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Revista Brasileira de Oftalmologia

Print version ISSN 0034-7280On-line version ISSN 1982-8551

Rev. bras.oftalmol. vol.68 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72802009000500010 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Avaliação ocular multimodal em doenças heredodistróficas e degenerativas da retina

 

Multimodal fundus imaging in heredodystrophic and degenerative diseases of the retina

 

 

Daniela Cavalcanti FerraraI; Daniela CalucciII; Juliana Lambert OréficeII; Rogério Alves CostaI, II, III

IDepartamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – USP - Ribeirão Preto (SP), Brasil
IIDivisão de Mácula do Centro Brasileiro de Ciências Visuais - Belo Horizonte (MG), Brasil
IIIPrograma de Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Cirurgia e à Oftalmologia, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG - Belo Horizonte (MG), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A tomografia de coerência óptica incorporou-se gradativamente ao contemporâneo arsenal diagnóstico em Oftalmologia, passando a exercer papel fundamental na investigação e condução de doenças oculares, particularmente na especialidade de Retina e Vítreo. A disponibilização comercial da nova geração de aparelhos, chamada de tomografia de coerência óptica "espectral", baseada em conceito físico distinto que permite a aquisição de imagens em alta velocidade, marcou o início de uma nova era desta tecnologia de investigação auxiliar. Adicionalmente, sua recente combinação com o oftalmoscópio de varredura a laser confocal (confocal scanning laser ophthalmoscope) vem propiciando a aquisição de imagens tomográficas guiadas em tempo real pelos diferentes modos de imagem (autofluorescência de fundo, reflectância com luz "infravermelha" e angiografia com fluoresceína ou indocianina verde). A avaliação ocular multimodal (multimodal fundus imaging) permite a correlação real e minuciosa de achados da morfologia retiniana e do epitélio pigmentar com dados de estudos angiográficos e de autofluorescência ou reflectância, propiciando assim inferências valiosas sobre a fisiologia do tecido. Neste artigo, discutimos brevemente as possíveis implicações da avaliação ocular multimodal na prática da especialidade de Retina e Vítreo.

Descritores: Angiografia; Epitélio pigmentado da retina; Tomografia de coerência óptica/métodos; Fluorescência; Espectroscopia infravermelho transformada de Fourier; Laser; Retina


ABSTRACT

Optical coherence tomography was progressively incorporated to the contemporary diagnostic arsenal in Ophthalmology, playing a crucial role in the diagnosis and management of eye diseases, particularly in the specialty of retina and vitreous. The commercial availability of the new generation of devices, coined "spectral" optical coherence tomography, which is based in a distinct physical concept that permits high-speed image acquisition, launched a new era for this investigative ancillary tool. In addition, the recent combination of this new technology with a confocal scanning laser ophthalmoscope has permitted the acquisition of tomographic images driven by different imaging modalities simultaneously (fundus autofluorescence, near-infrared reflectance, and fluorescein or indocyanine-green angiographies). Multimodal fundus imaging permits a reliable and detailed correlation between the morphological findings of the retina or retinal pigment epithelium and angiographic studies or fundus autofluorescence, leading to valuable insights about retina physiology. In this article, we briefly discuss possible practical implications of this new diagnostic modality for the retina specialist.

Keywords: Angiography; Retinal pigment epithelium; Tomography, optical coherence/methods; Fluorescence; Spectroscopy, Fourier transform infrared; Laser; Retina


 

 

INTRODUÇÃO

A investigação fenotípica das doenças heredodistróficas e degenerativas da retina e epitélio pigmentado (EPR) tem sido, há muito, baseada em métodos de imagem como a oftalmoscopia e retinografia bem como estudos angiográficos e eletrorretinográficos.1 Na última década, porém, novas modalidades de imagem como a autofluorescência de fundo (fundus autofluorescence, FAF), a documentação com luz "infravermelha" (near-infrared reflectance, nIR) e a tomografia de coerência óptica (optical coherence tomography, OCT), vêm se incorporando ao arsenal investigativo auxiliar utilizado na caracterização morfológica e funcional da retina e EPR.

