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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.71 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992005000500020 

ARTIGO ORIGINAL

 

Análise anátomo-radiográfica da persistência do Forame de Huschke

 

 

Rodrigo Costa MorenoI; Israel ChilvarquerII; Jorge E. HayekIII; Paulo Isaias SeraidarianIV

ICirurgião-Dentista, graduado pela Faculdade de Odontologia da Universidade Ibirapuera. Estagiário da Disciplina de Radiologia Odontológica do Departamento de Estomatologia da Universidade de São Paulo
IIPós-graduado nível Mestrado, Doutorado e Livre Docente pela FOUSP; Pós-graduado pela University of Texas at San Antonio - USA, Professor Titular da Disciplina de Imagenologia da Universidade Ibirapuera
IIIMestre e doutorando em diagnóstico bucal pela FOUSP, Professor Adjunto de Imagenologia da Universidade Ibirapuera
IVMestre e Doutor em Odontologia Restauradora - área de concentração prótese buco-maxilo-facial, coordenador do curso de mestrado em prótese dentária da PUC-MG, professor responsável pela disciplina de Oclusão e ATM da Universidade Ibirapuera-Unib, professor assistente do Departamento de prótese dental da Faculdade de Odontologia de São José dos Campos/UNESP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: o objetivo neste trabalho é avaliar e localizar o Forame de Huschke.
FORMA DE ESTUDO: anatômico.
MATERIAL E MÉTODO: utilizando materiais de contraste como a Guta percha e o sulfato de bário, através de técnicas radiográficas extrabucais, como a panorâmica, submentovértex e a tomografia linear lateral corrigida para a Articulação Têmporo-mandibular, em quatro crânios, onde foi verificada clinicamente a presença do Forame de Huschke.
RESULTADO: Os resultados obtidos mostraram que o Forame de Huschke pôde ser observado em crânios secos após a sua evidenciação por meio de material de contraste nestas técnicas radiográficas.

Palavras-chave: Forame de Huschke, panorâmica, submentovértex, tomografia lateral axial corrigida.


 

 

INTRODUÇÃO

Conhecido pelo epônimo de Forame de Huschke, a fenda do anel timpânico em desenvolvimento (Gardner et al., 1967), foi descrito primeiramente em 1889 por Emil Huschke como sendo uma estrutura presente durante o desenvolvimento embriológico da porção timpânica do osso temporal, e que comumente fecha-se por volta dos cinco anos de idade (Faig-Leite, 1998).

A sua persistência em indivíduos adultos é considerada uma anomalia anatômica, podendo ser atribuída à sua persistência alterações como hérnias na articulação têmporo-mandibular, como também problemas otológicos no meato acústico externo. O Forame de Huschke localiza-se na parede anterior do meato acústico externo da parte timpânica do osso temporal, apresentando uma comunicação entre o meato acústico externo e a fossa mandibular (Figura 1).

 

 

OBJETIVO

O objetivo neste trabalho é identificar e localizar o Forame de Huschke através de três diferentes técnicas radiográficas extrabucais em quatro crânios secos e avaliar quais técnicas radiográficas podem ser utilizadas para a identificação da persistência do Forame de Huschke.

 

MATERIAL E MÉTODO

Para avaliar a presença do Forame de Huschke em exames radiográficos, foram utilizados 4 crânios secos, humanos, 3 de indivíduos adultos onde houve a persistência do Forame de Huschke bilateralmente e um crânio de um indivíduo de aproximadamente 4 anos de idade, onde a presença do Forame está dentro da normalidade. Nestes crânios foram realizadas as técnicas extrabucais, panorâmica (Figura 2A), com o aparelho Orthopantomograph OP-100 (Instrumentarium Imaging - Tuusula, Finland), e as técnicas submentovértex (Hirtz invertida) e tomografia linear lateral corrigida para a ATM (Figura 2B) com o tomógrafo odontológico Quint Sectograph (Denar Corporation, Anaheim, Calif. USA) e posteriormente novas tomadas foram executadas utilizando materiais de contraste como a guta percha (vedando o forame) e o sulfato de bário (nas bordas do forame), para se evidenciar o Forame de Huschke nas radiografias.

