SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.69 issue3Nurses' knowledge and practice on social participation in healthPrevalence and factors associated with frailty in non-institutionalized older adults author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.69 no.3 Brasília May./June 2016

https://doi.org/10.1590/0034-7167.2016690303i 

PESQUISA

"Ser enfermeiro": escolha profissional e a construção dos processos identitários (anos 1970)

"Ser enfermero": elección profesional y la construcción de los procesos de la identidad (años 1970)

Sheila Saint-Clair TeodosioI 

Maria Itayra PadilhaII 

IUniversidade Federal de Santa Catarina, Grupo de Estudos da História do Conhecimento da Enfermagem e Saúde. Florianópolis-SC, Brasil.

IIUniversidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Enfermagem e Pós-Graduação em Enfermagem. Florianópolis-SC, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

analisar os fatores que influenciaram a escolha dos egressos da primeira turma do Curso de Graduação em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte pela enfermagem nos anos 1970 e compreender os sentidos e significados de ser enfermeiro no momento da opção profissional.

Método:

pesquisa qualitativa, sócio-histórica que utilizou a história oral para a coleta de dados.

Resultados:

a análise gerou as categorias: "Ser enfermeiro: uma escolha profissional" e "O ideário de ser enfermeiro: sentidos e significados". Os sentidos de "ser enfermeiro" dizem respeito à visão dos egressos sobre a profissão e os significados abrangeram as concepções tradicionais que permeiam historicamente a profissão.

Conclusão:

a escolha profissional foi marcada pela influência familiar e expectativa de trabalho, e o curso influenciou na construção da identidade profissional desses enfermeiros.

Descritores: Enfermagem; História da Enfermagem; Escolha da Profissão; Identidade Profissional; Formação

RESUMEN

Objetivo:

analizar los factores que influyeron en la elección de los egresados de la primera clase del curso de Graduación en Enfermería y Obstetricia de la Universidad Federal de Rio Grande do Norte por la enfermería en los años 1970 y comprender los sentidos y significados de ser enfermero en el momento de la opción profesional.

Método:

investigación cualitativa, socio-histórica que se valió de la historia oral para la recolección de datos.

Resultados:

el análisis generado las categorías: "ser enfermero: una elección profesional" y "el ideario de ser enfermero: sentidos y significados". Los sentidos de "ser enfermero" se refieren a la visión de los egresados acerca de la profesión y los significados abarcaron los conceptos tradicionales que impregnan la profesión históricamente.

Conclusión:

la elección profesional estuvo marcada por la influencia familiar y expectativa de trabajo, y el curso influyó en la construcción de la identidad profesional de estos enfermeros.

Descriptores: Enfermería; Historia de la Enfermería; Elección de Profesión; Identidad Profesional; Formación

ABSTRACT

Objective:

to analyze the factors that influenced the choice for nursing made by graduates from the first class of the Undergraduate Nursing and Obstetrics Course of the Federal University of Rio Grande do Norte in the 1970s and to understand the senses and meanings of being a nurse when choosing this profession.

Method:

a qualitative socio-historical study was performed, using oral history to collect data.

Results:

the analysis generated the following categories: "To be a nurse: a professional choice" and "The ideal of being a nurse: senses and meanings". The senses of "being a nurse" are associated with graduates' perspective of this profession and the meanings included the traditional conceptions that have historically affected it.

Conclusion:

professional choice was influenced by family and work expectations and the nursing course had an effect on the construction of nurses' professional identity.

Descriptors: Nursing; History of Nursing; Professional Choice; Professional Identity; Qualification

INTRODUÇÃO

Pensar a construção da identidade na sociedade contemporânea tem se constituído em um desafio sociológico em decorrência das mudanças estruturais próprias do atual estágio da sociedade neoliberal globalizada. Essas transformações sociais acarretaram rupturas e conflitos em todas as instituições, provocando uma crise global que afetou as relações sociais e, portanto, gerando uma crise na construção dos processos identitários(1-3).

No decorrer da trajetória de vida, as pessoas vivenciam diversos processos de socialização que refletem na sua interação com os demais em um determinado contexto sociocultural e possibilitam a compreensão da concepção de identidade que se confere numa relação de identidade para si e para o outro.

O primeiro espaço social do ser humano posterior à família é a escola. Nela as pessoas vivenciam a identidade social, conferida pelas instituições e pelas relações sociais que nela estabelecem com os professores e colegas. Desse modo, o processo de socialização do conhecimento escolar se reveste dos elementos históricos globais das relações sociais que também recebem a influência dos conflitos inerentes à estrutura social.

