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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.67 no.5 São Paulo Sept. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992001000500010 

Prevalência de perdas auditivas em trabalhadores no processo admissional em empresas na região de Campinas /SP

Prevalence of hearing losses in workers in the hiring process of companies in the region of Campinas /SP

 

Eloísa S. Franco1, Ieda C. P. Russo2

 

 

Resumo / Summary

Introdução: O trabalho, uma necessidade natural, constitui um processo que envolve o homem na sua relaçao com a natureza. No homem a doença apresenta uma adicional dimensão: a social. Objetivo: Este estudo pretendeu determinar o índice de ocorrência de perdas auditivas em trabalhadores no processo admissional em empresas da região de Campinas/SP. Forma de estudo: Retroscpectivo clínico. Material e método,s: A amostra foi constituída de 3.117 prontuários de candidatos aos empregos oferecidos nas indústrias de diferentes ramos na região. As empresas selecionadas foram heterogêneas e caracterizaram-se como ambientes predominantemente insalubres. A fim de levantar o traçado audiométrico dos trabalhadores, foram analisados os resultados audiométricos por via aérea e via óssea. Resultados: Os resultados indicam que 80,4% dos trabalhadores apresentaram audição dentro dos padrões de normalidade e 19,6% apresentaram alteração audiométrica. Dos trabalhadores acusando alteração audiométrica, 5,7% apresentaram perda auditiva condutiva; 65,7%, perda auditiva neurossensorial; 0,7%, perda auditiva mista, quando analisamos apenas a orelha direita; 7,9%, perda auditiva condutiva; 79,7%, perda auditiva neurossensorial; e 1,1%, perda auditiva mista, quando analisamos apenas a orelha esquerda. Conclusão: Ressaltamos a importância do trabalho fonoaudiológico quanto à implantação de programas de prevenção de perdas auditivas, proporcionando o ingresso do trabalhador ao mercado de trabalho sem maiores atribulações.
Palavras-chave:
perda auditiva, saúde do trabalhador, perda auditiva induzida pelo ruído.

Introduction: The work is an eternal natural need, i.e., a process between man and nature. The disease is a biological process older than man. But in man, the disease has also another dimension: the social one. Aim: This study intended to determine the prevalence of hearing losses in workers in the hiring process of companies in the region of Campinas – S.P. Study design: Retrospective clinical. Material e method: The sample comprised 3,117 records of candidates to jobs offered in the industries of different segments in the region of Campinas – S.P. The selected companies were heterogeneous and featured as predominantly unhealthy environments. In order to survey the audiometric configuration of the workers, the audiometric results were evaluated by air conduction and bone conduction. Results: The results showed that 80.4% of the workers presented hearing within the normal standards and 19.6% presented audiometric change. Out of the workers that presented audiometric change, 5.7% presented conductive hearing loss; 65.7% sensorineural hearing loss; 0.7% mixed hearing loss, when we analyzed the right ear only and 7.9% presented conductive hearing loss; 79.7%, sensorineural hearing loss; 1.1% mixed hearing loss, when we analyzed the left ear only. Conclusion: We emphasize the importance of the audiologic work as to the implantation of programs for the prevention of hearing losses, in order to enable the worker’s placement in the market without trouble.
Key words:
hearing loss, worker’s health, noise induced hearing loss.

 

 

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

Muitas portas têm se fechado a um grande contingente de candidatos, considerados inaptos, e desligados de seus empregos anteriores. Deparam-se com a situação de estarem impedidos de admissão em um novo emprego, em função, muitas vezes, de pequenas alterações audiométricas, e permanecendo até mesmo ao desamparo da própria legislação previdenciária16.

Em um desvio de suas finalidades, o exame admissional tem sido utilizado para impedir o acesso ao emprego de indivíduos com perda auditiva18. Não raro, as empresas já têm se responsabilizado pelo prejuízo ocupacional de seus funcionários, concedendo-lhes estabilidade no emprego e melhores condições de trabalho, quando é detectada uma avançada perda auditiva, definida pela previdência social – ficando à margem destes cuidados os empregados que não estão incluídos nesse grupo. Seria de responsabilidade do mercado de trabalho absorver e reintegrá-los a seus ofícios, dando um suporte rigoroso quanto à conservação auditiva e impedindo, assim, um desequilíbrio sócioeconômico. Este fato é perfeitamente visível quando acompanhamos a conquista de um novo emprego pelo candidato, o qual vincula essa conquista à auto-estima, o sustento da família e a responsabilidade de garantir uma formação digna e consciente aos seus dependentes.

Mercado de Trabalho

O trabalho, uma necessidade natural, constitui um processo na relação do homem com a natureza. Implica um processo de reprodução social, com dois momentos de produção e consumo, que conformam uma unidade. Durante o trabalho, o operário não só efetua uma transformação no produto como, ao transformá-lo, se transforma a si mesmo, mediante o modo como o realiza.

