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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.72 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992006000200021 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Prevalência do papilomavírus humano (HPV) na cavidade oral e na orofaringe

 

 

Therezita Peixoto Patury Galvão CastroI; Ivo Bussoloti FilhoII

IPós-graduanda (Doutorado) da Disciplina de Otorrinolaringologia da FCMSCSP, Professora assistente da Disciplina de Otorrinolaringologia da UNCISAL e UFAL
IIDoutorado em Medicina (Otorrinolaringologia), Prof. Dr. da Disciplina de Otorrinolaringologia da FCMSCSP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A prevalência do papilomavírus humano (HPV) na cavidade oral e na orofaringe ainda não está bem esclarecida como nos estudos do trato genital, na qual é bem definida. Entretanto, novas pesquisas estão surgindo após o aparecimento dos exames de biologia molecular. Neste estudo foi realizada uma revisão da literatura com o objetivo de verificar a prevalência do papilomavírus humano na cavidade oral e na orofaringe. Os resultados desta pesquisa mostraram uma prevalência do HPV 16 na mucosa oral normal (infecção latente). Já nas lesões benignas orais associadas ao HPV mostraram uma prevalência do HPV 6 e 11 em papilomas de células escamosas e condilomas, e, nas verrugas, uma prevalência do HPV 2 e 57, enquanto na hiperplasia epitelial focal prevaleceram os HPVs 13 e 32, e no câncer oral, principalmente, no carcinoma de células escamosas (CCE), foi evidenciada uma alta prevalência do HPV 16, o que sugere sua participação na carcinogênese oral, apesar de ser um assunto controverso. Constatou-se também uma enorme discrepância nos resultados da prevalência do papilomavírus humano (HPV) na mucosa oral normal (infecção latente) e no câncer oral, enquanto nas lesões benignas associadas ao vírus, os resultados foram confirmatórios.

Palavras-chave: papiloma virus humano, orofaringe


 

 

INTRODUÇÃO

O HPV é a abreviatura utilizada para identificar o Papilomavírus humano, causador do condiloma acuminado (do grego kondilus = tumor redondo e do latim acuminare = tornar pontudo)1.

Os Papilomavírus humanos pertencem a uma grande família de vírus, os papovaviridae. São pequenos, epiteliotrópicos e têm cerca de 55nm de diâmetro. Apresentam um genoma composto de 7200 a 8000 pares de base com peso molecular de 5.2 x 106 daltons. É formado por um capsídeo que possui 72 capsômeros de estruturas icosaédricas, sem envelope lipoprotéico em uma única molécula circular dupla de DNA2-5.

As infecções pelo papilomavírus humano (HPV) são disseminadas e ocorrem em todo o mundo. Os HPVs infectam a pele e as mucosas e podem induzir a formação de tumores epiteliais benignos e malignos6. A infecção é iniciada quando o vírus penetra no novo hospedeiro, através de micro-traumatismos. A progressão da fase de incubação para a de expressão ativa depende de três fatores: da permissividade celular, do tipo de vírus e do estado imunológico do hospedeiro7.

A prevalência do HPV na mucosa oral normal (infecção latente) e câncer oral tem gerado resultados conflitantes. A discrepância observada é atribuída, principalmente, à variação da sensibilidade dos métodos empregados e a fatores epidemiológicos dos grupos de pacientes examinados8.

O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão bibliográfica sobre a prevalência do papilomavírus humano na cavidade oral e na orofaringe pelos métodos de detecção do HPV, imunohistoquímica, hibridização in situ, hibridização Southern blot e reação em cadeia de polimerase, verificando os tipos de HPV prevalentes na mucosa oral normal (infecção latente), nas lesões benignas da cavidade oral e da orofaringe (papiloma de células escamosas, condiloma acuminado, verruga vulgar e hiperplasia epitelial focal) e no câncer oral.

