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Revista Brasileira de Enfermagem

versión impresa ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.64 no.6 Brasília nov./dic. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672011000600009 

PESQUISA

 

Autoimagem de clientes com colostomia em relação à bolsa coletora

 

Self-image of clients with colostomy related to the collecting bag

 

Auto-imagen de clientes con colostomía en relación con la bolsa colectora

 

 

Maria do Rosário de Fátima Franco BatistaI; Francisca Cecília Viana RochaI; Danillo Maia Guedes da SilvaI; Fernando José Guedes da Silva JúniorII

IFaculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Curso de Graduação em Enfermagem. Teresina-PI, Brasil
IIUniversidade Federal do Piauí, Curso de Bacharelado em Enfermagem. Teresina-PI, Brasil

Autor correspondente

 

 


RESUMO

Objetivou-se analisar a percepção do portador de colostomia em relação ao uso da bolsa coletora. Realizou-se uma pesquisa descritiva com abordagem qualitativa, no Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo, Teresina-PI. Participaram da pesquisa dez clientes portadores de bolsa de colostomia. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas. A análise de conteúdo permitiu revelar os sentimentos, as mudanças ocorridas e como acontece o processo de adaptação da pessoa portadora da bolsa de colostomia. Constatou-se que a relação entre a pessoa portadora de colostomia e a bolsa coletora é permeada por sentimentos negativos, mudanças significativas de ordem físicas, psicológicas, sexuais, bem como na teia de suas relações sociais.

Descritores: colostomia; autoimagem; enfermagem.


ABSTRACT

The study aimed to analyze the perception of patients with colostomy in the use of the collection bag. It was conducted a descriptive qualitative approach, on the Center for Integrated Health Lineu Araujo, Teresina-PI, Brazil. Ten clients with colostomy bag participated in the survey. Data were generated through semi-structured interviews. Content analysis has revealed the feelings, the changes and how the process of adaptation of the person with the colostomy bag occurs. It was found that the relationship between the collection bag and the person with a colostomy is filled with negative feelings, significant changes in physical, psychological and sexual order, and in the web of his/her social relationships.

Key words: colostomy; self concept; nursing.


RESUMEN

El estudio objetivó analizar la percepción de los pacientes con colostomía cuanto al uso de la bolsa de recolección. Llevó-se a cabo una pesquisa con enfoque descriptivo cualitativo, en el Centro de Salud Integrado de Lineu Araujo, Teresina-PI. Participaron en la encuesta diez clientes portadores de bolsa de colostomía. Los datos fueron generados a través de entrevistas semi-estructuradas. El análisis de contenido ha puesto de manifiesto los sentimientos, los cambios y cómo funciona el proceso de adaptación de la persona con la bolsa de colostomía. Se encontró que la relación entre la la persona con una colostomía y bolsa de recolección está llena de sentimientos negativos, u de cambios significativos en los aspectos físico, psicológico y sexual; y en la red de relaciones sociales.

Palabras clave: colostomía; autoimagen; enfermería.


 

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O aumento da expectativa de vida, a industrialização e os efeitos da urbanização, fizeram com que a população brasileira estivesse mais exposta a problemas de saúde, dentre os quais se destaca o câncer, os traumatismos, as doenças crônicas degenerativas necessitando muitas vezes, de recursos tecnológicos como o uso de ostomias, na perspectiva de proporcionar ao paciente melhor qualidade de vida.

O ostoma, por suas características, não poderá ser controlado voluntariamente. Considerando-se os tipos de ostoma, a colostomia é a mais frequente e caracteriza-se pela exteriorização do cólon através da parede abdominal, com o objetivo da eliminação fecal(1). Esta comunicação leva as fezes diretamente à área exposta para fora do corpo, evitando a passagem de fezes pela porção doente ou lesada do intestino. É por esta razão que se torna necessária a utilização de uma bolsa de coleta de fezes.

As condições clínicas que levam à realização de uma ostomia intestinal estão relacionadas às patologias benignas ou malignas do órgão e são muito comuns em oncologia, trauma e cirurgia gastroenterológica. A ostomia pode ser temporária ou definitiva, isto é, podem ser realizadas e depois fechadas, ou mantidas pelo resto da vida(2).

