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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.72  supl.1 Brasília jan./fev. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0523 

REVISÃO

Empreendedorismo na Enfermagem: revisão integrativa da literatura

Fernanda Hannah da Silva CopelliI 
http://orcid.org/0000-0002-5914-2922

Alacoque Lorenzini ErdmannI 
http://orcid.org/0000-0003-4845-8515

José Luís Guedes dos SantosI 
http://orcid.org/0000-0003-3186-8286

IUniversidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis-SC, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

Evidenciar na literatura nacional e internacional o conceito e as tipologias de empreendedorismo na Enfermagem.

Método:

Revisão integrativa em seis bases de dados, com os descritores entrepreneurship, entrepreneurs, entrepreneurial, entrepreneurialism, intrapreneurial, iniciativa empresarial, contrato de risco, nursing, nurse, nurses, enfermagem e enfermeira, perfazendo uma amostra final de 31 artigos.

Resultados:

O conceito de empreendedorismo na Enfermagem está relacionando a características pessoais e profissionais, como autonomia, independência, flexibilidade, inovação, pró-atividade, autoconfiança e responsabilidade. As tipologias encontradas foram: empreendedorismo social, empresarial e intraempreendedorismo. O empreendedorismo social é um mecanismo de mobilização e transformação social, empreendedorismo empresarial é aquele no qual enfermeiros são autônomos profissionalmente e o intraempreendedorismo relaciona-se a empreendedores empregados coorporativos.

Conclusão:

O empreendedorismo pode ampliar a visibilidade da profissão e fomentar a criação de novos espaços de atuação para o enfermeiro.

Descritores: Contrato de Risco; Enfermagem; Pesquisa em Administração de Enfermagem; Administração; Enfermeiras Administradoras

INTRODUÇÃO

O termo "empreendedorismo" surgiu por volta do século XV através das palavras francesas entrepreneur (empreendedor) ou entreprende (empreender), que significam organizar, administrar e assumir riscos em um negócio ou empreendimento(1). O empreendedorismo pode ser definido como uma ação para a obtenção de sucesso por meio da coordenação e realização de projetos, serviços e negócios(2). Entretanto, não há consenso quanto ao conceito de empreendedorismo, pois o termo assumiu, ao longo dos anos, especificidades de acordo com as contribuições e interpretações de vários autores, atribuindo-lhe um caráter polissêmico e multidisciplinar.

O conceito de empreendedorismo foi inicialmente discutido no âmbito econômico. Porém, disseminou-se para outras áreas do conhecimento, como a social, política e institucional(2). O empreendedorismo para os economistas, por exemplo, está associado ao desenvolvimento econômico e o empreendedor, por consequência, à promoção e propulsão de inovação para esse desenvolvimento. Já para os comportamentalistas, o empreendedorismo está relacionado a comportamentos e atitudes empreendedoras(3).

Na Enfermagem, o empreendedorismo mostra-se evidente desde o século XIX, por meio da atuação pioneira de Florence Nightingale, no cuidado aos soldados durante a Guerra da Criméia e da fundação da Escola de Enfermagem no Hospital Saint Thomas, dando início às bases científicas da profissão. Outros exemplos de figuras empreendedoras na Enfermagem são: Anna Nery, que atuou no cuidado aos feridos na Guerra do Paraguai, e Wanda de Aguiar Horta, a primeira teorista brasileira da profissão(4).

No contexto contemporâneo, o empreendedorismo na Enfermagem é importante para a ampliação da visibilidade e consolidação da profissão como ciência, tecnologia e inovação nos mais diversos cenários e campos de atuação(5). Só assim, a sociedade poderá conhecer os avanços da profissão, por meio de sua missão social e dos ganhos em saúde(6). A aproximação ao conceito de empreendedorismo, portanto, orienta a promoção de visibilidade social da Enfermagem, bem como o alcance de novos patamares de desenvolvimento profissional aos enfermeiros.

Apesar da importância do empreendedorismo na Enfermagem, esse tema ainda é pouco discutido na literatura(7). Isso sinaliza a necessidade de ampliar as discussões sobre o conceito de empreendedorismo na Enfermagem e conhecer quais as tipologias, áreas e/ou setores de atuação encontram-se os enfermeiros empreendedores.

OBJETIVO

Evidenciar o conceito e as tipologias de empreendedorismo na Enfermagem descritos na literatura nacional e internacional.

MÉTODO

Tipo de estudo

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura(8). Este método possibilita analisar a literatura existente, fornecendo uma compreensão abrangente de determinado objeto de estudo. Pode ser aplicado em diversos temas e/ou desenhos de estudo, contribuindo para a prática de Enfermagem baseada em evidências científicas(8).

