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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.67 no.5 São Paulo Sept. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992001000500004 

Potenciais evocados auditivos de longa latência: um estudo comparativo entre hemisférios cerebrais

Long auditory evoked potential: comparative study between cerebral hemispheres

 

Ana Claudia F. Frizzo1, Renata P. C. Alves2, José F. Colafêmina3

 

 

Resumo / Summary

Introdução: A partir dos primeiros registros de atividades elétricas cerebrais (EEG) em resposta à apresentação de estímulos auditivos em seres humanos, durante a década de 30, pôde-se observar os potenciais evocados auditivos de longa latência - PEALLs (Mendel, 1989). Desde então, muitas pesquisas têm sido realizadas enfatizando o estudo do sistema auditivo em sua totalidade (periférico e central). Considerando a diferenciação funcional entre os hemisférios cerebrais, o presente estudo procurou identificar evidências eletrofisiológicas que constatem diferenciações interhemisféricas. Forma de estudo: Prospectivo clínico randomizado. Objetivo: O objetivo principal foi verificar a ocorrência de possíveis diferenciações entre os PEALLs dos hemisférios direito (Cz/A2) e esquerdo (Cz/A1) em um grupo de normoouvintes entre 8 e 18 anos de idade, por meio da análise comparativa dos registros dos PEALLs, quanto à latência e amplitude. Resultados: Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre as medidas, exceto para o componente P2, na população masculina. Porém, não se pode negar a diferenciação funcional entre os hemisférios e deve-se considerar essa variável durante a realização da pesquisa dos PEALLs. Conclusão: Contudo, futuros trabalhos ainda serão necessários, com amostras maiores ou até mesmo com diferentes posicionamentos de eletrodos, a fim de verificarmos a existência ou não de evidências eletrofisiológicas que constatam essas diferenciações, garantindo a aplicação mais segura e efetiva deste método.
Palavras-chave:
potenciais evocados auditivos de longa latência, potenciais evocados relacionados a eventos, hemisférios cerebrais.

Introduction: Since of the first registration of cerebral electric activities (EEG) in response to the presentation hearing stimulus in human, decade 30‘s, can be observed the late components or long latency auditory evoked potentials - LLAEP (Mendel, 1989). Ever since, a lot of number of researches have been performed emphasizing the study of the hearing system (the ear and central structures). Considering the functional differences among the cerebral hemispheres, the present study pretend to identify electrophysiologicals evidences to verify differences between hemispheres. Objective: The main objective was to verify the occurrence of possible differences among the captured potentials of the hemispheres right (Cz/A2) and left (Cz/A1) in a group of normal listeners between 8 and 18 years old. Study design: For so much, a comparative analysis of the registrations of LLAEP was performed, as for the latency as the amplitude. Results: Statistical significants differences were not observed among the measures of the derivations Cz/A1 and Cz/A2, except for the component P2 in the masculine population. However, the functional difference between the hemispheres cannot deny, and this should be considered that variable during the performance of the LLAEP‘s research. Conclusion: Future works will still be necessary, with larger populations or even with different positions of electrodes so that we can verify existence or not of electrophysiologicals evidences that identify those differences, making sure and efficients application of this method.
Key words:
long latency auditory evoked potential, event-related evoked potential, cerebral hemispheres.

 

 

INTRODUÇÃO

A partir dos primeiros registros de atividades elétricas cerebrais (EEG) em resposta à apresentação de estímulos auditivos em seres humanos, durante a década de 30 pôde se observar os potenciais V (do vértex), tidos mais recentemente como componentes tardios ou potenciais evocados auditivos de longa latência - PEALLs (Mendel, 1989). Desde então, muitas pesquisas têm sido realizadas, enfatizando o estudo do sistema auditivo em sua totalidade (periférico e central).

No entanto, ainda serão necessários muitos avanços para que esse seja um método de grande sensitividade na detecção de anormalidades ou disfunções cerebrais. Isto porque, atualmente, as áreas auditivas cerebrais geradoras dos potenciais tardios não estão muito claras. Até o momento, sabe-se que esses potencias são resultado da participação conjunta de várias estruturas neurais, ou seja, de geradores múltiplos. As regiões central e parietal participam na geração das respostas (Picton & Hillyard, 1974). O neocortex lateral do lobo parietal inferior corresponde às habilidades de orientação e atenção para as tarefas de eventos relevantes. Ocorrem também atividades simultâneas no hipocampo e lobo frontal. Assim, o lobo parietal inferior interage com áreas pré-frontais medial e lateral nos processos de atenção, e essas áreas paralímbicas heteromodais interagem com o hipocampo nos processos de memória (Smith e colaboradores, 1990).

