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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.73 no.4 Brasília  2020  Epub 08-Jun-2020

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0777 

ARTIGO ORIGINAL

Atribuições do enfermeiro no ambiente aeroespacial

Shara Bianca De Pin RaduenzI 
http://orcid.org/0000-0002-4384-6175

José Luís Guedes dos SantosI 
http://orcid.org/0000-0003-3186-8286

Daniele Dalcanal LazzariI 

Eliane Regina Pereira do NascimentoI 
http://orcid.org/0000-0003-2215-4222

Keyla Cristiane do NascimentoI 
http://orcid.org/0000-0003-4157-2809

André Ricardo MoreiraI 
http://orcid.org/0000-0002-9888-5120

IUniversidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.


RESUMO

Objetivos:

caracterizar os enfermeiros que atuam no ambiente aeroespacial e identificar as atribuições mais frequentes desenvolvidas por eles durante os períodos pré-voo, voo e pós-voo.

Métodos:

pesquisa exploratório-descritiva, com abordagem quantitativa, desenvolvida por meio de um survey via Google forms ®, de janeiro a abril de 2018, com 50 enfermeiros de serviços aeroespaciais do Brasil. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva.

Resultados:

predominaram participantes do sexo masculino (64%), com idade média de 37 anos, com tempo médio de atuação no ambiente aeroespacial de seis anos, em aeronaves de asa rotativa (54%) e provenientes da região Sul (42%). As principais atividades no pré-voo, durante o voo e pós-voo foram, respectivamente: verificação/teste da funcionalidade de equipamentos, assistência de enfermagem aos pacientes e reposição de insumos e equipamentos.

Conclusões:

na atuação do enfermeiro no ambiente aeroespacial predominam ações organizacionais e de cuidado à vítima durante todas as etapas do voo.

Descritores: Cuidados de Enfermagem; Resgate Aéreo; Medicina Aeroespacial; Serviços Médicos de Emergência; Papel do Profissional de Enfermagem

ABSTRACT

Objectives:

to characterize the nurses who work in the aerospace environment and to identify their most frequent responsibilities during the pre-flight, flight, and post-flight periods.

Methods:

a quantitative, exploratory-descriptive research, conducted using a survey through Google forms®, from January to April of 2018, with 50 nurses from aerospace services in Brazil. Data were analyzed using descriptive statistics.

Results:

predominance of male participants (64%), mean age of 37 years, with a mean working time in the aerospace environment of six years, in helicopter (54%), and in the southern region (42%). The main pre-flight, flight, and post-flight activities were, respectively: verification/testing of equipment functionality, nursing care for patients, and replacement of supplies and equipment.

Conclusions:

In the aerospace environment, nurses’ work are primarily organizational and victim care actions, during all phases of the flight.

Descriptors: Nursing Care; Air Ambulances; Aerospace Medicine; Emergency Medical Services; Nurse’s Role

RESUMEN

Objetivos:

caracterizar a los enfermeros que actúan en el ambiente aeroespacial e identificar las asignaciones más frecuentes desarrolladas por ellos durante los períodos previos a vuelo, vuelo y post-vuelo.

Métodos:

investigación exploratoria-descriptiva, con abordaje cuantitativo, desarrollada por medio de una encuesta vía Google forms ®, de enero a abril de 2018, con 50 enfermeros de servicios aeroespaciales de Brasil. Los datos se analizaron por medio de estadística descriptiva.

Resultados:

predominaron participantes del sexo masculino (64%), con edad media de 37 años, con tiempo promedio de actuación en el ambiente aeroespacial de seis años, en aeronaves de ala rotativa (54%) y provenientes de la Región Sur (42%). Las principales actividades en el pre-vuelo, durante el vuelo y post-vuelo fueron, respectivamente: verificación/prueba de la funcionalidad de equipos, asistencia de enfermería a los pacientes y reposición de insumos y equipamientos.

Conclusiones:

en la actuación del enfermero en el ambiente aeroespacial predominan acciones organizacionales y de cuidado a la víctima durante todas las etapas del vuelo.

Descriptores: Atención de Enfermería; Ambulancias Aéreas; Medicina Aeroespacial; Servicios Médicos de Urgencia; Rol de la Enfermera

INTRODUÇÃO

A Enfermagem é uma profissão em constante transformação, que tem sua história marcada pela inserção em novos espaços de atuação e cenários de cuidado. Em função disso, no Brasil, há 42 especialidades de atuação dessa especialidade, conforme a Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) n° 389/2011. Uma delas é a Enfermagem Aeroespacial1-3.

