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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.72  supl.1 Brasília jan./fev. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0779 

ARTIGO ORIGINAL

Presenteísmo em trabalhadores da equipe multiprofissional de Unidade de Terapia Intensiva Adulta

Andressa Fernanda SilvaI 
http://orcid.org/0000-0002-8250-2156

Maria Lúcia do Carmo Cruz RobazziI 
http://orcid.org/0000-0003-2364-5787

Rita de Cássia de Marchi Barcellos DalriI 
http://orcid.org/0000-0002-6575-5426

Cristiane Aparecida Silveira-MonteiroII 
http://orcid.org/0000-0002-8427-7220

Aida Maria Oliveira Cruz MendesIII 
http://orcid.org/0000-0002-1992-9632

IUniversidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto-SP, Brasil.

IIPontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Poços de Caldas-MG, Brasil.

IIIEscola Superior de Enfermagem de Coimbra. Coimbra, Portugal.

RESUMO

Objetivo:

Analisar a ocorrência do presenteísmo em trabalhadores da equipe multiprofissional de uma Unidade de Terapia Intensiva Adulta e relacionar com as características sociodemográficas e laborais.

Método:

Estudo analítico, transversal e quantitativo, que utilizou para a coleta de dados um questionário para a obtenção dos dados sociodemográficos e a Stanford Presenteeism Scale SPS-6 para avaliar o presenteísmo.

Resultados:

Predominaram mulheres (75,9%), trabalhadoras de enfermagem (66,7%), com média de idade de 39,81 anos e com 6 a 10 anos (31,6%) de trabalho. Quanto ao presenteísmo, 48,7% apresentaram comprometimento no trabalho e 31,8% tiveram a realização e finalização das tarefas alteradas por este fenômeno.

Conclusão:

Foram identificados números expressivos de presenteísmo geral, com resultados que indicam comprometimento na finalização do trabalho. Relacionando o presenteísmo com as características sociodemográficas e laborais, as variáveis sexo, ter filhos dependentes e ter-se afastado do trabalho apresentaram valores com significância estatística entre os trabalhadores estudados.

Descritores: Saúde do Trabalhador; Condições de Trabalho; Pessoal de Saúde; Presenteísmo; Profissionais de Enfermagem

INTRODUÇÃO

O trabalho na área da saúde é fundamental para a manutenção da vida humana(1); consiste em cuidar de pessoas, o que se trata de atividade complexa(2). Em consequência, os trabalhadores sofrem desgastes devido às cargas organizacionais, físicas e psíquicas, independente da classe profissional. Eventos advindos da organização laboral, estratégias de gestão, desrespeito de autonomia e abuso de poder podem ser predecessores desses desgastes(3). Além disso, eles vivenciam, em seu cotidiano, situações em que precisam lidar com a dor, o sofrimento e o mal estar orgânico, emocional e social(4).

Nos estabelecimentos de assistência à saúde, as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são áreas críticas e especializadas direcionadas aos pacientes considerados graves que necessitam de assistência profissional capacitada. Nestes locais devem existir recursos humanos, tecnologias necessárias e materiais adequados para realizar o monitoramento e terapia aos pacientes críticos e oferecer-lhes assistência especializada e segura(5).Para atuarem nas UTI, os trabalhadores necessitam apresentar elevado grau de especialização(6), em um ambiente de trabalho complexo que inclui, inclusive, conflitos comportamentais, como má comunicação entre a equipe ou situações de abusos verbais(7).

Nesses locais necessita-se de cooperação coletiva; a gravidade dos pacientes impõe a necessidade de lidar-se com equipamentos sofisticados, realizar avaliações clínicas constantes e procedimentos complexos, com decisões imediatas. O trabalho não consegue ser realizado por uma categoria profissional da saúde, apenas; necessita de outros integrantes como técnicos administrativos, trabalhadores da limpeza, entre outros(8), apesar de haver sempre o predomínio da equipe de enfermagem.

