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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.73 no.6 Brasília  2020  Epub Aug 14, 2020

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2019-0479 

REVISÃO

Ambiente da prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde: revisão scoping

Pedro Ricardo Martins Bernardes LucasI 
http://orcid.org/0000-0002-2560-7306

Elisabete Maria Garcia Teles NunesII 
http://orcid.org/0000-0001-7598-0670

I Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. Lisboa, Portugal.

II Universidade Católica Portuguesa. Lisboa, Portugal.


RESUMO

Objetivo:

Examinar a evidência científica acerca do ambiente da prática de enfermagem na Atenção Primária à Saúde.

Métodos:

Revisão scoping da literatura, com 3 etapas: 1) uma pesquisa inicial na CINAHL e MEDLINE; 2) uma pesquisa mais ampliada, utilizando as mesmas palavras-chave e termos de pesquisa, nas bases de dados restantes da plataforma EBSCOHost; 3) pesquisa nas referências bibliográficas dos artigos selecionados. Os estudos selecionados foram do período entre 2007 e 2018.

Resultados:

Foram incluídos 19 artigos; a maioria relatou achados do ambiente da prática de enfermagem e resultados para os clientes, para os enfermeiros, para os enfermeiros gerentes e para a eficiência das organizações, na Atenção Primária à Saúde.

Conclusão:

Melhorar o ambiente da prática de enfermagem tem consequências na qualidade dos cuidados de enfermagem, com aumento de resultados para os clientes, para a enfermagem e para a Atenção Primária à Saúde.

Descritores: Enfermagem; Administração de Serviços de Saúde; Ambiente de Trabalho; Atenção Primária à Saúde; Revisão

ABSTRACT

Objective:

To examine the scientific evidence about the nursing practice environment in Primary Health Care.

Methods:

Three-step scoping review. 1) An initial research on CINAHL and MEDLINE. 2) A broader search using the same keywords and search terms in the remaining EBSCOHost platform databases. 3) Search the bibliographical references of the selected articles. The studies selected were from 2007 to 2018.

Results:

19 articles were included, most reported findings of the nursing practice environment and results for clients, nurses, nurse managers and the efficiency of organizations, in Primary Health Care.

Conclusion:

Improving the environment of nursing practice has consequences on the quality of nursing care, with increased results for clients, nursing and Primary Health Care.

Descriptors: Nursing; Health Services Administration; Work Environment; Primary Health Care; Review

RESUMEN

Objetivo:

Examinar la evidencia científica acerca del ambiente de la práctica de enfermería en la Atención Primaria d a la Salud.

Métodos:

Revisión de alcance (scoping review) de la literatura en 3 etapas: 1) Una investigación inicial en la CINAHL y MEDLINE. 2) Una búsqueda más amplia utilizando las mismas palabras clave y términos de búsqueda en las bases de datos restantes de la plataforma EBSCOHost. 3) Buscar las referencias bibliográficas de los artículos seleccionados. Los estudios seleccionados han sido de 2007 a 2018.

Resultados:

Han sido inclusos 19 artículos, la mayoría relacionó hallazgos del ambiente de la práctica de enfermería y resultados para clientes, enfermeros, gerentes de enfermería y la eficiencia de las organizaciones, en Atención Primaria a la Salud.

Conclusión:

Mejorar el ambiente de la práctica de enfermería tiene consecuencias en la calidad de los cuidados de enfermería, con mayores resultados para los clientes, la enfermería y la Atención Primaria a la Salud.

Descriptores: Enfermería; Administración de los Servicios de Salud; Ambiente Laboral; Atención Primaria a la Salud; Revisión

INTRODUÇÃO

É escasso o conhecimento e a evidência científica sobre os ambientes de prática de enfermagem (APE) nos contextos da Atenção Primária à Saúde (APS)1.

Os decisores políticos, as organizações de saúde e de profissionais têm proposto redesenhar o sistema de saúde na APS com o objetivo de aumentar a acessibilidade dos cidadãos, melhorar os resultados nos clientes e maximizar a eficiência1.

