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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.73  supl.2 Brasília  2020  Epub June 29, 2020

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0303 

ARTIGO ORIGINAL

Equipamento de Proteção Individual na pandemia por coronavírus: treinamento com Prática Deliberada em Ciclos Rápidos

Hudson Carmo de OliveiraI 
http://orcid.org/0000-0001-5490-3043

Lucimar Casimiro de SouzaI  II 
http://orcid.org/0000-0003-0709-5877

Taina Coutinho LeiteI  III 
http://orcid.org/0000-0002-8092-3539

Juliana Faria CamposI 
http://orcid.org/0000-0001-7254-5251

IUniversidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

IIHospital Samaritano. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

IIIHospital Pró-Cardíaco. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil


RESUMO

Objetivo:

discutir a aplicação da Prática Deliberada em Ciclos Rápidos para o treinamento de paramentação e desparamentação no contexto da COVID-19 e estruturar um guia prático para a aplicação nesta conjuntura.

Métodos:

estudo metodológico que descreve aspectos teóricos e práticos da aplicação de uma estratégia de simulação na qualidade de ferramenta tecnológica de treinamento. Um guia de aplicação foi construído a partir da busca de evidências provenientes dos principais órgãos de autoridade em saúde do Brasil.

Resultados:

maximização do tempo em Prática Deliberada, feedback com evidência e segurança psicológica são os princípios desta estratégia. A dinâmica envolve repetições e feedbacks. O guia de aplicação apresenta a sequência de ações para paramentação e desparamentação.

Considerações finais:

o enfrentamento desta pandemia requer uso apropriado de Equipamento de Proteção Individual. Os autores sugerem a Prática Deliberada em Ciclos Rápidos como ferramenta educacional tecnológica para paramentação/desparamentação, visto que incentiva uma performance com maestria.

Descritores: Treinamento por Simulação; Equipamento de Proteção Individual; Coronavírus; Pandemia; Contenção de Riscos Biológicos

ABSTRACT

Objective:

to discuss the application of Rapid Cycle Deliberate Practice for attire and unattire training in the context of COVID-19 and structure a practical guide to the application at this juncture.

Methods:

this methodological study described theoretical and practical aspects of the application of a simulation strategy as a technological training tool. An application guide was constructed from the search for evidence from the main health authority bodies in Brazil.

Results:

maximizing time in Deliberate Practice, feedback with evidence and psychological security are the principles of this strategy. The dynamic involves repetition and feedback. The application guide presents the sequence of actions for attire and unattire.

Final considerations:

coping with this pandemic requires appropriate use of personal protective equipment. The authors suggest the Rapid Cycle Deliberate Practice as a technological educational tool for attire/unattire, since it encourages mastery performance.

Descriptors: Simulation Training; Personal Protective Equipment; Covid-19; Pandemics; Containment of Biohazards

RESUMEN

Objetivo:

discutir la aplicación de la Práctica Deliberada en Ciclos Rápidos para la formación de vestimentas y depargaciones en el contexto de COVID-19 y estructurar una guía práctica para la aplicación en esta coyuntura.

Métodos:

estudio metodológico que describe aspectos teóricos y prácticos de la aplicación de una estrategia de simulación como herramienta de capacitación tecnológica. Se creó una guía de aplicación a partir de la búsqueda de evidencia de las principales autoridades de salud en Brasil.

Resultados:

maximizar el tiempo en la práctica deliberada, la retroalimentación basada en evidencia y la seguridad psicológica son los principios de esta estrategia. La dinámica implica repeticiones y retroalimentaciones. La guía de aplicación presenta la secuencia de acciones para vestirse y vestirse.

Consideraciones finales:

enfrentar esta pandemia requiere el uso apropiado de Equipo de Protección Personal. Los autores sugieren la práctica deliberada en ciclos rápidos como una herramienta educativa tecnológica para vestirse/desvestirse, ya que fomenta un desempeño magistral.