 

REVISÃO DA LITERATURA

Métodos de detecção do HPV

O diagnóstico do papilomavírus humano na mucosa oral pode ser suspeitado pelo exame clínico da lesão, citologia e biópsia. O aspecto citológico da infecção do HPV caracteriza-se por:

A. Critérios maiores: coilócitos clássicos, halos citoplasmáticos perinucleares e displasia nuclear.

B. Critérios menores: disceratócitos, metaplasia imatura atípica, macrócitos e binucleação. Este método tem sensibilidade limitada e não tipa o HPV9,10.

Os métodos usados na detecção do DNA do HPV nas lesões variam amplamente na sua sensibilidade e especificidade11. Estes são divididos em três categorias: os de baixa sensibilidade, que são imunohistoquímica e hibridização in situ, por só detectarem o vírus quando presente em mais de 10 cópias do DNA viral por célula. Os de moderada sensibilidade, que compreendem hibridização Southern blot, dot blot e hibridização dot reversa, por só detectarem o vírus quando de 1 a 10 cópias do DNA viral por célula e o de alta sensibilidade, a reação da polimerização em cadeia, por detectar o vírus em menos de 1 cópia do DNA viral por célula12.

A imunohistoquímica pode detectar o revestimento protéico das partículas virais do HPV que se encontram nas lesões vistas na microscopia óptica em material incluído em parafina ou em preparados citológicos, sendo utilizados anticorpos policlonais contra antígenos específicos a vários tipos de HPV9. A técnica é prejudicada pela disponibilidade limitada de anticorpos contra tipos de HPV específicos, devido à falta de propagação do vírus in vitro. Os anticorpos comercialmente disponíveis são originados contra antígenos do capsídeo de papilomavírus de bovino, com reação cruzada para HPVs13.

Os testes de hibridização são atualmente os métodos de escolha para a detecção do DNA ou RNA do HPV em esfregaços ou amostras de tecidos. São realizados diretamente ou após a amplificação do DNA e RNA pela reação em cadeia da polimerase (PCR). O princípio básico destas técnicas de hibridização é a formação dupla entre a fita única de DNA ou moléculas de RNA ou fita dupla de DNA desnaturado derivado de tipos de HPV clonados e a molécula de ácido nucléico viral presente na célula, que representa o alvo do teste de hibridização10.

A hibridização de Southern blot é utilizada para detecção do DNA do HPV no DNA de biópsias e é considerada como "padrão ouro" para detecção do genoma do HPV. É um teste sensível e altamente específico, consistindo num valioso instrumento de pesquisa, mas não tem aplicação para testes de rotina clínica por ser demorado e trabalhoso10.

Outro método de hibridização recentemente desenvolvido é a captura híbrida (HCA), que não distingue entre os tipos específicos de HPV e a sua aplicabilidade como método de pesquisa é limitado, mas pode representar um bom teste para o uso clínico de rotina10.

A reação em cadeia de polimerase (PCR) é uma técnica que revolucionou a virologia, devido à sua sensibilidade extremamente alta5. Caracteriza-se pela amplificação de quantidades diminutas de seqüência de DNA-alvo em diversos milhões de vezes. É um processo térmico cíclico que inclui três etapas: desnaturação onde a fita dupla de DNA é separada em fitas simples; anelamento, onde os iniciadores anelam especificamente com as suas seqüências complementares de DNA-alvo fita simples, e finalmente, a extensão do iniciador, onde um DNA polimerase termoestável gera fitas "filhas" de DNA que atravessam a região entre dois iniciadores. A partir de então as duplas fitas recém-geradas servem como modelos para um ciclo de PCR subseqüente. Os iniciadores (primers) podem ser: os iniciadores específicos do tipo, que detectam um tipo simples de HPV, ou os iniciadores consensus (também chamados gerais ou genéricos) que detectam um painel de diferentes tipos de HPV em uma única reação14.

A detecção do HPV pela PCR é geralmente realizada utilizando um dos iniciadores consensus, o MY09-MY11 ou o GP5/GP610,15. Atualmente, a PCR permite uma avaliação aprofundada dos dados epidemiológicos, incluindo a prevalência de infecções subclínicas ou latente. Entretanto ela tem as seguintes desvantagens: amplificação de quantidades minúsculas de DNA de HPV contaminantes, que podem levar a resultados falsos positivos. Cada método é limitado pela sensibilidade, pela especificidade, pela prática, pelo custo e pela disponibilidade comercial. A avaliação da eficácia de diferentes técnicas para a detecção do HPV é importante e fundamental para o estabelecimento do papel etiológico do HPV nas lesões orais10,16.

