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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.73  supl.2 Brasília  2020  Epub Oct 26, 2020

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0913 

ARTIGO ORIGINAL

Síndrome gripal suspeita de COVID-19 em homens que fazem sexo com homens e se envolveram em sexo casual

Herica Emilia Félix de CarvalhoI 
http://orcid.org/0000-0002-5913-8886

Guilherme SchneiderI 
http://orcid.org/0000-0002-4244-6217

Anderson Reis de SousaII 
http://orcid.org/0000-0001-8534-1960

Emerson Lucas Silva CamargoIII 
http://orcid.org/0000-0002-6119-5193

Rômulo Veloso NunesIV 
http://orcid.org/0000-0001-7144-474X

Matheus Arantes PossaniIII 
http://orcid.org/0000-0002-7775-4260

Dulce Aparecida BarbosaV 
http://orcid.org/0000-0002-9912-4446

Isabel Amélia Costa MendesVI 
http://orcid.org/0000-0002-0704-4319

Álvaro Francisco Lopes de SousaI  VII 
http://orcid.org/0000-0003-2710-2122

IUniversidade de São Paulo, Human Exposome and Infectious Diseases Network. Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

IIFederal da Bahia. Salvador, Bahia, Brasil.

IIIUniversidade de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

IVUniversidade Estadual do Piauí. Teresina, Piauí, Brasil.

VUniversidade Federal de São Paulo. São Paulo, São Paulo, Brasil.

VIUniversidade de São Paulo. Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.

VIIUniversidade Nova de Lisboa, Instituto de Medicina e Higiene Tropical (IHMT), Global Health and Tropical Medicine. Lisboa, Portugal.


RESUMO

Objetivo:

Avaliar a presença de síndrome gripal suspeita de COVID-19 em homens que fazem sexo com homens (HSH) e se envolveram em sexo com parceiro casual durante período de distanciamento social.

Método:

Inquérito epidemiológico, de abrangência nacional, aplicado em abril e maio de 2020, por adaptação do Respondent Drive Sampling.

Resultados:

1.337 HSHs participaram da pesquisa, dos quais 514 (38,4%) tiveram febre associada a outro sinal ou sintoma de síndrome gripal. Características sociais, demográficas, práticas e atividades sexuais durante o período de distanciamento social foram estaticamente associadas à presença de síndrome gripal. Houve diferença estatística (p < 0,001) na média de parceiros entre aqueles que tiveram sinais e sintomas de síndrome gripal (3,5) e aqueles que não os tiveram (1,7).

Conclusão:

Evidencia-se ocorrência de sinais e sintomas indicativos de síndrome gripal sugestiva de COVID19 em HSHs brasileiros que se envolveram em sexo casual durante o período do distanciamento social.

Descritores: Homens; Homossexualidade Masculina; Coronavírus; Pandemia; COVID-19

ABSTRACT

Objective:

To evaluate the presence of flu-like syndrome suggestive of COVID-19 in men who have sex with men (MSM) and engaged in casual sex during a period of social isolation.

Method:

National epidemiological survey, applied in April and May 2020, by adaptation of Respondent Drive Sampling.

Results:

1,337 MSM participated in the survey, of which 514 (38.4%) had fever associated with another sign or symptom of flu-like syndrome. Social, demographic characteristics, sexual practices and activities during the period of social isolation were statistically associated with the presence of flu-like syndrome. There was a statistical difference (p < 0.001) in the average of partners between those who had signs and symptoms of flu-like syndrome (3.5) and those who did not (1.7).

Conclusion:

Evidence of signs and symptoms indicative of flu-like syndrome suggestive of COVID 19 in Brazilian MSM who were involved in casual sex during the period of social isolation.

Descriptors: Men; Homosexuality, Male; Coronavirus; Pandemics; COVID-19

RESUMEN

Objetivo:

Evaluar la presencia de síndrome gripal sospecha de COVID-19 en hombres que tienen sexo con hombres (HSH) y se envolvieron en sexo con pareja ocasional durante distanciamiento social.

Método:

Averiguación epidemiológica, de abarcamiento nacional, aplicado en abril y mayo de 2020, por adaptación del Respondent Drive Sampling.