Bosi5 definiu que, com seu caráter corpóreo, subjetivo, o trabalho significa a inserção obrigatória do sujeito no sistema de relações econômicas e sociais. Ele significa um emprego, não só como fonte salarial, mas também como lugar na hierarquia de uma sociedade feita de classes e de grupos de status.

No Brasil, é preciso considerar que o trabalho tem sido fator importante para o gozo da cidadania. O trabalhador informal ou desempregado está excluído de muitas conquistas sociais, ficando à mercê da boa vontade ou da caridade pública14. Privado do trabalho, o ser humano muitas vezes se degrada, perde a auto-estima, fenece.

Trabalhadores com perda auditiva na admissão

Em nosso país, a legislação vigente exige que o trabalhador seja submetido a exames admissionais. Dentre esses exames, os resultados da audiometria tonal liminar acabam sendo usados, ao contrário de seu objetivo, para selecionar o trabalhador, no momento de sua admissão. Os exames são exigidos pela NR-7 – P C M S O (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), do Ministério do Trabalho. O resultado dessa prática é a existência de um contingente grande de trabalhadores com perdas auditivas, dos mais diversos graus, que não conseguem ser admitidos, impedidos de reingressar em um novo emprego.

O Comitê Nacional de Ruído e Conservação Auditiva6, de acordo com especificações em seu Boletim Nº. 3, sugeriu algumas condutas administrativas diante de um trabalhador acometido pela PAIR (Perda Auditiva Induzida pelo Ruído). Referido Comitê, em presença de exames anteriores, considera de pouco risco a admissão do trabalhador portador de PAIR com limiares auditivos comprovadamente estabilizados, sem sintomatologia clínica; considera de alto risco a admissão do trabalhador para postos ou ambiente de trabalho ruidosos, se o mesmo apresentar progressão dos limiares auditivos. Em presença ou ausência de exames anteriores, considera de alto risco a admissão do trabalhador para postos ou ambiente de trabalho ruidosos, quando este apresentar anacusia unilateral, mesmo que a audição contralateral esteja normal; considera de alto risco a admissão do trabalhador quando este for portador de perda auditiva neurossensorial causada por agentes etiológicos que não o ruído, que comprometam as freqüências médias; e considera de alto risco a admissão do trabalhador com perda auditiva em empresas nas quais não esteja implantado um programa de conservação auditiva.

Almeida e Resende1 ressaltaram que a presença de perda auditiva sugestiva de PAIR no exame admissional não deve desclassificar o trabalhador para o exercício profissional. A PAIR, na grande maioria dos casos, não acarreta incapacidade para o trabalho e não necessariamente deve indicar o afastamento do trabalhador de suas funções laborativas.

Segundo Kwitko18, não há dúvida de que a audiometria utilizada de rotina como teste admissional pode identificar os indivíduos que já apresentam perdas auditivas. Nessa circunstância, o teste deve ser utilizado como segurança da empresa, em caso de reclamação trabalhista, ou servir como incremento ao programa de conservação auditiva desenvolvido. Sua utilização, como teste que qualifica ou não o candidato ao emprego, é muito discutível. Se o resultado desse teste indicar uma perda da audição, isso será considerado por muitas empresas como impedimento para um trabalho em ambiente ruidoso. O autor concluiu que um indivíduo com PAIR não pode ser considerado incapaz para o trabalho, no seu sentido absoluto ou universal. A incapacidade, se existir, deve ser considerada em relação a certa função exercida sob determinada condição, dentro de um definido ambiente da empresa. Enfatizou, entretanto, que os profissionais cujos ofícios exijam rigor nas condições auditivas – como: controladores de tráfego aéreo e terrestre, condutores de aeronaves, telefonistas, músicos e radialistas – tenham a avaliação de sua capacidade laborativa realizada de modo diferenciado. A presença de perda auditiva, acompanhada ou não de deficiência funcional, sintomas auditivos ou outros fatores disponentes ou agravantes, já pode ser suficiente para a caracterização da incapacidade para esse trabalho.

Ferreira Júnior11 constatou que, inúmeras vezes, trabalhadores com PAIR, mesmo de grau leve, têm interrompida sua atividade profissional sob a alegação de que são incapazes para o trabalho, apesar de seu desempenho permanecer satisfatório. Segundo o autor, esse é um desvio dos objetivos da medicina do trabalho, tendendo a identificar no mercado os profissionais com saúde auditiva perfeita ou aqueles super resistentes.

