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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.72  supl.1 Brasília jan./fev. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0871 

ARTIGO ORIGINAL

Enfermeiro pesquisador e enfermeiro assistencial: construção e projeção de identidades polimorfas

Ítalo Rodolfo SilvaI 
http://orcid.org/0000-0002-2882-1877

Thiago Privado da SilvaI 
http://orcid.org/0000-0002-7744-8319

Silvia Maria de Sá Basílio LinsII 
http://orcid.org/0000-0002-6717-9223

Laura Johanson da SilvaII 
http://orcid.org/0000-0002-4439-9346

Joséte Luzia LeiteI 
http://orcid.org/0000-0002-9302-0240

IUniversidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro-RJ, Brasil.

IIUniversidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro-RJ, Brasil

RESUMO

Objetivo:

Compreender os significados que enfermeiros pesquisadores e enfermeiros assistenciais atribuem um ao outro, e ao desenvolvimento da pesquisa produzida pela Enfermagem. Método: Pesquisa qualitativa. A Teoria Fundamentada nos Dados e o Teoria da Complexidade foram utilizados como referenciais teóricos e metodológicos, respectivamente. Participaram da pesquisa dez enfermeiros assistenciais e seis enfermeiros pesquisadores. A entrevista semiestruturada foi utilizada como técnica de coleta de dados. Os resultados foram categorizados por análise comparativa e validados por dez juízes.

Resultados:

A valorização da pesquisa por enfermeiros assistenciais, bem como interações entre o desenvolvimento da pesquisa e assistência de enfermagem pode estar relacionado à forma como enfermeiros assistenciais e enfermeiros pesquisadores se percebem. Essas percepções se apresentam de forma multifacetada.

Conclusão:

Os significados que enfermeiros pesquisados e enfermeiros assistenciais atribuem um ao outro revelam mecanismos de aproximação e distanciamento entre esses atores, bem como entre a pesquisa e a assistência de enfermagem.

Descritores: Gestão do Conhecimento; Enfermagem; Pesquisa; Pesquisa em Enfermagem; Apoio à Pesquisa como Assunto

INTRODUÇÃO

A pesquisa científica, tal qual a ciência, se conforma em fenômeno multifacetado para a dimensão dos significados acerca de sua essência e valor(1), de modo a interferir na imagem projetada de seus objetos quando são lançadas questões, do tipo: para quem são produzidas as pesquisas? De que forma essas pesquisas são consumidas? Quem é o pesquisador? De onde ele fala?

No âmbito da Enfermagem, essas questões convergem para a importância de se conhecer os significados que os enfermeiros assistenciais atribuem aos enfermeiros pesquisadores e às pesquisas por eles produzidas, bem como os significados que estes últimos atribuem aos enfermeiros assistenciais, no contexto de consumo e desenvolvimento de pesquisas. Depreende-se desse fenômeno, a qualidade nas interações que influenciam a ciência da Enfermagem(2-3).

Para a problemática supracitada importa, portanto, a compreensão de identidade polimorfa, termo sustentado pelo pensamento complexo, em que o outro/sujeito significa ao mesmo tempo semelhante e dessemelhante. Configura-se como ser fechado ou aberto na iminência da unidade múltipla do sujeito, onde sua compreensão se condiciona ao campo da intersubjetividade(4). Em outras palavras, importa considerar, para o progresso da ciência da Enfermagem, os significados que revelam a percepção dos enfermeiros pesquisadores e assistenciais como pares pertencentes ao mesmo sistema, ou mesmo os fatores que sustentam a percepção de ambos como sujeitos isolados. Dessas percepções, podem resultar mecanismos que aproximam ou distanciam resultados de pesquisa do contexto assistencial da Enfermagem.

O caráter polimorfo repousa, nesse sentido, na capacidade de assumir diferentes facetas para a construção de um significado ou projeção da percepção. Para o fenômeno em pauta, a identidade polimorfa apresenta base nas dimensões psicológicas e socioculturais do conhecimento, que, em conjunto, conformam o sentido orgânico da alteridade(5-7) consubstanciando, pois, a importância de se considerar as experiências, crenças, significados e contextos com os quais os enfermeiros concebem a prática e o consumo de pesquisa, além do papel que projetam do pesquisador em enfermagem para que seja possível elaborar estratégias favoráveis às conexões entre pesquisa e dimensão assistencial(8-9).

Nesse sentido, dentre os fatores que podem influenciar o consumo de pesquisa em Enfermagem, estão os sistemas de significados que os enfermeiros atribuem à prática científica, bem como a inerência dos produtos de pesquisa ao seu processo de trabalho(8). Todavia, esses significados podem ter, como sustentação, a qualidade das interações estabelecidas entre o enfermeiro assistencial e o enfermeiro pesquisador e, paralelamente, a visibilidade e a importância que atribuem um ao outro no processo de produzir e consumir pesquisa.