Acresce-se que a intensificação do mundo do trabalho passou a ser fonte de esgotamento laboral físico e mental, o que pode resultar em estresse(9), pois muitas vezes a pessoa comparece ao trabalho sem estar em condições de realizá-lo(10). É essa a situação que acontece no presenteísmo, condição em que o trabalhador comparece, mas não desenvolve suas atividades laborais de maneira produtiva, apresentando baixo rendimento. A queda na produtividade pode estar relacionada aos eventuais problemas físicos e mentais que ele exterioriza(11), pois está presente, apesar de seu estado de saúde ser deficitário, mas este não justificar sua ausência ao trabalho(12). Em algumas situações, essa pessoa não consegue realizar de forma satisfatória o que se espera dela. Dedicação, medo de sobrecarregar os colegas da equipe, ausência de pagamento por licenças ou faltas e dificuldades para que outro profissional substitua-o são fatores que justificam a prática de comparecer adoecido ao trabalho(13).

Percebe-se, então, que o presenteísmo é um fenômeno complexo e relaciona-se ao absenteísmo, de tal sorte que trabalhar mesmo doente - característica do presenteísmo - torna-se um fator de risco para a ocorrência de absenteísmo(12).

As poucas investigações identificadas sobre este fenômeno entre a equipe multiprofissional de UTI, motivaram a realização deste estudo.

OBJETIVO

Analisar a ocorrência do presenteísmo em trabalhadores da equipe multiprofissional de uma Unidade de Terapia Intensiva Adulta e relacionar com as características sociodemográficas elaborais.

MÉTODO

Aspectos éticos

O estudo obteve aprovação junto ao Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP; os participantes foram incluídos após aceitarem participar e realizarem a leitura e a assinatura do TCLE.

Desenho, local do estudo e período

Estudo transversal, correlacional, analítico e quantitativo, desenvolvido em uma UTI Adulta (UTIA) de um hospital de grande porte brasileiro, instituição cujos contratos acontecem por concurso público ou pela sua fundação de apoio.

A coleta de dados ocorreu no próprio espaço da UTIA, entre novembro e dezembro de 2016, pela primeira autora deste estudo, incluindo-se os finais de semana e feriados, depois de obtidas as autorizações institucionais e realizados os procedimentos éticos necessários.

População ou amostra; critérios de inclusão e exclusão

Tornaram-se participantes membros da equipe multiprofissional da UTIA. O total de trabalhadores na ocasião da coleta de dados era 62 e entre eles existiam 24 técnicos de enfermagem, 10 enfermeiros, 8 médicos, 7 auxiliares de enfermagem, 4 trabalhadores de higienização, 4 fisioterapeutas, 2 auxiliares administrativos, 1 psicóloga, 1 nutricionista e 1 técnico de suporte técnico, ou seja, desses trabalhadores, a maioria (62,12%) era da equipe de enfermagem.

Foram utilizados os seguintes critérios para a inclusão dos participantes: membros da equipe multidisciplinar atuantes na UTIA do hospital, de ambos os sexos, sem distinção de turnos, de profissão/função exercida e de contratos de trabalho, com tempo de formação/atuação na instituição e atuação na UTIA superior a um ano, pela necessidade do indivíduo ter experiência laboral(14).Obedecidos tais critérios, tornaram-se participantes 54 pessoas (87,09% do total).

Protocolo do estudo

Para a coleta das informações dos trabalhadores, utilizou-se um instrumento para a obtenção das variáveis sociodemográficas e ocupacionais contendo questões sobre: idade, sexo, tipo de união, filhos dependentes, profissão/função desempenhada na UTIA, horário de trabalho, realização de horas extras no último mês anterior à coleta, desempenho de alguma outra atividade profissional e afastamentos do trabalho.