O envelhecimento da população e a cronicidade de muitas doenças provocam o aumento da procura tanto por APS1 quanto, consequentemente, por enfermeiros2, a fim de que as necessidades desses clientes sejam atendidas.

O Conselho Internacional de Enfermeiros3) considera que existe uma escassez crítica de enfermeiros, cujos motivos são complexos e variados, estando, entre os principais, os ambientes pouco favoráveis, que enfraquecem o desempenho ou contribuem para o alheamento dos enfermeiros e, com demasiada frequência, os afastam de ambientes de trabalho específicos ou da própria profissão3. Como tal, na última década, a carência global de enfermeiros teve como uma consequência aumentar o interesse acadêmico internacional sobre o APE4.

A prática de cuidados de enfermagem é desenvolvida num ambiente de crescente complexidade e estresse para os profissionais5. A natureza estressante da enfermagem pode levar ao esgotamento, baixa produtividade, absenteísmo6 e, no longo prazo, contribui para a falta de pessoal4,7, agravando ainda mais o problema8.

Conhecendo os ambientes onde decorrem as práticas de cuidados, estamos a contribuir para melhorá-las e, consequentemente, promover a qualidade dos cuidados de enfermagem. O APE está relacionado com a satisfação profissional, com a qualidade dos cuidados de enfermagem e com a segurança do cliente9 e, ainda, com a efetividade dos cuidados para os clientes e para a eficiência das organizações. Dessa forma, o estudo dessa temática apresenta contributos fundamentais para as políticas de saúde dos sistemas de saúde de qualquer país.

O estudo do APE é fundamental para diagnosticar de que forma o podemos melhorar, como podemos promover a qualidade dos cuidados que os enfermeiros prestam e, portanto, contribuir para a melhoria dos contextos das práticas clínicas10.

A qualidade dos cuidados de enfermagem é um elemento essencial na profissão e refere-se, entre outros pontos, à relação direta entre o cliente e o enfermeiro. Depende de muitos fatores, principalmente do APE5.

Lake define o ambiente da prática como as características organizacionais de um contexto de trabalho que facilitam ou constrangem a prática profissional de enfermagem9.

Um APE favorável leva à melhoria dos resultados dos clientes, é um fator essencial para o aumento da satisfação dos enfermeiros6-7,9, sendo fundamental para se manter equipes com dotações seguras e reter nelas os enfermeiros8.

Por outro lado, APEs pobres, com falta de apoio do gerenciamento, fraca liderança e má relação multidisciplinar estão associados a: diminuição da qualidade dos cuidados1; eventos adversos nos clientes1 como erros11; aumento da mortalidade e complicações12-13; reinternamentos por complicações14; aumento dos custos com os cuidados de saúde15; prestação ineficaz de cuidados, conflitos e estresse entre os profissionais de saúde5,11; insatisfação profissional e aumento da rotatividade dos enfermeiros1,16-17.

Um APE seguro caracteriza-se por boas relações profissionais entre os seus membros, um gerenciamento que apoia os enfermeiros da prática de cuidados e horários de trabalho equilibrados18-19. Caracteriza-se também por adequação entre a carga de trabalho e as competências dos enfermeiros, tempo para dar resposta às necessidades dos clientes, autonomia profissional, recursos adequados e oportunidades de progressão profissional18-19.

As características mais importantes de um APE na APS são o apoio e suporte do gerenciamento; a liderança e gerenciamento; boas relações multidisciplinares entre enfermeiros e médicos; e qualidade dos cuidados19-20. Os enfermeiros gerentes desempenham um papel fundamental na criação de um APE favorável8, positivo19 e na promoção de uma prestação de cuidados de qualidade. Eles podem ainda proporcionar as ferramentas necessárias para o desenvolvimento profissional dos enfermeiros e de futuros gerentes21. A liderança influencia o APE22-23. Sem competências e conhecimentos adequados, torna-se difícil para os líderes em enfermagem manterem um ambiente de prática favorável19,24. O enfermeiro gerente é um motor de mudança no caminho para a excelência, organizando os recursos existentes e criando um ambiente seguro nos cuidados de enfermagem25.