O indivíduo ao receber o diagnóstico para realização de uma ostomia tem dificuldades de enfrentar e vencer as mudanças que ocorrerão nessa nova fase da vida, isso inclui: pré, trans e pós- operatório, pois, ocorrem transformações na imagem corporal e autoimagem de difícil aceitação. Nesse sentido, os cuidados de enfermagem voltados à pessoa ostomizada devem iniciar-se no momento do diagnóstico e da indicação da realização de uma ostomia, na perspectiva de minimizar sofrimentos, reduzir a ansiedade, prevenir complicações no pós-operatório, bem como obter uma melhor reabilitação(3-4).

Destaca-se que vários são seus medos e receios, que vão desde a rejeição da família e amigos, a dificuldade em lidar com a ostomia normalmente evidenciada pela falta de conhecimento, as barreiras para reintegração social e a perda do emprego. Circunscrevem, também, esta problemática as situações de constrangimento e ameaça à sua integridade que geram um desequilíbrio emocional, que interfere na aceitação de sua nova condição de vida(5).

A pessoa portadora de colostomia sofre impacto físico e psicológico, bem como uma súbita destruição de sua imagem corporal. O estado emocional do paciente anteriormente e logo após a cirurgia pode ser caracterizado por sintomas de ansiedade e depressão que contribuem de forma negativa no estabelecimento de novas relações sociais, além de exacerbar o medo, a dor e o sofrimento(6).

Portanto, faz-se necessário um preparo adequado por parte dos profissionais de saúde no perioperatório para inserção de colostomia, considerando as alterações físicas e emocionais consequentes a cirurgia. Enfatiza-se que a avaliação no pré-operatório é imprescindível para que se alcance uma reabilitação eficiente voltada para o autocuidado(3-4).

Neste contexto, subleva-se grande preocupação na ampliação de recursos humanos na Enfermagem interessados, envolvidos, habilitados e, ou mesmo, especialistas na área; bem como a ampliação da construção do conhecimento científico, pela Enfermagem, na área da estomaterapia. Diante dessa realidade apresenta-se como objetivo deste estudo: analisar a percepção do portador de colostomia em relação ao uso da bolsa coletora.

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa, realizada no Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo (CISLA), localizado no centro de Teresina-PI, que funciona como serviço de referência para ostomizados em todo o Estado.

Fizeram parte do estudo dez pacientes em uso de colostomia definitiva, sendo oito do sexo masculino e dois do sexo feminino, na faixa etária entre 24 a 84 anos de idade. Seis possuíam ensino médio, três ensino fundamental e um, o nível superior. Como critérios de inclusão na pesquisa foram selecionados os clientes que tivessem mais de seis meses de uso da bolsa de colostomia, em virtude de ser um tempo mínimo para adaptação e uso desta, e aceitarem participar do estudo com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Para produção dos dados utilizou-se a entrevista semiestruturada. Neste momento o entrevistado possuía liberdade para responder ao que lhe foi questionado. As entrevistas tiveram duração entre quatro e 15 minutos e foram realizadas no período de abril a maio de 2008. Após as entrevistas, as falas foram transcritas na íntegra, de forma a permitir o início da análise de conteúdo a qual deve ser realizada seguindo três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados(7).

Esta pesquisa obedeceu aos aspectos éticos e legais preconizados pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) no que tange a pesquisa envolvendo seres humanos. Desta forma, destaca-se que se obteve autorização da instituição e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade NOVAFAPI (CAAE nº 0225.0.043.000-07).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com a finalidade de analisar a percepção dos depoentes em relação ao uso da bolsa coletora os discursos permitiram evidenciar que essa realidade é permeada por diversos sentimentos emergidos das mudanças ocorridas com advento da bolsa coletora. No entanto, descrevem também como vem sendo o processo adaptativo que circunscreve essa difícil realidade.

Os sentimentos dos clientes colostomizados ao conviver com uma bolsa de colostomia

A convivência com a bolsa de colostomia gera o surgimento de sentimentos conflituosos, preocupações e dificuldade para lidar com esta nova situação. Há estágios emocionais de negação corresponsáveis pelo decaimento da autoestima, provocando assim, sensação de mutilação, rejeição de si próprio e dos semelhantes, além de alterações em outras dimensões, tais como: o humor.

