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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.73 no.2 Brasília  2020  Epub 09-Mar-2020

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0108 

ARTIGO ORIGINAL

Avaliação da capacitação em intervenções breves para professores: contribuições da saúde

Angelica Martins de Souza GonçalvesI 
http://orcid.org/0000-0002-7265-5837

Sandra Cristina PillonII 
http://orcid.org/0000-0001-8902-7549

Rosa Jacinto VolpatoI 
http://orcid.org/0000-0001-5709-7008

Sônia Regina ZerbettoI 
http://orcid.org/0000-0002-2522-1948

Fernando José Guedes da Silva JúniorIII 
http://orcid.org/0000-0001-5731-632X

IUniversidade Federal de São Carlos. São Carlos, São Paulo, Brasil.

IIUniversidade de São Paulo. Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

IIIUniversidade Federal do Piaui. Teresina, Piauí, Brasil.


RESUMO

Objetivos:

avaliar o impacto de uma capacitação em intervenções breves para o uso de substâncias sobre as atitudes e validade de face e consistência interna das versões brasileiras Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire (DDPPQ-br) e Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire (SAAPPQ) entre professores.

Métodos:

estudo metodológico (N=122) e quase-experimental (n=27). Foram aplicados o questionário sociodemográfico, o DDPPQ-br e o SAAPPQ antes e três meses após a capacitação. Para análise, foram utilizados os testes de Mann-Whitney e de Wilcoxon.

Resultados:

O DDPQ-br e o SAAPPQ foram considerados válidos pelos especialistas. Através da capacitação, foi possível melhorar as atitudes frente a responsabilização sobre a abordagem do uso de substâncias na escola e o preparo para exercer tal função. Em relação às drogas, a percepção de suporte foi potencializada.

Conclusões:

Capacitar professores pode melhorar suas atitudes e fortalecer a escola na função de prevenir danos relacionados ao uso substâncias.

Descritores: Capacitação de Professores; Conhecimentos, Atitudes e Prática em Saúde; Drogas Ilícitas; Saúde Mental; Avaliação de Eficácia-Efetividade de Intervenções

ABSTRACT

Objectives:

to evaluate the impact of training on brief interventions for use of substances on the attitudes; and, face validity and internal consistency of Brazilian versions of the Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire (DDPPQ-br) and the Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire (SAAPPQ) for use among teachers.

Methods:

methodological (N=122) and quasi-experimental study (n=27). A sociodemographic questionnaire, the DDPPQ-br and the SAAPPQ were applied before and three months after the training. For analysis, were applied the Mann-Whitney and Wilcoxon tests.

Results:

the DDPQ-br and SAAPPQ were considered valid by experts. The training improved teachers’ attitudes towards accountability on the approach to substance use at schools and on the readiness to perform this role. In relation to drugs, it increased the perception of support.

Conclusions:

teachers’ training can improve their attitudes and strengthen the school in the function of preventing substance-related harm.

Descriptors: Teacher Training; Health Knowledge, Attitudes, Practice; Street Drugs; Mental Health; Outcome Assessment (Health Care)

RESUMEN

Objetivos:

evaluar el impacto de la capacitación en intervenciones breves para el uso de sustancias en las actitudes; y, la validez nominal y la consistencia interna de las versiones brasileñas del Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire (DDPPQ-br) y del Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire (SAAPPQ) entre los maestros.

Métodos:

investigación metodológica (N=122) y cuasi experimental (n=27). Se aplicó un cuestionario sociodemográfico, el DDPPQ-br y el SAAPPQ, antes y tres meses después de la capacitación. Para el análisis, se utilizaron las pruebas de Mann-Whitney y Wilcoxon.

Resultados:

El DDPQ-br y el SAAPPQ fueron considerados válidos por los especialistas. La capacitación pudo mejorar las actitudes con respecto a la responsabilidad del enfoque del uso de sustancias en la escuela y la disposición para realizar esta función. En relación a las drogas, aumentó la percepción de apoyo.

Conclusiones:

capacitar a los maestros puede mejorar sus actitudes y fortalecer la escuela en la función de prevenir daños relacionados con el uso de sustancias.

