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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.69 no.3 Brasília mai./jun. 2016

https://doi.org/10.1590/0034-7167.2016690315i 

PESQUISA

Atenção à saúde de criança e adolescente com HIV: comparação entre serviços

Atención de salud del niño y el adolescente con HIV: comparación entre servicios

Clarissa Bohrer da SilvaI 

Cristiane Cardoso de PaulaI 

Luis Felipe Dias LopesII 

Erno HarzheimIII 

Tânia Solange Bosi de Souza MagnagoI 

Maria Denise SchimithI 

IUniversidade Federal de Santa Maria, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Santa Maria-RS, Brasil.

IIUniversidade Federal de Santa Maria, Programa de Pós-Graduação em Administração. Santa Maria-RS, Brasil.

IIIUniversidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. Porto Alegre-RS, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

comparar a qualidade da atenção à saúde das crianças e dos adolescentes com HIV entre os tipos de serviços, na experiência dos familiares/cuidadores.

Método:

estudo transversal desenvolvido com 71 familiares/cuidadores utilizando-se o Instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool-Brasil) versão criança. Para análise utilizou-se o Teste de Mann-Whitney ou T student e Qui-quadrado de Pearson ou Exato de Fisher.

Resultados:

foram apontados como fonte regular de atenção os serviços de Atenção Primária à Saúde e, majoritariamente, o serviço especializado ao HIV. Não houve diferenças significativas na qualidade de ambos, visto que seus escores atingiram valor próximo ao ideal.

Conclusão:

evidencia-se a necessidade de aprimorar os seus atributos, o que implica em reformulações de seus aspectos de estrutura e desempenho. Além disso, é imperativo o reconhecimento da Atenção Primária à Saúde como espaço integrante da promoção à saúde das crianças e adolescentes com HIV.

Descritores: Saúde da Criança; Saúde do Adolescente; Atenção Primária à Saúde; Avaliação de Serviços de Saúde; HIV

RESUMEN

Objetivo:

comparar la calidad de atención de salud de niños y adolescentes con HIV entre los tipos de servicio, según experiencia de familiares/cuidadores.

Método:

estudio transversal desarrollado con 71 familiares/cuidadores, utilizándose el Instrumento de Evaluación de la Atención Primaria (PCATool-Brasil), versión niños. Para el análisis, se aplicó Test de Mann-Whitney o T Student, y Chi-cuadrado de Pearson o Exacto de Fisher.

Resultados:

fueron considerados como fuente regular de atención los servicios de Atención Primaria de Salud y, mayoritariamente, el servicio especializado en HIV. No existieron diferencias significativas entre la calidad de ambos, alcanzando ellos puntajes cercanos al ideal.

Conclusión:

se evidencia la necesidad de mejorar sus atributos, lo cual implica reformulaciones de sus aspectos de estructura y desempeño. Además, el imperativo el reconocimiento de la Atención Primaria de Salud como espacio integrante de la promoción de salud de los niños y adolescentes con HIV.

Descriptores: Salud del Niño; Salud del Adolescente; Atención Primaria de Salud; Evaluación de Servicios de Salud; HIV

ABSTRACT

Objective:

compare the quality of different types of health care for children and adolescents with HIV, in the experience of family members and caregivers.

Method:

a cross-sectional study was conducted with 71 family members and caregivers, using the children's version of the Primary Care Assessment Tool (PCATool-Brazil). The Mann-Whitney or Student's t-test and Pearson's chi-square or Fisher's exact test were used for the analysis.

Results:

primary care services and, predominantly, specialized HIV services, were identified as the regular health care sources. There were no significant differences in quality, since their scores were close to the ideal level.

Conclusion:

the attributes of these services need to be improved, which would entail reformulating their structural and performance aspects. In addition, it is imperative to recognize primary health care as an integral place for promoting the health of children and adolescents with HIV.

Descriptors: Child Health; Adolescent Health; Primary Health Care; Health Services Assessment; HIV

INTRODUÇÃO

A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) em crianças e adolescentes é decorrente da categoria de infecção por transmissão vertical e horizontal. A primeira categoria caracteriza os nascidos infectados devido à condição sorológica materna positiva ao HIV. A segunda aborda os infectados devido à exposição sexual ou sanguínea. No Brasil, no período 1980-2013, foram notificados 18.807 casos da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) na faixa etária entre 0 a 9 anos (crianças) e 15.480 na de 10 a 19 anos (adolescentes). Considerando os últimos anos, há uma redução na notificação dos casos nas crianças, sendo 640 em 2011 e 584 em 2012; já nos adolescentes houve um aumento, sendo 887 e 923, respectivamente(1).

