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Revista Ceres

Print version ISSN 0034-737X

Rev. Ceres (Impr.) vol.58 no.2 Viçosa Mar./Apr. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-737X2011000200013 

PROPAGAÇÃO DE PLANTAS

 

Volumes de substratos comerciais, solo e composto orgânico afetando a formação de mudas de maracujazeiro-amarelo em diferentes ambientes de cultivo1

 

Effect of varying volumes of commercial substrates, soil and organic compost on yellow passion fruit seedling growth in different cultivation conditions

 

 

Edilson CostaI; Léia Carla Rodrigues dos SantosII; Cassia de CarvalhoIII; Paulo Ademar Martins LealIV; Viviane do Amaral GomesV

IEngenheiro Agrícola, Doutor, Unidade de Aquidauana, UEMS, Rodovia Aquidauana - Cera, Km 12, 79200-000 Aquidauana – MS, Brasil, mestrine@uems.br (autor para correspondência)
IIEngenheira-Agrônoma, Mestranda, Unidade de Aquidauana, UEMS, Rodovia Aquidauana - Cera, Km 12, 79200-000 Aquidauana – MS, Brasil, leiasantos_agro@yahoo.com.br
IIIBióloga, Mestranda, Unidade de Aquidauana, UEMS, Rodovia Aquidauana - Cera, Km 12, 79200-000 Aquidauana – MS, Brasil, cassia_pgagro@hotmail.com
IVEngenheiro Agrícola, Doutor, Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Caixa Postal 6011, Barão Geraldo, 13083-970 Campinas - SP, Brasil, pamleal@feagri.unicamp.br
VAluna de Agronomia, Graduanda, Unidade de Aquidauana, UEMS, Rodovia Aquidauana - Cera, Km 12, 79200-000 Aquidauana – MS, Brasil, vivi_maral99@hotmail.com

 

 


RESUMO

Este trabalho teve como objetivo avaliar o crescimento de mudas de maracujazeiro- amarelo em três diferentes tamanhos de recipientes, em três condições de cultivo protegido, utilizando seis diferentes substratos. Foram empregados três ambientes de cultivo: (A1) estufa em arco, coberta de filme de polietileno de 150 μm, abertura zenital e tela termorrefletora de 50% sob o filme; (A2) viveiro agrícola de tela de monofilamento, com 50% de sombra; e (A3) viveiro agrícola de tela termorrefletora, com 50% de sombra. Foram testados três volumes (V1 = xx cm3 -sacolas de polietileno de 7,5 x 11,5 cm; V2 = xx cm33 - sacolas de polietileno 10,0 x 16,5 cm; e V3 = xx cm33 -sacolas de polietileno de 15,0 x 21,5 cm) e seis substratos (S1 = solo; S2 = Plantmax®; S3 = vermiculita; S4 = fibra de coco; S5 = fibra de coco chips; e S6 = Organosuper®, composto orgânico comercial). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em esquema de parcelas subsubdivididas, em que os ambientes foram as parcelas, os recipientes de diferentes volumes as subparcelas e os substratos as subsubparcelas. Aos 50 dias após a semeadura, foram medidos  a altura das plantas, o comprimento da raiz, a massa de matéria seca da parte aérea e das raízes. A partir das massas de matéria seca determinaram-se a relação massa de matéria seca de parte aérea e raiz e massa de matéria seca total. A estufa foi o melhor ambiente quando se utilizou o recipiente de XX cm33 o qual proporcionou mudas maiores, com maior biomassa seca aérea, radicular e total. A vermiculita foi o melhor substrato, porém o solo adubado é uma alternativa menos dispendiosa para a região.

Palavras-chave: Passiflora edulis Sims, estufa, telas de sombreamento, volume de substrato, propagação


ABSTRACT

This study aimed to evaluate the growth of passion fruit seedlings in three different sizes of containers, under three conditions for protected cultivation, using six different substrates. Three environments of cultivation were used: (A1) greenhouse in arch, covered with polyethylene film of 150μm, zenith opening and reflector thermal screen under film, with 50 % of shading; (A2) nursery with monofilament screen, with 50 % of shading, and (A3) nursery with reflector thermal screen, with 50% of shading. Three polyethylene bags were tested (V1 = xx cm33,  7.5 cm x 11.5 cm, V2 = xx cm33,10.0 cm x 16.5 cm and V3 = xx cm33, 15.0 cm x 21.5 cm), and filled with six substrates (S1 = soil, S2 = Plantmax ®; S3 = vermiculite, S4 = coconut fiber; S5 = chips coconut fiber and S6 = commercial organic compound). The experimental design was a completely randomized in sub-sub-plot scheme, where the environments were plots, the containers were subplots and substrates were sub-subplots. At 50 days after sowing was measured plant height, root length, aerial and root dry mass. From the dry mass was determined the ratio of aerial and dry mass and total mass. The greenhouse was the best environment when used with the bag 15.0 x 21.5 cm, which promoted plants bigger, with aerial, root and total dry biomass higher. The vermiculite was the best substrate, but fertilized soil is a less expensive alternative for the region.