Também é importante ressaltar a grande variabilidade existente na obtenção e captação desses potenciais, em decorrência da não existência de um senso comum entre os estudiosos na aplicação dessa técnica, na atualidade, e até mesmo da pouca utilização entre os audiologistas.

Há muito tempo já se sabe que, em termos funcionais, há uma diferenciação entre os hemisférios, direito e esquerdo. Depois do surgimento dos estudos clássicos de Broca e Wernicke não seria mais possível negar a desigualdade em importância funcional dos hemisférios cerebrais16. Desde então, é referido que pessoas destras têm seus hemisférios esquerdos predominantes para funções de fala. O reconhecimento de estímulos auditivos verbais é dependente do hemisfério esquerdo – e os estímulos auditivos não verbais são processados primeiramente pelo hemisfério direito (Lúria, 1966).

Um estudo comparativo de indivíduos gagos e não gagos observou que o P300 (componente do PEALLs) dos indivíduos não gagos apresentava amplitudes menores, estatisticamente significantes, nas ondas captadas no hemisfério esquerdo com relação ao hemisfério direito, para estímulos tonais (Kimura, Morgan, Cranford & Burk, 1997). Tal fato pôde ser explicado pela assimetria funcional hemisférica, fazendo com que a amplitude maior pudesse ser verificada no hemisfério direito, local do provável processamento das informações não verbais – no caso, os estímulos tonais.

Fica claro que, dependendo do estímulo apresentado teremos ativações diferentes de áreas auditivas cerebrais, e poderão ser observadas assimetrias no funcionamento auditivo cerebral em função da participação dos hemisférios direito ou esquerdo.

A pesquisa dos PEALLs não tem incluído, de maneira usual, o estudo da amplitude das ondas, devido à grande oscilação desses valores. Porém, esse tópico precisa ser considerado, já que sua observação viabiliza uma comparação funcional entre os hemisférios intra-sujeito (num mesmo sujeito), possibilitando o estudo dos efeitos do posicionamento do eletrodo nos hemisférios e proporcionando a melhor compreensão na determinação do que será tido como normal ou alterado. A interpretação das respostas dos PEALLs, no âmbito da amplitude, acrescentará maiores dados para sua análise, podendo até mesmo favorecer a inferência dos déficits ou lesões corticais.

Tendo em vista a vasta aplicação clínica dos PEALLs e a grande variação destes, intra e extra-sujeito, observou-se a necessidade de investigar a metodologia utilizada em tais testes, favorecendo a aplicação clínica mais segura desses procedimentos.

Considerando a diferenciação funcional entre os hemisférios cerebrais, o presente estudo pretendeu verificar a existência de evidências eletrofisiológicas que constatassem diferenciações inter-hemisféricas. O principal objetivo foi verificar a ocorrência de possíveis diferenciações entre os potenciais captados dos hemisférios direito (Cz/A2) e esquerdo (Cz/A1) em um grupo de normo-ouvintes entre 8 e 18 anos de idade. Para tanto, foi realizada uma análise comparativa dos registros dos PEALLs, quanto à latência e amplitude. No entanto, neste estudo, foi dada maior ênfase à amplitude.

Potenciais evocados auditivos de longa latência

A pesquisa dos PEALLs tem se mostrado método efetivo na investigação do sistema nervoso auditivo central (SNAC), em especial do processamento auditivo da informação – isso, porque a captação desses potenciais reflete a atividade cortical envolvida em habilidades de discriminação, integração e atenção do cérebro (Kraus & McGee, 1994).

Os PEALLs têm como componentes:N1 (P100), P2 (P200), N2 (N200), P3 (P300) (Figura 1).

