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Revista Brasileira de Oftalmologia

Print version ISSN 0034-7280

Rev. bras.oftalmol. vol.70 no.1 Rio de Janeiro Jan./Feb. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72802011000100004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Impacto da análise do 'wavefront' na refratometria de pacientes com ceratocone

 

Impact of the wavefront analysis in refraction of keratoconus patients

 

 

Renato Ambrósio JuniorI,II,III; Diogo Leitão CaldasII,III,IV; Renata Siqueira da SilvaII,III; Leonardo Nogueira PimentelII,III; Bruno de Freitas ValbonII,III,IV

IPontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIInstituto de Olhos Renato Ambrósio - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IIIRio de Janeiro Corneal Tomography and Biomechanics Study Group - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
IVUniversidade Federal Fluminense - UFF - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Verificar se a aberrometria ocular total (análise da frente de onda ou 'wavefront') possibilita melhora na acuidade visual corrigida (AVc) com lentes esfero-cilíndricas, obtida com a refratometria manifesta em casos de ceratocone com algum grau de intolerância ao uso de lentes de contato.
MÉTODOS: Os prontuários de 46 pacientes (89 olhos), referidos com diagnóstico de ceratocone e intolerantes ao uso de lentes de contato, submetidos ao exame de aberrometria ocular total seguido de refração manifesta, foram estudados de forma retrospectiva. A AVc (logMAR) com a correção existente antes do exame foi comparada com a obtida com a nova refração manifesta, realizada considerando-se os dados objetivos da aberrometria. O teste não-paramétrico de Wilcoxon para amostras pareadas foi utilizado para verificação de diferenças estatisticamente significantes na AVc.
RESULTADOS: Houve uma melhora estatisticamente significante na AVc com a nova refração manifesta (p<0,0001). A AVc média passou de 0,37 ou 20/47 (variando entre 1,3 e 0; desvio padrão[DP]=0,25) com a refração prévia para 0,23 ou 20/34 (variando entre 1 e 0,1; DP=0,21). Cinquenta e dois olhos (58,4%) de 28 pacientes apresentaram melhora na AVc com a nova refração. A melhora média foi de 0,13 logMAR (1,3 linhas na tabela de Snellen), variando entre nula e 0,6 (6 linhas), com desvio padrão de 0,16. Oito pacientes apresentaram anisometropia significativa que limitou a prescrição de óculos em um dos olhos.
CONCLUSÃO: A aberrometria facilitou a refratometria, determinando melhora significativa na acuidade visual corrigida com as lentes esfero-cilíndricas de pacientes com ceratocone intolerantes ao uso de lentes de contato. A anisometropia foi um fator limitante na prescrição de óculos.

Descritores: Aberrações de frente de onda da córnea; Ceratocone; Lentes de contato; Refração ocular; Acuidade visual


ABSTRACT

OBJECTIVE: To verify if the total ocular aberrometry (wavefront analysis) facilitates manifest refraction and improvement in best spectacle distance corrected visual acuity (BSCDVA) with sphero-cylindrical lenses, in keratoconus cases with some degree of contact lenses intolerance.
METHODS: Retrospective chart review of 46 patients (89 eyes) referred with keratoconus and contact lenses intolerance was performed. Ocular aberrometry with ray tracing was followed by manifest refraction. BSCDVA (logMAR) with the previous correction was compared with the one obtained based on the wavefront autorefraction. The nonparametric test of Wilcoxon for paired samples was used to test statistically significant differences in BSCDVA.
RESULTS: There was a statistically significant improvement in BSCDVA with the new manifest refraction (p <0,0001). The average BSCDVA changed from 0,37 or 20/47 (varying between 1,3 and 0; standard deviation [SD] = 0,25) with previous refraction to 0,23 or 20/34 (varying between 1 and 0,1; SD = 0,21). 52 eyes (58,4%) of 28 patients showed improvement in BSCDVA with the new refraction. The average improvement was 0,13 logMAR (1,3 lines on Snellen chart), varying between zero and 0,6 (6 lines), with standard deviation of 0,16. Eight patients had significant anisometropia that limited the prescription of glasses.
CONCLUSION: Aberrometry facilitated the refraction, determining significant improvement in visual acuity with sphero-cylindrical lenses in keratoconus patients intolerant to contact lenses. The anisometropia was a limiting factor in the prescription of glasses.