Descriptores: Formación del Profesorado; Conocimientos, Actitudes y Práctica en Salud; Drogas Ilícitas; Salud Mental; Evaluación de Eficacia-Efectividad de Intervenciones

INTRODUÇÃO

A transição da concepção da questão das drogas enquanto problema de justiça para problema de saúde pública no Brasil é recente e remonta à década de 1990, atrelada ao advento da Aids na década de 1980. À época, o governo compreendeu que ações preventivas, incluindo escolas, deveriam abordar a temática no cotidiano e nas diversas facetas do uso de substâncias psicoativas(1).

As primeiras iniciativas não foram elaboradas para implementação em conjunto com o trabalho dos professores e eram calcadas em premissas moralizantes e no fornecimento de informações(1-2). A partir 2005, com a promulgação da Política Nacional sobre Drogas pelo Conselho Nacional Antidrogas (CONAD), foi indicada a importância de trabalho intersetorial a partir da construção de redes de atenção(3-4).

Desde a vigência dessa política, foram criadas iniciativas governamentais de diversos níveis para sanar lacunas de conhecimentos dos educadores sobre o tema(5), pois na prática, ainda falta conhecimento científico e acesso a informações sobre o assunto(6-7).

No Brasil, os cursos destinados a educadores são normalmente difundidos em ações conjuntas com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. Por vezes, esses cursos são bem avaliados pelos educadores e atingem resultados positivos e transformadores(8), apesar de sua disseminação de forma pontual.

Esse fato, somado ao medo de represálias (de alunos, pais e traficantes do entorno escolar), às opiniões baseadas no senso comum e ao entendimento de que este é um trabalho a ser executado por profissionais da área de saúde(6,9-10), interfere com a implementação de programas permanentes para prevenção do uso de álcool e outras drogas nas escolas brasileiras(6). Esta é uma realidade lamentável, pois os dados epidemiológicos sobre uso de substâncias entre escolares são alarmantes. Além disso, estudo de revisão sistemática sobre avaliação de ações dessa natureza mostrou resultados efetivos em pesquisas experimentais(11-12).

Existem diversas medidas úteis para avaliar estratégias de prevenção do uso de substâncias psicoativas no âmbito escolar. Uma delas é mensurar as atitudes de educadores sobre este tema em seu âmbito de trabalho. As atitudes são respostas avaliativas criadas a partir do processo vivencial do indivíduo que podem se originar de características de personalidade ou de determinantes sociais, e estar associadas a processos cognitivos e de aprendizagem(13). Estudos prévios se propuseram a avaliar programas de prevenção do uso de álcool e outras drogas em escolas(14-15), mas professores de ensino médio e fundamental não foram avaliados. As atitudes desses profissionais diante dessa problemática também não têm sido avaliadas, enquanto estudos dessa natureza têm sido realizados mais sistematicamente entre profissionais da área da saúde(16-19).

Entre os instrumentos utilizados para a mensurar atitudes no contexto brasileiro estão o Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire (DDPPQ-br), que avalia atitudes frente aos usuários de drogas e o Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire (SAAPPQ), que avalia as atitudes em relação aos usuários de álcool(20). Ambos foram testados e validados em amostra de estudantes de Enfermagem e são originários e embasados no mesmo referencial teórico do Alcohol and Alcohol Problems Perceptions Questionnaire (AAPPQ).

O AAPPQ é um instrumento adaptado e validado na língua inglesa (Reino Unido), que foi desenvolvido para avaliar o Modelo de Comprometimento Terapêutico(21). Nos pressupostos desse modelo, as atitudes terapêuticas e o estabelecimento de vínculo com o usuário (de álcool ou outras drogas) são influenciados por: sentimento de estar preparado para exercer adequadamente a função na assistência, denominado “adequação na função”; medida em que os indivíduos consideram o trabalho como sendo de sua responsabilidade (“legitimação do papel”); e suporte que os profissionais reconhecem receber dos colegas para ajudá-los a desempenhar seu papel efetivamente (“suporte”). Nesse instrumento, foram desenhadas as seguintes subescalas para avaliar o referido modelo, que explica as atitudes em relação ao trabalho com usuários de álcool: adequação na função; legitimação do papel; suporte; motivação; autoestima e satisfação em trabalhar com esses usuários(21-22).