Para a avaliação do presenteísmo aplicou-se a Stanford Presenteeism Scale (SPS-6), instrumento validado no Brasil, que visa avaliar as perdas de produtividade no trabalho por meio de duas dimensões distintas. A primeira - Trabalho Finalizado - relaciona-se às causas físicas de presenteísmo, que correspondem a quantidade de trabalho realizado sob efeito das causas deste evento. A segunda dimensão - Concentração Mantida – refere-se à quantidade de concentração mobilizada para produzir, quando existe um efeito de presenteísmo. Cada um destes fatores é analisado por três itens, totalizando seis questões, numa escala com cinco opções de respostas. A pontuação da SPS-6 na dimensão 2 utiliza escore reverso, ou seja, deve considerar o valor oposto para a pontuação geral do presenteísmo. Já para a avaliação individual de cada umas das duas dimensões deve-se utilizar a soma dos valores de forma tradicional, sem usar o escore reverso(15).

Os instrumentos da coleta eram entregues em envelopes fechados e não identificados aos profissionais que tinham interesse, consentiram participar da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Eram preenchidos durante os plantões, mas de forma a não atrapalhar o funcionamento da Unidade. Ao final, a referida autora, que permanecia no local, recolhia-os, tendo o cuidado de constatar que não havia acontecido comunicação entre os trabalhadores sobre as questões dos instrumentos.

Análise dos resultados e estatística

Utilizou-se a análise descritiva para a caracterização sociodemográfica e ocupacional; para avaliar as variáveis contínuas calculou-se média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo; para as variáveis categóricas calculou-se frequência e percentual. Para relacionar o presenteísmo com as características sociodemográficas e laborais foram realizados testes para as diferenças de médias estatísticas das variáveis categóricas (idade, sexo, união estável, filhos dependentes, outra atividade profissional, horário de trabalho, horas extras e afastamentos do trabalho) e realizadas as análises de regressão. Foram utilizados os Testes de Mann-Whitney e o de Kruskal-Wallis de amostras independentes (utilizado para análises estatísticas em que os dados não apresentam distribuição normal) e considerados os valores de significância α=0,05.

RESULTADOS

Dos 54 participantes, a maioria (42,6%) tinha entre 30 e 39 anos, média de idade de 39,8 anos, mediana 39,0 anos, mínima 25,0 anos e máxima de 62 anos, com desvio padrão (DP) de 9,0. Essas pessoas eram do sexo feminino (75,9%), viviam em união estável (56,0%) e informaram ter filhos dependentes (53,7%).

Quanto às características ocupacionais, 23 (42,6%) eram Técnicos de enfermagem, 10 (18,5%) Enfermeiros, 6 (11,1%) Médicos, 4 (7,3%) Fisioterapeutas, 3 (5,6%) Auxiliares de enfermagem, 3 (5,6%) Colaboradores da Higienização e 2 (3,7%) Auxiliares Administrativos. Psicólogo, Responsável pelo Suporte Técnico e Nutricionista eram apenas 1 (1,9%) em cada categoria; evidenciou-se que 66,7% eram trabalhadores de Enfermagem.

O horário de trabalho com maior número de participantes (18 - 33,15%) foi o diurno de 6 horas com dobra de plantão de 12 horas. Relataram desenvolver outra atividade profissional, além daquela no hospital, 20 respondentes (37,0%) e entre estes, 18 (90%) trabalhavam no segmento de saúde. A realização de horas-extras nos últimos seis meses foi confirmada por 30 pessoas (55,6%), com a média de 38,23 horas-mês, mediana 36,0, mínima 6,0, máxima 84, apresentando DP de 17,12. Em relação aos afastamentos ao trabalho 29 (53,7%) não os tiveram, desde o início de sua atuação profissional na UTIA.