No Brasil, o atendimento pré-hospitalar e inter-hospitalar em veículos aéreos está em expansão em função da dimensão territorial, das distâncias geográficas e das dificuldades de tráfego urbano em grandes cidades. Além disso, também há o aumento da demanda por atendimentos decorrentes de urgências clínicas e traumáticas, cujos pacientes requerem assistência rápida e encaminhamento para serviços de emergência hospitalar1,3.

O atendimento por meio de aeronaves de transporte médico é parte do componente pré-hospitalar móvel da rede de serviços de atenção às urgências previstas pela Política Nacional de Atenção às Urgências, no Brasil, desde 2003. A aeronave de transporte médico é classificada como ambulância “Tipo E”, podendo ser uma aeronave de asa rotativa, que é utilizada tanto no transporte inter-hospitalar como nas operações de resgate, ou uma aeronave de asa fixa, que realiza o primeiro tipo de operação citada. Ambas devem ser dotadas de equipamentos médicos homologados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)4.

A prática dos enfermeiros no atendimento pré-hospitalar móvel e inter-hospitalar em aeronaves de asa fixa e/ou rotativa requer experiência prévia em contextos pré-hospitalares e hospitalares para o desenvolvimento de competências e habilidades específicas, como: tomada de decisão, trabalho em equipe, realização de intervenções rápidas e avaliação das condições clínicas do paciente1,5-7. Além disso, o enfermeiro desenvolve atividades relacionadas ao planejamento, à organização e à provisão de recursos para uma assistência integral e segura ao paciente1,8.

O adequado desempenho das atividades do enfermeiro junto à tripulação aeroespacial está diretamente relacionado à busca por qualificação profissional contínua para o desenvolvimento de uma assistência de excelência1,3,7. Porém, a regulamentação das atribuições do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar e inter-hospitalar em veículos aéreos foi promulgada somente em 2017, pela Resolução COFEN n° 0558, e a produção científica sobre a temática ainda é escassa, principalmente no Brasil. Também é importante considerar que o contexto aeroespacial é um ambiente de trabalho estressante psicológica e fisiologicamente para os profissionais, em função das condições nas quais os atendimentos são realizados6-7.

Portanto, o ambiente aeroespacial constitui-se de uma área de trabalho relativamente recente, com grande potencial de expansão, que precisa de enfermeiros capacitados para lidar com os desafios desse cenário de atuação. Assim, constata-se a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o papel do enfermeiro no ambiente aeroespacial e identificar se as atribuições realizadas estão em consonância com a legislação profissional. O conhecimento do papel do enfermeiro como membro da equipe de bordo poderá contribuir para a qualificação da sua prática profissional e construção da sua identidade profissional3.

Com base no panorama exposto, a questão norteadora deste estudo foi: Quais as atribuições mais frequentes desenvolvidas por enfermeiros no ambiente aeroespacial?

OBJETIVOS

Caracterizar os enfermeiros que atuam no ambiente aeroespacial e identificar as atribuições mais frequentes desenvolvidas por eles durante os períodos pré-voo, voo e pós-voo.

MÉTODOS

Aspectos éticos

O estudo atendeu aos preceitos éticos da pesquisa com seres humanos no Brasil e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina. Todos os participantes consentiram em integrar o estudo mediante concordância em Termo de Consentimento Livre e Esclarecido online.

Desenho, local do estudo e período

Trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva, com abordagem quantitativa, desenvolvida por meio de um survey online, via Google forms® . Optou-se por um questionário virtual, principalmente, para potencializar o acesso a enfermeiros de todo o território nacional. Desse modo, o estudo não foi circunscrito a um local específico.

Amostra, critérios de inclusão e exclusão

A coleta de dados se realizou de janeiro a abril de 2018. Os participantes do estudo foram enfermeiros que atuavam no atendimento pré-hospitalar móvel e inter-hospitalar em aeronaves de asa fixa e/ou rotativa, em instituições públicas ou privadas, no Brasil.

