, pelo menos, já possuía obrigações familiares, como atesta a existência de filhos - para 41,25% do total de respondente, e a somatória da freqüência de casados, desquitados, divorciados e viúvos (46,25%). Sobre os alunos trabalhadores vale registrar ainda que 72,5% informaram já serem profissionais da área da saúde (57,5% auxiliares de enfermagem e 6,25% técnicos de enfermagem) antes de concluírem o curso.

Embora a maioria não tenha filhos, a observação da série histórica pode sugerir que talvez seja uma questão relacionada ao tempo, uma vez que os alunos que se formaram primeiro são os que têm proporcionalmente maior descendência. Os números prevalentes são de um e dois filhos (27,5% do total de ex-alunos), caindo para 13,75% os de maior prole. Considerando a hegemonia feminina no curso, o adiamento na decisão de ter filhos pode ter influenciado na inserção no mercado de trabalho.

Menos da metade dos ex-alunos (28,75%) moravam na mesma cidade onde se localiza a atual sede da faculdade; 6,25% moravam em São Caetano do Sul, onde se localizava a antiga sede; 18,75% moravam em São Bernardo do Campo; 7,5% em Diadema; 5% em Ribeirão Pires e 8,75% em Mauá, todas cidades da região do Grande ABC. Dos restantes, 16,25% moravam em São Paulo 2,5% em Santos e, em outras cidades do Estado de São Paulo, 2,5%. Essa distribuição indica a forte inserção da faculdade na comunidade a que pertence, complementada pela rede de transporte e malha ferroviária e rodoviária que servem à localidade.

3.2 Tempo de formado

De um total de 80 alunos que responderam ao questionário, 7,5 % eram formados na primeira turma (1997), 11,25% na segunda (1998), 32,5% em 1999, 21,25% em 2000 e 27,5% em 2001. Obviamente o maior tempo de formado exerce influência nas condições de inserção no mercado de trabalho.

3.3 Escolaridade complementar

As questões que abordaram esse tema permitiam respostas múltiplas. Do apurado, 21,25% dos respondentes informaram ter freqüentado cursos de difusão cultural (até 30 horas de duração), 28,75% de atualização (até 60 horas de duração), 13,75% de aperfeiçoamento (entre 60 e 90 horas), 23,75% de treinamento (mais que 90 horas) e 45% de especialização. Destes, 2,5% cursaram residência ou aprimoramento em enfermagem e 1,25% o mestrado. Nota-se que o maior interesse dos respondentes esteve concentrado nos cursos de especialização. Pelo fato da universidade oferecer essa oportunidade, pode-se inferir que houve condições facilitadoras para a participação dos alunos nesse tipo de curso.

As áreas do conhecimento às quais os cursos estavam vinculados foram: Saúde Coletiva (23,75%), Administração em Enfermagem (21,25%), Cuidado ao Paciente em Estado Crítico (20%), Enfermagem Obstétrica (8,75%), Centro Cirúrgico (6,25%), Enfermagem Pediátrica (5%), Geriatria/Gerontologia (5%), Saúde do Trabalhador (5%), Estomaterapia (3,75%), Enfermagem em Saúde Mental (3,75%), Reabilitação (2,5%) e Oncologia (2,5%). Cerca de 30% dos respondentes afirmaram ter feito cursos em outras áreas diferentes das indagadas, não indicando quais foram. Chamou à atenção, ainda, o fato de 21,25% dos egressos não ter participado denenhum curso, o que mereceria uma investigação à parte.

Quando indagados sobre a área de interesse em fazer cursos no futuro, os egressos apontaram as seguintes preferências: difusão cultural - 3,74%; atualização - 10%; aperfeiçoamento - 12,5%; treinamento - 8,75%; especialização - 58,75%; residência ou aprimoramento em enfermagem - 5% e mestrado - 50%. Dentre as áreas preferidas estiveram: Saúde Coletiva (35%), Cuidado ao Paciente em Estado Crítico (26,25%), Administração em Enfermagem (23,75%), Enfermagem Obstétrica (22,5%), Enfermagem Pediátrica (10%), Saúde do Trabalhador (10%), Estomaterapia (10%), Centro Cirúrgico (8,75%), Geriatria/Gerontologia (8,75%), Enfermagem em Saúde Mental (7,5%) e Reabilitação (2,5%).