O diagnóstico precoce e o tratamento de crianças e adolescentes com HIV são prioridades em saúde. Apesar das políticas públicas nacionais de enfrentamento da epidemia da Aids terem reconhecimento internacional, existem, ainda, barreiras para a efetivação da qualidade da atenção à saúde, seja pelas diversidades regionais seja pela falta de diálogo nas esferas governamentais(2). O fortalecimento do sistema de saúde perpassa pelo investimento em serviços acessíveis, que ofereçam continuidade do cuidado e atenção integral, bem como implementem a coordenação do fluxo dos usuários por meio da responsabilidade compartilhada entre os profissionais(3).

A afiliação das crianças e adolescentes com HIV visa a identificar o serviço de saúde que serve como referência para a continuidade de seus cuidados, independentemente da existência de uma rede de saúde estabelecida, podendo ser qualquer tipo de serviço ou profissional de saúde(4). Entretanto, a atenção à saúde dessa população, muitas vezes, está centralizada na exigência de uma equipe de profissionais com experiência e de um serviço com estrutura e com tecnologia para o acompanhamento clínico e laboratorial(3). Os quais estão sobrecarregados com as demandas de assistência, decorrente da carência de recursos humanos e de infraestrutura adequada(5).

Dessa forma, constata-se a necessidade de descentralização e ampliação das ações dos serviços especializados ao HIV/Aids para a Atenção Primária à Saúde (APS) como forma de reconhecê-la na qualidade de coordenadora do cuidado e qualificar a atenção(6-7). A APS é caracterizada como o componente-chave do sistema de saúde por ter caráter estratégico na estruturação das ações. Distingue-se, principalmente, por seus atributos essenciais (acesso de primeiro contato, longitudinalidade, integralidade, coordenação da atenção) e derivados (competência cultural, orientação familiar e comunitária). Com base nestes atributos, é possível determinar a qualidade dos serviços e promover melhores indicadores de saúde, maior satisfação e menores custos(8).

Ressalta-se a necessidade de avaliação da qualidade da atenção à saúde dessa população, almejando identificar as lacunas do cuidado, de modo a promover melhorias na estrutura e no desempenho das ações oferecidas(9). Essa avaliação envolve a relação entre a necessidade da população e o serviço prestado, visando a produzir dados confiáveis, a fim de contribuir na tomada de decisões e na reorganização das ações(10). Diante do exposto, tem-se como objetivo comparar a qualidade da atenção à saúde das crianças e dos adolescentes com HIV entre os tipos de serviços, na experiência dos familiares/cuidadores.

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal, desenvolvido em um serviço ambulatorial especializado para o atendimento de crianças e de adolescentes com HIV no município de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. Justifica-se a escolha desse serviço para a coleta de dados pelo acesso à população, a qual possui regularmente uma agenda de consulta de acompanhamento de saúde.

Utilizou-se a população de familiares/cuidadores de crianças e adolescentes com HIV (N=80), portanto, não foi realizado cálculo amostral. Os critérios de inclusão foram: familiares ou cuidadores de crianças (0 a 9 anos de idade) e de adolescentes (10 a 19 anos)(1) com HIV em acompanhamento no serviço especializado. Foram excluídos: familiares/cuidadores os quais apresentassem limitação que dificultasse a expressão verbal; ou que referissem serviços particulares como fonte regular da atenção à saúde. Totalizaram 71 participantes. Ocorreram três recusas de participação no estudo, quatro familiares/cuidadores foram excluídos por referirem serviços particulares como fonte regular da atenção e dois não mantinham mais acompanhamento no serviço.

A coleta de dados foi realizada no período de janeiro a setembro de 2013. Os familiares/cuidadores foram acessados no serviço quando acompanharam a criança/adolescente no dia de consulta. Foi utilizado um protocolo de pesquisa aplicado por meio de coletadores, contendo: Parte 1 - questionário de caracterização da população, que integra os dados sociodemográficos, clínicos e de utilização dos serviços de saúde; e Parte 2 - Instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool-Brasil) versão Criança (aplicado aos familiares/cuidadores)(8,11).