 

 

São observados entre 80 e 700 ms após a apresentação de um dado estímulo (McPherson, 1996). Esses subdividem-se em potenciais exógenos (N1, P2, N2), fortemente influenciados pelas características físicas do estímulo (intensidade e freqüência, entre outros), e potenciais endógenos (P300), influenciados predominantemente por eventos internos relacionados às habilidades cognitivas. O P300, potencial cognitivo (endógeno) ou relacionado a eventos, pode ser assim chamado, pois representa o uso funcional do estímulo pelo sujeito, sem dependência direta das características físicas deste estímulo.

A resposta P300 está relacionada a aspectos fundamentais da função mental: percepção e cognição. (McPherson, 1996).

O processo atencivo da audição humana tem sido atribuído a mecanismos centrais altos (corticais), já que a atenção dirigida ao estímulo acústico (atenção ativa) parece provocar um aumento significante nos componentes N1 - P2, sem qualquer mudança nos componentes dos potenciais de curta ou média latência (Picton e Hillyard, 1974; Hansen e Hillyard, 1980).

A eliciação da resposta dá-se, num processo de atenção ativa, pela discriminação consciente entre dois estímulos sonoros (tonal ou vocal), diferentes entre si (um freqüente e o outro raro/aleatório), ou seja, ocorre em resposta a um evento inesperado, o que é denominado paradigma oddball (Figura 2).

 

 

Durante o teste, a atenção será mantida somente ao estímulo raro, através da solicitação da contagem destes (mentalmente ou com o auxílio dos dedos), ou até mesmo com o levantar da mão. Em conseqüência desse processo atencivo, observa-se uma onda positiva, que ocorre em aproximadamente 300 ms (pós-estímulo), com amplitude variando entre 10 e 20 microvolts - mv (Sutton, 1965; Polich, 1986).

Os estímulos raros podem variar em freqüência, intensidade, clicks entre sons de fala, ruídos bursts entre clicks e omissão de uma série de estímulos (Ritter e Vaughan 1969; Ritter e colaboradores 1972; Ford e colaboradores 1973; Picton & Hillyard, 1974).

A intensidade do estímulo utilizado na captação dos PEALLs também produzirá variações nas respostas obtidas. Um aumento na intensidade do estímulo promoverá um aumento na amplitude e uma diminuição na latência dos componentes N1, P2, N2 e P3 (mais levemente). Isso sugere que o fator intensidade interfere diretamente nas medidas de amplitude e latência das ondas (Covington e colaboradores, 1996).

Atualmente, sabe-se da possibilidade de existência de um pico duplo, ou seja, a resposta do P300 sendo composta de dois componentes: P3a e P3b. De acordo com os estudos de Squires e colaboradores (1975), esses dois componentes resultariam de tarefas distintas, de atenção ativa e passiva, que produzem valores de latência e amplitude diferentes. O pico P3a corresponderia aos processos de atenção passiva, e o P3b estaria relacionado aos processos de atenção ativa.

Fatores como sexo, hora do dia, habilidade cognitiva, personalidade, habilidade cognitiva, tipo de tarefa, temperatura do corpo, estação do ano e ingestão de alimentos anterior ao exame podem contribuir para a variabilidade de latência e amplitude do P300 (Polich, 1991; Cézar e Munhoz, 1999; Colafêmina e colaboradores 2000).

Sabe-se que movimentos oculares interferem na captação da atividade elétrica craniana; porém, pesquisas têm mostrado que orientar o sujeito avaliado para reprimir "piscadas" de olhos não representa uma boa solução para a redução desses movimentos. Tem sido mostrado que tal instrução produz uma diminuição de amplitude e aumento do pico de latência do P300, quando comparado ao resultante da não instrução (Ochoa & Polich, 1999).

Variações nos valores do P300, como aumento da latência (Goodin e colaboradores, 1978; Polich, 1991) e diminuição da amplitude (Verleger e colaboradores, 1991), com o avanço da idade, têm sido demonstradas freqüentemente.

Hirayasu e colaboradores (2000), em estudo do efeito do sexo na mudança do P300 com o aumento da idade, observaram maiores mudanças na latência do P300 (exceto em amplitude) em adultos do sexo masculino acima de 30 anos, quando em comparação com o ocorrido em relação a adultos do sexo feminino de mesma idade.