Analisando os resultados obtidos com a utilização da SPS-6, foram encontrados os seguintes valores do presenteísmo total: mediana 16,5, média 14,8, DP de 6,8, com um intervalo de estudo de 6 a 27 pontos. Os valores encontrados na mediana e média do escore total foram menores que 18; esclarece-se que valores de 6 a 18 indicam menor capacidade de concentração e redução de desempenho no trabalho e valores elevados, próximos a 30, no escore total, indicam maior capacidade de concentração e melhor desempenho no trabalho, apesar do indivíduo apresentar algum problema de saúde(15).

A análise da dimensão 1 (Trabalho Finalizado) encontra-se a seguir (Tabela 1).

Tabela 1 Frequência de Presenteísmo na dimensão 1- Trabalho Finalizado - entre os trabalhadores da equipe multiprofissional da Unidade de Terapia Intensiva Adulto, 2016 (N=54) 

Escore da SPS-6* f %
3 17 31,8
4 0 0
5 0 0
6 1 1,9
7 0 0
8 1 1,9
9 4 7,3
10 2 3,5
11 9 17,0
12 4 7,3
13 5 9,0
14 4 7,3
15 7 13,0
Total 54 100,0

Nota:

*Stanford Presenteeism Scale.

A Tabela 2 mostra a análise da dimensão 2 (Concentração Mantida).

Tabela 2 Frequência de Presenteísmo na dimensão 2 - Concentração Mantida - entre os trabalhadores da equipe multiprofissional da Unidade de Terapia Intensiva Adulto, 2016 (N=54) 

Escore da SPS-6* f %
3 26 48,7
4 2 3,5
5 2 3,5
6 5 9,0
7 1 1,9
8 5 9,5
9 3 5,5
10 6 11,0
11 3 5,5
12 0 0
13 0 0
14 0 0
15 1 1,9
Total 54 100

Nota:

*Stanford Presenteeism Scale.

A seguir (Tabela 3) são mostrados os valores encontrados no presenteísmo total e a sua relação com as variáveis sociodemográficas e ocupacionais/laborais.

Tabela 3 Distribuição dos valores obtidos segundo o escore total do presenteísmo e as variáveis sociodemográficas e laborais dos trabalhadores da equipe multiprofissional atuantes na Unidade de Terapia Intensiva Adulto, 2016 

Variáveis Categóricas n Presenteísmo Intervalo obtido Mediana Média (DP) Valor de p
Idade (anos) 0,812*
25-39 27 6-27 14,00 14,85 6,585
40-62 27 0-26 17,00 14,85 7,252
Sexo 0,021 *
Masculino 13 6-27 19,00 18,69 5,360
Feminino 41 0-26 14,00 13,63 6,888
União Estável 0,804*
Não 24 6-26 16,50 15,08 7,003
Sim 30 6-27 15,50 14,67 6,860
Filhos Dependentes 0,130*
Não 25 6-26 14,00 13,20 7,489
Sim 29 6-27 17,00 16,28 6,041
Realiza outra atividade profissional 0,856*
Não 34 6-26 15,00 14,65 6,897
Sim 20 6-27 17,00 15,20 6,963
Horário de Trabalho 0,350 **
Diurno fixo em escala de 8 horas 11 6-23 14,00 12,27 6,084
Noturno fixo em escala de 12 por 36 horas 14 6-26 20,00 17,21 6,963
Diurno móvel de 6 h. com dobra de 12 horas 18 6-24 16,50 14,83 6,724
Alternância de turnos 11 6-27 17,00 14,45 7,568
Horas extras 0,458 *
Não 24 6-27 14,00 14,08 7,009
Sim 30 6-26 17,00 15,47 6,796
Afastamento do trabalho 0,040 *
Não 29 6-23 14,00 13,10 6,608
Sim 25 6-27 17,00 16,88 6,710

Nota:

*Teste de Mann-Whitney de amostras independentes

**Teste de Kruskal-Wallis de amostras independentes.

O teste de Mann-Whitney foi utilizado na análise das variáveis: idade, sexo, união estável, filhos dependentes, outra atividade profissional, realização de horas extras e afastamento do trabalho; na análise do horário de trabalho, foi utilizado o Teste de Kruskal-Wallis.

