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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.69 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992003000100010 

ARTIGO ORIGINAL
ORIGINAL ARTICLE

 

Cirurgia revisional de 74 casos de estapedectomia/estapedotomia

 

Revision surgery in 74 cases of stapedectomy/stapedotomy

 

 

Luiz Rogerio Pires de MelloI, 1; Andrea Pires de Mello AzevedoII, 2

IProfessor Titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense, Niterói/RJ
IIMestranda da Fundação Oswaldo Cruz, FIOCRUZ/ENSP
Médica Otorrinolaringologista responsável pelo Setor de Otoneurologia da Clínica Luiz Pires de Mello

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: O objetivo deste estudo é o de identificar as diversas causas que nos obrigam a novo procedimento cirúrgico. Apesar de várias alterações técnicas como platinectomia total, platinectomia parcial, interposição óssea, fenestra na platina e o emprego de vários tipos de próteses, os problemas continuam a existir, talvez também pelo pouco treinamento feito pelos residentes nos Centros Universitários, onde o número de cirurgias estapedianas vem caindo ano a ano, o que leva à pouca experiência destes residentes em sua vida futura.
FORMA DE ESTUDO: Avaliação Retrospectiva.
MATERIAL E MÉTODO: Baseou-se em 74 casos de revisões de estapedectomia, realizadas em 68 pacientes, sendo 47 ouvidos submetidos à primeira revisão e 4 ouvidos submetidos à uma segunda revisão, todos operados anteriormente pelo autor, de uma população de 725 estapedectomias realizadas na clínica privada e 282 estapedectomias realizadas no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) – Universidade Federal Fluminense/Niterói-RJ, de julho de 1980 a junho de 1999. Acrescentamos mais 21 casos operados de primeira revisão e de 2 casos operados de segunda revisão oriundos de outros serviços.
RESULTADOS: Considerando todos os casos de revisões cirúrgicas realizadas, os ganhos auditivos obtidos foram os seguintes: em 78,3% dos pacientes os ganhos auditivos alcançados foram de até 20dB; em 10,8% dos pacientes de 20dB a 25dB; em 8,2% dos pacientes acima de 25dB, tendo ocorrido anacusia em 2,7% dos pacientes. A avaliação auditiva incluiu o limiar aéreo-ósseo de 250 a 8000Hz com a discriminação vocal e o SRT, sendo que nas freqüências de 500, 1000 e 2000Hz os limiares das vias aérea e óssea foram calculados através dos audiogramas realizados nos pré e pós-operatórios. Os resultados auditivos pós-operatórios dependem da afecção cirúrgica encontrada, principalmente pela presença ou ausência da bigorna e pela reobliteração óssea na janela do vestíbulo. Fizemos o acompanhamento audiológico de todos os ouvidos operados após seis meses da cirurgia e de sessenta e seis ouvidos operados com um ano de cirurgia e com oito pacientes não retornando ao segundo exame.

Palavras-chave: otosclerose, surdez de condução, cirurgia, estapedectomia, estapedotomia.


SUMMARY

AIM: The aim of the present study is to identify the various reasons for a new surgical procedure to be decided on. In spite of several technical alterations, such as total platinectomy, partial platinectomy, bone interposition, fenestration in the footplate and the use of different types of prosthesis, there are still many problems concerning the improvement of impaired hearing, partly due to insufficient training of resident doctors at the University Centers, where the number of stapedial surgeries has been decreasing year after year. This creates a situation in which our resident doctors have little opportunity to gain experience in this area.
STUDY DESIGN: Retrospective Evaluation.
MATERIAL AND METHOD: The study was based on 74 cases of revision stapedectomy, performed in 68 patients, being that 47 ears were submitted to revision and all of them have been previously operated on by the first author above mentioned, out of a population of 725 stapedectomies performed at Antonio Pedro University Hospital (HUAP) Federal University of the State of Rio de Janeiro (UFF) / Niterói-RJ, from July 1980 to June 1999. We added 21 more cases of revision surgery originated elsewhere. As far as obliteration of the oval window was concerned, for which cutting drills were used, there were 04 cases of variable sensorineural hearing loss and 02 cases of anacusis. The cases of vertigo and / or loss of balance with possible perilymphatic fistula were solved by means of replacement of the long prosthesis by a smaller one, the vertigo and/or loss of balance being thus eliminated. We conducted the audiologic follow-up of all operated ears 06 months after the surgery and of 66 operated ears, 08 patients had not undergone a second examination 01 year after. Auditory postoperative results depend on the surgical pathology found, not only because of the presence or absence of the incus but also because of the osseous reobliteration of the oval window.
CONCLUSION: Considering all revisionsurgery cases, the auditory gains obtained were the following: for 78.3% of the patients, the auditory threshold was as low as 20db, for 10.8% of the patients, it ranged from 20dB to 25dB, and for 8.2% of the patients, it was only above 25%; there was anacusis in 2.7% of the patients. The standard audiologic evaluation included pure tone threshold for air and bone conduction at 250, 500, 1000, 2000, 4000 and 8000Hz, speech recognition threshold and speech discrimination score. The PTA at 500, 1000 and 2000 was calculated for air and bone curves from both preoperative and postoperative audiograms.