A atuação dos enfermeiros na APS incide no âmbito do tratamento, reabilitação e promoção da saúde dos clientes apesar de terem, esses profissionais, pouco tempo para a promoção da saúde e prevenção da doença na organização diária dos cuidados. Eles têm uma ação significativa e reconhecida em cuidados domiciliários5.

As características do APE são fatores modificáveis e podem ser melhoradas com iniciativas político-administrativas, designadamente: formação de enfermeiros gerentes; promover a continuidade de cuidados ao cliente; aumentar as oportunidades de formação contínua dos enfermeiros e ampliar as oportunidades de participação destes nas decisões organizacionais26.

Dessa forma, é urgente e um dever da investigação em enfermagem estudar o APE no contexto da APS, sobretudo pelo fato de estudos publicados sobre a temática serem escassos. Existe necessidade de investigar o APE em outros níveis de cuidados dos sistemas de saúde, para além do contexto hospitalar25.

Considerando que um APE favorável é fundamental para a implementação de qualquer programa de saúde na APS e no seguimento das políticas de saúde para esse contexto, a promoção da melhoria desses ambientes é essencial; é um serviço público aos cidadãos, aos profissionais e às organizações de saúde.

OBJETIVO

Examinar a evidência científica acerca do APE na APS.

MÉTODOS

Esta revisão scoping tem como guidelines a metodologia proposta pelo Joanna Briggs Institute (JBI) para revisões scoping27. O objetivo é examinar a evidência científica acerca do APE na APS. A pergunta orientadora é: “Como se caracteriza o ambiente da prática de cuidados de enfermagem na APS?” De acordo com o JBI, as análises scoping têm como objetivo fornecer um mapa do alcance da evidência disponível; e permitem a identificação de questões para ajudar a promover a saúde e, no nosso caso, os cuidados de enfermagem baseados em evidências, aumentando o conhecimento, identificando lacunas e alertando para a necessidade de efetuar outras revisões sistemáticas27.

Formulou-se a questão de revisão a partir da estratégia PCC, em que se considerou: População (P), os enfermeiros; Conceito (C), o APE; Contexto (C), APS ou comunidade. O tipo de fontes utilizadas foram estudos quantitativos e qualitativos. Os estudos quantitativos incluíram desenhos observacionais e transversais e de validação psicométrica, enquanto os qualitativos foram descritivos, associados a um desenho quantitativo. Já as revisões sistemáticas da literatura foram metassínteses.

A estratégia de pesquisa teve como objetivo encontrar tanto estudos publicados quanto não publicados. Utilizaram-se três etapas de pesquisa. A primeira etapa foi desenvolvida na CINAHL e MEDLINE, com uma análise das palavras-chave contidas nos títulos e nos resumos. Na segunda etapa, numa pesquisa mais ampla, foram utilizadas as mesmas palavras-chave e termos de pesquisa, nas restantes bases de dados da plataforma EBSCOHost. Na terceira etapa, identificaram-se novos estudos mediante pesquisa nas referências bibliográficas de todos os artigos incluídos. Esta revisão limitou-se a estudos publicados em inglês, espanhol e português.

Não se definiu um limite temporal, uma vez que se pretendeu abranger toda a literatura que abordasse a temática em questão27, devido à escassez desta temática no contexto da APS. Assim, os artigos obtidos estão limitados ao período de 2007 a 2018.

A pesquisa foi efetuada nas seguintes fontes: CINAHL; MEDLINE; Scopus, Cochrane Database of Systematic Reviews; LILACS; Scientific Electronic Library Online (SciELO); Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP).

As palavras-chave utilizadas inicialmente em inglês foram: Nursing Practice Environment OR Work Environment OR Nursing Practice OR Clinical Care Environment AND Primary Health Care OR Primary Care Settings OR Community Health Nursing OR Community Health Centers OR Primary Health Organization. Consideraram-se os termos de pesquisa no resumo.