Descriptores: Entrenamiento Simulado; Equipo de Protección Personal; Coronavirus; Pandemia; Contención de Riesgos Biológicos

INTRODUÇÃO

A epidemia de Coronavirus Disease (COVID-19), causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), teve sua origem em 2019 na cidade de Wuhan, China. No início de 2020 tornou-se uma pandemia ao atingir 24 países. Atualmente, em 16 de abril, os números estatísticos globais apontam para quase dois milhões de pessoas infectadas e quase mais de 130 mil mortes causadas pelo vírus. Os países mais afetados pela doença do coronavírus são Estados Unidos, com mais de 600 mil casos confirmados; Itália, Espanha, Alemanha e França, com mais de 100 mil casos confirmados cada; Reino unido, com mais de 98 mil casos; e China, com mais de 80 mil casos confirmados. Dentre os citados, todos apresentam taxa de contaminação de profissionais de saúde(1). A Itália, por exemplo, apresentou 14,032 casos de contaminação desses profissionais, com taxa de letalidade de 11,8% daqueles com idade entre 70 e 79 anos, e 1,3% entre aqueles com 60-69 anos(2).

Por ser um vírus de transmissão respiratória, o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) torna-se indispensável para contemplar as medidas de precauções padrão, de contato e por gotículas recomendadas no enfrentamento desta pandemia(3). Portanto, investimento no conhecimento, capacitação e treinamento dos profissionais da área da saúde sobre o uso adequado desses equipamentos no manejo e cuidado dos pacientes infectados torna-se imprescindível. A paramentação e desparamentação de maneira adequada é uma forma eficaz de se evitar contaminação entre os profissionais da área da saúde(4).

Uma estratégia para alcançar o uso adequado destes equipamentos, bem como a proteção dos profissionais de saúde, é a implementação e adesão de protocolos rígidos de EPI. Em 2014, durante o surto de Ebola, a contaminação de dois profissionais de saúde foi associada a prováveis descumprimentos na adesão destes protocolos. Um estudo constatou que aproximadamente a metade da amostra de profissionais de saúde tocou, sem luvas, em uma superfície de EPI potencialmente contaminada e cerca de 26% tocaram inadequadamente a frente da máscara(5), o que evidencia o descarte inadequado de EPI.

Pesquisas demonstram que todos os profissionais sem atualização e que não realizam práticas repetidamente findam em habilidades estagnadas ou com desvios de técnicas, ao longo do tempo(6). Somado a isso, períodos prolongados da não utilização de habilidades, conhecidos como intervalos de retenção, geram declínio de performance(6). Isto posto, é significante que os serviços de saúde realizem treinamento de todos os profissionais que terão ou podem ter contato com pessoas infectadas com o novo coronavírus (Sars-CoV-2).

No entanto, o treinamento convencional utilizando demonstrações não garante que o profissional se paramente e desparamente de forma adequada. Um estudo acerca de treinamento e educação, no contexto de doenças altamente infecciosas, em serviços de emergência, demonstrou que profissionais sentiam a necessidade de treinamentos de qualidade e falta de confiança suficiente para responderem a estas doenças(7). Assim, faz-se necessário realizar treinamentos que permitam a efetivação prática da técnica adequada entre todos os participantes, em prol da minimização dos erros técnicos, fato que implica a diminuição de risco de contaminação dos profissionais da saúde.

A Prática Deliberada em Ciclos Rápidos (PDCR) é uma estratégia de simulação cujo objetivo é melhorar a performance dos participantes para alcançarem a maestria em uma habilidade. É organizada para promover repetição de tarefas e proporcionar feedback imediato baseado em evidências, por intermédio de um instrutor. Criada em cenário de parada cardiorrespiratória pediátrica, evidenciou aperfeiçoamento nas habilidades de reanimação cardiopulmonar de profissionais de saúde(8). Ao pressupor que a PDCR deve ser aplicada como ferramenta tecnológica em outras populações e em diferentes contextos de habilidades, o presente estudo sugere a utilização da PDCR na capacitação e treinamento, com maestria, de profissionais da saúde na paramentação e desparamentação de EPIs no enfrentamento da COVID-19, por tratar-se de uma tecnologia educacional com impacto imediato na melhoria e aperfeiçoamento técnico dos profissionais de saúde, atendendo à atual demanda de informações no cenário da saúde.