Analisando o sexo foi possível constatar que os homens (13) apresentaram média 18,69, mediana 19,00, DP 5,360 e com intervalo de 6-27; as mulheres (41) apresentaram média 13,63 mediana 14,00, DP 6,888, com intervalo 0-26. O valor de p encontrado na análise desta variável foi de 0,021, demonstrando significância estatística.

A variável afastamento do trabalho demonstrou significância estatística (p=0,040). A média entre os que se afastaram do trabalho (25) foi de 16,88, mediana 17,00, DP 6,710 com intervalo de 6-27. A média entre os que não se afastaram (29) foi de 13,10, mediana 14,00, DP 6,608 e intervalo obtido de 6-23.

A seguir (Tabela 4) estão apresentados os valores da dimensão 1 e sua relação com as variáveis sociodemográficas e ocupacionais dos participantes.

Tabela 4 Distribuição dos valores obtidos segundo os escores da dimensão 1 (Trabalho Finalizado) do presenteísmo da Stanford Presenteeism Scale (SPS-6) e as variáveis sociodemográficas e ocupacionais dos trabalhadores da equipe multiprofissional atuantes da Unidade de Terapia Intensiva Adulto, 2016 (N=54) 

Variáveis Categóricas Stanford Presenteeism Scale SPS-6 dimensão 1 Valor de p
n Presenteísmo Intervalo obtido Mediana Média (DP)
Idade (anos) 0,902*
25-39 27 3-15 11,00 9,22 4,432
40-62 27 3-15 11,00 9,07 4,867
Sexo 0,066*
Masculino 13 3-15 12,00 11,38 3,124
Feminino 41 3-15 10,00 8,44 4,806
União Estável 0,838*
Não 24 3-15 10,50 9,04 4,667
Sim 30 3-15 11,00 9,23 4,644
Filhos Dependentes 0,008*
Não 25 3-14 9,00 7,40 4,463
Sim 29 3-15 11,00 10,66 4,253
Realiza outra atividade profissional 0,913*
Não 34 3-15 10,50 9,06 4,735
Sim 20 3-15 11,00 9,30 4,508
Horário de Trabalho 0,314**
Diurno fixo em escala de 8 horas 11 3-13 11,00 8,09 4,437
Noturno fixo em escala de 12 por 36 horas 14 3-15 11,50 10,79 4,560
Diurno móvel de 6h, com dobra de 12 horas 18 3-15 10,50 9,17 4,842
Alternância de turnos 11 3-14 9,00 8,09 4,460
Realiza horas extras 0,703*
Não 24 3-15 11,00 8,83 4,706
Sim 30 3-15 11,00 9,40 4,598
Afastamento do trabalho 0,026*
Não 29 3-15 9,00 7,97 4,516
Sim 25 3-15 12,00 10,52 4,417

Nota:

*Teste de Mann-Whitney de amostras independentes

**Teste de Kruskal-Wallis de amostras independentes.

Para realizar as análises das variáveis: idade, sexo, união estável, filhos dependentes, outra atividade profissional, horas extras e afastamento ao trabalho, o teste eleito foi de Mann-Whitney e, na análise do turno de trabalho, foi utilizado o de Kruskal -Wallis, ambos de amostras independentes.

Os que afirmaram ter filhos dependentes apresentaram valores superiores quando comparados aos que não os tinham. Os valores para os primeiros (29) foram: média 10,66, mediana 11,00, DP 4,64 e intervalo obtido de 3-15; entre os que não tinham filhos (25), a média foi de 7,40, a mediana 9,00, o DP 4,46 e o intervalo obtido de 3-14. Esta variável apresentou significância estatística, com p=0,008.