Assim, ao sinalizarem aspectos divergentes para o quê e para quem as pesquisas em enfermagem são produzidas, além de atribuírem significados ao envolvimento do enfermeiro pesquisador com a dimensão assistencial da Enfermagem e, ao mesmo tempo, reconhecerem o potencial desses pesquisadores para a transformação da realidade que vivenciam no processo de trabalho, os enfermeiros assistenciais podem conceber singularidade e subjetividade na forma como se percebem e projetam o outro(10), direcionando, desse modo, para a dimensão da alteridade nas relações sociais de trabalho.

A despeito disso, sublinha-se que, desde as primeiras formulações freudianas até os postulados de Lacan, a alteridade vem sinalizando tematizações que direcionam para a ideia de que o sujeito se constrói a partir do outro; deixa de ser determinante e passa ao status de determinado(5,7,11). De semelhante modo, os significados são elaborados pelo sujeito na relação de interdependência com o outro e com o coletivo(10), o que direciona a necessidade de conhecimento acerca dos significados que elementos de um mesmo sistema atribuem um ao outro. Com base no exposto, questiona-se: quais significados enfermeiros pesquisadores e enfermeiros assistenciais atribuem um ao outro, bem como ao processo de desenvolvimento da pesquisa?

OBJETIVO

Compreender os significados que enfermeiros pesquisadores e enfermeiros assistenciais atribuem um ao outro e ao desenvolvimento da pesquisa produzida pela Enfermagem.

MÉTODO

Aspectos éticos

A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem Anna Nery-EEAN/UFRJ, no ano de 2014. Comitê este vinculado a uma Escola de Enfermagem de uma universidade pública federal, situada no Rio de Janeiro – Brasil. A Resolução nº. 466/12 do Conselho Nacional de Saúde(12) foi atendida. A participação ocorreu de forma voluntária, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O anonimato dos participantes foi mantido anonimato, os mesmos foram designados alfanumericamente, de acordo com o grupo amostral de origem e a sequência da entrevista. Assim, o 1º grupo (EAnº: Enfermeiro Assistencial), o 2º grupo (EPnº: Enfermeiro Pesquisador)(13-14).

Referencial teórico-metodológico

Os referenciais teórico e metodológico da pesquisa foram, respectivamente, a Teoria da Complexidade(4) e a Grounded Theory, que no Brasil é traduzida para Teoria Fundamentada nos Dados (TFD)(15).

A Teoria da Complexidade busca a compreensão do fenômeno a partir da interação entre os elementos que o constitui(4). Desse modo, favorece a valorização do pensamento capaz de ampliar a compreensão sobre um determinado fenômeno para além da soma de suas partes, ou da relação linear entre causa e efeito. Logo, faz-se pertinente ao delineamento da pesquisa em tela.

No que concerne o referencial metodológico, a TFD é um método desenvolvido a partir de um conjunto de procedimentos analíticos que, conduzidos de forma sistemática, permitem desenvolver uma matriz teórica que explica o fenômeno investigado(15). Nesse sentido, favorece a compreensão sobre os fatores que estruturam, condicionam e/ou influenciam um fenômeno.

Tipo de estudo

Pesquisa explicativa, de abordagem qualitativa.

Procedimentos metodológicos

Os dados que sustentam esse artigo foram coletados com dois grupos amostrais, a saber: enfermeiros assistenciais e enfermeiros pesquisadores; e validados por 13 juízes, sendo 10 enfermeiros pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e três enfermeiros assistenciais.

Sobre os cenários da pesquisa, faz-se pertinente considerar que, como ciência em construção e prática social, a Enfermagem possui distintos espaços de atuação, onde, para cada um deles, poderão existir peculiaridades para o desenvolvimento de pesquisas, e para a convergência entre resultados científicos e a dimensão assistencial(13). Contudo, a partir do exposto e do entendimento de que, no conjunto dos grupos humanos, buscou-se um campo de conhecimento e intervenção que necessita ser fortalecido no contexto da formação e desenvolvimento de pesquisas. Este contexto de conhecimento e intervenção é a adolescência. Corrobora tal assertiva a escassez de grupos de pesquisa de enfermagem, no Brasil, para essa área de conhecimento, em comparação com as demais fases do ciclo vital(16).

Desse modo, foram cenários da pesquisa: para o grupo composto por enfermeiros assistenciais, um núcleo de estudos e de Atenção à Saúde do adolescente de um hospital universitário, da capital do Rio de Janeiro. As atividades desenvolvidas nesse núcleo abrangem a assistência à saúde nos níveis de atenção primária, secundária e terciária, preconizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para os enfermeiros pesquisadores, delimitou-se, como cenário, grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, vinculados a universidades do Rio de Janeiro(13).