Prevalência do papilomavírus humano na cavidade oral e na orofaringe

A prevalência do HPV na cavidade oral e na orofaringe é incerta. Estudos têm demonstrado resultados duvidosos, com avaliação de pequeno número de pacientes e identificação de alguns dos muitos tipos de HPV que são encontrados em lesões de mucosa17.

Mais de 100 tipos de HPV foram identificados até o presente18,19. Desses, 25 tipos foram associados às lesões orais (HPV-1, 2, 3, 4, 6, 7, 10, 11, 13, 16, 18, 31, 32, 33, 35, 40, 45, 52, 55, 57, 58, 59, 69, 72 e 73)20.

Para explicar a associação da infecção do HPV com várias lesões orais é importante a investigação da prevalência do HPV na mucosa oral normal.

Prevalência do papilomavírus humano na mucosa oral normal

O papilomavírus na mucosa oral normal deve ser investigado através de estudos sobre a história natural da infecção do HPV na cavidade oral. A prevalência do papilomavírus na mucosa oral normal é controversa21.

Observou-se na mucosa oral normal uma grande variação nas taxas detectadas de HPVs em torno de 22% a 60%17, de 0% até 81.1% em estudos usando vários métodos e com um número limitado de indivíduos, o que parece depender da população a ser examinada e da escolha do método16,21. Foi sugerido que a prevalência do HPV na mucosa oral normal incluiu infecções subclínicas e/ou latentes, e que a infecção com um baixo número de cópias do vírus é comum na cavidade oral8.

Na Tabela 1, podem ser observados as técnicas e os resultados obtidos por vários autores quanto à identificação do tipo do HPV na mucosa oral normal.

 

 

Prevalência do papilomavírus humano nas lesões benignas (papiloma de células escamosas - PCE, condiloma acuminado, verruga vulgar e hiperplasia epitelial focal (HEF) da cavidade oral e da orofaringe associadas ao vírus).

Papiloma de células escamosas (PCE) oral e da orofaringe. São tumores benignos, que ocorrem principalmente entre os 30 e 50 anos, embora ocorram também abaixo de 10 anos de idade22. Representam cerca de 8% dos tumores orais em crianças23.

Usualmente, afeta o palato mole, a língua, o freio da língua e o lábio inferior. Na maioria dos casos, os papilomas são únicos e pequenos (<1cm)24. Possuem um crescimento exofítico e aparecem tanto como uma intumescência ovóide de base ampla ou como uma lesão pediculada. A superfície pode apresentar pequenas projeções digitiformes, dando a ela um contorno verrucoso grosseiro. A cor varia desde branca até rosa, dependendo dos graus de queratinização e de vascularização25.

Condiloma acuminado oral e da orofaringe

O condiloma acuminado oral costumava ser considerado uma doença sexualmente transmissível contraída pelo contato oro-sexual. Atualmente a tendência é admitir que o condiloma oral pode ser adquirido não só pelo sexo oral, mas também pela auto-inoculação ou como resultado da transmissão materna20,25,26.

É evidente a semelhança clínica e histológica entre papiloma de células escamosas, condiloma acuminado e verruga vulgar na cavidade oral27. A diferenciação com o PCE é difícil e amplamente acadêmica. Na boca, geralmente se apresentam como pequenos nódulos rosados ou esbranquiçados, que se proliferam em projeções papilares e podem ser pediculados ou sésseis. O contorno da superfície, na maioria dos casos, é mais do tipo "couve-flor" do que de papilomas24. Ocorrem de forma isolada ou múltipla, com freqüência na língua, lábio, palato e soalho da boca28.

No trato genital, os termos papiloma e condiloma foram usados separadamente, até o ano de 1970; desde então as duas lesões são chamadas de condilomas. Esta modificação pode também ser aplicada nas lesões orais, porque o papiloma e condiloma contêm os mesmos tipos de HPV encontrados em condilomas genitais20.