Key words: otosclerosis, conductive deafness, surgery, stapedectomy, stapedotomy.


 

 

INTRODUÇÃO

Pelo que vimos, as revisões de estapedectomia não são incomuns e dependem muito da experiência do cirurgião na primeira cirurgia.

Sabe-se que o número de cirurgias da otosclerose vem caindo paulatinamente nos centros de ensino, sendo que nos Estados Unidos os residentes atualmente fazem cinco estapedectomias em seu treinamento cirúrgico o que deixa muito a desejar no aprendizado para sua vida diária no futuro.

Nós próprios ficamos com o dilema em diversas situações, como na necessidade ou não do emprego de brocas cortantes, em se tratando de obliteração do nicho da janela do vestíbulo por tecido ósseo espessado, que leva na grande maioria dos casos a disacusia sensorioneural avançada e, por muitas vezes, a anacusia. Outro ponto de importância, é sabermos da necessidade ou não da reabertura de toda a janela do vestíbulo com tecido de cicatrização e múltiplas aderências, quando nos deparamos com uma prótese de arame, tombada lateralmente à sua borda, na estapedectomia primária ou se devemos abri-la total ou parcialmente para colocação de nova prótese.

Cirurgiões mais experientes1-7 podem apresentar melhores resultados auditivos no pós-operatório, com fechamento do espaço aéreo-ósseo menor ou igual a 10dB ou até 20dB, entre 18% a 80%, ficando a nossa casuística em torno de 78,3% até 20dB. Estatísticas apresentadas mostram que a disacusia sensorioneural pode estar ausente ou atingir até 20% dos casos reoperados.

A tomada audiométrica8,9 é feita entre as diferenças de nível auditivo, nas vias aérea-óssea nos pré e pós-operatório nas freqüências de 500, 1000 e 2000Hz, que são as freqüências da palavra, vendo-se a quantificação da via óssea, que representa a reserva coclear10,11.

Nessas revisões não usamos o laser12-16 e mantivemos a técnica tradicional da cirurgia1,2,17-20, com o emprego de ganchos especializados, usando raramente brocas afiadas para a abertura da base do estribo. A prótese empregada nas revisões foi na grande maioria a de teflon de 0,6mm ou 0,4mm de espessura e também em alguns casos a prótese de aço e teflon. Em poucos casos usamos próteses só metálicas, em se tratando de otosclerose obliterativa.

A audiometria de controle foi feita 06 meses e 12 meses após a revisão cirúrgica, sendo que 08 pacientes não retornaram para segunda triagem auditiva.

 

MATERIAL E MÉTODO

Setenta e quatro (74) revisões de estapedectomia/estapedotomia foram realizadas em 68 pacientes, sendo que seis deles foram submetidos a uma segunda revisão no período compreendido entre julho/1980 e junho/1999 na clínica privada e no Hospital Universitário Antônio Pedro/Niterói-RJ. Desse total, 43 foram mulheres (47 ouvidos) e 23 homens (27 ouvidos) com idade variando de 20 a 76 anos.

As revisões foram realizadas com anestesia local com auxílio de sedação intravenosa ou uso de Dormonid® (midazolam), sublingual uma hora antes da cirurgia, sendo a via empregada a transcanal com incisão de 6/7mm a nível do rebordo timpânico.