No grupo de entrevistados, os sentimentos de medo, vergonha e angústia foram evidenciados de forma mais contundente.

No minuto que eu soube, eu fiquei muito apavorada [...]. (D1)

[...] A princípio foi meio constrangedor. [...] no inicio foi pesado, eu pensei em até cometer suicídio [...]. (D5)

No início a gente se sente deprimida. [...] é muito ruim viver com isso, é como você sentisse a morte, é angustiante demais [...] às vezes fico me perguntando por que sou assim. (D6)

Fiquei com medo, vergonha, chorei muito, eu me senti no fundo do poço. (D4)

Não sinto vontade de sair [...] no começo eu me privei [...] não saia de casa, passava a maioria do tempo em casa. (D8)

Conforme relato dos entrevistados depressão, solidão, pensamentos suicidas, sentimentos de estigma, perda da autoestima e alteração da autoimagem, enquanto funções psicológicas estão entrelaçadas no cotidiano daqueles que vivenciam o processo de ser portador de colostomia.

Estas pessoas se percebem como alguém que foge a normalidade das demais pessoas de seu convívio sociocultural, e procuram constituir novas normas que a possibilitem não se sentir tão diferente e distante de seus antigos padrões, no entanto isso lhe demanda lutar contra o sofrimento e, principalmente, o medo de rejeição e a ideia da própria morte(6).

Estudo fenomenológico realizado com portadores de colostomias evidenciou que estas pessoas descortinam uma vivência, normalmente, circunscrita por sentimentos de medo, vergonha, preocupação, inferioridade e preconceito(8). Elas tornam-se reféns desses sentimentos, encontram-se imbuídas na inautenticidade, num modo de ser desfavorável a sua realização pessoal.

A fala dos depoentes e os resultados de outros estudos congêneres realizados Cuiabá-MT e São Jose do Rio Preto-SP também evidenciam a colostomia como uma instrumento de mutilação(6,9). Assim, destaca-se que a família do portador de ostomia tem papel fundamental, estes devem contribuir com um suporte psicológico na tentativa de minimizar as dificuldades tomando pra si também as responsabilidades, tornando-se protagonistas também desse cuidado.

A partir das vivências dos pacientes colostomizados são visíveis as mudanças ocorridas no modo de vida, pela não aceitação do estoma e pelo estigma causado por ele. Assim, os profissionais de Enfermagem, como educadores, têm um papel fundamental no enfrentamento desses problemas(10). Vale ressaltar a importância de se trabalhar crenças, medos e tabus do paciente, visando facilitar a manutenção do convívio profissional e social, bem como acompanhar a evolução da sua adaptação.

Mudanças ocorridas com o uso da bolsa de colostomia

Percebe-se nos depoimentos que as modificações fisiológicas gastrintestinais e os cuidados com a bolsa de colostomia, provocam mudanças significativas na manutenção da capacidade de realizar suas atividades cotidianas e de lazer.

[...] não tenho mais como trabalhar, não posso ir atrás de um trabalho. [...] não vão me aceitar, não passo no exame médico. [...] se quem tem saúde já não consegue, imagina eu [...]. (D8)

Tenho vergonha de brincar, não passeio mais. [...] o medo é da bolsa estourar quando estiver banhando de piscina. (D7)

O que eu fazia antes dela, hoje eu não faço, muitas coisas [...]. (D10)

Os relatos dos portadores de colostomia apontam para mudanças mais profundas que as fisiológicas, as psicossociais. Denota-se que está imbricado na vivência dos portadores de colostomia restrições em suas vidas sociais, principalmente, evidenciadas na teia de suas relações no trabalho e no lazer.

Ao ter a estrutura anatômica modificada, o ostomizado defronta-se com seus conflitos e fantasias em função da imagem que ele faz do corpo, como também da imagem que fazem dele as pessoas que o cercam(11). Este fato favorece a perda da autoestima, uma vez que ao lidar com a colostomia focaliza-se a atenção das pessoas sobre os valores relacionados à eliminação intestinal, e o que antes era naturalizado passa a ser refletido e revisto.