Foram critérios de inclusão para o grupo de enfermeiros assistenciais: tempo de experiência profissional no cenário atual da pesquisa (Núcleo de Estudos e de Atenção à Saúde do Adolescente de um hospital universitário), igual ou superior a um ano; critérios de exclusão: enfermeiro que estivesse cursando pós-graduação na modalidade stricto sensu (13,17).

Para o grupo de enfermeiros pesquisadores, foram critérios de inclusão: possuir título de doutor; estar vinculado a um grupo de pesquisa cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq(18), com linha de pesquisa que se aproximasse do contexto de atuação dos enfermeiros que compuseram o primeiro grupo amostral. Foram excluídos aqueles cuja experiência no gerenciamento de pesquisa fosse inferior a dois anos. Assim, 16 participantes de pesquisa foram selecionados, sendo 10 enfermeiros assistenciais e seis enfermeiros pesquisadores.

A seleção dos participantes foi orientada pela amostragem teórica, não probabilística, da TFD, que consiste em maximizar oportunidades comparativas de fatos ou incidentes para determinar como uma categoria varia em termos de suas propriedades e dimensões(15).A coleta de dados foi finalizada ao atingir a saturação teórica, a saber: quando as categorias apresentaram densidade explicativa capaz de responder ao problema de pesquisa(13-14).

O recrutamento dos enfermeiros assistenciais foi por conveniência, mediante técnica de bola de neve. Contudo, cabe destacar que o emprego dessa técnica se limitou ao processo de captação dos participantes que se enquadravam nos critérios de inclusão e exclusão.

Para captar os enfermeiros pesquisadores, realizou-se uma busca parametrizada na Plataforma Lattes, no campo do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, utilizando-se as estratégias de refinamento descritas no quadro a seguir(13):

Após selecionar os grupos de pesquisa, cada pesquisador foi convidado a participar do estudo, mediante correspondência eletrônica, pelo e-mail cadastrado no Currículo Lattes(13).

A entrevista semiestruturada foi empregada como técnica para coleta de dados, realizadas no período de outubro de 2014 a março de 2015(13), individualmente, e gravadas em meio digital. As entrevistas duraram, em média, 40 minutos. Para os participantes do grupo de enfermeiros assistenciais, foram realizadas as seguintes perguntas: Qual a sua percepção acerca do enfermeiro pesquisador? Qual a relação desse profissional com a sua realidade?; E, para o grupo de enfermeiros pesquisadores: quais significados você atribui ao enfermeiro assistencial para o desenvolvimento das pesquisas que você realiza? Fale-me como você compreende esse profissional no contexto da pesquisa em enfermagem? Para aprofundar o campo de significados, a partir das respostas dos participantes, foram realizadas perguntas circulares visando aprofundar questões pertinentes ao objeto da pesquisa. Os locais das entrevistas foram os cenários descritos anteriormente, em ambientes reservados. Para o grupo de enfermeiros pesquisadores, o local de coleta foi a própria instituição de ensino cujo grupo de pesquisa estava vinculado(13).

Os dados sofreram o processo de codificação que, na TFD, consiste em análise comparativa em três níveis: aberta, axial e seletiva(12). Na codificação aberta, os conceitos foram identificados por comparações entre propriedades e dimensões dos dados. Nessa etapa, surgiram os códigos preliminares a partir dos títulos atribuídos para cada incidente, ideia ou evento. Os códigos preliminares foram agrupados em códigos conceituais(13,15).

Na codificação axial, ocorreu o agrupamento dos códigos conceituais para formar as categorias e subcategorias(12). Nessa etapa, iniciou-se o processo de reagrupamento dos dados que foram separados na codificação aberta, visando uma explicação densa do fenômeno(13).

A codificação seletiva consistiu na comparação e análise das categorias e subcategorias, processo este realizado de forma contínua que objetiva desenvolver as categorias, integrar e refinar a matriz teórica fazendo emergir o fenômeno central(15).

As categorias foram ordenadas segundo o modelo paradigmático(15), esquema este que possibilita coerência explicativa entre as dimensões que sustentam a matriz teórica. Sua estrutura se dá a partir dos componentes: fenômeno, condições causais, condições intervenientes, contexto, estratégias de ação/interação e consequências(13).

Os resultados da pesquisa sofreram processo de validação por 10 juízes, a saber: enfermeiros pesquisadores vinculados a grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, de diferentes regiões do país, com expertise na área da Saúde do Adolescente e renomada experiência no gerenciamento de pesquisa. Para tanto, utilizou-se a mesma estratégia descrita no quadro 01, ampliando-se o refinamento para todas as regiões do Brasil(13).