Procedimentos metodológicos

Para a elaboração deste estudo, foram seguidas as seguintes etapas: formulação do problema e pergunta de pesquisa em conjunto com a elaboração do protocolo da revisão; aprovação do protocolo; coleta de dados; análise e interpretação dos dados; organização dos dados em categorias; e apresentação dos resultados e conclusões(8).

Coleta e organização dos dados

A coleta de dados foi realizada em abril de 2017, nas bases de dados: Literatura Latino-Americano e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Publisher Medline (PUBMED), SciVerse Scopus (SCOPUS), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Bases de Dados de Enfermagem (BDENF), utilizando-se os seguintes descritores e palavras-chave: entrepreneurship, entrepreneurs, entrepreneurial, entrepreneurialism, intrapreneurial, iniciativa empresarial, contrato de risco, nursing, nurse, nurses, enfermagem e enfermeria.

Foram elaboradas combinações entre os descritores e/ou palavras-chave que originaram as estratégias de busca descritas abaixo (Quadro 1):

Quadro 1 Estratégias de busca 

LILACS e BDENF (tw: ((entrepreneurship OR entrepreneurs OR entrepreneurial OR entrepreneurialism OR intrapreneurial OR empreende* OR intraempreende* OR "iniciativa empresarial" OR "contrato de risco"))) AND (tw: ((nursing OR nurse* OR enfermagem OR enfermeir* OR enfermeria OR enfermer*))) AND (instance: "regional") AND ( db: ("LILACS" OR "BDENF"))
PUBMED ("entrepreneurship" [MeSH Terms] OR "entrepreneurship" [All Fields] OR entrepreneurs [All Fields] OR entrepreneurial [All Fields] OR entrepreneurialism [All Fields] OR intrapreneurial [All Fields]) AND ("nursing" [Subheading] OR "nursing" [All Fields] OR "nursing" [MeSH Terms] OR "nurses" [MeSH Terms] OR "nurses" [All Fields] OR "nurse" [All Fields]) AND (English [lang] OR Portuguese [lang] OR Spanish [lang])
SCOPUS (TITLE-ABS-KEY (entrepreneurship OR entrepreneurs OR entrepreneurial OR entrepreneurialism OR intrapreneurial) AND TITLE-ABS-KEY (nursing OR nurses OR nurse))
CINAHL (entrepreneurship OR entrepreneurs OR entrepreneurial OR entrepreneurialism OR intrapreneurial)) AND ((nursing OR nurses OR nurse))
SciELO (entrepreneurship OR entrepreneurs OR entrepreneurial OR entrepreneurialism OR intrapreneurial OR empreende$ OR intraempreende$ OR "iniciativa empresarial") AND (nursing OR nurse$ OR enfermagem OR enfermeir$ OR enfermeria OR enfermer$)

Análise dos dados

A partir da coleta de dados, localizaram-se 1.194 estudos que foram submetidos à primeira etapa de avaliação por meio da aplicação dos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos no protocolo de pesquisa. Os critérios de inclusão adotados foram: artigos de pesquisa original publicados de forma completa, livre e gratuita em periódicos disponíveis nas bases de dados selecionadas, nos idiomas português, inglês e espanhol, condizentes com o objetivo proposto e os descritores e/ou palavras-chave listados no protocolo previamente validado. Os artigos que estavam em mais de uma base de dados foram considerados duplicatas e automaticamente excluídos.

Assim, obteve-se uma amostra de 76 estudos ao final da primeira etapa de avaliação dos artigos, dos quais, 7 (14,08%) foram encontrados na LILACS, 33 (43,66%) na PUBMED, 9 (15,49%) na SCOPUS, 10 (14,08%) na CINAHL, 9 (5,63%) na SciELO e 6 (7,04%) na BDENF.

Na segunda etapa, procedeu-se a leitura completa dos 76 estudos para identificar aqueles que respondiam satisfatoriamente à questão de pesquisa e/ou tinham pertinência com o objetivo do estudo. Desse processo, obteve-se uma amostra de 31 artigos incluídos, sendo eles 6 (15,38%) da LILACS, 18 (61,53%) da PUBMED, 3 (30,76%) da SCOPUS, 2 (2,81%) da CINAHL, nenhum (0%) da SciELO e 2 (3,84%) da BDENF. O fluxograma com o detalhamento das etapas de pesquisa está apresentado a seguir na Figura 1.

Figura 1 Fluxograma coleta e análise dos dados 

A análise e a interpretação dos dados foram feitas de forma organizada por meio da visualização dos dados em uma tabela Excel®, que compreendeu as seguintes colunas de sintetização: título do estudo, base de dados, periódico, ano de publicação, país de desenvolvimento do estudo, contexto/local de estudo, desenho metodológico, tipologia de empreendedorismo, resultados e reflexões dos autores.