Esse instrumento mede a presença e a extensão de cada atributo da APS, os quais são constituídos por um componente relacionado à estrutura e ao desempenho, compondo uma avaliação de quanto os serviços de saúde estão orientados para os atributos definidores da APS, ou seja, a sua qualidade. O instrumento é composto por uma escala Likert, sendo que as respostas possíveis para cada um dos itens são: "com certeza, sim" (valor=4), "provavelmente, sim" (valor=3), "provavelmente, não" (valor=2), "com certeza, não" (valor=1) e "não sei/não lembro" (valor=9). Sendo possível construir escores no intervalo de 1 a 4 para cada atributo(9).

O tipo de serviço preferencial para a atenção à saúde da criança e do adolescente foi definido pelo familiar/cuidador com base na aplicação de três perguntas iniciais contidas no PCATool-Brasil que estabelecem o Grau de Afiliação: referente ao serviço de saúde que procura diante de uma necessidade da criança/adolescente; aquele que conhece melhor a criança/adolescente; e que é mais responsável pelo atendimento de saúde da criança/adolescente(8). O restante do instrumento foi respondido considerando o serviço referido no Grau de Afiliação. Para a análise dos dados, as respostas foram categorizadas em "serviço especializado ao HIV" e "serviço de APS". Como APS foram considerados os serviços: Unidade Básica de Saúde e Estratégia de Saúde da Família.

As variáveis sociodemográficas foram compostas por: idade, município de procedência, anos de estudo, renda. Variáveis clínicas: categoria de infecção, diagnóstico, tratamento. E variáveis de utilização do serviço: conhecimento do serviço de saúde mais próximo da residência e o tipo de serviço e se leva a criança/adolescente neste serviço. Para a categorização das variáveis quantitativas (idade, anos de estudo, tempo de diagnóstico, renda) foi utilizada a mediana como ponto de corte, tendo em vista a distribuição assimétrica dos dados.

Os dados foram organizados no programa Epi info® 6.04, com dupla digitação independente e correção de erros e inconsistências. A análise dos dados foi realizada no software Statistical Analysis System (SAS), versão 9.3. A distribuição de normalidade das variáveis foi avaliada pelo Teste Shapiro Wilk. A consistência interna do PCATool-Brasil versão Criança foi avaliada por meio do Alpha de Cronbach (α = 0,874). Os atributos e seus componentes foram analisados por meio de cálculo dos escores: por cada atributo, dos atributos essenciais, dos atributos derivados e escore geral, de acordo com a orientação do Manual do PCATool-Brasil.(8) Os valores dos escores foram transformados em escala contínua variando de 0 a 10, sendo que o escore ≥ 6,6 foi considerado alto escore. Esse valor equivale, na escala de 1 a 4, ao escore 3 ("provavelmente, sim") que corresponde a extensão adequada do atributo.(8)

Para a análise de associação das variáveis (sociodemográficas, clínicas e de utilização do serviço) ao serviço que assistia regularmente a criança e o adolescente, utilizou-se o Teste Qui-quadrado ou Exato de Fisher. Para a comparação das médias de cada atributo entre os tipos de serviço, foi utilizado o Teste de Mann-Whitney ou t Student. Para a análise das proporções, foi utilizado o Teste Qui-quadrado de Pearson ou Teste Exato de Fisher, buscando identificar as variáveis (sociodemográficas, clínicas e de utilização dos serviços de saúde) que poderiam estar associadas à qualidade da atenção do serviço referido como fonte regular de atenção à saúde. Dessa forma, o grupo foi dicotomizado em relação ao escore atribuído, por meio de alto ou satisfatório (≥ 6,6) e baixo (< 6,6) escore. O nível de significância assumido nos testes foi de 5%.

Foram considerados os aspectos éticos de acordo com as diretrizes da Resolução 196/96, em vigência no período da pesquisa(12). Os familiares/cuidadores foram esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa e solicitados a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, apresentado em duas vias. O estudo obteve aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria em janeiro de 2013.

RESULTADOS

Dentre os 71 participantes do estudo, 56 apontaram o serviço especializado como a fonte regular de atenção à saúde. Destaca-se que o serviço especializado foi apontado como o serviço geralmente procurado quando há um novo problema de saúde (43); como o serviço que melhor conhece a criança ou adolescente (45); e como o serviço mais responsável pela saúde da criança/adolescente com HIV (60). A Tabela 1 apresenta as características sociodemográficas, clínicas e de utilização dos serviços de saúde, segundo a fonte regular de atenção referida pelo familiar/cuidador.