Resultados:

1.337 HSHs participaron de la investigación, de los cuales 514 (38,4%) tuvieron fiebre relacionada a otra señal o síntoma de síndrome gripal. Características sociales, demográficas, prácticas y actividades sexuales durante el distanciamiento social han estáticamente relacionadas a la presencia de síndrome gripal. Hubo diferencia estadística (p < 0,001) en la media de parejas entre aquellos que tuvieron señales y síntomas de síndrome gripal (3,5) y aquellos que no los tuvieron (1,7).

Conclusión:

Se evidencia ocurrencia de señales y síntomas indicativos de síndrome gripal sugestivo de COVID-19 en HSHs brasileños que se envolvieron en sexo ocasional durante el período del distanciamiento social.

Descriptores: Hombres; Homosexualidad Masculina; Coronavirus; Pandemia; COVID-19

INTRODUÇÃO

Ao final de dezembro de 2019, o mundo tomou conhecimento da existência do novo coronavírus, SARS-CoV-2 – Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2, vírus causador da pandemia de COVID-19(1). Oito meses depois, a doença já matou mais de 865 mil pessoas ao redor do mundo, sendo 124 mil apenas no Brasil, até o final de agosto(2). Como não há insumos suficientes para a testagem diagnóstica dos casos no país, que possui uma das menores taxas de testagem do mundo, os órgãos de saúde são obrigados a tornarem as definições de caso (suspeito/confirmado/descartado) menos precisas(3-4).

De uma forma geral, no Brasil, a definição de caso suspeito da COVID-19 pode se basear em sinais e sintomas de síndrome gripal (SG) e síndrome respiratória aguda grave (SRAG), havendo três possibilidades de confirmação, segundo o Ministério da Saúde do Brasil(5): 1. Por critério clínico: caso de SG ou SRAG com confirmação clínica associado a anosmia ou ageusia aguda; 2. Por critério clínico-epidemiológico: caso de SG ou SRAG com histórico de contato próximo ou em área de sustentada transmissão (comunitária), nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais e sintomas com caso confirmado para COVID-19; 3. Por critério clínico-imagético: caso de SG ou SRAG ou óbito por SRAG que não foi possível confirmar por critério laboratorial e que apresente alterações tomográficas sugestivas.

Por ser considerado, até então, o maior desafio sanitário do século XXI, pelas altas taxas de transmissibilidade e pela deficiente capacidade de mitigação e testagem em massa, o isolamento social está sendo apontado como a medida de mitigação mais recomendada e adotada para reduzir a probabilidade de o agente infeccioso transmitir-se entre a população, retardando assim a quantidade de infectados pela doença(6). No entanto, sua adesão tem oscilado negativamente, sobretudo no Brasil(7).

Uma possível explicação para isso se encontra na constatação de que o isolamento social tem gerado impactos na saúde física, psicológica e sexual dos indivíduos(8-9). No entanto, tais repercussões são sentidas de maneira desproporcional de acordo com os grupos populacionais, e no caso de pessoas em situação de vulnerabilidades como o grupo de homens que fazem sexo com homens (HSH), historicamente marginalizado e que tem suas práticas sexuais rechaçadas e socialmente limitadas a locais invisíveis/escondidos, a necessidade de apoio social por pares e semelhantes pode ser mais importante e necessária(10-11), motivo pelo qual a não adesão completa a medidas de isolamento social devem ser estudadas e mais bem elucidadas.

Pouco se sabe sobre o real papel e impacto que relações sexuais com parceiros casuais possuem na atual situação pandêmica da COVID-19. Estudos(11-12) mostram que o estado contínuo de distanciamento parcial pode tornar as pessoas mais propensas a negligenciar o isolamento em busca de interação ou prazer sexual. A esse respeito, estudo multicêntrico realizado em Portugal e Brasil, em 2020, mostrou que 53% dos HSHs possuem dificuldade de cumprir as medidas de isolamento social, participam de encontros de sexo sem preservativo (30,4%), com múltiplos parceiros (15,8%) e sob uso de drogas (Chemsex) (39%)(12).