RESULTADOS

Os resultados iniciam com a descrição das características dos 31 estudos(9-39) incluídos nesta revisão (Quadro 2). Na sequência, apresentam-se as duas categorias evidenciadas a partir dos resultados dos estudos selecionados: Conceito de empreendedorismo na Enfermagem; e Tipologias de empreendedorismo na Enfermagem.

Quadro 2 Características dos estudos selecionados 

Título Ano/Periódico Origem Abordagem Contexto
Formação do enfermeiro pelo olhar do empreendedorismo social(16) 2009 Revista Gaúcha de Enfermagem Brasil Qualitativo Educação
Características empreendedoras do futuro enfermeiro(10) 2013 Cogitare Enfermagem Brasil Qualitativo Educação
O ensino do empreendedorismo no Curso de Graduação em Enfermagem na Universidade Paulista (UNIP) Goiânia - Goiás(9) 2008 Revista do Instituto de Ciências da Saúde Brasil Quantitativo Educação
O cuidado de enfermagem como prática empreendedora: oportunidades e possibilidades(17) 2010 ACTA Paulista de Enfermagem Brasil Qualitativo Cuidado
Práticas de enfermagem empreendedoras e autônomas(11) 2013 Cogitare Enfermagem Brasil Quantitativo Negócios
Advanced practice nurse entrepreneurs in multidisciplinary surgical-assisting partnership(12) 2005 AORN Jornal - Home Study Program EUA Qualitativo Educação
Rising to the Challenge of Health Care Reform with Entrepreneurial and Intrapreneurial Nursing Initiatives(21) 2012 The Online Journal of Issues in Nursing EUA Qualitativo Cuidado
A nurse and a civil cervant changinginstitutions: entrepreneurial processes in different public sector organizations(36) 2008 Scandinavian Journal of Management Suécia Qualitativo Negócios
Entrepreneurship The Realities of Today(30) 1994 Journal of Nurse-Midiwifery EUA Qualitativo Negócios
Self-employed nurses as change agents in healthcare: strategies, consequences, andpossibilities(26) 2014 Journal of Health Organization and Management Canadá Qualitativo Negócios
Education for entrepreneurship in nursing(19) 2011 Nurse Education Today Reino Unido Qualitativo Educação
Are rural health professionals also social entrepreneurs?(24) 2009 Social Science & Medicine Escócia e Austrália Qualitativo Cuidado
Barriers to nurse entrepreneurship: A study of the process model of entrepreneurship(33) 2007 Journal of the American Academy of Nurse Practitioners EUA Qualitativo Cuidado, Gestão e Educação
Clinical nurse specialists as entrepreneurs: constrained or liberated(29) 2006 Journal of clinical nursing Reino Unido Qualitativo Cuidado
Decreasing barriers for nurse practitioner social entrepreneurship(28) 2014 Journal of the American Association of Nurse Practitioners EUA Qualitativo Cuidado e Gestão
Estudantes de enfermagem têm perfil empreendedor?(22) 2009 Revista Brasileira de Enfermagem Brasil Quantitativo Educação
How nurses can use social enterprise to improve services in health care(18) 2009 Nursing Times Reino Unido Qualitativo Cuidado
Moving from institutional dependence to entrepreneurialism. Creating and funding a collaborative research and practice development position(37) 2005 Journal Clinical Nursing Austrália Qualitativo Cuidado
New skills required of nurse tutors in the UK: a study within two project 2000 pilot schemes for pre-registration nursing courses(39) 1998 Nurse Education Today Reino Unido Quantitativo Educação e Gestão
Nurse entrepreneurs attitudes to management, their adoption of the manager s role and managerial assertiveness(34) 2008 Journal of Nursing Management Finlândia Quantitativo Gestão
Nursing entrepreneurship: motivators, strategies and possibilities for professional advancement and health system change(27) 2013 Nursing Leadership Canadá Qualitativo Cuidado e Gestão
O papel profissional do enfermeiro no Sistema Único de Saúde: da saúde comunitária à estratégia de saúde da família(25) 2012 Ciência e Saúde Coletiva Brasil Qualitativo Cuidado
Promovendo a cidadania por meio do cuidado de enfermagem(20) 2009 Revista Brasileira de Enfermagem Brasil Qualitativo Cuidado
Tendências empreendedoras dos enfermeiros de um hospital universitário(14) 2013 Revista Gaúcha de Enfermagem Brasil Quantitativo Cuidado
The influences on and experiences of becoming nurse entrepreneurs: a delphi study(31) 2003 International Journal of Nursing Practice Austrália Misto Gestão
The perceptions of KwaZulu-Natal nursing students about the discipline(13) 2000 Curationis África
do Sul
Qualitativo Educação
Empreendedorismo na Enfermagem: panorama das empresas no Estado de São Paulo(35) 2015 Revista Brasileira de Enfermagem Brasil Quantitativo Negócios
Incubadora de Aprendizagem: ferramenta indutora do empreendedorismo na Enfermagem(23) 2015 Revista Brasileira de Enfermagem Brasil Qualitativo Educação
Características empreendedoras de enfermeiras: um estudo no sul do Brasil(38) 2016 Revista Baiana de Enfermagem Brasil Quantitativo Cuidado
Entrepreneurship Psychological Characteristics of Nurses(15) 2016 Acta Medica Iranica Irã Quantitativo Cuidado
Iranian entrepreneur nurses' perceived barriers to entrepreneurship: a qualitative study(32) 2016 Iranian Journal of Nursing and Midwifery Research Irã Qualitativo Negócios

