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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. bras. enferm. vol.60 no.3 Brasília May/June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672007000300017 

REFLEXÃO

 

A estrutura do conhecimento sobre Administração em Enfermagem

 

The structure of knowledge in Nursing Administration

 

La estructura del conocimiento en Administración en Enfermería

 

 

Maria Cristina Sanna

Doutora em Enfermagem. Pesquisadora Independente. Membro do GEPAG Grupo e Estudos e Pesquisa em Administração em Saúde e Gerenciamento em Enfermagem da UNIFESP, São Paulo, SP

 

 


RESUMO

Reflexão sobre a necessidade de construção de classificações que sirvam de referência para a adoção de linguagem comum sobre o Ensino e a Pesquisa em Enfermagem, que encaminha proposta para a organização do conteúdo de Administração em Enfermagem elaborada a partir de pesquisa que analisou determinado modelo-referência de Administração de Serviço de Enfermagem de natureza hospitalar e da prática docente e em pesquisa da autora. A proposta está organizada em três grandes repartições, uma das quais com seis subdivisões, com o quê se pretendeu dar ordenamento conceitual para grupamentos de conhecimentos sobre o tema.

Descritores: Enfermagem; Administração; Ensino; Pesquisa.


ABSTRACT

This paper presents a reflection about the need of buiding usable reference classifications for the adoption of commom language in Nursing Education and Research that leads a proposal for the organization of Nursing Administration content elaborated from a research that analyzed a reference model of Nursing Service Administration in hospital organizations and of teaching practices, and also of the author's research. The proposal is organized in three parts, one of them with six subparts, with which it is proposed to give a conceptual organization of the sets of knowledge about the subject.

Descriptors: Nursing; Administration; Teaching; Research.


RESUMEN

Este artículo presenta una refexión sobre la necesidad de construcción de clasificaciones de referencia para la adoción de una lenguaje comum sobre la Enseñanza y Investigación en Enfermería, que encamina la propuesta para la organización del contenido de Administración en Enfermería elaborada a partir de la investigación que analisó el modelo de referencia de Administración del Servicio de Enfermería de naturaleza hospitalaria y de la practica de maestria y tanbién en la investigación de la autora. La propuesta es organizada en tres grandes particiones, una de las cuales con seis subdivisiones, com la cual se pretendió dar un ordenamiento conceptual para agrupamientos de conocimientos sobre el tema.

Descriptores: Enfermería; Administración; Enseñanza; Investigación.


 

 

1. INTRODUÇÃO

A necessidade de organizar taxonomias como recurso para o ordenamento de informações nunca esteve tão presente no cotidiano das pessoas como neste início de milênio. Se já era sentida antes do advento da Informática, hoje é mais aguda, em virtude da proliferação de bancos de dados que são construídos para armazenar e permitir a consulta rápida a informações de todo tipo, que possam subsidiar a atividade humana.

De fato, nos dias de hoje não se permite que a atividade intelectual tenha menos qualidade por falta de informação. Ao contrário, é esperado que se trabalhe com a riqueza que a facilidade de acesso a elas provê, principalmente por meio de redes eletrônicas de comunicação. A partir de então, as condições relacionadas ao fenômeno da Comunicação se estabelecem de maneira vigorosa, posto que as diversas linguagens que se emprega precisam ser compartilhadas e sua lógica deve ser permeável tanto para o emissor quanto para o receptor da mensagem, dentre outros aspectos.

Embora não sejam a solução para todas as dificuldades da comunicação, taxonomias podem facilitar esse processo na medida em que oferecem estruturação para a disposição das informações. Para construí-las, é necessário que haja algum domínio do conteúdo em foco, da operação dos sistemas de comunicação e dos conhecimentos sobre funções básicas da lógica aristotélica.