Os artigos completos foram considerados para os estudos que continham os critérios de inclusão desta revisão. Se existisse alguma dúvida na análise dos resumos, sobre a relevância desse estudo, obtínhamos o artigo na íntegra.

Os dados foram extraídos dos artigos incluídos na revisão, recorrendo-se a uma tabela de extração dos resultados, de acordo com o objetivo e a pergunta da revisão e segundo a metodologia de revisões scoping do JBI27. A tabela de extração encontra-se organizada pelos seguintes dados: Autor(es), Ano de publicação, País; Título; Objetivos; Desenho do estudo; População em estudo/Tamanho da amostra/Participantes; Contexto; Conceito(s) relevantes da questão de revisão/Instrumento(s) de medida; Principais resultados.

Seguindo as orientações de Levac et al.28, os dados foram obtidos sem discordância entre os revisores, que não consideraram necessidade de contatar ou solicitar aos autores primários informações/esclarecimentos sobre os dados, de acordo com Arksey e O’Malley29.

A Figura 1 especifica os resultados das etapas da análise, seguindo o modelo PRISMA Flow Diagram30.

Figura 1 Diagrama PRISMA referente ao processo de seleção dos estudos 

RESULTADOS

Após a remoção dos artigos duplicados30, identificaram-se 285 estudos para seleção da revisão. Um total de 46 artigos cumpria os critérios de inclusão com base na verificação dos títulos e dos resumos. Uma vez obtidos os artigos de texto completo, estes foram então lidos e examinados, de modo que 19 cumpriram os critérios de inclusão, dos quais 16 exclusivamente em contexto da APS e 3 em contexto misto (APS e hospitalar). Ao fim, esta revisão scoping correspondeu à resposta de 4.383 enfermeiros do contexto da APS.

A Europa apresentou o maior número de publicações, com 47,4%, e incluiu a Espanha como o país com o maior número de publicações, com 36,8%. A América foi representada apenas pelos Estados Unidos, com 15,8% das publicações. A África respondeu por 21% das publicações (África do Sul e Nigéria); a Oceania (Austrália e Nova Zelândia), 10,5%; e a Ásia, apenas um estudo, da China, correspondendo a 5,3%.

O método de investigação quantitativo foi adotado por 78,9% dos estudos. Foram encontradas e incluídas neste estudo revisões sistemáticas da literatura e 2 metassínteses, totalizando 68 estudos.

Pela análise dos resultados dos 19 artigos, surgiram cinco categorias temáticas: Avaliação do APE e a satisfação profissional; O APE e o recrutamento e retenção de enfermeiros; O APE e os resultados nos clientes; Melhoria do APE; e o APE e o desenvolvimento profissional.

DISCUSSÃO

O objetivo desta revisão scoping é examinar a evidência científica acerca do APE na APS. Para responder a essa questão, foram incluídos 17 estudos primários. Embora tenha sido importante incluir revisões sistemáticas, apenas duas incidiam no contexto de cuidados desta revisão, que são metassínteses31,32. A de Poghosyan et al.31 propõe um modelo conceitual para maximizar as contribuições dos enfermeiros da APS e entender como a legislação e as políticas institucionais influenciam, nomeadamente, o APE. A revisão de Lambrou et al.32 analisa os fatores relacionados entre APE e satisfação profissional em dois contextos: APS e hospitalar. Essas revisões de literatura examinaram a evidência científica com objetivos distintos, mas nenhuma versa sobre o tema da presente revisão scoping. Assim, consideramos de grande abrangência mundial a evidência nela apresentada.

O APE deve ser o foco principal de preocupação dos sistemas de saúde para evitar crises em duas áreas: na escassez de enfermeiros e na segurança dos clientes10. A escala PES-NWI é um instrumento que permite aos investigadores identificarem as contribuições do APE para os resultados da enfermagem e dos clientes9-10 e produzir evidência consistente e comparável10. Como nos demonstra Lake10, a PES-NWI permite expandir a reflexão e o conhecimento em todos os domínios conceituais10. Esse instrumento é igualmente válido para medir as variáveis fundamentais do APE na APS e permite também avaliar, analisar e reorientar as práticas dos enfermeiros desse contexto de cuidados33.

