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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.72  supl.1 Brasília jan./fev. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0555 

ARTIGO ORIGINAL

Perfil epidemiológico de trabalhadores rurais do estado do Rio de Janeiro

Riva Schumacker BrustI 
http://orcid.org/0000-0002-4662-1238

Luíza Pereira Maia de OliveiraI 
http://orcid.org/0000-0002-7780-8222

Aline Cerqueira Santos Santana da SilvaI 
http://orcid.org/0000-0002-8119-3945

Isabel Cristina Ribeiro RegazziI 
http://orcid.org/0000-0002-0662-9446

Gilberto Santos de AguiarII 
http://orcid.org/0000-0001-8121-944X

Virginia Maria de Azevedo Oliveira KnuppI 
http://orcid.org/0000-0001-5512-2863

IUniversidade Federal Fluminense. Rio das Ostras-RJ, Brasil.

IISecretaria Municipal de Saúde. Casimiro de Abreu-RJ, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

descrever o perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos no município de Casimiro de Abreu, estado do Rio de Janeiro.

Método:

estudo transversal, realizado por meio de questionário. Os dados coletados foram digitados em planilha eletrônica e processados no Programa R.

Resultados:

constatou-se predomínio de participantes do sexo feminino, entre quarenta e sessenta anos, casadas, com ensino fundamental incompleto. Ademais, prevalecem a mão de obra familiar e a produção para o próprio consumo e comércio. Herbicida é o agrotóxico mais utilizado. A maioria dos informantes apresenta sintoma de intoxicação, não utiliza Equipamento de Proteção Individual nem protetor solar. O câncer de mama é o mais frequente nas famílias; dentre os participantes identificaram-se 31% hipertensos e 6,4% diabéticos.

Conclusão:

uma população vulnerável aos riscos ambientais e ocupacionais, com destaque para o grupo de meia idade e do sexo feminino, configura um perfil marcado por diferenças regionais.

Descritores: Trabalhadores Rurais; Exposição Ocupacional; Saúde Pública; Enfermagem do Trabalho; Agricultura

INTRODUÇÃO

A agricultura, desde o seu surgimento até os tempos atuais, passou por inúmeras mudanças. Com o elevado crescimento populacional foi preciso aumentar a produção de alimentos, surgindo assim novas formas de plantio e cultivo(1-2). O primeiro cenário de transformação é a Europa do século XVI, onde se fomentam bases técnicas e científicas para uma agricultura mais moderna, levando ao aumento da produção(2).

Como a finalidade era inovar a agricultura, tornando-a mais produtiva, no final do século XIX os Estados Unidos, com apoio e incentivos políticos, inicia a "Revolução Verde"(3), processo de mudança que alavanca a produção agrícola. O objetivo era aumentar a produtividade mediante modificação de sementes, uso de agrotóxicos e fertilização do solo para, assim, diminuir a fome nos países subdesenvolvidos(4).

No Brasil a Revolução Verde é introduzida durante o período militar, entre 1960 e 1970, trazendo impactos ambientais e sociais incalculáveis, para a natureza e para a saúde dos trabalhadores rurais(3). A exploração exacerbada do solo ocasionou esgotamento, poluição das águas, contaminação do meio ambiente e intoxicação de agricultores por agrotóxicos, gerando perdas irreparáveis da biodiversidade(5).

A agricultura avançou rapidamente com a inovação tecnológica, por meio de incentivos financeiros. Esse avanço se refletiu negativamente nos pequenos agricultores que, sem suporte adequado e capacitação, acabaram por utilizar agrotóxicos indiscriminadamente para tornar sua colheita mais rápida e abundante. Essa inovação causa grandes impactos ambientais, lesiona a saúde humana e exige gastos de verbas públicas com atendimento médico-hospitalar(6).

A cada ano cresce a utilização de agrotóxico no Brasil. Em 2008 o país ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior mercado mundial(7). Em 2009 o consumo de agrotóxico foi de um milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante(8). Em 2010 o mercado brasileiro foi responsável por consumir 19% do comércio mundial de agrotóxicos(7). Com isso, a contaminação ambiental avançou, elevando os fatores de risco e de vulnerabilidade da saúde dos consumidores e produtores expostos aos produtos.