Além das atitudes, outra temática bastante estudada entre profissionais de saúde (mas não entre profissionais de educação) por sua relação com o campo da Saúde Mental, são as estratégias de diagnóstico e intervenções breves (IBs) para os problemas relacionados ao uso de álcool. Estas estratégias são disseminadas internacionalmente e consistem em recurso universal, simples e sistemático para prevenir o uso de álcool e outras drogas(23-24). As intervenções breves estão fundamentadas nas teorias comportamental e cognitivista, utilizam técnicas motivacionais e baseadas em estágios de prontidão, com a perspectiva de detectar o problema e motivar o paciente a alcançar determinadas ações relacionadas à redução do uso de substâncias psicoativas(25).

As IBs têm se mostrado efetivas e estáveis para aplicação em adultos que fazem uso de álcool(26). No Brasil, foram testadas com sucesso entre adolescentes usuários de maconha, inalantes, êxtase, álcool e tabaco(27). Portanto, podem ser uma ferramenta útil para auxiliar o trabalho de diversos profissionais, incluindo professores do ensino secundário, na questão do uso de substâncias psicoativas enquanto tema transversal. O único requisito para sua implementação é que o profissional seja capacitado para aplicação(28).

Até o momento, a capacitação em rastreamento e intervenções breves não foi avaliada entre professores, o que pode ser útil para refletir sobre a aplicabilidade e disseminação dessas estratégias no âmbito escolar em momentos oportunos. Por exemplo, quando o professor percebe o uso de alguma substância psicoativa pelos estudantes ou mesmo para auxiliar na criação de ações para motivar a adoção de comportamentos que minimizem os danos decorrentes do uso de substâncias.

Nesta perspectiva, avaliar as atitudes de educadores pode predizer maior ou menor chance de sucesso desse tipo de intervenção no contexto escola. A hipótese do presente estudo é que o investimento em capacitação sobre intervenção breve para os problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas pode promover mudanças nas atitudes de professores em relação ao seu trabalho junto aos estudantes que estão vivenciando tais problemas.

OBJETIVOS

Avaliar o impacto de uma capacitação em intervenções breves para o uso de substâncias psicoativas sobre as atitudes de professores; e, validade de face e consistência interna das versões brasileiras DDPPQ-br e SAAPPQ para uso entre professores.

MÉTODOS

Aspectos éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos local. Foram respeitadas as diretrizes preconizadas pela Resolução nº. 466, de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, Brasil. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Desenho, local do estudo e período

O presente estudo foi realizado em duas etapas metodológicas. A primeira foi a avaliação do instrumento(29) e a outra envolveu o método quase-experimental e as avaliações de pré e pós-teste(30). Na etapa de avaliação metodológica do instrumento, foi realizada: (1) a validade aparente ou validade de face, que é útil para averiguar clareza do processo de tradução por revisão e painel de especialistas; e (2) avaliação da confiabilidade por consistência interna, que mostra o quanto os itens das subescalas se relacionam, ao avaliar o mesmo constructo(29) das versões brasileiras dos instrumentos SAAPPQ e DDPPQ-br para uso entre professores. Estudos quase-experimentais são usados para avaliar intervenções sem designação aleatória da amostra e permitem alguma confiança entre as relações de causa e efeito(30). A coleta foi realizada no período de setembro a dezembro de 2016.

Amostra e critérios de inclusão e exclusão

Foi utilizada a amostragem não-probabilística. Participaram do estudo 122 professores de ensino médio e fundamental de quatro escolas públicas brasileiras, das quais três localizadas no interior do Estado de São Paulo e uma no interior do estado do Mato Grosso. Desses professores, 27 compuseram a amostra da etapa quase-experimental. Os critérios de elegibilidade foram: ser professor de ambos os sexos, atuar em escolas do ensino médio ou fundamental e tempo de atuação docente superior a seis meses. Na etapa quase-experimental, os critérios de exclusão estabelecidos foram: não participar integralmente da intervenção educativa e ter participado de algum outro curso ou treinamento sobre prevenção do uso de álcool e drogas na escola antes da segunda etapa de coleta de dados.

Protocolo do estudo

Na etapa de avaliação do instrumento, foram necessárias algumas adequações. O termo “pacientes” foi substituído por “alunos” no DDPPQ-br e no SAAPPQ. Posteriormente, a versão foi encaminhada para um comitê formado por três pesquisadoras da área de álcool e drogas com experiência em adaptação e validação de instrumentos (uma assistente social e duas enfermeiras). Como não houve alterações semânticas nos itens, ambos os instrumentos foram considerados adequados e os juízes não sugeriram alterações. A seguir, os instrumentos foram testados em dois indivíduos da população-alvo (um professor de ensino médio e um de fundamental) e novamente, não houve dúvidas nem sugestões para mudanças.