OBJETIVOS

Discutir a aplicação da Prática Deliberada em Ciclos Rápidos (PDCR) para o treinamento de paramentação e desparamentação no contexto da COVID-19; estruturar um guia prático de aplicação da Prática Deliberada em Ciclos Rápidos para paramentação e desparamentação de equipamentos de proteção individual em procedimentos que geram aerossolização no contexto da COVID-19.

MÉTODOS

Estudo metodológico, estruturado em duas partes: 1) Explanação dos aspectos teóricos e operacionais para a aplicabilidade da PDCR na paramentação e desparamentação dos EPIs necessários para procedimentos passíveis de geração de aerossóis, no contexto do enfrentamento à pandemia de COVID-19; 2) Construção de um guia de aplicação da Prática Deliberada em Ciclos Rápidos nesta conjuntura.

Para a construção do guia, foram reunidas informações relevantes para a paramentação e desparamentação de EPIs necessários ao enfrentamento da COVID-19. Os dados foram extraídos dos principais materiais oficiais divulgados pelos órgãos vinculados à área da saúde brasileira: Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e Conselho Regional de Enfermagem (COREN). A partir dos dados levantados, foram selecionadas as melhores evidências e recomendações vigentes.

Respeitando-se os princípios da PDCR, o guia foi construído em cinco ciclos, com objetivos específicos. Os dois primeiros ciclos se referem à paramentação adequada. Os três seguintes referem-se à desparamentação. Cada ciclo contém de três a onze tarefas consideradas pontos críticos, que são pontos cujos erros levariam à potencial contaminação. Os ciclos e as etapas foram denominadas da seguinte forma: Ciclo 1 refere-se à primeira etapa da paramentação, Ciclo 2 à segunda etapa da paramentação, Ciclo 3 à Desparamentação etapa I, Ciclo 4 à Desparamentação etapa II e Ciclo 5 à Desparamentação etapa III.

ASPECTOS TEÓRICOS DA PRÁTICA DELIBERADA EM CICLOS RÁPIDOS

A Prática Deliberada é um conceito baseado em estudos sobre aquisição de habilidades. Foi cunhada por Ericsson et al. em suas pesquisas sobre expertise. É definida como uma série de atividades específicas que melhoram o desempenho de indivíduos ao serem submetidos aos seguintes fatores: a) tarefa com objetivo definido; b) motivação para melhorar; c) feedbacks; e d) vasta oportunidade de repetição e refinamento gradual de desempenho(9). Já a PDCR, é uma estratégia de simulação criada por Hunt et al., em 2014, que se apropriou do conceito de Prática Deliberada e acrescentou uma intensa e rápida transição entre feedbacks e prática de tarefas de um caso clínico explorado até que se atingisse a habilidade com maestria. Essa alternância foi apelidada de ciclo rápido(8).

Para a devida aplicação da PDCR, deve-se ter ciência quanto a seus três princípios base. O primeiro é denominado maximização do tempo em prática deliberada, nele preconiza-se dar diversas oportunidades para exercer a tarefa de forma perfeita. A ideia é buscar atingir uma automatização na performance através da repetição, ou seja, criar memória muscular para se fazer o certo. Para que isto seja possível, é necessário receber correções de um instrutor, caso haja algum erro na performance. Essas correções são chamadas de feedbacks, os quais configuram o segundo princípio: feedback com evidência(8).

Os feedbacks da PDCR são classificados como direcionados e imediatos. São fornecidos após a detecção de um erro. Desta forma, entende-se que o instrutor fará interrupções para explicar a forma mais adequada de realizar aquela tarefa, de acordo com as evidências científicas existentes, ou ainda, a partir do consenso de especialistas. Isso significa que os treinadores precisam dominar o tema do treinamento, além de possuir propriedade e confiança na aplicação da PDCR. Após o feedback, solicita-se que o participante volte 10 segundos e realize a tarefa novamente(8). Em caso de erro, um novo bloqueio é realizado, criando-se um rápido ciclo entre tarefa, interrupção e feedback. A dinâmica de interrupções pode ser visualizada na Figura 1.