A formação universitária, à medida que institui elementos ativos na constituição de um grupo profissional e por acompanhar todas as modificações do trabalho e do emprego, intervém na construção da identidade profissional por muito tempo, além do período escolar(1).

O enfoque da formação universitária como fundamental para a construção da identidade profissional de enfermeiros está centrado na literatura nacional e na internacional. Essas publicações focalizam a construção da identidade profissional de enfermeiros ao longo da trajetória acadêmica do ponto de vista dos modelos, das escolhas profissionais, dos currículos, das biografias e de quanto a identidade é essencial na própria condução da vida profissional de cada um(4-14). Pelos estudos analisados percebe-se que a construção de perfis identitários como processo social tem se constituído em uma discussão essencial da enfermagem mundial ao longo dos últimos anos na busca pela compreensão de como se dão esses processos.

Assim, esta investigação teve como referencial teórico Claude Dubar, principalmente seus pressupostos sobre processos identitários, privilegiando-se a dimensão profissional(1). Conforme esse autor, as formas identitárias são construídas e/ou reconstruídas pelos processos de socialização que os sujeitos estabelecem na família, nos processos de formação e de trabalho.

Para o entendimento acerca da dialética entre memória e identidade, foram fundamentais as contribuições teóricas de Joël Candau(15). Para o autor a memória é responsável pelo fortalecimento da identidade, tanto no nível individual quanto no coletivo.

Diante do exposto, esta pesquisa objetivou analisar os fatores que determinaram a opção dos egressos da primeira turma do Curso de Graduação em Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) pela profissão de enfermagem nos anos 1970 e compreender os sentidos e significados de ser enfermeiro para esses egressos no momento da opção profissional.

O recorte temporal do estudo diz respeito aos anos 1970, período em que foram criados os dois cursos de graduação em enfermagem, no Rio Grande do Norte: o Curso de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte - UERN, no ano de 1968, reconhecido em 1972; e, em 1973, o Curso de Enfermagem e Obstetrícia da UFRN, o qual foi reconhecido no ano de 1978.

Vale ressaltar a importância do estudo para a preservação da memória e da história do Curso de Graduação em Enfermagem e Obstetrícia da UFRN, por seu significado social na formação de enfermeiros.

MÉTODO

Considerando-se que este estudo está centrado no processo sócio-histórico da construção de perfis identitários de enfermeiros, a fundamentação teórica está centrada no campo sociológico a partir das concepções desenvolvidas por Dubar(1,3). O referencial metodológico se compõe de fundamentos teóricos advindos do diálogo de vários autores que se debruçam, nos seus estudos, sobre o método histórico, tecidos a partir dos pressupostos da História Nova.

Estudo qualitativo com abordagem sócio-histórica cujos dados foram obtidos através de entrevista semiestruturada, utilizando-se a técnica da História Oral Temática. Trata-se de um recorte da tese de doutorado em enfermagem, denominada "Formação e processos identitários de enfermeiros do Rio Grande do Norte: memória de egressos (anos de 1970)"(16).

O cenário do estudo foi o Curso de Enfermagem e Obstetrícia do RN criado sob a égide da Reforma Universitária, em 13 de agosto de 1973, vinculado ao Departamento de Enfermagem da UFRN, em Natal, através da Resolução nº 58/1973. Ele desponta no auge das mudanças políticas e socioeconômicas do país, na década de 1960, que se refletiram no incremento dos cursos de graduação nessa área na década de 1970, por incentivo do Ministério da Educação de ofertar mais vagas para a formação de enfermeiros no Brasil(17).

A primeira turma do curso teve seu início no ano de 1974, com 31 alunos, e conclusão em 10 de dezembro do ano de 1977, com 21 formandos. Desses egressos do curso quatro faleceram, restando 17 egressos. Destes, uma é a autora deste estudo e, portanto, não fez parte da amostra da pesquisa(16).

Assim, os sujeitos do estudo foram 16 egressos do primeiro Curso de Enfermagem e Obstetrícia da UFRN. Os critérios de inclusão foram ter disponibilidade para as entrevistas e acatar o que determina o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Eles foram nominados pelo sobrenome conforme grafado no convite de formatura, com exceção do participante do sexo masculino, para não conflitar com uma egressa de sobrenome homônimo.

A coleta de dados ocorreu no período de setembro de 2013 a maio de 2014. O horário e o local das entrevistas foram escolhidos pelas participantes, onde se buscou criar a possibilidade de maior interação entre o pesquisador e o colaborador. Os dados foram organizados conforme preceitua a história oral temática. Para a análise dos dados elegeu-se a Análise Temática(18).

