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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. v.61 n.spe Brasília nov. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672008000700002 

EDITORIAL

 

O papel estratégico do enfermeiro no controle da Hansenías

 

 

Maria Leide W. de Oliveira

Coordenação do Programa Nacional de Controle da Hanseníase do Ministério da Saúde

 

 

Nas duas últimas décadas o envolvimento do enfermeiro com as ações de controle da hanseníase no Brasil ampliou-se de forma considerável. E não poderia ser diferente, já que na expansão do SUS essa categoria profissional tem um papel fundamental na organização dos serviços de saúde em diferentes níveis de complexidade. Na hanseníase, o grande impulso veio com a implantação da poliquimioterapia(PQT) com dose supervisionada, em 1986, atividade que demandava uma série de novas tarefas, cuja supervisão e execução são atribuições da enfermagem. Além disso, as ações de prevenção e tratamento das incapacidades físicas inseriram na rotina do atendimento uma diversidade de ações do cuidado, em grande parte assumidas pela enfermagem.

Essa mudança foi instrumentalizada, inicialmente, pela capacitação por categoria profissional em larga escala (módulos de capacitação teórico-prático para enfermeiros, de 180hs, MS,1988) ; pelos treinamentos específicos e multiprofissionais (40hs) para profissionais de saúde envolvidos nas " áreas de demonstração" de PQT (projeto de implantação gradual, MS,1977); módulo de ações de controle (treinamentos teórico-prático multiprofissional de 40hs), para ampliação da PQT ( MS, 1988,1989) e, ainda a proposta de integração com o ensino médico e de enfermagem; produção de materiais e interação com o sistema formador (proposta de integração ensino-serviço:livro, slides e vídeo, MS, 1988);

Tudo isso, sem mencionar a atuação do enfermeiro na gestão do SUS e nas ações gerenciais do Programa de Controle da Hanseníase nas três esferas administrativas. Atualmente, na maioria das unidades federadas a coordenação das ações de controle estaduais e municipais da hanseníase é desempenhada por enfermeiros. E não se pode deixar de dar um destaque para as participações das enfermeiras Maria Bernadete Moreira e Danusa Benjamim, no Programa Nacional de Controle da Hanseníase do Ministério da Saúde.

O Profissional de enfermagem tem desempenhado um papel estratégico para a atenção integral e humanizada no SUS e para a organização dos serviços na perspectiva da equipe de saúde, contribuindo para o desenvolvimento das ações interdisciplinares na atenção à saúde

A descentralização das ações de controle da hanseníase e o aumento de cobertura da estratégia de saúde da família vêm atraindo milhares de enfermeiros e estimulou a abertura de novos cursos de graduação em todo o País nos últimos anos, com uma demanda crescente das necessidades de capacitação em hanseníase, entre outros agravos ainda prevalentes em nosso meio.

Nesse sentido, a iniciativa auspiciosa e inédita da ABEn, de inserir uma oficina de hanseníase para docentes de enfermagem no seu Congresso anual, e ainda, lançar um edital para a seleção de artigos científicos em hanseníase visando a publicação de um número especial, merece aplausos. Além de cumprir com a finalidade precípua do periódico quanto a divulgação de conhecimentos científicos produzidos no Brasil, presta uma homenagem a esses profissionais, que além de constituírem uma valiosa força de trabalho e de sustentação do SUS contribuem com a produção do conhecimento em hanseníase. Os estudos publicados nesse número especial da REBEn demonstram a abrangência da atuação do enfermeiro na assistência, ensino e pesquisa em hanseníase. O Programa Nacional de Controle da Hanseníase só tem a agradecer a oportunidade de participar desse empreendimento.