Descrição dos estudos

A evolução dos estudos analisados perfez uma trajetória de 1994 a 2016, com ápice no ano de 2009, o qual concentrou cinco (16,1%) artigos. Os 31 artigos analisados foram publicados em 24 periódicos diferentes. O periódico com maior número de artigos selecionados foi a Revista Brasileira de Enfermagem, com quatro (12,9%) publicações.

Quanto ao país de origem das publicações, 12 (38,7%) foram realizadas no Brasil, cinco (16,1%) nos Estados Unidos, quatro (12,9%) no Reino Unido, três (9,6%) na Austrália, duas (6,4%) no Canadá, duas no Irã (6,4%), uma (3,2%) na Finlândia, uma (3,2%) na África do Sul e uma (3,2%) na Suécia.

No que se referem à abordagem metodológica, 21 (67,7%) publicações eram estudos qualitativos, nove (29,1%) estudos quantitativos e um (3,2%) pesquisa mista. No tangente ao desenho de estudo, 13 (42,1%) eram descritivos ou exploratório-descritivos, quatro (12,9%) eram Teoria Fundamentada nos Dados, quatro (12,9%) eram pesquisas etnográficas, três (9,6%) eram estudos de caso único ou múltiplos e sete (22,5%) apresentaram outros desenhos metodológicos.

Quanto ao contexto/cenário em que os trabalhos foram realizados, foi utilizada a classificação: Cuidado, Educação, Gestão e Negócios. Os locais classificados como Cuidado foram os hospitais, as clínicas e as Unidades Básicas de Saúde. No contexto de Educação, foram incluídos estudos realizados em instituições de ensino superior. O contexto de Gestão contemplou os mesmos locais anteriormente citados, porém foram selecionadas pesquisas cujo enfoque era especificamente nas estruturas ou os departamentos administrativos. No contexto de Negócios, foram considerados os ambientes de prática autônoma ou particular do enfermeiro, como empresas e consultórios.

Sendo assim, o contexto exclusivo de Cuidado de Enfermagem concentrou 11 (35,4%) artigos, seguido pelo ambiente de Educação com oito (25%), o ambiente de Negócios com seis (19,3%) e o ambiente de Gestão com dois (6,4%) estudos. Quatro (12,9%) estudos foram realizados em mais de um contexto, como o ambiente de cuidado, gestão e/ou educação.

Conceito de empreendedorismo na Enfermagem

O conceito de empreendedorismo na Enfermagem está associado a um conjunto de características pessoais(9). Dessa forma, reunindo as principais habilidades encontradas, o empreendedorismo na Enfermagem conceitua-se como: dispor de senso de oportunidade, ser autônomo, independente, flexível, determinado, inovador, proativo, autoconfiante, disciplinado, comunicativo, responsável, tomar riscos calculados, agir de forma holística, conquistar novos cenários de atuação voltados ao cuidado, agregar valor à profissão perante a sociedade, impulsionar o crescimento econômico do país, realizar a gestão financeira e de conflitos, ter consciência legislativa e voltar-se para o futuro(10-13).

Além disso, um dos estudos identificou que atitudes empreendedoras estão associadas principalmente a enfermeiros jovens e com menor tempo de trabalho. Enfermeiros com idade superior a 43 anos e com mais de 17 anos de graduação mostram menor tendência empreendedora(14).

O senso de oportunidade também aparece nos achados como a principal característica de um empreendedor na Enfermagem. A oportunidade para a Enfermagem configura-se, ora como a busca por novas frentes de atuação profissional resultando em melhoria para a sociedade, ora como o aproveitamento das situações incomuns na prática profissional que repercutirão em melhoria no cuidado, na educação, nos negócios ou em qualquer outro cenário de atuação do enfermeiro(10,15).