Entre os que relataram já ter se afastado do trabalho foi possível constatar valores superiores em relação aos que não se afastaram. Entre os primeiros (25) os valores foram: média 10,52, mediana 12,00, DP 4,41 com intervalo obtido de 3-15; nos que negaram ter tido afastamentos (29 trabalhadores) foram encontrados média 7,97, mediana 9,00, DP 4,51. O intervalo entre este grupo foi de 3-15 e esta variável apresentou p=0,026, indicando significância estatística.

A Tabela 5 mostra os resultados obtidos referentes à segunda dimensão do SPS-6 (Concentração Mantida).

Tabela 5 Distribuição dos valores obtidos segundo os escores da dimensão 2 (Concentração Mantida) do presenteísmo da Stanford Presenteeism Scale SPS-6 e as variáveis sociodemográficas e ocupacionais dos trabalhadores da equipe multiprofissional da Unidade de Terapia Intensiva Adulto, 2016 (N=54) 

Variáveis Categóricas Stanford Presenteeism Scale SPS-6 dimensão 2 Valor de p
n Presenteísmo Intervalo obtido Mediana Média (DP)
Idade (anos) 0,811*
25-39 27 3-15 4,00 5,63 3,330
40-62 27 3-11 4,00 5,78 3,105
Sexo 0,043*
Masculino 13 3-15 8,00 7,31 3,614
Feminino 41 3-11 3,00 5,20 2,909
União Estável 0,283*
Não 24 3-11 5,50 6,04 3,043
Sim 30 3-15 3,00 5,43 3,329
Filhos Dependentes 0,927*
Não 25 3-15 3,00 5,80 3,559
Sim 29 3-11 4,00 5,62 2,896
Realiza outra atividade profissional 0,827*
Não 34 3-11 4,00 5,59 3,046
Sim 20 3-15 4,00 5,90 3,493
Horário de Trabalho 0,282**
Diurno fixo em escala de 8 horas 11 3-10 3,00 4,18 2,272
Noturno fixo em escala de 12 por 36 horas 14 3-11 6,50 6,43 3,251
Diurno móvel de 6h., com dobra de 12 horas 18 3-11 5,50 5,67 2,808
Alternância de turnos 11 3-15 3,00 6,36 4,225
Realiza horas extras 0,233*
Não 24 3-15 3,00 5,25 3,442
Sim 30 3-11 6,00 6,07 2,982
Afastamento do trabalho 0,138*
Não 29 3-11 3,00 5,14 2,887
Sim 25 3-15 6,00 6,36 3,451

Nota:

*Teste de Mann-Whitney de amostras independentes

**Teste de Kruskal-Wallis de amostras independentes.

Para analisar as variáveis: idade, sexo, união estável, filhos dependentes, outra atividade profissional, realização de horas extras e afastamento do trabalho, foi utilizado o Teste de Mann-Whitney e para o horário de trabalho usou-se o de Kruskal -Wallis, ambos de amostras independentes.

As análises feitas para identificar diferenças nos valores da dimensão 2 da SPS-6 e o sexo dos trabalhadores mostraram que os homens (13) tiveram média 7,31, mediana 8,00, DP 3,614 e intervalo de 3-15. Já entre as mulheres (41) a média foi de 5,20, mediana 3,00, DP 2,909 e intervalo de 3-11. Os homens, portanto, apresentaram valores mais elevados do que as mulheres; a variável sexo e a dimensão 2 da SPS-6 demonstraram ter significância estatística, com o valor de p=0,043.

DISCUSSÃO

Trabalhadores que exercem suas atividades especialmente em hospitais, convivem com cenários complexos e estressantes(16). UTI são locais de assistência aos pacientes em estados críticos com variações de prognósticos; quem trabalha nestes locais vivencia situações de vida e morte dos pacientes, o que lhes pode resultar em vulnerabilidade emocional, ansiedade, sentimento de culpa e de impotência(17).

