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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.72 no.3 São Paulo May/June 2006

https://doi.org/10.1590/S0034-72992006000300025 

RELATO DE CASO

 

Hipertensão perilinfática

 

 

João Alcides MirandaI; Fábio Akira SuzukiII; Marcello Henrique de Carvalho BorgesIII

IResidente do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Universitário São Francisco, Bragança Paulista, SP
IIDoutor em Otorrinolaringologia pela UNIFESP - EPM, Chefe do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Universitário São Francisco, Bragança Paulista, SP, Vice-coordenador da Pós-graduação em Otorrinolaringologia do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE)
IIIResidente do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Universitário São Francisco, Bragança Paulista, SP

 

 


Palavras-chave: estapedectomia, gusher, otosclerose.


 

 

INTRODUÇÃO

O Gusher ou fístula perilinfática é uma complicação observada durante a estapedectomia ou a estapedotomia. Caracteriza-se por uma repentina perilinforragia imediatamente após a platinotomia1,2,3. É uma entidade rara, surgindo em apenas 1 para cada 1000 casos operados2,4. Atualmente não existe um consenso entre os autores sobre qual a melhor conduta na presença do Gusher5. A interrupção da cirurgia é a mais preconizada1,2,6.

 

RELATO DE CASO

Mulher, 38 anos, queixando-se de hipoacusia mais acentuada à esquerda há 4 anos com discreta retração da membrana timpânica bilateralmente. A audiometria evidenciou perda condutiva moderada à esquerda e leve à direita; a imitanciometria mostrou curva A e ausência de reflexos estapedianos bilateralmente. Sendo a hipótese diagnóstica a otosclerose, foi indicada estapedectomia à esquerda. Durante a microperfuração da platina do estribo, houve saída de perilinfa em jato (Gusher). A cirurgia foi interrompida, sendo feito o tamponamento do orifício com gordura da concha auricular esquerda, ocorrendo parada da linforragia.

 

DISCUSSÃO

Esta complicação da estapedotomia é um inesperado evento e há ausência de sinais que possam alertar o cirurgião quanto à sua ocorrência1,4. No presente relato, descrevemos um caso de fístula perilinfática, sendo que optamos pela interrupção da cirurgia e tamponamento da janela oval com gordura, já que concordamos com Cassano et al.1, Rocha et al.2 e Hungria6. Couvreur et al.4, estudando 4 pacientes que apresentaram fístula perilinfática intra-operatória, apesar de terem interrompido a cirurgia, mencionam a possibilidade de continuar o procedimento naqueles casos favoráveis, nos quais o orifício de inserção da prótese não esteja muito alargado. Em nosso relato a audiometria pós-operatória evidenciou pequena piora em relação ao exame anterior à cirurgia. Optamos, assim, pelo acompanhamento ambulatorial sistemático.

 

COMENTÁRIOS FINAIS

O Gusher é uma rara complicação da cirurgia otológica e, na sua presença, torna-se extremamente difícil completar o procedimento, não se observando reais benefícios que justifiquem esta conduta.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Cassano P, Decandia N, Cassano M, Fiorella ML, Ettore G. Perilymphatic gusher in stapedectomy: demonstration of a fistula of internal auditory canal. Acta Otorhinolaryngol Ital 2003;23:116-9.

2. Rocha RM, Kós AOA, Tomita S. Estapedectomia e Estapedotomia. Em: Campos CAH, Costa HOO. Tratado de Otorrinolaringologia. 1ª ed. São Paulo: Roca;2002. p. 91-102.

3. Camacho RR, Arellano B, Berrocal JRG. Perilymphatic gushers: myths and reality. Acta Otorrinolaringol Esp 2000;51(3):193-8.

4. Couvreur P, Baltazart B, Lacher G, Filippini JF, Vincey P. Perilymphatic effusion as a complication of otosclerosis. Rev Laryngol Otol Rhinol (Bord) 2003;124(1):31-7.

5. Mello LRP, Soares YCMM, Muzzi O. Hipertensão perilinfática:relato de caso e revisão do assunto. Rev Bras Otorrinolaringol 1997;63(6):601-4.

6. Hungria H. Otosclerose. Tratamento Cirúrgico. Em: Hungria H. Otorrinolaringologia. 8ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000. p. 507-22.

 

 

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBORL em 20 de novembro de 2005.
Artigo aceito em 27 de abril de 2006.

 

 

Trabalho realizado no Hospital Universitário São Francisco, Bragança Paulista.
E-mail: jamiranda78@hotmail.com

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