De acordo com os estudos de Barajas (1990), observa-se que até a faixa etária dos 18 anos, ocorre diminuição da latência com a idade de 19 ms/ano, sendo que na faixa de 6 a 14 anos essa correlação negativa é de 2,4 ms. Esse decréscimo da latência relacionado à idade é rápido, e atinge seu platô aos 20 anos. Na faixa de idade entre 18 e 78 anos, ocorre um aumento da latência, numa relação positiva de 1,25 ms/ano.

O estudo dos distúrbios cognitivos e neurológicos da demência, depressão, esquizofrenia e Mal de Alzheimer tem sido beneficiado pela pesquisa do P300 (Pfefferbaum e colaboradores, 1984; Patterson e colaboradores, 1988).

Em geral, crianças à partir de cinco ou sete anos apresentam o P300 (potencial cognitivo) com latências aumentadas e amplitudes diminuídas em relação ao adulto. As características morfológicas da onda, bem como os valores de latência e amplitude atingem a maturidade até a adolescência (Musiek, 1989; McPherson, 1996).

Diniz Júnior (1996) em estudo comparativo entre crianças com e sem queixa escolar, mostrou que o potencial evocado auditivo de longa latência apresenta valores de latência aumentados no grupo de crianças com queixa escolar, em relação ao grupo de crianças sem queixa, para a mesma faixa etária.

Polich e colaboradores (1990) demonstram que o P300 é influenciado pela idade e principalmente pelo desenvolvimento cognitivo. Sugere ainda que as medidas dos potenciais de longa latência em populações infantis podem atingir, numa variação normal, uma associação entre idade e maturação cognitiva.

Em crianças, as aplicações dos PEALLs abrangem o estudo dos distúrbios de linguagem, de aprendizagem e perceptuais, tidos atualmente como distúrbios do processamento auditivo central.

Todas essas variáveis devem ser consideradas na pesquisa e interpretação dos potenciais em populações clínicas, a fim de se evitar equívocos durante as avaliações. Devido a essa preocupação, fez-se necessária uma explanação prévia dos tópicos acima, apesar de não haver relação, especificamente, com o assunto estudado neste trabalho.

Contudo, a preocupação quanto a uma realização mais padronizada da pesquisa dos PEALLs e a existência de uma concordância maior entre os estudiosos da área, em conseqüência, promoverá a expansão da aplicação clínica deste método.

Neste sentido, acreditamos que a verificação da ocorrência de possíveis diferenciações entre os potenciais captados dos hemisférios direito (Cz/A2) e esquerdo (Cz/A1) possa ser útil para que futuramente tenhamos esse tópico como influente ou não na observação de variações durante a pesquisa dos PEALLs.

Assimetria funcional hemisférica cerebral

Durante séculos, muito tem sido discutido a respeito da morfologia e fisiologia cerebral, em especial da diferenciação hemisférica. No entanto, somente a partir dos estudos de Broca e Wernike foi possível estabelecer, ao menos em termos funcionais, uma diferenciação entre os hemisférios, direito e esquerdo. Para Lúria (1966), depois do surgimento dos estudos clássicos de Broca e Wernicke, não seria mais possível negar a desigualdade em importância funcional dos hemisférios cerebrais. Desde então, pode se inferir que pessoas destras possuem o hemisfério esquerdo predominante para funções de fala.

De acordo com Brandão (1995), o desenvolvimento dos estudos da orientação espacial e de linguagem no sistema nervoso central (SNC) possibilitou melhor entendimento das especializações dos hemisférios cerebrais. Estes vieram comprovar que há diferenças entre os hemisférios direito e esquerdo, e que se trata de uma lateralização funcional cerebral exclusivamente humana. O hemisfério esquerdo é especializado essencialmente na linguagem. Já o hemisfério direito é dominante na visualização espacial e outros estímulos de tradução não verbal.