O papilomavírus humano foi detectado em lesões orais condilomatosas, inicialmente pela imunohistoquímica, e depois pelas técnicas de hibridização, com positividade que variam de 75% a 85% para HPV 6 e 1120,24.

Zeuss et al.29, em 1991, consideraram o HPV 6 e 11 como sendo os tipos mais freqüentemente associados com as lesões orais papilomatosas benignas.

Verruga vulgar oral e da orofaringe

A verruga comum ou vulgar é uma das lesões cutâneas mais comuns, especialmente em crianças24. São clinicamente indistinguíveis do PCE e do condiloma, aparecendo como lesão esbranquiçada, séssil, papilomatosa e de superfície grosseira25. Elas estão freqüentemente localizadas nos lábios, palato duro, gengiva e superfície dorsal da língua30. O diagnóstico da verruga oral deve ser restrito a uma lesão apresentando características clínicas e histológicas de uma verruga vulgar da pele, e confirmada pela identificação dos tipos de HPV da verruga cutânea20.

Vários autores demonstraram a presença do vírus em verrugas orais pela imunohistoquímica e testes de hibridização. Observaram uma variação nas taxas detectadas de HPV de 43% a 100% em verrugas orais29, 31,32.

A prevalência do HPV nas verrugas orais parece ser pelo HPV 2, seguido do HPV 57, embora ainda sejam necessários mais estudos na identificação do amplo espectro da infecção oral causada pelos tipos de HPV cutâneos20,33.

Na Tabela 2, são observados as técnicas e os resultados dos estudos de papilomas, condilomas e verrugas na cavidade oral e na orofaringe.

 

 

Hiperplasia epitelial focal (HEF) oral

O termo hiperplasia epitelial focal (HEF) ou doença de Heck foi, inicialmente, introduzido por Archard et al.34 em 1965, para descrever elevações nodulares múltiplas da mucosa oral observada entre esquimós do Alaska e índios da América do Norte e Sul. Raramente observado em caucasiano35. Tem sido descrito também em Israel, África do Sul e Suécia36.

É uma lesão benigna, que pode se localizar na mucosa oral, lábios e língua, e mais notadamente no lábio inferior24,37,38. Clinicamente, é caracterizada por pápulas múltiplas, indolores e amolecidas, de coloração variável entre rosa pálido à cor normal da mucosa. Uma forte história familiar foi sugerida por diversos autores24,25,50.

A etiologia viral tem sido demonstrada inicialmente pela imunohistoquímica, posteriormente pelas técnicas de hibridização com a identificação dos HPVs 13 e 32, os quais foram detectados em 75-100% dos casos32.

Os HPVs 13 e 32 foram considerados específicos da hiperplasia epitelial focal, porém o HPV 32 foi também encontrado em outras lesões orais, mas nunca fora da cavidade oral36,39,40.

Os estudos e seus resultados podem ser observados na Tabela 3.

 

 

Prevalência do papilomavírus humano no câncer oral e na orofaringe

Lamentavelmente, o câncer oral ainda tem uma alta taxa de mortalidade. A sua taxa de incidência varia de uma região para outra, apresentando elevadas taxas na Índia, Sri Lanka, Vietnam, Filipinas, Hong Kong e Taiwan, onde cerca de 30% de todos os cânceres ocorrem na região da orofaringe. A Índia tem aproximadamente 56.000 novos casos a cada ano, e provavelmente está entre as mais altas taxas de incidência do mundo41.

É uma doença que acomete os pacientes em torno de 50 anos, mas evidente entre 60 e 70 anos de idade. O câncer oral inclui as neoplasias malignas das regiões dos lábios, intra-oral e orofaríngea42. O câncer oral é um grave e crescente problema de saúde pública no Brasil, correspondendo a 4% de todos os tipos de câncer, ocupando o oitavo lugar entre os tumores que acometem o homem e o décimo primeiro entre as mulheres43.