Kwitko18 constatou que os indivíduos com audição normal têm também risco para desenvolver a curto prazo uma perda auditiva. Além disso, é claro que, empregados com perda auditiva pré-existente terão de estar envolvidos num PCA (Programa de Conservação Auditiva). Mas não existem razões para que essa mesma medida não seja proporcionada a indivíduos com audição normal, no mesmo ambiente de trabalho. O autor alegou que não existem evidências de que as pessoas com problemas auditivos venham a perder sua audição de uma forma semelhante à das pessoas com audição normal.

Ferreira Júnior11 considerou do interesse de qualquer empregador a inclusão ou manutenção em seu quadro de funcionários dos indivíduos mais capacitados para o trabalho – muitos deles, portadores de PAIR. Assim, ressaltou a importância da implantação de programas de conservação auditiva de boa qualidade, que garantam a possibilidade dos trabalhadores com maior nível de qualificação, mesmo sendo portadores de PAIR, serem mantidos em seu trabalho, sem risco de agravamento da doença, preservando, assim, sua capacidade laborativa. O autor questionou a garantia que teria o médico de que o trabalhador admitido permaneceria com sua audição inalterada ao longo do tempo. Portanto, a admissão do trabalhador, principalmente nos locais onde a exposição a ruído é mais intensa, deve ser, necessariamente, acompanhada da implantação de um programa de conservação auditiva para todo e qualquer trabalhador, com PAIR ou não.

Etiologia das perdas auditivas

Segundo Fiorini13, há um conjunto de fatores endógenos (característica do próprio indivíduo) que, somados aos fatores exógenos (exposições a ruído, vibrações e produtos químicos, entre outros), ocasionam uma série de alterações na saúde, podendo, entre outros males, provocar perdas auditivas irreversíveis.

A autora enfatizou que, enquanto a preocupação relacionada às exposições a esses fatores exógenos voltava-se apenas aos ambientes de trabalho, projetos e medidas foram implementados com o propósito de proteger os trabalhadores. Entretanto, existe a necessidade de avaliar algumas atividades ruidosas que são realizadas além da jornada de trabalho diária, passando assim a não conceber a PAIR como uma doença exclusivamente relacionada ao trabalho.

O ruído é o agente ocupacional que mais freqüentemente provoca perdas auditivas. Entretanto, outras condições não podem ser desprezadas, tais como: agentes químicos, radiações ionizantes, acidentes com traumatismo crânioencefálico, barotraumas, alergenos.

Para o Comitê Nacional de Ruído e Conservação Auditiva7, em seu Boletim Nº. 1, a perda auditiva relacionada ao trabalho é uma diminuição gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada a níveis elevados de ruído. Caracteriza-se por ser sempre neurossensorial, em razão do dano causado às células do órgão de Corti; uma vez instalada, é irreversível e quase sempre bilateral; raramente atinge o grau de perda profunda, pois, geralmente, não ultrapassa os 40 dBNA nas baixas freqüências e os 75 dBNA nas freqüências altas; manifesta-se, inicial e predominantemente, em 6 kHz, 4 kHz ou 3 kHz; e, com a progressão, atinge 8 kHz, 2 kHz, 1 kHz, 0,50 kHz e 0,25 kHz; é uma patologia coclear, e o portador pode apresentar zumbido e intolerância a sons intensos, além de ter comprometida a inteligibilidade de fala, em prejuízo do processo de comunicação; uma vez cessada a exposição, não ocorre progressão da perda; é influenciada por características físicas do ruído, tempo de exposição e susceptibilidade individual. A PAIR pode ser agravada pela exposição simultânea a ruído intenso e outros agentes, como produtos químicos e vibração. O uso de ototóxicos ou a presença de algumas doenças podem aumentar a susceptibilidade do indivíduo ao ruído.

A PAIR não é causada apenas pelo ruído industrial, mas também por ruídos da vida diária, sendo chamada de socioacusia. Celani e colaboradores10 testaram 27 brinquedos comuns com o objetivo de determinar os níveis sonoros por eles produzidos. Os resultados mostraram que alguns brinquedos têm potencialidade para causar perda auditiva. Isso ocorreu, por exemplo, com carrinhos de sirene (de bombeiros, polícia, ambulância). Dessa forma, os autores deixaram bastante claro que a própria educação é influenciada pela poluição sonora. Rolla26 realizou estudo em Campinas /SP, levantando os níveis de ruído na cidade. Os valores foram 72,5 dB(A); 75,7 dB(A); 71,7 dB(A), nos cruzamentos das principais avenidas do centro, e uma média de 76,3 dB(A) nas rodovias de acesso à cidade. Nos terminais de ônibus urbanos foram encontrados valores de aproximadamente 65,3 dB(A). Na área industrial, foram encontrados valores máximos de 62,9 dB(A), o que demonstra que a principal fonte de ruído na cidade são os veículos automotores.