O estudo se orientou pelos princípios da Resolução 466/2012, sendo submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) da Universidade Federal de Santa Catarina, onde foi apreciado e aprovado em 2013. Todos os entrevistados foram orientados quanto aos objetivos e procedimentos do estudo. Antes da entrevista foram realizadas a leitura e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

A análise resultou em duas categorias, quais sejam: "Ser enfermeiro: a escolha pela profissão" e "O ideário de ser enfermeiro: sentidos e significados".

Ser enfermeiro: a escolha pela profissão

Ao serem questionados sobre a "escolha profissional", alguns egressos relataram que o destino era a área de saúde e que o ingresso em enfermagem ocorreu por não conseguirem classificação em medicina, que foi a primeira opção para a maioria. Ao não obterem nota para aprovação no primeiro curso, os alunos egressos foram direcionados ao curso de enfermagem como segunda opção, conforme se observa nas narrativas abaixo:

Eu queria fazer qualquer coisa dentro da saúde, então coloquei primeiro medicina e em segundo enfermagem, e como a questão de nota era o que classificava, a minha ficou pra fazer enfermagem. (LOPES)

Eu já havia feito dois vestibulares pra medicina e não passei em nenhum deles. Aí, na terceira tentativa [...] minha segunda opção foi enfermagem, e foi como ingressei na universidade. (OLIVEIRA)

A influência dos familiares é um elemento muito presente na escolha profissional; por vezes, esses fazem uma projeção social de uma ascensão social por eles não conquistada. Para algumas alunas egressas, essa interferência dos pais era tão forte que ingressaram em enfermagem como segunda opção, mas perpassava uma incerteza na permanência ou não no curso:

O meu pai [...] tinha um sonho muito grande e achava que eu deveria fazer medicina. [...] Obtive excelente nota, mas não foi suficiente para ingressar em medicina. [...] Então entrei em enfermagem e depois fiz a reopção para medicina e fui aprovada, mas optei continuar na enfermagem. (VILAR)

[...] a enfermagem foi a minha segunda opção porque eu queria satisfazer primeiro meu pai, que queria muito que eu fizesse medicina, mas eu permanecia na dúvida porque eu preferia enfermagem. (CARVALHO)

Outro fator que influenciou a escolha profissional diz respeito à identificação com a profissão advinda da imagem de enfermeiros projetada por profissionais ou pela literatura.

No interior a Fundação Sesp era muito forte e as enfermeiras do Sesp [...] falavam muito bem da enfermagem e [...] eu ficava muito empolgada com tudo aquilo. [...], eu tinha um sonho de ser enfermeira. [...] fiquei muito feliz quando no terceiro ano, na época do científico, a enfermagem ia entrar na UFRN [...] então coloquei enfermagem. (GOMES)

Eu decidi pela enfermagem depois que li um livro do autor John Crown, que era um médico americano [...]. As enfermeiras eram bem envolvidas e eu comecei a querer ser aquela enfermeira, mesmo sem saber bem o que era... Quanto mais eu lia mais isso ia se arraigando, e decidi através disso, por incrível que pareça. (SILVA)

A análise sobre a escolha profissional indicou, também, um interesse direcionado à inserção no processo de trabalho em saúde. Por ser um curso novo, a enfermagem foi vista como uma profissão com maior chance de inserção no mercado de trabalho.

Como era um curso novo e aí saiu reportagem nos jornais quanto à perspectiva de trabalho, eu optei pelo curso de enfermagem. (ARAÚJO)

Ademais, havia a possibilidade de ascensão profissional, como relata um dos entrevistados:

Eu já trabalhava na área de saúde, então escolhi enfermagem por ser um curso novo e poderia depois fazer ascensão profissional. (ASSIS)

O ideário de ser enfermeiro: sentidos e significados

Desse modo, a temática "ser enfermeiro" gerou algumas falas que demonstraram pouco conhecimento dos alunos egressos sobre a profissão, alguns dos quais vinculavam a uma concepção da profissão voltada para o cuidar como sinônimo de "fazer", no sentido de ajuda e de desenvolvimento de técnicas, muito embora encontrem-se traços, em algumas falas, acerca da necessidade do conhecimento científico.

Eu pensava, pensava assim naquela ideia de ser enfermeira, trabalhar em hospital, de administrar injeção, de fazer curativo, de cuidar mesmo do paciente. Não me imaginava na atenção básica, como estou hoje. (FREIRE)

Eu imaginava que ser enfermeira era fazer ações simples, [...] principalmente em hospital. Nunca pensei na enfermeira na atenção básica. Sempre pensei uma enfermeira dentro do hospital e que iria fazer, executar essas ações como técnicas, sei lá, um pouco mais, porque teria que estudar, ter uma base científica, mas que ia fazer esse procedimentos, e também coordenar uma equipe. (JALES)

Outro aspecto referido pelos egressos foi a invisibilidade do ser enfermeiro. Para eles a profissão não tinha reconhecimento social; então, foi fácil enfrentar os desafios na escolha de uma profissão desconhecida por si e pela sociedade, no momento da opção profissional.