Key words: Passiflora edulis Sims, greenhouse, shade net, polyethylene bags, propagation.


 

 

INTRODUÇÃO

O maracujazeiro-amarelo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Deg) pertence à família Passifloraceae, compreendendo 12 gêneros e cerca de 600 espécies, com distribuição tropical nas Américas e na África. É botanicamente definido como planta herbácea, trepadeira, provida de gavinhas, com flores vistosas e grande vigor vegetativo (Joly, 2002).

Na cadeia agroindustrial, essa fruteira exerce importante destaque na área alimentícia, cosmética e medicinal. Essa importância evidencia-se desde a fase de formação da muda até a comercialização dos frutos e subprodutos, originando empregos e renda. Para a formação das mudas, técnicas adequadas, como melhoria do microclima de produção, volumes de recipientes, substratos, irrigação e nutrição, promovem plantas sadias e vigorosas para a formação dos pomares. Ribeiro et al. (2005) destacam que as mudas de qualidade respondem por 60% do sucesso da produção a campo. Na propagação por mudas, a utilização de substratos (Minami, 2000), recipientes (Minami, 1995; Sousa et al., 1997) e ambientes protegidos (Segovia et al., 1997; Sousa et al., 1997) são técnicas que buscam a expressão do máximo potencial produtivo da planta. Além dessas, sementes certificadas, irrigação, adubação e correto manejo fitotécnico e fitossanitário são importantes.

Um importante requisito na formação de mudas é o ambiente de cultivo (Segovia et al., 1997; Sousa et al., 1997). Mudas provenientes de ambientes protegidos apresentam maior porte e vigor, com melhores resultados a campo (Zanella et al., 2006; Cavalcante et al., 2002), podendo garantir rápida formação do pomar, homogeneidade da cultura e precocidade da colheita (Franco & Prado, 2008).

O recipiente tem influência na quantidade de insumos utilizados na produção de mudas, pois seu tamanho demanda o volume de substrato a ser utilizado e também o espaço que irá ocupar no viveiro (Queiroz & Melem Junior, 2001). As sacolas de polietileno com volumes de xx e xx dm3,  nas dimensões de 10 x 25cm (Verdial et al., 2000) e 15 x 25 cm (Costa et al., 2009) têm se destacado na formação de mudas de maracujazeiro, propiciando mudas vigorosas.

Misturas de composto orgânico com + areia e + solo, na proporção de 1:1:3 (v/v) (Mendonça et al., 2006); solo com + composto orgânico e + vermiculita, na proporção de 1:1:1 (v/v) (Costa et al., 2009); turfa com + bagaço de cana,  na proporção de 1:1(v/v) (Biasi et al., 1995); e areia com + esterco e + vermiculita, na proporção de 1:1:1 (v/v) (Oliveira et al., 1993), podem ser indicadas na produção de mudas de maracujá-amarelo.

Em razão da grande importação de produtos hortifrutigranjeiros (80%) pelo Estado de Mato Grosso do Sul, devido à produção insuficiente, e verificando a importância que a fase de produção de mudas apresenta dentro da cadeia produtiva, este trabalho teve como objetivo avaliar o crescimento de mudas de maracujazeiro empregando substratos comerciais, solo e composto orgânico em diferentes ambientes e volumes de sacolas de polietileno.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento visando à produção de mudas de maracujazeiro-amarelo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Deg) foi desenvolvido no período de 10 de dezembro de 2008 a 29 de janeiro de 2009  na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul,  Unidade Universitária de Aquidauana, que se localiza a 147 m de altitude, -20° 28' 16'' de latitude e -55° 47' 14'' de longitude. O clima da região, de acordo com a classificação de Köppen, é Aw, definido como clima tropical úmido e com temperatura média anual de 29 ºC.

