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Revista Ceres

Print version ISSN 0034-737XOn-line version ISSN 2177-3491

Rev. Ceres vol.62 no.5 Viçosa Sep./Oct. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0034-737X201562050002 

Melhoramento Vegetal

Avaliação de clones de seringueira para a região noroeste do Estado de São Paulo1

Evaluation of rubber-tree clones for the northwest region of São Paulo State

Hernandes Martins Alem2  * 

Lígia Regina Lima Gouvêa3 

Guilherme Augusto Peres Silva4 

Andre Luíz Bombonato de Oliveira5 

Paulo de Souza Gonçalves6 

2Instituto Agronômico (IAC), Campinas, São Paulo, Brasil. hagittdr@gmail.com

3Instituto Agronômico (IAC), Campinas, São Paulo, Brasil. lgouvea@iac.sp.gov.br

4Instituto Agronômico (IAC), Campinas, São Paulo, Brasil. silva.gap@gmail.com

5Instituto Agronômico, Campinas, São Paulo, Brasil. deh.bombonato@hotmail.com

6Instituto Agronômico (IAC), Campinas, São Paulo, Brasil. paulog@iac.sp.gov.br

RESUMO

São Paulo é o Estado no qual clones de seringueira (Hevea brasiliensisWilld. ex Adr. de Juss.) Muell. Arg. têm apresentado maior produtividade de borracha, no Brasil. O objetivo deste estudo foi avaliar a produção de borracha e o vigor de 14 clones de seringueira, implantados na região de Votuporanga, além de averiguar mudanças na tendência da correlação anual, para analisar a possibilidade de uma seleção precoce, com base nos caracteres estudados. Para isso, a produção de borracha, em gramas árvore-1sangria-1, foi avaliada, utilizando-se o sistema de sangria 1/2S d/4 5d/7 11m/y ET 2,5%. O período de avaliação da produção de borracha foi de oito anos. O vigor, também, foi analisado, medindo-se o perímetro do caule por 16 anos. Os clones IRCA 111 e PB 235 tiveram os melhores desempenhos de produção de borracha. Os clones IAC 15 e IAC 44 apresentaram os melhores resultados de vigor. As correlações genéticas e fenotípicas foram significativas e positivas entre todos os anos de produção. Para o vigor, a significância dos coeficientes de correlação genotípica e fenotípica diferiram na pré-sangria e na pós-sangria. Pelos valores de produção de borracha observados, os clones IRCA 111 e PB 235 são considerados favoráveis à recomendação em pequena escala para a região de Votuporanga. Com base nos resultados obtidos, é possível realizar uma seleção precoce para o caráter de produtividade, usando-se os dados obtidos no primeiro ano de avaliação. Por causa das diferenças observadas entre os períodos de pré-sangria e pós-sangria, não é aconselhável realizar uma seleção precoce no período de pré-sangria, visando ao caráter de vigor.

Palavras-chave: Hevea brasiliensis; Correlação de Pearson; Produção de Borracha; Vigor.

ABSTRACT

Clones of rubber-tree [Hevea brasiliensis (Willd. ex Adr. de Juss.) Muell. Arg.] have achieved the highest yields of rubber in the State of São Paulo, Brazil. The objective of this study was to evaluate the yield and vigor of 14 rubber-tree clones cultivated in the region of Votuporanga and determine changes in the trend of annual correlation to examine the possibility of an early selection based on the studied characters. The yield of rubber was evaluated in the 1/2S d/4 5d/7 11m/y ET 2,5% tapping system, for a period of eight years. Vigor was also examined by measuring the girth for 16 years. The clones IRCA 111 and PB 235 showed the best yield performance. The best results of vigor, was achieves by clones IAC 15 and IAC 44. Genetic and phenotypic correlations were significant and positive for all production years. The significance of the genotypic and phenotypic correlation coefficients of vigor differed in the pre and post-tapping periods. Considering the rubber production ​​found, the clones IRCA 111 and PB 235 can be recommended for small scale cultivation in the region of Votuporanga. The results showed that is possible to make an early selection for yield character, using the data obtained in the first year of evaluation. Because of the differences found in pre and post-tapping, it is not advisable to make an early selection for vigor in the pre-tapping period.