Quadro 1 Consulta parametrizada para a captação de grupos de pesquisa, Rio de Janeiro, Brasil, 2017 

Captação de grupos:
• Termo de busca: "Adolescente", "Adolescentes", "Adolescência";
• Opção de busca: "Qualquer palavra".
Demais filtros de busca:
• Opção de busca: "Nome do grupo";
• Situação do grupo: "Certificado";
• Região: "Sudeste"; UF: "Rio de Janeiro";
• Área de conhecimento: Grande área - "Ciências da Saúde";
Área - "Enfermagem".

Fonte - Base corrente do Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento. Científico e Tecnológico - CNPq, Brasil (2015).

Buscou-se selecionar pesquisadores de grupos de pesquisa de cada macrorregião brasileira, isto é: Sul, Sudeste, Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Esta última não foi contemplada por não ter havido retorno do grupo selecionado. A distribuição de juízes por região resultou em: três do Norte, três do Nordeste; um do Sudeste, três do Sul do Brasil(13).

Para selecionar os grupos de onde emergiram os juízes, estabeleceu-se como critério a análise dos recursos humanos dos grupos, a partir dos dados contidos nas informações do grupo, contidas no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, bem como a produção científica dos juízes selecionados, sobretudo a inserção em projetos de pesquisa na qualidade de coordenadores(13).

O material para validação foi constituído de uma apostila compactada em dois componentes: o resumo dos resultados da pesquisa e o instrumento de validação. Nesse último, utilizou-se como parâmetros de análise, os critérios: Ajuste (capacidade de um modelo conceitual se ajustar à realidade investigada); Compreensão (facilidade para a compreensão dos significados que os conceitos sinalizam) e Generalização Teórica (capacidade de tornar um modelo conceitual aplicável em contextos similares de onde emerge o fenômeno investigado)(13,19). Cada juiz poderia descrever sua avaliação, tomando como possibilidades: corresponde totalmente, corresponde parcialmente, não corresponde. Para qualquer opção, era necessário justificar a resposta(13).

Para a primeira fase da validação (enfermeiros pesquisadores), disponibilizou-se, como eixo de conexão entre juízes e coordenador da pesquisa, um espaço (sala) no 18º Seminário Nacional de Pesquisa em Enfermagem (SENPE), que ocorreu em Fortaleza - CE/Brasil, em junho de 2015, cujo tema central foi "Pesquisa em enfermagem: aplicabilidade, implicações e visibilidade". Os juízes que não puderam comparecer, encaminharam o material analisado, via correspondência, para o pesquisador(13).

A segunda fase do processo de validação ocorreu no mesmo cenário dos participantes do segundo grupo amostral da pesquisa (Núcleo de Estudos e Atenção à Saúde do Adolescente), com três enfermeiros assistenciais, que não haviam sido entrevistados na fase da coleta de dados.

RESULTADOS

Os resultados derivam da matriz teórica sustentada na tese de doutorado "Gestão do Conhecimento Científico: conexões entre a pesquisa e o gerenciamento do cuidado de enfermagem no contexto da adolescência", em que o fenômeno central delineou-se em "Conexões para uma ciência viva da enfermagem".

Esse fenômeno considera a ciência da Enfermagem em uma perspectiva de sistema, permeado por significados e ações que impulsionam e ordenam o desenvolvimento de pesquisa e suas conexões com as demandas sociais. Contudo, em virtude da densidade teórica, esse artigo contempla a categoria que, no emprego do modelo paradigmático(13), se configura como condição interveniente ao desenvolvimento da pesquisa e conexões entre a ciência e práxis da Enfermagem.

Por conseguinte, apresenta-se a categoria "Enfermeiro assistencial e enfermeiro pesquisador: construção e projeção de identidades polimorfas", fundamentada nas subcategorias: Pesquisa científica na percepção de enfermeiros assistenciais e enfermeiros pesquisadores: significados multifacetados; e Implicações da percepção sobre a prática assistencial e a pesquisa na Enfermagem: entre ordens e desordens. Assim, apresenta-se a primeira subcategoria.

Pesquisa científica na percepção de enfermeiros assistenciais e enfermeiros pesquisadores: significados multifacetados

Os significados que enfermeiros assistenciais atribuem aos enfermeiros pesquisadores, no contexto investigado, se revelam de forma negativa, ao ponto de os perceberem como elementos distintos de um mesmo sistema. Dentre as possíveis consequências dessa realidade, pode estar a desvalorização da pesquisa e do enfermeiro pesquisador.