A exposição aos ruídos não ocupacionais vem sendo pesquisada em vários países, incluindo o Brasil, uma vez que novas atividades de lazer extremamente barulhentas – tais como o uso de equipamentos estereofônicos individuais em volume intenso, exposição a concertos de rock/pop, danceterias e equipamentos de sons instalados no interior de automóveis, os quais fazem parte da rotina de jovens e adolescentes que residem nas grandes cidades – levam muitas vezes a perdas auditivas irreversíveis27.

Nogueira23, em reportagem publicada na revista Veja/São Paulo, descreveu que foram registrados os níveis sonoros em alguns dos locais desta Capital, como: ponto de ônibus dentro do túnel do Anhangabaú - 97 dB(A); viaduto Minhocão, na parte inferior - 92 dB(A); cruzamento da Avenida Paulista com a Avenida Brigadeiro Luis Antônio - 83 dB(A).

A poluição sonora, considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma das três prioridades ecológicas para a próxima década, não é visível; e a percepção desse problema, é, muitas vezes, demorada.

No que se refere ao tema, o agravante é que os indivíduos que estão expostos a essas intensidades sonoras são, na maioria, jovens que, mesmo antes de iniciarem as fases produtivas de suas vidas, já podem apresentar uma lesão auditiva.

Fiorini13 concluiu que o ruído, atualmente, faz parte do cotidiano dos indivíduos (ruído de tráfego e lazer, entre outros); e, assim, considerou que a PAIR poderá ser uma das principais doenças crônicas no futuro da humanidade.

Em contrapartida, Sataloff29 enumerou várias patologias capazes de gerar perdas auditivas na faixa dos 4 kHz, como: perda auditiva induzida pelo ruído; infecções virais (rubéola, sarampo, caxumba, herpes simples, inclusão citomegálica e viroses respiratórias); reumatismos de crânio; perda auditiva hereditária; oto-toxicidade (por antibióticos aminoglicosídeos, diuréticos, quimioterápicos, aspirinas em altas doses e outros produtos químicos); neurinoma do acústico; surdez súbita; esclerose múltipla; outras (infecções bacterianas, tipo meningite, endotoxinas, hipóxia neonatal e icterícia). O autor concluiu, portanto, que um audiograma mostrando uma queda em 4 kHz, por si só, não é evidência suficiente para diagnosticar a perda auditiva induzida pelo ruído, sendo necessária uma história clínica completa e adequada, que afaste a possibilidade de outras causas.

Almeida2 concluiu, em sua pesquisa, que, devido às peculiaridades metabólicas e circulatórias, a orelha interna pode ser o alvo de várias doenças sistêmicas de incidência comum na população e que, também, resultam em uma perda auditiva neurossensorial de configuração audiométrica semelhante à obtida pela exposição ao ruído, como por exemplo: anemia falciforme, sífilis, insuficiência renal, parotidite epidêmica, sarampo, doença de inclusão citomegálica, hipotireoidismo, entre outras.

Analisando a literatura compulsada, pudemos observar que, em grande parte, os estudos realizados com trabalhadores constataram a predominância de perdas auditivas em ambiente de trabalho, em mais de 50% dos sujeitos pesquisados12,21,22,24,25,30,.

Acreditamos que ainda temos muito a acrescentar, com o conhecimento fonoaudiológico, no processo de manutenção da saúde do trabalhador; entretanto, essa pesquisa visa a delimitar a condição auditiva do candidato ao mercado de trabalho, contribuindo ainda mais para o processo de admissão, sem mascarar a necessidade de um programa de prevenção de perdas auditivas efetivo, para propiciar o ingresso do candidato à empresa sem atribulações.

Diante desse quadro, este trabalho tem como objetivos:

1) Estudar o índice de ocorrência de perdas auditivas de trabalhadores no processo admissional em empresas, na região de Campinas /SP, de acordo com o PCMSO.

2) Descrever o tipo de perda auditiva dos trabalhadores que apresentaram alteração audiométrica.

 

MATERIAL E MÉTODO

O presente estudo, de caráter retrospectivo, descritivo e proveniente de uma análise de banco de dados, foi realizado em uma empresa de prestação de serviços audiológicos, que realiza, entre outros, audiometria ocupacional para diversas indústrias da região de Campinas /SP. Para que a amostra se tornasse fidedigna, foram escolhidos os exames audiométricos admissionais realizados no ano de 1997 (início, em janeiro de 1997) até o ano de 1999 (término, em junho de 1999). Para isso, nos foram cedidos os dados cadastrais e os prontuários dos candidatos.

Caracterização da amostra

A amostra foi constituída de 3.117 prontuários de candidatos a empregos oferecidos nas indústrias de diferentes ramos na região de Campinas /SP. Destes, 2.462 candidatos eram do sexo masculino; e 655, do sexo feminino, na faixa etária de 18 a 70 anos.

Como um dos objetivos deste estudo foi caracterizar as condições auditivas dos candidatos a empregos industriais, não foi excluído nenhum sujeito, buscando retratar com fidelidade a caracterização do perfil audiométrico.