A falta de informações sobre os serviços de atendimento pré-hospitalar e inter-hospitalar em aeronaves no Brasil dificultou o recrutamento de enfermeiros diretamente a partir de instituições empregadoras, bem como a realização de um cálculo amostral para definição dos participantes da pesquisa. Para a identificação e seleção dos participantes, o link com o questionário da pesquisa foi divulgado nas redes sociais Facebook®, Instagram® e Linkedin®. Além disso, fez-se contato eletrônico com os órgãos representativos da classe profissional e com grupos de pesquisa cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico com linhas de pesquisa relacionadas à temática em questão. A partir dessas estratégias, obteve-se uma amostra por conveniência de 50 participantes.

Como critério de inclusão, considerou-se a atuação como enfermeiro no atendimento pré-hospitalar móvel e inter-hospitalar em aeronaves de asa fixa e/ou rotativa no período da coleta de dados. Adotou-se como critério de exclusão questionários com informações incompletas.

Protocolo do estudo

Para a coleta de dados, criou-se um formulário online individualizado, com duas partes: 1) Dados de caracterização sociodemográfica e profissional: sexo, idade, formação acadêmica, formação complementar, tempo de atuação, região do país de atuação, tipo de instituição, tipo de aeronave, capacitação prévia, outro vínculo empregatício, renda e carga horária semanal; e 2) Prática profissional, composta por 13 questões relacionadas com as atribuições do enfermeiro no pré-voo (oito), durante o voo (quatro) e pós-voo (quatro), dispostas na Resolução do COFEN n° 0551/20179.

Para cada pergunta, os enfermeiros responderam a frequência com que realizaram a atividade mencionada por meio de uma escala Likert com cinco opções: nunca; raramente; às vezes; frequentemente; sempre. O preenchimento do instrumento de coleta de dados deu-se de forma voluntária por meio de contato eletrônico, como já mencionado, em formato de links com uma mensagem inicial, contendo um convite para participar da pesquisa. Ressalta-se que antes da coleta de dados realizou-se pré-teste do instrumento com dois enfermeiros com experiência na área, os quais não compuseram o estudo. Não foram necessárias alterações no instrumento após o pré-teste.

Análise dos resultados e estatística

Os dados quantitativos obtidos foram organizados em uma planilha eletrônica e exportados ao software Statistical Package for Science Social (SPSS), versão 19.0. Para apresentação e análise das variáveis categóricas, utilizou-se estatística descritiva para o cálculo da frequência, em número absoluto e percentual. Para as variáveis contínuas, analisaram-se as medidas de posição (média, mínimo e máximo) e dispersão (desvio padrão).

RESULTADOS

Dos 50 enfermeiros participantes da pesquisa, 32 (64%) eram do sexo masculino, com idade média de 37 anos. O tempo médio de experiência como enfermeiro foi de 10 anos, com média de 6 anos de atuação no ambiente aeroespacial. A maioria atuava na região Sul do Brasil (42%), em serviços vinculados a instituições públicas (68%) e em aeronaves de asa rotativa (54%). Ao ingressarem no serviço, 39 (78%) enfermeiros referiram ter recebido capacitação prévia. A carga horária semanal média de trabalho foi 37 horas. Quanto à renda mensal, 21 (42%) tinham remuneração de 3 a 5 salários mínimos (Tabela 1).

Tabela 1 Perfil sociodemográfico dos enfermeiros (n=50), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2018 

Variável N(%) Média Desvio Padrão Variação (mín.-máx.)
Sexo
Masculino 32(64,0)
Feminino 18(36,0)
Idade (anos) 37,18 6,33 25-57
Tempo de atuação no aeroespacial (anos) 5,90 4,93 1-23
Tempo de atuação como enfermeiro (anos) 10,24 4,66 2-24
Região em que atua
Sul 21(42,0)
Centro-Oeste e Distrito Federal 11(22,0)
Sudeste 10(20,0)
Nordeste 4(8,0)
Norte 4(8,0)
Tipo de instituição
Pública 34(68,0)
Privada 16(32,0)
Tipo de aeronave
Asa rotativa 27(54,0)
Ambas – Asas fixa e rotativa 12(24,0)
Asa fixa 11(22,0)
Remuneração*
Até 3 salários mínimos 5(10,0)
De 3 a 5 salários mínimos 21(42,0)
De 5 a 8 salários mínimos 14(28,0)
Acima de 8 salários mínimos 10(20,0)
Recebeu capacitação para serviço aeroespacial
Sim 39(78,0)
Não 11(22,0)
Possui outro vínculo empregatício
Sim 39(78,0)
Não 11(22,0)
Carga horária semanal (em horas) 36,6 9,1 8-60

Nota:

*Salário mínimo vigente em 2018 no Brasil = R$954,00.