Se isso é verdade para todas as áreas do conhecimento, nas Ciências da Saúde tem alcançado patamares inigualáveis ao tempo em que o recurso eletrônico não existia. Na Enfermagem não é diferente, e os esforços coletivos para a construção de taxonomias têm sido a tônica do momento. O Diagnóstico de Enfermagem, por exemplo, tem uma coleção de propostas que são compartilhadas até internacionalmente. A discussão sobre a organização de Linhas de Pesquisa, que envolve os doutores vinculados à Pós-graduação senso estrito e está em pauta há vários anos, nos múltiplos eventos promovidos pelas instituições autorizadas a fazê-lo, é outro exemplo. A criação de um segmento da Biblioteca Virtual em Saúde voltado para a Enfermagem já está atenta a essa questão, e assim por diante.

A quantidade de bases de dados que são criadas e disponibilizadas continuamente é um desafio para o estudioso, não só porque o volume de informação é grande, mas porque é difícil transitar por todas elas sem tropeçar em informações repetidas, fontes variadas e sistemas diferentes de acesso. Como encaminhar a questão? O problema parece ser de difícil solução porque as propostas restritivas empobrecem a colheita que se nelas se possa fazer e isso ninguém quer. Nesse cenário, o investimento em taxonomias abrangentes e relativamente estáveis, ainda que se considere a rápida acumulação do conhecimento, pode seguramente não resolver, mas certamente amenizar as dificuldades.

Quando se fala sobre taxonomias na Enfermagem, imediatamente se evoca a dimensão assistencial. Talvez porque a especificidade desta ciência seja mais bem percebida nesse domínio, talvez porque o ensinar e pesquisar empregue referenciais de outras ciências e práticas profissionais que se apropriam melhor desses ramos do saber, ou pela produção científica sobre a Assistência de Enfermagem ser maior e mais bem divulgada, os outros processos de trabalho e o conhecimento disponível para operá-lo são relegados para o segundo plano.

Assim ocorre com a subárea de Administração em Enfermagem que, apesar de ter produção científica expressiva, ainda carece de descritores mais abrangentes para que se possa trabalhar com mais facilidade na apropriação e difusão desses produtos. Sabe-se que a maior parte da produção nessa subárea é voltada ao gerenciamento de recursos humanos(1), mas há outras que não têm merecido a devida atenção.

Uma situação que frequentemente atesta essa dificuldade é o questionamento dos alunos de graduação e até da pós-graduação sobre o que compõe o conteúdo da Administração em Enfermagem(2), pergunta difícil de ser respondida se empregarmos apenas revisões de literatura sobre o tema, a disposição dos assuntos nos livros-textos ou a organização da apresentação de comunicações orais em eventos científicos. É igualmente desoladora a resposta se a buscarmos nas grades dos cursos de graduação e nas ementas das disciplinas que abordam o conteúdo sobre a Administração em Enfermagem que a compõem.

A organização do conhecimento sobre Administração em Enfermagem não pode se desconectar dos referencias da ciência da Administração nem tampouco se limitar à reprodução destas. Há que se encontrar uma estrutura que permita a rápida visualização do todo e a localização de especificidades, sem que se recorra a caudalosas laudas de definições e explicações, que inviabilizariam sua adoção como linguagem para o fim a que se destina.

Com base nas ponderações feitas e considerando que o assunto merece ser examinado, apresenta-se aqui uma proposta para disparar a discussão sobre o tema. Ela foi construída a partir da prática docente e de investigação, mas também levou em consideração a prática gerencial da autora e seus produtos de pesquisa sobre o tema. A esse propósito, cita-se a tese de Doutorado(3), que deu subsídio para o que se apresentará a seguir.

Na opinião da autora do presente relato, há três grandes grupamentos que podem conter o conhecimento disponível sobre o tema: As Bases Ideológicas e Teóricas, Os Métodos de Intervenção e As Práticas de Administração de Recursos. Neste último estão contidos os de natureza humana, material, física, financeira, política e de informação. A Figura 1 permite apreciar o conjunto e sua discriminação em tópicos.