A gente dá uma carga muito ruim ao pesquisador [...]. Ah, ele não é mais enfermeiro. Ele, agora, é doutor! Mas espera um pouco, ele é doutor em enfermagem. Ah, não! Mas ele já não faz mais nada dentro da enfermagem. (EA1)

Eu não vejo esse profissional. [O pesquisador da Enfermagem] [...] acho que os enfermeiros não levam muito a sério o que os outros enfermeiros fazem, você vê que o médico "fulano de tal" a galera já abre o olho, mas para o enfermeiro não, mas também depende muito do enfermeiro. (EA2)

Por outro ângulo, os enfermeiros pesquisadores reconhecem limitações e condições para que o enfermeiro da assistência possa consumir a pesquisa. Além disso, destaca-se o indicativo de que, na perspectiva desses pesquisadores, o próprio enfermeiro assistencial desconhece que sua prática está fundamentada na ciência.

[...] alguns enfermeiros possuem resistência maior à pesquisa , às possíveis mudanças. (EP1)

[...] ele vai ler esse artigo somente quando tiver obrigação em lê-lo [...]. Eu penso, em relação aos enfermeiros, que eles não possuem esse hábito. (EP3)

[...] às vezes o enfermeiro acha que não está fazendo uma prática clínica cientificamente fundamentada, mas ele está. Quando ele é questionado o porquê de estar fazendo isso dessa forma, ele pode pensar que não é ciência, mas é ciência. (EP4)

A divergência entre o que é ou para que serve a pesquisa científica em enfermagem parece refletir na percepção equivocada sobre a finalidade e importância do mestrado e doutorado. Por conseguinte, mesmo não contemplando uma projeção generalizada, essa realidade foi considerada nos resultados da pesquisa, ao retratarem os objetivos limitantes dos enfermeiros assistenciais em cursar a pós-graduação, na modalidade stricto sensu.

Eu vejo bastante essa realidade [...] estão perto de se aposentar e querem fazer o mestrado para poder ganhar um pouco mais. Então , eu vejo que esse interesse não está em melhorar a própria prática, mas se limita ao financeiro. (EP1)

Eu vejo que nem todos conseguem entender que o mestrado e o doutorado vão muito além de um título. Eu posso dizer: eu sou doutora, e daí? O que a pessoa faz com o título? O título por si só não significa essa construção [...] tenho conhecidos que querem fazer o mestrado ou o doutorado porque querem se aposentar. (EP3)

[...] percebo que a motivação para a pesquisa e doutorado é muito focada na questão financeira, tem a questão do status também, mas é principalmente pelo financeiro. Não penso que isto seja uma realidade ruim, acho até importante esse incentivo, mas o desejo de mudar a prática tem que ser prioridade. (EP6)

Na lógica dos sentidos, em suas possibilidades de apreensão da realidade objetiva, permeiam fatores condicionantes, facilitadores ou determinantes para organizar o pensamento sobre o que se deseja compreender. No entanto, nem sempre essa organização é processada no campo das ideias, refletindo, desse modo, nas Implicações da percepção sobre a prática assistencial e a pesquisa na Enfermagem: entre ordens e desordens, segunda subcategoria.

Implicações da percepção sobre a prática assistencial e a pesquisa na Enfermagem: entre ordens e desordens

Os enfermeiros assistenciais alicerçam a compreensão para a pesquisa/desenvolvimento científico a partir do mecanismo de comparação e diferenciação entre a Enfermagem e outras categorias profissionais, conforme demonstrado nos trechos a seguir:

Costumo comparar [...] eu acho que você consegue visualizar quando compara. É diferente, por exemplo, na medicina porque quando eles produzem pesquisa é para mudar alguma coisa, algum procedimento que está sendo feito, mudar uma forma de se pensar, criar novos conceitos. De fato, muda ! (EA3)

[...] acho que não há muito interesse (pela pesquisa), fica mais com a questão da medicina, pelo menos eu não vejo, só se tem em algum lugar e eu não enxergo. (EA2)

Você percebe o desenvolvimento científico nas outras profissões, os avanços científicos, eles se refletem na ação prática, mas a enfermagem, de certa forma, eu a vejo engessada. (EA5)

Apesar disso, os enfermeiros assistenciais compreendem a importância da pesquisa para o seu processo de trabalho:

A pesquisa é fundamental para a prática do enfermeiro, porque tem que conhecer, estar atualizado. (EA4)

Eu vejo como sendo algo muito importante para nós, muito mesmo, mas ainda é distante. (EA6)

Por outra vertente, além dos desafios para o progresso da ciência da Enfermagem, os enfermeiros pesquisadores reconhecem o processo histórico de evolução científica de sua profissão e se apoiam nesse conhecimento para compreender os desafios da Enfermagem diante da dinâmica da ciência e de seus desdobramentos nos campos da Cultura de Poder, Formação de Recursos Humanos e Gestão de Conhecimento.