Os sujeitos foram divididos em quatro faixas etárias: de 18 a 30 anos; 31 a 40 anos; 41 a 50 anos; e 51 a 70 anos (Figura 1).

 

 

Caracterização das empresas

Para fornecer subsídios ao estudo, as empresas selecionadas foram heterogêneas, e caracterizaram-se como atuantes em ambientes predominantemente insalubres.

Os ramos das indústrias foram diversificados, sendo constituídos de: metalúrgicas; químicas; agropecuárias; informática; farmacêutica; construção civil; transportes; alimentícias, perfazendo um total de 18 indústrias da região de Campinas /SP.

Procedimento

Todos os procedimentos, bem como a análise dos resultados, foram realizados por fonoaudiólogas, subsidiando a legitimidade dos dados encontrados, segundo a Lei 6965/81.

Anamnese e Meatoscopia

A fim de levantar os dados pessoais, profissionais, de saúde, antecedentes otológicos, bem como as principais queixas, hábitos e dificuldades auditivas, foram investigados os questionários aplicados em todos os candidatos.

Nos prontuários, observamos a concordância das normas para avaliação audiométrica preconizada – Portaria Nº. 24 –, em que era recomendada a devida meatoscopia, com o objetivo de verificar a existência de corpos estranhos ou rolha de cerume potencialmente obstrutiva, que impedissem a realização da avaliação audiométrica9.

Com o propósito de obedecer às recomendações para realização das avaliações audiométricas por essa portaria, o repouso auditivo por um período mínimo de 14 horas até o momento de realização da avaliação foi mantido.

Avaliação audiométrica

Foi realizada uma audiometria tonal por via aérea, nas freqüências de 0,25 kHz, 0,50 kHz, 1 kHz, 2 kHz, 3 kHz, 4 kHz, 6 kHz e 8 kHz; e, por via óssea, em 0,50 kHz, 1 kHz, 2 kHz, 3 kHz, 4 kHz, sempre que necessário, obedecendo aos critérios de Santos e Russo28.

O equipamento utilizado foi um audiômetro Madsen Midimate 602, calibrado segundo o padrão ANSI S3.624. Foi assegurada a execução da calibração biológica, para a observação de qualquer alteração nas características acústicas do equipamento.

Todos os exames audiométricos deste estudo retrospectivo foram realizados em cabina acusticamente tratada, segundo recomendação da Norma ANSI S3-125.

Critérios para análise dos audiogramas

Para obedecer aos parâmetros preconizados pela Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (Portaria Nº. 19 – 1998), optamos por analisar em conjunto as configurações audiométricas, com base nos critérios do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), no momento da admissão8:

A interpretação dos resultados do exame audiométrico seguiu os seguintes parâmetros:

• Normais – ou dentro dos padrões de normalidade – casos cujos audiogramas mostram limiares auditivos menores ou iguais a 25 dBNA, em todas as freqüências examinadas.

• Alterados – ou sugestivos e não sugestivos de PAIR – casos cujos audiogramas mostram limiares auditivos maiores a 25 dBNA, em pelo menos uma das freqüências examinadas.

A fim de caracterizar os achados audiométricos, quanto ao tipo de perda auditiva, foram utilizados os critérios estabelecidos por Santos e Russo28, onde as perdas auditivas podem ser divididas em: condutivas, neuros-sensoriais e mistas, obedecendo aos seguintes parâmetros:

• Condutiva – perda auditiva por via aérea maior de 25 dBNA, estando normais os limiares tonais por via óssea. Apresenta diferencial aereoósseo maior que 15 dB.

• Neurossensoriais – perda auditiva maior de 25 dBNA, tanto na via aérea quanto na via óssea. Apresenta diferencial aereoósseo menor que 15 dB.

• Mista – audiometria tonal apresenta diferencial entre a via aérea e a via óssea em algumas freqüências, estando ambas as vias acopladas em outras.

 

RESULTADOS

Dos 3.117 trabalhadores pesquisados, 2.507 (80,4%) apresentaram exame audiométrico normal e 610 (19,6%) apresentaram exame audiométrico alterado (Figura 2).

 

 

Obedecendo aos objetivos da presente pesquisa, passamos a analisar os 610 trabalhadores que apresentaram alteração audiométrica.

Podemos conhecer melhor essa população observando a média, mediana e o desvio padrão dos trabalhadores que participaram do estudo, com alteração audiométrica de acordo com a idade. Notamos, portanto, que a média, bem como a mediana, foi de 36 anos de idade quando analisados os trabalhadores do sexo masculino; e a média, bem como a mediana, foi de 30 anos de idade quando analisados os trabalhadores do sexo feminino.