Figura 1 Dinâmica das interrupções perante um erro na Prática Deliberada em Ciclos Rápidos 

Para que estas interrupções sejam aceitas de forma favorável e para evitar que os participantes se comportem de forma defensiva, é necessário garantir um acordo de parceria entre treinador e participantes. Não se deve começar o treinamento sem que haja um entendimento que as interrupções são essenciais para a obtenção de uma performance com maestria. Vale ressaltar que Hunt et al. denominam este estilo como coaching (8). Com isso, eis o terceiro princípio: segurança psicológica explícita.

ASPECTOS OPERACIONAIS DA PRÁTICA DELIBERADA EM CICLOS RÁPIDOS NA PARAMENTAÇÃO E DESPARAMENTAÇÃO

Entendidos os três princípios da PDCR, discute-se a dinâmica do treinamento. Sugere-se um mínimo de dois e um máximo de cinco participantes. A primeira ação do treinamento com PDCR é garantir a segurança psicológica. Neste momento, o treinador deve explicar a dinâmica da simulação, frisando que o papel dele é ajudar os participantes a melhorarem sua performance, de forma a criarem memória muscular para executar a paramentação e desparamentação sem erros e que isto trará benefícios para evitar a contaminação por Sars-CoV-2. Também deve informar sobre a possibilidade de diversas interrupções necessárias para ouvir feedbacks, mas que voltarão a praticar imediatamente após o feedback, levando em consideração as explicações dadas. Todas estas instruções devem ser verbalmente acolhedoras e carismáticas, em concordância com o estilo de “coaching” próprio da PDCR.

Ao garantir o terceiro princípio da PDCR, o treinador demonstra todos os equipamentos, insumos e itens existentes na simulação e escolhe um participante para iniciar o cenário (ou decidem juntos). O treinador, então, narra o caso clínico e declara o início do treinamento. O escolhido começa a realizar as atividades. Os demais participantes ficam posicionados nas laterais de forma que possam ouvir os feedbacks. Em caso de erro crítico, o participante será interrompido. Neste momento, deve acontecer um feedback imediato e direcionado. Feedback direcionado significa que o treinador deve explicitar a informação, sempre baseada nas melhores evidências existentes. Isto mostrou-se mais eficiente do que incentivar que o participante tente responder ou procure a resposta(8).

Este é um aspecto interessante próprio da PDCR, visto que no âmbito da simulação, algumas técnicas, como o debriefing, estimulam a autopercepção e autorreflexão, no qual o facilitador exerce função de guiar o pensamento para que o participante e o grupo encontrem suas conclusões. Como visto, a PDCR vai na contramão, pois não objetiva debates reflexivos, mas foca na repetição de tarefas, visando à criação de memória muscular para atuar com maestria. Por tanto, é essencial ofertar evidências explícitas para que o participante as receba, entenda sua importância e volte a praticar o mais rápido possível.

Para exemplificar o feedback direcionado, pode-se imaginar uma situação no qual o participante esqueça de moldar o apoio do nariz na máscara de proteção respiratória. Neste caso, o treinador deve dizer: - É necessário moldar o nariz na máscara para que ocorra a correta vedação, de acordo com a Nota técnica nº 4 de 2020 da Anvisa. Caso o participante mantenha o erro, o treinador irá interrompê-lo com a seguinte frase: - Vamos interromper, volte 10 segundos e tente novamente(8).

O participante que iniciou o treinamento continua treinando e recebendo feedbacks até o término do primeiro ciclo. Ao concluí-lo de forma perfeita, o iniciador reveza sua posição com um outro participante, tomando o lugar de observador. Isto acontece até que todos realizem o primeiro ciclo. Essa dinâmica se repete até o fim do treinamento. Vale destacar que antes de iniciar qualquer ciclo, o participante da vez deve realizar todas as tarefas do primeiro ciclo e dar prosseguimento para o segundo e assim sucessivamente. O participante sempre deve começar no primeiro ciclo.