O isolamento social é algo visível, no entanto é importante destacar que diante dessa realidade é imperativa a necessidade de interação social, pois, esse processo contribuirá para o restabelecimento de sua percepção relacionada ao seu corpo e a sua própria autoimagem e, principalmente, contribuirá para superação da solidão(6). A manutenção e quiçá ampliação de sua rede social proporcionará distração, satisfação o que favorece o resgate da esperança, a busca contínua por melhor qualidade de vida.

As mudanças no contexto social podem decorrer da insegurança causada pela qualidade dos materiais e equipamentos utilizados. Muitas vezes o paciente pode se sentir vulnerável e isolar-se tanto do convívio familiar quanto social.

[...] às vezes quando eu vou pra algumas oportunidades que tem gente, fico preocupada, porque ela faz aquela zoadinha. [...] ai vem os gazes, ai eu fico com receio de estourar, e me afasto das pessoas. (D1)

Sinto vergonha das festinhas da família, porque naquele lugar tem muita gente, é fico com medo de estourar, levanta uma catinga [...]. (D9)

A reinserção social do colostomizado é um desafio para a equipe multiprofissional envolvida, destarte é importante encorajá-lo a acreditar que ele é capaz de conviver com a nova realidade que lhe foi imposta. Portanto, a atuação do enfermeiro deve ser pautada na aceitação da convivência com a ostomia. Além de contribuir para manutenção de sua saúde física e mental(12).

A eliminação dos gases intestinais, o seu ruído e odor são socialmente discriminados, fatores presentes e incontroláveis nos portadores de colostomia, o que os leva a criarem formas para minimizar essa condição. Essa discriminação aparece muitas vezes como sentimento de pena e reações de aversão(10,13).

O apoio e o estímulo dado pelas pessoas significativas podem ajudar o paciente a superar os seus sentimentos de perda, negação, revolta e falta de esperança. Eles se apegam a esse apoio para modificar e superar as suas limitações. Neste momento o enfermeiro deve funcionar como mediador, facilitador deste processo, sendo assim responsável pelo preparo do cliente a ser submetido à ostomia desde o pré-operatório, a confecção da ostomia, até a sua reinserção social. Cabe a este profissional despertar no paciente o sentido para a vida.

Outra mudança observada foi o aparecimento de disfunções sexuais e frequentes problemas referentes a vivências de sua sexualidade, pois o corpo está modificado e o colostomizado sente-se impotente durante a relação com o parceiro, podendo levar a uma desestruturação familiar.

[...] Toda vez que tiver uma relação têm que ser com camisa, nenhuma mulher não tem tesão pelo marido se ela estiver vendo uma colostomia, ela lhe deixa [...]. (D4)

Tenho vergonha de me relacionar com as mulheres, é muito constrangedor usar isso. (D9)

Hoje sou separado por conta dessa bolsa, ela incômoda mesmo, não consigo ter tesão [...]. não tenho cabeça pra isso [...]. (D10)

A sexualidade ao ser vivenciada pela pessoa portadora de colostomia é manifestada por meio de sentimentos negativos: preocupação, angústia, medo, vergonha, isolamento, inferioridade e controle de seus desejos. Os relatos permitem perceber que aludem ao seu corpo como não sendo o mesmo de antes e deixam transparecer as alterações em suas atividades sexuais em decorrência de desconforto físico, do constrangimento e dos efeitos colaterais do tratamento coadjuvante.

Os efeitos do ostoma na sexualidade são difíceis de serem determinados, mas são atribuídos principalmente, a aspectos que incluem a aparência das bolsas, o vazamento de secreções em torno da bolsa, o odor e eliminação de gazes(8,14-15). Neste sentido o enfermeiro deve encorajar a pessoa portadora de colostomia na perspectiva de contribuir para manutenção de sua sexualidade já que o dispositivo não representa obstáculo para a atividade sexual(8,14). Assim, a atividade sexual deve ser reiniciada assim que este paciente tiver condições físicas e emocionais(16).

Adaptação para o autocuidado do portador de bolsa de colostomia

A ostomia e o equipamento coletor imprimem mudança concreta na vida das pessoas colostomizadas. Esta transformação requer tempo para sua aceitação e o aprendizado do autocuidado. A educação em saúde faz-se imperativa tornando-se propulsora das práticas de autocuidado.