Keywords: Corneal wavefront aberration; Keratoconus; Contact lenses; Refraction, ocular; Visual acuity


 

 

INTRODUÇÃO

Ceratocone é uma distrofia ectásica não inflamatória de caráter progressivo, caracterizada por afinamento e encurvamento da córnea, com protrusão cônica central ou paracentral(1,2). Tais mudanças na geometria da córnea induzem astigmatismo irregular e miopização, determinando prejuízo na acuidade visual(3,5). A doença ocorre em todas as raças, é tipicamente bilateral, mas assimétrica, apresenta uma incidência de 1:2.000 na população geral e tem discreta preponderância no sexo feminino(1). Diversos estudos apontam que o ceratocone afeta significativamente a qualidade de vida do paciente(6,1), além de ser uma das causas mais freqüentes de transplante de córnea(12-17).

A reabilitação visual de pacientes com ceratocone é dada inicialmente com óculos. Entretanto, trata-se de um desafio para a refratometria, devido à presença de astigmatismos elevados e não regulares. A presença de elevados índices de irregularidades ópticas (HOA - high order aberrations) pode determinar que a correção esfero-cilíndrica de óculos tradicionais seja insatisfatória. Neste cenário, lentes de contato (LC) especiais são indicadas(18-21). Tradicionalmente, a ceratoplastia ou transplante de córnea eram as opções de cirurgias terapêuticas indicadas em situações de intolerância na adaptação de LC. Entretanto, novas técnicas cirúrgicas como a promoção de ligações covalentes e reticulação do colágeno corneano com radiação ultravioleta e riboflavina (crosslinking)(22-25), o implante de segmentos de anéis intraestromais(26-31), lentes fácicas(32-33), e técnicas de fotoablação (34-38) são capazes de adiar ou mesmo evitar o transplante. Tais procedimentos podem ser indicados mais precocemente e de forma eletiva, sendo fundamental uma propedêutica avançada para confirmar a indicação, bem como para o planejamento cirúrgico.

Nas últimas décadas, observou-se uma verdadeira revolução nos métodos diagnósticos em córnea, destacando-se o advento da topografia de reflexão dos discos de Placido(39,42), tomografia com reconstrução 3-D(43-46), estudo biomecânico da córnea in vivo(47-52) e a aberrometria ocular(53,59). A análise da frente de onda (wavefront) ou aberrometria ocular total permite a caracterização das aberrações ópticas do olho de forma mais detalhada e complexa que a tradicionalmente realizada. As aberrações ópticas são decompostas matematicamente, sendo os polinômios de Zernike a forma mais popular(60-62), pois as aberrações de ordem baixa correspondem aos termos da refratometria esfero-cilíndrica tradicional (astigmatismo e desfoco [miopia e hipermetropia]).

A aberrometria ocular tem seu papel destacado em casos de ceratocone para diagnóstico(57,63-66), estadiamento(67), e avaliação do tratamento realizado(65,68-71). O presente estudo pretende avaliar se os dados objetivos com a aberrometria ocular total podem auxiliar na refratometria manifesta, de modo a proporcionar melhor acuidade visual corrigida com óculos (AVc).

 

MÉTODOS

Os prontuários de pacientes com diagnóstico de ceratocone, com histórico de algum grau de intolerância ao uso de LC, submetidos ao exame de aberrometria seguido de refratometria foram selecionados para estudo retrospectivo. O estudo seguiu os critérios e recomendações da Declaração de Helsinki e o estudo fez parte de um protocolo aprovado por comitê Universitário de ética para pesquisas em humanos. Cirurgias oculares prévias ou quaisquer doenças oculares diferentes do ceratocone foram critérios de exclusão.

O exame de aberrometria foi realizado em condições dinâmicas de acomodação e reflexo pupilar sob estratégia de fogging (ou borramento da mira), utilizando-se o sistema "iTrace" (Tracey Technologies, Houston, EUA) que realiza aberrometria por meio de raytracing de pontos individuais de laser projetados na retina, de forma integrada à topografia de Plácido. Duas sequências de 128, num total de 256 pontos projetados dentro da abertura pupilar (Figura 1) foram utilizadas para cada exame.