GUIA PARA APLICAÇÃO DA PRÁTICA DELIBERADA EM CICLOS RÁPIDOS

Quadro 1 Guia para Prática Deliberada em Ciclos Rápidos em Paramentação e Desparamentação para profissionais que atuam a uma distância inferior a 1 metro do paciente suspeito ou confirmado de infecção pelo novo coronavírus e que realizam procedimentos com risco de geração de aerossóis 

Ciclo 1 - Paramentação etapa I
Higienização das mãos;
Vestir capote;
Amarrar capote adequadamente (para que não caia);
Ciclo 2 - Paramentação etapa II
Avaliar condições*1 da máscara de proteção respiratória (respirador particulado) com eficácia mínima na filtração de 95% de partículas de até 0,3µ (tipo N95, N99, N100, PFF2 ou PFF3);
(Em caso de máscara nova) Segurar pela parte externa em forma de concha e aproximar do nariz e boca;
(Em caso de máscara já utilizada) Colocar luvas antes de segurar pela parte externa;
Com a outra mão, direcionar os elásticos da máscara para a região posterior da cabeça, um de cada vez;
Moldar o apoio para o nariz;
Realizar teste de vedação da máscara de proteção respiratória;
(Em caso de máscara já utilizada) Retirar luva, descartá-la e higienizar as mãos;
Colocar óculos de proteção ou protetor facial (face shield) (que cobre a região anterior e lateral da face);
Colocar o gorro;
Ir ao quarto ou área onde está o paciente;
Higienizar as mãos com álcool 70% pelo tempo de 20 - 30 segundos;
Colocar luvas dentro do quarto ou área onde está o paciente;
Ciclo 3 - Desparamentação etapa I
Não sair do quarto do paciente;
Retirar as luvas puxando a primeira pelo lado externo do punho com os dedos da mão oposta;
Segurar a luva removida com a outra mão enluvada;
Tocar a parte interna do punho da mão enluvada com o dedo indicador oposto (sem luvas) e retire a outra luva;
Descartar a luva em lixo infectante;
Higienizar as mãos com álcool 70% pelo tempo de 20 - 30 segundos;
Ciclo 4 - Desparamentação etapa II
Desamarrar a parte inferior do capote;
Desamarrar a parte superior do capote, mantendo a mão na região;
Segurar o capote pela parte interna;
Puxá -lo no sentido anterior-inferior (realizando extensão dos antebraços);
Com a mão direita, segurar o capote próximo ao punho da mão esquerda;
Puxar a mão esquerda;
Com a mão esquerda, segurar o capote próximo ao punho da mão direita;
Puxar a mão direita;
Segurar a parte interna do capote e dobre-o;
Descartar em lixo infectante;
Higienizar as mãos com álcool 70% pelo tempo de 20 a 30 segundos;
Ciclo 5 - Desparamentação etapa III
Seguir para parte externa do quarto ou antessala (sem capote e luvas);
Higienizar as mãos com álcool 70% pelo tempo de 20 a 30 segundos;
Retirar o gorro (touca) pela região interna;
Descartar em lixo infectante;
Higienizar as mãos com álcool 70% pelo tempo de 20 a 30 segundos;
Retirar os óculos ou protetor facial (face shield) (que cobre a região anterior e lateral da face segurando pelas laterais e apoie-o em uma superfície*2);
Higienizar as mãos;
Retirar a máscara pelos elásticos laterais sem encostar na superfície interna (NUNCA segure pela frente da máscara). Puxe no sentido superior-anterior;
Acondicionar a máscara em um envelope de papel*3 com os elásticos para fora, para facilitar a retirada da máscara;
Higienizar as mãos;
Ao final da desparamentação, colocar luvas para higienizar os óculos de proteção ou o protetor facial (face shield) e a área onde ficaram apoiados.