Ao iniciarmos a revisão, após a abertura da caixa timpânica, verificávamos a mobilidade do martelo e da bigorna por palpação, e no caso de presença de aderências fibrosas, as retirávamos com muito cuidado até atingirmos o nicho da janela oval, removendo a seguir a prótese mal posicionada, se existente, sendo a mais comum a de arame. Para evitarmos mobilizações prejudiciais a recuperação auditiva, por muitas das vezes, cortávamos 2/3 dessa prótese, deixando pequena parte aderida à borda da janela oval, optando por colocação de nova prótese para recompor a audição. Em muitos casos não reabríamos totalmente o nicho da janela oval, só o fazendo em caso de múltiplas aderências que penetravam na orelha interna. Procurávamos fazer um pequeno pertuito para colocação da prótese. Quando havia erosão no ramo longo da bigorna ou retirávamos a mesma sem reaproveitá-la, ou esculpíamos a mesma para interposição entre a janela do vestíbulo e o cabo do martelo, ou usávamos prótese de arame de 6 ½mm ou a própria prótese de teflon de 6mm.

Os exames audiométricos8,9,11,18 realizados no pré-operatório foram a audiometria tonal e vocal, a imitanciometria e o SRT, sendo esses exames repetidos no pós-operatório para sabermos da existência de ganho auditivo ou não10,11. Durante algumas revisões de estapedectomia usamos os diapasões em 512Hz e 1024Hz após o ato cirúrgico, para sabermos se a prótese estava no lugar, com conseqüente presença de boa audição do paciente.

As revisões foram realizadas sempre que os pacientes se queixavam de queda auditiva de pelo menos 20dB ou apresentavam tontura com instabilidade, casos em que pensávamos na existência de fistula perilinfática.

Reoperamos também cinco casos, anteriormente operados de fenestração do canal semicircular lateral com emprego de prótese de arame do cabo do martelo à janela do vestíbulo, casos não computados nesta estatística.

 

RESULTADOS

Nossos resultados foram baseados em 74 orelhas operadas, sendo 68 de primeira revisão e seis de segunda revisão (02 casos de obliteração da janela oval, 02 casos de erosão do ramo longo da bigorna e 02 casos de subluxação da bigorna).

Nos casos de suspeita de fistula perilinfática (05 casos) baseávamo-nos mais no desequilíbrio dos pacientes, o que nos fazia pensar em fistula perilinfática. As revisões nos mostraram pacientes operados com tubo de polietileno fixado à apófise lenticular.

A idade da revisão dos pacientes é descrita na Tabela 2.

 

 

 

 

A média de tempo entre a primeira cirurgia e a cirurgia revisional foi de onze anos, sendo doze casos reoperados com menos de doze meses.

Os tipos de prótese encontrados foram tubo de polietileno, arame, aço e teflon, aço puro e teflon.

Os tipos de prótese usados em nossas revisões foram teflon, na grande maioria, prótese de aço e teflon, aço e arame.

O selamento da janela do vestíbulo foi realizado com o tecido conjuntivo do próprio tímpano, gordura, gelfoam e/ou pericôndrio.

Não pudemos confirmar problemas de disacusia sensorioneural com o emprego de gelfoam como apregoou Sheehy23, que suspendeu o seu uso em 1968.

Com relação à reoperação no que tange ao período da revisão, observamos na Tabela 6.

 

 

 

 

 

 

Com relação aos seis casos da segunda revisão o espaço de tempo foi o descrito na Tabela 7.

 

 

A melhora auditiva foi encontrada em 78,3% dos pacientes em até 20dB na primeira audiometria realizada seis meses após a cirurgia revisional e dezenove casos fecharam gap – igual ou menor que 10dB.

Tivemos também seis casos de disacusia sensorioneural variável e com perda auditiva grave, principalmente nos casos com base do estribo espessada, na cirurgia primária onde tivemos grande dificuldade de abrir esta base sendo necessário o emprego de brocas cortantes. Na cirurgia revisional em que tivemos que usar novamente as brocas cortantes, o resultado auditivo foi ruim, levando à anacusia de dois pacientes.

Deslocamento da Prótese – 23 Casos (31,08%)

O deslocamento da prótese com ou sem aderências fibrosas associadas foi a causa mais comum de nossas revisões. Nas revisões o que encontramos no caso de deslocamento da prótese foi a saída de sua porção inferior do centro da janela oval para a porção lateral da mesma ou a má contratura de sua porção alta na longa apófise da bigorna. Por vezes se encontrava caída no fundo da caixa.