A localização mais comum na faringe corresponde aos cânceres na orofaringe, principalmente nas tonsilas palatinas. Entretanto, o câncer lingual compreende 30% destes cânceres44. Aproximadamente 90% destas lesões são localizadas em tecidos moles e se originam de epitélio escamoso20.

O cigarro e o álcool são considerados os principais causadores do câncer oral. Atuam de forma sinérgica e têm efeito dose-dependente12,17. Uma parte da população, porém, desenvolve o câncer oral sem exposição a estes fatores de risco, sugerindo outras causas, como: predisposição genética, dieta e agentes virais, em particular o vírus HPV3,45.

A presença simultânea dos agentes químicos e da infecção do HPV na mucosa oral pode favorecer a transformação maligna46. Entretanto, a participação do HPV como agente etiológico no câncer oral é menor que o consumo do cigarro e álcool porque a prevalência da infecção do HPV é menor que a prevalência do consumo do cigarro e álcool na gênese do câncer oral20,47.

Syrjänen et al.48, em 1983, sugeriram que o HPV pode estar envolvido no desenvolvimento do carcinoma de células escamosas da cavidade oral, ao descreverem alterações citopáticas do HPV em cânceres orais, idênticas àquelas previamente encontradas em carcinoma do colo uterino, embora ainda seja necessária maior comprovação confirmatória por outras técnicas de hibridização do DNA.

Vários estudos evidenciaram o HPV 16 como o tipo mais prevalente no câncer oral, assim como no câncer anogenital24,25,49.

Miller & Johnstone47, em 2001, numa meta-análise, confirmaram uma elevação do HPV nas displasias e carcinomas epiteliais orais em comparação com a mucosa oral normal, principalmente dos genótipos de alto risco. Os resultados indicaram o HPV como um fator de risco independente para o carcinoma oral de célula escamosa.

Herrero et al.50, em 2003, estudando o HPV no câncer oral, observaram uma freqüência maior do HPV 16 na cavidade oral e na orofaringe entre os pacientes com mais de um parceiro sexual e/ou que praticavam sexo oral, enquanto a menor freqüência foi entre os pacientes tabagistas.

De acordo com vários estudos, a taxa de prevalência do HPV no câncer oral variou de 0-100%17,25,29,51-54. Esta variação tão ampla na taxa de detecção do HPV é explicada pelos diferentes métodos de detecção utilizados na pesquisa do HPV25.

Uma das maiores dificuldades em detectar o HPV no câncer oral é a presença deste vírus em apenas uma sub-população de células e o pequeno número de cópias detectado destas células infectadas. Por essa razão são requeridos métodos de detecção de alta sensibilidade55.

Carcinoma verrucoso

O carcinoma verrucoso foi primeiro descrito como uma variante do carcinoma de células escamosas que tem origem na cavidade oral.

Conhecido também como tumor de Ackerman’s. Seu crescimento é exofítico, lento e invasivo apenas superficialmente, com baixo índice de metástase e pode ser tratado com simples excisão. A presença do HPV no carcinoma verrucoso tem sido relatada por vários autores20,32,46,56-58.

Carcinoma de células escamosas (CCE)

Compreende aproximadamente 95% de todos os cânceres orais. Seu aspecto clínico varia de um tumor nodular até uma úlcera crônica. A presença do HPV no CCE é mostrada por vários pesquisadores18,59-62. Inicialmente pelo estudo microscópico, pela imunohistoquímica e mais recentemente pelos testes de biologia molecular20.

Estudos enfocaram a importância do papel do HPV no carcinoma da cabeça e pescoço, como também sugerem que o HPV 16 possa estar envolvido no desenvolvimento de algum carcinoma oral56,60,63.

Na Tabela 4 podem ser observados estudos de carcinoma oral com seus resultados e técnicas.

 

 

MATERIAL E MÉTODOS

Por meio da base de dados MEDLINE e por livros didáticos, foram pesquisados artigos da literatura médica inglesa e portuguesa, de janeiro de 1990 a dezembro de 2003, que relataram sobre a prevalência do HPV pelos métodos de detecção do vírus (imunohistoquímica e exames de biologia molecular) na mucosa oral normal, nas lesões benignas associadas ao vírus (papiloma de célula escamosa, condiloma, verruga vulgar e hiperplasia epitelial focal) e no câncer oral.