Os artigos selecionados para esta revisão scoping utilizaram os seguintes instrumentos de medida: Practice Environment Scale-NWI, em 47,7% dos estudos; a escala Nursing Work Index-Revised, em 10,5%; a escala Nurse Practitioner Primary Care Organizational Climate Questionnaire, em 10,5%; a escala Nursing Context Index, em 5,3%; a escala Job Satisfaction Questionnaire, em 5,3%; e a escala Word Health Professions Alliance Scale, em 5,3%. A Practice Environment Scale-NWI continua a ser o instrumento de medida do APE mais utilizado10.

O APE é o fator mais influente e com maior impacto sobre os resultados de enfermagem e nas percepções da qualidade dos cuidados e da segurança do cliente. Essas questões são particularmente importantes em contexto da crise mundial que afetou os países nos últimos anos32.

Existem distinções entre o APE de contexto hospitalar para aquele de contexto da APS34. Segundo Poghosyan et al.34 são exemplos o tipo de tomada de decisão, relação entre os membros das equipes e os processos organizacionais. É importante conciliar o conhecimento dessas diferenças com o que aqueles autores34) consideram essencial no contexto da APS, que é a aprendizagem em promover ambientes favoráveis por parte de todos os enfermeiros. É importante que os enfermeiros entendam o mecanismo de ação entre o APE e as implicações quer nos resultados das organizações e dos clientes, quer nas consequências para os próprios profissionais.

Os enfermeiros ocupam uma posição central na APS35, e os gerentes podem comparar os resultados da avaliação dos APEs entre as várias organizações de saúde para implementarem diversas melhorias9.

A avaliação do Ambiente da Prática de Enfermagem e a satisfação Profissional

A satisfação profissional é afetada pelo APE, mais do que por qualquer outro fator32,36. O APE consiste no fator organizacional fundamental36, que tem um forte impacto nas decisões de intenção de saída da organização32,34. Se os enfermeiros tiverem suporte e apoio do gerenciamento19,36 e maior visibilidade das suas intervenções, terão maior probabilidade de estarem mais satisfeitos36. É por meio de um APE favorável à prática na APS que existe uma maior satisfação profissional34-35,37-40. Quanto aos enfermeiros gerentes, devem ter liberdade de escolha de local de trabalho e devem avaliar e gerenciar a sua carga de trabalho a fim de aumentar sua satisfação profissional41.

O APE favorável é importante por mobilizar recursos necessários com rapidez, por viabilizar boas relações multidisciplinares e por promover a qualidade dos cuidados de enfermagem32,38. Os enfermeiros consideram existir um bom APE na APS20.

O Ambiente da Prática de Enfermagem e o recrutamento e retenção de enfermeiros

A existência de APEs favoráveis é fortemente condicionadora da facilidade de recrutamento, da estabilidade das equipes39 e da retenção dos profissionais na APS, visando reunir condições para a qualidade dos cuidados19,34-35,37,40,42. Um dos maiores desafios das organizações de saúde é reter os bons profissionais42. Outro fator que contribui para o recrutamento e retenção destes é a melhoria da cultura organizacional na APS42.

As dotações também estão relacionadas com o APE32. Existe um subaproveitamento dos enfermeiros da APS; se forem melhorados os APEs nesse contexto, a retenção de profissionais aumentará 31-32,34,40. Caso não os APEs não sejam melhorados, continuarão existindo altos níveis de turnover31,40.

O Ambiente da Prática de Enfermagem e os resultados nos clientes

Os decisores políticos, as organizações de saúde e de profissionais têm vindo a propor redesenhar o sistema de saúde na APS com o objetivo de aumentar a acessibilidade dos cidadãos, melhorar os resultados com os clientes e maximizar a eficiência1.