No que se refere à formação acadêmica, 58% possuíam especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva ou Urgência/Emergência. Quanto à formação complementar, houve a participação média em dois cursos de capacitação específicos para atuação em urgência/emergência por participante. Os principais cursos realizados foram o Prehospital Trauma Life Support (19,85%) e Advanced Cardiac Life Support (18,32%). Um dos participantes não realizou nenhum curso complementar na área (Tabela 2).

Tabela 2 Formação acadêmica e complementar (n=50), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2018 

Variável n(%)
Formação acadêmica máxima
Graduação 4(8,0)
Especialização em Enfermagem Aeroespacial 7(14,0)
Especialização em Terapia Intensiva ou Urgência/Emergência 29(58,0)
Especialização em outras áreas de atuação da Enfermagem 8(16,0)
Mestrado 2(4,0)
Formação complementar de Suporte Avançado de Vida (N=131)
Advanced Cardiac Life Support (ACLS) 24(18,3)
Advanced Trauma Care for Nurses (ATCN) 10(7,6)
Advanced Trauma Life Support (ATLS) 4(3,0)
Basic Trauma Life Support (BTLS) 3(2,2)
Pediatric Advanced Life Support (PALS) 9(6,8)
Prehospital Trauma Life Support (PHTLS) 26(19,8)
Trauma Life Support for Nurses (TLSN) 5(3,8)
Capacitação para Inserção de Cateter Central de Inserção Periférica 8(6,1)
Capacitação para Punção Intraóssea 21(16,0)
Capacitação para Intubação Supraglótica – Máscara laríngea 20(15,2)
Não realizou nenhum desses cursos ainda 1(2,0)

As atividades profissionais desenvolvidas pelos enfermeiros estão apresentadas conforme as etapas: pré-voo, durante o voo e pós-voo (Tabela 3). Das 16 atividades analisadas, 15 apresentaram porcentagem igual ou maior a 60% na opção “sempre”. No pré-voo, a atribuição realizada com maior frequência pelos participantes foi a verificação/teste da funcionalidade de cada equipamento (n=42; 84,0%). Durante o voo, a principal atividade dos enfermeiros foi a assistência integral de enfermagem ao paciente, zelando pela sua integridade física e psíquica (n=42; 84,0%). No pós-voo, destacou-se a atuação dos enfermeiros na reposição de insumos e equipamentos utilizados, conforme protocolo institucional (n=42; 84,0%).

Tabela 3 Atribuições dos enfermeiros (n=50), Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2018 