As condições elencadas pelos egressos para participar dos cursos foram: que fosse ministrado preferencialmente no período noturno (28,75%), seguido do matutino (17,5%) e vespertino (7,5%), em local próximo ao trabalho ou à residência (50%). Alguns condicionaram sua participação ao recebimento de recompensa ao término (2,5%). Para participarem desses cursos os egressos registraram serem condições necessárias: ter mais dinheiro (60%), ter maior disponibilidade de tempo (56,25%), ser num horário favorável (27,5%), contar com financiamento (8,75%) e ter vontade (1,25%).

3.4 Condições de inserção dos egressos do curso no mercado de trabalho

Estavam empregados no momento em que preencheram os questionários, 74 (92,5%) dos respondentes. Dentre estes, houve 43,75% que conseguiram seu primeiro emprego um mês depois de formado, 6,25% após dois meses, 13,75% após três meses, 10% após quatro meses, e 18,75% quatro meses.

Cinqüenta e cinco egressos (68,75%) prestaram um total de trinta e três concursos públicos em instituições diferentes do Estado de São Paulo, nos quais foram aprovados 69 vezes e reprovados em 34. O selecionador mais freqüente foi a Prefeitura do Município de São Paulo, para cujo concurso se inscreveram 25 ex-alunos, sendo aprovados 16 e 9 reprovados.

Dentre as fontes de recrutamento, por meio das quais foram informados das oportunidades de trabalho, estão: colegas de faculdade (40%), jornais (36,25%), currículos enviados por correio eletrônico convencional (26,25%), divulgação de oportunidades de promoção interna na empresa (18,75%), informações capturadas da internet (10%), indicação de professores da faculdade (7,5%), agência de empregos (6,25%), locais de estágios extracurriculares (5%), locais de estágios curriculares (3,75%), e centros acadêmicos (1,25%).

Os processos seletivos de que participaram foram constituídos de uma ou mais das seguintes modalidades: prova escrita (82,5%), entrevista (52,5%), dinâmica de grupo (40%), análise de currículo (35%), prova oral (25%), testes psicométricos (21,25%) e prova teórico-prática (18,75%).

Afirmaram ser profissionais de saúde antes de concluir o curso de graduação, 58 (72,5%) respondentes, sendo 1 psicólogo, 1 técnico de patologia, 46 auxiliares de enfermagem, 5 técnicos de enfermagem, 3 instrumentadores cirúrgicos e 1 escriturário que trabalhava em instituição de saúde.

À época do preenchimento do questionário, apenas 2 ex-alunos estavam desempregados. A maioria tinha entre um (48,75%) e dois empregos (46,25%), havendo 2 alunos com três empregos. As instituições empregadoras prevalentes eram instituições públicas (50% dos postos de trabalho ocupados pelos egressos) seguidas de instituições privadas não filantrópicas (33,3%). As instituições filantrópicas eram responsáveis pelos outros 16,7% postos de trabalho ocupados pelos egressos. Eram cooperados e autônomos 23 dos egressos e dois não informaram sua condição.

A maioria desempenhava funções de enfermeiro assistencial em hospitais (41,25%), seguidos de docência em curso de formação profissional de auxiliares e técnicos de enfermagem (27,5%). Outros 50% dividiam-se igualmente nas funções de enfermeiro-chefe de unidade e enfermeiros supervisores.