Estudar os APEs na APS permite obter evidência sobre como aumentar a qualidade dos cuidados de enfermagem19,39-40 e a segurança dos clientes, como melhorar a obtenção de resultados35,39 e diminuir as complicações dos clientes20,31, nomeadamente melhorando o controle da doença e prevenindo riscos associados36.

Melhoria do Ambiente da Prática de Enfermagem

É escasso o conhecimento e evidência científica sobre os APEs no contexto da APS1,39, o que pode afetar a expansão da profissão1,19,40-41.

O APE é uma das variáveis com maior impacto na qualidade dos cuidados36. Caso não se melhorem os APEs, vão-se continuar a ter altos níveis de estresse, burnout e turnover (31,40. O burnout é uma consequência de APEs desfavoráveis32.

As relações multidisciplinares são um fator preditivo de um bom APE36,38. APEs favoráveis têm implicação nas relações multidisciplinares e no relacionamento com o gerenciamento/administração para obtenção de melhores resultados19,32,40,43. Constata-se que existem boas relações multidisciplinares, mas que devem ser melhoradas as relações com os órgãos de gerenciamento das organizações da APS1,36.

São necessárias novas estratégias para melhorar o APE, o que acarretará melhor qualidade dos cuidados prestados, como a afetação de mais recursos humanos de enfermagem34,39-40,44, resultando em mais tempo para a prestação de cuidados e mais recursos materiais38,44.

Os enfermeiros gerentes, como possuem um papel importante na melhoria dos APEs19-20,39,42,44, enfrentam desafios como o de proporcionar maior apoio e suporte do gerenciamento19,39,44-45 às suas equipes, com desenvolvimento de estilos de liderança eficazes19,39,43-45. Ademais, devem intervir, efetivamente, na melhoria do APE devido à preocupação em obter resultados com os clientes20,41, em melhorar a cultura organizacional da APS42 bem como o clima organizacional34,39.

Sendo assim, se vê a necessidade de políticas de saúde orientadas para a promoção de bons APEs nas organizações32,36.

O Ambiente da Prática de Enfermagem e o desenvolvimento profissional

O APE na APS é positivo, apesar da escassez de enfermeiros20. Estes têm pouca participação nos processos de gerenciamento, o que lhes traz dificuldades no seu desenvolvimento profissional20.

Um bom APE favorece a componente autônoma da profissão33-34,39,45 e é a melhor forma de manter equipes de enfermagem qualificadas, comprometidas e motivadas19. Favorece ainda a utilização do melhor conhecimento disponível e uma prática baseada na evidência45-46.

Com o objetivo de desenvolver melhores APEs, as organizações da APS devem fornecer condições para formação dos enfermeiros, para aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de competências em comunicação, tomada de decisão e colaboração multidisciplinar35. A coesão das equipes e o trabalho de equipe é um fator importante do APE19, e a cultura de formação em serviço melhora as competências dos enfermeiros e de todos os profissionais de saúde19.

A promoção de bons APEs deve comprometer não apenas os enfermeiros da prática, mas também enfermeiros gerentes e as próprias organizações34 bem como a academia e a investigação.

A presença de enfermeiros gerentes competentes nos órgãos decisórios das organizações vai influenciar o APE e contribuir para a eficiência das organizações35. O desempenho dos enfermeiros gerentes é fundamental para o posicionamento organizacional face às necessárias melhorias do APE35.

Com todos esses fatores de conhecimento sobre o APE, os enfermeiros gerentes devem apropriar-se do gerenciamento da APS19.

Limitações do estudo

Devido à especificidade do tema APE e do contexto de APS bem como à respectiva escassez de evidencia científica, uma limitação deste estudo foi apenas existirem dois artigos dos últimos dois anos do período de pesquisa, que correspondem a 10,5% dos estudos incluídos. Em relação aos últimos cinco anos do período de pesquisa, os estudos incluídos foram de 63% do total dos 19 incluídos.

Contribuições para a área da Enfermagem

Existe uma grande lacuna de conhecimento sobre o APE na APS. Esta revisão de literatura pretende contribuir para aumentar esse conhecimento nas diferentes áreas de atuação dos enfermeiros: na prestação de cuidados, no gerenciamento, na investigação, na docência e na consultoria ou assessoria.