Essa dialética do pensar e do fazer veio com a pós - graduação, mas, ainda, temos muito o que avançar. (EP2)

Tem que ver a história e ver que há um contexto. Graças à Deus isso vem mudando. Antes, o médico sabia que o enfermeiro era auxiliar dele e hoje isso está muito claro que não é assim, que ele é membro de uma equipe multiprofissional. Eu falei do contexto, comparei com a medicina para dizer que a enfermagem vem de uma cultura de baixa estima [...]. Para mudar isso é através do conhecimento, através dos estudos. (EP3)

Já vivemos em um tempo onde o mais importante era produzir o conhecimento [...] aprendemos que o rigor do método é essencial, mas precisávamos avançar, aí descobrimos que não bastava produzir a dissertação ou a tese, mas publicar [...] depois nós descobrimos que não bastava só publicar, tínhamos que disseminar. Os encontros científicos tornaram-se espaços privilegiados de disseminação de conhecimento, aí nós paramos para pensar: isso não é suficiente! [...]. Desse modo, levamos as pesquisas também para os formuladores de políticas públicas. (EP4)

O progresso da Enfermagem, enquanto ciência em construção, traz consigo desafios emergentes que podem refletir na estagnação científica, em que pese os obstáculos epistemológicos inerentes ao sistema de produção e disseminação científica. Nesse percurso, traz elementos relacionados ao produtivismo acadêmico como ponto de estagnação para as conexões entre pesquisa/assistência – ciência/práxis, conforme demonstram os trechos a seguir:

Às vezes eu falo para os alunos da residência que parece uma fábrica de produções científicas e, na verdade, a pessoa só produz artigo [...] mas eu pergunto: modificou o quê? (EA8)

A meta seria nós produzirmos para os enfermeiros, para melhorarem a assistência aos usuários, essa seria a meta, mas há uma diretriz forte dos órgãos de fomento que estamos produzindo para atender à classificação de um curso, ou uma classificação de revista. Só por isso?! [...] É isso que temos que pensar agora. Estamos em um período em que estamos parando para pensar. (EP2)

Para quem produzimos?! Para nós mesmos. Infelizmente é para nós mesmos [esfera acadêmica]. (EP5)

Os interesses são diferentes, o sistema me induz a publicar, então, eu já consumo um artigo pensando numa publicação, na próxima publicação e na outra publicação. Então, a gente está vivendo um "bum" de publicações na enfermagem [...] a distância está aí: eu tenho que produzir, produzir, produzir, mas com que finalidade? De que forma essa produção traz impacto para a prática? (EP6)

O produtivismo acadêmico, portanto, é concebido como fenômeno que distancia a pesquisa da Enfermagem da realidade assistencial. Depreende-se dessa realidade a compreensão de que a lacuna entre resultados de pesquisa e a assistência do enfermeiro não se limitam ao desinteresse desse profissional para consumir ciência atualizada, ou com a mesma finalidade, à dinâmica organizacional de trabalho em que está inserido.

DISCUSSÃO

Ao considerar a intersubjetividade envolvida na projeção dos significados e percepções, há que se pontuar, como elemento imbuído nesse processo, a relação de comparação com a qual os enfermeiros assistenciais estabelecem com outras profissões, em especial com a Medicina, para descrever a forma como concebem o anteparo científico do processo de trabalho da Enfermagem em relação aos demais profissionais.

Todavia, cabe pontuar que a valorização do conhecimento científico para a atuação profissional sofre influências da cultura organizacional, dos aspectos históricos e políticos; além disso, da capacidade de convergência de produtos e de processos tecnológicos nas práticas de trabalho(20-22). Nessa conjuntura, é possível considerar que o consumo de pesquisa apresenta relação que perpassa a dimensão subjetiva, ao passo que, também, encontra ressonância na capacidade objetiva de implementação desses conhecimentos nas práticas laborais.

Assim sendo, contextualizar esse fenômeno implica compreender a sociologia das profissões e entender que a enfermagem, enquanto ciência em construção, é recente(23). Todavia emerge, em sua conformação moderna, a partir da produção de conhecimentos específicos e totais para a fundamentação de sua prática(24). O que torna esse desafio emergente não é, portanto, o seu ponto de partida, que surge com Florence Nightingale, mas a expansão de suas demandas frente à globalização assentada na ciência, inovação e tecnologia que permeiam os sistemas de saúde e de cuidados. Acerca disso, os enfermeiros pesquisadores – participantes desta pesquisa -, destacam a evolução histórica/científica da Enfermagem com prospectivas favoráveis ao desenvolvimento profissional e consolidação no campo das Ciências, fato sustentado pela literatura(25-26).