Kimura (1967) relata que o reconhecimento de estímulos auditivos verbais é dependente do hemisfério esquerdo, e que estímulos auditivos não verbais são processados primeiramente pelo hemisfério direito. Para a autora, há evidências de que tais diferenciações possam interferir na performance do sujeito durante a realização de testes que envolvam a percepção auditiva para diferentes tipos de estímulos. Se partimos do pressuposto de que estímulos apresentados a uma orelha são processados na orelha oposta (via contralateral), podemos ter uma estimulação verbal produzindo uma predominância hemisférica esquerda e uma melhor percepção auditiva à direita. No caso de estímulos não verbais, observa-se predominância hemisférica direita, com melhor percepção auditiva à esquerda. Menciona ainda que há um desenvolvimento da lateralização hemisférica ao longo do tempo, sugerindo que uma criança aos quatro e/ou cinco anos de idade pode apresentar funções de fala predominante no hemisfério esquerdo. Evidencia a possibilidade de crianças do sexo masculino sofrerem atraso no desenvolvimento da dominância hemisférica com relação a outras do sexo feminino.

 

MATERIAL E MÉTODO

Participaram voluntariamente do estudo 34 sujeitos destros, sendo que 16 eram dos sexo masculino e 18 do sexo feminino, com idade dos sujeitos variando entre 8 e 18 anos.

A normalidade do sistema auditivo periférico foi tida como critério para a realização da pesquisa, afim de evitar quaisquer influências na captação dos potenciais. Somente foram incluídos na pesquisa sujeitos com normalidade audiológica comprovada. Para tal, foram realizadas:anamnese, inspeção do meato acústico externo e avaliação audiológica tonal/vocal. Também foi levantada a história pregressa de saúde geral dos sujeitos, sendo que não foram aceitos como participantes da pesquisa aqueles que apresentaram problemas neurológicos e/ou de aprendizagem.

A coleta de dados foi realizada no Departamento de Psicobiologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP.

Para a realização do presente estudo, foram utilizados dados secundários de um projeto de pesquisa intitulado Estudo Normativo dos Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência em Crianças de 8 a 17 Anos e Adultos de 45 a 60 anos, previamente aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa da Faculdade de Enfermagem de Ribeirão Preto /SP.

Os participantes da pesquisa tiveram seu consentimento para a participação na pesquisa, confirmado pelo Termo de Consentimento Pós-Informação, assinado pelo responsável, anteriormente à coleta de dados da pesquisa mencionada acima.

A pesquisa dos potenciais evocados de longa latência (P300) foi realizada utilizando o Programa Ati-Nautilus PE (versão 4,19 c - Lermed S.R.L. - Argentina,1992). Os parâmetros foram:estímulos binaurais (tons burst com plateau de 20ms e rise/fall de 5ms) de 1.000Hz para o freqüente e 2.000Hz para o raro (probabilidade de 20%); intensidade de ambos os estímulos de 70dBNA; tempo de análise de 800ms; filtro de 0,5 a 30Hz; sensibilidade de 160 microvolts; polaridade alternada.

As derivações CZ/A1 e Cz/A2 foram obtidas por meio de três eletrodos de ouro posicionados no vértex (Cz) e nos lóbulos das orelhas esquerda (A1) e direita (A2), e o terra na orelha contra-lateral, segundo posição padrão do sistema internacional 10-20 (Jasper, 1958).

Os estímulos foram transmitidos por meio de fones de ouvido TDH-39. Foram promediados 200 estímulos, sendo que o próprio programa não fazia gravações excedentes a 160 microvolts (mV).

O exame foi realizado em sala semi-escura, tratada acústica e eletricamente.

Numa probabilidade de 20%, é necessária a apresentação de 20 estímulos raros (no mínimo) para a obtenção de valores estáveis de amplitude e latência (Cohen & Polich, 1997). Nesta proporção, a quantidade de estímulos apresentados, tanto freqüentes quanto raros, é suficiente para evitar, pelo menos nesse âmbito, a instabilidade das ondas.

Os sujeitos foram sentados numa poltrona levemente reclinada, com instrução de permanecerem relaxados; porém, em alerta, para que pudessem contar mentalmente sons raros, dentro da série de sons freqüentes apresentados.

A limpeza da pele foi feita com esponja de aço e uma pasta eletrolítica foi utilizada para otimizar a condutividade elétrica nos eletrodos. Estes foram fixados com esparadrapo microporosos. A impedância dos eletrodos não ultrapassou 4 kohms (KW).

A duração do exame foi de aproximadamente 30 minutos, sendo 20 minutos para a aplicação da anamnese, avaliação audiológica (critério de inclusão na pesquisa) e 10 minutos para o P300, realizado repetidamente, teste e reteste, a fim de duplicar as respostas e garantir a fidedignidade do exame.