 

 

 

 

Após a execução das radiografias, foram realizadas comparações das obtidas com e sem o material de contraste.

 

RESULTADOS

Os resultados encontrados após a realização da tomografia linear lateral corrigida, sem material de contraste, mostraram a presença de uma área radiolúcida de forma elíptica (Figura 3A).

 

 

Quando da utilização do material de contraste sulfato de bário, observamos uma imagem radiolúcida de forma elíptica com um contorno radiopaco (Figura 3B), e quando da utilização da guta percha, notamos a presença de uma imagem radiopaca de forma elíptica (Figura 3C).

 

 

 

 

Estas imagens foram localizadas na parede anterior do meato acústico externo da parte timpânica do osso temporal, apresentando uma comunicação entre o meato acústico externo da parte timpânica do osso temporal, com a fossa mandibular da parte escamosa do osso temporal.

Foram observados na técnica panorâmica, realizada com sulfato de bário, dois pontos radiopacos apresentando entre eles uma comunicação entre o meato acústico externo da parte timpânica do osso temporal, com a fossa mandibular da parte escamosa do osso temporal (Figura 4).

 

 

Na técnica submentovértex, realizada sem a utilização de material de contraste (Figura 5A), observamos uma imagem radiolúcida em forma elíptica.

 

 

Quando da execução da com a guta percha foi observada uma imagem radiopaca elíptica (Figura 5B), estas imagens foram localizadas medialmente e posterior ao côndilo da mandíbula, na parede anterior do meato acústico externo da parte timpânica do osso temporal.

As características das imagens radiográficas obtidas foram as mesmas entre os quatro crânios estudados.

 

DISCUSSÃO

Após o estudo das imagens radiográficas dos quatro crânios secos, encontramos os mesmos resultados entre os quatro crânios, observando a presença do Forame de Huschke na técnica tomografia linear, e com maior dificuldade na técnica submentovértex e panorâmica, em decorrência da sobreposição de estruturas ósseas.

Rosemberg e Graczik (1986) afirmam que a melhor técnica radiográfica capaz de identificar as estruturas que compõem a ATM é a tomografia lateral axial corrigida, embora esta técnica radiográfica não elimine completamente as sobreposições da região da ATM, pois a estrutura que estiver localizada no fulcro de rotação do aparelho aparecerá com maior detalhe, e aquelas que estiverem abaixo ou acima deste ponto aparecerão borradas (Chilvarquer, 1995).

Devido à sobreposição de estruturas ósseas na região da ATM, Holmlund et al. (1986) relataram a dificuldade em examinar a ATM através de radiografias convencionais. Portanto sugerem a tomografia computadorizada como exame de eleição por eliminar as sobreposições desta região.

Ali e Rubinstein (2000) detectaram na Tomografia Computadorizada dos ossos temporais um defeito ósseo na face anterior do canal auditivo, sendo este defeito conhecido como Forame de Huschke.

Quando da comparação das imagens obtidas inicialmente, sem material de contraste, com as imagens obtidas com o material de contraste (guta-percha e sulfato de bário), foi observado que as imagens descritas nas três técnicas radiográficas são compatíveis com a localização anatômica do Forame de Huschke.

 

CONCLUSÃO

O Forame de Huschke pôde ser observado após sua evidenciação com materiais de contraste nas imagens radiográficas dos 4 crânios secos utilizando as técnicas extrabucais, panorâmica, submentovértex (Hirtz invertida) e tomografia linear lateral corrigida para a ATM.

Concluímos que entre as técnicas utilizadas, a tomografia linear mostrou melhores resultados, sendo que a literatura preconiza a tomografia computadorizada como a melhor técnica para visualização do Forame de Huschke.

 

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Endereço para correspondência
Rua João de Souza Dias 43 apto 21 Campo Belo
São Paulo SP 04618-000
Tel. (0xx11) 5535-4789
E-mail: moreno20@terra.com.br

Artigo recebido em 13 de abril de 2005. Artigo aceito em 31 de maio de 2005.

 

 

Faculdade de Odontologia da Universidade Ibirapuera.