Conforme dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e do Observatório da Indústria Federal do Paraná(9),foi anunciado durante o II Seminário sobre Mercado de Agrotóxico e Regulação, em 2012, que o Brasil fora considerado o maior consumidor de agrotóxico em 2008, com um crescimento de 190%. Com o incremento da utilização de agrotóxico, aumenta o número de casos de intoxicação, agravados pela facilidade de obter esses produtos sem receituário. Ademais, o uso inadequado ou não uso dos equipamentos têm acarretado danos a quem manipula tais produtos, bem como ao meio ambiente e ao consumidor final. As informações contidas nos rótulos e bulas de qualquer tipo de agrotóxico não são claras e compreensíveis, o que torna mais difícil o manuseio correto.

A maioria dos casos de intoxicação ocorre pela reutilização de embalagens e pelo manuseio incorreto dos produtos. Geralmente os trabalhadores não têm informação sobre a toxicidade do produto e a importância dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Isso contribui para o aumento de intoxicações e consequentemente para a morte de vários trabalhadores rurais. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas (Sinitox), em 2012 foram registrados 99.035 casos de intoxicação no Brasil, sendo 4.656 (4,7%) por agrotóxicos, ultrapassando apenas medicamentos nas notificações gerais. Do total de casos registrados, 378 tiveram o óbito como desfecho, dos quais 128 (33,86%) relacionados aos agrotóxicos(10).

Os países em desenvolvimento são os mais afetados, apesar de existirem leis específicas para a venda de agrotóxicos, os quais devem ser registrados e vendidos apenas com receituário agronômico, prescritos por profissionais habilitados, conforme exigências dos órgãos responsáveis(11). Infelizmente o quantitativo de profissionais é pequeno, a fiscalização instável e ineficaz diante da clandestinidade existente, o que facilita a obtenção desses produtos. No Brasil, a utilização de agrotóxico é regida pela lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a inspeção, fiscalização, controle, bem como dá outras providências(12). O Ministério da Agricultura, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são responsáveis por registrar esses produtos.

OBJETIVO

Descrever o perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos no município de Casimiro de Abreu, estado do Rio de Janeiro.

MÉTODO

Aspectos éticos

Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Antônio Pedro (CEP-HUAP). Uma vez aprovado, os pesquisadores se comprometeram em seguir todos os princípios e normas pré-estabelecidos pela Resolução CNS nº 466, de 12 de dezembro de 2012, que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos(13).

Desenho, local e período

Trata-se de estudo quantitativo, descritivo e transversal que analisou o perfil da população rural exposta a agrotóxicos nas localidades de Varjão e Visconde, no município de Casimiro de Abreu (RJ). O cenário da pesquisa é situado na Baixada Litorânea do Rio de Janeiro, que possui 35 mil habitantes distribuídos em 451 km2. A agropecuária representa apenas 0,4% da receita municipal, mas compõe 1% do total arrecadado com essa atividade em todo o estado(14).

No município a agricultura familiar é predominante, com atividades bem diversificadas nas propriedades. Há produção de abacaxi, abóbora vermelha, aipim, arroz, banana, batata doce, café, cana-de-açúcar, citros, eucalipto, feijão, feijão de corda, feno, hortaliças, inhame, jiló, laranja, limão, maxixe, milho, palmito, pasto, pepino, pimentão, pupunha, quiabo, tomate, vagem, além da criação de gado e galinhas, com produção também de ovos(15).

Foram aplicados 139 questionários no período de outubro e novembro de 2016. A coleta de dados foi realizada na zona rural de Casimiro de Abreu (Varjão e Visconde), no local de residência dos trabalhadores rurais ou na lavoura.