CONCLUSÃO

Esta revisão fornece evidência, que é escassa, sobre o APE em contexto da APS e presta um serviço aos enfermeiros, aos enfermeiros gerentes, aos acadêmicos, aos investigadores e aos formuladores de políticas de saúde apresentando contributos para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem - em especial, no contexto da APS.

O APE é o fator mais influente e com maior impacto sobre os resultados de enfermagem e nas percepções da qualidade dos cuidados e da segurança do cliente.

O APE em contexto da APS distingue-se do contexto hospitalar pelo tipo de tomada de decisão, relação entre os membros das equipes e pelos processos organizacionais. Também por promover ambientes favoráveis que vão contribuir para o aumento dos resultados com os clientes, enfermeiros e organizações.

São aspectos importantes do APE a relação multidisciplinar enfermeiros-médicos e enfermeiros-gerentes-administradores bem como a comunicação interna nas organizações, por isso devem ser promovidas.

APEs pobres dificultam tanto a prestação de cuidados de enfermagem quanto a utilização de todas as competências e conhecimentos que os enfermeiros têm e impedem o desenvolvimento e aquisição de novas competências de forma célere. Originam ainda insatisfação profissional, dificuldades de recrutamento de bons profissionais, burnout e turnover, com consequências nefastas para as organizações.

Os enfermeiros gerentes contribuem fortemente para APEs favoráveis, necessitam de formação em gerenciamento e de desenvolver essas competências para prestarem apoio às suas equipes, liderando-as, aumentando a sua coesão e promovendo o trabalho em equipe.

Esta revisão mostrou que o APE na APS apresenta as seguintes características: apoio e suporte do gerenciamento; liderança em enfermagem; relações multidisciplinares enfermeiros-médico e enfermeiros-gerentes-administração; resultados com os clientes, nomeadamente na segurança do cliente; retenção dos bons profissionais; e melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem.

Desenvolver APEs favoráveis nos serviços e nas diferentes unidades da APS, em qualquer parte do mundo, é a melhor estratégia para garantir a segurança dos clientes e a saúde dos profissionais que deles cuidam. APEs favoráveis são essenciais para promover a excelência dos cuidados de enfermagem; possuem um forte apoio dos enfermeiros gerentes às suas equipes; aumentam a satisfação profissional, diminuem o burnout e turnover; contribuem para melhorar a eficácia das organizações. Ademais, garantem maior nível de saúde, segurança e bem-estar dos profissionais, com dotações de enfermeiros adequadas às necessidades dos clientes e à carga de trabalho inerente. Eles promovem a retenção dos bons enfermeiros; promovem a motivação mediante relações de liderança pelos seus gerentes e líderes e, dessa forma, melhoram a produtividade e o comprometimento com a organização. APEs favoráveis são mais inclusivos, geram inovação e fenômenos de intraempreendedorismo nas organizações. Ainda, eles promovem a melhoria do atendimento ao cidadão, melhoram os cuidados que prestam e aumentam resultados com os clientes. Além disso, afetam os comportamentos, o desempenho e os resultados das organizações, das equipes, dos enfermeiros e dos clientes.

O capital humano da APS deve aumentar em quantidade e qualidade, sendo fundamental conhecer e entender o APE e como se pode melhorar. A evidência demonstra-nos que deve haver investimento em promoção de APEs favoráveis. Caso contrário, a APS perde capital humano, sem o qual não consegue desempenhar a sua missão.

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FOMENTO

Universidade Católica Portuguesa.

AGRADECIMENTO

Enfermeiro Maiko Barboza pela adaptação linguística ao português do Brasil.

Recebido: 08 de Novembro de 2019; Aceito: 17 de Abril de 2020

Autor Correspondente: Pedro Ricardo Martins Bernardes Lucas. E-mail: prlucas@esel.pt

EDITOR CHEFE: Dulce Barbosa

EDITOR ASSOCIADO: Hugo Fernandes

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