Nota: *1Inspecionar integridade da máscara (máscaras úmidas, sujas, rasgadas, amassadas ou com vincos não podem ser utilizadas) e certificar que tiras, ponte nasal e material de espuma nasal não se degradaram(4); *2 Os óculos de proteção devem ser de uso exclusivo de cada profissional, devendo ser limpos com água e sabão e posterior desinfecção com álcool 70% líquido, hipoclorito de sódio ou outro desinfetante recomendado pelo fabricante(4); *3Podem ser utilizadas embalagens plásticas ou de outro material, desde que não fiquem hermeticamente fechadas. Nunca coloque a máscara já utilizada em um saco plástico fechado, pois ela poderá ficar úmida e potencialmente contaminada(4)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo, apresentam-se aspectos teóricos e instruções práticas de aplicação da PDCR na paramentação e desparamentação dos EPIs necessários no enfrentamento da doença do coronavírus (COVID-19). Esta temática é diferente do contexto original de criação da estratégia PDCR, o qual foi em ambiente de reanimação cardiopulmonar pediátrica, no entanto os autores criadores da estratégia incentivam que pesquisas devem ser realizadas para testar a aplicabilidade da PDCR em outras conjunturas e instituições. Desta feita, devido ao contexto pandêmico de infecções por Sars-CoV-2 e a crescente necessidade de treinamento de qualidade quanto à paramentação e desparamentação, sugerimos a estratégia de PDCR como uma ferramenta tecnológica no âmbito educacional e que deve ser aplicada para treinar profissionais de saúde de forma a alcançar a maestria na habilidade de paramentação, evitando contaminações pelo vírus.

Devido à situação emergencial da COVID-19, além da discussão quanto à aplicabilidade da PDCR na paramentação e desparamentação, este artigo metodológico limitou-se à etapa de criação do guia de aplicação da PDCR. Indica-se que ajustes podem ser realizados neste guia tanto para atender a realidade das instituições quanto para realizar atualizações dos protocolos vigentes no Brasil. O artigo não avançou para a validação do guia por especialistas. Sugere-se que estudos clínicos sejam realizados para gerar resultados concretos sobre a aplicabilidade da PDCR nesta perspectiva.

FOMENTO

Programa de Excelência Acadêmica (PROEX) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior / Ministério da Educação (CAPES/MEC)

REFERÊNCIAS

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2 Task force COVID-19 del Dipartimento Malattie Infettive e Servizio di Informatica, Istituto Superiore di Sanità. Epidemia COVID-19, Aggiornamento nazionale: 09 aprile 2020. [Internet]. 2020[cited 2020 May 02]. Available from: https://www.epicentro.iss.it/coronavirus/bollettino/Bollettino-sorveglianza-integrata-COVID-19_9-aprile-2020.pdfLinks ]

3 Holland M, Zaloga DJ, Friderici CS. COVID-19: Personal Protective Equipment (PPE) for the emergency physician. Vis J Emerg Med. 2020;19:100740. doi: 10.1016/j.visj.2020.100740 [ Links ]

4 Ministério da Saúde (BR). Anvisa. Nota Técnica nº 04/2020. Orientações para serviços de saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2)[Internet]. 2020[cited 2020 May 02]. Available from: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/Nota+T%C3%A9cnica+n+04-2020+GVIMS-GGTES-ANVISA-ATUALIZADA/ab598660-3de4-4f14-8e6f-b9341c196b28Links ]

5 Kantor J. Behavioral considerations and impact on personal protective equipment (PPE) use: Early lessons from the coronavirus (COVID-19) outbreak, J Am Acad Dermatol. 2020;82:1087-8. doi: 10.1016/j.jaad.2020.03.013 [ Links ]

6 Gonzalez L, Kardong-Edgren S. Deliberate practice for mastery learning in nursing. Clin Simulat Nurs, 2017;13(1):10-14. doi: 10.1016/j.ecns.2016.10.005 [ Links ]

7 LE AB, Buehler SA, Maniscalco PM, Lane P, Rupp LE, Ernest E, et al. Determining training and education needs pertaining to highly infectious disease preparedness and response: a gap analysis survey of US emergency medical services practitioners. Am J Infect Control. 2018;46(3):246-52. doi: 10.1016/j.ajic.2017.09.024 [ Links ]

8 Hunt EA, Duval-Arnould JM, Nelson-McMillan KL, Bradshaw JH, Diener-West M, Perretta JS, et al. Pediatric resident resuscitation skills improve after “Rapid Cycle Deliberate Practice” training. Resuscitation, 2014;85(7):945-51. doi: 10.1016/j.resuscitation.2014.02.025 [ Links ]

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Recebido: 18 de Abril de 2020; Aceito: 21 de Abril de 2020

Autor Correspondente: Hudson Carmo de Oliveira E-mail: hudoliver@hotmail.com

EDITOR CHEFE: Dulce Barbosa

EDITOR ASSOCIADO: Antonio José de Almeida Filho

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