Nesse sentido, desde a segunda metade do século XX, numa projeção global, a Enfermagem moderna tem apresentado um panorama expressivo na evolução de seu capital humano, pautada na sociedade do conhecimento e, consequentemente, na produção e disseminação de pesquisas científicas. No Brasil, essa crescente se deu a partir do final do século XX, e foi intensificada na primeira década do século XXI, a partir da expansão dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu (25-26). No entanto, se por uma vertente houve evolução na produção intelectual, por outra há uma necessidade intensificada de conexões entre essas produções e mudanças nas práticas de trabalho da Enfermagem(27), conforme sinalizaram os dados.

Dentre os desafios para essas conexões, está a ruptura da visão fragilizada sobre a importância da pesquisa científica para a dimensão assistencial da Enfermagem, a partir do retorno dos resultados científicos para os cenários de onde emergiu a necessidade de investigação, bem como para os cenários assemelhados; todavia, faz-se necessário investir em possibilidades de disseminação que perpassem a modalidade isolada de produção de artigos científicos(28), além de estratégias que permitam a convergência do conhecimento explícito (formalizado, impresso e registrado via produção científica) em conhecimento tácito (inerente ao indivíduo, internalizado e processado a partir de sua visão de mundo)(29).

Esse movimento poderá favorecer a projeção que o enfermeiro assistencial atribui à pesquisa e ao pesquisador e, desse modo, poderá implicar na implementação de resultados de pesquisa em seu processo de trabalho(2). Com efeito, o pesquisador poderá desenvolver possibilidades para melhor projetar suas pesquisas com vistas à inerência de seus objetos e resultados na dimensão assistencial. É possível que o resultado desse processo influencie na reorientação das identidades e realidades polimorfas, de modo a impactar a evolução científica e tecnológica da Enfermagem e, por conseguinte, a qualidade da assistência aos indivíduos/grupos/coletividades.

Por outro lado, os dados apontam questões preocupantes para o desenvolvimento científico e de capital humano, ao sinalizarem dois mecanismos contraproducentes ao progresso da ciência da Enfermagem e à sua relação com as demandas sociais, a saber: produtivismo acadêmico(30-31) como ponto de estagnação para as conexões entre pesquisa e assistência, e o movimento de inserção na pós-graduação stricto sensu desconexo das reais demandas da profissão e da sociedade, motivado, principalmente, pelo incentivo financeiro subsidiado no plano de cargos e carreiras.

Acerca da produtividade acadêmica, vale ressaltar que esta diverge do que se compreende por produtivismo. A primeira, em sentido estrito, corresponde ao conjunto de regras oficialmente instituídas e compartilhadas que dão valor à divulgação da ciência em âmbito global a partir da publicação, com destaque para os artigos, como critérios avaliativos ao sistema de hierarquia aos Programas de Pós -Graduação Stricto Sensu e individualmente ao pesquisador, como importante parâmetro para a distribuição de recursos e de reconhecimento profissional; o segundo envolve, deliberativamente, más condutas éticas e legais que direcionam ações/estratégias para elevar a produtividade, dentre as quais: plágio, autoplágio, falsificação de resultados, coautoria de fachada, dentre outros(32).

Sabe-se, contudo, que a produtividade acadêmica na Enfermagem brasileira tem sido progressiva nos últimos anos, pois tomando os aspectos vigentes de avaliação para a disseminação e consumo de pesquisas, expressivamente de caráter quantitativos(33), a Enfermagem, no triênio de 2007-2009 obteve 5.194 artigos, em 595 periódicos, apresentando, portanto, progresso de cerca de 30% em relação ao quantitativo de produções no triênio anterior. No triênio 2010-2012 a quantidade de produção científica da Enfermagem foi ainda mais significativa, em que foram registrados 9.206 artigos, 77,2% de acréscimo ao triênio anterior(34).

Diante desse fenômeno, cabe a seguinte reflexão: A ciência, em seu sistema de produção acadêmica, está a serviço de quem? Da sociedade ou da autoprodução entre seus pares?(33). Nesse ínterim, reforça-se o questionamento sobre as formas como a ciência tem, de fato, contribuído para a dimensão do processo de trabalho da Enfermagem.

Destarte, os parâmetros para avaliar a disseminação dos resultados de pesquisa não alcançam possibilidades avaliativas de como tais produtos e processos reverberam na prática(30-36), sinalizando a necessidade de estratégias que possibilitem diagnosticar essa relação e, sobretudo, traçar mecanismos de intervenção para conectar as dimensões assistencial e acadêmica, de modo a refletir em impactos positivos para a Enfermagem.