Erosão do Ramo Longo da Bigorna – 9 Casos

Com relação à necrose do ramo longo da bigorna tivemos nove casos de primeira revisão, sendo dois operados com polietileno, três com arame, dois com aço e teflon e dois com prótese de teflon. Reaproveitamos a bigorna, esculpindo a mesma em quatro casos. Em um caso, como a lesão óssea era pequena, reaproveitamos a bigorna em seu todo, colocando prótese de aço e teflon em parte na própria longa apófise sem erosão. Nos outros quatro casos usamos prótese de arame de 6½ mm do cabo do martelo à janela oval (em 03) e no outro caso usamos prótese de aço e teflon do cabo do martelo à janela oval, pois o martelo estava um pouco verticalizado. Selamos a janela com tecido conjuntivo pericôndrio e gelfoam.

Tivemos dois casos de segunda revisão nos quais a audição piorou após a cirurgia proposta, sendo que no 1º caso retiramos a bigorna reaproveitada e colocamos prótese de aço e teflon do cabo do martelo à janela oval.

Aderências Fibrosas – 9 Casos (12,16%)

Tivemos nove casos de aderências fibrosas, sendo quatro casos com emprego de arame, dois casos com emprego de aço e teflon e dois casos de teflon na primeira cirurgia. Em todos os casos fizemos a liberação das aderências, retirando total ou parcialmente as próteses. No caso das de arame, com recolocação em seu lugar de prótese de teflon. Nos outros quatro casos, colocamos duas próteses de teflon e duas próteses de aço e teflon.

Subluxação da Bigorna – 5 Casos

Foram operados pelo autor dois casos de subluxação da bigorna, tendo grande dificuldade na colocação da prótese na estapedectomia inicial, com resultado auditivo ruim. Nesse dois casos operados inicialmente com próteses de arame, retiramos as próteses e a bigorna luxada e colocamos prótese de arame de 6,5mm do cabo do martelo à janela oval forrada com tecido conjuntivo. Nos outros três casos de pacientes externos, fizemos a retirada de duas próteses de teflon e uma de arame que se encontravam lateralizadas, pois a bigorna estava luxada, reaproveitando duas bigornas que foram esculpidas e recolocadas entre o cabo do martelo e a janela oval forrada com tecido conjuntivo. No terceiro caso usamos prótese de aço e teflon do cabo do martelo à janela oval com selamento da mesma com tecido conjuntivo.

Tivemos dois casos em que a audição manteve-se ruim no período pós-operatório e optamos então por uma segunda revisão. No primeiro caso, tínhamos colocado prótese de teflon na porção da bigorna não erosada, tendo a mesma se encontrado deitada no fundo da caixa durante a revisão. Retiramos a bigorna erosada e colocamos prótese de arame do cabo do martelo à janela do vestíbulo. No segundo caso, tínhamos feito uma interposição de bigorna esculpida entre o cabo do martelo e o nicho da janela oval, que durante a revisão foi encontrada caída no fundo da caixa. Optamos por prótese de arame de 6,5mm do cabo do martelo à janela oval para recuperação auditiva.

Obliteração da Janela do Vestíbulo por Osso Neoformado 06 Casos (8,10%)

Tivemos quatro casos de obliteração óssea na primeira revisão, sendo três casos com o uso de teflon e um caso de prótese de aço e teflon, e, dois casos de segunda revisão – casos como citei, pela dificuldade inicial da abertura da base do estribo bastante espessa, nos obrigando a manipulação excessiva com emprego até de microbrocas cortantes, o que nos permitiu abertura de pertuito de 06 a 08mm. Fizemos a revisão, nesses casos, colocando em dois casos próteses de aço e teflon e nos outros dois próteses de teflon. Os dois casos reoperados com aço e teflon foram submetidos a uma segunda revisão por nova reobliteração da janela do vestíbulo, com emprego de duas próteses de aço. No que diz respeito à audição, quatro casos apresentaram disacusia sensorioneural variável e dois casos, anacusia. Todos os pacientes já apresentavam vertigem desde a cirurgia inicial de estapedectomia.

Fístula Perilinfática – 05 Casos (6,88%)

Após algum tempo, dois pacientes operados de estapedectomia apresentaram-se com tontura, desequilíbrio e perda auditiva progressiva, nos fazendo pensar em fístula labiríntica, confirmadas por exame audiológico. Estes pacientes haviam sido operados com tubos de polietileno como prótese. Foram reoperados, retirando-se as próteses, bem como ao tecido aderencial por sobre o nicho da janela do vestíbulo, selando esta janela com tecido conjuntivo e colocando-se prótese de teflon. Os outros três casos de pacientes externos haviam sido operados com próteses de arame; dois casos, com prótese de aço e teflon; um caso empregando a mesma técnica anterior da cirurgia revisional com emprego de prótese de teflon. Colocamos também prótese de teflon nesses três casos antes selando a janela do vestíbulo com tecido conjuntivo do próprio tímpano.