Figura 1 Informações sobre o recrutamento dos participantes, adaptado de CONSORT 2010(31) 

Na etapa quase-experimental, foi realizada a avaliação pré-teste com professores. Eles avaliaram suas atitudes em relação ao trabalho com estudantes que usavam substâncias psicoativas (variável dependente). Em seguida, os conteúdos do treinamento sobre intervenção breve como meio de prevenção do uso álcool e outras drogas para educadores foram adaptados e aplicados no contexto de uma intervenção educativa (variável independente).

Após três meses, foi aplicada uma nova mensuração das mesmas variáveis, considerando que o objetivo desse treinamento foi capacitar os professores para realizar atividades de rastreamento (identificação) e aplicar estratégias de intervenção na escola de forma preventiva (mediante os princípios da IBs). Foi avaliado se os conhecimentos e informações adquiridos pelos professores durante a intervenção foram capazes de gerar mudanças em suas atitudes.

A intervenção consistiu em aulas expositivas dialogadas com duração de 12 horas e inclusão dos seguintes conteúdos: (1) epidemiologia das principais substâncias psicoativas utilizadas por adolescentes no contexto brasileiro e suas consequências; fatores de risco e de proteção associados ao consumo; (2) estratégias de prevenção do uso abusivo de drogas no contexto escolar; (3) rastreamento do uso de substâncias e (4) intervenções breves na escola. A terceira aula utilizou como referência o Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test (ASSIST) ou Teste de Triagem do Envolvimento com Álcool, Tabaco e Outras Substâncias, pois ele tem se mostrado útil para identificar uso de diversas substâncias na vida e nos últimos três meses, incluindo drogas injetáveis(32).

Foi elaborado um questionário composto por: 1) informações sociodemográficas, com as variáveis idade, sexo, religião, disciplina ministrada e tempo de atuação na profissão.

2) Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire (DDPPQ-br) versão brasileira, que avalia as atitudes frente ao trabalho com usuários de drogas (exceto álcool e tabaco). Essa versão é composta por cinco domínios (adequação do papel; suporte; satisfação no trabalho; autoestima e legitimação), tal como a versão original da língua inglesa(22) e apresenta bom nível de consistência interna (alpha de Cronbach=0,85). As respostas são autorreferidas, as assertivas são do tipo Likert e variam de zero (0) - concordo totalmente a sete (7) discordo totalmente. Para o cálculo dos escores do DDDPQ-br, os itens 13, 15,16 e 17 foram invertidos e posteriormente somados. Os itens avaliam se os conhecimentos adquiridos são suficientes para desempenhar seu papel profissional, o preparo para intervir e aconselhar adequadamente as pessoas com problemas relacionados ao uso de drogas, o apoio para realizar tais funções e a disponibilidade interna para trabalhar esse tema no contexto de trabalho. Quanto maior o somatório dos escores, piores ou mais negativas são as atitudes frente ao tema(22).

3) O Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire (SAAPPQ) avalia as percepções e atitudes em relação a trabalhar com pessoas que têm problemas relacionados ao uso de álcool ou dependentes de álcool. Foi validado para o português (inclusive no Brasil, onde a pesquisa envolveu estudantes de Enfermagem). É composto pelos seguintes domínios: adequação; motivação (desejo em trabalhar com usuários de álcool); legitimação; satisfação e autoestima. O instrumento apresenta bons índices de consistência interna global (alpha de Cronbach=0,87). É autoaplicável e possui 10 assertivas, nas quais o respondente indica seu grau de concordância ou discordância da afirmativa, sendo que 1 ponto indica que discorda muito, 3 pontos é imparcial e 5 pontos indica que concorda muito. Os itens 3, 4 e 6 do SAAPPQ foram invertidos. Quanto maior a pontuação, mais positiva é a atitude em relação ao trabalho que abrange a problemática do uso do álcool(33).

Ambos os instrumentos não possuem pontos de corte, pois não foram avaliadas sensibilidade e especificidade. A avaliação foi feita em termos de comparação entre grupos, por meio da média do escore.