Foram pesquisados os componentes N1, P2, N2 e P3. Os valores de latência e amplitude das ondas foram gravados na memória do computador e impressos para posterior análise. Como critério de análise dos dados, foi solicitado a um outro pesquisador (audiologista com experiência anterior em eletrofisiologia) que fizesse as marcações das ondas, para evitar qualquer influência.

Os valores de amplitude e latência foram obtidos pela identificação das ondas no pico de maior amplitude, considerando a duplicação dos traçados, sendo que os componentes N1, P2 e N2 eram observados em ambas as aquisições, rara e freqüente, e o P3 (P300) considerando somente o traçado raro.

Foi realizado estudo estatístico One-Way Anova (p < 0,05*), no nível de significância de 5%, para a análise comparativa entre os valores de latência e amplitude das derivações de localização de eletrodos Cz/A1 e Cz/A2.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados e a discussão foram apresentados juntamente, a fim de facilitar a visualização e a compreensão dos tópicos discutidos.

Visto que a pesquisa incluiu, para cada participante, a análise de quatro ondas (N1, P1, N2 e P3) e que foram feitas derivações de eletrodos Cz/A1 (hemisfério esquerdo) e Cz/A2 (hemisfério direito), optou-se por apresentar os dados obtidos em média aritmética, já que a descrição detalhada de todas as ondas e derivações, possivelmente, dificultaria a visualização e compreensão dos leitores.

Os dados foram analisados comparando as diferenças existentes entre as respostas obtidas das derivações Cz/A1 e Cz/A2, para a população total dos sujeitos (n=34). A Tabela 1 e o Gráfico 1 demonstram as médias encontradas para os valores de latências dos componentes, obtidos para ambas as derivações.

 

 

 

 As diferenças existentes, nos valores de latência, entre as derivações Cz/A1 e Cz/A2, para cada componente, não são estatisticamente significantes:N1[p=0.534]; P2[p=0.535]; N2[p=0.819]; P3[p=0.479], da mesma forma que não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes em outros estudos relacionados às medidas das latências das derivações Cz/A1 e Cz/A2, para um grupo de sujeitos masculinos com audição normal (Morgan, Cranford & Burk, 1997).

Em um estudo dos PEALLs em adultos jovens saudáveis, não observaram diferenças estatisticamente significantes entre as orelhas para os valores de latência e amplitude (p>0,05) (Colafêmina e colaboradores, 2000).

A Tabela 2 e o Gráfico 2 demonstram as médias encontradas para os valores de amplitude dos componentes, obtidos para ambas as derivações.

 

 

 

As diferenças existentes, nos valores de amplitude, entre as derivações Cz/A1 e Cz/A2, para cada componente, não são estatisticamente significantes:N1[p=0,411]; P2[p=0,434]; N2[p=0,687]; P3[p=0,701], entretanto, diferenças estatisticamente significantes foram observadas entre as medidas das amplitudes das derivações Cz/A1 e Cz/A2, para um grupo de sujeitos masculinos adultos com audição normal (Morgan, Cranford & Burk, 1997).

A população total dos sujeitos (n=34) foi dividida e analisada quanto às derivações (Cz/A1 e Cz/A2) e ao sexo dos sujeitos, já que atualmente sabe-se da influência da espessura do couro cabeludo e do tamanho de cabeça, diferentes em mulheres e homens, na obtenção das respostas dos PEALLs (Polich, 1991). As Tabelas 3, 4, 5 e 6 demonstram os valores médios de latência e amplitude obtidos dos componentes, em ambas as derivações para os sexos masculino e feminino, separadamente.

 

 

 

 

 

As diferenças existentes, nos valores de latência, entre as derivações Cz/A1 e Cz/A2, para cada componente do sexo feminino, não são estatisticamente significantes: (N1[p=0,865]; P2[p=0,544]; N2[p=0,984]; P3[p=0,776]), entretanto as diferenças existentes, nos valores de latência, entre as derivações Cz/A1 e Cz/A2, para cada componente do sexo masculino, não são estatisticamente significantes: (N1[p=0,448]; P2[p=0,845]; N2[p=0,693]; P3[p=00422]).