Atribuição N n(%) R n(%) AV n(%) F n(%) S n(%)
PRÉ-VOO
1. Conhecer os equipamentos e realizar manobras de extração manual de vítimas 2(4,0) 3(6,0) 9(18,0) 13(26,0) 23(46,0)
2. Planejar a previsão, requisição e controle dos materiais e equipamentos utilizados nos procedimentos previstos 1(2,0) - 3(6,0) 16(32,0) 30(60,0)
3. Preparar a aeronave com materiais e equipamentos, conforme o quadro do paciente a ser atendido 1(2,0) - 2(4,0) 7(14,0) 40(80,0)
4. Instalar os equipamentos dentro da aeronave 1(2,0) - 3(6,0) 12(24,0) 34(68,0)
5. Verificar/testar a funcionalidade de cada aparelho 1(2,0) - - 7(14,0) 42(84,0)
6. Obter informações no prontuário e com a equipe médica sobre a história clínica do paciente; verificar a existência de doenças ou condições que possam afetar o quadro clínico do paciente durante o voo 2(4,0) 1(2,0) 4(8,0) 8(16,0) 35(70,0)
7. Inteirar-se do tempo previsto de voo, para planejamento adequado da assistência 1(2,0) - 1(2,0) 10(20,0) 38(76,0)
8. Realizar em conjunto com o médico a organização dos equipamentos, materiais e medicamentos, estabelecendo sua disposição na aeronave a fim de oferecer uma remoção segura ao paciente 2(4,0) 1(2,0) 4(8,0) 7(14,0) 36(72,0)
DURANTE O VOO
9. Garantir assistência integral de enfermagem ao paciente, zelando pela sua integridade física e psíquica 1(2,0) - - 7(14,0) 42(84,0)
10. Administrar medicamentos prescritos ou constantes nos protocolos institucionais 1(2,0) 1(2,0) 4(8,0) 14(28,0) 30(60,0)
11. Avaliar e sistematizar as prioridades do paciente 1(2,0) 2(4,0) 1(2,0) 714,0) 39(78,0)
12. Realizar o registro de enfermagem de forma objetiva, clara e precisa 2(4,0) 3(6,0) - 9(18,0) 36(72,0)
PÓS-VOO
13. Encaminhar o paciente à equipe de destino, registrando em prontuário e fornecendo todas as informações necessárias à continuidade da assistência de enfermagem 2(4,0) 3(6,0) 3(6,0) 6(12,0) 36(72,0)
14. Assegurar a reposição de insumos e equipamentos utilizados, conforme protocolo institucional 1(2,0) - - 7(14,0) 42(84,0)
15. Assegurar a limpeza e desinfecção do interior da aeronave onde se dá a assistência ao paciente e aos equipamentos, conforme protocolo institucional 2(4,0) 2(4,0) 3(6,0) 12(24,0) 31(62,0)
16. Fazer relatório de gastos de material, medicamentos e possíveis intercorrências 3(6,0) 2(4,0) 4(8,0) 4(8,0) 37(74,0)

Nota: N - Nunca; R - Raramente; AV - Às vezes; F - Frequentemente; S - Sempre.

DISCUSSÃO

Em relação à caracterização dos enfermeiros, evidenciou-se participação majoritariamente masculina no ambiente aeroespacial, contrariando o perfil da Enfermagem brasileira, em que a presença feminina é dominante10. Esse resultado confirma que a maior inserção de homens na Enfermagem concentra-se em cenários cujo entendimento empírico é a necessidade de características tidas como masculinas, ou seja, que demandem força física, tenacidade e gerenciamento das emoções11-12, tais como: Serviços de Urgência e Emergência Psiquiátrica13, Unidades de Terapia Intensiva (UTI)14 e em Serviços de Atendimento Móvel de Urgência15-16.

Esse espaço de atuação da Enfermagem contribui e, em certa medida, reforça o necessário debate de gênero na profissão. A desconstrução de ideias pré-concebidas sobre feminilidade e masculinidade na Enfermagem possibilita a fragmentação dos estereótipos de gênero, possibilitando, inclusive, o fim das desigualdades nas relações de trabalho17.

Quanto à idade, a amostra foi constituída predominantemente por enfermeiros na fase de maturidade profissional, que se caracteriza pelo pleno desenvolvimento de capacidades cognitivas, técnicas e práticas10,15. Em relação à experiência profissional, o tempo médio de atuação dos participantes como enfermeiros foi de 10 anos, com 6 anos de média de atuação em aeronaves. Desta forma, parte deles possuía considerável experiência profissional acumulada. Resultados semelhantes estão descritos em estudo sobre o perfil de enfermeiros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Santa Catarina, Brasil15.

Quanto à região de atuação, 84% dos respondentes eram das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Distrito Federal. Esse resultado pode estar associado à concentração de enfermeiros nessas localidades10. Além disso, essas regiões estão entre as mais urbanizadas do país, o que requer do Estado a provisão e estruturação de políticas públicas para o atendimento de demandas relativas a infraestrutura, mobilidade urbana, saúde e segurança pública18-19. Nesse sentido, a assistência de suporte avançado de vida por meio de aeronaves reduz o tempo-resposta de atendimento e translado para hospitais de referência em grandes centros urbanos20.

Em relação ao tipo de instituição e aeronave, destacou-se a atuação dos enfermeiros em serviços públicos (68%) e em aeronaves de asa rotativa (54%). Os números relativos ao primeiro grupo podem ser explicados pela vinculação dos mesmos a setores de segurança pública no Brasil, tais como Força Aérea Brasileira (FAB), Polícia Militar e Corpo de Bombeiros21. Consequentemente, o uso das aeronaves é compartilhado entre serviços de saúde e segurança pública, sendo empregadas não só para atendimentos de emergência, mas também em operações policiais, multimissão, fiscalização e transporte de tropa18. Para essas finalidades, aeronaves de asa rotativa facilitam o deslocamento e acesso a locais de difícil atendimento, pois realizam pouso vertical sem necessidade de pista de aterrissagem21.