Eu não sabia o que era ser enfermeira. Atribuo à falta do desconhecimento geral, ninguém sabia, no Rio Grande do Norte o que era essa profissão [...]. Não se sabia o papel do enfermeiro, mesmo; vestiu branco, não era médico, era enfermeiro, ainda que fosse o maqueiro. (NICOLETE)

Acho que as pessoas não tinham a compreensão do que era ser enfermeira, não. Você tinha que explicar - é auxiliar? Não, a enfermeira passa por um curso de graduação como os demais profissionais da saúde. Isso passou um bom tempo na compreensão das pessoas. (CERVEIRA)

Não se pode desconsiderar que os perfis identitários de enfermeiros também são influenciados pela história da enfermagem, de acordo com os diferentes contextos históricos em que ela se insere. Desse modo, o ser enfermeiro no imaginário social à época também era revestido de muitos preconceitos que, de certa forma, marcaram os alunos egressos do curso, e alguns repassavam essa concepção distorcida da profissão mundialmente construída.

Para as pessoas ser enfermeira era amante de médico, empregada de médico, essa visão era muito forte na época. Então, se você como enfermeira tivesse um pouco de aproximação profissional com um médico, então pensavam logo: "essa só pode ter um caso com o médico". (SILVA)

Depois para mim foi frustrante [...] depois que comecei a viver com aquele meio eu sabia que aquilo não era meu caminho. [...] O curso me fez mudar, sim, a visão romântica da enfermeira que eu tinha. (BRITO)

Quando eu estava para sair para especialização, papai chegou pra mim e disse - por eu ser mulher, nunca tinha saído pra longe -: "Minha filha, pode largar seu emprego". Eu já tinha passado no concurso e tudo, ele disse: "Fica aqui, eu vou sustentar você". Para ele mulher não tinha que trabalhar, viajar, não tinha que sair de perto da família, do pai. (BARBOSA)

Todavia, o preconceito não era apenas externo à profissão; também estava presente no imaginário de algumas das alunas que, no decorrer do curso, se sentiam desvalorizadas e frustradas mediante as ações desenvolvidas pelo enfermeiro. Outro aspecto concernente à visão sobre a enfermeira associou-se aos estereótipos sexuais que perpassam a história das mulheres e de seus papéis nas sociedades com domínio patriarcal. Então, uma profissão eminentemente feminina não poderia deixar de ser marcada por relações de dominação sexista.

DISCUSSÃO

As escolhas profissionais representam um marco na constituição da identidade profissional e na inserção dos jovens no mundo do trabalho. Na sociedade contemporânea, cada vez mais cedo os jovens estão sendo impelidos à escolha profissional. Ao ingressarem no ensino médio cria-se toda uma expectativa dos familiares e da sociedade em geral acerca da sua opção para o ingresso em um curso superior, pela possibilidade de acesso a uma universidade, reconhecida como espaço de construção da ciência e uma ponte para a inserção profissional no mercado de trabalho(1).

Desse modo, a escolha da profissão compõe um projeto de vida pessoal e profissional cuja decisão pode estar relacionada a diversos fatores. No estudo em apreço, influências familiares, representações sobre a profissão e expectativas favoráveis sobre o mercado de trabalho foram importantes nessa escolha. No conjunto desses fatores permeia o reconhecimento social da profissão que interfere na construção dos perfis identitários.

Na área da saúde observa-se que, com o desenvolvimento da medicina moderna, à época uma profissão masculina, o saber médico se estabeleceu como profissão hegemônica no processo de trabalho em saúde e submeteu os demais profissionais à sua lógica medicalizante, construindo ao longo dos anos o que se convencionou de identidade paramédica. A exemplo da enfermagem, que, mesmo se constituindo como profissão no final do século XIX, durante muito tempo foi considerada como profissão paramédica por configurar-se como disciplina dessa área.

Historicamente a medicina tem se colocado como primeiro lugar na concorrência para aqueles que anseiam ser profissionais da área de saúde. Essa grande demanda tem direcionado muitos estudantes a optarem por outras profissões como segunda opção, como pode ser observado em estudos de 2009 e 2010(19-20).