Foram utilizados três ambientes de cultivo: (A1) estufa agrícola em arco (6,40 x 18,00 x 4,00 m) de estrutura em aço galvanizado, com abertura zenital na cumeeira, coberta com filme polietileno de baixa densidade com espesssura de 150 μm, difusor de luz, possuindo tela termorrefletora de 50% sob o filme e fechamentos laterais e frontais com tela de monofilamento, malha para 50% de sombra; (A2) viveiro agrícola telado, de estrutura em aço galvanizado (6,40 x 18,00 x 3,50 m), fechamento em 45º, com tela de monofilamento, malha com 50% de sombra (sombrite®); e (A3) viveiro agrícola telado de estrutura em aço galvanizado (6,40 x 18,00 x 3,50 m), fechamento em 45º com tela termorrefletora com 50% de sombra (Aluminet®). Foram utilizadas três sacolas de polietileno com diferentes tamanhos e volumes: V1 (205,9 cm3, 7,5 x 11,5 cm,); V2 (525,2 cm3, 10,0 x 16,5 cm,); e V3 (1.539,8 cm3,15,0 cm x 21,5,), preenchidas com substratos comerciais, solo e composto orgânico, sendo: (S1) solo; (S2) Plantmax®; (S3) vermiculita; (S4) fibra de coco fina; (S5) fibra de coco chips; e (S6) composto orgânico comercial Organosuper®.

Foi utilizado o delineamento inteiramente casualizado, em esquema de parcelas subsubdivididas, (3 ambientes x 3 volumes de recipientes x 6 substratos), com oito repetições (plantas), sendo as parcelas principais os ambientes de cultivo, as subparcelas as sacolas de polietileno e as subsubparcelas os substratos.

O solo utilizado, classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo, foi obtido da área da Unidade Universitária de Aquidauana (UUA), na camada de 10 a 40 cm, e o composto orgânico comercial, produzido pela empresa Organoeste (Organosuper®) (Tabela 1). Os substratos de S1 a S5 foram adubados com 14% de composto orgânico comercial (Organosuper®), em volume, e doses de 2,5 kg de superfosfato simples (P2O5),  0,3 kg de cloreto de potássio (KCl) e 1,5 kg de calcário dolomítico (PRNT) por metro cúbico de substrato. Todos os substratos ficaram em repouso por 10 dias antes da realização da semeadura, dentro dos ambientes, e irrigados manualmente. O mesmo procedimento de irrigação foi utilizado ao longo do experimento.

A semeadura ocorreu no dia 10/12/2008, com duas sementes por recipiente. No dia 05/01/2009 foi realizado o desbaste, permanecendo uma planta por recipiente. Aos 50 dias após a semeadura (DAS), foram medidos a altura das plantas (AP), do colo até o ápice, o comprimento da raiz (CR), a massa de matéria seca da parte aérea (MSA) e a massa de matéria seca das raízes (MSR). A partir das massas de matéria seca determinou-se a relação massa de matéria seca da parte aérea e raiz (RMS) e massa de matéria seca total (MST). Foram anotadas as temperaturas de bulbo seco e de bulbo úmido nos horários de 09, 12 e 15 h de cada ambiente de cultivo, no período de 10 de dezembro de 2008 a 29 de janeiro de 2009. Posteriormente, obteve-se a umidade relativa com auxílio do software Psychrometric Function Demo (Tabela 1).

Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade, utilizando o software Estat (1994).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os ambientes apresentaram temperaturas semelhantes (Tabela 1), concordando com Guiselini & Sentelhas (2004), os quais destacaram que a temperatura média do ar interno de estufas, com associação de telas (monofilamento ou termorrefletoras), não apresenta diferenças significativas, embora em termos de radiação a malha termorrefletora promova menor transmitância, menor absorção e maior refletância, favorecendo a disponibilidade de maior quantidade de radiação difusa às plantas. As temperaturas e umidades relativas do ar nos ambientes de cultivo foram muito próximas nos horários de coleta (Tabela 1), mesmo assim o crescimento das mudas apresentou diferenças nesses ambientes (Tabela 2). Provavelmente outros fatores micro-meteorológicos podem ter inferido nessas diferenças (luminosidade e radiação fotossinteticamente ativas), assim como a própria estrutura da cobertura, em que os ambientes telados propiciavam a entrada de água pluvial.

O comprimento do sistema radicular (CR) não apresentou diferenças significativas para os ambientes de cultivo e para a interação ambiente de cultivo e recipiente. A relação entre a massa de matéria seca da parte aérea e da raiz (RMS) também não apresentou diferenças significativas para os ambientes de cultivo. As demais variáveis apresentaram diferenças significativas (Tabela 2).