No presente estudo, 85,2% dos entrevistados tinham menos de 49 anos, indicando uma população de adultos ainda relativamente jovens. Estudo coreano demonstrou a relação entre idade e a prevalência de patologias nas articulações de trabalhadores; indivíduos com idades mais avançadas são mais propensos a desenvolver esse tipo de patologias(18) o que, possivelmente, acaba prejudicando o seu trabalho.

Grande parte dos trabalhadores eram mulheres e da equipe de enfermagem (66,7%). Nos serviços de saúde a presença da mão de obra feminina é expressiva(19-20); em UTI a presença da Enfermagem é fundamental, pois é um local em que os pacientes encontram-se em iminente risco de morte, são altamente dependentes e demandam cuidados complexos(21).

Afirmaram viver em união estável 56,0% dos trabalhadores; essas uniões são aquelas em que as pessoas vivem em uma relação consensual, de convivência duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição familiar, sem que haja a necessidade de uma certidão de casamento no cartório(22). A presença de filhos dependentes foi confirmada por 53,7% dos pesquisados. Caso o indivíduo tenha filhos, além de sua jornada laboral no trabalho, possivelmente ainda desenvolve atividades do lar e cuidados com a prole, o que lhe resulta em dupla/tripla jornada de trabalho, especialmente para as mulheres(23).

Os profissionais que atuavam na UTIA enfrentavam diferentes jornadas de trabalho, decorrentes dos tipos de vínculos contratuais que tinham. A quantidade de horas de trabalho é um elemento essencial para a vida do trabalhador; as jornadas devem ser estabelecidas em normas ou legislações que priorizem a segurança e saúde dos trabalhadores, assegurando que eles não sejam expostos aos horários excessivos, gozem de períodos de descanso e usufruam períodos de férias(24). Um quantitativo elevado de horas de trabalho pode levar ao desgaste físico e mental, capaz de resultar-lhes em alterações psicológicas e físicas(25).

No presente estudo, no mês anterior à coleta de dados, 55,6% dos participantes realizaram horas extras. Quando o indivíduo enfrenta longas jornadas de trabalho, realiza horas extras em excesso ou possui um duplo vínculo empregatício pode ter sua qualidade de vida influenciada de forma negativa e submeter-se aos maiores níveis de estresse ocupacional(19,26). Horas extras podem levar ao excesso de trabalho que pode favorecer a ocorrência de eventos adversos(27-28).

Quanto aos afastamentos no trabalho 53,7% não os informaram desde que iniciaram sua atuação profissional na UTIA. Os modos de trabalho podem resultar em desgastes corporais e mentais, capazes de favorecer a ocorrência de doenças e de acidentes nos trabalhadores. Afastamentos por motivos de saúde estão relacionados aos acidentes de trabalho, problemas físicos variados, além de sofrimento e adoecimento mental(29).

O presenteísmo é comumente encontrado nos profissionais do cuidado; dores osteomusculares podem ser grandes responsáveis pela diminuição do desempenho do trabalho, podendo dificultar a realização de movimentos necessários ao exercício da função(30). Alterações de saúde físicas e mentais, redução da capacidade para o trabalho e ocorrência do presenteísmo são propensos de acontecer devido aoclima organizacional do local de trabalho e os relacionamentos entre as equipes(31). Trabalhadores com melhores estados de bem-estar faltam menos ao trabalho, reduzem o presenteísmo e mostram a intenção de permanecer em seus postos(32).

A produtividade consiste na realização de atividades durante as horas de trabalho; é a relação entre os resultados da produção e os recursos produtivos a ela aplicados(33). Sua redução no trabalho pode ser relacionada à depressão, ansiedade, questões financeiras, aumento das cargas de trabalho e problemas de saúde. É importante investigar o presenteísmo entre os trabalhadores, pois eles reduzem a sua produtividade masnão se ausentam de seus postos, ocorrendo então esse fenômeno(34).

Nas análises estatísticas deste estudo foram encontradas diferenças com significância estatística: no escore geral da SPS-6 para o sexo e os afastamentos ao trabalho; na dimensão 1 para ter filhos dependentes e já se ter afastado do trabalho e na dimensão 2 para o sexo.