Tabela 1 Características sociodemográficas, clínicas e de utilização dos serviços de crianças e adolescentes com HIV, segundo o tipo de serviço referido pelos familiares/cuidadores como fonte regular da atenção, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil, 2013 

Variáveis Total (N = 71) Serviço especializado (n = 56) Atenção Primária à Saúde (n = 15) Valor de p
n % n % n %
Características sociodemográficas
Idade da criança/adolescente <0,001
Até 12 anos 35 49,0 35 62,5 0 0,0
De 13 a 19 anos 36 51,0 21 37,5 15 100,0
Município de procedência 0,079
Santa Maria 35 49,0 31 55,0 4 27,0
Outros 36 51,0 25 45,0 11 73,0
Cuidador principal 0,549*
Mãe 38 54,0 31 55,0 7 47,0
Outros 33 46,0 25 45,0 8 53,0
Renda (n = 69) 0,575*
Até 1.000 reais 37 54,0 28 52,0 9 60,0
Acima de 1.000 reais 32 46,0 26 48,0 6 40,0
Anos de estudo do familiar/cuidador 0,008
Até 6 anos 41 58,0 37 66,0 4 27,0
Acima de 6 anos 30 42,0 19 34,0 11 73,0
Características clínicas
Como criança/adolescente adquiriu o HIV 1,000
Transmissão vertical 64 90,0 50 89,0 14 93,0
Outros 7 10,0 6 11,0 1 7,0
Tempo de descoberta de diagnóstico 0,009
Até 8,5 anos 36 51,0 33 59,0 3 20,0
Acima de 8,5 anos 35 49,0 23 41,0 12 80,0
Criança/adolescente faz tratamento medicamentoso 0,006
Não 5 7,0 1 2,0 4 27,0
Sim 66 93,0 55 98,0 11 73,0
Característica de utilização dos serviços
Conhece serviço de saúde mais próximo da residência 1,000
Não 4 6,0 3 5,0 1 7,0
Sim 67 94,0 53 95,0 14 93,0
Tipo de serviço mais próximo da residência (N = 66) 1,000
APS 63 95,0 48 94,0 15 100,0
Outros 3 5,0 3 6,0 0 0,0
Leva no serviço mais próximo da residência 0,002
Não 40 56,0 37 66,0 3 20,0
Sim 31 44,0 19 34,0 12 70,0

*Teste Qui-quadrado de Pearson;

Teste exato de Fisher.

Dentre as variáveis sociodemográficas, clínicas e de utilização do serviço, estiveram estatisticamente associadas ao serviço que assistia regularmente a criança e o adolescente: idade da criança/adolescente, anos de estudo do familiar/cuidador, tempo de descoberta de diagnóstico, criança/adolescente fazer tratamento e familiar/cuidador levar a criança/adolescente no serviço mais próximo da residência.

Na Tabela 2, estão apresentados os escores dos atributos em relação à atenção à saúde das crianças e adolescentes com HIV, estabelecendo a comparação entre os tipos de serviço.

Tabela 2 Comparação entre as médias dos escores dos atributos entre os tipos de serviços referidos como fonte regular de atenção, 2013 (N = 71) 

Atributos Escores (0-10)
Serviço especializado (n = 56) Atenção Primária à Saúde (n = 15) Valor de p**
Média DP Mediana Mínimo Máximo Média DP Mediana Mínimo Máximo
Grau de afiliação 8,15 2,10 10,00 3 10 8,00 2,10 6,67 3 10 0,763
Acesso de primeiro contato - utilização 8,41 2,59 10,00 0 10 9,03 1,24 10,00 6 10 0,834
Acesso de primeiro contato -acessibilidade 7,19 2,03 7,78 1 10 7,70 1,94 7,78 4 10 0,445
Longitudinalidade* 8,02 1,12 8,18 5 10 7,67 1,93 7,88 2 10 0,750
Coordenação -integração dos cuidados 8,09 2,43 9,33 0 10 8,16 2,32 9,33 4 10 0,978
Coordenação -sistema de informações 7,71 2,17 7,78 2 10 7,18 2,48 7,78 2 10 0,476
Integralidade -serviços disponíveis* 7,14 1,63 7,41 3 10 6,94 1,67 6,85 3 10 0,872
Integralidade -serviços prestados 6,57 3,49 7,67 0 10 6,42 4,04 8,33 0 10 0,958
Orientação familiar 5,21 2,93 5,28 0 10 4,48 3,54 4,44 0 10 0,449
Orientação comunitária 2,53 3,18 1,67 0 10 1,92 3,33 0,00 0 10 0,310
Escore essencial* 7,02 1,43 7,22 4 9 6,93 1,63 6,45 4 9 0,459
Escore derivado 3,67 2,37 3,33 0 10 3,07 3,04 2,22 0 10 0,178
Escore geral* 6,43 1,34 6,49 3 8 6,13 1,61 5,53 3 8 0,341