As Bases Ideológicas e Teóricas da Administração em Enfermagem contemplam as Teorias da Administração, a Filosofia do Serviço de Enfermagem, a Política de Saúde, a Legislação sobre Saúde, Enfermagem e Trabalho e as Condições do Mercado de Trabalho e Áreas de Atuação da Enfermagem. Os produtos de pesquisa que sob esse título se agrupam são de natureza conceitual e se prestam à compreensão/interpretação dos fenômenos que envolvem o processo de trabalho Administrar em Enfermagem.

Os Métodos de Intervenção na realidade, de que se serve o enfermeiro quando administra, são oriundos da aplicação das bases ideológicas e teóricas já mencionadas e se referem a quatro domínios: o Planejamento, A Tomada de Decisão, a Supervisão e a Auditoria. De maneira equivocada tem sido chamados de instrumentos de trabalho do processo administrar em enfermagem, posto que, nas suas múltiplas abordagens, são prescritivos, operam em seqüência lógica e encadeada e respondem a formas de reação do objeto de trabalho de maneira previsível dentro de certos limites.

Já a Prática de Administração de Recursos corresponde à experimentação da aplicação dos métodos associada à compreensão dos fenômenos que envolvem o Administrar em Enfermagem, e tem especificidade decorrente do tipo de recurso abordado.

Assim, a Prática de Administração de Recursos Humanos inclui: o Dimensionamento da Força de Trabalho, o Recrutamento, a Seleção, a Distribuição, a Avaliação de Desempenho e a Educação Permanente. A de Recursos Materiais: Previsão, Aquisição, Armazenamento, Conservação, Distribuição e Controle.

Já a Prática de Administração dos Recursos Físicos considera: a Arquitetura, o Projeto, a Decoração, a Legislação e a Denominação e Função dos Compartimentos, a Segurança do Cliente e dos Profissionais e Riscos Ocupacionais.

A Prática de Administração dos Recursos Financeiros, por sua vez, contempla: o Financiamento, o Orçamento, os Custos e a Produtividade, enquanto a Prática de Administração de Recursos Políticos contem: a Estrutura Organizacional, o Poder e a Cultura, o Conflito e a Negociação, a Liderança, a Motivação, a Mudança e as Relações Interdepartamentais.

Por fim, na Prática de Administração de Recursos de Informação estão inseridos: a Comunicação, o Prontuário do Cliente, os Manuais Organizacionais, os Documentos Administrativos e os Impressos e/ou Formulários Eletrônicos.

Esta primeira abordagem é uma tentativa de dispor o conteúdo sobre Administração em Enfermagem de forma a permitir a localização das informações e o estabelecimento de relações entre elas, de forma a gerar o entendimento quando se aborda tal conteúdo e a suscitar propostas de inclusão ou exclusão de temas, readequação de nomenclatura ou estimular a construção de novas árvores de distribuição desse conteúdo, para que se possa avançar na construção de uma taxonomia adequada às atividades de Ensino e Pesquisa em Enfermagem na atualidade.

 

REFERÊNCIAS

1. Ciampone MHT, Felli VEA, Castilho V, Kurcgant P. A produção do conhecimento na área de administração de Serviços de Enfermagem no programa de pós-graduação. Rev Esc Enferm USP 2005; 39(esp): 535-43.         [ Links ]

2. Martins EG, Sanna MC. A produção científica sobre Administração em Enfermagem no Brasil no período de 1947 a 1972. Rev Bras Enferm 2005; 58(2): 253-9.         [ Links ]

3. Sanna MC. Histórias de Enfermeiras gerentes: subsídios para a compreensão de um modelo-referência de organização de serviços de enfermagem no período de 1950 a 1980. Rio de Janeiro (RJ): Ed. Escola Anna Nery/UFRJ; 2002.         [ Links ]

 

 

Submissão: 02/11/2006
Aprovação: 03/02/2007

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