População e amostra: critérios de inclusão e exclusão

A população de estudo foi composta por 139 trabalhadores rurais, dos quais 75 residiam em Varjão e 64 em Visconde. O tamanho da amostra foi definido considerando a limitação de tempo, custo e restrições operacionais. Inicialmente foram estimados 150 participantes, com base no quantitativo de residentes na zona rural de Casimiro de Abreu com mais de dezoito anos. No entanto, onze pessoas não responderam o questionário. Foram selecionadas as localidades de Varjão e Visconde por apresentarem apenas população rural e por terem a agricultura como sua principal atividade de subsistência e/ou econômica. O critério de inclusão levou em conta trabalhadores rurais residentes nas localidades estudadas. O critério de exclusão foi a negativa em participar da pesquisa.

A seleção das variáveis foi realizada com ajuda de um profissional da Saúde do Trabalhador vinculado à Secretaria Municipal de Saúde de Casimiro de Abreu e por meio da literatura. Foram selecionadas as variáveis: idade, sexo, raça, estado civil, escolaridade, uso de agrotóxicos, uso de equipamento de proteção, episódios e frequência de dor de cabeça, presença de alergia, uso de protetor solar, irritação nos olhos, histórico de câncer na família, hipertensão, diabetes, frequência com que procura a Unidade Básica de Saúde (UBS).

Protocolo do estudo

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário com sete perguntas abertas e quinze fechadas. Os participantes foram abordados e orientados sobre os objetivos da pesquisa, com balanço de benefícios e malefícios, leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e solicitação da assinatura.

Análise dos resultados e estatística

Os dados coletados foram digitados em planilha eletrônica e processados no Programa R, que é gratuito e permite desenvolver de forma integrada cálculos estatísticos e representações gráficas. Foram calculadas a proporção e as medidas de tendência central, que compõem a estatística básica. Os resultados são apresentados em gráficos e tabelas.

RESULTADOS

Foram entrevistados 139 trabalhadores rurais, dos quais 54,7% do sexo feminino, 53,9% na faixa etária de 40 a 64 anos (meia idade), com menor proporção de adolescentes (3,6%). Em relação ao estado civil, foi observado maior percentual de trabalhadores rurais casados (40,3%) e solteiros (36,7%). Para a variável raça, 30,2% se consideram brancos, enquanto 23,7% negros e 46,1% pardos. Em relação à escolaridade, 62,6% possuem ensino fundamental incompleto e 9,3% são analfabetos (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição das variáveis socioeconômicas dos trabalhadores rurais de Varjão e Visconde, Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, Brasil, 2016 

Variáveis n %
Sexo
Feminino 76 54,7
Masculino 63 45,3
Idade (anos)
Até 20 5 3,6
20 - 39 41 29,5
40 - 64 75 53,9
>= 65 18 12,9
Estado Civil
Casado 56 40.3
Solteiro 51 36,7
Separado 10 7,2
União consensual 14 10,1
Viúvo 7 5,0
Outros 1 0,7
Raça
Branca 42 30,2
Negra 33 23,7
Parda 64 46,1
Escolaridade
Analfabeto 13 9,3
Ensino Fundamental Completo 15 10,8
Ensino Fundamental Incompleto 87 62,6
Ensino Médio Completo 14 10,1
Ensino Médio Incompleto 10 7,2

A maior parte da mão de obra da propriedade é da própria família (95%); apenas 3,6% dos participantes têm empregados; 2,2% informaram ter um empregado; e 3,6% não informaram quantos empregados possuem. Quanto à fonte de renda familiar, mais da metade (69,1%) vive da própria produção; 28,8% dos entrevistados têm outros ganhos; 44,0 % vivem de aposentadoria; 4% trabalham como empregadas domésticas, e 4% como tratoristas. O que se produz é utilizado para consumo próprio e comércio. A maioria das famílias possui dois membros (27,3%). A renda familiar dos trabalhadores rurais variou de 120 reais a três mil reais. A renda média observada foi de um salário-mínimo (Tabela 2).