Tipologias de empreendedorismo na Enfermagem

Foram identificadas três tipologias de empreendedorismo na Enfermagem: empreendedorismo social, empreendedorismo empresarial e intraempreendedorismo, nessa sequência de relevância.

O empreendedorismo social é um mecanismo de mobilização e transformação da sociedade. É mediado pela intervenção social a partir da aplicação de uma visão sistêmica derivada da multiplicidade de relações, interações e associações sociais. Constitui-se num processo alternativo, dinâmico e estratégico, que possibilita ações, produtos, serviços e organizações inovadoras, sustentáveis e engajadas em desenvolvimento social(16-17).

Empreendedores sociais identificam o que não está funcionando e resolvem os problemas, alteram o sistema, espalhando a solução e persuadindo indivíduos e coletividades a buscar novos patamares de desenvolvimento(18). Para ser empreendedor social, o enfermeiro precisa ter competência técnica, humana e interativa, bem como identificar e ampliar as oportunidades que agregam valor social. Também devem ser criativos, inovadores, capazes de identificar oportunidades e captar recursos dentro da sociedade(16-17,19).

Para que os enfermeiros tornem-se cada vez mais empreendedores sociais é fundamental o investimento da Enfermagem em atitudes proativas tanto a nível profissional, quanto a nível social(17). Na contemporaneidade, faz-se necessário que enfermeiros desenvolvam uma cultura empreendedora, explorando novos espaços que estimulem a participação cidadã pelo desenvolvimento de metodologias de cuidado proativas focadas no indivíduo como sujeito e atores da própria história(20).

Para tanto, são necessários investimentos do ponto de vista profissional que abranjam as instâncias da gestão, ensino, pesquisa e cuidado de enfermagem. No que tange ao ensino e à gestão do ensino, pontua-se a necessidade da adoção de estratégias pedagógicas diferenciadas que visem à formação de enfermeiros empreendedores sociais(21-22), como o caso de incubadoras de aprendizagem(23).

No processo de educação em Enfermagem, os enfermeiros geralmente são formados para atuarem como bons empregados e executores de ordens. Isso contraria a lógica empreendedora social, pautada na criação ou recriação de oportunidades interativas e associativas, bem como na possibilidade de inovar e protagonizar novos espaços de atuação profissional. Dessa forma, é necessário o despertar de uma cultura empreendedora entre gestores universitários, professores e estudantes de Enfermagem para que as universidades invistam no desenvolvimento de tecnologias de inclusão social(16).

No que se refere ao cuidado, enfermeiros empreendedores sociais podem desenvolver atividades de enfermagem como consultas, visitas e consultorias ou ainda atividades como aulas de ginástica, oficinas e cursos para pessoas e/ou comunidades em situação de vulnerabilidade(24). Assim, enfermeiros podem aliar atividades privativas e/ou não privativas de enfermagem, mas que estejam voltadas para a saúde e as necessidades da comunidade, com interesses pessoais, econômicos e empresariais, que lhe permitam crescimento, valorização e autonomia profissional, afinal, é possível criar empresas sociais de Enfermagem(18).

Para explorar melhor o protagonismo social, enfermeiros empreendedores sociais devem estimular práticas inclusivas e desenvolver projetos políticos que expressem a participação social do enfermeiro nos mais diferentes espaços de atuação profissional. Também precisam se mostrar comprometidos com o processo de emancipação do sujeito, protagonismo e proatividade voltadas para a educação e promoção da saúde(20).

No Brasil, a configuração do Sistema Único de Saúde (SUS) como um sistema público de saúde integral, universal e gratuito é uma forma eficiente de aproximação e difusão do empreendedorismo social entre os enfermeiros. Foi com a criação do SUS e posteriormente com a Estratégia Saúde da Família (ESF) que os enfermeiros ampliaram a sua atuação e inserção no campo comunitário e social, obtendo maior visibilidade a partir de um cenário com mais oportunidades de atuação profissional. Portanto, o SUS e a ESF são estratégias que impulsionam e fortalecem o empreendedorismo social de enfermagem no Brasil(25).

O empreendedorismo empresarial é o tipo de empreendedorismo voltado ao meio de negócios. Refere-se ao empreendedorismo de enfermeiros empresários, que em sua prática atuam de forma autônoma(26-27).