Keywords: Hevea brasiliensis; Pearson Correlation; Rubber Yield; Vigor.

Introdução

A borracha natural é um hidrocarboneto cuja fórmula química é um polímero de poli(cis-1,4-isopreno) (Rippel & Bragança, 2009). Este hidrocarboneto está presente em mais de 7.500 espécies vegetais, dentre as quais a Hevea brasiliensis(Willd. ex Adr. de Juss.) Muell. Arg., pertencente à família das Euphorbiaceae, é a espécie mais utilizada para exploração comercial, pela qualidade e quantidade de látex que produz (Gonçalves & Fontes, 2009).

Diferentemente de outros polímeros, a borracha natural apresenta certas características físico-químicas únicas, sendo, portanto uma matéria-prima insubstituível para mais de 50 mil produtos industrializados, como pneus, adesivos, couro vegetal, materiais cirúrgicos e uma diversa gama de outros produtos (Rippel & Bragança, 2009).

Segundo Martins & Arruda (1993), a primeira exportação significativa de borracha natural, realizada pelo Brasil, ocorreu no ano de 1827, sendo o País o maior produtor mundial de borracha natural até 1912, quando teve sua produção superada pela de países do sul da Ásia. A primeira importação brasileira de borracha natural ocorreu em 1951, fazendo com que o país trocasse a condição de exportador para importador.

A produção mundial de borracha natural, no ano de 2013, ficou próxima de 12.036 mil toneladas, da qual o Brasil participou com 173,2 mil toneladas (IRSG, 2013). O Estado de São Paulo foi responsável por mais de 50% da produção nacional (APABOR, 2014), comercializada a um preço médio de R$ 2,51 por quilo do coágulo.

As primeiras produções de látex eram obtidas exclusivamente de árvores (pés-franco) oriundas de polinização aberta, o que acarreta falta de homogeneidade na produção e no desenvolvimento das seringueiras. No Brasil, a produtividade média ficava próxima de 400 kg de borracha seca por hectare ao ano (kg há-1ano-1). Hoje com técnicas de cultivo modernas e graças a programas de melhoramento genético, existem clones com capacidade de atingir produções de 2.500 kg há-1 ano-1(Gonçalves & Fontes, 2009).

O Estado de São Paulo conta com um programa de melhoramento, visando ao aumento da produção, associado a outras características secundárias desejáveis, como vigor, espessura de casca e outros (Aguiar et al., 2012). O vigor, medido pelo perímetro de caule, é o caráter mais importante para determinar a precocidade do clone, permitindo que o heveicultor tenha um retorno mais rápido do seu investimento.

Segundo Kumar & Lee (2003), a utilização da correlação ano a ano é relatada em diversos trabalhos para seleção com coníferas, pois o mesmo caráter da planta avaliado nos anos anteriores possibilita antecipar a tendência de seu desenvolvimento com precisão significativa, dentro de limites do parâmetro de desenvolvimento, sendo necessário realizar estudos para se conhecer o período destes intervalos de correlação na espécie arbórea analisada.

O objetivo deste trabalho é identificar clones com alta capacidade de produção e vigorosos, visando à recomendação para o plantio na região noroeste do Estado de São Paulo, além de averiguar a presença de mudanças na tendência do desenvolvimento na correlação anual da seringueira, durante o período analisado.

Material e Métodos

O experimento foi avaliado no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, em Votuporanga, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC), localizado em 20º20' S e 49º58' W e na altitude de 510 m do nível do mar. Situado na região noroeste do Estado de São Paulo, destaca-se pelo clima tropical Aw, segundo a classificação de Köppen, com temperatura média anual de 22,8 (C, precipitação anual próxima de 1,437 milímetros, com chuvas distribuídas principalmente entre os meses de outubro a março. O solo caracteriza-se como Argissolo Vermelho-Amarelo eutrófico, com perfil A moderado de textura arenosa a média.