*Distribuição normal;

Distribuição assimétrica;

**Teste Mann-Whitney ou t Student; DP= Desvio padrão.

Na avaliação dos atributos segundo o tipo de serviço, ambos apresentaram valores de escores satisfatórios (≥ 6,6) para os atributos: Grau de afiliação; Acesso de Primeiro Contato - utilização; Acesso de Primeiro Contato - acessibilidade; Longitudinalidade; Coordenação - integração dos cuidados; Coordenação - sistema de informações; Integralidade - serviços disponíveis. Não houve diferença estatisticamente significativa entre ambos. Na análise conjunta dos atributos, nenhum serviço apresentou valor satisfatório de Escore Geral.

Foi realizada a análise da associação entre as características (sociodemográficas, clínicas e de utilização dos serviços de saúde) e a melhor avaliação da atenção (alto Escore Geral), de acordo com o tipo de serviço (especializado ou APS) estabelecido pelo grau de afiliação (Tabela 3).

Tabela 3 Associação das características sociodemográficas, clínicas e de utilização dos serviços de saúde com o alto/baixo escore, segundo a fonte regular da atenção das crianças e adolescentes com HIV, 2013 (N = 71) 

PCATool-Brasil
Variáveis Serviço especializado (n = 56) Serviço de Atenção Primária à Saúde (n = 15)
Alto escore geral (≥ 6,6) Baixo escore geral (< 6,6) Valor de p Alto escore geral (≥ 6,6) Baixo escore geral (< 6,6) Valor de p
n % n % n % n %
Idade da criança/adolescente 0,094* -
Até 12 anos 12 50,0 23 72,0 - - - -
De 13 a 19 anos 12 50,0 9 28,0 5 100,0 10 100,0
Município proveniente 0,351* 0,230
Santa Maria 15 62,5 16 50,0 0 0,0 4 40,0
Outros 9 37,5 16 50,0 5 100,0 6 60,0
Como adquiriu o HIV 1,000 0,333
Transmissão vertical 21 87,5 29 91,0 4 80,0 10 100,0
Outros 3 12,5 3 9,0 1 20,0 0 0,0
Tempo de descoberta de diagnóstico 0,084* 0,505
Até 8,5 anos 11 46,0 22 69,0 0 0,0 3 30,0
Acima de 8,5 anos 13 54,0 10 31,0 5 100,0 7 70,0
Criança/adolescente faz tratamento 1,000 0,560
Não 0 0,0 1 3,0 2 40,0 2 20,0
Sim 24 100,0 31 97,0 3 60,0 8 80,0
Cuidador principal 0,698* 0,282
Mãe 14 58,0 17 53,0 1 20,0 6 60,0
Outros 10 42,0 15 47,0 4 80,0 4 40,0
Anos de estudo do familiar/cuidador 0,221* 0,230
Até 6 anos 18 75,0 19 59,0 0 0,0 4 40,0
Acima de 6 anos 6 25,0 13 41,0 5 100,0 6 60,0
Renda 0,967* 1,000
Até 1.000 reais 12 52,0 16 52,0 3 60,0 6 60,0
Acima de 1.000 reais 11 48,0 15 48,0 2 40,0 4 40,0
Conhece serviço de saúde mais próximo da residência 1,000 1,000
Não 1 4,00 2 6,0 0 0,00 1 10,0
Sim 23 96,0 30 94,0 5 100,0 9 90,0
Tipo de serviço mais próximo da residência 0,258 -
APS 21 100,0 27 90,0 5 100,0 10 100,0
Outros 0 0,0 3 10,0 - - - -
Leva no serviço mais próximo da residência 0,103* 0,241*
Não 13 54,0 24 75,0 2 40,0 1 10,0
Sim 11 46,0 8 25,0 3 60,0 9 90,0

*Teste Qui-quadrado de Pearson;

Teste Exato de Fisher.