[...] Sempre que tem um furo ou um vazamento é uma catinga e tanto, muita gente até sai de perto da gente, eu pressinto logo pra fazer qualquer coisa. (D4)

A gente se levanta numa noite vinte vezes, que você vai pra se deitar tem que levantar de novo, já tem fezes dentro da bolsa, e eu fico naquela sensação e não deixo [...]. (D10)

A pessoa portadora de colostomia traz no bojo de sua trajetória existencial sentimentos de perdas evidenciados, principalmente, pela ausência de uma autonomia quanto a sua fisiologia gastrintestinal. O incômodo causado pela eliminação de gases, vazamentos e odores de fezes exalados pela bolsa de colostomia são exemplos disso(10,14).

Essa realidade representa, sem dúvida, grande desafio, pois alternativas deverão ser encontrados para minimizar a ocorrência dessas situações desagradáveis. Assim, subleva-se relevante preocupação quanto à importância de um atendimento especializado que possa dar suporte profissional aos colostomizados.

É natural que os ostomizados enfrentem dificuldades e passem por um período de adaptação, mas com um conhecimento adequado para vivência dessas situações quão peculiares, certamente, conseguirão tratar adequadamente sua colostomia e conseguirão alcançar um bom nível de bem-estar físico e psicológico(17).

[...] com o tempo a gente vai tentando se adaptar [...] é também a gente esquece [...]. (D3)

Hoje em dia já estou bem adaptado pra mim eu levo a vida normal, sem problema nenhum. (D5)

[...] A pessoa vai se acostumando, depois com o tempo eu vim participando das reuniões da associação, foi vendo outras pessoas, casos diferentes. (D6)

Percebe-se, por meio dos depoimentos, que o processo adaptativo é alcançado à medida que essa trajetória existencial avança. Vale ressaltar que a participação das reuniões do programa de ostomizados é um fator favorável para eles, pois minimiza as alterações no seu corpo individual, social e político. Assim, compartilhar experiências nas reuniões diminui as diferenças, sentimentos de insegurança e medo, colocando o colostomizado como um ser normal.

A participação em grupos permite uma interação positiva, uma vez que essa metamorfose humana propicia que cada um se veja no outro, considerando que todos possuem problemas semelhantes. Esse processo interativo os liberta da solidão e lhes faculta o companheirismo que é de grande valor terapêutico(9).

Neste processo de adaptação a atuação da equipe multidisciplinar possui uma relevância incontestável. No que tange à Enfermagem, esta deverá contribuir para a reinserção social da pessoa portadora de colostomia bem como para o restabelecimento de suas condições físicas, psicológicas, dentre outras.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A percepção da pessoa portadora de colostomia sobre a bolsa coletora esta intimamente entrelaçada à presença de sentimentos negativos: medo, insegurança, mutilação, sofrimento, além dos autodestrutivos.

As mudanças mais comuns, vivenciadas pelos depoentes, estão relacionadas à manutenção de sua rede social (trabalho e lazer) e a sexualidade, por sentirem insegurança e medo da rejeição. Destaca-se que esses conflitos existenciais são geradores de alterações de ordem psicológica, emocional e social. No entanto, a partir do presente estudo tornou-se possível conhecer como acontece o processo de adaptação dessa vivência com a bolsa coletora. Assim, espera-se que os resultados deste estudo quiçá representam um ponto de partida para o desenvolvimento de uma assistência de Enfermagem centrada no cliente.

Diante dessa realidade, dar-se-á ênfase ao autocuidado. Esta proposta tem sido descrita como uma alternativa terapêutica que possibilita que o paciente participe ativamente do seu tratamento, estimulando a responsabilidade na continuidade do cuidado após a alta hospitalar, o que irá contribuir na sua reabilitação e na superação das suas dificuldades.

 

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Autor correspondente:
Fernando José Guedes da Silva Júnior
E-mail: fernandoguedes123@hotmail.com

Submissão: 16-08-2010
Aprovação: 27-12-2011

 

 

Trabalho agraciado com o 3º Lugar no Prêmio Wanda de Aguiar Worta, 61º Congresso Brasileiro de Enfermagem, Fortaleza-CE, 2009.