 

 

A posição de cada ponto na retina é identificada de modo que a reconstrução do Retinal Spot Diagram (Figura 2A) possibilite a visualização da função de espalhamento de um ponto (FEP ou Point Spread Function - Figura 2B). Um olho sem aberrações ópticas teria uma convergência de todos os pontos para o centro do RSD. O desvio de cada ponto é calculado para reconstrução da frente de onda de acordo com os polinômios, e Zernike sob a forma de elevação (micra) de RMS (Root Mean Square) (Figura 3). A partir dos termos de baixa ordem (segunda ordem, Z2), é possível se determinar os componentes esfero-cilíndricos em Dioptria. A zona óptica de 4mm é classicamente utilizada para cálculo da autorrefração dos aberrômetros(4,72). O RMS total, de baixa ordem, de alta ordem, do desfoco, do astigmatismo (e seu eixo), das aberrações de alta ordem, da aberração esférica, do coma (e seu eixo) e do trefoil (e seu eixo) foram calculados para 4mm e tabulados, juntamente com a autorrefração.

 

 

 

 

A AVc obtida com a correção utilizada na ocasião do exame foi convertida em logMAR de modo a possibilitar análise comparativa(73,74). Após o exame, nova refração foi obtida com base nos dados objetivos encontrados e a nova AVc foi tabulada. O teste não-paramétrico de Wilcoxon para amostras pareadas foi utilizado para verificação de diferenças estatisticamente significantes na AVc e entre a autorrefração da aberrometria e a refratometria manifesta.

O teste não-paramétrico de Spearman foi utilizado para verificar se existiram correlações significativas entre a melhora da AVc e os índices de RMS encontrados, bem como entre o equivalente esférico, desfoco e cilindro da autorrefração da aberrometria e a refratometria manifesta.

 

RESULTADOS

Os prontuários de 46 pacientes (89 olhos) foram avaliados. Todos os pacientes foram encaminhados para exame de aberrometria por apresentarem diagnóstico de ceratocone que foi confirmado pela topografia de Plácido. Todos os pacientes apresentavam-se com refração prévia realizada por oftalmologista e óculos, que foram prescritos entre 1 e 10 meses antes do exame (média de 3,4 meses; DP=2,14). Intolerância absoluta a LC foi observada em 16 pacientes (35%), sendo que todos os pacientes apresentavam queixas relacionadas com LC e dificuldades na adaptação.

Observou-se melhora estatisticamente significantiva na AVc com a nova refração manifesta (p<0,0001). A AVc média passou de 0,37 logMAR ou 20/47 (variando entre 1,3 e 0; desvio padrão[DP]=0,25) com a refração prévia para 0,23 logMAR ou 20/34 (variando entre 1 e 0,1; DP=0,21). A melhora média foi de 0,13 logMAR (1,3 linhas na tabela de Snellen), variando entre nula e 0,6 (6 linhas), com desvio padrão de 0,16.

Não houve diferença significante entre o grau esférico (p=0,83), cilindro (p=0,79), equivalente esférico (=0,52) e eixo do cilindro (radiano, p=4,39) da refração manifesta e da autorrefração obtida por meio da aberrometria. Houve uma forte correlação estatisticamente significante para todas as variáveis (p<0,01). Os coeficientes de correlação de Spearman (rho) foram de 0,72 para o grau esférico, 0,61 para o grau do cilindro, 0,79 para o equivalente esférico e 0,43 para o eixo do cilindro (radiano).

Observou-se correlações significativas entre a melhora da AVc e o índice RMS total (p=0,038; rho=0,29), RMS de baixa ordem (p=0,039; rho=0,29), RMS do desfoco (p=0,03, rho=0,30) e o RMS da aberração esférica (p=0,0018, rho=0,43 - Figura 4).

 

 

Cinquenta e dois olhos (58,4%) de 28 pacientes apresentaram melhora na AVc com a nova refração. Oito pacientes (29% dos que apresentaram melhora da AVc) apresentaram anisometropia significativa que limitou a prescrição de óculos em um dos olhos. Óculos foram prescritos para 20 pacientes (43,5%), com reabilitação visual satisfatória, possibilitando adiar a indicação de cirurgia sem necessidade de insistir com o uso de LC.