Análise dos resultados e estatística

Foi elaborado um banco de dados no Microsoft Excel 2000 e utilizado o Statistical Package and Social Science, versão 19.0 (licença número 10250887). Estatísticas descritivas foram utilizadas para avaliar os dados sociodemográficos (medidas de tendência central e de dispersão). Para avaliar a distribuição dos dados à normalidade, foi usado o Teste de Shapiro-Wilk. Após esse teste, para verificar a associação entre variáveis qualitativas e quantitativas com descrição de dois grupos, foram utilizados os testes de Mann-Whitney e Wilcoxon para avaliar uma mesma variável em momentos distintos (ambos na ausência de normalidade de distribuição dos dados). O nível de significância de 5% foi adotado para todos os testes.

RESULTADOS

Na etapa de estudo metodológico, a amostra foi composta pela maioria de mulheres, 88 no total (72,1%), adultas, com média de idade de 40,4±9,1 anos, variando entre 21 e 64 anos. Os professores lecionavam há 120,8±92,3 meses, em média. A Tabela 1 apresenta a distribuição dos professores pelos campos investigados.

Tabela 1 Distribuição dos professores (estudo metodológico) por cidade, escola e área de atuação, São Paulo e Mato Grosso, Brasil, 2016 

Área Cidade 1
SP
Cidade 2
SP
Cidade 3
SP
Cidade 4
MT
Total
Escola 1 Escola 2 Escola 3 Escola 4 Escola 5 Escola 6 Escola 7
n % n % n % n % n % n % n % n %
Biológicas 5 4,1 4 3,3 4 3,3 4 3,3 4 3,3 2 1,6 3 2,5 26 21,4
Humanas 17 14 7 5,7 12 9,8 10 8,2 12 9,8 6 5 2 1,6 66 54,1
Exatas 2 1,6 3 2,5 3 2,5 2 1,6 3 2,5 1 0,8 2 1,6 16 13,1
Polivalente 2 1,6 0 0 1 0,8 5 4,1 1 0,8 2 1,6 3 2,5 14 11,4
Total 26 21,3 14 11,5 20 16,4 21 17,2 20 16,4 11 9 10 8,2 122 100

Nota: SP - São Paulo; MT - Mato Grosso.

Os índices de consistência interna medidos pelo Alfa de Cronbach foram SAAPPQ =0,58 e para o DDPPQ-br=0,84, ambos considerados válidos pelos especialistas (validade de face).

Na etapa quase-experimental, dos 27 participantes, 20 (74%) eram professores oriundos do Mato Grosso e 7(26%) de São Paulo. A era maioria do sexo feminino (74,1%), adultos com média de idade de 36,9±7,7 anos, variando entre 26 e 54 anos, lecionavam há 10 ±7,5 anos na mesma escola, em média, e 48,1% já haviam participado de algum curso de capacitação em álcool e drogas durante sua vida profissional.

Na avaliação de atitudes mensuradas no pré e pós-intervenção (Tabela 2), os professores apresentaram valores médios maiores nas subescalas “Adequação” [pós 6,4 ±1,2 versus pré 4,9 ±1,6; p<0,001] e “Legitimação” [pós 6,7±1,1 versus pré 6,0 ±1,3; p=0,039] da SAPPQ, o que representa atitudes positivas na execução desses papéis. No entanto, as atitudes não se diferenciaram em relação às subescalas “Autoestima”, “Motivação” e “Satisfação” na comparação entre o pré e pós-intervenção.

Tabela 2 Comparação dos escores das subescalas Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire (SAAPPQ) e Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire (DDPPQ-br) no pré e pós-intervenção (n=27), segundo os professores de ensino médio e fundamental São Paulo e Mato Grosso, Brasil, 2016 

Pré-intervenção (n=27) Pós-intervenção (n=27) Valor de p
Mean ±SD Mean ±SD
SAPPQ Adequação 4,9 ±1,6 6,4 ±1,2 <0,001
Autoestima 5,9 ±1,2 6,6 ±1,5 0,055
Motivação 5,7 ±1,3 5,6 ±1,4 0,729
Legitimação 6,0 ±1,3 6,7 ±1,1 0,039
Satisfação 4,8 ±1,9 4,9 ±1,4 0,565
DAPPQ-br Adequação 34,7±7,8 24,6 ±5,7 <0,001
Suporte 14,8±4,3 12,8 ±3,1 0,020
Satisfação 18,6 ±4,1 17,0 ±3,5 0,096
Autoestima 13,5 ±3,8 12,2 ±3,3 0,166
Legitimação 9,4 ±2,9 7,2 ±2,7 0,002

Nota:Wilcoxon Test; Valor de p <0,001; SAAPPQ - Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire; DDPPQ-br - Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire.