Podemos avaliar também o cálculo da média, mediana e desvio padrão dos limiares de cada uma das freqüências audiométricas (0,25 kHz, 0,50 kHz, 1 kHz, 2 kHz, 3 kHz, 4 kHz, 6 kHz e 8 kHz), nas orelhas direita e esquerda (Figuras 3 e 4).

 

 

 

Os resultados da audiometria dos trabalhadores que apresentaram alteração audiométrica indicam nas duas orelhas perfis audiométricos com respostas piores em 6 kHz, 4 kHz e 8 kHz.

Dos 610 trabalhadores que acusaram alteração audiométrica: 35 (5,7%) apresentaram perda auditiva condutiva; 401 (65,7%), perda auditiva neurossensorial; e 4 (0,7%), perda auditiva mista, quando analisamos apenas a orelha direita. Esta análise revelou que 69 (11,3%) dos trabalhadores com alterações auditivas que participaram deste estudo apresentaram audição normal na orelha esquerda.

Dos 610 trabalhadores que acusaram alteração audiométrica, 48 (7,9%) apresentaram perda auditiva condutiva; 486 (79,7%), perda auditiva neurossensorial; e 7 (1,1%), perda auditiva mista, quando analisamos apenas a orelha esquerda (Figura 5).

 

 

Esta análise revelou que 170 (27,9%) dos trabalhadores com alterações auditivas que participaram deste estudo apresentaram audição normal na orelha direita.

Pudemos observar que 440 (73,1%) dos trabalhadores com alterações audiométricas possuíam-nas na orelha direita; e 541 (88,7%) dos trabalhadores com alterações audiométricas apresentaram-nas na orelha esquerda.

Com os dados obtidos, observamos a grande ocorrência de perdas auditivas neurossensoriais, e pudemos inferir que parte da população estudada possui traçado audiométrico tipicamente sugestivo de PAIR, sem mascarar a existência dos demais traçados.

Para tanto, estabelecemos a tendência desse perfil, explorando o traçado audiométrico sugestivo de PAIR.

Os dados determinaram que 268 (43,9%) dos trabalhadores possuíam traçado audiométrico sugestivo de PAIR bilateralmente; 193 (31,7%) dos trabalhadores possuíam traçado audiométrico sugestivo de PAIR unilateralmente; e 149 (24,4%) não possuíam traçado audiométrico típico de PAIR (Figura 6).

 

 

Podemos determinar assim que 461 (75,6%) trabalhadores apresentaram traçado audiométrico típico de PAIR em pelo menos uma orelha.

 

DISCUSSÃO

Os achados audiométricos deste estudo vão ao encontro do posicionamento de Kitamura16, que constatou a existência de um grande contingente de candidatos com alterações auditivas que poderiam não ser admitidos em um novo emprego, em função, muitas vezes, de pequenas alterações audiométricas.

Dessa forma, apenas parte da população disponível para o mercado de trabalho (80,4%) comporia o quadro de funcionários, sem atribulações, já que Kwitko18 ressalvou também que o exame admissional tem sido utilizado para impedir o acesso ao emprego de indivíduos com perda auditiva, distanciando-se, assim, de seu propósito.

Os resultados nos revelaram que um número considerável de candidatos – 610 (19,6%) – possivelmente teriam dificuldade de ingressar em um novo emprego, visto que apresentaram alterações audiométricas.

Dados semelhantes foram observados por Kwitko18, que afirmou que audiometria utilizada de rotina como teste admissional pode identificar os indivíduos que já apresentam perdas auditivas; assim, deverá ser instrumento utilizado como elemento motivador no programa de conservação auditiva desenvolvido pela empresa. A determinação dos limiares tonais apenas mostra que ocorreu lesão das células ciliadas da cóclea, não oferecendo uma indicação precisa do estágio do comprometimento funcional da audição.

Kobata17 desenvolveu pesquisa semelhante, na qual analisou o perfil audiométrico de trabalhadores submetidos ao exame admissional. Do total da casuística, 244 (34,27%) candidatos apresentaram configuração audiométrica alterada. Apesar dos achados obtidos neste estudo mostrarem um número menor de candidatos com alterações audiométricas, ou seja, 610 (19,6%) candidatos, igualmente revelaram que grande parte da população possivelmente iniciaria suas atividades profissionais já com alterações audiométricas.

Vale repetir que a PAIR não é causada apenas pelo ruído industrial, mas também por ruídos da vida diária, sendo chamada de socioacusia.

Diversos autores pesquisaram a exposição extra- ocupacional ao ruído, com o propósito de alertar a influência dessa exposição sobre a audição dos indivíduos.

Campinas é uma cidade bastante ruidosa, como são os grandes centros. O ruído ambiental, provocado diariamente, tanto urbano quanto industrial, apenas contribui para corroborar o risco à saúde auditiva e, na grande maioria, mostra-se em elevada intensidade sonora.