Tabela 2 Distribuição das variáveis socioeconômicas relacionadas à propriedade e renda dos trabalhadores rurais de Varjão e Visconde, Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, Brasil, 2016 

Variáveis n %
Mão de obra familiar
Não 5 3,6
Sim 132 95,0
Não informou 2 1,4
Renda da produção da propriedade
Não 40 28,8
Sim 96 69,1
Não informou 3 2,1
Outras fontes de renda
Aposentadoria 11 44,0
Bolsa família 3 12,0
Serviço extra 3 12,0
Serviço público 2 8,0
Pedreiro 2 8,0
Tratorista 1 4,0
Empregada doméstica 1 4,0
Empregado 1 4,0
Encarregado fazenda 1 4,0

No que se refere à produção agrícola, fica evidente que os participantes da pesquisa trabalham com uma produção diversificada, cujo cultivo exige bastante mão de obra. Essa diversificação é fruto da realidade vivenciada em Casimiro de Abreu, pois os produtos são vendidos nas feiras livres no centro da cidade. O aipim é o item mais produzido, representando 24,4% do total, seguido pela banana, com 16,7%, e pelo limão com 11,1% (Tabela 3).

Tabela 3 Distribuição percentual da produção na propriedade dos trabalhadores rurais de Varjão e Visconde, Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, Brasil, 2016 

Produtos n %
Aipim 106 24,4
Banana 74 16,7
Limão 51 11,1
Milho 38 9,3
Hortaliças 33 7,7
Abacaxi 19 4,6
Pimentão 12 2,8
Laranja 8 1,6
Tomate 6 1,4
Outros 85 20,4

Em relação aos agrotóxicos, 75% dos entrevistados afirmaram não utilizá-los, enquanto 21% confirmaram o uso. Destes, cada trabalhador afirmou fazer uso de um ou mais tipos de agrotóxico. Observou-se que o Round-up®, herbicida composto por sal de amônio de glifosato, é o agrotóxico mais utilizado (10%) nas regiões pesquisadas (Tabela 4).

Tabela 4 Distribuição por utilização de agrotóxico dos trabalhadores rurais de Varjão e Visconde, Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, Brasil, 2016 

n %
Utiliza agrotóxico
Sim 29 21
Não 104 75
Não informou 6 4
Agrotóxico utilizado
Paraquat + round-up® 1 0,7
Glifosato 2 1,4
Round-up® 14 10
Vertimec + glifosato 1 0,7
Round-up® + glifosato 4 2,9
Round-up® + paradox 1 0,7
Lepecid 1 0,7
Paradox 6 2,9

Do total de entrevistados, 21,6 % queixam-se de dor de cabeça, 15,1% tiveram algum tipo de alergia na pele e 18,7% ficaram com os olhos irritados. Quando questionados sobre o uso de protetor solar, apenas 11,5% responderam positivamente. A maioria dos trabalhadores rurais (51,8%) não utiliza nenhum EPI no momento da aplicação dos produtos, enquanto 3,6% sempre utilizaram (Tabela 5).

Quanto ao histórico de câncer, 15,1% afirmaram ter caso da doença na família, dos quais 20,7% relataram câncer de mama, 17,2% de próstata e 7,1% de pele. Os mais acometidos foram tios, mãe, pai e o próprio entrevistado. O quantitativo de hipertensos e diabéticos entre os trabalhadores rurais foi de 31% e 6,4% respectivamente. Na análise da frequência com que procuram a UBS, 20,8% frequentam sempre e 10,1% responderam que nunca foram à UBS da localidade onde residem (Tabela 5).

Tabela 5 Distribuição das variáveis relacionadas à saúde e proteção individual dos trabalhadores rurais de Varjão e Visconde, Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, Brasil, 2016 

Variáveis - Sintomas n %
Dor de cabeça
Sim 30 21,6
Não 109 78,4
Alergia na pele
Sim 21 15,1
Não 118 84,9
Olhos irritados
Sim 26 18,7
Não 112 80,6
Proteção individual n %
Uso de protetor solar
Sim 16 11,5
Não 123 88,5
EPI
Às vezes 10 7,2
Nunca 72 51,8
Sempre 5 3,6
Não informou 52 37,4
Relacionados à saúde n %
Câncer na família
Sim 21 15,1
Não 118 85,9
Diabético
Sim 9 6,4
Não 130 93,6
Hipertenso
Sim 43 31,0
Não 96 69,0
Unidade Básica de Saúde
Às Vezes 96 69,1
Nunca 14 10,1
Sempre 29 20,8

Nota: EPI - Equipamentos de Proteção Individual.