Antes do(s) emprego(s) que ocupavam quando preencheram o questionário, 20 ex-alunos (25%) já haviam trabalhado e se desligado de 1 emprego, 12 (15%) de dois empregos, 6 (7,5%) de mais que três empregos e 2 (2,5%) de mais que 4 empregos.Os demais 40 ex-alunos (50%) permaneciam vinculados ao seu primeiro emprego.

A maior parte dos empregos localizava-se em instituições sediadas na cidade de São Bernardo da Borda do Campo (28,75%), seguidos da cidade de Santo André (25%), São Caetano do Sul (12,5%) e na zona Sul da Cidade de São Paulo (18,75%), ou seja, em locais próximos à universidade.

O rendimento prevalente auferido pelos ex-alunos, tomando como indicador o salário profissional do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (2002) - R$ 846,70 (oitocentos e quarenta e seis reais e setenta centavos), ficou entre R$1.395,70 e 2.310,70 (35% dos respondentes), seguido da faixa entre R$ 2.310,71 e 3.225,70 (21,25% dos respondentes) e da faixa entre 3.225,71 e 4.140, 70 (20% dos respondentes).

3.5 Filiação a entidades de classe

Dos 80 ex-alunos 58 (72,5%) afirmaram não pertencer a nenhuma entidade de classe de filiação voluntária; 22 (27,5%) deles eram associados às seguintes entidades: Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (16,25%); Associação Brasileira de Enfermagem (13,75%); Sociedade Brasileira de Enfermagem em Dermatologia (1,25%) e Associação Paulista de Estudos sobre o Controle da Infecção Hospitalar (1,25%).

Nota-se o pouco interesse desses enfermeiros em participarem de esforços coletivos para a discussão de questões e proposição de soluções de temas relativos à profissão e à saúde.

 

4 Conclusões

A caracterização demográfica dos egressos do curso em análise, no período estudado, indicou que a população é constituída por adultos jovens, predominantemente do sexo feminino, solteiro e sem filhos, moradores da região em que se situa a universidade. A grande maioria já era profissional da área da saúde quando concluiu o curso.

Uma boa parte dos egressos já possuía o título de especialista em Enfermagem e muitos pretendiam obtê-lo. Enquanto não o faziam, participavam freqüentemente de cursos de difusão cultural, aperfeiçoamento e treinamento. Poucos já estavam inseridos em programas de mestrado, mas a metade dos respondentes manifestou interesse nessa modalidade de ensino. As condições necessárias para o prosseguimento nos estudos estavam vinculadas principalmente à disponibilidade de tempo e recursos financeiros.

A inserção dos egressos do curso no mercado de trabalho se deu rapidamente após a conclusão do curso, muitos tendo já experimentado mais de um emprego. O encontro da oportunidade de emprego se deu principalmente através de colegas da própria faculdade. O acesso foi precedido de concurso público para a maioria dos respondentes, nos quais obtiveram bom resultado. Os processos seletivos empregaram mais de uma modalidade de testagem, sendo a prova escrita o recurso mais freqüente.

A maior parte dos alunos possui de um a dois empregos, em postos de trabalho públicos, na cidade onde se localiza a universidade e outras próximas a ela. Desempenha principalmente as funções assistenciais, seguidas das gerenciais, permanecendo no primeiro emprego e percebendo entre um e meio e três salários profissionais.

A maioria dos enfermeiros graduada por esse curso não é voluntariamente filiado a entidades de classe, sendo as mais freqüentes, entre os que são associados, a ABEn e o Sindicato.

O estudo indica a rápida aceitação dos egressos do curso em análise pelo mercado de trabalho, na comunidade a que pertence, em posições relativamente favoráveis. A atitude do egresso em relação ao seu desenvolvimento profissional demonstra possibilidades de crescimento, sendo desejável o prosseguimento do estudo para acompanhamento do fenômeno a médio e longo prazo.

 

Referências

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Data de Recebimento: 10/10/2002
Data de Aprovação: 20/03/2004

 

 

1Projeto de Pesquisa vinculado à linha de pesquisa História da Administração em Enfermagem.

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