 

DISCUSSÃO

A aberrometria ou análise da frente de ondas (wavefront) é um novo recurso propedêutico, introduzido classicamente para programação de cirurgia refrativa personalizada com excimer laser(75-78). Entretanto, aplicações para diagnóstico e caracterização da óptica ocular, bem como para auxiliar na refratometria foram descritas(4,59,79,80). Diversos mapas e índices são possíveis serem calculados com base nos dados do exame (Figura 5). É possível calcular tais índices para zonas ópticas menores que a área total da pupila examinada. A partir da FEP, é possível reconstruir uma simulação da imagem retiniana, utilizando-se cálculos de convolução de quaisquer objetos. Tipicamente utiliza-se a letra E que pode ter sua frequência espacial ajustada. Tanto a FEP, como as imagens de convolução podem ser calculadas para todas as aberrações ou para cada aberração individualmente ou agrupadas. A convulução considerando-se as aberrações de alta ordem (HOA total - high order aberrations) permite a simulação da visão obtida com lentes esfero-cilíndricas (Figura 5).

 

 

Diversos métodos podem ser utilizados para a aberrometria(4), destacando-se o Hartmann-Shack, Tserning, esquiescopia rotacional e raytracing de pontos individuais. O escaneamento de pontos individuais possibilita a capacidade de medidas em olhos com distorções ópticas mais acentuadas, sendo uma vantagem em caso de ceratocone(81).

A aberrometria pode fornecer dados para confecção de lentes de contato gelatinosas personalizadas com correção para as aberrações de alta ordem(82,83). Tais alternativas poderão ser utilizadas comercialmente em breve, mas ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro no tempo da escrita deste artigo. A alternativa de óculos com correção das aberrações de alta ordem também é interessante e já é uma realidade (http://www.izonlens.com), mas as limitações relacionadas com a distância vértice são importantes.

Neste estudo, verificamos que a aberrometria foi relevante no sentido de facilitar a refratometria de casos de ceratocone, tendo significativo impacto para melhorar a AVc de pacientes com algum grau de intolerância ao uso de LC que seriam candidatos a cirurgia. Alguns pacientes tinham última refração entre 6 e 10 meses e a progressão da doença pode ser responsável pela baixa na AVc. Entretanto, todos os pacientes vinham encaminhados por outro oftalmologista que teria descartado a possibilidade de nova refratometria em consulta recente. As informações objetivas obtidas com a aberrometria foram utilizadas como base para a refração subjetiva, que é uma etapa fundamental independente da qualidade dos exames objetivos realizados. Adicionalmente, não houve diferenças significantes entre a refração manifesta e a autorrefração obtida por meio da aberrometria, bem como houve forte correlação entre tais parâmetros. A anisometropia foi, entretanto, um fator limitante para a prescrição de óculos, ocorrendo de forma significante em 29% dos que apresentaram melhora da AVc.

Existe um futuro promissor para a aberrometria em relação a seu reconhecimento como método propedêutico na Oftalmologia. Certamente o papel da análise da frente de onda (wavefront) vai além da cirurgia refrativa personalizada, que permanecerá como uma das aplicações mais importantes. Por exemplo, dados da aberrometria podem auxiliar na escolha da asfericidade da lente intraocular (LIO) na cirurgia da catarata(84-86). No presente estudo, demonstramos a relevância da aberrometria para refratometria de pacientes com ceratocone. A melhora da AVc obtida em 58,4% dos casos justifica que a refratometria deve ser efetivamente tentada antes de se considerar a indicação absoluta de cirurgia, ou mesmo para diminuir a dependência ao uso de LC. A Aberrometria deve ser considerada para fornecer dados objetivos para melhorar ou facilitar a refração manifesta de pacientes com ceratocone.

 

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Endereço para correspondência:
Dr. Renato Ambrósio Jr.
Rua Conde de Bonfim, nº 211 apto.712 - Tijuca
CEP 20520-050 - Rio de Janeiro (RJ), Brasil
E-mail: renatoambrosiojr@terra.com.br

Recebido para publicação em: 28/7/2010
Aceito para publicação em 29/11/2010

 

 

Trabalho realizado no Instituto de Olhos Renato Ambrósio - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

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