As diferenças existentes, nos valores de amplitude, entre as derivações Cz/A1 e Cz/A2, para cada componente do sexo feminino, não são estatisticamente significantes: (N1[p=0,292]; P2[p=0,804]; N2[p=0,354]; P3[p=0,530]).

As diferenças existentes, nos valores de amplitude, entre as derivações Cz/A1 e Cz/A2, para o sexo masculino, não são estatisticamente significantes para os componentes: (N1[p=0,960]; N2[p=0,664]; P3[p=0,191]). No entanto, são estatisticamente significantes para o componente P2[p=0,038*].

 Outros trabalhos não observaram diferenças estatisticamente significantes entre as medidas das amplitudes das derivações Cz/A1 e Cz/A2, para um grupo de sujeitos masculinos adultos com audição normal, sendo que os valores obtidos para a derivação A2/Cz foram maiores do que aqueles para a derivação A1/Cz (Morgan, Cranford & Burk, 1997).

Por outro lado, em estudo dos PEALLs em adultos jovens saudáveis, não observaram diferenças estatisticamente significantes entre as orelhas para os valores de latência e amplitude (p>0,05) (Colafêmina e colaboradores, 2000).

Apesar da existência de uma diferenciação funcional entre os hemisférios cerebrais, não há entre os estudiosos dos PEALLs uma preocupação em enfocar o assunto analisado neste trabalho, ou seja:esse não é um tópico tido como variável na pesquisa dos potenciais.

Em literatura, observa-se quantidade restrita de trabalhos enfatizando os valores das derivações obtidas em referências ao hemisfério esquerdo (A1) e ao hemisfério direito (A2). Também é verdade que para os PEALLs, o fator amplitude é pouco discutido, e são mais comuns discussões no âmbito da latência.

A ampla variação dos valores de amplitude das ondas faz com que estes sejam tidos somente como parâmetro de apoio, com aplicabilidade clínica limitada (Munhoz e colaboradores, 2000).

Devido a esse fato, não foi possível encontrar maior número de trabalhos específicos sobre o assunto para a realização de uma discussão comparativa e mais detalhada.

É importante relatar também que apesar das longas discussões sobre a diferenciação funcional hemisférica, que vem se estendendo ao longo de séculos, ainda hoje não é possível inferir seguramente e determinar a participação de cada hemisfério nas habilidades envolvidas nesse procedimento.

Contudo, constatou-se que, apesar de terem sido observadas diferenças estatisticamente significantes somente para população masculina, para o componente P2, entre as medidas obtidas das derivações Cz/A1 e Cz/A2, o grande número de variáveis e o número reduzido da amostra podem justificar a não observação das diferenças interhemisféricas. Também é importante sugerir que outras condições de posicionamento de eletrodos devem ser investigadas, promovendo assim a expansão dos conhecimentos nesse âmbito e garantindo assim aplicação clínica mais segura desses potenciais.

 

CONCLUSÃO

Considerando as hipóteses iniciais e os resultados obtidos na pesquisa, pode se concluir que, apesar de somente terem sido observadas diferenças estatisticamente significantes entre as medidas das derivações Cz/A1 e Cz/A2, para o sexo masculino, no componente P2, não se pode negar a diferenciação funcional entre os hemisférios e deve haver uma preocupação em considerar essa variável durante a realização da pesquisa dos PEALLs. Contudo, futuros trabalhos ainda serão necessários, com amostras maiores e outras derivações de eletrodos, para que possamos verificar existência ou não de evidências eletrofisiológicas que constatem essas diferenciações, garantindo assim uma aplicação mais segura e efetiva desse método.

 

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1 Fonoaudióloga com especialização em Audiologia pela Universidade de Franca-SP e aluna especial do Departamento de Psicobiologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP.
2 Fonoaudióloga, especialista em audiologia e professora da Universidade de Franca /SP.
3 Professor Doutor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP e do departamento de Psicobiologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP.

Endereço para correspondência: Rua Tenente Catão Roxo, 1573 - Monte Alegre - CEP 14051-140
Ribeirão Preto-SP- Tel.: (0xx16) 633 7893 - e-mail: anafrizzo@uol.com.br

Artigo recebido em 22 de março de 2001. Artigo aceito em 14 maio de 2001.

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