No MEDLINE, as palavras-chave detection, human papillomavirus oral, Polymerase Chain Reaction, human papillomavirus, oral cavity, normal oral cavity, oral lesions, papillary lesions, oral condyloma acuminatum, oral warts, oral focal epithelial hyperplasia, oral cancer, squamous cell carcinomas, entre outras, foram usadas isoladamente e em combinação na pesquisa.

A partir da seleção destes trabalhos científicos, foram incluídos também alguns artigos de grande importância sobre HPV oral, publicados em anos anteriores ao período estabelecido na pesquisa.

 

DISCUSSÃO

A prevalência do papilomavírus humano (HPV) na cavidade oral e na orofaringe é considerada incerta, pois diversos estudos mostram resultados discrepantes com uma estimativa de pequeno número de pacientes, e pouca identificação entre os muitos tipos de HPV encontrados em lesões de mucosa17.

O diagnóstico do HPV na mucosa oral e na orofaringe pode ser suspeitado pelo exame clínico da lesão, citologia e biópsia, porém são os exames de biologia molecular que são capazes de detectar o DNA do HPV na célula, destacando-se a reação em cadeia de polimerase (PCR) como a técnica mais sensível para pesquisar o HPV. Entretanto, é importante e fundamental para estabelecer o papel etiológico do HPV nas lesões orais a avaliação da eficácia das diferentes técnicas para a detecção do HPV16.

Na Tabela 1, observa-se uma prevalência do HPV 16 na mucosa oral normal em 16 resultados de 14 autores, pelos métodos de detecção, SB, ISH e PCR, compreendendo 56% de todos os resultados, o que parece depender da população a ser examinada e da escolha do método para detectar o HPV21,16.

Ainda na Tabela 1, observam-se 6 resultados negativos, obtidos pelas técnicas ISH, SB e PCR, os quais compreendem 40% do total dos resultados pesquisados. Provavelmente se deva ao pequeno número de amostras utilizadas nas pesquisas e a dificuldade em detectar o HPV nas amostras de biópsia e swabs.

Dentre os fatores que geram controvérsias sobre a prevalência do HPV na mucosa oral normal, observados na Tabela 1, podemos destacar a grande variação nas taxas detectadas de HPV, de 0% a 100% apesar do uso de métodos mais sensíveis como a PCR; outro fator é a relação entre os resultados e o tamanho das amostras, que variaram de 3 amostras com 100% de positividade para o HPV no estudo de Tominaga et al.64, 1996, chegando até 212 amostras com 15% de detecção de HPV no estudo de Kellokoski et al.65, 1992, evidenciando assim uma enorme discrepância entre os resultados, o que provavelmente se deve a falhas nos métodos de detecção do HPV ou na colheita do material ou, então, por desconhecermos ainda o percurso exato da infecção do HPV na mucosa oral normal32,13,16.

A prevalência do papilomavírus humano nas lesões benignas (papilomas de células escamosas, condilomas e verruga vulgar) da cavidade oral e da orofaringe em 25 resultados de 14 autores foi dos HPVs 6 e 11, em papilomas e condilomas, através dos métodos IHQ, ISH e PCR, e nas verrugas orais, a prevalência foi dos HPVs 2 e 57, pelos métodos IHQ, ISH, HSB e PCR, com um predomínio para o HPV 2. É evidente a presença do HPV em todos os casos, variando de 13% a 100% de positividade, com seus tipos prevalentes conforme a lesão, independente dos métodos utilizados. Provavelmente isso se deva por estas lesões apresentarem um maior número de células contendo o DNA do HPV. Observa-se também o predomínio dos HPVs de baixo risco, principalmente o HPV 6 e 11 justificado por serem os tipos mais freqüentemente associados com as lesões orais papilomatosas benignas29, enquanto os de alto risco, como o HPV 16, só apareceram em 3 resultados.