Relações sexuais casuais com um ou múltiplos parceiros podem se configurar numa importante via de contaminação e transmissão dos vírus causador da COVID-19(12-13), uma vez que implicam a reunião de duas ou mais pessoas por um tempo considerável em local fechado. Para levantar associações, ainda não testadas na literatura, entre potencial exposição sexual ao SARSCoV-2 por meio do sexo casual e o desenvolvimento de sinais e sintomas de síndrome gripal sugestiva da COVID-19, desenvolvemos este estudo.

OBJETIVO

Avaliar a presença de síndrome gripal sugestiva da COVID-19 em homens que fazem sexo com homens (HSH) e se envolveram em sexo casual durante período de distanciamento social.

MÉTODOS

Aspectos éticos

Trata-se de um subprojeto da pesquisa multicêntrica “In_PrEP Brazil/Portugal”, aprovado originalmente pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Nova de Lisboa e Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto em 2019. Devido à adição de questões, uma emenda foi apresentada e aprovada.

Desenho, período e local do estudo

O subprojeto intitulado “40TENA” configurou-se em um inquérito epidemiológico on-line, multicêntrico, aplicado em todos os 26 estados brasileiros. O projeto de pesquisa e a apresentação desse manuscrito foram norteados pela ferramenta STROBE e pelo The Checklist for Reporting Results of Internet E-Surveys (CHERRIES)(14). Houve uma coleta de dados dinâmica em abril e maio de 2020 enquanto os estados brasileiros vivenciavam medidas sanitárias restritivas que solicitavam o distanciamento e isolamento social, além de quarentena para evitar a disseminação do vírus.

População ou amostra

A amostra foi composta por 2.646 participantes recrutados por uma adaptação do método Respondent Drive Sampling (RDS) ao ambiente virtual. Nesse método, o próprio participante é responsável por recrutar outros indivíduos da mesma categoria que a sua, utilizando suas redes sociais. Para atender às exigências do método, selecionamos 15 HSHs com características diferentes em relação a: localização no país (divididos de acordo com as cinco regiões); raça/cor: branca e não branca; idade: jovem, adulto e idoso; e nível de escolaridade. Estes constituíram os primeiros participantes e foram chamados de sementes. Foram elegíveis para participar do estudo 1.407 HSHs, por terem tido sexo com parceiro casual. Destes, 70 foram excluídos por já terem sido testados para a COVID-19, sendo a amostra final fixada em 1.337 participantes (Figura 1).

Figura 1 Fluxograma de seleção dos participantes 

Protocolo do estudo

Cada participante recebeu o link da pesquisa e foi orientado a convidar mais HSHs de sua rede social, até a obtenção de uma amostra significativa. As sementes foram identificadas através de dois aplicativos de encontro baseado em geolocalização (Grindr e Hornet), por chat direto com usuários on-line.

Os pesquisadores também utilizaram do impulsionamento na rede social Facebook, direcionando para a população de HSHs com idade entre 18 a 60 anos (limite de idade imposto pelo Facebook), por meio de uma postagem fixa na página oficial da pesquisa (https://www.facebook.com/taafimdeque/) e acompanhada de um link eletrônico, a qual forneceu acesso ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e ao questionário da pesquisa. Incluímos apenas indivíduos que se identificaram como homem, cisgênero ou transgênero, com 18 anos ou mais de idade e residente no Brasil.

O instrumento utilizado para a coleta de dados foi elaborado pelos pesquisadores, que consideraram as variáveis de interesse para a investigação e caracterização dos participantes, e validado quanto à forma e conteúdo por um conjunto de especialistas na temática e no método. Foi dividido em seções que abrangiam desde informações sociodemográficas até questões de comportamento e práticas sexuais comuns em tempos de não pandemia bem como no período de distanciamento, isolamento social e/ou quarentena.

O formulário de coleta de dados foi hospedado em um site e só permitia uma resposta por IP (internet protocol), por motivos de segurança. Foi dividido em seções que abarcavam desde informações sociodemográficas até questões de saúde mental, sexual e sexualidade no período de distanciamento, isolamento social e ou quarentena.

Análise dos resultados e estatística

No contexto da COVID-19, conforme orientação do Ministério da Saúde brasileiro(5), devese suspeitar do diagnóstico em pacientes com febre e/ou sinais/sintomas de doença gripal baixa, por exemplo: tosse e dispneia, que residam ou que tenham estado em território com transmissão sustentada/comunitária de COVID-19. Seguindo essas recomendações, definimos como “caso suspeito de síndrome gripal”: indivíduo com quadro respiratório agudo, caracterizado por sensação febril ou febre, mesmo que relatada, acompanhada de tosse OU dor de garganta OU coriza OU dificuldade respiratória.