A contingência da escolha profissional obrigou alguns egressos, mesmo com certa frustação, a reverem suas perspectivas profissionais e a fazerem opção por uma profissão similar aos seus anseios, que lhes garantissem uma possibilidade de inserção no mercado de trabalho e a realização de um projeto de ascensão social. Esse é um fato que tem marcado a trajetória da maioria dos jovens quando se sentem impelidos a buscar no mercado de trabalho a sua independência financeira.

Ao optar por uma profissão o sujeito se identifica a partir de imagens idealizadas (identidade para si) e pela identidade social (identidade para o outro) de determinada profissão ou área profissional, historicamente construída(1). Esse é um fato que tem marcado a trajetória da maioria dos jovens quando se sentem impelidos a buscar no mercado de trabalho a sua independência financeira. Estudo realizado no ano de 2006 sobre a construção da identidade profissional de enfermeiros também é revelador dessa opção(21).

Assim, ao ingressarem no Curso de Graduação em Enfermagem, alguns alunos trazem consigo significados e identificações acerca da profissão, que podem ser confirmados, ou não, no decorrer da trajetória da formação. A visão romântica sobre a profissão de uma das alunas associa-se à visão da "dama da lâmpada", que, inspirada pelos sentimentos de bondade e abnegação, efetuava seu trabalho de forma submissa e abnegada. Para Florence Nightingale, a enfermagem era entendida como uma vocação tanto quanto uma profissão; para ela qualquer mulher poderia vir a ser boa enfermeira desde que aliasse obediência e respeito a hierarquia e humildade(22).

No entanto, ao se aproximar das especificidades concretas do fazer da profissão, os alunos vão descontruindo essa identidade romântica, podendo ser substituída por uma visão mais coerente e mais próxima da realidade, de uma profissão que tem peculiaridades no cuidar do outro.

As repercussões iniciais dos familiares dos egressos pela escolha do curso de enfermagem, em alguns casos, não foram muito favoráveis, e às vezes até negativas, em algumas situações, pelo desconhecimento da profissão e pela imagem estereotipada que a profissão carrega desde seus primórdios.

Em se tratando das mulheres, essa ingerência familiar, principalmente do pai, era muito mais enraizada, principalmente nos anos 1970, quando a mulher sofria influência histórica não só familiar, mas também da sociedade na escolha profissional. Isso era mais forte ao optarem por uma profissão à época carregada de estigmas e preconceitos.

O fato de se constituir historicamente como profissão feminina não garantia à enfermagem o reconhecimento social, conferindo-lhe pouca visibilidade, o que interferia no seu status social e na sua identidade profissional(10,14,23-24). Enquanto a identidade masculina se construiu como trabalho produtivo e reconhecido pela sociedade, a identidade feminina só atingiu formas privadas de reconhecimento. "As mulheres foram socialmente instaladas na esfera doméstica e ocuparam um lugar subordinado e um estatuto de objeto"(3).

Entretanto, não era por acaso esse desconhecimento que a sociedade tinha acerca dos enfermeiros nos anos 1970. Ela até reconhecia a enfermagem como qualquer outro profissional não médico, mas o enfermeiro ainda era um profissional bem raro no processo de trabalho em saúde. Aliás, até meados de 1970, a enfermagem como profissão de nível superior era a que menos crescia na área de saúde.

Assim, os processos identitários dos enfermeiros, principalmente em sua dimensão profissional, no que pesem as conquistas e avanços da enfermagem, vêm sofrendo as imposições decorrentes de certa fragilidade própria de uma profissão que não consegue ser visível e reconhecida perante a sociedade(16,23-25).

Ainda no que se refere às imagens idealizadas, a identificação com as enfermeiras da Fundação Sesp - Serviço Especial de Saúde Pública decorreu da contribuição delas para a expansão dos serviços de saúde de regiões carentes do Brasil, dentro de um modelo próprio que tinha na enfermagem um dos pilares de suas ações. A colaboração do Sesp para a enfermagem pautou-se por várias estratégias; dentre elas destacam-se: a capacitação, o aperfeiçoamento continuado e a práxis alicerçada no saber técnico e científico(26).

No entanto, a identificação que originou a escolha profissional não se encerra com a inserção no curso escolhido. No início de sua trajetória acadêmica, o estudante vai construindo ou desconstruindo sua identidade profissional básica, podendo reafirmar ou questionar sua escolha, conforme pode ser observado em algumas das entrevistas. Portanto, as identidades não são inatas nem imutáveis; elas estão sempre em movimento e em uma dinâmica de desestruturação/reestruturação. Algumas trajetórias identitárias são marcadas pela continuidade (reconhecimento) e outras por rupturas (não reconhecimento), o que implica em reafirmação ou questionamentos de identidades anteriormente adquiridas ou construídas(1).