Ao serem avaliadas as características da população associadas ao Escore Geral do serviço especializado, não foi evidenciada diferença estatística que pudesse ser associada ao alto escore. O mesmo ocorreu com o serviço de APS. Ou seja, nenhuma característica esteve associada ao alto escore tanto da APS quanto do serviço especializado, evidenciando que as características da população não interferiram na avaliação da atenção de ambos os serviços.

DISCUSSÃO

Foi identificado, para a maioria dos entrevistados, o serviço especializado como fonte regular de atenção à saúde. Outro estudo corrobora este resultado e o justifica pela organização do sistema de saúde e pela experiência dos profissionais deste serviço(13).

Os achados relacionados às características sociodemográficas sinalizam para uma maior vulnerabilidade da população que utiliza o serviço especializado como fonte regular de atenção. Essa vulnerabilidade se refere à prevalência da faixa etária até 12 anos e a baixa escolaridade de seus familiares/cuidadores. Este resultado se assemelha a outro estudo, que reforça a tendência de pauperização da epidemia, com o aumento dos casos em indivíduos com baixa escolaridade a qual, também, é um marcador da situação socioeconômica(14). Quanto às características clínicas, constata-se que, entre aqueles que apontaram o serviço de APS como fonte regular da atenção, a maioria possuía maior tempo de descoberta de diagnóstico do que aqueles que referiram o serviço especializado e realizavam tratamento medicamentoso. Nesse sentido, ratifica-se a importância do compartilhamento do cuidado com a APS independentemente de se estar ou não realizando tratamento. Isso converge com estudo desenvolvido na África em que os usuários com doença menos avançada e clinicamente estável eram atendidos por equipes de APS e os demais, acompanhados no serviço especializado(15).

No que se refere à utilização dos serviços, aqueles que referiram o serviço especializado não utilizam o serviço mais próximo da residência para a atenção à saúde das crianças e adolescentes com HIV, corroborando o achado de outro estudo o qual afirma que o serviço de saúde mais próximo, geralmente, não é utilizado na promoção da saúde dessa população(16). Em contraponto, em outras doenças infectocontagiosas, como a tuberculose, já vem sendo proposto o seu controle no âmbito da APS mediante a incorporação de ações de diagnóstico, tratamento e prevenção da doença(17). Outras condições crônicas, como a hipertensão, também possuem o diagnóstico e controle como uma atribuição dos serviços de APS(18). A dificuldade de implantação de ações para afiliação à APS de pessoas com HIV é justificada pela falta de preparo profissional para desenvolver a atenção a essa população e pelo estigma(19).

Em relação aos escores de cada atributo entre os serviços identificados como fonte regular de atenção pelos familiares/cuidadores, destaca-se que a maioria dos atributos avaliados obtiveram altos escores. No atributo Acesso de Primeiro Contato, os escores foram satisfatórios e semelhantes entre os serviços, indicando que esta população tem conseguido acesso aos serviços de saúde. O componente de estrutura "acessibilidade" e o de utilização "acesso" obtiveram maior escore na APS, divergente dos resultados de estudos que avaliaram a APS junto à população em geral e que obtiveram os mais baixos escores(20-21). Isso pode ser justificado devido a APS estar, muitas vezes, mais próxima dos usuários do que o serviço especializado podendo, essa, ser o serviço de primeira procura(21).

O escore satisfatório do atributo Longitudinalidade em ambos os serviços evidencia este como essencial para atenção à saúde da criança e do adolescente com HIV, visto que visa a ter uma fonte de atenção, manter uso regular e constituir vínculo que reflitam a cooperação mútua entre os usuários e os profissionais de saúde(9). Ressalta-se que a dificuldade de continuidade da atenção à saúde resulta em altas proporções de não realização de teste anti-HIV e de não adesão à terapia antirretroviral entre pessoas com HIV(22). O maior escore evidenciado pelo serviço especializado pode ser justificado pelo acompanhamento contínuo que é desenvolvido neste em função da condição crônica.