Diversos são os campos de atuação de enfermeiros empresários. Há oportunidades de negócios, encontradas em atividades próprias de enfermagem, como, por exemplo, consultas autônomas a pacientes com feridas. Além disso, também há atividades extremamente inovadoras para a área, desvinculadas do domínio da Enfermagem, como consultores em empresas não associadas à saúde(26). Nos Estados Unidos, a consultoria de Enfermagem por meio de enfermeiros de práticas avançadas está bastante difundida, principalmente em zonas rurais. Nesse contexto de atuação, os enfermeiros exercem um trabalho mais autônomo em comparação a outros cenários, uma vez que identificaram uma oportunidade nos locais onde os médicos não trabalhavam(28).

Há uma série de fatores motivadores que impulsionaram a ida de enfermeiros assistenciais para o ramo empresarial. Entre eles, destaca-se o aparecimento de uma oportunidade no sistema de saúde; o interesse em abrir seu próprio negócio; a busca pela satisfação profissional; a constatação de uma necessidade no mercado da atividade de enfermagem que desenvolve; a independência financeira; o desgaste emocional por trabalhar muito tempo como empregado; e o emprego abusivo e excessivamente exigente(11,26).

Porém, também há muitas dificuldades para os enfermeiros que adentram o meio empresarial(29). É comum, por exemplo, que enfermeiros iniciem a atividade a qual se propõem com investimento financeiro próprio, pois são escassos os investimentos e incentivos por parte do governo e de outros profissionais da saúde. Além disso, o início no campo de negócios ocorre sem a desvinculação total do emprego formal, gerando dupla ou tripla jornada de trabalho(30-32).

Além dessas dificuldades, os artigos selecionados também pontuam empecilhos vinculados ao histórico da profissão, os quais se relacionam a barreiras do conhecimento, barreiras pessoais e barreiras ético-legais. As barreiras do conhecimento estão associadas a pouca formação da Enfermagem em assuntos pertinentes ao setor de negócios, o qual possui uma linguagem característica e própria que é desconhecido na profissão(18,33-34). As barreiras pessoais variam conforme cada indivíduo, mas, em geral, estão ligadas à preocupação dos enfermeiros de que o começo de um negócio pode sugerir deslealdade com médicos e empregadores atuais ou então ao medo de que a sociedade não consiga absorver o novo serviço de saúde realizado por enfermeiros, já que predomina a cultura de que os hospitais e os consultórios médicos são os únicos lugares que oferecem serviços de saúde. Já as barreiras ético-legais referem-se à legislação de cada estado ou país para o trabalho dos enfermeiros autônomos(33). Outra barreira encontrada foi a de percepção geral da Enfermagem de trabalhar por amor e não para ganhar dinheiro(28).

Diante do exposto, o empreendedorismo empresarial na Enfermagem baseia-se na necessidade de se ter responsabilidade, compromisso pessoal e profissional, boa autoestima, perseverança e determinação para alcançar o sucesso necessário para a empresa(31). Nesse sentido, o enfermeiro empreendedor deve possuir capacidade holística, ou seja, ter visão do todo, independentemente das condições sociais, políticas ou econômicas(11).

Portanto, ser enfermeiro empresário é trabalhar por conta própria, empreendendo de uma maneira que influencie a saúde, incluindo-se no processo e sendo autônomo o suficiente para estimular uma reforma do sistema de saúde(26). O estímulo ao empreendedorismo autônomo do enfermeiro é fundamental para a profissão, pois possibilita a conquista de novos campos de atuação, valorização social da profissão e impulsiona o crescimento econômico do país, uma vez que as empresas formadas geram empregos a uma parcela da população(11,35).

O intraempreendedorismo ou empreendedorismo coorporativo está relacionado a empreendedores empregados coorporativos, ou seja, empreendedores que não possuem um negócio próprio, mas que são empreendedores em organizações públicas ou privadas já existentes(18,36).

O intraempreendedorismo, apesar de possuir uma nomenclatura própria, assemelha-se ao empreendedorismo comum, pois tem a finalidade de situar o contexto de atuação desse empreendedor. Isso, por exemplo, não o impede de agregar outra finalidade de empreendimento, como é o caso do intraempreendedor social, no qual os próprios trabalhadores de uma organização atuam como empreendedores ao buscarem a transformação e o desenvolvimento social(18). Porém, intraempreendedores têm por conta do cenário de atuação, entraves relacionados à ortodoxia institucional, cabendo a essas pessoas superá-los com criatividade e determinação(37).

Em organizações públicas, por exemplo, os intraempreendedores devem identificar as oportunidades, os problemas e as soluções, inserindo a equipe e dividindo as responsabilidades. Os servidores públicos, por sua vez, para intraempreender, precisam criar legitimidade e liberdade dentro da instituição. Isso não é tarefa fácil, podendo variar conforme o cargo e a situação empregatícia, o que implica lançar mão de habilidades sociais e alianças com pessoas em cargos mais elevados na instituição e/ou pessoas externas que provenham recursos econômicos ou visibilidade para a instituição. Existem muitas críticas nesse meio de organizações públicas. Desse modo, os intraempreendedores devem ser persistentes, ter boas ideias e habilidade para criar liberdade de ação(36,38).