Portanto, a construção de uma identidade profissional básica não se constitui apenas de uma identidade no trabalho, é "uma projeção de si no futuro a antecipação de uma trajetória de emprego e a elaboração de uma lógica de aprendizagem, ou melhor, de formação"(1). O ingresso na formação profissional e o percurso acadêmico, principalmente quando os alunos se deparam com a ação do enfermeiro nos campos de prática, despontam como espaço privilegiado de identificação e colaboram na adesão dos egressos à profissão e na construção da identidade profissional.

O segundo eixo temático deste estudo vislumbra os sentidos/significados atribuídos pelos alunos egressos à profissão antes da inserção no processo de formação. O significado do cuidar estava associado ao curar em um sentido tecnicista/hospitalocêntrico, direcionado apenas a procedimentos simples realizados no âmbito hospitalar.

Essa imagem do enfermeiro como um profissional responsável por ações simples, vinculadas ao fazer técnico sob ordens do médico, sem um saber científico próprio, caracteriza de certa forma um dos traços identitários dos enfermeiros da época. Essa visão foi legitimada pela necessidade de eficácia da competência técnica para contribuir com o avanço tecnológico, a partir de uma concepção fragmentada do processo de trabalho em saúde no qual o médico exercia o controle do saber e das ações de saúde nas instituições hospitalares, ficando o "fazer" ao encargo do enfermeiro e demais profissionais da saúde.

Na Espanha essa concepção também se fez presente nos anos 1970. A enfermeira espanhola deveria ter uma preocupação com a vestimenta, com a aparência física para conquistar os pacientes; aos médicos cabiam as questões técnico-científicas(14).

Com o advento da Idade Moderna a revolução científica contribuiu para a consagração da medicina como profissão, fortalecendo-se com a expansão das universidades e dos hospitais. No entanto, a enfermagem não acompanhou a mesma evolução. A primeira identidade da enfermagem foi associada à religiosidade pela ação caritativa prestada pelas ordens perpétuas e leigas nos hospitais/mosteiros da época. Com a Reforma Protestante, essa identidade foi desconstruída, provocando uma crise de identidade quando suas atividades passaram a ser exercidas por pessoas sem qualificação, de baixa classe social e moral; portanto, desprestigiadas. Esse estigma trouxe consequências para a enfermagem que a afetam até os dias atuais(14,19-20,23,25).

O sujeito se socializa interiorizando valores, ideias e disposições que contribuem para sua identidade, principalmente o princípio de reconhecimento e aceitabilidade; porém, a concepção sobre o ser enfermeiro que esses alunos egressos viram espelhada na sociedade era de um total desconhecimento da profissão, a que eles também se somavam.

De outra forma, ao serem indagados sobre o significado de ser enfermeiro, à época do vestibular, os alunos egressos buscaram lembranças de pessoas e de experiências positivas armazenadas em suas memórias, demonstrando que a constituição identitária é um processo sociorrelacional e cultural, pois a identidade é constituída sempre em uma certa relação do sujeito com o outro a partir de onde ele está situado; nessa relação o sujeito se reconhece e é reconhecido socialmente. Essa relação para si e para outrem é uma forma identitária que pode decorrer de um engajamento em um projeto que implica na identificação com outros que pertencem ao mesmo projeto idealizado(16).

Não obstante toda a organização da enfermagem para superar essa crise e reconstruir uma identidade social (atribuição de si) que retrate como a sociedade lhe reconhece os avanços obtidos, isso parece ainda não atingir toda a sociedade.

Vale destacar que outras pesquisas mais recentes, sobre a opção pelos cursos de enfermagem, apontaram para os mesmos aspectos observados neste estudo, principalmente no que se refere à influência dos valores tradicionais, de normas culturais e sociais, à concepção de gênero distorcida e preconceituosa e ao status profissional(10,14,19-21,23-24). Pode-se inferir que as influências do contexto familiar, as representações sociais sobre as profissões e as expectativas favoráveis sobre a entrada no processo de trabalho ainda permanecem como uma composição de identificação pessoal e/ou social.

Como limitação deste estudo podemos referir o fato de não ter entrevistado os ingressantes do curso que, no decorrer do processo de formação, fizeram reopção para outros cursos e/ou ficaram retidos, não conseguindo concluir com a primeira turma. Desse modo, fica a recomendação para realização de outras investigações que contemplem tal limitação.