Na estufa agrícola (A1) e no viveiro com tela termorrefletora (A3) o recipiente de 1.539,8 cm3 (V3) propiciou mudas mais altas e maiores acúmulos de biomassa. No viveiro com tela de monofilamento (A2), esse recipiente apresentou plântulas com maior massa de matéria seca aérea, maior relação parte aérea / raiz e maior massa de matéria seca total; no entanto, a altura das mudas e as massas de matéria seca radiculares foram similares às obtidas no recipiente de 525,2 cm3 (V2) (Tabela 2). Os resultados de recipientes com maiores volumes apresentando mudas com melhores características estão de acordo com Ribeiro et al. (2005), Oliveira et al. (1993) e Costa et al. (2009), que também observaram melhor desenvolvimento das mudas de maracujá em recipientes com maior volume de substrato, devido ao maior espaço para desenvolvimento do sistema radicular e disponibilidade de nutrientes e água. Em mudas de mamona, Lima et al. (2006), analisando o efeito do volume do recipiente na altura, diâmetro do colo, a área foliar e as biomassas radiculares e de parte aérea, verificaram que os recipientes com maiores volumes foram mais apropriados.

Os ambientes de cultivo promoveram resultados similares para o acúmulo de biomassa no recipiente com menor volume (V1). Porém, nesse recipiente as maiores mudas foram obtidas no ambiente A2, que apresentou mudas com altura similar às obtidas no ambiente A1. No V2 os ambientes A1 e A2 promoveram plantas com maiores valores em todas as variáveis, mas para as plantas dos ambientes A1e A3 as alturas não apresentaram diferenças. No V3 a estufa propiciou os melhores resultados, com plantas maiores e de maiores biomassas (Tabela 2). Costa et al. (2009) encontraram que a tela de monofilamento, 50% de sombreamento, promoveu maiores plantas que a estufa, porém a estufa possuía menores dimensões, sem abertura zenital e sem Aluminet® sob o filme. Verifica-se que as tecnologias empregadas na estufa propiciam melhor vigor às plantas, maior crescimento e acúmulo de biomassa, permitindo melhor troca de ar em função de maior altura e da abertura zenital, assim como maior radiação difusa devido à tela sob o filme.

A relação entre a massa seca aérea e radicular na interação ambiente e recipiente (Tabela 2) mostra que, em todos os ambientes, as plantas cultivadas no recipiente V3 apresentaram maior RMS que os recipientes com menor volume (V1 e V2). Nesse recipiente (V3) o melhor desenvolvimento radicular acarretou maior crescimento da parte aérea da planta, com maior acúmulo de biomassa, não apresentando diferenças significativas entre os ambientes de cultivo para essas variáveis. A estufa, que não diferiu do Aluminet® para a RMS das mudas, promoveu plantas com maior RMS que as do sombrite para o V1, e para o V2 o Aluminet® foi o ambiente que apresentou plantas com menor RMS.

Houve acúmulo de biomassa seca total diferenciado e gradativo nos recipientes, com maiores acúmulos nas plantas do V3, V2 e V1, respectivamente, para os três ambientes. Para os menores recipientes a biomassa seca total das mudas nos ambientes não diferiu, porém para o V3 foi maior na estufa (Tabela 2).

As mudas produzidas no recipiente V1 (205,9 cm3) foram menos vigorosas (Tabelas 2 e 3), talvez devido ao menor volume de substrato, restringindo o desenvolvimento radicular. Segundo Verdial et al. (2000), mudas de maracujazeiro produzidas em sacolas de 10,0 x 25,0 cm (796 cm3) foram mais vigorosas do que as em tubetes de 3,5 x 15,0 cm (120,0 cm3) e bandejas de isopor de 128 células (34,6 cm3), assim como Ribeiro et al. (2005) destacaram que as sacolas de 5,5 x 22,0 cm (212,0 cm3) formaram melhores mudas que tubetes de 14,5 x 3,5 cm (120,0 cm3). Em mudas de mamoeiro, Mendonça et al. (2003) verificaram que as sacolas de polietileno de 750,0 cm3 proporcionaram melhores resultados que bandejas com células de 70,0 cm3 e tubetes de 50,0 cm3. Todos demonstrando que maior volume produz mudas mais vigorosas.

As interações entre ambientes x substratos (A x S) e recipientes x substratos (V x S) para as variáveis AP, MSA, MSR e MST demonstraram que a vermiculita (S3) apresentou os melhores resultados, com as maiores médias dessas variáveis no recipiente V3 (Tabela 3). Esse resultado está de acordo com o Minami (2000), Negreiros et al. (2004) Costa et al. (2009), pois a vermiculita possui grande capacidade de aeração e retenção de água, propiciando melhor desenvolvimento da muda. Da mesma forma, Aguiar et al. (1989) verificaram que a vermiculita foi o melhor substrato para a produção de mudas de eucalipto em tubetes. Oliveira et al. (2008) destacaram a vermiculita e o pó de coco na produção de mudas de pimentão e alface; no entanto, no presente experimento observou-se que a fibra de coco (S4) foi um dos piores substratos utilizados.