Os sistemas de documentação fotográfica/angiográfica em retina dividem-se basicamente em câmera de fundo convencional ("retinógrafo") e o oftalmoscópio de varredura a laser confocal (confocal Scanning Laser Ophthalmoscope, cSLO). Enquanto na primeira flashes de luz branca com filtros específicos são utilizados na excitação dos tecidos/contrastes endovenosos (fluoresceína ou indocianina verde), lasers no comprimento de onda exato são empregados no cSLO na excitação dos pigmentos, sejam estes endógenos ou exógenos. Mais recentemente, avanços tecnológicos nesta área culminaram na geração de sistemas com capacidade de aquisição simultânea de imagens em diferentes modos. Alguns aparelhos de cSLO, por exemplo, possibilitam a aquisição de imagens tomográficas de alta-resolução em alta-velocidade guiadas em tempo real pelos diferentes modos de imagem disponíveis (nIR, FAF, angiografia com fluoresceína ou indocianina verde) (Figura 1).1 A correlação real e pontual de achados da morfologia retiniana e do EPR com dados de estudos angiográficos e/ou FAF e nIR vem propiciando inferências valiosas sobre a fisiologia ocular in vivo.1-5 A seguir, discutiremos brevemente alguns aspectos dos diferentes modos que caracterizam esta nova modalidade diagnóstica, chamada de "avaliação ocular multimodal" (multimodal fundus imaging) (Figura 2).1-3

 

 

 

 

Tomografia de Coerência Óptica de Alta-Resolução e Alta-Velocidade (High-Resolution High-Speed Optical Coherence Tomography)

Duas mudanças essenciais marcam a nova geração de aparelhos de OCT disponibilizada recentemente: 1) o emprego de fontes de luz (SLDs) de banda espectral mais larga, e 2) a adoção da tecnologia "Fourier-domain/espectral" para processamento dos sinais.

A largura da banda espectral da fonte de luz (SLDs) do OCT está diretamente relacionada à resolução (axial) do aparelho; simplisticamente, quanto maior a largura da banda, maior a resolução axial. A largura da banda espectral da fonte de luz dos novos aparelhos aumentou consideravelmente em relação à terceira geração (Stratus OCT), com conseqüente aumento em sua capacidade de resolução axial para 5~6µm (na retina). Já a resolução transversal (lateral), que sofre influência de fatores adicionais como, por exemplo, a qualidade da parte óptica do aparelho, ficou entre 14~20µm nesta nova geração. Com estas características, esta geração de tomógrafos foi classificada como high-resolution (alta-resolução).

Para a geração de imagens bidimensionais (B-scan ou tomograma) da retina (principalmente região macular e peridiscal), os aparelhos de OCT realizam análise individual de vários A-scans que compõe um determinado tomograma. Consequentemente, a "definição" (não "resolução") de um tomograma (B-scan) é influenciada diretamente pelo número de A-scans que compõe esta imagem, bem como a capacidade do software em identificar (e eliminar) "ruídos" e artefatos (Figura 3). Os aparelhos antigos utilizavam um princípio básico de funcionamento chamado time-domain que, por razões técnicas (movimentação do espelho de referência), limitava a capacidade de geração de A-scans em 400 A-scans por segundo. Assim, 1.28 segundo era necessário para a captura de um tomograma de alta-densidade (512 A-scans) no aparelho de terceira geração. Os novos tomógrafos adotam o princípio Fourier-domain para o processamento dos sinais, saindo de cena o "espelho de referência" e entrando o "espectrômetro" (razão da terminologia "spectral OCT"). Essa substituição trouxe mudanças profundas na capacidade de geração de A-scans pelos novos tomógrafos, elevando as taxas para até 40.000 A-scans por segundo (aumento de 100 vezes) e possibilitando a aquisição de dados suficientes para reconstruções tridimensionais do tecido estudado (Figura 4).

 

 

 

 

Todos os novos aparelhos disponíveis no presente momento utilizam tanto fontes de luz de banda espectral mais larga (maior resolução) bem como o princípio Fourier-domain de processamento dos sinais (maior capacidade de geração de A-scans); são, portanto, aparelhos com capacidade de imagem em "alta-resolução" e "alta-velocidade".6,7 Na prática, essa nova tecnologia permite melhor individualização das camadas retinianas e caracterização da interface vitreorretiniana (Figura 5), capaz de revelar peculiaridades morfológicas não detectáveis pela semiologia clínica rotineira.6-10

 

 

Autofluorescência de Fundo
(Fundus Autofluorescence, FAF)