No DDPPQ-br, foram observadas atitudes positivas no pós-intevenção, com valores médios menores nas subescalas “Adequação” [pós 24,6 ±5,7 versus 34,7 ±7,8 pré; p < 0,001], “Suporte” [pós 12,8 ±3,1 versus pré 14,8±4,3 p = 0,020] e “Legitimação” [pós 7,2 ±2,7 pré 9,4 ±2,9; p = 0,020] e valores estatisticamente significativos.

Ao comparar as subescalas da SAPPQ e DAPPQ apresentadas na Tabela 3, não houve diferenças significativas quando avaliadas a SAPPQ e a presença de alguma capacitação com o tema álcool e ou drogas na escola, tanto no grupo de pré quanto de pós-intervenção. No entanto, os professores do grupo pré-intervenção que tinham recebido algum tipo de capacitação, apresentaram atitudes positiva em relação ao Trabalho (DAPPQ) e no grupo de pós-intervenção, Trabalho e Suporte (DAPPQ).

Tabela 3 Capacitação prévia sobre o tema álcool e drogas, São Paulo e Mato Grosso, Brasil, 2016 

Pré-intervenção Pós-intervenção
Capacitação Mean Rank Valor de p Mean Rank Valor de p
SAPPQ Adequação Sim 15,3 0,388 14,3 0,861
Não 12,7 13,7
Autoestima Sim 13,2 0,613 12,8 0,472
Não 14,7 15,0
Motivação Sim 11,8 0,166 12,7 0,597
Não 15,9 14,3
Legitimação Sim 15,0 0,514 14,4 0,761
Não 13,0 13,5
Satisfação Sim 11,7 0,155 14,8 0,556
Não 16,0 13,1
DAPPQ Adequação Sim 12,5 0,343 12,5 0,515
Não 15,3 14,4
Suporte Sim 12,6 0,377 10,8 0,044
Não 15,2 16,9
Trabalho Sim 8,9 0,004 10,8 0,043
Não 17,4 16,9
Autoestima Sim 13,2 0,891 13,6 0,807
Não 12,8 14,3
Legitimação Sim 15,6 0,302 13,5 0,746
Não 12,5 14,4

Nota: Teste Mann-Whitney; Valor de p <0,001; SAAPPQ - Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire; DDPPQ-br - Drug and Drug Problems Perceptions Questionnaire.

DISCUSSÃO

Os instrumentos utilizados para avaliação das atitudes no presente estudo podem ser aplicados entre professores do ensino secundário. A validade de face de ambos foi considerada adequada pelos especialistas. O DDPPQ-br apresentou nível de consistência interna considerado bom (0,80-0,89) e próximo de sua versão brasileira testada entre estudantes de Enfermagem, que foi de 0,85. A consistência interna do SAAPPQ foi considerada pobre, mas aceitável (0,50-0,59)(29). Os valores do coeficiente encontrados nas escalas derivadas do AAPPQ têm variado de 0,69 a 0,94(34).

De forma geral, a etapa de estudo quase-experimental confirmou a hipótese do estudo e ratificou o conhecido efeito das intervenções educativas na mudança das atitudes relacionadas ao trabalho com o uso de substâncias psicoativas(35). Este achado para área de educação, entretanto, abre um novo panorama de discussão para a área da Saúde, enquanto promotora de mudanças nas atitudes de profissionais de outras áreas, com potenciais consequências para mudanças na prática, nesse caso, desses educadores.

Neste estudo, a intervenção em rastreamento e intervenções breves para professores ampliaram a sensação de responsabilização (legitimação) dos professores sobre a abordagem do uso de álcool e drogas na escola, além do preparo e conhecimento adequado (adequação) para exercer tal função. Somente em relação às drogas, a percepção de suporte foi potencializada, ou seja, de poder contar com algum recurso adicional para enfrentar o problema. Estudo prévio ressaltou a importância dos referidos atributos para prestar cuidados adequados e eficazes na área de álcool e drogas(36). A falta de treinamento adequado representa uma importante barreira para a abordagem desta temática nos contextos de trabalho, por sua relação com níveis de confiança, desconforto e atitudes inadequadas, o que faz com que os profissionais se distanciem do importante papel de intervir preventivamente(37).