Prótese Curta – 04 Casos (5,40%)

Desses quatro casos, dois eram pacientes externos. Encontramos aderências por toda base, no nicho da janela do vestíbulo puxando a porção vertical da prótese, levando-a lateralmente à borda da janela do vestíbulo (próteses de arame). Nos outros dois casos em que operamos a primeira estapedectomia, fizemos também a limpeza de todo o tecido cicatricial, retirando as duas próteses de teflon, selando a janela oval com tecido conjuntivo em um caso e pericôndrio em outro. Substituímos as próteses encontradas por quatro próteses de teflon.

Prótese Longa – 03 Casos (4,05%)

Dos três casos reoperados, dois foram de pacientes externos e um do próprio autor. As queixas principais eram tontura, desequilíbrio e dificuldade de locomoção. Fizemos a cirurgia revisional o mais rápido possível (90 a 150 dias) afim de corrigirmos a fístula labiríntica. Encontramos na revisão dois casos de próteses de teflon, com selamento prévio da janela do vestíbulo.

Após a cirurgia as tonturas e o desequilíbrio desapareceram e a audição melhorou.

Platina Flutuante – 02 Casos (2,70%)

Encontramos nesses pacientes a base do estribo inteira na janela do vestíbulo, nos obrigando a manobra com grande grau de dificuldade, com abertura lateral do promotório e emprego de gancho reto para a retirada da base do estribo. Encontramos uma prótese de arame em um caso e prótese de teflon em outro caso. Retiramos estas próteses, selamos a janela do vestíbulo com tecido conjuntivo e colocamos duas próteses de teflon com boa recuperação auditiva. Ver Tabela 28.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nicho da Janela do Vestíbulo Estreitado – 01 Caso (1,35%)

Encontramos a prótese de arame fora da janela do vestíbulo com pequeno pertuito na mesma. Fizemos uma abertura maior na porção posterior da base do estribo e colocamos prótese de teflon com 0,4mm de espessura sobre tecido conjuntivo, substituindo, portanto, a prótese anterior.

Lesão do Nervo Facial – 01 Caso (1,35%)

Facial deiscente tornando a visibilidade da base do estribo muito difícil, com lesão do mesmo e colocação da prótese de teflon sobre as fibras anômalas do facial.

Reoperamos o paciente com enxerto de facial e colocação de nova prótese de teflon de 0,4mm de espessura.

Base do Estribo Fixa – 01 Caso (1,35%)

Paciente operado no início da estapedectomia pela técnica da fragmentação da platina com uso de tubo de polietileno e veia. Retiramos o tubo de polietileno, reabrimos a base do estribo, selamos a janela do vestíbulo com tecido conjuntivo e colocamos prótese de teflon para a recuperação auditiva.

Eliminação da Prótese de Teflon – 01 Caso (1,35%)

Tivemos um caso inusitado de paciente operado com prótese de teflon com deslocamento da mesma e posterior eliminação após cinco anos de cirurgia por pertuito epitimpanal. Fizemos cirurgia revisional colocando prótese de aço por acharmos ser caso de rejeição da prótese.

 

DISCUSSÃO

As revisões de estapedectomia no período apresentado de julho de 1980 a junho de 1999 não foram raras, talvez pela abertura total da janela do vestíbulo ou pelo material inicialmente apresentado como tubos de polietileno, arame e gelfoam.

Pelo o que podemos ver na Tabela 37, as diversas estatísticas apresentadas pelos vários autores mostram uma grande oscilação nas causas mais importantes de falha de primeira cirurgia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

38

 

 

 

Dos vários autores consultados notamos uma grande variedade estatística no que diz respeito ao deslocamento da prótese do nicho da janela do vestíbulo, variando de 14,2% segundo Feldman e Schuknecht (1970)21, a 82% na estatística de Derlacki (1985)22. Na nossa casuística de 74 pacientes reoperados, encontramos 31,08% de casos com deslocamento da prótese. No que diz respeito à erosão do ramo longo da bigorna, a estatística variou de 4,8% nos pacientes operados por Mcgee et al. em 199320, 5% de Sheehy et al. em 198123, 5% de Bhardwaj e Kacker em 199817, 41,0% de casos na estatística de Langman e Linderman em 19933 e 43,2% na estatística de Han et al.9 em 1997. Nos nossos casos os achados foram de 14,86%.