A documentação da autofluorescência do fundo ocular permite a inferência de características funcionais do EPR (e indiretamente da retina) por documentar de forma não-invasiva a presença de lipofuscina no tecido.11-17 Durante a aquisição de FAF com o cSLO a retina é iluminada com comprimento de onda de 488nm, e o filtro de barreira é idêntico ao utilizado para angiografia com fluoresceína.17 Como essencialmente apenas as estruturas com lipofuscina são registradas, a interpretação dos achados de FAF depende da interação dos sinais autofluorescentes oriundos do EPR com estruturas retinianas (normais ou patológicas) sobrejacentes.11,12,18

A lipofuscina é uma mistura de várias biomoléculas, incluindo diferentes fluoróforos, e seu principal constituinte foi identificado como A2-E (N-retinildeno N-retiniletanolamina).19-22 É pigmento autofluorescente que se acumula na porção basal da célula do EPR, como bioproduto da fagocitose dos segmentos externos dos fotorreceptores, sendo considerado um marcador do envelhecimento celular fisiológico.23 Entretanto, os segmentos externos dos fotorreceptores contém proteínas, retinóides e grandes proporções de ácidos graxos poliinsaturados suscetíveis ao dano fotooxidativo, e o acúmulo anormal de lipofuscina tem sido diretamente associado ao comprometimento de funções metabólicas essenciais do EPR. Os variados mecanismos de dano ao EPR incluem inibição da capacidade degradativa lisossomal, perda da integridade de membrana celular, e fototoxicidade.24-31

Evidências epidemiológicas, clínicas e experimentais indicam que o acúmulo de lipofuscina no EPR precede a atrofia das camadas celulares da retina externa, incluindo degeneração de fotorreceptores e atrofia do próprio EPR.26,30,32-34 A perda da função visual também em patologias heredodistróficas como Doença de Stargardt e Doença de Best tem sido atribuída ao acúmulo anormal de lipofuscina no EPR e/ou no espaço sub-retiniano.12,18,35-37 A FAF mostrou-se de grande utilidade nestas doenças, assim como em condições degenerativas de etiologias variadas que envolvam alteração progressiva do EPR como, por exemplo, coriorretinopatia serosa central e retinopatia por cloroquina (Figura 6).4,38,39

 

 

Portanto, a FAF oferece informações que se somam aos achados da investigação de rotina por estudos angiográficos e tomográficos, contribuindo no diagnóstico e acompanhamento de patologias oculares em que o EPR pode estar direta ou indiretamente envolvido (Figura 7).33,34,40,41

 

 

Autofluorescência com Luz "Infravermelha"
(near-Infrared Autofluorescence, nIA)

A autofluorescência com luz "infravermelha" (near-infrared autofluorescence, nIA) contribui para a avaliação in vivo de melanina, outro pigmento característico do EPR. Durante a nIA com o cSLO, a retina é iluminada com comprimento de onda de 787nm, e o filtro de barreira é idêntico ao utilizado para angiografia com indocianina verde.16 Contudo, a imagem do fundo ocular obtida é de limitada qualidade.

Os achados da nIA são diferentes dos achados com autofluorescência de fundo padrão (FAF). Evidências indicam que a distribuição da nIA se correlaciona diretamente à distribuição da melanina no fundo ocular, com contribuições do EPR e da coróide.16,17,42,43 Anormalidades de nIA foram reportadas em pacientes com anormalidades genéticas ou degenerativas do EPR, como Doença de Stargardt, retinite pigmentosa, degeneração macular relacionada à idade, retinopatia por cloroquina e coriorretinopatia serosa central (Figura 8).16,17,43,44

 

 

Reflectância com Luz "Infravermelha"
(near-Infrared Reflectance, nIR)

A reflectância com iluminação "infravermelha" (near-infrared reflectance, nIR) permite a documentação de estruturas retinianas profundas e sub-retinianas, com resolução e contraste superiores às técnicas de imagem rotineiras.45 As imagens de nIR são obtidas pelo cSLO com estímulo luminoso de 815nm.16