Educadores que, por sua vez, possuem a atribuição de prevenir danos de diversas naturezas simultaneamente, precisam ser fortalecidos por meio de investimentos educacionais continuados em temas específicos, tal como as intervenções breves para o uso de substâncias. A escola tem sido considerada um ambiente de interface com a saúde, local em que ações como triagem, encaminhamentos e atividades educativas podem ser empreendidas(38). Os achados desta pesquisa sugerem que especialmente para o uso de outras drogas (exceto o álcool), as atitudes relacionadas ao sentimento de satisfação no trabalho e o reconhecimento de suporte são fundamentais para concretizar estas práticas, além de serem melhor desenvolvidas quando há mais de um episódio de qualificação. Estudo prévio que ofereceu treinamento sobre o tema para estudantes de enfermagem encontrou resultados divergentes, mostrando que a intervenção teve mais efeitos positivos sobre as atitudes frente ao álcool do que a outras drogas(37).

A melhora das atitudes somada à disseminação de estratégias de rastreamento e intervenções breves para o uso de substâncias psicoativas entre educadores pode aumentar sua responsabilização frente ao tema, minimizar seu receio em abordar esse tema no âmbito escolar (atrelado à falta de conhecimento teórico e de acesso a informações sobre o assunto), o medo de sofrer represálias (dos alunos, pais e traficantes no entorno escolar) e, ainda, facilitar a compreensão de que este problema representa um trabalho a ser executado não apenas por profissionais especializados na área de Saúde Mental(10).

Limitações do estudo

As limitações do estudo envolvem a verificação de validade e confiabilidade dos instrumentos SAAPPQ e DDPPQ-br entre professores, que se deu apenas por validade de face, que é a mais simples e fraca(29), e por consistência interna. Outras medidas e análises podem ser avaliadas em estudos futuros para resultados mais robustos. No caso do SAAPPQ, a reformulação de alguns itens poderia melhorar sua coerência interna.

Na etapa quase-experimental, as limitações são inerentes ao seu delineamento, pois sempre podem existir outras variáveis intervenientes, além da intervenção aplicada(30).

Contribuições para a área da enfermagem, saúde ou política pública

Os achados chamam atenção para o potencial impacto da capacitação em rastreamento e intervenções breves sobre as atitudes de profissionais externos à área de saúde, na qualidade de ferramenta universal que pode ser utilizada em diversos contextos(28), cooperar para a melhora da compreensão de como e em quais contextos essas estratégias podem funcionar e qual a sua real efetividade, que é uma lacuna levantada na literatura científica(39). Em estudo prévio, ações preventivas sobre o uso de substâncias foram apontadas como mais efetivas quando implementadas por professores do que aquelas oferecidas por especialistas(15). Isso reforça a necessidade de disseminar as intervenções breves entre professores, e enfermeiros são os profissionais mais recomendados para esta finalidade, dada a sua competência em exercer ações de educação em saúde(28).

CONCLUSÕES

Os instrumentos SAAPPQ e DDPPQ-br podem ser utilizados entre professores, embora o nível de consistência interna do primeiro tenha sido baixo. A intervenção educativa em rastreamento e intervenções breves foi efetiva para melhorar as atitudes dos professores em relação a responsabilização (legitimação) sobre abordagem do uso de álcool e drogas na escola e o preparo (adequação) para exercer tal função. Em relação às drogas, melhorou a percepção de suporte para enfrentar o problema.

Outra conclusão foi que as atitudes relacionadas ao sentimento de satisfação no trabalho e o reconhecimento de suporte são melhor desenvolvidas por meio de um processo de educação não restrito a uma única intervenção educativa. A disseminação de estratégias dessa natureza por profissionais de saúde (especialmente enfermeiros) em ambiente escolar pode fortalecer a função deste local como espaço de educação em saúde. Outra implicação está relacionada à reflexão de como as intervenções breves podem funcionar, efetivamente, no cotidiano da escola, com a promoção de mudanças através dos educadores no uso de substâncias psicoativas por seus estudantes.

FOMENTO

Agradecimento ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro e concessão de bolsa.

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Recebido: 02 de Fevereiro de 2018; Aceito: 02 de Janeiro de 2019

Autor Correspondente: Angelica Martins de Souza Gonçalves E-mail: angelicamartins@ufscar.br

EDITOR CHEFE: Dulce Aparecida Barbosa

EDITOR ASSOCIADO: Cristina Parada

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