Definimos “sexo com parceiro casual” ou simplesmente “sexo casual” como atividade sexual presencial (sexo oral ou com penetração) com parceiro novo ou desconhecido que se encontrava fora do local onde se abrigava. Assim, foi posta a questão direta: “Desde que o distanciamento/isolamento social foi proposto no Brasil, você teve sexo com um parceiro novo ou desconhecido que se encontra fora do local onde você está abrigado, ou se deslocou para encontrar esse parceiro?”

Os dados foram analisados com auxílio do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 22.0. Realizaram-se análises descritivas e univariadas. A normalidade dos dados foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk, aplicado às variáveis numéricas. Tratando-se de variáveis categóricas, testaram-se as associações por meio do teste qui-quadrado e exato de Fisher, sendo que o nível de significância foi fixado em p ≤0,05, com intervalo de confiança de 95%. Nesse modelo estatístico, adotou-se como desfecho binário (sim ou não) a suspeita de síndrome gripal, ou seja, qualquer indivíduo que apresentou febre ou sensação febril acompanhada de algum dos sinais e sintomas investigados, a saber: cansaço ou fadiga; dispneia ou desconforto respiratório; dores de garganta e tosse.

O teste t de Student foi utilizado para comparação de médias entre os indivíduos classificados como caso suspeito (sim) e aqueles que não foram classificados como caso suspeito de SR.

RESULTADOS

Foram elegíveis para a pesquisa 1.337 HSHs brasileiros que praticaram sexo casual durante a pandemia da COVID-19. Predominou a faixa etária de 21 a 30 anos (69,5%), moradores de regiões metropolitanas (75,2%), solteiros (72,2%). A maioria (96,3%) referiu estar praticando algum tipo de distanciamento social (Isolamento social; Distanciamento social/Ficar em casa ou quarentena), há mais de 30 dias (74,9%), com percepção de impacto elevado do distanciamento social nas suas atividades diárias (44,3%).

Por meio de estatística bivariada, testamos a associação entre as características da amostra e a presença de sinais e sintomas de síndrome gripal. Foram associados estaticamente: Idade, Residir em região metropolitana, Duração do distanciamento social, Impacto percebido do distanciamento social, Práticas sexuais (Tipo de parceiro; Tipo de relacionamento; e Morar com o parceiro sexual); e Atividade sexual no período de distanciamento social (Busca por sexo pago; Relação sexual, simultaneamente, com dois ou mais parceiros; Relação sexual sob efeito de substâncias lícitas ou ilícitas; Relação sexual sem proteção, seja ativo e/ou passivo).

A Tabela 3 destaca a comparação das médias da idade e do número de parceiros sexuais durante o período de distanciamento social pela pandemia da COVID-19, com a presença de sinais e sintomas de síndrome gripal, e evidencia que houve diferença estatística (p < 0,001) na média de parceiros entre aqueles que tiveram sinais e sintomas de síndrome gripal (3,5) e aqueles que não os tiveram (1,7).

Tabela 1 Caracterização social, demográfica, de práticas sexuais e sinais e sintomas de síndrome gripal em homens que fazem sexo com homens e tiveram sexo casual durante período de distanciamento social pela pandemia da COVID-19, Brasil, 2020 (N = 1.337) 