Vale ressaltar a importância do estudo para a preservação da memória e da história do Curso de Graduação em Enfermagem e da UFRN, por seu significado social na formação de enfermeiros. É um estudo inédito e contribuirá para a compreensão da história da enfermagem naquela região. Além disso, este estudo permitirá ampliar o acervo acerca da história das escolas de enfermagem no Brasil e a construção da identidade profissional da enfermagem brasileira.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebe-se nas narrativas que a escolha profissional pela enfermagem da maioria dos alunos egressos da primeira turma da UFRN se revestiu de certa frustração de um sonho não realizado - cursar medicina, da proximidade da profissão com a medicina, de expectativas diante do mercado de trabalho e desejos de ascensão social. Os participantes se posicionaram de forma quase homogênea em relação à escolha profissional, principalmente no que se refere à enfermagem como segunda opção.

Desse modo, a escolha profissional dos egressos foi entremeada pelas influências dos familiares, pelas expectativas favoráveis de inserção no mundo do trabalho e da ascensão social e pela identificação com experiências positivas de profissionais da área. Esses elementos podem ser considerados como fundantes da identificação social da profissão pelos alunos egressos do curso.

O referencial teórico sobre a concepção de identidade, do ponto de vista sociológico, contribuiu para captar através da rememoração mnemônica a subjetividade dos participantes, no que se refere aos sentidos e significados sobre o ideário de ser enfermeiro que constituíram a identidade profissional desse grupo. Os sentidos dizem respeito à visão particular dos egressos, da (re)construção que cada um faz sobre a profissão, que envolveu: sonhos, visão romanesca da profissão, a influência da literatura, a possibilidade de inserção no mercado de trabalho e de ascensão profissional. O significado de ser enfermeiro abrangeu as concepções tradicionais, principalmente o entendimento de cuidar como sinônimo de "fazer", as imagens distorcidas, estigmas e preconceito social que perseguem historicamente a profissão.

Considerando-se que o estudo foi desenvolvido a partir de memória de egressos dos anos 1970, recomenda-se a realização de outras investigações sobre a temática que busquem desvelar a construção dos processos identitários de enfermeiros no contexto atual.

Ademais, recomenda-se aos responsáveis pela formação dos enfermeiros o debate sobre a construção da identidade profissional pela sua importância na identificação dos alunos com a profissão e o seu reconhecimento social.

REFERÊNCIAS

1 Dubar C. A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. São Paulo: Martins Fontes; 2005. [ Links ]

2 Castells M. A era da informação: economia, sociedade e cultura: o poder da identidade. 5 ed. São Paulo: Paz e Terra; 2010. [ Links ]

3 Dubar C. A crise das identidades: a interpretação de uma mutação. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2009. [ Links ]

4 Netto LFSA, Ramos, FRS. [Considerations on the process construction of nurse's identity in the daily of work]. Rev Latino-Am Enfermagem [Internet]. 2004[cited 2014 Nov 04];12(1):50-7. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v12n1/v12n1a08.pdf Portuguese. [ Links ]

5 Oliveira BGRB. [A passage through mirrors: the construction of the nurse's professional identity]. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2006 [cited 2014 Nov 04];15(1):60-7. Available from: http://www.scielo.br/pdf/tce/v15n1/a07v15n1.pdf Portuguese. [ Links ]

6 Mendes FRP, Mantovani MF. [Current dynamics of nursing in Portugal: nurses' representations]. Rev Bras Enferm [Internet]. 2010[cited 2014 Nov 04];63(2):209-15. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n2/07.pdf Portuguese. [ Links ]

7 Padilha MI, Nelson S, Borenstein MS. [Biographies as a possible path in the construction of a professional identity in the field of nursing]. Hist Ciênc Saúde-Manguinhos [Internet]. 2011[cited 2014 Nov 04];18(Supl1):241-52. Available from: http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v18s1/13.pdf Portuguese. [ Links ]

8 Vaismoradi M, Salsali M, Ahmadi F. Prospects of Iranian nursing students male on the role of nursing education in the development of a professional identity: a study of content analysis. Jpn J Nurs Sci [Internet]. 2011[cited 2014 Nov 04];8(2):174-83. Available from: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1742-7924.2010.00172.x/pdfLinks ]

9 Carvalho V. About the professional identity in Nursing: punctual reconsiderations in philosophical vision. Rev Bras Enferm [Internet]. 2013[cited 2014 Nov 04];66(esp):24-32. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reben/v66nspe/v66nspea03.pdfLinks ]

10 Costa LHR, Coelho EAC. Ideologies of gender and sexuality: the interface between family upbringing and nursing education. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2013[cited 2014 Nov 04];22(2):485-92. Available from: http://www.scielo.br/pdf/tce/v22n2/en_v22n2a26.pdfLinks ]