O atributo Coordenação da Atenção também obteve escore satisfatório para ambos os serviços. O componente "integração dos cuidados" obter maior pontuação no serviço de APS sugere que este serviço está orientado para o encaminhamento e comunicação com outros serviços de saúde. Já quanto ao alto escore do componente "sistema de informações" no serviço especializado indica que este serviço está mais bem organizado e informativo em relação aos documentos e aos prontuários dos seus pacientes. Destaca-se que o encaminhamento para os serviços especializados, muitas vezes, resulta na desvinculação dos usuários da APS e na transferência da responsabilidade pelo acompanhamento(13). Dessa forma, o serviço especializado representa ao usuário o local no qual é oferecida a atenção à sua condição de saúde, sugerindo que não há necessidade de revelar seu diagnóstico a uma equipe de APS(6). Isso é um equívoco, pois os especialistas podem oferecer a atenção mais apropriada para tal enfermidade, mas um profissional da APS deve integrar a atenção para a variedade de problemas de saúde que circundam o indivíduo(10).

Na análise do atributo Integralidade, verificou-se que o componente "serviços disponíveis" obteve escore satisfatório em ambos os serviços, o que demonstra que os familiares/cuidadores acreditam que os serviços disponibilizam atendimento às necessidades básicas de saúde da população, incluindo insumos como vacinas e medicamentos. Entretanto, por sua vez, o componente "serviços prestados" obteve valores aquém do considerado ideal, evidenciando a necessidade de investimento nas ações de promoção e prevenção, para que sejam efetivamente executadas pelos serviços de saúde. Estudo aponta que os profissionais da APS relatam obstáculos para o atendimento às pessoas com HIV, como a sobrecarga de trabalho, a falta de privacidade para atendimento nos serviços e o estigma(13,19,23). Os profissionais devem ser capacitados quanto ao diagnóstico precoce, aspectos clínicos, doenças associadas ao HIV, tratamento e necessidade de encaminhar os usuários aos serviços especializados(13).

Verificou-se que o escore do atributo Orientação Familiar não apresentou valor satisfatório em nenhum dos serviços avaliados, apesar de elevados escores de Longitudinalidade. Entretanto, registra-se que o serviço especializado, o qual obteve maior escore em comparação com a APS, tende a valorizar o contexto de vida da criança e do adolescente e a inserção destes na família e na comunidade em decorrência da infecção(24).

Os familiares/cuidadores também atribuíram baixos escores ao atributo Orientação Comunitária para ambos os serviços. Destaca-se que o serviço de APS deveria abordar as necessidades em saúde da comunidade, por meio do contato direto com a população e o conhecimento do perfil epidemiológico desta(10). A dificuldade de promoção da saúde advém da limitação das políticas públicas de prevenção e controle da infecção pelo HIV, as quais necessitam de planejamento e investimento. O serviço especializado atende a uma demanda crescente de indivíduos acometidos pela doença; entretanto, não foi planejado para desenvolver a orientação comunitária. É necessário que esta população também seja atendida na APS, de modo a equilibrar a demanda e viabilizar ações mais concretas no serviço especializado(25). Para o cumprimento deste atributo nos serviços de APS, existem as ações de visita domiciliar realizadas pelos profissionais e agentes comunitários de saúde, que possibilitam a vigilância à saúde, o fortalecimento dos vínculos, atividades educativas e identificação de situações de risco(26).

Ao analisar o Escore Essencial, evidenciou-se que ambos os serviços estão fornecendo atenção em consonância com os atributos da APS. Em relação ao valor do Escore Derivado, ainda é necessário que os serviços de saúde aprimorem as ações que têm como foco a família e a comunidade. A análise conjunta dos atributos, Escore Geral, aponta que ambos os serviços estão aquém do valor referido como ideal, porém próximos. Este resultado converge com outros estudos que avaliaram a APS(27) e reforça a importância do papel dos serviços de saúde como potencializadores da qualidade de vida dessa população(28). Destaca-se que não houve diferença estatística na avaliação de ambos os serviços, apontando que podem ser considerados pelos familiares/cuidadores com semelhanças. Ainda, nenhuma característica esteve associada ao alto escore tanto da APS quanto do serviço especializado, evidenciando que as características da população não interferem na avaliação de ambos os serviços.