O agravante é que os indivíduos que estão expostos a essas intensidades sonoras são na maioria jovens que, mesmo antes de iniciarem as fases produtivas de suas vidas, já podem apresentar uma lesão auditiva.

Os dados reafirmaram esse comentário, mostrando a juventude desses candidatos que pretendem compor o mercado de trabalho.

Essa questão está sedimentada por estudos que enfatizam que o trabalho significa a inserção obrigatória do sujeito no sistema de relações econômicas e sociais, e que ele tem sido fator importante para o gozo da cidadania5,14.

Cabe ressaltar que várias doenças são capazes de gerar perdas auditivas na faixa dos 4 kHz e que, portanto, um audiograma mostrando uma queda em 4 kHz, por si só, não é evidência suficiente para diagnosticar a perda auditiva induzida pelo ruído, sendo necessária uma história clínica complexa e adequada, que afaste a possibilidade de outras causas29.

 Uma contribuição valiosa é a de Almeida2, quando conclui em sua pesquisa que, devido às peculiaridades metabólicas e circulatórias, a orelha interna pode ser alvo de várias doenças sistêmicas de incidência comum na população e que, também, resultam em perda auditiva neuros-sensorial de configuração audiométrica semelhante à obtida pela exposição ao ruído, como, por exemplo: anemia falciforme, sífilis, insuficiência renal, parotidite epidêmica, sarampo, doença de inclusão citomegálica e hipotireoidismo, entre outras.

Concordamos com o posicionamento de Almeida e Resende1, que pontuaram que a presença sugestiva de PAIR no exame admissional não deve desclassificar o trabalhador para o exercício profissional. A PAIR, na grande maioria dos casos, não acarreta incapacidade para o trabalho, e não necessariamente deve indicar o afastamento do trabalhador de suas funções laborativas. Para que este procedimento possa ser tomado, partimos da premissa de que todas as empresas já possuem um programa de prevenção de perdas auditivas eficiente sendo coordenado por profissionais capacitados; e, principalmente, sendo acompanhado por eles, proporcionando a inserção desses trabalhadores aos seus ofícios.

Segundo a literatura pesquisada, muitas causas de perdas auditivas neurossensoriais, condutivas e mistas, podem acometer essa população, sem necessariamente apresentar sintomatologia clínica.

Com uma considerável periodicidade, os trabalhadores que são submetidos a exames audiométricos, na sua grande maioria, não estão cientes de sua acuidade auditiva, sendo muitas vezes surpreendidos com o resultado da avaliação.

O fonoaudiólogo tem papel fundamental nesse processo, não só por realizar o exame audiométrico, mas por ser uma das poucas pessoas que têm contato individual e demorado com o trabalhador, no momento em que a perda auditiva é um assunto prioritário. É nessa etapa que a sugestão do encaminhamento ao especialista é feita, proporcionando ao trabalhador tratamento e/ou uma conduta médica adequada, e dando a ele o devido acompanhamento. Muitas vezes, o problema inicial é sanado.

Os trabalhos de Maciel e colaboradores20 demonstram tal hipótese. Pesquisaram a influência da rolha de cerume nos limiares tonais e a mudança desses, após a sua remoção. Quando excessivo e mesmo impactado, o cerume pode provocar considerável perda condutiva.

Jerger e Jerger15 pesquisaram a obtenção errônea de resultados audiométricos, determinando perdas auditivas condutivas devido ao colabamento do meato acústico externo sob os fones, no momento do exame.

As perfurações timpânicas, por sua vez, dependendo de tamanho ou localização, poderão determinar perdas auditivas de graus variados, sendo no entanto passíveis de tratamento e recuperação dos limiares audiométricos.

As empresas que possuírem um programa de prevenção de perdas auditivas ativo muito provavelmente não estarão sujeitas a essas intercorrências, já que faz parte dos propósitos do programa identificar indivíduos que necessitam de encaminhamento para o médico otorrinolaringologista, com o objetivo de diagnóstico diferencial ou de tratar possíveis problemas de orelha externa e/ou média.

O diagnóstico da perda auditiva induzida pelo ruído não é sempre preciso, especialmente quando existe alguma outra doença associada.

Com o propósito de assegurar a hipótese levantada, lembramos os trabalhos de Jerger e Jerger15, que descreveram que a otosclerose caracteriza-se pela perda neurossensorial progressiva, com excelente discriminação auditiva em adultos jovens, e de Lopes Filho19, que descreveu que as drogas ototóxicas podem levar a graves deficiências de audição de características sensoriais, bilaterais.

Porém, não podemos descartar a possibilidade desses trabalhadores possuírem uma PAIR, já que são indivíduos eminentemente expostos a ruídos relacionados ou não ao trabalho.