DISCUSSÃO

A predominância da trabalhadora feminina no ambiente rural merece destaque, porque em diversos estudos há predomínio do homem. Martins e colaboradores(16) relatam o maior quantitativo do sexo masculino em quase a totalidade das 48 pessoas entrevistadas em sua pesquisa, na qual a população masculina foi de 97,9%. No entanto, Jalil(17) destaca que a atuação feminina tem sido grande no contexto da agricultura familiar. O motivo pelo qual essas mulheres não aparecem nas estatísticas é a falta de documentação; elas chegam a representar 40% dos trabalhadores rurais e, desse total, 60% não têm acesso às políticas públicas, vivendo em condições precárias. No município de Araçuaí, localizado na região do médio Jequitinhonha, Minas Gerais, as mulheres vêm fortalecendo a agricultura local e sua autonomia econômica, sua inserção no meio rural(18).

Os dados com maior quantitativo entre os trabalhadores de meia idade (de 40 a 64 anos) corroboram os apresentados na literatura. A pesquisa realizada por Vasconcelos e colaboradores(19) aponta que quarenta entrevistados (18%) têm idade entre 31 e 50 anos, e 35,71% têm entre dezoito e trinta anos. O resultado deste estudo está de acordo com os dados estatísticos do Brasil, que em 2009 apresentou o maior quantitativo de trabalhadores rurais na faixa etária de 40 a 59 anos.

A variável estado civil está relacionada com a rede de apoio social, que implica diretamente no cuidado com a saúde ligado à família. O apoio, o cuidado recebido por um familiar, é benéfico e motivador. As redes de apoio também são importantes no enfrentamento de algumas doenças e no desenvolvimento de estratégias para melhorar a qualidade de vida, fortalecer as relações e preservar os vínculos(20).

A raça é autorreferida e considerada um proxy da condição socioeconômica. Este estudo abarcou maior quantitativo de pardos. É evidente que pardos e negros apresentam uma condição diferenciada e inferior ao acesso de bens, serviços e oportunidades, se comparados aos brancos(21). Nota-se que são discriminados socioeconomicamente e sobrevivem com rendas iguais ou menores a um salário-mínimo; são analfabetos ou não concluíram o estudo; trabalham em cargos subalternos e/ou desprestigiados pela sociedade.

Os níveis de escolaridade foram baixos entre os entrevistados, a maioria com ensino fundamental incompleto. Essa situação tem implicações graves na vida dos trabalhadores, pois, por não saberem ler ou não conseguirem entender os termos utilizados nas embalagens dos agrotóxicos, não percebem a real gravidade dos produtos, acrescentando esses agravos à falta de treinamento e orientação por parte de um profissional habilitado. Vasconcelos e colaboradores(19) encontraram resultados equivalentes aos deste estudo. Os autores constataram que a maioria dos trabalhadores rurais apresenta baixa escolaridade e afirmaram que essa característica impactou diretamente o alcance das informações, como aqui descrito, além de interferir negativamente na percepção de saúde e consequentemente na necessidade dela.

O Round-up® foi o agrotóxico mais utilizado nas regiões agrícolas pesquisadas. Esse produto é medianamente tóxico e perigoso ao meio ambiente. O Round-up® é um dessecante aplicado antes da semeadura ou do plantio das mudas; ele mata ervas daninhas, evitando que algumas espécies enfraqueçam a plantação. Os herbicidas são os mais comercializados e os que obtiveram maior aumento no percentual de importações(22). Os achados deste estudo também estão de acordo com a pesquisa feita no Paraná, estado em que o herbicida foi o mais utilizado em 2009(23).

A afirmação do glifosato como cancerígeno ainda é objeto de ampla discussão. A Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (Iarc) classificou esse herbicida como "provavelmente cancerígeno para o ser humano"(24). No entanto, sete de doze estudos em ratos constataram crescimento de tumor maligno(25).Uma revisão integrativa sobre agrotóxicos e linfoma não Hodgkin verificou associação entre o glifosato e esse tipo de câncer(26).