Para o experimento, foram utilizados os clones IAC 15, IAC 35, IAC 41, IAC 44, IAC 113, IRCA 111, PB 28/59, PB 235, PB 252, PB 260, PB 330, RRIM 606, RRIM 725 e, como testemunha, o clone de RRIM 600, por sua adaptação e por ser o clone mais plantado no Estado de São Paulo. As especificações dos parentais e a origem de cada clone podem ser observadas na Tabela 1.

Tabela 1: Parentais e origem dos 14 clones de seringueira, avaliados no experimento instalado no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC) e situado em Votuporanga, na região noroeste do Estado de São Paulo 

IAC: Instituto Agronômico de Campinas; IAN: Instituto Agronômico do Norte; F: Ford (clone primário); Fx: Cruzamento Ford; AVROS: Algemene Vereniging Rubberplanters Oostkust Sumatra; Tjir: Tjirandji; Pil: Pilmoor; PB: Prang Besar; PR: Proefstation voor Rubber; RRIM: Rubber Research Institute of Malaysia; IRCA: Institute de Recherches sur le Caoutchouc; PBIG: Prang Besar Isolated Garden; ill: illegitimate.

O delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições e 30 plantas por parcela. O espaçamento utilizado foi de 8,0 metros entre linhas e 2,5 metros entre plantas, que corresponde a 500 plantas por hectare. As mudas foram preparadas por meio da técnica de enxerto por janela tradicional e o porta-enxerto utilizado foi obtido de sementes do clone GT1.

A avaliação de produção foi realizada pelo sistema de sangria 1/2S d/4 5d/7 11m/y ET 2,5%, que significa corte em meia espiral (1/2S), a cada quatro dias (d/4), com atividade de sangria em cinco dias por semana (5d/7), aplicando-se estimulante ethefon, na concentração de 2,5% do princípio ativo (ET 2,5%), diretamente no painel de sangria, a pinceladas, com atividades realizadas durante 11 meses ao ano (11m/y), não a realizando no período da senescência do seringal.

Na avaliação anual da borracha seca para os cálculos de produção, no primeiro ano, em um hectare com 500 árvores, foram sangradas 300 árvores aptas à sangria (60% do stand); no segundo ano utilizaram-se 425 árvores (85% do stand); no terceiro ano foram 475 árvores (95% do stand) e, do quarto ano em diante, 500 árvores por hectare (100% do stand), sendo 72 sangrias por árvore ao ano. Duas amostras foram coletadas, mensalmente, de látex coagulado nas canecas, sendo deixados para secar na sombra e em ambiente ventilado por cerca de três meses, até ser verificado um peso constante, para determinar-se a quantidade de sólidos totais nas amostras. O peso total mensal da amostra de cada árvore do clone foi dividido pelo número de meses, e o resultado expresso em g sangria-1 árvore-1.

O perímetro foi avaliado ano a ano, medindo-se, inicialmente, na altura de 0,5 metro do calo de enxertia e, a partir do segundo ano de desenvolvimento, passou-se a medir na altura de 1,20 metros do calo de enxertia.

Os dados anuais obtidos no experimento foram submetidos à análise de variância com o programa estatístico GENES (Cruz, 2013). Na análise, utilizou-se o delineamento em parcelas subdivididas, considerando-se cada parcela um clone e as subparcelas os anos analisados.

As análises de variâncias e covariância, genéticas e fenotípicas foram realizadas para cada ano do experimento, assim como a comparação das médias com a testemunha, para os caracteres de produção e perímetro do caule. Coeficientes de correlações genotípicas e fenotípicas entre as médias dos anos de produção, assim como para o perímetro anual, também foram obtidos de acordo com as equações:

, Onde:

Correlação fenotípica entre os caracteres x e y.

Covariância fenotípica entre os caracteres x e y.

Variância fenotípica da população clonal para o caráter x.

Variância fenotípica da população clonal para o caráter y.

Correlação genética entre os caracteres x e y.

Covariância genética entre os caracteres x e y.

Variância genética da população clonal para o caráter x.

Variância genética da população clonal para o caráter y.