Já com relação à fístula perilinfática, a variação foi de 1,5%, nos casos de Lippy et al. em 198324, a 12% nos achados de Lesinski e Stein em 198912, Farrior e Sutherland em 199120 e Silverstein et al. em 199415. Encontramos em nossos casos 6,88% de fístulas perilinfáticas. No que tange a reobliteração óssea da janela oval a casuística variou de 4,0% nos achados de Hammerschlag et al. em 19888, a 24,3% na estatística de Han et al. em 19979. Nós tivemos 8,1% de casos reoperados sendo que dois pacientes submetidos a uma segunda revisão.

Finalmente, com relação as aderências fibrosas, a estatística variou de 7,2%, nos casos operados por Hammerschlag et al. em 19988, a 44,6% nos casos apresentados por Han et al. em 19979. Tivemos 13,5% de casos reoperados de aderências fibrosas.

Pela estatística apresentada na Tabela 37, tornamos enfatizar da grande variação numérica apresentada pelos diversos autores nas reoperações.

Com relação ao fechamento do espaço aéreo-ósseo, notamos também uma boa variação nas estatísticas apresentadas pelos vários autores quais sejam Hammerschlag et al. em 19988, nos seus 306 casos, Feldman e Schuknecht em 197021, em seus 228 casos, Sheehy et al. em 198123, em seus 258 casos, Derlacki em 198522, nos seus 217 casos, até Crabtree em 198019 nos seus 35 casos.

O fechamento do espaço aéreo-ósseo igual ou menor que 10dB variou de 80,5%, nos casos de McGee13, a 17%, nos casos de Cokkeser18 e colaboradores15,16. Nos casos por nós revistos, tivemos 52,7% de pacientes nesse patamar.

Nos casos de disacusia sensorioneural, as estatísticas variaram de 0%, nos casos de Lesinski e Stein12, de Lippy e Schuring24,25, de 0,4%, nos casos de Feldman e Schuknecht21, a 20% nos casos de Crabtree19 et al., sendo que em nossa casuística tivemos 8,17% de casos com disacusia sensorioneural.

Em se tratando de anacusia, as estatísticas variaram de 0%, nos casos de Feldman e Schuknecht21, Lippy e Schuring24,25, Lesinski e Stein12, McGee13 et al., Langman e Linderman3, a 14% nos casos de Crabtree19 et al.. Em nossas reoperações tivemos 2,6% de anacusia.

 

CONCLUSÃO

Em nossa soma de 74 casos de cirurgia revisional de estapedectomia/estapedotomia, operados de julho de 1980 a junho de 1999, tivemos 27 casos (36,4%) de fechamento de gap (£ 10dB) e 31 casos de ganho entre 10dB a 20dB (41,9%), 08 casos de 20dB a 25dB (10,8%), 06 casos acima de 25dB (8,2%) e 02 casos de anacusia (2,7%).

Os achados mais comuns em nossas revisões foram deslocamento de prótese – 23 casos (31,08%), erosão do ramo longo da bigorna – 11 casos (14,86%), aderências fibrosas – 09 casos (12,6%), subluxação da bigorna – 07 casos (9,45%), reobliteração da janela do vestíbulo – 06 casos (8,10%), fistula perilinfática – 05 casos (6,88%).

Podemos concluir que as revisões realizadas por cirurgiões mais experientes têm chance de obtenção de ótimos resultados, podendo chegar até 80,6% de fechamento do gap como na estatística apresentada por McGee em 1993.

 

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Endereço para correspondência
Praia de Icaraí, 341 apt. 1301 bloco A
Icaraí
Niterói RJ 24230-005
Telefax. (0xx21) 2612-2288
E-mail: rpmello@urbi.com.br

Artigo recebido em 01 de junho de 2001.
Artigo aceito em 19 de setembro de 2002.
Trabalho apresentado no 35
º Congresso Brasileiro de ORL realizado em Natal, no ano de 2000.

 

 

1 Professor Titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense – Niterói/RJ
2 Mestranda da Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ/ENSP

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