É muito comum que pessoas que convivem com agrotóxicos, tanto no preparo como no manuseio, acabem tendo sintomas como dor de cabeça, alergia, olhos irritados, entre outros. São possíveis intoxicações provenientes de agrotóxicos, as quais muitas vezes o trabalhador não percebe que advêm dessa prática. A utilização do produto pode atingir outras pessoas, bem com os consumidores dos alimentos contaminados com resíduos, mas infelizmente os próprios trabalhadores rurais são os mais acometidos pelos problemas de saúde(27).

Neste estudo foi elevada a proporção de trabalhadores rurais que não utilizam EPI, comprometendo a segurança no exercício da sua atividade laboral. Resultado semelhante foi observado na pesquisa realizada em cinco municípios da região noroeste do Rio Grande do Sul, em que apenas 1,4% dos trabalhadores rurais utilizam EPI(28). Siqueira e colaboradores(29) observaram realidade similar no município de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, onde poucos trabalhadores utilizam EPI.

Uma parcela dos entrevistados alega algum tipo de câncer na família. Sabe-se que a utilização de agrotóxico predispõe a vários tipos de câncer. Segundo o Inca(30), a cada ano cresce o número de casos da doença no Brasil, principalmente entre trabalhadores expostos ao sol, com destaque para o câncer de pele, cujo principal fator de risco é a exposição solar em excesso. Apesar de a amostra para câncer de pele entre nossos entrevistados ser pequena, destaca-se a preocupação com o perigo laboral, a forma como esse trabalhador vivencia a doença e os métodos de tratamento e/ou proteção, uma vez que a maioria não faz uso do protetor solar.

A proporção de trabalhadores rurais hipertensos e diabéticos foi pequena, mas é possível que os sintomas da intoxicação mascarem o diagnóstico dessas patologias. Portanto, é necessário aumentar a frequência de ida dos trabalhadores à UBS e disponibilizar os métodos diagnósticos adequados, tais como aferição da pressão arterial e da glicemia capilar em jejum.

Limitações do estudo

Este estudo apresenta algumas limitações referentes à discussão dos resultados devido à ausência de publicações atualizadas sobre o tema estudado.

Contribuição para a área da enfermagem, saúde ou política pública

Conhecer o perfil epidemiológico do trabalhador rural contribuirá para uma prática de enfermagem baseada no indivíduo vulnerável aos diversos fatores de risco ocupacional inserido no ambiente do cuidado.

CONCLUSÃO

Conclui-se que o perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos no município de Casimiro de Abreu (RJ) é marcado por vulnerabilidade aos riscos ambientais e ocupacionais, com destaque para o grupo populacional de 40 a 64 anos e do sexo feminino, que configura um perfil marcado por diferenças regionais. A área rural se distancia gradativamente da área urbana por apresentar vazios em relação à saúde, educação e ocupação desse grupo em destaque e dos demais que coexistem nesse ambiente do cuidado desfavorável.

Conhecer o perfil epidemiológico dessa população possibilitou compreender as dificuldades vivenciadas por um grupo exposto aos riscos ambientais, laborais e socioeconômicos, que interferem negativamente na saúde dessas pessoas. Além disso, foi possível verificar como os pequenos trabalhadores rurais são atingidos pela falta de informação sobre agrotóxicos, cuidados com a saúde e busca pelos serviços de saúde.

Os resultados obtidos em relação à utilização dos agrotóxicos necessitam de uma análise cautelosa e de novos estudos, posto que a falta de publicação sobre a temática em periódicos atuais foi a limitação deste estudo. A saúde do trabalhador rural merece destaque nas políticas públicas, principalmente naquelas referentes ao pequeno produtor, com ênfase nas ações de promoção da saúde e prevenção de agravos.

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Recebido: 04 de Agosto de 2017; Aceito: 07 de Fevereiro de 2018

Autor Correspondente:Virginia Maria de Azevedo Oliveira Knupp E-mail: virgulaknupp@yahoo.com.br

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