Resultados e Discussão

O efeito dos clones foi significativo (p < 0,01) para o caráter produção de látex, nos oito anos avaliados (Tabela 2), evidenciando-se, assim, a variabilidade genética. Os coeficientes de variação apresentam níveis entre baixo e médio, segundo a classificação de Gomes (2009), com os valores mínimos e máximos variando entre 9,2 e 18,7%, respectivamente. Estes valores, para esta variável, nesta cultura, estão dentro dos limites observados em outros trabalhos, como os de Costa et al. (2008), Gonçalves et al. (2011) e Moraes et al. (2013).

Tabela 2: Valores dos quadrados médios, coeficientes de variação (CV) e média geral da produção, em gramas de borracha seca por sangria por árvore, referentes à análise de variância dos 14 clones de seringueira do experimento de avaliação em grande escala, instalado no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC) e situado em Votuporanga, na região noroeste do Estado de São Paulo 

** Significativo a 1% de probabilidade.

** Significativo a 1% de probabilidade.

As médias de produção obtidas dos 14 clones avaliados durante oito anos de análise estão apresentadas na Tabela 3, assim como a comparação de desempenho em relação à testemunha, analisadas pelo teste de Tukey, a 5% de significância.

Tabela 3: Médias anuais de oito anos de produção de borracha natural seca, obtida dos 14 clones do experimento de avaliação em grande escala, instalado no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC) e situado em Votuporanga, na região noroeste do Estado de São Paulo 

1Sistema de sangria 1/2 S d/4 ET 2,5%. Considerou 72 sangrias ano-1e 300 árvores ha-1aptas à sangria.

2Sistema de sangria 1/2 S d/4 ET 2,5%. Considerou 72 sangrias ano-1e 425 árvores ha-1aptas à sangria.

3Sistema de sangria 1/2 S d/4 ET 2,5%. Considerou 72 sangrias ano-1e 475 árvores ha-1aptas à sangria.

4Sistema de sangria 1/2 S d/4 ET 2,5%. Considerou 72 sangrias ano-1e 500 árvores ha-1aptas à sangria.

5Testemunha.

Médias com letras diferentes diferem estatisticamente entre si no teste de diferença mínima significativa pelo método de Tukey com 5% de probabilidade.

O clone PB 235 apresentou bom desempenho de produtividade, mostrando-se 13% superior à testemunha, com uma média de 1.636 kg ha-1ano-1. Resultado similar foi obtido por Gonçalves (1998), na região de Tabapuã, com uma média de 1.648 kg ha-1ano-1.

Na análise de vigor, o efeito dos clones foi significativo (p < 0,01) nos períodos de pré-sangria e pós-sangria analisados (Tabela 4), indicando a presença de variabilidade genética para o caráter vigor na população, com diferentes clones analisados. Os valores observados nos coeficientes de variação dos anos são classificados em baixo e médio, segundo a classificação de Gomes (2009). Os valores mínimos e máximos obtidos foram de 3,4 a 10,9% respectivamente, mostrando que as variações do experimento ocorreram dentro de controle similar ao observado por outros autores como Gonçalves et al. (2007).

Tabela 4: Quadrados médios, coeficientes de variação (CV) e média geral do perímetro do caule, referentes às análises de variância dos 14 clones de seringueira do experimento de avaliação em grande escala, instalado no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC) e situado em Votuporanga, na região noroeste do Estado de São Paulo 

1Abertura do painel de sangria.

**Significativo a 1% de probabilidade.

As medidas do perímetro do caule, na pré-sangria e pós-sangria (Tabela 5), mostram que nenhum clone foi superior estatisticamente à testemunha. Na pré-sangria, o clone IAC 15 apresentou a maior percentagem, no entanto, apenas (0,72%) superior à testemunha. Já na pós-sangria, os clones com melhores desempenhos foram IAC 15 e IAC 44, superiores apenas 1,63 e 2,80%, respectivamente, à testemunha. Apesar de não diferirem estatisticamente da testemunha, esses clones são uma alternativa para diversificar plantios com seringueira.