O sistema atual de difusão científica adota relação linear em que o artigo científico publicado passar a se qualificar para potencial citação; por conseguinte, quando esse artigo é citado, entende-se que a pesquisa foi difundida(36-37). No entanto, esse mecanismo se mostra distante da realidade objetiva, haja vista o hiato existente entre as informações acessadas, processamento/construção/incorporação de conhecimentos e a implementação destes no processo de trabalho.

Os dados desta pesquisa, ao revelarem o produtivismo acadêmico como fenômeno contraproducente ao progresso da Enfermagem enquanto ciência em construção, vão ao encontro de sinalizações preocupantes, pontuadas na literatura, que perpassam a área de conhecimento de interesse da Enfermagem, pois o sistema de conhecimento científico vem perdendo o seu valor de uso para o valor de troca, desencadeando, desse modo, características mercadológicas ao campo de produção científica(30,32-33).

Esse sistema ganha proporções alarmantes diante do produtivismo, mas, também, encontra enraizamentos naturalizados no panorama da produtividade requerida e fomentada pelas políticas que regem os Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu e, consequentemente, a formação de capital intelectual e trajetória acadêmica de pesquisadores. Parte desse processo emerge a partir dos métodos e estratégias de avaliação de impacto da produção científica, que constituem a cienciometria(30-33,37).

Ainda sobre a relação produtividade/produtivismo científico, vale pontuar que a existência desses fenômenos não deve servir de anteparo que justifique a ausência ou comprometimento com a produção e disseminação de conhecimentos científicos, em nível desejável e recomendado para uma ciência em construção. Dito isso, sublinha-se a importância do processo científico no ensino de graduação, sobretudo pelos professores doutores inseridos nessa conjuntura, de modo a romper a lógica de que apenas os professores doutores credenciados em Programas de Pós-Graduação devam produzir ciência, haja vista que o conhecimento é legitimado quando produz novos conhecimentos, onde a aprendizagem é um exercício permanente de autoria(38).

Limitações do estudo

Faz-se pertinente destacar um fator limitante do estudo, que se processa a partir do cenário da pesquisa, porque as esferas do serviço de saúde e da instituição de ensino superior privados podem conferir realidades diferentes acerca dos significados que os enfermeiros atribuem ao desenvolvimento da pesquisa. Além do mais, apesar de o campo da Atenção à Saúde do Sdolescente ter sido delimitado como contexto da pesquisa, os dados sinalizaram caráter transversal deste cenário, de modo a não constituir especificidade. O que sugere que essa pesquisa seja replicada em outros cenários.

Contribuições para a área da Enfermagem

Os resultados da pesquisa contribuem para a compreensão do sistema de desenvolvimento da ciência da Enfermagem, à medida que possibilita pensar acerca das interações entre enfermeiros pesquisadores e enfermeiros assistenciais. Nesse vislumbre, poderá fortalecer a práxis científica do enfermeiro e, por conseguinte, qualificar a assistência de enfermagem diante dos desafios atuais da ciência em seus desdobramentos tecnológicos e de inovação, a partir da produção e consumo de conhecimento atualizado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados demonstraram que os significados atribuídos à pesquisa são também influenciados pela dinâmica do sistema de produção e produtivismo acadêmico. Consequentemente, a (des)valorização, o (des)interesse e a (des)motivação para incorporar pesquisa na prática assistencial são influenciados pelos significados em que o enfermeiro assistencial e o enfermeiro pesquisador atribuem um ao outro, bem como à ciência da Enfermagem.

Essas questões concorrem para o distanciamento entre a pesquisa científica e a dimensão assistencial da Enfermagem e, na mesma lógica, entre o enfermeiro assistencial e o enfermeiro pesquisador. Resultam, desse processo, realidades aparentemente distanciadas de um mesmo sistema que, numa relação recursiva da complexidade, potencializa cada vez mais essa lacuna quando as relações entre os atores que compõem esse sistema se dão de forma inconsistente.

Depreende-se, dessa realidade, que as interações entre enfermeiros pesquisadores e enfermeiros assistenciais, no campo das Percepções, são constituídas em caráter intersubjetivo, cujo distanciamento poderá implicar na construção e manutenção de indentidade polimorfa. Esse fenômeno parece sofrer expressivas influências a partir dos movimentos convergentes e divergentes em que o enfermeiro pesquisador realiza no contexto de trabalho do enfermeiro assistencial e vice-versa.

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Recebido: 23 de Janeiro de 2018; Aceito: 15 de Maio de 2018

Autor Correspondente: Ítalo Rodolfo Silva E-mail: italoufrj@gmail.com

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