O substrato de composto orgânico (S6) e a fibra de coco chips (S5) foram ineficientes no desenvolvimento do sistema radicular das mudas de maracujazeiro, como pode ser observado pela MSR (Tabela 3). No S6, mesmo com maior quantidade de nutrientes disponíveis para a planta, a quantidade de matéria orgânica (Tabela 1) poderia estar elevando a relação C/N (carbono/nitrogênio), imobilizando o nitrogênio e demandando maior tempo de estabilização biológica. As partículas maiores do substrato S5 facilitaram o processo de ressecamento, carreando os nutrientes para o fundo da sacola, além de diminuir o contato entre o substrato e as raízes, consequentemente aumentando a resistência à absorção de água (Kramer & Boyer, 1995) e promovendo menores acúmulos de biomassa radicular

O comprimento do sistema radicular (CR) das plantas do substrato S3 foi similar ao do S2 no ambiente A3; similar aos dos S2 e S5 no ambiente A2; e similar aos dos S2, S4 e S5 no ambiente A1. O CR das plantas do S3 foi similar aos do S2 e S4 nos recipientes V3 e V1 e similar ao do S2 no V2. As plantas dos substratos S1 e S6 foram as que apresentaram menores valores de comprimento das raízes. O CR não expressa adequadamente o comportamento de desenvolvimento das mudas dos substratos nos recipientes, pois pode ter havido enovelamento do sistema radicular devido à altura da sacola (Tabela 3).

No recipiente V3 as mudas do substrato solo (S1), além das da vermiculita (S3), apresentaram maior acúmulo de biomassas aérea, radicular e total que as dos demais substratos comerciais, superando as plantas do Plantmax® (S2), as das fibras de coco (S4 e S5) e as do Organosuper® (S6) (Tabela 3), sendo uma alternativa barata e disponível na região. Provavelmente a adubação com 14% de composto orgânico e adubo mineral tenha propiciado maior quantidade de nutrientes disponíveis e condições favoráveis ao maior acúmulo de biomassas, além de promover melhor aeração e retenção de umidade. Pio et al. (2004) destacaram que a adição de até 1/3 de matéria orgânica no volume favorece o desenvolvimento do maracujazeiro-amarelo, explicitando a mistura terra, areia e esterco (1:1:1 v/v) ou (2:1:1 v/v).

Do S1 ao S5 as plantas do recipiente V3 apresentaram maior RMS que as dos demais, porém para o S6 foram as plantas do V1. Para o S1, S2, S4 e S5 as mudas da estufa tiveram maior RMS, não diferindo das do sombrite para o S4 e S5 e das do Aluminet® para o S2. Para o S3 a maior relação foi encontrada nas plantas do sombrite e no S6 nas do aluminet. Nos ambientes A1, A2 e A3 e nos recipientes com menores volumes (V1 e V2) o composto orgânico (S6) apresentou plantas com maior RMS, não diferindo das plantas do solo (S1) na estufa agrícola (A1). No recipiente com maior volume as mudas da fibra de coco chips tiveram a maior relação (Tabela 3).

Dos substratos de S3 a S6 os ambientes de cultivo apresentaram plantas com massa seca total sem diferenças significativas, já para o solo S1 e plantmax® S2 as massas secas das mudas da estufa agrícola (A1) foram maiores, não diferindo das do sombrite A2 para o S2 (Tabela 3).

 

CONCLUSÕES

A estufa plástica com abertura zenital e tela sob o filme promoveu o melhor ambiente de formação da muda quando se utilizou o recipiente 15,0 x 21,5 cm.

O recipiente de 1.539,8 cm3, 15,0 x 21,5 cm, trouxe os melhores resultados para as mudas, porém o recipiente de 525,2 cm3,10,0 x 16,5 cm, pode ser uma alternativa, por necessitar de menos substrato e ocupar menor espaço no ambiente.

A vermiculita foi o melhor substrato, porém o solo adubado constitui-se uma segunda alternativa, por ser menos dispendiosa para a região.

 

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Recebido para publicação em março de 2010 e aprovado em março de 2011

 

 

1 Extraído de trabalho de conclusão de curso. Apoio financeiro: Pró-Reitoria de Pesquisa - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - UEMS.

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