Tabela 5: Médias dos perímetros dos caules (cm) medidos a 1,20 metros acima do calo de enxertia, avaliados nos anos ímpares do terceiro ao sétimo antes da abertura do painel de sangria e, nos anos pares, após a abertura do painel de sangria, avaliado dos 14 clones analisados no experimento de avaliação em grande escala, instalado no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC) e situado em Votuporanga, na região noroeste do Estado de São Paulo 

*: Testemunha.

1: Ano da abertura do painel de sangria.

Médias com letras diferentes diferem estatisticamente entre si no teste de diferença mínima significativa pelo método de Tukey com 5% de probabilidade.

Na diagonal inferior da Tabela 6, estão apresentadas as estimativas dos coeficientes de correlação genética entre os anos de produção avaliados. Todas as correlações entre o primeiro e oitavo ano foram positivas e significativas; observam-se altas correlações entre os anos mais próximos e menores entre os anos mais distantes, similarmente ao observado por Gonçalves et al. (2005 ae b) para outra população de clones.

Tabela 6: Coeficientes de correlação fenotípica (rfna diagonal superior) e genotípica (rgna diagonal inferior) entre as médias anuais de produção dos clones, do experimento de avaliação em grande escala, instalado no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC), e situado em Votuporanga, na região noroeste do Estado de São Paulo 

* Significativo a 5 % de probabilidade.

**Significativo a 1% de probabilidade.

Na diagonal superior da Tabela 6, também, estão apresentadas as estimativas dos coeficientes de correlação fenotípica entre os anos de produção avaliados. De maneira similar à das correlações genéticas, todas as correlações fenotípicas, do primeiro ao oitavo ano, foram positivas e significantes entre si, mas apresentando valores ligeiramente menores que os observados nas correlações genotípicas. Segundo Aguiar et al.(2010), quando há proximidade na magnitude entre as correlações fenotípicas e genotípicas, geralmente é por causa da pequena influência ambiental sobre a associação entre os caracteres avaliados.

As estimativas dos coeficientes de correlação genotípica e fenotípica do vigor são apresentadas, respectivamente, nas diagonais inferior e superior da Tabela 7. Observam-se correlações significativas e positivas entre todos os pares de anos avaliados, exceto para o terceiro ano, que, após o décimo ano não se correlacionou com nenhum ano. Gonçalves et al. (2009) explicam que, após a abertura do painel de sangria, o produto fotossintetizado é repartido entre duas fontes competidoras, o crescimento da planta e o látex explotado. Isso pode explicar essa falta de correlação observada entre o terceiro ano e os anos pós-sangria.

Tabela 7: Coeficientes de corelação fenotípica (rfna diagonal superior) e correlação genotípica (rgna diagonal inferior) referente a média do perímetro dos caules para os clones analisados no experimento de avaliação em grande escala, instalados no Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais, pertencente ao Instituto Agronômico (IAC), e situado em Votuporanga, na região noroeste do Estado de São Paulo 

1Abertura do painel de sangria.

** Significativo a 5% de probabilidade.

**Significativo a 1% de probabilidade.

ns Não significativa.

Conclusões

Os clones de seringueira IRCA 111 e PB 235 são considerados favoráveis à recomendação para plantio em pequena escala, por apresentarem o melhor desempenho quanto à produção.

Com base nas altas correlações obtidas para o caráter de produção, é possível realizar a seleção dos clones potencialmente mais produtivos, com base na primeira avaliação. Isto porque a correlação 0,65 é moderada, quase forte. Para se elevar este valor ao quadrado, tem-se um coeficiente de determinação da ordem de 42%. Já constituem um excelente filtro uma correlação e um coeficiente de determinação destas magnitudes. Para evitar a perda de material promissor, o que se recomendaria, além de tudo, é uma seleção com menor intensidade, visto este aspecto.

Não é aconselhável realizar a seleção dos clones vigorosos na pré-sangria.

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Pesquisa executada com recursos parciais da FAPESP

Received: May 07, 2014; Accepted: July 16, 2015

*Autor para correspondência: hagittdr@gmail.com

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