Estes dados estão em concordância com Fiorini13, que concluiu que o ruído atualmente faz parte do cotidiano dos indivíduos (ruído de tráfego e lazer, entre outros) e considerou que, assim, a PAIR poderá ser uma das principais doenças crônicas no futuro da humanidade.

Vale ressaltar que um indivíduo com PAIR não pode ser considerado incapaz para o trabalho, no seu sentido absoluto ou universal. A incapacidade, se existir, é em relação a uma certa função exercida sob determinada condição, dentro do ambiente da empresa18.

As empresas que possuírem um programa de prevenção de perdas auditivas efetivo, muito provavelmente não estarão sujeitas a essas intercorrências, já que faz parte dos propósitos do programa estabelecer o audiograma de referência dos trabalhadores, identificando sua situação auditiva e proporcionando um acompanhamento rigoroso, com o intuito de manter a audição do trabalhador inalterada.

Com os dados obtidos, pudemos inferir que parte da população estudada possui traçado audiométrico tipicamente sugestivo de PAIR, sem mascarar a existência dos demais traçados.

Para tanto, estabelecemos a tendência desse perfil, explorando o traçado audiométrico sugestivo de PAIR.

Podemos determinar, assim, que 461(75,6%) trabalhadores apresentaram traçado audiométrico típico de PAIR em pelo menos uma orelha.

Analisando a literatura compulsada, pudemos observar que, em grande parte, os estudos realizados com trabalhadores constatou a predominância de perdas auditivas em ambiente de trabalho, em mais de 50% dos sujeitos pesquisados, demonstrando concordância com os dados coletados no presente estudo12,21,22,24,25,30.

 A questão é que inúmeras oportunidades são negadas a um grande contingente de candidatos considerados inaptos e desligados de seus empregos anteriores, os quais se vêem impedidos de serem admitidos em um novo emprego, em virtude, muitas vezes, de pequenas alterações audiométricas.

 

CONCLUSÃO

Os resultados indicaram que 80,4% dos trabalhadores apresentaram audição dentro dos padrões de normalidade e 19,6% apresentaram alteração audiométrica.

Com relação à prevalência de perdas auditivas quanto ao tipo de perda auditiva, os resultados indicam que dos 610 trabalhadores que acusaram alteração audiométrica, 5,7% apresentaram perda auditiva condutiva; 65,7% apresentaram perda auditiva neurossensorial; 0,7% perda auditiva mista, quando analisamos apenas a orelha direita; 7,9% apresentaram perda auditiva condutiva; 79,7% apresentaram perda auditiva neurossensorial; e 1,1%, perda auditiva mista, quando analisamos apenas a orelha esquerda.

Este estudo constatou a existência de um grande contingente de candidatos com alguma alteração auditiva que poderão não ser admitidos em um novo emprego. Excluídos do mercado de trabalho e impedidos de exercer a atividade em que se especializaram, esses candidatos deparam-se com o desemprego, sendo muitas vezes obrigados a viver na marginalidade.

Recursos operacionais deverão ser lançados, garantindo a manutenção da saúde auditiva do trabalhador, quer seja conservando a audição normal ou a audição residual, quer seja encaminhando-o para tratamento. Cargos que exijam integridade auditiva absoluta, como controladores de tráfego, condutores de aeronave, músicos e trabalhadores com diagnóstico de perda auditiva progressiva, deverão ser avaliados audiologicamente de modo rigoroso e diferenciado.

Deverá ser do interesse de qualquer empregador a inclusão ou a manutenção, em seu quadro de funcionários, dos indivíduos mais capacitados para o trabalho, muitos deles, portadores de PAIR. Assim, ressaltamos a importância da implantação de programas de conservação auditiva de boa qualidade, que garantam a possibilidade dos trabalhadores com maior nível de qualificação, mesmo sendo portadores de PAIR, serem mantidos em seu trabalho sem risco de agravamento da doença, e preservando, assim, a sua capacidade laborativa.

 

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1 Fonoaudióloga – Mestre em Fonoaudiologia pela PUC-SP – São Paulo – Brasil; Docente do Curso de Fonoaudiologia da UNIMEP – Piracicaba – São Paulo – Brasil.
2 Fonoaudióloga – Professora Titular do Programa de Estudos Pós-Graduados em Fonoaudiologia - PUC- SP – São Paulo – Brasil.
3 Parte da dissertação de Mestrado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Fonoaudiologia – PUC - S.P. – São Paulo – Brasil.

Endereço para correspondência: r. Maria Monteiro, 1297 apto. 72 – Cambuí – CEP; 13025-152 Campinas – S.P. – Brasil. Tel: (019) 3252-3032.
Trabalho apresentado no XVI Encontro Internacional de Audiologia – Rio de Janeiro – de 5 a 8 de abril de 2001.

Artigo recebido em 20 de março. Artigo aceito em 18 de junho de 2001.