A análise dos resultados permite inferir que os familiares/cuidadores percebem aspectos positivos da assistência prestada no serviço especializado como fonte regular da atenção, principalmente em função do maior contato com os profissionais deste serviço. Este resultado aponta que o serviço especializado está se dedicando ao atendimento a essa população. Por outro lado, os usuários deveriam confiar mais na APS e compreender a integração dos serviços como um contínuo de cuidado. Estudo indica que a assistência é, muitas vezes, desarticulada dos serviços de APS, seja por despreparo dos profissionais ou por organização do funcionamento dos serviços(13). É preciso considerar que, em alguns casos, os profissionais da APS desconhecem as ações realizadas pelo serviço especializado em HIV e, ainda, não identificam os usuários infectados de sua área de abrangência(13). Dessa forma, reforça-se a importância do papel da APS em acolher e aconselhar essa população no manejo de sua condição crônica, principalmente, no que se refere ao convívio social e familiar, rotina de cuidado de saúde e planejamento reprodutivo(6).

CONCLUSÃO

O presente estudo revelou a importância da avaliação da atenção à saúde das crianças e adolescentes com HIV no âmbito dos serviços de saúde, visto que seus resultados apontaram como fonte regular de atenção o serviço especializado; evidenciando a necessidade de reconhecer os serviços de APS como um espaço para a promoção da saúde. Os resultados deste estudo apontam para a necessidade de melhoria de alguns atributos dos serviços de APS e do especializado, o que implica em reformulações de alguns aspectos de sua estrutura e desempenho, com a finalidade de oferecerem a qualidade a que se propõem.

Sugere-se que as crianças e os adolescentes com HIV sejam encaminhados aos especialistas, porém continuem frequentando os serviços de APS para sua condição crônica e para as demais demandas em saúde, implicando tanto na longitudinalidade quanto na coordenação da atenção. Os serviços deveriam determinar as atribuições para atender as demandas de saúde desta população e deliberar quando o encaminhamento é indicado. O serviço especializado desenvolve o cuidado específico à doença, abrangendo as demandas clínicas e terapêuticas, porém é papel da APS a coordenação da atenção e o acompanhamento do usuário na sua comunidade visando à promoção da sua saúde. Nesta perspectiva, é imperativa a integração entre os serviços, que pode ser estabelecida por meio de um fluxo de usuários no sistema de saúde.

Recomenda-se que a APS absorva as ações: desenvolver campanhas de informação necessárias para mudança de comportamentos visando à prevenção da infecção e da reinfecção; diagnosticar novos casos de infecção pelo HIV; referenciar ao serviço especializado de modo a manter o fluxo de acompanhamento permanente; realizar acompanhamento de puericultura e de modificações pubertárias das crianças e adolescentes com HIV; cumprir o calendário de imunizações; promover a saúde considerando o contexto familiar e social; auxiliar na adesão ao tratamento e na resolução de queixas inespecíficas ou comorbidades; realizar busca ativa dos usuários; ter sistema de informações compartilhado entre os serviços.

Para a integração dos serviços, tem-se como pré-requisito a formação dos profissionais da APS (por meio de cursos de curta duração, educação continuada), objetivando um modelo de cuidado colaborativo de maneira a fornecer formação e apoio continuados. Além disso, a integração requer o fortalecimento da capacidade de comunicação entre os serviços, a definição e atribuição clara das ações de cada serviço, a colaboração com outros setores governamentais não relacionados com a saúde, o comprometimento por parte do governo em relação a uma política e legislação formais que legitimem as ações de integração dos serviços e cuidados à infecção e o empenho em longo prazo.

Ressalta-se, que neste estudo, os atributos foram avaliados por meio da experiência dos usuários (familiares/cuidadores), os quais tendem a apresentar uma visão mais crítica dos serviços de saúde, evidenciando a necessidade de inclusão de outros atores sociais. Além disso, apresenta-se como limitação o tamanho da população do estudo, o qual, por ter sido realizado com a população que estava vinculada ao serviço especializado, acaba por excluir outras crianças e adolescentes com HIV que fazem acompanhamento em outros serviços, o que influenciou estaticamente na chance de associação para a comparação entre os serviços. É preciso destacar que os resultados são restritos a um único município, portanto a generalização dos dados deve ser feita com cautela. Todavia, a carência de estudos nacionais sobre o tema aponta para a relevância de avaliações similares que podem servir de subsídio para o aprimoramento das ações e políticas públicas por meio da sua discussão com os usuários, profissionais e gestores, servindo como uma ferramenta de orientação para implementações no sistema de saúde.

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Recebido: 25 de Março de 2015; Aceito: 04 de Novembro de 2015

AUTOR CORRESPONDENTE: Clarissa Bohrer da Silva. E-mail: clabohrer@gmail.com

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