Outro dado a ser destacado é que parte dos enfermeiros integrantes deste estudo iniciaram suas atividades sem capacitação prévia. Tal resultado pode ser considerado alarmante, considerando as especificidades do trabalho e a gravidade dos atendimentos realizados no ambiente aeroespacial. Entretanto, a falta de capacitação prévia também foi evidenciada entre enfermeiros do Serviço Móvel de Urgência em Santa Catarina, Brasil15, e entre profissionais de saúde do transporte aéreo de pacientes de uma empresa privada de Belo Horizonte, Brasil22.

A carga horária semanal de trabalho dos enfermeiros foi de aproximadamente 36 horas, e parte expressiva possuía outro vínculo empregatício. Tais resultados são divergentes em relação a estudos em outros cenários de atuação, nos quais predomina carga horária maior de trabalho, mas com vínculo profissional único14-15. Esse achado pode estar relacionado às especificidades do trabalho no ambiente aeroespacial, em que é comum o regime de trabalho por plantões e sobreaviso.

A renda mensal é um dado de difícil comparação, pois a Enfermagem não possui piso salarial no Brasil. No entanto, sabe-se que uma remuneração conflitante com a carga horária de trabalho pode levar a duplos vínculos empregatícios e longas jornadas laborais, o que pode impactar negativamente na saúde do trabalhador e, consequentemente, na qualidade da assistência prestada14.

A formação acadêmica centrou-se na pós-graduação lato sensu em Terapia Intensiva ou Urgência/Emergência. Pequena parte da amostra era de especialistas em Enfermagem Aeroespacial, o que pode ser atribuído ao fato de que cursos de especialização em Enfermagem Aeroespacial ainda são escassos no Brasil, considerando que essa é uma especialidade relativamente nova no País. Além disso, muitos enfermeiros dessa área tiveram experiências prévias em outros ambientes de cuidado intensivo, o que justifica a realização de cursos de especialização nessa área3,8,23.

Além da formação acadêmica, identificou-se a busca pela realização de cursos complementares e específicos para atuação no Suporte Avançado de Vida, tais como o Prehospital Trauma Life Support, que qualifica os profissionais para o atendimento ao traumatizado, e Advanced Cardiac Life Support, que visa o desenvolvimento de habilidades de suporte básico e avançado de vida para o atendimento de eventos agudos cardiovasculares23. A busca pela realização desses cursos para o aperfeiçoamento profissional na área de urgência e emergência também foi identificada em pesquisa com enfermeiros de um serviço de atendimento pré-hospitalar privado do interior do Rio Grande do Sul, Brasil3. Além disso, há que se considerar que os cursos de capacitação supracitados são de curta duração e, para muitos, economicamente mais acessíveis, em comparação aos cursos de pós-graduação lato sensu.

O interesse na formação complementar também pode estar associado à necessidade de conhecimentos específicos conforme a área de inserção profissional no mercado de trabalho após o término do curso de graduação. Desse modo, a assistência de enfermagem no serviço aéreo requer formação especial e atualização constante para o atendimento de situações complexas e imprevisíveis3,14,23-24.

Em relação às atribuições dos enfermeiros, de modo geral, os resultados desta pesquisa mostram que a prática dos enfermeiros no ambiente aeroespacial contempla o que é previsto pela Resolução do COFEN n° 0551/20179.

Na etapa do pré-voo, a atribuição realizada com maior frequência pelos participantes foi a verificação e o teste da funcionalidade de cada aparelho. Estudos anteriores sobre a atuação do serviço aeromédico no Brasil1,3,8 enfatizam a importância do enfermeiro na previsão e provisão de materiais e equipamentos na gestão de insumos e materiais nos serviços de saúde. A responsabilidade pela checagem das bolsas de resgate, conferência de materiais e insumos e verificação da funcionalidade dos equipamentos deve ser partilhada com o médico que compõe a equipe de bordo, minimizando possíveis erros e aumentando a segurança para o paciente22,25. A segurança do paciente no transporte aeromédico inicia já no pré-voo, por meio do planejamento adequado da assistência em conjunto com a equipe multidisciplinar, tendo continuidade no voo propriamente dito26.