No âmbito do ensino, comum à prática de enfermagem, as habilidades intraempreendedoras de enfermeiros foram mencionadas por um dos artigos, o qual destacou, do ponto de vista da gestão educacional, a importância da capacidade de inovação, do gerenciamento de tempo, da comunicação e da negociação(39).

DISCUSSÃO

A produção científica acerca do empreendedorismo na Enfermagem foi crescente no período estudado, principalmente no cenário brasileiro, apesar de haver uma distribuição internacional das publicações. Ademais, os enfermeiros foram os profissionais que mais pesquisaram nessa temática. Isso pode ser explicado pelo aumento das pesquisas em Enfermagem no Brasil, impactado pelo crescimento de programas de pós-graduação em Enfermagem, bem como pela necessidade de construção de visibilidade e consolidação da profissão como ciência, tecnologia e inovação(5).

A pesquisa qualitativa foi a abordagem metodológica mais utilizada pelos estudos. Isso pode estar relacionado ao aumento considerável da utilização dessa abordagem no campo da Saúde nas quatro últimas décadas, tanto a nível nacional, quanto internacional(40). Além disso, estudos qualitativos possibilitam melhor entendimento dos significados e das percepções que envolvem o empreendedorismo na Enfermagem, tendo em vista as suas múltiplas dimensões e particularidades.

Os cenários de cuidado foram os ambientes mais pesquisados nos estudos analisados. Achado semelhante é encontrado em um estudo que evidenciou a ênfase de produções no contexto hospitalar, o que repercute na centralidade desse setor nos sistemas de saúde(41) e também nas pesquisas científicas. A concentração de pesquisas nesse cenário também pode estar relacionada ao fato da maioria dos enfermeiros trabalhar em hospitais, clínicas e centros de saúde.

O conceito de empreendedorismo na Enfermagem vai ao encontro do conceito geral de empreendedorismo. Apesar de apresentar-se de forma polissêmica, o aspecto central do conceito está relacionado à mudança, com a exploração de uma oportunidade, conversão ou invenção de alguma ideia, bem como com o sucesso atingido(2,42).

O empreendedorismo na Enfermagem acompanha a perspectiva de criação, geração e desenvolvimento de uma oportunidade voltada para as ações de enfermagem, sejam elas no âmbito do cuidado, educação ou gestão. Tais achados corroboram com os resultados de outro estudo que destaca as oportunidades e/ou as necessidades próprias ou do contexto/sociedade como as motivações iniciais dos empreendedores. Dessa forma, estes empreendedores mobilizam-se porque têm habilidades e conhecimentos ou visualizam uma oportunidade por meio de um comportamento pessoal intrínseco ao indivíduo(43).

Apesar da convergência entre o conceito de empreendedorismo na Enfermagem encontrado nos achados e o conceito geral de empreendedorismo da literatura, cabe pontuar que poucos estudos foram realizados com o objetivo de traçar o perfil, o comportamento e a atitude do enfermeiro empreendedor.

Quanto às tipologias de empreendedorismo em Enfermagem, ressalta-se que elas foram definidas com finalidade didática para expressar as atividades provenientes das ações empreendedoras dos enfermeiros. O empreendedorismo social foi a tipologia com maior destaque no âmbito da Enfermagem. Isso pode estar associado ao fato dos enfermeiros lidarem com demandas sociais e fornecerem serviços de Enfermagem voltados para os mais diversos contextos sociais.

A literatura apresenta que empreendedores sociais se diferenciam de empreendedores propriamente ditos, porque não vendem nem possuem bens para vender, mas solucionam problemas sociais, não sendo direcionados por mercados, mas movidos por segmentos populacionais em situações de risco social. Empreendedores sociais são indivíduos capazes de criar soluções inovadoras para os mais diversos problemas da sociedade. Têm como características a persistência, a ambição e a capacidade de criação de novas ideias que propiciam mudança social(44). Nesse sentido, destacam-se os achados de um dos estudos dessa tipologia acerca do desenvolvimento de atividades que não fazem parte especificamente do escopo de atuação do enfermeiro, como aulas de ginástica.

Nesse contexto, o SUS destaca-se como um ambiente empreendedor social, uma vez que amplia a atuação dos profissionais de saúde, especialmente dos enfermeiros. Achados semelhantes estão descritos em estudo anterior que caracteriza os serviços de saúde do SUS como ambientes favoráveis ao empreendedorismo. Essa característica parte do princípio de que o SUS promove a inovação dentro dos serviços de saúde, a partir da adoção de princípios e diretrizes que ampliam a cultura empreendedora(45).