Variáveis n %
Caracterização social e demográfica
Identidade de gênero
Homem cisgênero 1.333 99,7
Homem transgênero 4 0,3
Idade
18-20 anos 68 5,1
21-30 anos 930 69,5
31-40 anos 172 12,9
41-50 anos 111 8,3
> 50 anos 56 4,2
Reside em região metropolitana/grandes centros?
Sim 1005 75,2
Não 332 24,8
Tipo de relacionamento atual
Solteiro 965 72,2
Em um relacionamento poliamoroso 48 3,6
Em um relacionamento fixo 324 24,2
Com quem costuma ter relação sexual?
Parceiro casual 971 72,6
Parceiros casual/fixo 215 16,1
Parceiro fixo 151 11,3
Mora com o parceiro sexual?
Sim 156 42.7
Não 209 57.3
Se encontra em distanciamento social?
Sim 850 63,6
Parcialmente 438 32,7
Não 49 3,7
Duração do atual distanciamento social
Menos de 30 dias 294 22
Entre 30 e 45 dias 765 57,2
Mais de 45 dias 237 17,7
Não estou em distanciamento social 41 3,1
Como classifica o impacto do distanciamento social em sua vida?
Muito impacto 593 44,3
Médio impacto 561 42
Baixo impacto 183 13,7
Parcerias e atividades sexuais durante período de distanciamento social
Quantitativo de parceiros
1 456 34,1
2 a 3 762 57
> 3 119 8,9
Pagou por relações sexuais
Sim 59 4,4
Não 1.278 95,6
Orgia/Ménage (Relação sexual, simultaneamente, com duas pessoas ou mais)
Sim 385 28,8
Não 952 71,2
Chemsex (Relação sexual sob efeito de substâncias lícitas ou ilícitas)
Sim 942 70,5
Não 395 29,5
Relação sexual sem uso do preservativo?
Sim 533 39,9
Não 804 60,1
Sinais e sintomas de síndrome gripal apresentados no período de distanciamento social
Febre
Sim 516 38,6
Não 821 61,4
Tosse
Sim 781 58,4
Não 556 41,6
Dores de garganta
Sim 776 58
Não 561 42
Cansaço ou fadiga
Sim 378 28,3
Não 959 71,7
Dispneia/Desconforto respiratório
Sim 479 35,8
Não 858 64,2
Ao menos um sinal/sintoma
Sim 790 59,1
Não 547 40,9
Febre associada a outro sinal/sintoma de síndrome gripal
Sim 514 38,4
Não 823 61,6

Tabela 2 Análise bivariada dos fatores associados à presença de sinais e sintomas de síndrome gripal em homens que fazem sexo com homens e tiveram sexo casual durante o período de distanciamento social pela pandemia da COVID-19, Brasil, 2020 (N = 1.337) 

Fatores de interesse Presença de sinais e sintomas de síndrome gripal
Sim Não Valor de p
n % n %
Idade (anos) < 0,001
18-20 17 25,0 51 75,0
21-30 392 42,2 538 57,8
31-40 63 36,6 109 63,46
41-50 30 27,0 81 73,03
Mais de 50 anos 12 21,4 44 78,6
Identidade de Gênero 0,305*
Homem cisgênero 514 38,6 819 61,4
Homem transgênero - - 4 100
Residente em região metropolitana/grandes centros < 0,001
Sim 427 42,5 578 57,5
Não 87 25,2 245 73,8
Está em distanciamento social 0,515*
Sim 330 38,8 520 61,2
Parcialmente 169 38,6 269 61,4
Não 15 30,6 34 69,4
Duração do atual distanciamento social < 0,001
Menos de 30 dias 104 35,4 190 64,6
Entre 30 e 45 dias 270 35,3 495 64,7
Mais de 45 dias 126 53,2 111 46,8
Não estou em distanciamento 14 34,1 27 65,9
Impacto percebido do distanciamento social < 0,001
Baixo impacto 89 48,6 94 51,4
Médio impacto 151 26,9 410 73,1
Muito impacto 274 46,2 319 53,8
Práticas sexuais
Tipo de parceiro < 0,001
Parceiro casual 427 44,0 544 56,0
Parceiros casual/fixo 69 32,1 146 67,9
Parceiro fixo 18 11,9 133 88,1
Tipo de relacionamento atual < 0,001
Solteiro 425 44,0 540 56,0
Em um relacionamento poliamoroso 15 31,3 33 68,8
Em um relacionamento fixo 74 22,8 250 77,2
Mora com o parceiro sexual 0,007
Sim 26 16,7 130 83,3
Não 60 28,7 149 71,3
Atividade sexual no período de distanciamento social por COVID-19
Pagou por relações sexuais 42 71,2 17 28,8 < 0,001
Teve relação sexual, simultaneamente, com duas pessoas ou mais 182 47,3 203 52,7 < 0,001
Teve relação sexual sob efeito de substâncias lícitas ou ilícitas 395 41,9 547 58,1 < 0,001
Teve relação sexual sem preservativo 297 55,7 236 44,3 <0,001
Quantitativo de parceiros durante o período de distanciamento social < 0,001
1 67 14,7 389 85,3
2-3 343 45,0 419 55,0
> 3 104 87,4 15 12,6