Durante o voo, a assistência integral ao paciente destacou-se como principal atividade dos enfermeiros. A realização de registro de enfermagem de forma objetiva, clara e precisa é uma atribuição feita sempre ou frequentemente pelos participantes deste estudo. A Resolução do COFEN n° 358/2009 reforça a importância e a necessidade de planejar a assistência de enfermagem e dispõe que a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) deve ocorrer em toda instituição de saúde, pública e privada. Mesmo diante das especificidades do ambiente aeroespacial, o desenvolvimento da SAE é possível. Inicia-se com a avaliação do paciente ainda no pré-voo, planejamento da assistência e oferta de informações sobre a evolução clínica do paciente durante a remoção e fornecimento de dados para a instituição de destino1,23.

A atividade com menor frequência de realização durante o voo foi a administração de medicamentos. Isso pode indicar que, na maioria das vezes, o paciente é estabilizado em solo, sem necessidade de procedimentos durante o voo. Nesse sentido, destaca-se estudo sobre as intervenções de emergência nas vítimas de trauma de um serviço aeromédico, em que o procedimento mais frequente evidenciado foi justamente a punção venosa periférica para reposição volêmica ou de medicações no pré-voo27.

No pós-voo, destacou-se como principal atividade do enfermeiro a reposição de insumos e equipamentos utilizados, conforme protocolo institucional. Tal resultado também foi identificado em outros estudos acerca da temática, em que a desinfecção dos materiais utilizados, sua esterilização e reposição de acordo com rotinas e documentos da instituição foram citadas como atividades dos enfermeiros de bordo na etapa do pós-voo26-27. A dimensão gerencial da Enfermagem tem destaque nesse cenário de cuidado, principalmente quanto à gestão de materiais, insumos e equipamentos utilizados no atendimento.

No pós-voo, cabem ainda ao enfermeiro a passagem de plantão sobre os cuidados de enfermagem realizados, o registro de dados do paciente na ficha de atendimento e a solicitação da assinatura do médico responsável pelo paciente no hospital23.

A atuação do enfermeiro em serviços de atendimento pré-hospitalar móvel e inter-hospitalar em aeronaves e as atividades de planejamento do atendimento mostram-se como diferenciais para a prática profissional e execução de cuidados mais seguros durante toda a assistência realizada.

Limitações do estudo

A escassez de informações sobre os serviços de atendimento pré-hospitalar e inter-hospitalar em aeronaves no Brasil dificultou o recrutamento de participantes a partir de instituições empregadoras. Além disso, embora a coleta de dados online tenha facilitado o acesso a potenciais participantes da pesquisa, não se pode ter controle quanto a quem é o respondente. No tangente à procedência dos respondentes, a vinculação profissional dos pesquisadores pode ter contribuído para uma taxa maior de respondentes da região Sul do Brasil.

Contribuições para a área da enfermagem, saúde ou política pública

Embora já haja uma regulamentação pelo COFEN das atribuições do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar e inter-hospitalar em veículos aéreos, este estudo fornece um panorama de quais são as atribuições mais frequentes, podendo subsidiar a preparação de futuros enfermeiros interessados em atuar nessa área. Assim, vislumbra-se que os achados do presente estudo poderão contribuir para a divulgação e expansão da Enfermagem Aeroespacial como campo profissional no Brasil. Como sugestões para estudos futuros, pontua-se a necessidade de investigações acerca das condições de trabalho do enfermeiro no ambiente aeroespacial, visando uma assistência segura e de qualidade.

CONCLUSÕES

A força de trabalho dos enfermeiros que atuam no ambiente aeroespacial é majoritariamente masculina e com formação acadêmica/complementar adequada para atuação em cenários críticos de cuidado. Dentre as atribuições dos enfermeiros, destacaram-se ações organizacionais e de cuidado à vítima durante todas as etapas do voo, resultando em uma assistência integral e segura às vítimas atendidas.

FOMENTO

O presente trabalho contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 16 de Outubro de 2018; Aceito: 16 de Julho de 2019

Autor Correspondente: Shara Bianca De Pin Raduenz. E-mail: sharab_02@hotmail.com

EDITOR CHEFE: Dulce Aparecida Barbosa

EDITOR ASSOCIADO: Alexandre Balsanelli

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