11 Yazdannik M, Yekta ZP, Soltani A. Nursing professional identity. Iran J Nurs Midwifery Res [Internet]. 2012 [cited 2014 Nov 04];17(2 Suppl1):178-86. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3696964/. [ Links ]

12 Costa LMC, Santos RM, Santos TCF, Trezza MCSF, Leite JL. [Project HOPE contribution to the setting up of the professional identity of the first nurses from Alagoas, 1973-1977]. Rev Bras Enferm [Internet]. 2014 [cited 2014 Nov 04];67(4):535-42. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reben/v67n4/0034-7167-reben-67-04-0535.pdf Portuguese. [ Links ]

13 Brennan D, Timmins F. Changing institutional identities of the student nurse. Nurse Educ Today [Internet]. 2012[cited 2014 Nov 04];32(7):747-51. Available from: http://www.nurseeducationtoday.com/article/S0260-6917(12)00173-6/abstractLinks ]

14 Miró-Bonet M, Bover-Bover A, Moreno-Mulet C, Miró-Bonet R, Zaforteza-Lallemand C. Genealogy as a critical toolbox: deconstructing the professional identity of nurses. J Adv Nurs [Internet]. 2014[cited 2014 Nov 04];70(4):768-76. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23980629Links ]

15 Candau J. Memória e identidade. São Paulo: Contexto; 2012. [ Links ]

16 Teodosio SSS. Formação e processos identitários de enfermeiros no Rio Grande do Norte: memória de egressos (anos de 1970). [Tese]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 2014. [ Links ]

17 Teodosio SSS, Silva ER, Backes VMS, Marlini JG, Reibnitz KS. Oscarina Saraiva Coelho: uma história de dedicação à enfermagem. Hist Enferm Rev Eletronica [Internet]. 2013 Jan-Jul [cited 2014 Nov 04];4(1):58-71. Available from: http://www.here.abennacional.org.br/here/vol4num1artigo5.pdfLinks ]

18 Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70; 2011. [ Links ]

19 Ojeda BS, Creutzberg M, Feoli AMP, Melo DS, Corbellini VL. Nursing, nutrition and physiotherapy students: career choice. Rev Latino-Am Enfermagem [Internet]. 2009 [cited 2014 Nov 04];17(3):396-402. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v17n3/18.pdfLinks ]

20 Jesus ES, Marques LR, Assis LCF, Alves TB, Freitas GF, Oguisso T. Prejudice in nursing: perception of nurses educated in different decades. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2010 [cited 2014 Nov 04];44(1):166-73. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v44n1/en_a24v44n1.pdfLinks ]

21 Oliveira BGRB. [A passage through mirrors: the construction of the nurse's professional identity]. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2006[cited 2014 Nov 04];15(1):60-7. Available from: http://www.scielo.br/pdf/tce/v15n1/a07v15n1.pdf Portuguese. [ Links ]

22 Lopes LMM, Santos SMP. [Florence Nightingale: notes on the founder of Modern Nursing]. Rev Enf Ref [Internet] 2010 [cited 2014 Nov 04];3(2):181-9. Available from: http://www.index-f.com/referencia/2010pdf/32-181.pdf Portuguese. [ Links ]

23 Nelson S. The image of nurses: the historical origins of invisibility in nursing. Texto Contexto Enferm[Internet]. 2011[cited 2014 Nov 04];20(2):223-4. Available from: http://www.scielo.br/pdf/tce/v20n2/en_a01v20n2.pdfLinks ]

24 Ten Hoeve Y, Jansen G, Roodbol P. The nursing profession: public image, self-concept and professional identity: a discussion paper. J Adv Nurs [Internet]. 2014[cited 2014 Nov 04];70(2):295-309. Available from: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jan.12177/abstractLinks ]

25 Chulach T, Gagnon M. Working in a 'third space': a closer look at the hybridity, identity and agency of nurse practitioners. Nurs Inq [Internet]. 2015[cited 2015 Jul 22];1(12). Available from: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/nin.12105/abstractLinks ]

26 Renovato RD, Bagnato MHS. [The contributions of the Serviço Especial de Saúde Pública for nursing professional formation in Brazil (1942-1960)]. Rev Bras Enferm [Internet]. 2008[cited 2014 Nov 04];61(6):909-15. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reben/v61n6/a20v61n6.pdf Portuguese. [ Links ]

Recebido: 27 de Julho de 2015; Aceito: 20 de Novembro de 2015

AUTOR CORRESPONDENTE: Sheila Saint-Clair da Silva Teodosio. E-mail: saintclairenf@gmail.com

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.