Em relação às avaliações das duas dimensões desta escala foi encontrado na primeira dimensão (Trabalho Finalizado) o escore três entre 17 trabalhadores (31,8%). Considerando-se que nesta dimensão, quanto mais baixo o escore, maiores serão as dificuldades para o trabalhador finalizar suas atividades, indicando o quanto a condição de saúde pode interferir na realização e finalização das tarefas no trabalho; realça-se que aqueles representam cerca de um terço dos profissionais inquiridos. No que diz respeito à dimensão2 (Concentração Mantida), os valores encontrados foram, em grande parte, para o escore três (48,7%). Considerando que quanto mais alto o escore menor é a concentração do indivíduo na realização do trabalho, indicando maior comprometimento de concentração e que os valores menores indicam um melhor estado psicológico(15), verifica-se um menor comprometimento nesta dimensão.

O estresse vivenciado no trabalho é capaz de influenciar a ocorrência de presenteísmo entre os trabalhadores; o apoio, por parte dos colegas pode amenizar esse estresse e, consequentemente, a presença deste fenômeno, como comprovado em pesquisa norte-americana(35). Estudo polaco demonstrou que os custos relacionados com a sua ocorrência podem superar as despesas gastas com o absenteísmo, de duas a cinco vezes mais, quando ambos foram comparados(36).

A ocorrência do presenteísmo pode resultar na geração de altos custos para as instituições, por se tratar de um fenômeno de difícil avaliação e mensuração. Diante do alargamento de custos que pode representar, sua investigação é de suma importância visto que o conhecendo melhor, torna-se possível formular estratégias e meios para amenizar a sua ocorrência(37). É um fenômeno que pode resultar em perdas financeiras para as instituições e organizações; entretanto, é importante considerá-lo não somente pelo impacto financeiro e suas consequências, mas também por sua relevância psicossocial(38).

Trabalhadores portadores de doenças crônicas são mais propensos a apresentar presenteísmo do que os saudáveis(39); características individuais, como o afeto, a motivação, o empenho e o engajamento nas atividades podem influenciar na decisão do trabalhador ir ao trabalho mesmo adoecido(38). O apoio psicológico pode evitar que transtornos mentais cronifiquem-se identificando, de forma precoce, as alterações que possam comprometê-los. Tais intervenções são capazes de reduzir o presenteísmo, as faltas e os afastamentos ao trabalho e os custos ao empregador(40).

Limitações de estudo

Este estudo apresentou limitações por ter sido realizado em apenas uma UTIA; talvez com um quantitativo maior de entrevistados seria possível encontrar mais valores de significância estatística.

Contribuições para a área da enfermagem, saúde ou políticas públicas

O estudo avança no conhecimento pois avaliou o presenteísmo entre a equipe multiprofissional que atua neste tipo complexo de Unidade. Espera-se que os resultados possam contribuir para a saúde dos trabalhadores, visto que o presenteísmo pode ser resultante de danos e problemas de saúde físicos e psicológicos entre eles.

CONCLUSÃO

Na UTIA avaliada foram identificados números expressivos de presenteísmo na avaliação geral. Avaliando-se as dimensões distintas da SPS-6 na primeira foram encontrados resultados que indicam comprometimento na finalização do trabalho e na segunda foi possível identificar um melhor estado psicológico entre os trabalhadores da equipe multiprofissional. Relacionando os resultados do presenteísmo com as características sociodemográficas e laborais, as variáveis sexo, ter filhos dependentes e ter-se afastado do trabalho apresentaram valores com significâncias estatísticas entre os trabalhadores da equipe multiprofissional estudada.

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Recebido: 21 de Novembro de 2017; Aceito: 09 de Março de 2018

Autor Correspondente: Andressa Fernanda Silva E-mail: andressa.fernanda18@hotmail.com

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