Tabela 3 Comparação das médias da idade e do número de parceiros sexuais durante o período de distanciamento social pela pandemia da COVID-19, com a presença ou não de sinais e sintomas de síndrome gripal, Brasil, 2020 (N = 1.337) 

Fatores de interesse Presença de sinais e sintomas de síndrome gripal
Sim Não Valor de p*
Média (DP) Média (DP)
Idade (anos) 29,92 (6,3) 30,54 (8,7) 0,165
Quantitativo de parceiros durante o período de distanciamento social 3,5 (3,4) 1,7 (0,9) <0,001

Nota:

*Teste t de Student.

DISCUSSÃO

A presença de sinais e sintomas de síndrome gripal sugestiva de COVID-19 em homens que fazem sexo com homens (HSH) e se envolveram em sexo casual durante período de distanciamento social em razão da pandemia no Brasil foi significativa e associada a características sociais, demográficas, práticas e atividades sexuais ao longo desse tempo. Nesse sentido, esta pesquisa é pioneira ao testar a associação entre potencial exposição ao SARS-CoV-2 por meio do sexo com parceiro casual e o desenvolvimento de sinais e sintomas de síndrome gripal característicos da COVID-19. Embora o número de HSHs que possam ser apontados como casos suspeitos da COVID-19 tenha sido elevado (38,3%), acreditamos que esse achado ainda é consideravelmente subdimensionado porquanto pessoas assintomáticas parecem ser responsáveis por cerca de 40% a 45% das infecções por SARS-CoV-2(15-16) e podem variar substancialmente segundo o grupo etário.

Como evidenciado nos nossos achados, a idade foi associada à presença de sinais e sintomas de COVID-19, reforçando o impacto e influência de grupos etários no desenrolar da pandemia. Especificamente no que se refere aos jovens e adultos jovens, grupo mais prevalente neste estudo (42,2%), já existem relatos apontando-os como condutores de patógenos transmissores do vírus(17) devido à baixa adesão às medidas de contenção e mitigação do vírus e às baixas taxas de sintomatologia. De acordo com um estudo de revisão, pessoas infectadas que permanecem assintomáticas desempenham um papel significativo na pandemia em curso, mas seu número relativo e efeito ainda permanecem incertos(18).

Algumas características da COVID-19 tornam difícil o manejo e enfrentamento da doença. Em geral, o período de incubação, tempo entre a exposição ao vírus ou infecção e o início dos sintomas da COVID-19, é em média de 5 a 6 dias, podendo chegar até 14 dias(19). Os sintomas mais comuns são febre (≥ 37,8ºC), tosse, dispneia, mialgia e fadiga, largamente relatados em nosso estudo, sendo que a maioria apresenta mais de um desses sintomas, embora comumente de forma leve. Ainda, a acurácia dos métodos laboratoriais depende do método utilizado, tempo de doença e carga viral, o que torna mais complicado o diagnóstico final(20).

Ainda nos chamou atenção o fato de que os dados foram coletados no período da pandemia em que a curva de casos da COVID-19 no Brasil mostrava-se em plena ascensão e, por consequência, havia um elevado número de casos novos e mortes. Contudo, ainda assim, os dados revelaram um cenário de manutenção das práticas sexuais (sexo casual, com uso de drogas, sem preservativo, em grupo) por HSHs em níveis semelhantes ao registrado em estudos ligeiramente anteriores à pandemia(21-23), sugerindo que esse cenário pode ter se agravado nos meses posteriores.

O elevado(24-25) quantitativo de parceiros, sobretudo naqueles que manifestaram sinais e sintomas, causou espanto. Envolver-se em sexo com parceiro casual em tempos de coronavírus implica ter contato com alguém de histórico de exposição desconhecido e fora do seu “local de isolamento”(26). Se esse encontro foi feito com mais de um parceiro e envolveu o uso de drogas, a adoção de medidas de prevenção do SARS-CoV-2 pode ter sido ainda mais prejudicada(24,26). Esse achado é corroborado pela associação estatística entre presença de sinais e sintomas e quantitativo de parceiros.