O intraempreendedorismo na Enfermagem remete a atuação de enfermeiros que são empregados empreendedores, ou seja, enfermeiros que empreendem em organizações públicas e privadas de terceiros. O intraempreendedor caracteriza-se como um agente de mudança e inovação em uma organização seja pública ou privada, com ou sem fins lucrativos. Porém, no âmbito das organizações públicas, permeadas por características próprias e peculiares, esse fenômeno torna-se multifacetado e complexo(46).

Já o empreendedorismo empresarial está relacionado a enfermeiros empresários que desenvolveram seu próprio negócio por caminhos próprios. O empreendedorismo empresarial, comercial ou de negócios, como é chamado na literatura, corresponde à visualização de uma oportunidade por um indivíduo com a possibilidade de se obter sucesso, resultando em lucro para o empreendedor(47).

Diante dos resultados desta revisão, pontua-se a necessidade de investimentos nos mais diferentes campos da Enfermagem, como no ensino e na gestão para o desenvolvimento do empreendedorismo e de uma cultura empreendedora. A importância da educação empreendedora nas instituições de ensino está não apenas no que diz respeito ao ensino para capacitar os futuros profissionais para atividades empreendedoras, mas também na promoção de gestão educacional empreendedora, uma vez que a gestão educacional empreendedora é condição para o ensino empreendedor(48). Além disso, faz-se relevante o investimento do governo na formação empreendedora, gerando, assim, negócios inovadores que modifiquem o cenário nacional e internacional.

Limitações do estudo

Como limitação do estudo, pontua-se a opção pela consulta a bases de dados da área da Saúde e da Enfermagem. A inclusão de bases de dados específicas da Administração em futuros estudos poderá ampliar o escopo de análise do empreendedorismo na Enfermagem.

Contribuições para a área da Enfermagem

Este estudo pode contribuir com a divulgação do conceito e as tipologias de empreendedorismo na Enfermagem. O empreendedorismo pode ampliar a visibilidade da profissão e fomentar a criação de novos espaços de atuação para o enfermeiro. Dessa forma, pontua-se a necessidade de novos estudos focalizando o empreendedorismo no contexto da gestão universitária, uma vez que o ensino tem o potencial de criar e difundir uma cultura empreendedora que pode se manifestar nas múltiplas dimensões do exercício profissional do enfermeiro.

CONCLUSÃO

O conceito de empreendedorismo na Enfermagem está vinculado principalmente a características pessoais, o que permite associar o empreendedorismo a um comportamento e/ou perfil e/ou atitude do enfermeiro. Aliado a esse comportamento/perfil/atitude, que alguns autores nomeiam de espírito (empreendedor), está o senso de oportunidade. Isso é, além do enfermeiro possuir uma postura diferenciada, é preciso identificar as oportunidades nos cenários de prática profissional para que o empreendedorismo seja revelado.

Em relação às tipologias de empreendedorismo na Enfermagem, o empreendedorismo social concentrou o maior número das publicações selecionadas. Isso pode estar relacionado à atividade própria da profissão, cuja dimensão principal que é o cuidado e bem-estar do indivíduo, família e sociedade. Nessa tipologia, o SUS apareceu como um ambiente no qual o empreendedorismo social pode ser desenvolvido. É importante a atenção ao fato de que o empreendedorismo social focaliza o crescimento mutuo entre sociedade e empreendedor, o que pode dificultar a atuação da Enfermagem, que culturalmente se dedica a um saber-fazer por amor, em detrimento da sua própria valorização e ganho econômico.

O empreendedorismo empresarial abrange a atuação de enfermeiros que são autônomos profissionalmente. Essa tipologia foi a menos presente no cenário brasileiro. Isso suscita a reflexão sobre as estratégias que podem ser desenvolvidas por enfermeiros para o desenvolvendo do espírito de negócios e a busca de bons salários e estabilidade profissional para além de concursos públicos.

O intraempreendedorismo foi o menos frequente nos estudos analisados. No entanto, pode-se dizer que é tipologia que melhor ilustra a realidade empreendedora na Enfermagem, pois a maioria dos enfermeiros atua como empregados em hospitais, centros de saúde, clínicas entre outros serviços de saúde. Dessa forma, pontua-se a necessidade de difusão dessa tipologia de empreendedorismo entre enfermeiros e estudantes de Enfermagem.

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Recebido: 24 de Julho de 2017; Aceito: 09 de Dezembro de 2017

Autor Correspondente: Fernanda Hannah da Silva Copelli E-mail: fernandacopelli@hotmail.com

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