Na Tabela 3, a prevalência do HPV na hiperplasia epitelial focal oral em 7 resultados de 6 autores foi dos HPVs 13 e 32, através dos vários métodos de detecção, IHQ, ISH, HSB e PCR, com uma variação nas taxas de detecção do HPV de 39% a 100%. Observou-se também que todos os resultados foram HPV positivo, sendo 2 casos sem identificação do HPV, justificado pelo uso da técnica IHQ, o que torna evidente a presença do HPV nesta doença.

Na Tabela 4, observa-se uma variação nas taxas detectadas de HPV de 0% a 74% em 24 resultados de câncer oral de 21 autores; provavelmente se deve aos diferentes métodos de detecção com diferentes sensibilidades e ao tamanho das amostras utilizadas nas pesquisas, de 2 a 100 amostras. Outro fator são as dificuldades em detectar o HPV no câncer oral, devido à presença deste vírus em apenas uma subpopulação de células e ao pequeno número de cópias detectado destas células infectadas55.

Ainda na Tabela 4, constata-se uma alta prevalência do HPV 16, através das técnicas ISH, HSB e PCR, estando presente em 80% de todos os resultados. As taxas detectadas de HPV 16 variaram de 8%, ou seja 2 resultados positivos nas 27 amostras do estudo de Miguel et al.60 (1998), chegando a 80% dos 14 resultados positivos, nas 21 amostras do estudo de Wilczynski et al.62 (1998), o que sugere uma enorme discrepância entre os resultados. Observaram-se também 4 resultados negativos para HPV pelas técnicas IHQ e ISH, que provavelmente se deva à baixa de sensibilidade destas técnicas em relação a PCR e ao pequeno número de amostras. Por isso, requer mais estudos com utilização de diferentes métodos de detecção do HPV para maior confirmação do vírus no câncer oral.

A prevalência do HPV 16 no câncer oral em vários estudos na Tabela 4 não prova que o vírus seja responsável pela doença, mas mostra que pode contribuir para o aparecimento do câncer oral, principalmente no grupo de pacientes não-tabagistas e não-estilistas3,45, ou mesmo na presença simultânea de agentes químicos e da infecção do HPV pode levar à transformação maligna.

Outros fatores que contribuem para aumentar a prevalência do papilomavírus humano na cavidade oral e na orofaringe são: a queda da defesa imunológica do paciente para com o vírus66, a presença de mais de um parceiro sexual e a prática de sexo oral50, o que aumentam as chances de infecção do HPV e sua recorrência.

A prevalência do HPV 16, encontrada nos resultados de câncer oral (Tabela 4) e da mucosa oral normal (Tabela 1), sugere ser o HPV 16 o mais prevalente na cavidade oral e na orofaringe. A comparação da prevalência do HPV entre as Tabelas 1 e 4 valorizaria a relação do HPV na gênese de determinada neoplasia. Contudo, os resultados observados nas tabelas geram controvérsias, as quais são atribuídas, principalmente, à variação da sensibilidade dos métodos empregados, bem como à diversidade das populações estudadas, e ao tamanho das amostras.

 

CONCLUSÃO

A análise da literatura sobre a prevalência do HPV na cavidade oral e orofaringe permite as seguintes conclusões:

1. Dentre as técnicas utilizadas no diagnóstico do HPV, a mais sensível é a PCR;

2. A prevalência do HPV, na mucosa oral normal, apresenta resultados discrepantes;

3. A prevalência do HPV, nas lesões benignas associadas ao vírus, é confirmada;

4. No câncer oral, apesar da prevalência do HPV 16, ainda existe controvérsias com relação à presença do vírus e à carcinogênese oral;

5. Desta forma, são necessários mais estudos com aperfeiçoamento dos métodos utilizados para a detecção do DNA HPV e das técnicas de coletas das amostras (swabs ou biópsia), objetivando menor interferência nos resultados e maior esclarecimento sobre a infecção do HPV, e sua prevalência na cavidade oral e orofaringe, ficando a motivação para continuar a pesquisar o HPV, principalmente, na mucosa oral normal e no câncer oral.

 

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Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBORL em 11 de março de 2005.
Artigo aceito em 14 de setembro de 2005.

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