Apenas sistemas ópticos confocais permitem o registro adequado por nIR por rejeitarem a luz difundida. A câmera de fundo convencional ("retinógrafo"), ao contrário, não consegue separar a luz refletida da luz difundida. A imagem obtida por nIR, por conseguinte, é ultimamente determinada pela reflexão e absorção de luz pelas diferentes camadas do tecido iluminado. A região foveal aparece mais "clara", decorrente da menor absorção de luz "infravermelha" pelos pigmentos maculares. Depósitos sub-retinianos como drusas, quando próximos ao plano de foco, são observados "claros" e obscurecem parcialmente os vasos da coróide. De maneira similar, cicatrizes sub-retinianas também refletem a luz "infravermelha". Camadas de fluido denso ou túrbido, ao contrário, não transmitem a luz lateralmente ou para planos mais profundos; conseqüentemente, áreas de descolamento do EPR (seroso ou serohemorrágico) aparecem "escuras" na imagem por nIR (Figura 9).45,46

 

 

Portanto, a nIR é especialmente valiosa na investigação de patologias que envolvam a membrana de Bruch ou que apresentem depósitos retinianos profundos, degeneração macular relacionada à idade ou estrias angióides.1,16,47 Pode ainda, potencialmente, identificar patologias sub-clínicas, mesmo na presença de alguma opacidade de meios como esclerose lenticular moderada ou hemorragia vítrea leve, ou revelar drusas indetectáveis pelo exames convencionais.45 Seu uso como ferramenta auxiliar na monitorização de tratamentos da região macular vem também sendo investigada.17

Avaliação Ocular Multimodal
(Multimodal Ocular/Fundus Imaging)

O registro angiográfico simultâneo de fluoresceína e indocianina verde foi proposto há várias décadas,48 tendo sido incorporado à rotina clínica apenas recentemente, quando os cSLO se tornaram comercialmente disponíveis.49-51 Adicionalmente, por registrar apenas os feixes de luz confocal e suprimir a luz difundida, os sistemas de cSLO são capazes de documentar um plano específico do tecido retiniano com contraste e detalhes impossíveis de serem obtidos presentemente com as câmeras de fundo convencionais.52-56 Essa propriedade óptica, somada ao estímulo luminoso e registro de bandas de comprimento de onda específicos, permitem a documentação com FAF e nIR em alta-resolução. O registro de imagens por nIA, entretanto, ainda apresenta uma série de limitações. A definição da imagem obtida não é alta, em comparação com outros modos de imagem, e a interpretação dos achados fenotípicos ainda é em parte controversa. A correlação entre nIR e nIA indica que parte da fluorescência observada por luz "infravermelha" possa ser pseudofluorescência, com influência direta na imagem obtida (Figura 10).44

 

 

A alta definição da imagem obtida com os novos aparelhos de OCT espectral tem levado alguns autores a comparar o corte seccional tomográfico ao corte histológico.9,10,57-59 Não obstante, a correlação direta com a histologia do tecido ainda não é conhecida em todas as situações fisiológicas e patológicas, e comparações devem ainda ser vistas com algum ceticismo. As características físicas das diferentes camadas celulares da retina obviamente influenciam a reconstrução óptica da imagem tomográfica, e os artefatos resultantes não podem ser desprezados.7,60 Nesse sentido, a análise integrada de imagens multimodal tem se mostrado fundamental na interpretação dos achados morfológicos da retina neurossensorial e EPR. Considerando-se os princípios básicos de aquisição de imagem e processamento dos dados, variados aspectos de diferentes camadas da retina podem ser revelados. Os achados morfológicos com a investigação multimodal são de tal qualidade em definição, sensibilidade e especificidade, que permitem inferências funcionais sobre o tecido. Esta estratégia investigativa tem implicações de interesse clínico e científico.61-65 Além de contribuir para o diagnóstico de desordens heredodistróficas e degenerativas da retina e EPR bem como na monitorização de progressão da doença ou resposta terapêutica, estudos futuros determinarão o real papel da análise integrada de imagens multimodal no entendimento de mecanismos fisiopatológicos da retina.

 

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Endereço para correspondência
Rogério A. Costa
Centro Brasileiro de Ciências Visuais
Rua dos Otoni, 881 conjunto 1001, Santa Efigênia
CEP 30.150-270 - Belo Horizonte (MG) - Brasil
Telefone/fax: (31) 3274-4001
Email: roger.retina@globo.com

Recebido para publicação em: 24/9/2009
Aceito para publicação em 18/10/2009

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