A elevação dos níveis de ansiedade e estresse causada pela ruptura das redes socioafetivas se intensifica com fenômenos aparentes como a falta de interação social, de entretenimento, de lazer, ou com a solidão e tédio. Tais fatores tecem grande influência no comportamento da população de HSHs(27-28) durante o contexto pandêmico e também devem ser levados em consideração. Associados, eles podem constituir em agentes complicadores para a prevenção e controle da doença, uma vez que as ações de caráter político em saúde destinada a essa população são consideravelmente frágeis em grande parte do cenário global(29).

É relevante referir que se trata de um estudo realizado em um país latino-americano que vem enfrentando diversos entraves nos avanços das políticas públicas direcionadas à população LGBTQIA+(24,26,30-31) . Tal cenário, que é permeado por LGBTQIA+fobia institucionalizada, pode comprometer a proteção à saúde, já que, na ausência de aparatos próprios e seguros, HSHs podem estar recorrendo a recursos e práticas que os expõe ao SARS-CoV-2.

Além disso, não se localizou no Brasil a existência de ações educativas em saúde de caráter institucional que produzissem alternativas, estratégias e/ou medidas voltadas a práticas e comportamentos sexuais de HSHs a fim de apoiá-los no enfrentamento dos impactos gerados pela pandemia dentro dessa dimensão da vida humana. Assim, enfatiza-se a necessidade do desenvolvimento de ações governamentais focadas na redução de danos, ao considerar que, por razões variadas, os resultados revelaram que HSHs estão mantendo a prática do sexo casual durante a presença do curso epidêmico da COVID-19 no Brasil.

Limitações do estudo

Além das ressalvas já apresentadas, esta pesquisa possui uma série de limitações que devem ser apontadas. Primeiro, o estudo foi realizado apenas on-line, com informações autorrelatadas, não sendo possível a checagem da veracidade delas. Em segundo lugar, o método de coleta dos dados dificulta estabelecer relações causais, porque não se sabe ao certo se os sinais e sintomas tiveram início depois ou antes do sexo casual. Embora isso possa ser apontado como uma limitação, o simples contato com outra pessoa na presença ou recorrência de sinais e sintomas de SG é relevante já que apresentar os sinais e sintomas de SG antes do sexo casual pode indicar uma possível infecção do parceiro, enquanto apresentar os sinais e sintomas de SG após o sexo casual pode indicar infecção pelo parceiro. E por último, também não fomos capazes de analisar neste estudo a recorrência do sexo casual e suas implicações.

Contribuições à Enfermagem e Saúde Pública

Com base nesta lógica argumentativa, enfatiza-se a necessidade do direcionamento da atenção de profissionais de saúde, como os da Enfermagem, para a valorização dos aspectos comportamentais e relacionais, que envolvem as dimensões da sexualidade humana, junto com a prática clínica e assistencial no reconhecimento de sinais e sintomas e fatores de risco associados à COVID-19. Deve-se considerar que, entre aderir ou não aderir às medidas sanitárias que determinam o distanciamento social, e consequentemente direcionam para a proibição dos encontros sexuais durante a pandemia, não se trata apenas de uma questão e/ou lógica de escolha individual, mas de uma multiplicidade de fatores que devem ser levados em consideração tocante à produção do cuidado em saúde e em Enfermagem, na busca por superar estigmas, culpabilização e discriminação dos grupos minoritários sexuais e de gênero.

CONCLUSÃO

Nossos achados evidenciam a ocorrência de sinais e sintomas indicativos de síndrome gripal sugestiva de COVID-19 em HSHs brasileiros que se envolveram em sexo casual durante o período do distanciamento social, com influência no quantitativo de parceiros, que foi proporcionalmente maior naqueles que apresentaram sinais e sintomas.

FOMENTO

Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq

Processo: 159908/2019-1

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Recebido: 12 de Agosto de 2020; Aceito: 04 de Setembro de 2020

Autor Correspondente: Álvaro Francisco Lopes de Sousa. E-mail: alvarosousa@usp.br

EDITOR CHEFE: ANTONIO José De Almeida Filho

EDITOR ASSOCIADO: Elucir Gir

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